{"id":11653,"date":"2012-01-17T08:40:57","date_gmt":"2012-01-17T11:40:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=11653"},"modified":"2012-02-14T07:34:36","modified_gmt":"2012-02-14T10:34:36","slug":"musica-plumb-field-music","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/17\/musica-plumb-field-music\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Plumb, Field Music"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11654\" title=\"field_music\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/field_music.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/field_music.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/field_music-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/field_music-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\">Tiago Faria<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum novo do Field Music (cujo t\u00edtulo pode ser traduzido como \u201cverticalidade\u201d) \u00e9, arquitetonicamente falando, um pr\u00e9dio muito alto feito de andares estreitos. Comprime 15 faixas em 35 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Na capa, mostra um desenho econ\u00f4mico: linhas em diagonal formam uma micropaisagem urbana. As can\u00e7\u00f5es, miniaturizadas, \u00e0s vezes terminam abruptamente, no fim do verso de abertura, antes do refr\u00e3o. Algo leva a crer que o disco s\u00f3 come\u00e7a de verdade na faixa 4 \u2014 e pode sim ser tratado como um EP de cinco m\u00fasicas que foi preenchido por pedacinhos de melodia, ainda que se duvide dessa hip\u00f3tese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tamanho e forma, ele se op\u00f5e ao anterior, \u201cMeasure\u201d (2010). Aquele era um \u00e1lbum espa\u00e7oso, duplo, com 20 can\u00e7\u00f5es preenchendo 1h10 de dura\u00e7\u00e3o. Era tamb\u00e9m uma obra assim\u00e9trica (feita de duas partes que n\u00e3o se encaixavam muito bem), enquanto \u201cPlumb\u201d deixa a impress\u00e3o de querer formar uma narrativa completa, inteiri\u00e7a, um \u201cciclo de can\u00e7\u00f5es\u201d. A refer\u00eancia principal, agora, parece ser \u201cSmile\u201d, dos Beach Boys \u2014 como se os irm\u00e3os Peter e David Brewis tomassem a jornada de Brian Wilson como um g\u00eanero a ser habitado. S\u00f3 que o Field Music ocupa esse \u201cmodelo\u201d com o aparato que tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o: faz, mais uma vez, pop psicod\u00e9lico usando uma cartela de procedimentos que vem do p\u00f3s-punk (as faixas s\u00e3o formadas pelo ac\u00famulo de trechos curtos e repetitivos, com varia\u00e7\u00f5es sutis entre eles). Experi\u00eancia que \u2014 quando notamos a influ\u00eancia (nula) que eles exercem na Inglaterra \u2014 s\u00f3 deve instigar a pr\u00f3pria banda (e os f\u00e3s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed que \u201cPlumb\u201d soa como um disco urbano, duro, de formato p\u00f3s-punk (na linha da estreia do Futureheads, que dividia o est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o do Field Music), mas que cont\u00e9m can\u00e7\u00f5es psicod\u00e9licas, l\u00fadicas. E estamos falando numa psicodelia \u201cerrada\u201d, pragm\u00e1tica em excesso, feita de movimentos precisos demais: s\u00f3bria, nerdy, de cabelo cortado, que dorme cedo e faz o dever de casa antes da janta. Aposto que muito f\u00e3 de \u201cSgt. Pepper\u2019s\u201d vai descartar este disco e cham\u00e1-lo de \u201cchato\u201d, porque \u00e9 isso que os irm\u00e3os Brewis s\u00e3o: met\u00f3dicos, cartesianos (mesmo quando se aventuram), bons-mo\u00e7os. E, de um jeito brit\u00e2nico, em quatro discos que eles gravaram principalmente para eles pr\u00f3prios, elegantemente discretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eKgmIEHttbQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eKgmIEHttbQ\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algum tempo, eles diziam numa entrevista que, depois de um hiato que seguiu o fracasso do disco \u201cTones of Town\u201d, o Field Music resolveu voltar a gravar, mas com uma condi\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se comprometer com expectativas de f\u00e3s\/jornalistas\/r\u00e1dios\/etc. Fracassar dignamente, eis o desafio. Fracassar, digamos, se divertindo. Peter e David s\u00e3o irm\u00e3os, t\u00eam projetos solo, e viveriam bem sem o Field Music. Mas gostam de conversar sobre m\u00fasica, de compor juntos e\u2026 as coisas acabam acontecendo. A sonoridade da banda (formada ainda por Andrew Moore) tem essa apar\u00eancia home-made porque ela \u00e9 exatamente isso: irm\u00e3os escrevendo can\u00e7\u00f5es; irm\u00e3os organizando essas can\u00e7\u00f5es de forma a criar \u00e1lbuns. \u201cPlumb\u201d possivelmente ser\u00e1 um fracasso de p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque ele \u00e9, acima de tudo, um disco que, conscientemente, cria um espa\u00e7o limitado de atua\u00e7\u00e3o: \u00e9 um \u00e9pico realista que cabe numa quitinete (inventar limites, para o Field Music, \u00e9 uma divers\u00e3o em si). Por isso, pode parecer desimportante, menor. As faixas atendem por nomes como \u201cIt\u2019s Ok to Change\u201d, \u201cSorry Again, Mate\u201d e \u201cWho Will Pay the Bills?\u201d (a primeira, \u201cStart the Day Right\u201d, nos localiza na \u201ctrama\u201d do disco com uma precis\u00e3o exemplar: o protagonista acorda de um sonho e vai viver o dia). E, mesmo quando aparentemente s\u00e9rias, rejeitam a catarse e est\u00e3o sempre de olhos muito abertos (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cGuillotine\u201d, que parece reunir todos os cacos do discos, as miniorquestra\u00e7\u00f5es, os coros, o piano e as guitarras, tudo junto dentro do \u00faltimo minuto; e ela impressiona toda vez).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arte do Field Music n\u00e3o nasce de surtos de inspira\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada m\u00edstico ou sobrenatural nela. \u201cSmile\u201d era uma \u201csinfonia adolescente para Deus\u201d? \u201cPlumb\u201d \u00e9, no m\u00e1ximo, um recital para a cidade, observada da janela de um \u00f4nibus em movimento (da\u00ed os flashes acelerados, as harmonias sobrepostas). \u201cEloqu\u00eancia \u00e9 superestimada\u201d, eles dizem, l\u00e1 pelas tantas. A faixa mais sincera se chama \u201cJust Like Everyone Else\u201d. Um disco como \u201cPlumb\u201d sugere cenas cotidianas: dois irm\u00e3os numa mesa, escrevendo num peda\u00e7o de papel, dedilhando as guitarras, pensando o rascunho para uma obra. \u00c9 poss\u00edvel sentir essas imagens do dia a dia (muito bonitas, ali\u00e1s) no disco. \u201cPlumb\u201d \u00e9 isso, esse tipo de coisinha. O que n\u00e3o \u00e9 muito pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XfQqx7ln-R8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XfQqx7ln-R8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tiago Faria (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\">@superoito<\/a>) \u00e9 jornalista e escreve no\u00a0<a href=\"http:\/\/superoito.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/superoito.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Faria\nUm disco como &#8220;Plumb&#8221; sugere cenas cotidianas: dois irm\u00e3os escrevendo num peda\u00e7o de papel, dedilhando as guitarras&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/17\/musica-plumb-field-music\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11653"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11653"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11656,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11653\/revisions\/11656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}