{"id":12562,"date":"2012-02-13T08:47:09","date_gmt":"2012-02-13T10:47:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12562"},"modified":"2017-07-14T10:46:43","modified_gmt":"2017-07-14T13:46:43","slug":"progs-reacionarios-e-conservadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/13\/progs-reacionarios-e-conservadores\/","title":{"rendered":"Sob o CEL: Progs, Reacion\u00e1rios e Conservadores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12563\" title=\"king\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/king.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/king.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/king-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/king-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Progressivos, Reacion\u00e1rios e Conservadores<br \/>\nSob O CEL #12<br \/>\npor Carlos Eduardo Lima<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea, leitor, salvo exce\u00e7\u00e3o, aprendeu a detestar o rock progressivo desde bem cedo. Seu conhecimento do assunto deve variar por faixa et\u00e1ria, indo do desconhecimento absoluto do termo, passando por uma m\u00e1 vontade justificada apenas pelo que ouviu falar a respeito, chegando a um \u00f3dio at\u00e1vico, alimentado por informa\u00e7\u00f5es passadas aqui e ali, por gente que cresceu na d\u00e9cada de 1970 com nojinho do estilo ou, pior, por implic\u00e2ncia com o irm\u00e3o mais velho, que n\u00e3o deixava mais ningu\u00e9m ouvir discos em casa. Mesmo assim, acho pouco prov\u00e1vel que haja algu\u00e9m, que realmente goste de m\u00fasica, incapaz de gostar de algo feito por Pink Floyd, Genesis ou Yes. Talvez s\u00f3 pelas justificativas anteriores, ou seja, por desconhecimento ou implic\u00e2ncia. Essas linhas v\u00e3o defender o estilo e indicar algumas coisas que voc\u00ea vai gostar de ouvir, seja para amar ou para poder falar mal com o m\u00ednimo de conhecimento de causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 alguns mitos engra\u00e7ados sobre o progressivo. O mais hil\u00e1rio \u00e9 atribuir ao estilo caracter\u00edsticas como &#8220;ultrapassado&#8221;. A id\u00e9ia dos arquitetos n\u00e3o intencionais do prog era justamente dar ao rock um revestimento cultural e art\u00edstico, que o fizesse ser mais respeitado pelos ouvintes &#8220;mais adultos&#8221;. Talvez tenha dado certo, mas n\u00e3o imaginaram que isso tornaria o rock mais careta e menos instigante. E como dariam esse banho de cultura em algo t\u00e3o americano e perigoso? Concedendo doses generosas de Europa, via m\u00fasica erudita e valoriza\u00e7\u00e3o de toda uma tradi\u00e7\u00e3o de corais de igreja, instrumentos de orquestra e figuras da literatura fant\u00e1stica, medieval e\/ou de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Nada errado em ser careta \u2013 algo que a gente s\u00f3 v\u00ea mais tarde na vida \u2013 at\u00e9 porque o progressivo caiu no gosto de muita gente, espalhando-se logo pela Europa, chegando a lugares ainda estranhos, como Fran\u00e7a, Holanda, It\u00e1lia e Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sWn7qdzSiP4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/sWn7qdzSiP4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa nova vis\u00e3o cruzou o Atl\u00e2ntico e chegou aos Estados Unidos (e \u00e0 Am\u00e9rica Latina) como algo absolutamente novo e capaz de gerar impacto cultural relevante. Foi assim com bandas ianques como Boston e Styx e brasileiras, como Mutantes, que mudaram suas dire\u00e7\u00f5es musicais completamente a partir do estouro mundial e comercial do progressivo, l\u00e1 por 1972\/73. Mais engra\u00e7ado \u00e9 perceber que a t\u00e3o incensada m\u00fasica psicod\u00e9lica, feita por gente como o Pink Floyd inicial ou mesmo bandas como Doors ou Mothers Of Ivention, pra n\u00e3o falar nos pr\u00f3prios Beatles, traz o DNA do progressivo. Dessas experi\u00eancias, caracterizadas pela expans\u00e3o de limites est\u00e9ticos e mesmo de dura\u00e7\u00e3o das composi\u00e7\u00f5es, fez-se o campo f\u00e9rtil para pensar em misturar orquestra