{"id":1180,"date":"2009-04-19T13:56:29","date_gmt":"2009-04-19T16:56:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1180"},"modified":"2023-03-29T00:23:33","modified_gmt":"2023-03-29T03:23:33","slug":"a-vida-futil-do-lacuna-coil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/19\/a-vida-futil-do-lacuna-coil\/","title":{"rendered":"A vida f\u00fatil do Lacuna Coil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1182\" title=\"Laguna Coil \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/laguna_coil.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Danilo Corci<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tony Wilson, no finalzinho da d\u00e9cada de 70, cunhou o termo \u201cgothic\u201d para definir o som do Joy Division. A epifania do g\u00eanio charlat\u00e3o foi o que revistas e jornais necessitavam para dar o r\u00f3tulo necess\u00e1rio a uma turma esquisita que estava tomando conta dos muquifos roqueiros da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio dos anos 80, o rock g\u00f3tico ganhou espa\u00e7o e respeito e foi se subdivindo. Influenciadas por bandas como Sisters of Mercy, Christian Death e Fields of the Nephilim, da fase g\u00f3tica inicial e por Paradise Lost, j\u00e1 em in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, surgiu a vertente goth metal preconizada pela banda poser Type O Negative. Em seguida, o estilo foi ganhando burilagem com nomes como Cradle of Filth e Lacrimosa, esta \u00faltima que preconizou o elemento-chave do estilo no s\u00e9culo 21: bandas calcadas na imagem feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas foi a italiana Lacuna Coil que definiu de vez o g\u00eanero com os duetos entre vocal feminino e masculino, coisa que gerou uma das maiores vergonhas alheias da hist\u00f3ria da m\u00fasica: a vers\u00e3o de \u201cPhantom of the opera\u201d do Nightwish. Tamb\u00e9m pode atribuir-se aos italianos, mas n\u00e3o s\u00f3, o afastamento da est\u00e9tica musical de Judas Priest para a proximidade ao New Metal do Korn, por exemplo. \u00c9 por isso que o gothic metal \u00e9 um g\u00eanero adolescente por excel\u00eancia, capaz de gerar bandas inofensivas como o Evanescence e lotar est\u00e1dios para assisti-la. Este boom popstar ainda passa raspando na trajet\u00f3ria do Lacuna Coil, mas eles est\u00e3o, mais uma vez, tentando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mais de dez anos de carreira, o Lacuna Coil chega agora ao seu quinto \u00e1lbum de est\u00fadio, &#8220;Shallow Life&#8221;. E a s\u00edndrome de Peter Pan e Sininho atinge com for\u00e7a a banda. Com seus integrantes se aproximando dos quarenta anos, o Lacuna Coil parece fazer um caminho Benjamin Button: cada disco fica ainda mais adolescente &#8211; mas sempre focando no retorno, n\u00e3o \u00e0 toa chamaram Don Gilmore, produtor de Avril Lavigne, para \u201cretocar\u201d o produto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fatos que ficam evidentes na conversa, via e-mail, com Andrea Ferro, o inventor e covocalista do Lacuna Coil. \u201cAinda temos a mesma paix\u00e3o por m\u00fasica como sempre tivemos, mas, obviamente, a m\u00fasica agora \u00e9 nosso trabalho e temos de tomar conta de tudo, inclusive de coisas n\u00e3o relacionadas \u00e0 m\u00fasica. Mas sempre seremos uma banda e nos divertiremos juntos.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Divers\u00e3o ou n\u00e3o, o Lacuna Coil \u00e9, de fato, uma m\u00e1quina pensada para agradar a molecada. \u201cSurvive\u201d, can\u00e7\u00e3o que abre o disco, \u00e9 quase um hino para pequenos obcecados cheio de problemas. \u201cUma voz dentro de mim continua me tentando. T\u00e3o doce como um sussurro dos l\u00e1bios da dor\u201d. A coisa \u00e9 s\u00e9ria, feita sob medida para embalar muitas decep\u00e7\u00f5es adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSomos incans\u00e1veis, trabalhos duro, fazemos turn\u00eas por todos os lugares e s\u00f3 nos tornamos uma banda internacional porque pensando fora da caixa, sem ficar presos em nosso pr\u00f3prio clich\u00ea. N\u00e3o temos medos de arriscar.