{"id":12355,"date":"2012-01-30T00:30:34","date_gmt":"2012-01-30T02:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=12355"},"modified":"2021-09-20T00:43:00","modified_gmt":"2021-09-20T03:43:00","slug":"cinema-j-edgar-clint-eastwood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/30\/cinema-j-edgar-clint-eastwood\/","title":{"rendered":"Cinema: J. Edgar, Clint Eastwood"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12356\" title=\"edgar\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/edgar.jpg\" alt=\"\" \/><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/imont\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Itamar Montalv\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante quase meio s\u00e9culo, John Edgar Hoover foi a face p\u00fablica da m\u00e1quina repressora norte-americana. Um dos homens mais poderosos e controversos do s\u00e9culo XX, desde sua nomea\u00e7\u00e3o como assistente do procurador-geral dos EUA, logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Primeira Guerra Mundial, at\u00e9 sua morte em 1972, j\u00e1 no governo de Richard Nixon, Hoover viu oito presidentes tomarem posse da janela de seu gabinete, desafiou todos eles e construiu uma das organiza\u00e7\u00f5es policiais mais eficientes e temidas do mundo, o Federal Bureau of Investigation. Como seu primeiro diretor, dotou o FBI de recursos tecnol\u00f3gicos inovadores para a \u00e9poca e concebeu a filosofia de investiga\u00e7\u00e3o daquilo que hoje conhecemos como \u201cpol\u00edcia cient\u00edfica\u201d. Tudo a servi\u00e7o do combate \u00e0 amea\u00e7a comunista, sua maior obsess\u00e3o, e de seu \u00e2nimo inabal\u00e1vel para frear o avan\u00e7o do movimento pelos direitos civis de negros e homossexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J. Edgar Hoover tamb\u00e9m n\u00e3o se furtou a usar o aparato gigantesco que montou para o bureau para combater g\u00e2ngsteres como Al Capone, John Dillinger e Machine Gun Kelly. Entre a ca\u00e7ada a um criminoso e outro, passou a colecionar temidos arquivos pessoais secretos contendo detalhes \u00edntimos da vida das mais proeminentes figuras da pol\u00edtica, das artes e at\u00e9 das For\u00e7as Armadas. Juntou tal quantidade de informa\u00e7\u00f5es, que esses dossi\u00eas se converteram em seu salvo-conduto para permanecer diretor do FBI pelo tempo que ele quisesse, n\u00e3o seus superiores. Ficou 48 anos no cargo, virou o patrono da institui\u00e7\u00e3o e ajudou a definir a posi\u00e7\u00e3o de supremacia dos Estados Unidos durante os anos em que o mundo girou sob a tens\u00e3o constante da Guerra Fria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, assim como seus investigados, Hoover tamb\u00e9m tinha uma vida secreta. Se sua persona p\u00fablica e a enorme quantidade de poder que detinha j\u00e1 o tornariam uma figura muit\u00edssimo interessante, a pr\u00f3pria homossexualidade reprimida, a paranoia, a car\u00eancia afetiva e a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e \u2013 \u00fanica pessoa na face da Terra a quem temia \u2013 seriam capazes de transform\u00e1-lo no personagem ideal para um grande filme nas m\u00e3os de um grande diretor. Dito isso, \u00e9 imposs\u00edvel conter a alta expectativa diante de \u201cJ. Edgar\u201d (EUA, 2011), a cinebiografia dirigida por Clint Eastwood que estreou no pa\u00eds na \u00faltima sexta-feira (27\/01). Com essas credenciais, ao entrar no cinema o m\u00ednimo que o espectador deseja \u00e9 ser arrebatado por uma dire\u00e7\u00e3o magistral de Eastwood e pela atua\u00e7\u00e3o medi\u00fanica de Leonardo DiCaprio no papel-t\u00edtulo. Mas n\u00e3o \u00e9 o que acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clint Eastwood tinha nas m\u00e3os a rica possibilidade art\u00edstica de apresentar ao p\u00fablico as diversas facetas da personalidade sui generis de um homem dividido como John Edgar Hoover. Mas optou por um filme apenas correto, quase ass\u00e9ptico, que a todo o momento d\u00e1 a impress\u00e3o de ter sido concebido para ganhar um caminh\u00e3o de pr\u00eamios (e, veja s\u00f3, foi solenemente ignorado pelo Oscar).