e literatura. Por que o rock n\u00e3o poderia ser um pouco erudito, oras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muita coisa boa foi feita no progressivo. Desde o primeiro disco que se enxergava dessa forma, \u201cDays Of Future Passed\u201d, do Moody Blues (1967), passando por divisores de \u00e1gua como \u201cThird\u201d, do Soft Machine (1970) e \u201cIn The Court Of Crimson King\u201d, do King Crimson (1969) para chegar em obras consolidadas como \u201cClose To The Edge\u201d (Yes, 1972) e \u201cSelling England By The Pound\u201d (Genesis, 1973), h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o riqu\u00edssima, levada a cabo por pequenos enfants terribles, que aprendiam tudo sobre seus instrumentos antes dos 15 anos de idade. Os sujeitos que formaram o Genesis ainda n\u00e3o tinham 18 anos quando se encontraram no col\u00e9gio. O progressivo era, portanto, uma tend\u00eancia mundial. Enquanto os maiores expoentes do g\u00eanero realmente atingiam um ponto em que conseguiam aliar qualidade e \u00eaxito comercial, o mundo mudava. Os desbundes dos anos 60 ficavam para tr\u00e1s, \u00e0 medida que a d\u00e9cada de 1970 avan\u00e7ava, trazendo a quase certeza de uma guerra nuclear, a derrota americana (e do Ocidente) na Guerra do Vietn\u00e3, o alastramento dos problemas sociais, fazendo-os chegar \u00e0s portas da pr\u00f3pria Europa, o arroxo de sal\u00e1rios e o choque entre as conquistas do chamado Estado de Bem Estar Social e a realidade da crise do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7Rn9tzirks4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7Rn9tzirks4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas e outras mazelas mundiais, refletidas na sociedade, come\u00e7aram a cortar a \u00e1rvore do progressivo, cada vez mais focado na habilidade de m\u00fasicos que cultivavam egos t\u00e3o grandes quanto os solos que exigiam dar por cada show. At\u00e9 gente que n\u00e3o era exatamente progressiva \u2013 mas pegava emprestado alguns elementos aqui e ali, como o Led Zeppelin, por exemplo \u2013 sofreu com isso. Junto disso vieram os primeiros ind\u00edcios de rea\u00e7\u00e3o concreta ao progressivo e toda a aura elitizada que ele sugeria. N\u00e3o me refiro ao &#8220;I Hate Pink Floyd&#8221; na camiseta do Sid Vicious, mas a pr\u00f3pria perda de contato do progressivo com a realidade. N\u00e3o se tratava mais de aculturar o rock, mas de um movimento sem eira nem beira, perdido em egolatrias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bandas mais urgentes, simples e diretas come\u00e7aram a surgir, oferecendo \u00e0s bandas progressivas duas op\u00e7\u00f5es: acabar ou se adaptar \u00e0 nova realidade, o que significava olhar pra fora da Europa e ver a m\u00fasica do mundo, algo que Peter Gabriel, vocalista e mastermind do Genesis, fez ao deixar a banda em 1975, obrigando o quarteto restante, Phil Collins \u00e0 frente, a mudar a sonoridade e torn\u00e1-la cada vez mais pop e &#8220;comercial&#8221;. King Crimson se reinventaria; Emerson, Lake And Palmer encerraria atividades em 1978, ap\u00f3s o p\u00e9ssimo \u201cLove Beach\u201d; o Yes se perderia em meio a problemas entre seus integrantes e se reinventaria mais tarde, s\u00f3 em 1984. Enfim, o progressivo inicial, deixaria de existir completamente. Sua marca estaria presente na mente de toda a gera\u00e7\u00e3o que produziu m\u00fasica dos anos 70 at\u00e9 os 90, seja como modelo a ser e a n\u00e3o ser seguido. \u00c9 um erro, no entanto, dizer que as obras feitas a partir da virada dos anos 70\/80 n\u00e3o tenham valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas bandas souberam se adaptar totalmente \u00e0 nova realidade, como o pr\u00f3prio Yes, o Moody Blues, a Electric Light Orchestra, Genesis e Pink Floyd, que lan\u00e7aram discos legais e embarcaram em turn\u00eas milion\u00e1rias pelo mundo. Vamos ent\u00e3o dar uma olhadinha nas dicas de coisas legais pra ouvir dentro do escaninho do prog rock. Garanto que voc\u00ea n\u00e3o vai se arrepender e olha que eu nem vou mencionar o disco do estilo