{"id":12602,"date":"2012-02-14T22:06:05","date_gmt":"2012-02-15T00:06:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12602"},"modified":"2020-08-04T00:03:47","modified_gmt":"2020-08-04T03:03:47","slug":"entrevista-of-montreal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/14\/entrevista-of-montreal\/","title":{"rendered":"Entrevista: of Montreal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12621\" title=\"ofmontreal5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ofmontreal5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/rockastico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wagner Ximenes<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala-se muito na morte do rock e na falta da experimenta\u00e7\u00e3o de bandas mais novas, no entanto, nem tudo est\u00e1 perdido. N\u00e3o no que depender de Kevin Barnes, a mente criativa por tr\u00e1s da banda norte-americana of Montreal, que por sua natureza musical n\u00e3o aceita involuntariamente defini\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, passeando do rock experimental \u00e1 la Flaming Lips at\u00e9 um pop quase FM dos Bee Gees. Formada em 1996, e hoje com 11 \u00e1lbuns na bagagem, a banda teve seu nome inspirado em um relacionamento de Kevin com uma mulher de Montreal, no Canad\u00e1, que deu errado. No rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cParalytic Stalks\u201d, a vida pessoal e as ideologias do vocalista e l\u00edder da banda s\u00e3o a coluna vertebral do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 muita contempla\u00e7\u00e3o espiritual neste \u00e1lbum, acho que estou passando por algum tipo de crise existencial\u201d, desabafou Kevin ao falar sobre uma das faixas. Perform\u00e1tico no palco (quem os viu no Planeta Terra deve lembrar) e exc\u00eantrico em seus discos, ele n\u00e3o lembra com nostalgia dos anos 90 e tamb\u00e9m n\u00e3o entende o que as bandas atuais enxergam numa \u00e9poca em que as r\u00e1dios e as emissoras de TV ditavam o que devia ser sucesso nas paradas: \u201cA d\u00e9cada de 90 foi uma droga e eu odiava os anos 90. \u00c9 t\u00e3o estranho ouvir novas bandas que soam como bandas daquela \u00e9poca, eu n\u00e3o consigo ver romance l\u00e1, mas cada um na sua\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos anos de estrada e diversos registros em est\u00fadio, o of Montreal foi ganhando notoriedade nos \u00faltimos anos com direito a participa\u00e7\u00f5es em programas de audit\u00f3rios e trilha sonora em comerciais do Outback. Os \u00faltimos tr\u00eas \u00e1lbuns da banda entraram na famosa Billboard 200, talvez a parada musical mais cobi\u00e7ada no mundo por boa parte dos artistas. Mesmo com a alta exposi\u00e7\u00e3o que a conquista lhe garante, Kevin n\u00e3o demonstra deslumbramento com o sucesso. \u201cEu me comprometo a s\u00f3 fazer arte pela arte, ou seja, para a alegria e satisfa\u00e7\u00e3o que o processo criativo me traz. Se eu tivesse um disco que vendeu milhares de c\u00f3pias e foi extremamente comercial, mas eu n\u00e3o achasse que ele era bom eu n\u00e3o me sentiria bem com isso\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cParalytic Stalks\u201d ganhou edi\u00e7\u00e3o nacional via Deckdisc e \u00e9 um \u00e1lbum cheio de nuances, com momentos mais densos e psicod\u00e9licos, e outros bem pop. Todas as faixas foram escritas por Kevin e o disco foi bem recebido pela cr\u00edtica especializada em geral. O primeiro single, &#8220;Dour Percentage&#8221;, talvez umas das faixas mais acess\u00edveis do disco, foi apresentada pela banda no programa Late Night With Jimmy Fallon, mas ainda n\u00e3o possui videoclipe oficial. Abaixo voc\u00ea confere na \u00edntegra a entrevista feita por e-mail com Kevin Barnes exclusivamente para o Scream &amp; Yell, onde