{"id":11484,"date":"2012-01-04T22:42:09","date_gmt":"2012-01-05T00:42:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=11484"},"modified":"2024-05-01T16:41:27","modified_gmt":"2024-05-01T19:41:27","slug":"livro-invisivel-paul-auster","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/04\/livro-invisivel-paul-auster\/","title":{"rendered":"Literatura: Em &#8220;Invis\u00edvel&#8221;, Paul Auster aborda a culpa como tema central"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11488\" title=\"inivisivel\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/inivisivel.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/inivisivel.jpg 239w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/inivisivel-196x300.jpg 196w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/otavioacunha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ot\u00e1vio Augusto<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paul Auster adora escrever livros dentro dos seus pr\u00f3prios livros. Em \u201cInvis\u00edvel\u201d (Cia das Letras, 2009), o mesmo se repete e o autor modifica os narradores e os tempos verbais at\u00e9 o final da trama fazendo com que o leitor tenha de montar um quebra cabe\u00e7a em meio a lembran\u00e7as de todos os personagens envolvidos na hist\u00f3ria doentia de amor e \u00f3dio de Walker com Born e as conseq\u00fc\u00eancias que tudo isso ter\u00e1 depois de tanto tempo. A inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 confundir, mas sim criar um ambiente incomum para levar o leitor para dentro da narrativa, algo caro a Paul Auster que at\u00e9 figurou ele pr\u00f3prio um dos tr\u00eas contos da \u201cTrilogia de Nova York\u201d (1987).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos temas s\u00e3o abordados pelo autor, mas, sem d\u00favida, o mais pol\u00eamico e atordoante trata de um caso de incesto entre o jovem Adam Walker, personagem central da trama, com sua irm\u00e3 Gwyn. Uma rela\u00e7\u00e3o doentia que vinha da inf\u00e2ncia e se concretiza quando ambos j\u00e1 t\u00eam mais de 20 anos. \u201cCoincidentemente\u201d, o personagem central nasceu no mesmo dia que Paul Auster e estuda na mesma universidade que o autor \u2013 o tempo todo estamos em contato com um alter-ego de escritor-personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adam Walker \u00e9 um jovem estudante de Letras na Universidade de Columbia. Cheio de sonhos intelectuais (tem um apetite voraz por poesia), e apesar de t\u00edmido e pouco soci\u00e1vel, ele se v\u00ea em meio a uma festa na qual conhece um professor visitante chamado Rudolf Born e sua esposa, a atraente Margot. Ambos logo se interessam pela habilidade do jovem com livros e poetas e assim inicia-se uma amizade que vai mudar a vida dos tr\u00eas personagens, principalmente de Adam Walker, que levar\u00e1 para o resto da vida as lembran\u00e7as daquele primeiro encontro. Born logo prop\u00f5e financiar uma revista liter\u00e1ria na qual Walker seria o editor respons\u00e1vel e a rela\u00e7\u00e3o, que inicialmente tratava-se apenas de amizade e admira\u00e7\u00e3o entre o professor e o talentoso estudante, logo se torna algo doentio. Rudolf mostra-se cada vez mais explosivo e imperativo, tentando ao longo da narrativa convencer o jovem Walker de suas mirabolantes id\u00e9ias pol\u00edticas que envolvem hist\u00f3ria francesa colonial, as guerras da Indochina e da Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O romance tem como pano de fundo a Manhattan de 1967, epicentro de um pa\u00eds movimentado por um turbilh\u00e3o de causas pol\u00edticas. A guerra do Vietn\u00e3 \u00e9 um tema recorrente nas discuss\u00f5es de Born e Walker, com o professor mostrando-se um grosseiro e impulsivo mar de id\u00e9ias ego\u00edstas. A partir do momento em que Walker se coloca disposto a buscar vingan\u00e7a contra Born, o leitor \u00e9 mergulhado em um universo de culpa e, assim, come\u00e7a a reviravolta na vida do talentoso estudante que n\u00e3o consegue esquecer as mem\u00f3rias de um terr\u00edvel assassinato. A decis\u00e3o: mudar seus estudos para Paris (cidade em que Paul Auster tamb\u00e9m viveu) e encontrar (amorosamente) Margot.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Repentinamente, a trama d\u00e1 um salto para 2007. Adam Walker levou uma vida frustrada e est\u00e1 doente em fase terminal, tentando terminar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel suas mem\u00f3rias em forma de romance para, quem sabe um dia, ver seu sonho realizado. Para isso decide enviar seu manuscrito para um antigo amigo dos tempos de Columbia que se tornou um escrito reconhecido. \u201cInvis\u00edvel\u201d releva um universo de rela\u00e7\u00f5es amorosas e familiares. Inicialmente Born \u00e9 para Walker uma figura paterna para depois tornar-se um assassino, e quando reencontra Margot em Paris, esta se revela uma mulher mais direta e articulada do que aquela que Walker conhecera em Nova York. Mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista a Folha de S\u00e3o Paulo, Paul Auster diz n\u00e3o gostar de ler resenhas sobre suas obras, pois \u201cn\u00e3o h\u00e1 nunca uma an\u00e1lise imparcial \u2013 \u00e9 amor ou \u00f3dio\u201d, por\u00e9m um editor lhe informa sobre o que escreveram a respeito. Em mat\u00e9ria do New York Times, o cr\u00edtico Clancy Martin afirma ser o melhor livro escrito pelo autor, mas aborda timidamente a quest\u00e3o do incesto, dando mais \u00eanfase a outros temas tratados no livro. Sobre o assunto, Paul Auster acusa os Estados Unidos de ser um pa\u00eds dividido e esquizofr\u00eanico, que apesar de manter uma milion\u00e1ria ind\u00fastria pornogr\u00e1fica, se sente ferido por uma descri\u00e7\u00e3o er\u00f3tica praticada por irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temas pol\u00eamicos, reviravoltas inesperadas e troca de narradores movimenta \u201cInvis\u00edvel\u201d, e h\u00e1 uma impress\u00e3o no final da \u00faltima p\u00e1gina de que tudo daquilo n\u00e3o passou apenas de uma ilus\u00e3o. Ou n\u00e3o. D\u00favida. Por fim, o livro aborda como tema central \u201ca culpa\u201d e apenas isso j\u00e1 seria um convite e tanto para mergulhar na an\u00e1lise do cotidiano doentio que prop\u00f5e Paul Auster.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/paulauster.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ot\u00e1vio Augusto (siga <a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/otavioacunha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@otavioacunha<\/a>) \u00e9 historiador e f\u00e3 de cultura pop<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Viagens no Scriptorium&#8221;, uma celebra\u00e7\u00e3o auto-indulgente de Paul Auster (leia <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/viagens_paul_auster.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Achei Que Meu Pai Fosse Deus&#8221; \u00e9 um dos mais belos livros j\u00e1 escritos (leia <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/acheiquemeupaifossedeus.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Ot\u00e1vio Augusto\nTemas pol\u00eamicos, reviravoltas inesperadas e troca de narradores movimenta Invis\u00edvel, 15\u00ba romance do escritor norte-americano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/04\/livro-invisivel-paul-auster\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":81,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11484"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11484"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81379,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11484\/revisions\/81379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}