{"id":11359,"date":"2011-12-23T17:45:20","date_gmt":"2011-12-23T20:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=11359"},"modified":"2019-04-05T18:25:26","modified_gmt":"2019-04-05T21:25:26","slug":"entrevista-capitao-fausto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/23\/entrevista-capitao-fausto\/","title":{"rendered":"Entrevista: de Lisboa, Capit\u00e3o Fausto fala sobre o disco &#8220;Gazela&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11360\" title=\"capitaufausto\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/capitaufausto.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/capitaufausto.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/capitaufausto-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA m\u00fasica do Capit\u00e3o Fausto \u00e9 uma tela por pintar e fala do nosso cotidiano\u201d. De uma forma pr\u00e1tica, rejeitando grandes compromissos com o mundo ou passados tr\u00e1gicos, o grupo lisboeta assume a sua condi\u00e7\u00e3o de contador de hist\u00f3rias pessoais e urbanas com preocupa\u00e7\u00f5es de coer\u00eancia. Manuel Palha (guitarra), Domingos Coimbra (baixo), Francisco Ferreira (teclados), Tom\u00e1s Wallenstein (voz e guitarra) e Salvador Seabra (bateria), inspiram-se no esp\u00edrito comum e raramente fazem algo propositado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo uma l\u00f3gica universal, a banda formou-se atrav\u00e9s do encontro de amigos que pretendiam avan\u00e7ar com um projeto musical que fizesse sentido \u2013 e em portugu\u00eas. O nome do conjunto deriva de uma visita de Salvador ao Castelo de S\u00e3o Jorge, em Lisboa, onde o baterista foi atacado por pav\u00f5es e salvo por um brasileiro conhecido como Capit\u00e3o Fausto. A adora\u00e7\u00e3o pelos Beatles e o gosto por Country Joe and the Fish, The Doors, Can ou Franz Ferdinand e Arctic Monkeys \u00e9 transversal aos seus elementos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto importante que une os integrantes do Capit\u00e3o Fausto \u00e9 o fato de terem estudado m\u00fasica, e terem arrancado algumas notas do jazz e do fusion, por influ\u00eancia de um professor de guitarra. A experi\u00eancia acumulada em shows produziu os seus frutos na apresenta\u00e7\u00e3o do selo Chifre, a 22 de Julho de 2011, na Musicbox, em Lisboa. Durante a atua\u00e7\u00e3o, o grupo patenteou energia, empenho e um empolgamento assinal\u00e1vel que em \u00faltima an\u00e1lise lhe garantiria mais ades\u00e3o de p\u00fablico futuramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dir-se-ia que s\u00f3 faltava patentear em disco, ultrapassada a barreira do EP de nome pr\u00f3prio, uma forma similar de catarse e nervo. E a espera acabou por ser largamente compensada com a edi\u00e7\u00e3o de \u201cGazela\u201d, onde os rapazes ultrapassaram a barreira do Overnight Sensation e confirmaram que sabiam remar em nome pr\u00f3prio, construindo um conjunto de can\u00e7\u00f5es frescas e agrad\u00e1veis a qualquer ouvido que se preze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00f5es que grudam e coros levemente beatle animam o \u00e1lbum dos garotos \u2013 \u201cM\u00fasica Fria\u201d \u00e9 um feliz exemplo. Depois h\u00e1 efic\u00e1cia pop em \u201cTeresa\u201d, funk latino com solo de bateria a la Santana de \u201cSanta Ana\u201d e rock pauleira deliciosamente cl\u00e1ssico em \u201cSobremesa\u201d. A produ\u00e7\u00e3o atenta e explorat\u00f3ria de Pedro da Rosa n\u00e3o adulterou a identidade de uma banda que revela uma maturidade interpretativa assinal\u00e1vel em t\u00e3o curto tempo de exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Savana, Animais e Rock&#8221; traduz a imag\u00e9tica de um quinteto aberto a todas as possibilidades e animado pela procura de diferentes formas de express\u00e3o. De Lisboa para o Brasil, o Capit\u00e3o Fausto conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kvCKsNK9S2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGazela\u201d \u00e9 o disco que sempre esperaram fazer ou ambicionam algo mais?