o m\u00fasico fala sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o de \u201cParalytic Stalks\u201d, suas influ\u00eancias (que incluem at\u00e9 Os Mutantes), e a passagem pelo Brasil em 2010, no festival Planeta Terra. Com voc\u00eas, Kevin Barnes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"100\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/v=2\/album=587593554\/size=venti\/bgcol=FFF68F\/linkcol=4285BB\/\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"100\" src=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/v=2\/album=587593554\/size=venti\/bgcol=FFF68F\/linkcol=4285BB\/\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o de \u201cParalytic Stalks\u201d?<\/strong><br \/>\nComecei a escrev\u00ea-lo no in\u00edcio de 2011 e terminei por volta de abril do ano passado. Gravei a maior parte no meu est\u00fadio caseiro em Athens, Ge\u00f3rgia, e basicamente juntei os instrumentos um de cada vez. Contei com a ajuda de um casal de \u201cm\u00fasicos s\u00e9rios\u201d, Kishi Bashi e Zac Colwell, nas sess\u00f5es mais instrumentais do \u00e1lbum. Eles tocaram os instrumentos que eu n\u00e3o sei tocar, como violino, flauta, clarinete e saxofone. Contratei tamb\u00e9m um guitarrista, um baixista, um tocador de foles, um harpista e um obo\u00edsta. Eu quis usar um monte de instrumentos org\u00e2nicos em vez de apenas utilizar vers\u00f5es de software dos mesmos. Eu estava passando por alguns problemas mentais pesados no momento e criar o \u00e1lbum me ajudou a canalizar toda a energia negativa em algo mais positivo. Isso meio que salvou minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que significa \u201cParalytic Stalks\u201d e qual o conceito da arte do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\n&#8220;Paralytic Stalks&#8221; pode ter um diferente n\u00famero de significados. Gosto do t\u00edtulo por essa raz\u00e3o. Uma das possibilidades de interpreta\u00e7\u00f5es \u00e9 como essa grava\u00e7\u00e3o foi um renascimento para mim, mas ao mesmo tempo prejudicou minha carreira, a partir do momento que decidi n\u00e3o ser comercial e n\u00e3o seguir tend\u00eancias. Meu irm\u00e3o David fez a arte do \u00e1lbum, ele quis refletir toda essa ang\u00fastia e sofrimento no \u00e1lbum. Acho que ele fez um grande trabalho capturando de uma maneira geral o espirito das m\u00fasicas nas ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O single &#8220;Dour Percentage&#8221; j\u00e1 ganhou refer\u00eancias de Bee Gees \u00e0 Pink Floyd, o que voc\u00ea acha disso? S\u00e3o influ\u00eancias?<\/strong><\/span><br \/>\nN\u00e3o diria que essas bandas sejam minhas maiores influ\u00eancias, apesar de gostar de algumas de suas m\u00fasicas. Inspiro-me em tantos diferentes estilos de m\u00fasica, sou um grande f\u00e3 dos Beatles, mas tamb\u00e9m sou grande f\u00e3 dos cl\u00e1ssicos do funk e do soul music nos anos 70 e do synth pop e hip hip moderno. Tento combinar todas essas influencias em um grande pote e ver como ficar\u00e1. Uma grande influencia minha \u00e9 a banda brasileira Os Mutantes. Eu me apaixonei por eles desde a primeira vez que os ouvi, eles me inspiram a arriscar e experimentar com arranjos distorcidos e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a maior diferen\u00e7a desse \u00e1lbum para os anteriores?