que voc\u00ea provavelmente mais gosta, o \u201cOK Computer\u201d, do Radiohead. Afinal de contas, este n\u00e3o \u00e9 um texto pol\u00eamico&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_TKuG1GlwPs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_TKuG1GlwPs\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pink Floyd \u2013 \u201cAnimals\u201d (1976)<\/strong><br \/>\n\u00c9 o disco menos badalado do Floyd e talvez o que traga mais viol\u00eancia por parte de Roger Waters. Pra quem n\u00e3o sabe, o baixista e c\u00e9rebro da banda nunca foi um cara light ou cordial. Em meio \u00e0s porradas internas e o \u00f3dio de Waters em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, obras como \u201cDark Side Of The Moon\u201d ou \u201cWish You Were Here\u201d n\u00e3o pareciam se alimentar s\u00f3 disso. Em \u201cAnimals\u201d, j\u00e1 pelo t\u00edtulo, h\u00e1 a compara\u00e7\u00e3o da humanidade a meros animais. Recomenda-se que ele seja ouvido integralmente, naquele esquema tradicionalmente progressivo de faixas emendadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Xse9tqC-Lu4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Xse9tqC-Lu4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Genesis \u2013 \u201cSeconds Out\u201d (1977)<\/strong><br \/>\nO Genesis \u00e9 a grande banda progressiva. Os caras foram capazes de produzir discos essenciais para o estilo desde 1971 (ano de lan\u00e7amento de \u201cNursery Crime\u201d, sua primeira obra realmente importante), chegando at\u00e9 1983 com um prest\u00edgio mais ou menos inabalado, mesmo com a sa\u00edda de Peter Gabriel. Esse disco duplo ao vivo honra a tradi\u00e7\u00e3o daqueles registros intermin\u00e1veis, complexos, com participa\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia, vers\u00f5es extendidas, tudo da turn\u00ea de \u201cWind And Wuthering\u201d, lan\u00e7ado um ano antes, segundo trabalho da banda sem Gabriel. Phil Collins assumia os vocais sem problemas, intercalando as performances na bateria com Bill Bruford (ex-Yes) e Chester Thompson, que empreendiam duelos com Collins. As vers\u00f5es ao vivo para &#8220;I Know What I Like&#8221; e &#8220;Carpet Crawlers&#8221; s\u00e3o grandes momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9muzyOd4Lh8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9muzyOd4Lh8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Moody Blues \u2013 \u201cDays Of Future Passed\u201d (1967)<\/strong><br \/>\nO primeiro disco progressivo, o primeiro disco com uma orquestra inteira no est\u00fadio, o pioneiro em can\u00e7\u00f5es compostas de maneira interligada, todas falando sobre o decorrer de um dia, do amanhecer \u00e0 noite. Desse disco saiu um grande hit mundial, &#8220;Nights In White Satin&#8221;, uma majestosa balada sobre a noite que chega no mundo e o que ela traz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HO8n5gmk0nU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HO8n5gmk0nU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>King Crimson &#8211; &#8220;In The Wake Of Poseidon&#8221; (1969)<\/strong><br \/>\nA obra atormentada de Robert Fripp, sujeito louco e genial, que mudou o direcionamento sonoro de toda banda psicodeliquinha que estava engatinhando na \u00e9poca. Ao ouvir os ataques de guitarra em coisas como &#8220;Epitaph&#8221; ou &#8220;20th Century Schizoyd Man&#8221; ou a leveza de bateria e flauta de &#8220;I Talk To The Wind&#8221;, resolveram rever conceitos e abra\u00e7ar a causa. A capa com o monstruoso ser gritando \u00e9 um emblema rocker t\u00e3o poderoso quanto os Beatles atravessando Abbey Road.