{"id":11308,"date":"2011-12-22T19:13:46","date_gmt":"2011-12-22T21:13:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=11308"},"modified":"2023-03-29T00:32:08","modified_gmt":"2023-03-29T03:32:08","slug":"missao-roraima-4%c2%ba-tomarrock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/22\/missao-roraima-4%c2%ba-tomarrock\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o Roraima: 4\u00ba TomaRRock"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11315\" title=\"roraima11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima11.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"643\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima11.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima11-282x300.jpg 282w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/murilobasso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Murilo Basso<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>fotos por Pablo Felippe<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo \u00e9 o futebol aqui?\u201d, pergunto, tentando me familiarizar. \u201cEnt\u00e3o, \u00e9 algo engra\u00e7ado!\u201d. Boa Vista tem cerca de 290 mil habitantes, mais da metade das 460 mil pessoas que constituem o estado de Roraima. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do campeonato estadual contou com seis participantes e, acreditem, n\u00e3o teve a presen\u00e7a do Bar\u00e9 Esporte Clube, campe\u00e3o no ano anterior. Os grandes eventos futebol\u00edsticos na regi\u00e3o se resumem a um jogo por ano, pela Copa do Brasil. \u201cFluminense e Botafogo j\u00e1 jogaram aqui. \u00c9 algo louco, a cidade para. Mas esse ano foi muito bizarro&#8230;\u201d. O j\u00e1 citado Bar\u00e9 Esporte Clube foi eliminado da competi\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o regularizou seus atletas junto \u00e0 CBF. Motivo? A Federa\u00e7\u00e3o Roraimense de Futebol ficou cerca de cinco meses sem acesso \u00e0 internet. \u201cAqui a gente n\u00e3o tem nem banda, muito menos banda larga\u201d, disse um dirigente da FRF na \u00e9poca. Ali\u00e1s, em uma r\u00e1pida busca online, descobre-se que a FRF n\u00e3o possui site ou sequer telefone pr\u00f3prio. Pode parecer dif\u00edcil, mas a situa\u00e7\u00e3o se torna ainda mais tragic\u00f4mica quando olhamos para 2012: \u201cAno que vem n\u00e3o temos ideia de quem vai representar o Estado. O Real, atual campe\u00e3o, j\u00e1 declarou que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es. Se o campe\u00e3o n\u00e3o tem como viabilizar a disputa, imagine o resto. Arrisca a vaga ficar com o FAST, do Amazonas\u201d. Algo contradit\u00f3rio, afinal, estamos no pa\u00eds do futebol, certo? \u201cE ningu\u00e9m foi a CBF para o julgamento do Bar\u00e9. \u00c9 complicado sair daqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, o isolamento \u00e9 outro tema estranho para quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado \u00e0 realidade roraimense. Conversando com os moradores, fica claro que a forma mais tranquila para se chegar a Boa Vista \u00e9 via a\u00e9rea. Manaus \u00e9 a capital e cidade \u2013 como estamos acostumados a conceber \u2013 mais pr\u00f3xima \u2013 distante cerca de 750 km. Isso se traduz em aproximadamente 15h de viagem pela BR-147, que tem suas peculiaridades: ela \u00e9 fechada entre 18h30 e 6h, por passar no interior da reserva ind\u00edgena Waimiri-Atroari, na divisa com o Amazonas. Segundo \u00faltimo levantamento, uma m\u00e9dia mensal de 110 animais de v\u00e1rias esp\u00e9cies morre em decorr\u00eancia de atropelamentos na rodovia \u2013 um dos motivos que levam os ind\u00edgenas a bloquear os 123 quil\u00f4metros da estrada localizados dentro da reserva. \u201cPara n\u00f3s \u00e9 algo normal. E se algu\u00e9m sai de Manaus \u00e0s 15h tem como passar pela estrada \u00e0 noite. D\u00e1 tempo tranquilamente\u201d. Alguns aproveitam para dizer que o Brasil, como conhecemos, acaba mesmo na capital amazonense: \u201cManaus ainda \u00e9 Brasil. Aqui a gente vive em outro pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11310\" title=\"roraima2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros fatores que ajudam a intensificar esse \u201cchoque de realidade\u201d para forasteiros \u00e9 o fato de que se trata de uma capital de Estado, mas que em termos populacionais, est\u00e1 longe de ser um munic\u00edpio pequeno \u2013 embora o clima interiorano seja comemorado em cada esquina. \u201cAqui todo mundo se conhece, d\u00e1 para dormir com a porta aberta. Os bandidos ainda usam faca\u201d. E tudo caminha normalmente nesta cidade que possui tr\u00eas pr\u00e9dios, dois deles em constru\u00e7\u00e3o. \u201c\u00d4 gringo, como \u00e9 olhar para um horizonte sem edif\u00edcios?\u201d. E que, claro, n\u00e3o tem McDonalds. \u201cQuando abrir uma franquia aqui fa\u00e7o uma festa! Mas pensado melhor, sou mais um China in Box!