<\/strong><br \/>\nUma das diferen\u00e7as \u00e9 que nenhuma m\u00fasica foi escrita sob a perspectiva de um personagem, todas as m\u00fasicas est\u00e3o conectadas diretamente na minha vida pessoal. Eu quis fazer algo bastante cru e emotivo e ao mesmo tempo aterrorizante e belo. Eu compus m\u00fasicas mais longas em uma tentativa de criar uma experi\u00eancia mais densa e complexa para as pessoas ouvirem. Percebo que este \u00e9 um \u00e1lbum bastante desafiador e que realmente n\u00e3o \u00e9 para o consumo da massa, mas que \u00e9 uma esp\u00e9cie de ponto. Sinto como se boa parte das m\u00fasicas hoje em dia se destinassem a ser apreciadas de imediato, e ent\u00e3o rapidamente ignoradas, as pessoas realmente n\u00e3o possuem mais tempo para mergulhar no meio de um \u00e1lbum, \u00e9 meio pat\u00e9tico, tudo est\u00e1 ficando t\u00e3o superficial e descart\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2010 a banda se apresentou no festival Planeta Terra e agora em \u201cWintered Debts\u201d voc\u00ea cita S\u00e3o Paulo.  Que recorda\u00e7\u00f5es voc\u00ea tem da passagem pelo Brasil?<\/strong><br \/>\nTenho \u00f3timas lembran\u00e7as daquela viagem. Era a minha primeira vez no Brasil e eu estava apavorado. A refer\u00eancia em \u201cWintered Debts\u201d \u00e9 de uma experi\u00eancia que tive na noite ap\u00f3s o festival. Eu tinha um DJ set e estava meio b\u00eabado e estraguei tudo, isso foi meio decepcionante. Mas ainda acho que a experi\u00eancia foi bem positiva, d\u00e1 pr\u00f3xma vez que eu for ai vou me assegurar de praticar um pouco mais minha auto-concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s da faixa &#8220;Gelid Ascent&#8221;?<\/strong><br \/>\nPenso na can\u00e7\u00e3o como um di\u00e1logo entre eu e Deus. Muitas pessoas acreditam que somos criados \u00e0 imagem de Deus, mas se realmente for esse o caso Deus \u00e9 extremamente selvagem e psic\u00f3tico. Eu estou dizendo a Deus que ele fala comigo atrav\u00e9s de seus atos violentos e de como isso \u00e9 desmoralizante para todos n\u00f3s, povos amantes da paz, termos que entrar em acordo com a brutalidade em tudo. H\u00e1 muita contempla\u00e7\u00e3o espiritual neste \u00e1lbum, acho que estou passando por algum tipo de crise existencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Onze discos em menos de vinte anos \u00e9 algo incomum para artistas atuais. H\u00e1 alguma preocupa\u00e7\u00e3o de um trabalho superar o outro e estar sempre gravando?<\/strong><br \/>\nNunca estou definitivamente satisfeito com o meu pr\u00f3prio trabalho. Eu sou movido a provar ao mundo e sou capaz de grandes coisas, pois quero ser considerado um grande artista, mas simplesmente n\u00e3o consigo fazer um grande \u00e1lbum, ent\u00e3o eu tento e eu tento e eu n\u00e3o vou desistir. Talvez um dia eu tropece em cima de uma id\u00e9ia muito grande e ent\u00e3o eu serei capaz de morrer feliz, por enquanto eu ainda estou lutando. A m\u00fasica \u00e9 uma forma de arte incr\u00edvel, existem tantas possibilidades diferentes, tantas formas diferentes de comunicar temas universais, bem como os mais abstratos e obl\u00edquos. [A m\u00fasica] \u00e9 uma besta muito misteriosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cada \u00e1lbum costuma ter uma sonoridade bem particular, flerte com outros ritmos. Essa \u00e9 uma necessidade de reinven\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estou interessado em seguir f\u00f3rmulas, estou sempre tentando explorar artisticamente um novo territ\u00f3rio, cada \u00e1lbum \u00e9 uma viagem de auto-descoberta para mim, no entanto, uma vez feita uma descoberta eu troco minha pele e me aprofundo na minha psique. Todos n\u00f3s temos tantos n\u00edveis diferentes para o nosso &#8220;eu&#8221;, eu amo essa capacidade da m\u00fasica em ajudar a descobrir estes novos aspectos e examin\u00e1-los e compreend\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12612\" title=\"ofmotreal2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ofmotreal2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ofmotreal2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ofmotreal2-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ofmotreal2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cParalytic Stalks\u201d vazou praticamente um m\u00eas antes do lan\u00e7amento oficial, isso te preocupa?