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GNkWac-Nm0A\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GNkWac-Nm0A\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Yes &#8211; &#8220;Close To The Edge&#8221; (1972)<\/strong><br \/>\nS\u00e3o apenas tr\u00eas m\u00fasicas, sendo que os quase 9 minutos de &#8220;Siberian Khatru&#8221; indicam a menor delas. A alquimia entre o virtuosismo de Chris Squire (baixo), Rick Wakeman (teclados), Alan White (bateria) e Steve Howe (guitarras) a as letras esot\u00e9ricas e o vocal de Jon Anderson fizeram do Yes a banda mais influente do progressivo. Ecos de sua sonoridade podem ser ouvidas em tudo o que se fez no estilo em terras nacionais, de Ter\u00e7o a 14 Bis, passando por Mutantes e Milton Nascimento. Em Close To The Edge h\u00e1 o equil\u00edbrio de for\u00e7as, algo que j\u00e1 havia sido insinuado pelo disco anterior, Fragile. &#8220;And You And I&#8221;, com seus dez minutos, \u00e9 a grande estrela por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/pmtWExgQYs4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/pmtWExgQYs4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Emerson, Lake And Palmer \u2013 \u201cBrain Salad Surgery\u201d (1973)<\/strong><br \/>\nA banda que mais valorizou o virtuosismo em todo o progressivo. Carl Palmer, Keith Emerson e Greg Lake, cada um ao seu jeito, fazia o que queria ao vivo, de perip\u00e9cias sinf\u00f4nicas a baladas derramadas, tudo com talento e vigor. A vis\u00e3o da capa j\u00e1 aponta para as f\u00e1bulas de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dist\u00f3picas, como \u201c1984\u201d ou \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d, algo que tamb\u00e9m pode ser encarado como o futuro chegando. A balada &#8220;Still&#8230;You Turn Me On&#8221; foi sucesso nas paradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KJBTOC3Mfpk\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KJBTOC3Mfpk\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alan Parsons Project \u2013 \u201cI Robot\u201d (1977)<\/strong><br \/>\nParsons era o sujeito que estava na mesa do est\u00fadio de Abbey Road quando o Pink Floyd gravou \u201cDark Side Of The Moon\u201d em 1973. Produtor, engenheiro de som, &#8220;n\u00e3o-m\u00fasico&#8221;, ele resolveu dar asas a sua imagina\u00e7\u00e3o a partir de 1976, com \u201cTales Of Mystery and Imagination: Edgar Allan Poe\u201d, que foi recebido com obra de arte pelos nerds e geeks da \u00e9poca. A id\u00e9ia era usar v\u00e1rios m\u00fasicos e vocalistas para executar as composi\u00e7\u00f5es de Parsons, sob seus ausp\u00edcios musicais. \u201cI Robot\u201d foi seu segundo disco, inspirado no livro hom\u00f4nimo de Isaak Asimov.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PeFfiN-htZg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PeFfiN-htZg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rush \u2013 \u201c2112\u201d (1976)<\/strong><br \/>\nO trio canadense foi uma dessas bandas que se banharam nas \u00e1guas mitol\u00f3gicas e eruditas do progressivo quando ele chegou \u00e0 Am\u00e9rica. Inicialmente um grupo de hard rock nos moldes de Led Zeppelin e Deep Purple, o Rush foi incorporando tinturas prog aqui e ali. O lan\u00e7amento desse seu quarto disco trazia uma banda totalmente diferente, dando vaz\u00e3o \u00e0 verve sci-fi do baterista virtuoso Neil Peart e falando sobre contos de conquista e opress\u00e3o em uma sociedade futurista. O chamado lado A do disco era uma \u00fanica suite, com grandes altera\u00e7\u00f5es de andamento e melodia, enquanto que cinco can\u00e7\u00f5es menores ocupavam o lado B, com destaque para &#8220;Passage To Bangkok&#8221;. A partir da\u00ed o Rush nunca mais seria o mesmo e arregimentaria uma legi\u00e3o de f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zu1GuGXGvyE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zu1GuGXGvyE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Renaissance \u2013 \u201cAshes Are Burning\u201d (1973)<\/strong><br \/>\nO grande diferencial do Renaissance era a voz celestial de Anne Haslam, musa do progressivo que tem admiradores at\u00e9 hoje. Ap\u00f3s o sucesso do disco anterior, \u201cPrologue\u2019, lan\u00e7ado um ano antes, \u201cAshes Are Burning\u201d chegava baseado na faixa-t\u00edtulo e seus mais de dez minutos de dura\u00e7\u00e3o. No Brasil este disco produziu um insuspeito hit single, a balada &#8220;Let It Grow&#8221;, que embalou muitos romances p\u00f3s-hippies