{"id":12669,"date":"2012-02-18T10:21:24","date_gmt":"2012-02-18T13:21:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12669"},"modified":"2012-02-29T20:36:08","modified_gmt":"2012-02-29T23:36:08","slug":"cinema-a-dama-de-ferro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/18\/cinema-a-dama-de-ferro\/","title":{"rendered":"Cinema: A Dama de Ferro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12671\" title=\"adama\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/adama.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos grandes personagens da segunda metade do s\u00e9culo 20, Margaret Thatcher ascendeu ao cargo de Primeira Ministra do Reino Unido em maio de 1979, sendo a primeira mulher em tal posi\u00e7\u00e3o, e passou 11 anos enfrentando de grevistas a terroristas, de infla\u00e7\u00e3o a guerras, al\u00e9m da pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o de seu partido na C\u00e2mara dos Lordes, devido ao mandato austero e autorit\u00e1rio que imprimiu com m\u00e3o de ferro e discursos potentes e intimidadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerada como &#8220;O homem forte do Reino Unido&#8221;, por Ronald Reagan, ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Margaret Thatcher carrega dezenas de elementos interessantes para a dramaturgia, mas o que sobra de \u201cA Dama de Ferro\u201d (\u201cThe Iron Lady\u201d, 2011) \u00e9 apenas um verniz hist\u00f3rico que serve de trampolim para mais uma atua\u00e7\u00e3o consagradora de Meryl Streep, que lhe rendeu sua 17\u00aa indica\u00e7\u00e3o ao Oscar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meryl Streep vale o filme. \u00c9 impressionante como a atriz norte-americana consegue se adaptar (mais uma vez) ao personagem, vestindo-se de tiques, sotaques e traumas. E s\u00e3o duas personagens em a\u00e7\u00e3o: uma Thatcher chefe de governo, com voz forte e aguda que d\u00f3i os ouvidos tanto quanto intimida por sua seguran\u00e7a e severidade; e outra Thatcher envelhecida, sofrendo de Alzheimer e com alucina\u00e7\u00f5es com o passado e o marido morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A roteirista Abi Morgan usa as alucina\u00e7\u00f5es do personagem como elo de liga\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas tempos da hist\u00f3ria (h\u00e1, ainda, uma Thatcher jovem interpretada com seguran\u00e7a por Alexandra Roach), e faz uma bagun\u00e7a generalizada que serve mais para colorir o drama do que para aprofundar a personalidade do personagem. Fatos hist\u00f3ricos decisivos da hist\u00f3ria brit\u00e2nica passam como tempestade pela tela, e se perdem na cronologia da narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim \u00e9 poss\u00edvel flagrar alguns dos momentos decisivos do mandato da Dama de Ferro: o aumento do desemprego em 1981 (que chegou a marca de 3 milh\u00f5es \u2013 era 1 milh\u00e3o com Thatcher assumiu em 1979), fruto da retalia\u00e7\u00e3o da Primeira-Ministra aos sindicatos, que, segundo ela, manipulavam os trabalhadores; a greve dos mineiros em 1984 e o atentado do IRA durante um congresso do seu partido em Brighton; a dificuldade no tratamento com a Uni\u00e3o Europeia e, por fim, o poll tax, imposto regressivo que fazia com que os pobres pagassem a mesma coisa que os ricos em taxas \u2013 e que foi sua derrocada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12674\" title=\"adama1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/adama1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/adama1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/adama1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes fatos mais a Guerra das Malvinas, momento tenso em que a Primeira-Ministra ganhou popularidade ap\u00f3s a vit\u00f3ria (mesmo com a infla\u00e7\u00e3o e o desemprego) permitindo sua reelei\u00e7\u00e3o e seu segundo mandato (ela ainda seria eleita para um terceiro mandato) est\u00e3o todos ilustrados em \u201cA Dama de Ferro\u201d por imagens de \u00e9poca, vozes em off (e de fantasmas, como a do marido morto, que aparece para confirmar que a guerra garantiu sua reelei\u00e7\u00e3o), mas s\u00e3o consequ\u00eancias que justificam o mito, mas n\u00e3o o explicam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ignorando o personagem e concentrando-se apenas em suas a\u00e7\u00f5es, \u201cA Dama de Ferro\u201d parece um document\u00e1rio que relata desordenadamente os fatos, mas n\u00e3o os aprofunda nem os questiona. A imagem da Primeira Ministra adoecida, abandonada, pretende buscar um sentimento de piedade (que funciona como retrato de \u00e9poca na bel\u00edssima cena de abertura, uma Thatcher em dias atuais em uma vendinha de bairro), sensa\u00e7\u00e3o que o constante uso do flashback refor\u00e7a tornando a Dama de Ferro mais t\u00e1til, carnal \u2013 ainda que o autoritarismo diminua o espectador na cadeira do cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tentativa de humaniza\u00e7\u00e3o do personagem (que cresce em duas cenas finais: o descontrole em uma reuni\u00e3o do conselho e sua despedida, com funcion\u00e1rios em l\u00e1grimas \u2013 Quem chora por um patr\u00e3o t\u00e3o austero? Quem chora por um patr\u00e3o que queria que a empregada pagasse o mesmo imposto que o empres\u00e1rio?) emoldurada por seus atos (e n\u00e3o por todos: Margaret Thatcher privatizou empresas p\u00fablicas e terminou os anos 80 com a maior taxa de infla\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada) n\u00e3o define A Dama de Ferro. O espectador deixa o cinema sem saber qual a vis\u00e3o da diretora sobre a Primeira Ministra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem conclus\u00e3o, \u201cA Dama de Ferro\u201d serve apenas para Meryl Streep brilhar. Ela \u00e9 o grande trunfo do filme, e a diretora Phyllida Lloyd (que havia trabalhado com a atriz no musical \u201cMamma Mia!\u201d) precisa preservar sua amizade: Meryl Streep salvou \u201cA Dama de Ferro\u201d do fracasso. N\u00e3o deixa de ser c\u00f4mico: Phyllida Lloyd leva um banho de seu personagem. Sua Thatcher conduz o Reino Unido pelas trevas com m\u00e3o forte e voz firme \u2013 apesar de todos os percal\u00e7os. A diretora, por sua vez, trope\u00e7a no roteiro, no flashback, nos fatos. O resultado poderia ser pior &#8211; n\u00e3o fosse Meryl Streep.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. A Rainha Elizabeth n\u00e3o \u00e9 citada em nenhum momento. Falta de respeito com Helen Mirren&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fmHeSAdcfe8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/fmHeSAdcfe8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Julie e Julia&#8221;: Meryl Streep em maneirismos deliciosos, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/11\/29\/cinema-julie-e-julia\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;As Pontes de Madison&#8221;: Meryl Streep e Clint Eastwood, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/29\/dvd-as-pontes-de-madison\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;A Rainha&#8221;: perfeita conjun\u00e7\u00e3o entre elenco, dire\u00e7\u00e3o, roteiro e fotografia (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/arainha.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nMeryl Streep salvou o filme do fracasso. 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