{"id":12686,"date":"2012-02-18T17:50:21","date_gmt":"2012-02-18T20:50:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12686"},"modified":"2024-01-15T00:09:12","modified_gmt":"2024-01-15T03:09:12","slug":"cinema-os-descendentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/18\/cinema-os-descendentes\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Os Descendentes&#8221; est\u00e1 falando de voc\u00ea, de mim, de n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12688\" title=\"descendentes\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/descendentes.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt King \u00e9 advogado, e, mais do que isso, aquele tipo de profissional que se dedica tanto ao trabalho que, muitas vezes, a sua vida pessoal fica em segundo plano. Ele nasceu e vive em uma das ilhas do arquip\u00e9lago do Hava\u00ed, e logo no come\u00e7o da hist\u00f3ria preocupa-se em avisar que n\u00e3o pisa numa prancha h\u00e1 mais de 15 anos, tentando desmistificar a ideia de para\u00edso que o mundo (e os filmes de Elvis) criou (criaram) do arquip\u00e9lago no meio do Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de advogado que trabalha demais (sua persona workaholic parece mais uma casca para fugir do que realmente importa na vida \u2013 e ningu\u00e9m pode dizer ao certo o que realmente importa para ele \u2013 e para si mesmo), Matt King \u00e9 um dos descendentes de centenas de milhares de hectares de terras virgens no arquip\u00e9lago, e ainda o respons\u00e1vel na fam\u00edlia por gerir o esp\u00f3lio, que neste momento est\u00e1 sendo desejado por dezenas de redes de resorts.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia, neste caso, quer dizer mais de 10 primos que vivem da renda de outras terras que foram vendidas anos e anos atr\u00e1s, mas que sem saber gerenciar o dinheiro ganho, querem que Matt consiga uma nova bolada pelo \u00faltimo territ\u00f3rio, dinheiro que os permita viver mais algumas d\u00e9cadas sem se preocupar com trabalho. A palavra final, no entanto, \u00e9 de Matt King, que al\u00e9m deste \u201cproblema\u201d ainda tem outros, t\u00e3o s\u00e9rios quanto, para resolver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saber: sua esposa, Elizabeth, sofreu um violento acidente no mar e est\u00e1 h\u00e1 23 dias em coma. Os m\u00e9dicos j\u00e1 desistiram e o caminho natural \u00e9 desligar os aparelhos, mas Matt precisa reunir a fam\u00edlia (uma de suas filhas, Alexandra, estuda em outro arquip\u00e9lago) e os amigos para uma despedida. H\u00e1 mais drama na trama, mas estes quatro par\u00e1grafos servem para que voc\u00ea desenhe em sua cabe\u00e7a o mundo todo particular deste homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 60 anos, e com uma filmografia diminuta, mas consistente, Alexander Payne conseguiu depurar ainda mais seu cinema ap\u00f3s sete anos sem um longa-metragem. Ele conquistou a aten\u00e7\u00e3o do mundo com \u201cAs Confiss\u00f5es de Schmidt\u201d (2002) e, principalmente, \u201cSideways &#8211; Entre Umas e Outras\u201d, de 2004 (o \u00f3timo \u201cElei\u00e7\u00e3o\u201d, de 1999, precisa ser redescoberto), dois filmes focados no lado sem gra\u00e7a, por vezes comum, do ser-humano \u2013 e, exatamente por isso, quase c\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12692\" title=\"descendentes1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/descendentes1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/descendentes1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/descendentes1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs Descendentes\u201d (&#8220;The Descendants&#8221;, 2011) segue pela mesma trilha aberta por seus antecessores, e soa como se o realismo italiano tivesse renascido em Omaha, Nebraska, terra do diretor, e migrado para o Hava\u00ed, local em que George Clooney d\u00e1 voz e corpo para o personagem principal em uma das atua\u00e7\u00f5es menos glamourosas (e at\u00e9 corajosa) de sua vida: um homem cinquent\u00e3o que sofre com a idade, com a perda da mulher e com a responsabilidade familiar. E, claro, consigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O elenco de apoio tamb\u00e9m mostra qualidades: a estreante Amara Miller (como Scottie, filha mais nova de Matt) e Shailene Woodley (como Alexandra, filha mais velha \u2013 e rebelde), que foi indicada ao Globo de Ouro na categoria Atriz Coadjuvante em seu primeiro papel de destaque no cinema ap\u00f3s anos dedicados a s\u00e9ries de TV, d\u00e3o leveza e humor ao filme, muito embora o grande momento c\u00f4mico seja protagonizado pelo veterano Robert Forster.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexander Payne despe seus personagens de sedu\u00e7\u00e3o f\u00edsica at\u00e9 o limite que consegue. Assim, as mulheres (e alguns homens) v\u00e3o suspirar por George Clooney muito mais por vicio do que pelos atributos exibidos por seu personagem cansado e sofrido. Quando uma bela atriz surge em cena \u2013 como, por exemplo, Judy Greer -, a c\u00e2mera est\u00e1 distante na praia, o vento preenchendo a roupa, e ela olhando os filhos no mar. S\u00e3o pessoas comuns vivendo hist\u00f3rias comuns. Payne quer que voc\u00ea se concentre no que n\u00e3o est\u00e1 na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo bem, nem toda pessoa comum \u00e9 herdeira de um mundo de terras no Hava\u00ed, mas a trama tenta \u2013 e consegue \u2013 n\u00e3o se contaminar por tudo aquilo que Hollywood prega como cool &#8211; e que os Estados Unidos defendem como &#8216;american way of life&#8217;. E assim \u201cOs Descendentes\u201d segue seu curso, com Matt enfrentando os problemas que surgem de maneira honesta at\u00e9 o final aconchegante, como se todos os problemas existissem para nos unir. Soa simplista demais, mas tamb\u00e9m delicado e sincero, muito pela maneira que Payne conduz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja pouco para a eternidade &#8211; e as premia\u00e7\u00f5es do filme no Globo de Ouro e suas cinco indica\u00e7\u00f5es ao Oscar apenas sinalizem o momento de estagna\u00e7\u00e3o do cinema atual &#8211; desde&#8230; 2005, 2006? &#8211; mas, por duas horas em uma sala escura, Alexander Payne consegue enlevar o espectador com extrema delicadeza ao contar uma hist\u00f3ria comum de um homem comum. Ele est\u00e1 falando de voc\u00ea, de mim, de n\u00f3s. De nossos dramas, d\u00favidas e certezas. E ele tem o dom da orat\u00f3ria cinematogr\u00e1fica. Vale parar por um momento para &#8220;ouvir&#8221; o que ele tem a dizer.<\/p>\n<p>https:\/\/youtube.com\/watch?v=X-YyHuatMPY<\/p>\n<p>Marcelo Costa \u00e9 jornalista, editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Sideways&#8221;: Alexander Payne continua contando piadas sem gra\u00e7a, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/sideways.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nAlexander Payne segue pela trilha aberta por &#8220;Sideways&#8221; e soa como se o realismo italiano tivesse renascido em Omaha\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/18\/cinema-os-descendentes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12686"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12686"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79031,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12686\/revisions\/79031"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}