<\/strong><br \/>\nIsso realmente n\u00e3o me incomoda. Do jeito que as coisas s\u00e3o agora n\u00e3o importa se um \u00e1lbum vaza um pouco mais cedo. Fiquei feliz que ele vazou apenas um m\u00eas antes para ser honesto, n\u00f3s tivemos alguns registros que vazaram com muitos meses de antecedencia. Um dos nossos \u00e1lbuns, \u201cHissing Fauna\u201d, vazou quatro meses antes da data de lan\u00e7amento e ele \u00e9 o nosso \u00e1lbum mais vendido. Sendo assim n\u00e3o acho sinceramente que prejudique tanto as vendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cFalse Priest\u201c voc\u00ea contou com a participa\u00e7\u00e3o de Janelle Mona\u00e9 e Solange Knowles. Existe algu\u00e9m que voc\u00ea gostaria de fazer uma parceria?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estou trabalhando com ningu\u00e9m no momento, mas amaria trabalhar com Little Dragon, Sufjan Stevens, Fiery Furnaces, Dirty Projectors, Damon Albarn, Erykah Badu&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os \u00faltimos \u00e1lbuns da banda foram conquistando posi\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas do topo da Billboard, logo ganharam mais visibilidade. Isso interfere na forma de fazer uma m\u00fasica mais acess\u00edvel e pop para agradar um p\u00fablico maior?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, me comprometo a s\u00f3 fazer arte pela arte, ou seja, para a alegria e satisfa\u00e7\u00e3o que o processo criativo me traz. Se eu tivesse um disco que vendeu milhares de c\u00f3pias e foi extremamente comercial, mas eu n\u00e3o achasse que ele era bom eu n\u00e3o me sentiria bem com isso. De certa maneira \u00e9 uma esp\u00e9cie de luta contra as possibilidades comerciais, seria f\u00e1cil para mim escrever um monte de m\u00fasicas super pegajosas e simples, mas n\u00e3o \u00e9 onde minha cabe\u00e7a est\u00e1. Eu quero escrever m\u00fasicas complexas e imprevis\u00edveis para as pessoas que amam a m\u00fasica como uma forma de arte e n\u00e3o como apenas um acess\u00f3rio descart\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como acontece a grava\u00e7\u00e3o de uma faixa t\u00e3o extensa, como \u201cAuthentic Pyrrhic Remission\u201d, que tem mais de dez minutos de dura\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nLevou um bom tempo para desenvolver essa [faixa]. Trabalhei nela muito mais que nas outras m\u00fasicas. O brilhante arranjador de cordas Kishi Bashi me ajudou com a parte do meio, fomos muito inspirado pela composi\u00e7\u00e3o \u201cThrenody to the Victims of Hiroshima\u201d, bem como \u201cThe Unanswered Question&#8221;, de Charles Ive. Eu queria criar um novo h\u00edbrido de m\u00fasica que combinasse funk, soul e pop com m\u00fasica cl\u00e1ssica de vanguarda, mas de uma forma que fizesse justi\u00e7a a todos os generos e n\u00e3o fosse apenas uma novidade. Em minhas m\u00fasicas eu posso fazer qualquer coisa que eu queira, eu sou completamente livre, n\u00e3o tenho regras ou restri\u00e7\u00f5es, se eu decidir desafiar o senso comum e transformar uma can\u00e7\u00e3o funk pop em uma cacofonia uivante terr\u00edvel de sete minutos e depois devolv\u00ea-la a uma balada de piano calmo, eu posso fazer. Por alguma raz\u00e3o a maioria dos m\u00fasicos n\u00e3o se permite ter muita liberdade, cumprem regras, modelos e arqu\u00e9tipos, eu digo foda-se os arqu\u00e9tipos!  Preciso fazer algo vivo e apaixonado, e n\u00e3o uma imita\u00e7\u00e3o de algo que outra pessoa j\u00e1 obteve sucesso com.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Voc\u00ea acha que as pessoas hoje ainda se dedicam em apreciar um \u00e1lbum mais denso e sofisticado? Digo, na Era da internet, de uma maneira geral, tudo \u00e9 muito r\u00e1pido e analisado de uma forma mais rasa. Concorda?