<\/strong><br \/>\nComo se costuma dizer: um disco \u00e9 uma fotografia que se faz da banda num determinado momento. Usufru\u00edmos da capacidade de gravar, e ficar cravado em n\u00f3s, aquilo que est\u00e1vamos fazendo na \u00e9poca e o que t\u00ednhamos feito um pouco antes. E o resultado foi exatamente o que quer\u00edamos. Claro que ambicionamos mais, mas daqui a cinco anos n\u00e3o nos vemos criticando este \u00e1lbum. \u201cGazela\u201d \u00e9 o que \u00e9 agora e adoramos o trabalho feito. Ele tem uma ordem que fazia sentido e acaba por ser um disco pensado. Faz um ano que entramos para o selo Chifre e j\u00e1 t\u00ednhamos algumas m\u00fasicas e um EP (gravado por n\u00f3s), mas n\u00e3o possu\u00edamos experi\u00eancia de est\u00fadio. E, de repente, no ver\u00e3o, j\u00e1 disp\u00fanhamos de mais can\u00e7\u00f5es e pensamos em grav\u00e1-las. O Pedro da Rosa produziu e a grava\u00e7\u00e3o e mixagem ficou a cargo do Nuno Roque. Os temas que avan\u00e7aram primeiro foram os que t\u00ednhamos feito h\u00e1 mais tempo e, seguidamente, o \u00e1lbum come\u00e7ou a ser pensado como um todo e num registo cronol\u00f3gico. No momento, estamos a preparar m\u00fasicas que v\u00e3o soar diferentes \u00e0s pessoas. Acredito que daqui a duas semanas uma can\u00e7\u00e3o nova do Capit\u00e3o Fausto soar\u00e1 distinta da que fiz\u00e9mos anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No compacto \u201cTeresa\u201d voc\u00eas n\u00e3o \u201ctentam ser diferentes\u201d e optam por uma pegada pop muito caracter\u00edstica da nova cena portuguesa. Porqu\u00ea ?<\/strong><br \/>\nTemos as mesmas influ\u00eancias que os novos grupos portugueses t\u00eam \u2013 Arctic Monkeys e outros \u2013 por isso era inevit\u00e1vel produzir uma can\u00e7\u00e3o com essa pegada. Mas n\u00f3s damos um cunho pessoal, adicionamos a nossa camada e isso torna-a diferente da cena atual. Al\u00e9m disso, \u201cTeresa\u201d \u00e9 um compacto, \u00e9 muito cant\u00e1vel e est\u00e1 dentro da onda do \u00e1lbum. Acaba por ser a m\u00fasica que convida o p\u00fablico a ouvir o trabalho por completo. O fato de sermos adolescentes e convivermos com frequ\u00eancia com essas bandas, torna inevit\u00e1vel a exist\u00eancia de um elo comum. No entanto, o nosso objectivo n\u00e3o foi o de fazer um compacto, simplesmente escolhemos esta m\u00fasica como cart\u00e3o-de-visita de \u201cGazela\u201d depois de escutar o disco inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVerdade\u201d \u00e9 uma das faixas que mais me agrada, principalmente pelo ritmo marcado dos sintetizadores. De que verdade falam ?<\/strong><br \/>\nA can\u00e7\u00e3o n\u00e3o fala de uma verdade espec\u00edfica, mas a letra (do Tom\u00e1s) fala do conceito em si mesmo. N\u00e3o \u00e9 uma justeza que existe ou est\u00e1 escondida. Muitas vezes, t\u00eam-nos dito que as letras dele s\u00e3o adolescentes e questionam se s\u00e3o propositadas ou n\u00e3o. Normalmente, as estrofes no Capit\u00e3o Fausto s\u00e3o muito cruas, diretas e simples. De certa forma, ele diz que ainda n\u00e3o somos pessoas com grandes ideias para transmitir ao mundo e n\u00e3o nos queremos aventurar por esses caminhos, porque n\u00e3o temos passados tr\u00e1gicos. E dentro da nossa abordagem simples \u00e9 uma das m\u00fasicas com mais significado para o Tom\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O psicodelismo da d\u00e9cada de 60 e o rock progressivo s\u00e3o algumas das vossas maiores influ\u00eancias. Encontram na m\u00fasica brasileira passada ou recente outras refer\u00eancias ?