por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TLbYL10c1zo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TLbYL10c1zo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Supertramp \u2013 \u201cEven In The Quietest Moments\u201d (1977)<\/strong><br \/>\nO Supertramp n\u00e3o era exatamente uma banda progressiva, mas fez uso de todo o approach do estilo em sua receita musical, um pop refinad\u00edssimo, decorado com solos de sopros \u2013 a cargo do multipumonar John Heliwell \u2013 e teclados, manuseados por Rick Davies e Roger Rodgson, ambos compositores, vocalistas e antagonistas, visto que sempre andaram \u00e0s turras. Este disco \u00e9 o trabalho mais progressivo do Supertramp, sobretudo pela presen\u00e7a da bel\u00edssima &#8220;Fools Overture&#8221;, com mais de dez minutos, na verdade um libelo pacifista anti-Segunda Guerra Mundial, cheia de sons de discursos de Churchill, sirenes, corais e sinos, tudo levado a cabo pela parafern\u00e1lia jur\u00e1ssica dos anos 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lTG25LdQAMY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/lTG25LdQAMY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bacamarte \u2013 \u201cDepois do Fim\u201d (1983)<\/strong><br \/>\nQuase um mito, o Bacamarte talvez tenha sido a banda progressiva brasileira com maior capacidade de oferecer algo novo. Formado no Rio por colegas de col\u00e9gio, tendo no guitarrista e compositor Mario Neto a sua figura central, a banda gravou as can\u00e7\u00f5es de \u201cDepois do Fim\u201d no final da d\u00e9cada de 1970, mas n\u00e3o tinha como lan\u00e7ar, sendo rejeitado por gravadoras ante o suposto baixo potencial comercial. Com a entrada no ar da R\u00e1dio Fluminense FM, em mar\u00e7o de 1982, a banda teve suas fitas tocadas e uma legi\u00e3o de f\u00e3s se estabeleceu, indo al\u00e9m do territ\u00f3rio nacional. O disco foi lan\u00e7ado de forma independente e tornou-se objeto de colecionador. Os vocais de Jane Duboc, as guitarras de Neto, os sopros de Marcus Moura eram os elementos centrais da sonoridade do Bacamarte. Em 2009 a Som Livre reeditou \u201cDepois do Fim\u201d em CD, com remasteriza\u00e7\u00e3o a cargo da pr\u00f3pria banda. Conta a lenda que o Genesis, em excurs\u00e3o pelo Brasil em 1977 e em vias de perder o guitarrista Steve Hackett, viu a performance do Bacamarte na televis\u00e3o, tendo feito a proposta para Mario Neto substituir Hackett. Os pais do jovem guitarrista \u2013 ainda menor de 18 anos na \u00e9poca \u2013 n\u00e3o permitiram que ele se integrasse \u00e0 banda inglesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12580\" title=\"albuns\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/albuns.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CEL \u00e9 Carlos Eduardo Lima (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/celeolimite\" target=\"_blank\">@celeolimite<\/a>),   historiador, jornalista e f\u00e3 de m\u00fasica. Conhece Marcelo Costa por  carta  desde o fim dos anos 90, quando o Scream &amp; Yell era um  fanzine  escrito por ele e amigos, l\u00e1 em sua natal Taubat\u00e9. J\u00e1 escreveu  no  S&amp;Y por um bom tempo, em idas e vindas. Hoje tem certeza de que o   mundo como o conhec\u00edamos acabou l\u00e1 por volta de 1994\/95 mas n\u00e3o est\u00e1   conformado com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/sob_o_ceu\/\"><strong>LEIA OUTRAS COLUNAS DE CARLOS EDUARDO LIMA NO SCREAM &amp; YELL<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Na m\u00e1quina do tempo com o Rush, por Thiago Pereira e Terence Machado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/10\/25\/na-maquina-do-tempo-com-o-rush\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; NEU!, Kak, Julian&#8217;s Treatment e mais no\u00a0 Rock Raro, por Wagner Xavier (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/rockraro.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sob O CEL #12\nVoc\u00ea, leitor, salvo exce\u00e7\u00e3o, aprendeu a detestar o rock progressivo desde bem cedo. 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