<\/span><\/strong><br \/>\nEu concordo plenamente, e isso \u00e9 realmente triste. Acho que se resume a pessoas sem paix\u00e3o, sem for\u00e7a de alma. Eles n\u00e3o esperam que a arte v\u00e1 toc\u00e1-los profundamente, eles n\u00e3o esperam para ter esse tipo de relacionamento com ela, eles s\u00f3 querem ser superficiais, dan\u00e7ar e se divertir. Mas n\u00e3o acho que diver\u00e3o seja a busca mais importante na vida. Eu sei que sou um desajustado e uma aberra\u00e7\u00e3o, mas ainda mantenho a arte como algo sagrado e poderoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea, qual a maior diferen\u00e7a entre fazer m\u00fasica nos anos noventa e agora? Sente falta de algo?<\/strong><br \/>\nA d\u00e9cada de 90 foi uma droga, eu odiava os anos 90. \u00c9 t\u00e3o estranho ouvir novas bandas que soam como bandas daquela \u00e9poca, eu n\u00e3o consigo ver romance l\u00e1, mas cada um na sua. Na d\u00e9cada de 90 eu rejeitei completamente tudo o que era moderno na \u00e9poca e s\u00f3 ouvia bandas da d\u00e9cada de 50, 60 e 70. Eu n\u00e3o conseguia me identificar muitos com os meus contempor\u00e2neos. Mas agora me sinto de mais conectado aos meus colegas. Acho incr\u00edvel como \u00e9 f\u00e1cil descobrir novos artistas hoje em dia, os artistas n\u00e3o precisam de uma gravadora para assin\u00e1-los e dar-lhes um or\u00e7amento para grava\u00e7\u00e3o, a fim de fazer um bom som. Equipamento de grava\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o barato e acess\u00edvel agora. Eu acho que \u00e9 um grande momento para ser um artista na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os planos para a turn\u00ea? Pretendem voltar ao Brasil?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s amar\u00edamos voltar ao Brasil. Estamos atualmente em negocia\u00e7\u00e3o com um produtor no Chile e Argentina, esperamos haver a possibilidade de voltar ao Brasil de novo tamb\u00e9m! Isso me deixaria muito feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12619\" title=\"ofmontreal3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ofmontreal3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Texto por Wagner Ximenes (siga <a href=\"https:\/\/twitter.com\/rockastico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@rockastico<\/a>), jornalista e editor do <a href=\"http:\/\/rockline.mtv.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Portal RockLine<\/a><br \/>\n&#8211; Fotos de Kevin Barnes no show do of Montreal no Planeta Terra por <a href=\"http:\/\/lilianecallegari.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Liliane Callegari<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Balan\u00e7\u00e3o Planeta Terra 2010, por Marcelo Costa e Vladimir Cunha (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/28\/balancao-do-planeta-terra-2010\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cHissing Fauna, Are You the Destroyer?\u201d, of Montreal, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/01\/03\/hissing-fauna-are-you-the-destroyer-of-montreal\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Wagner Ximenes\n&#8220;A d\u00e9cada de 90 foi uma droga. \u00c9 t\u00e3o estranho ouvir novas bandas que soam como naquela \u00e9poca&#8221;, espeta Kevin Barnes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/14\/entrevista-of-montreal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12602"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12602"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12602\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56921,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12602\/revisions\/56921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}