<\/strong><br \/>\nGostamos muito d&#8217;Os Mutantes e de Los Hermanos. S\u00e3o bandas muito fixes (legais). Os Mutantes v\u00e3o ao encontro da nossa sonoridade. Porque cantam em portugu\u00eas, t\u00eam muitas camadas, mudan\u00e7as repentinas e abrangem v\u00e1rios g\u00eaneros, entre os quais o rock progressivo. Eles s\u00e3o a refer\u00eancia brasileira mais profunda em Capit\u00e3o Fausto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show da Musicbox, no lan\u00e7amento do selo Chifre, al\u00e9m de uma \u00f3tima vibra\u00e7\u00e3o, senti uma enorme for\u00e7a coletiva. Como voc\u00ea esse sentimento?<\/strong><br \/>\n\u00c9 simples. (A for\u00e7a coletiva) deve-se ao fato de sermos amigos desde sempre e estarmos todos os dias juntos. Somos um grupo de companheiros e a circunst\u00e2ncia disso se refletir na m\u00fasica faz sentido para n\u00f3s. A forma de comp\u00f4r \u00e9 coletiva, a maneira de tomar decis\u00f5es, responder \u00e0s perguntas ou enfrentar as dificuldades tamb\u00e9m. Por um lado, se conseguimos deixar essa marca em palco \u00e9 \u00f3timo, porque \u00e9 o que n\u00f3s somos. Por outro lado, essa energia dos shows deve-se \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de estarmos concretizando o nosso maior sonho: ter uma banda, lan\u00e7ar um disco e mostrar o nosso trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para onde voa este Capit\u00e3o Fausto ?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o voamos em pensamento, apenas subimos escadinhas (risos). A pol\u00edtica do grupo \u00e9 a de fazer o mesmo percurso das bandas que escutamos. Isto \u00e9, caminhar devagar, tocar para poucas pessoas, aprender, conhecer pessoas na estrada e andar por Portugal inteiro. No fundo, tem existido maior receptividade ao som do Capit\u00e3o Fausto nas grandes cidades: Lisboa, Porto e Coimbra. E embora ainda falte construir uma base de f\u00e3s no pa\u00eds, queremos fazer as coisas com calma. No fundo, o dia em que sentiremos que o Capit\u00e3o Fausto voa ser\u00e1 o momento em que, ao lan\u00e7armos outro disco, teremos a garantia de que o p\u00fablico gosta do nosso trabalho e a\u00ed fazemos um novo \u00e1lbum. Dessa forma, estaremos onde quer\u00edamos estar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BVukQ_W7VfA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pedro Salgado (siga&nbsp;<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Especial: conhe\u00e7a a nova cena musical portuguesa, por Pedro Salgado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/11\/especial-como-anda-a-cena-portuguesa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Dead Combo: m\u00fasica com alma, influenciada pelo fado e pelo rock, por Pedro Salgado (<a href=\"..\/2011\/08\/28\/2011\/06\/07\/2011\/01\/30\/deolinda-o-triunfo-do-fado-pop\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Peix: Avi\u00e3o: eis uma banda at\u00edpica que utiliza um m\u00e9todo inovador de composi\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/10\/entrevista-peixe-aviao\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Refr\u00e3es que grudam e coros levemente beatle animam o primeiro \u00e1lbum dos garotos lisboetas. Confira o bate papo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/23\/entrevista-capitao-fausto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[873,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11359"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11359"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51003,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11359\/revisions\/51003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}