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12357\" title=\"jedgar2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/jedgar2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/jedgar2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/jedgar2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ando m\u00e3o de uma narrativa confusa, o diretor alterna diversas fases da vida de J. Edgar (DiCaprio), sua secret\u00e1ria, Helen Gandy (Naomi Watts), e seu vice-diretor e amante, Clyde Tolson (Armie Hammer). Ao optar por essa forma de contar a hist\u00f3ria, Eastwood for\u00e7a seus atores a passar boa parte do filme debaixo de uma pesada maquiagem, o que acaba por limitar suas express\u00f5es. O caso mais grotesco, sem d\u00favida, \u00e9 o de Armie Hammer, um bom ator transformado em um boneco de museu de cera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fotografia de Tom Stern (\u201cBeleza Americana\u201d, \u201cMenina de Ouro\u201d, \u201cGran Torino\u201d) resulta em um filme escuro, cansativo para os olhos ap\u00f3s quase duas horas e meia de proje\u00e7\u00e3o. O roteiro n\u00e3o linear de Dustin Lance Black (\u201cMilk\u201d) passa em revista 50 anos da hist\u00f3ria norte-americana atrav\u00e9s das mem\u00f3rias ditadas por J. Edgar Hoover para seus agentes assistentes, que mudam sem que o espectador perceba em que ponto da narrativa foram trocados. O roteiro tamb\u00e9m peca por deixar de explorar a poss\u00edvel esquizofrenia de Hoover, que via figuras atrav\u00e9s de portas de vidro que s\u00f3 ele parecia ver e gabava-se constantemente de fa\u00e7anhas que, na verdade, tinham sido protagonizadas por seus comandados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tampouco o cross-dressing e o romance entre Edgar e Tolson s\u00e3o explorados de forma franca. A rela\u00e7\u00e3o afetiva entre os dois \u00e9 apenas sugerida o filme inteiro, at\u00e9 que em uma determinada cena a paix\u00e3o entre eles eclode de forma mais abrupta. H\u00e1 cr\u00edticos que afirmam que esta forma de abordagem impl\u00edcita de sua homossexualidade foi um acordo firmado entre os produtores do filme e o Instituto J. Edgar Hoover para que a produ\u00e7\u00e3o fosse feita. Uma concess\u00e3o que empobrece o filme, uma pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, \u201cJ. Edgar\u201d n\u00e3o passa de uma grande promessa. \u00c9 um filme apenas correto pelo que se v\u00ea na tela e uma decep\u00e7\u00e3o por todas as possibilidades que deixa de explorar. A \u00fanica coisa que o salva de um desastre total \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o honesta e impressionante de Leonardo DiCaprio, em um dos melhores pap\u00e9is de sua carreira. Ele nos faz esquecer de tudo o que fez recentemente ao dar vida a um ser humano complexo como Edgar. Mas nem isso ser\u00e1 capaz de conter o \u00edmpeto vingativo do verdadeiro Hoover onde quer que ele esteja agora. Cuidado, Clint.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/V_fgz4uJdtQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/V_fgz4uJdtQ\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Itamar Montalv\u00e3o (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/imont\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@imont<\/a>) \u00e9 estudante de jornalismo, assina o blog <a href=\"http:\/\/popbacana.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pop Bacana<\/a><a href=\"http:\/\/popbacana.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cAs Pontes de Madison\u201d, o amor sem ser piegas, c\u00ednico ou vingativo, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/29\/dvd-as-pontes-de-madison\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Nost\u00e1lgico, \u201cGran Torino\u201d abusa do politicamente incorreto. E emociona. (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/29\/gran-torino-de-clint-eastwood\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Repleto de imprecis\u00f5es, \u201cInvictus\u201d abusa de cenas que buscam l\u00e1grimas f\u00e1ceis (<a href=\"..\/2010\/02\/08\/cinema-invictus-de-clint-eastwood\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cA Conquista da Honra\u201d e \u201cCartas de Iwo Jima\u201d, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/conquista_cartas.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Al\u00e9m da Vida&#8221;: Clint colocou a m\u00e3o em um vespeiro, mas n\u00e3o polemizou (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/13\/cinema-alem-da-vida-clint-eastwood\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Itamar Montalv\u00e3o\nClint Eastwood tinha nas m\u00e3os uma rica possibilidade art\u00edstica, mas optou por um filme apenas correto, quase ass\u00e9ptico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/30\/cinema-j-edgar-clint-eastwood\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5324],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12355"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62338,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12355\/revisions\/62338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}