\u201d afirma categoricamente Andrea. E com raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Lacuna Coil percebeu bem que depois do Evanescence, compara\u00e7\u00f5es ser\u00e3o inevit\u00e1veis &#8211; coisa que f\u00e3s mais \u00e1rduos j\u00e1 tinham notado em &#8220;Karmacode&#8221;, o antecessor de &#8220;Shallow Life&#8221;. Andrea, entretanto, refuta \u201cDesde de Comalies nos tornamos uma banda maior e estamos muito perto do mainstream. Isso nos traz novos f\u00e3s, f\u00e3s diferentes dos originais, tanto em idade como em gosto. N\u00e3o acho que Karmacode seja mais suave que Unleaashed Memories, por exemplo.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resposta azeitada porque o assunto parece incomodar bastante Andrea. \u201cViemos do gohtic metal, mas incorporamos novos elementos em nossa m\u00fasica. Hoje temos heavy, rock e atmosferas dark, o que nos permite, por exemplo, fazer uma turn\u00ea com praticamente qualquer tipo de banda.\u201d. Por isso o som de voc\u00eas est\u00e1 mais pop ent\u00e3o? \u201cConsidero Shallow Life um disco de rock\/metal. Mas se voc\u00ea quer dizer que ele \u00e9 mais pegajoso e direito, sim, eu diria que est\u00e1 mais pop.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil mesmo \u00e9 achar metal e atmosfera dark em &#8220;Shallow Life&#8221;, onde quase qualquer can\u00e7\u00e3o, em especial \u201cWide awake\u201d, poderia fazer parte da trilha sonora de qualquer Dawson\u2019s creek. \u201cSempre tivemos uma balada em nossos discos, elas s\u00e3o importantes para gente. Mas isso n\u00e3o significa que s\u00f3 elas s\u00e3o, temos muito carinho com todas as can\u00e7\u00f5es que colocamos em nossos discos.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o o que seria essa vida superficial para o Lacuna Coil? \u201c\u00c0s vezes \u00e9 bom e necess\u00e1rio ser f\u00fatil e sentar no sof\u00e1 para ver TV e tomar uma cerveja. Outras vezes, voc\u00ea tem de pensar sobre assuntos maiores, ficar de p\u00e9 e lutar ou tomar posi\u00e7\u00e3o. F\u00fatil \u00e9 a vida da maioria das pessoas nesta era moderna, especialmente em nossa sociedade.\u201d. Discurso ador\u00e1vel para adolescentes que podem se \u201crebelar\u201d sem, necessariamente, saberem contra o qu\u00ea e por qu\u00ea. \u201cSou como um soldado diariamente\/ Acordando dentro da batalha\u201d diz a letra de \u201cShallow Life\u201d. Se numa an\u00e1lise atenta \u00e9 f\u00e1cil desmontar o discurso, por outro ela \u00e9 o que \u00e9: MacDonald\u2019s musical para teens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Lacuna Coil tamb\u00e9m est\u00e1 ligado ao movimento prosingle que parece existir entre os f\u00e3s\/consumidores. \u201cGosto da ideia de um \u00e1lbum completo para contar uma hist\u00f3ria, mas \u00e9 verdade que a m\u00fasica est\u00e1, com os downloads e iPods, indo pro lado de singles. Temos de ficar atentos.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da conversa, fica bem claro que o Lacuna Coil agora quer se acomodar na zona de conforto de bandas como o Evanescence e My Chemical Romance, ou seja, ter um p\u00fablico cativo, incitar e representar sentimentos de revolta ou compreens\u00e3o de adolescentes, sem levar tudo ao extremo. Uma maquiagem confort\u00e1vel para se chamar de rock, emo, gothic metal ou seja l\u00e1 o que for. E se depender de Andrea, Cristina Scabbia, ele e os companheiros devem passar pelo Brasil: \u201cQueremos muito ir \u00e0 Am\u00e9rica do Sul. Acho que com este disco novo \u00e9 bem poss\u00edvel que, finalmente, consigamos aparecer.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fundo, por que n\u00e3o? Um pouco de futilidade \u00e9 sempre bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Danilo Corci \u00e9 jornalista e editor dos sites <a href=\"http:\/\/www.speculum.art.br\/\">Speculum<\/a> e <a href=\"http:\/\/mojobooks.com.br\/\">Mojo Books<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Danilo Corci\nTony Wilson, no finalzinho da d\u00e9cada de 70, cunhou o termo \u201cgothic\u201d para definir o som do Joy Division. 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