{"id":121,"date":"2007-09-24T08:19:00","date_gmt":"2007-09-24T10:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/09\/24\/disco-da-semana-magic-de-bruce-springsteen\/"},"modified":"2015-09-08T03:07:28","modified_gmt":"2015-09-08T06:07:28","slug":"disco-da-semana-magic-de-bruce-springsteen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/24\/disco-da-semana-magic-de-bruce-springsteen\/","title":{"rendered":"&#8220;Magic&#8221;, de Bruce Springsteen"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-32734  aligncenter\" title=\"bruce_magic\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/bruce_magic.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/bruce_magic.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/bruce_magic-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/bruce_magic-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>]<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">por Marcelo Costa<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 2000, Bruce Springsteen conseguiu a fa\u00e7anha de lan\u00e7ar discos quase sempre perfeitos. N\u00e3o que isso n\u00e3o tenha acontecido nas outras d\u00e9cadas anteriores, mas ap\u00f3s ter feito 50 anos (em 1999), parece que o roqueiro n\u00famero 1 dos Estados Unidos imprimiu a si mesmo um n\u00edvel de qualidade que precisa ser mantido em todos os \u00e1lbuns. Come\u00e7ou com &#8220;The Rising&#8221; (2002), um disco arrebatador influenciado (mas sem populismo barato) pelos acontecimentos do 11 de setembro. A seq\u00fc\u00eancia n\u00e3o poderia ser melhor: &#8220;Devil &amp; Dust&#8221; (2005) escorria amargura em folks que batiam forte no peito e na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;We Shall Overcome &#8211; The Seeger Sessions&#8221; (2006) foi uma folga da autoralidade. Bruce recolheu can\u00e7\u00f5es do repert\u00f3rio do folk singer Pete Seeger, voltou no tempo e trouxe de l\u00e1 uma sonoridade riqu\u00edssima em sutilezas mel\u00f3dicas e pol\u00edticas. Jogou no colo dos Estados Unidos da Am\u00e9rica aquilo que alguns governantes querem jogar para debaixo do tapete: hist\u00f3ria. Ap\u00f3s uma longa turn\u00ea, Bruce Springsteen emenda um disco no outro, cancela as f\u00e9rias e retorna com material in\u00e9dito e a companhia de sua E Street Band (cujo \u00faltimo trabalho em conjunto foi &#8220;The Rising&#8221;). &#8220;Magic&#8221; \u00e9 o d\u00e9cimo quinto disco do compositor, e chega \u00e0s lojas (gringas) no pr\u00f3ximo dia 09.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brendan O&#8217;Brien (Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Korn) volta assinar a produ\u00e7\u00e3o, como havia feito em &#8220;The Rising&#8221; e &#8220;Devil &amp; Dust&#8221; e contou a Rolling Stone norte-americana: <em>&#8220;Bruce me chamou para sua casa em New Jersey e tocou um grupo de can\u00e7\u00f5es novas. Foi surreal. N\u00f3s sentamos em seu quarto, ele me deu um caderno com as letras e tocou as m\u00fasicas novas na guitarra. Minha tarefa foi dizer quais can\u00e7\u00f5es cabiam no novo \u00e1lbum, e quais iriam ficar de fora<\/em>&#8220;, explicou O&#8217;Brien. As can\u00e7\u00f5es que &#8220;sobraram&#8221; foram trabalhadas em est\u00fadio durante dois meses, com membros da E Street Band gravando nos finais de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado deste modus operandi \u00e9 um \u00e1lbum inspirado que soa como uma continua\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica de &#8220;The Rising&#8221; (que, por sua vez, era quase um &#8220;Born In The USA&#8221; 2), sem soar diretamente t\u00e3o pol\u00edtico quanto seus \u00e1lbuns g\u00eameos. &#8220;Radio Nowhere&#8221; abre o disco de forma acelerada e empolgante. O som das guitarras \u00e9 sujo, mas cristalino, e serve para dar corpo a uma can\u00e7\u00e3o que clama por outras do mesmo quilate: <em>&#8220;Eu quero mil guitarras \/ Eu quero baterias martelando \/ Eu quero um milh\u00e3o de vozes diferentes<\/em>&#8220;. Mais duas can\u00e7\u00f5es seguem por este mesmo caminho: &#8220;You&#8217;ll Be Comin&#8217; Down&#8221; (com piano a frente das guitarras que fazem um riff circular por tr\u00e1s) e &#8220;Last to Die&#8221;, com cordas na introdu\u00e7\u00e3o abrindo caminho para uma porrada musical que tem a guerra como tema (<em>&#8220;Quem ser\u00e1 o \u00faltimo a morrer por um erro&#8221;<\/em>, diz a letra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, &#8220;Magic&#8221; n\u00e3o \u00e9 feito apenas de rocks acelerados entupidos de guitarradas. A rom\u00e2ntica &#8220;I&#8217;ll Work for Your Love&#8221; traz boas guitarras, voca\u00e7\u00e3o pop rock de est\u00e1dio, mas fica no grupo das can\u00e7\u00f5es menores do \u00e1lbum. &#8220;Livin In The Future&#8221; se sai melhor: \u00e9 dan\u00e7ante e destaca o reconhec\u00edvel sax de Clarence Clemons. Em &#8220;Your Own Worst Enemy&#8221; \u00e9 a vez dos teclados tomarem a frente da can\u00e7\u00e3o que fala sobre algu\u00e9m que n\u00e3o pode dormir nem sonhar pois seu inimigo est\u00e1 na cidade. &#8220;Girls in Their Summer Clothes&#8221; \u00e9 uma balada ensolarada de quem se inspira com garotas caminhando na rua em suas roupas de ver\u00e3o. &#8220;Devil&#8217;s Arcade&#8221; \u00e9 um libelo anti-guerra que quer soar \u00e9pico, mas fica no meio do caminho. &#8220;Magic&#8221;, a faixa t\u00edtulo, \u00e9 bonitinha, e em termos de Bruce Springsteen isso soa ligeiramente estranho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se at\u00e9 aqui &#8220;Magic&#8221; est\u00e1 parecendo um \u00e1lbum mediano \u00e9 porque as tr\u00eas grandes can\u00e7\u00f5es do disco ainda n\u00e3o foram citadas: &#8220;Gypsy Biker&#8221; come\u00e7a com viol\u00e3o e gaita para virar um rock\u00e3o portentoso l\u00e1 pelo meio. &#8220;Long Walk Home&#8221; \u00e9 uma das poucas can\u00e7\u00f5es do disco que j\u00e1 vinha sendo apresentada na turn\u00ea do \u00e1lbum anterior. Segue a linha de &#8220;Gypsy Biker&#8221; (com percuss\u00e3o no lugar da gaita) e tamb\u00e9m inspira. As duas can\u00e7\u00f5es falam sobre voltar pra casa. Para o final, o \u00fanico folk &#8220;folk mesmo&#8221; de todo o repert\u00f3rio, &#8220;Terrys Song&#8221;, dedicada ao amigo Terry Magovern, morto em julho, e que versa sobre maravilhas do mundo (as Pir\u00e2mides do Egito, a Capela Sistina, a Mona Lisa, o amigo falecido) e conclui que o amor \u00e9 maior do que a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em retrospecto, &#8220;Magic&#8221; fica abaixo de outros \u00e1lbuns roqueiros de Bruce Springsteen (cuja lista \u00e9 encabe\u00e7ada pelo cl\u00e1ssico &#8220;Born To Run&#8221;, de 1975), e \u00e9 um \u00e1lbum menor do roqueiro mesmo nos anos 2000, mas isso s\u00f3 acontece porque a competi\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 em alto n\u00edvel. &#8220;Magic&#8221; \u00e9, facilmente, um \u00e1lbum nota 9, cuja produ\u00e7\u00e3o cuidadosa em parceria com um repert\u00f3rio inspirado encontram tradu\u00e7\u00e3o perfeita por uma banda competente (a m\u00e3o segura e pesada do baterista Max Weinberg e as guitarras afiadas de Steven Van Zandt e Nils Lofgren se destacam em um grupo que ainda conta com o saxofonista Clarence Clemons, o baixista Garry Tallent, os tecladistas Roy Bittan e Danny Federici, e Patti Scialfa nos viol\u00f5es e backing). N\u00e3o \u00e9 o melhor disco de Bruce Springsteen, mas \u00e9 um dos cinco grandes discos do ano. F\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/MtrOYsNCPmg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/MtrOYsNCPmg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a Calmantes com Champagne<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nNos anos 2000, Bruce Springsteen conseguiu a fa\u00e7anha de lan\u00e7ar discos quase sempre perfeitos. 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