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez mais impressionante seja notar carros respeitando a sinaliza\u00e7\u00e3o, com pedestres andando sem medo: \u201cJ\u00e1 foi melhor. Um tempo atr\u00e1s todos paravam. Sem contar que tr\u00e2nsito ainda \u00e9 uma novidade, um acontecimento. O hype n\u00e3o passou\u201d. Al\u00e9m do Guaran\u00e1 Bar\u00e9, claro. O Bar\u00e9 chegou a ser comercializado nacionalmente durante a d\u00e9cada de 80, mas hoje est\u00e1 restrito ao Amazonas e outros munic\u00edpios da regi\u00e3o norte. Fabricado em Manaus, pela Ambev, pode ser facilmente considerado um dos melhores guaran\u00e1s desse pa\u00eds. \u201cAntigamente s\u00f3 tinha aquelas garrafas de vidro 600 ml. H\u00e1 uns dois anos lan\u00e7aram a latinha e at\u00e9 hoje ela \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11311\" title=\"roraima3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grandes shows acontecem em um estacionamento e, \u00f3bvio, movimentam toda a cidade. \u201cJ\u00e1 teve Biquini Cavad\u00e3o, Frejat&#8230; \u00c9 o nosso Lollapalooza, cara!\u201d. Ali\u00e1s, a vontade por frequentar grandes eventos merece um capitulo a parte. \u201cN\u00e3o consegui comprar ingresso para o Planeta Terra, me perdi no fuso hor\u00e1rio\u201d. H\u00e1 ainda quem ressalte n\u00e3o conhecer nenhum roraimense que tenha conseguido ir ao festival. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel comprar ingresso com essa internet.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel perceber o qu\u00e3o distante estamos quando observamos placas indicando o caminho para a Venezuela: Santa Elena de Uair\u00e9n fica a aproximadamente 200 km de Boa Vista. \u201c\u00c9 um pa\u00eds legal, pobre e sofrido, mas com uma gente bacana\u201d. Segundo relatos, na terra de Hugo Chav\u00e9z o litro de combust\u00edvel custa R$0,06 e os fiscais de fronteira s\u00e3o \u201cpresenteados\u201d com caixas de chocolate Garoto. \u201cTu precisa ver a alegria deles quando abrem uma. Parecem crian\u00e7as\u201d. Mas o para\u00edso mesmo \u00e9 Lethen, na divisa com a Guiana. \u201cP\u00f4, t\u00eanis da \u2018Adidas\u2019 por R$40,00. Tem coisa melhor?!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11312\" title=\"roraima4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando agora, h\u00e1 quem diga que Humberto Gessinger estava se referindo \u00e0 Boa Vista quando escreveu \u201cLonge Demais das Capitais\u201d. E \u00e9 nesse cen\u00e1rio que ocorreu a quarta edi\u00e7\u00e3o do Tomarrock, festival de m\u00fasica e artes integradas que visa promover o cen\u00e1rio independente roraimense. O Scream &amp; Yell acompanhou as apresenta\u00e7\u00f5es e, embora seja preciso considerar que Roraima est\u00e1 em uma realidade diferente daquela a que estamos habituados, ocorreram boas surpresas. Enquanto na primeira noite a Garden mostrou bom apelo pop, na segunda noite a JamRock (foto acima) roubou a cena com suas can\u00e7\u00f5es com levada reggae que, apesar de n\u00e3o trazer novidades ao g\u00eanero, mostram melodias bem constru\u00eddas e arranjos caprichados. Os convidados da Nicotines (AM) tamb\u00e9m fizeram bonito, com um show repleto de refer\u00eancias ao rock dos anos 80 e 90, al\u00e9m da Camarones Orquestra Guitarrist\u00edca (RN), que dispensa maiores apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveitando nossa estada no extremo norte, conversamos com Manoel Vilasboas, organizador do Tomarrock, para tentar compreender melhor todo o contexto da cena local e as dificuldades para inserir atividades culturais em uma regi\u00e3o t\u00e3o distante. Confira abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia e qual o conceito do TomaRRock?<\/strong><br \/>\nO festival \u00e9 uma forma de comemorarmos o ano de trabalho, a maneira mais f\u00e1cil de juntar o povo da cena musical\/art\u00edstica (principalmente do rock) de Roraima com v\u00e1rios agentes de outros estados, de bandas a jornalistas, de palestrantes a gestores. Sabemos que estamos muito longe de tudo e queremos um dia ser referencia de boa m\u00fasica e que a cultura roraimense possa ecoar atrav\u00e9s desses agentes que por aqui vem. Na 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do festival mudamos o conceito que era de trazer bandas de Manaus e bandas proeminentes do cen\u00e1rio atual, como Madame Saatan, Los Porongas e Black Drawing Chalks para que as bandas locais tivessem contato com carreiras de bandas que pudessem se inspirar. Pra esse ano, mudamos e pensamos em agradar o p\u00fablico costumeiro, os \u201cmetaleiros\u201d, trazendo o Dr. Sin, e um p\u00fablico que n\u00e3o &#8220;consome&#8221; as produ\u00e7\u00f5es alternativas\/ autorais do Canoa Cultural, ou seja, o p\u00fablico do  ForFun. Foi o primeiro TomaRRock com esse conceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse tipo de evento, ou melhor, eventos direcionados a esse tipo de publico, se restringem ao Tomarrock? Como fica no resto do ano? Quais as alternativas?<\/strong><br \/>\nHouve a cena rock dos anos 80, mas as bandas eram covers. No final dos anos 90 e inicio dos anos 2000 surgiram bandas, todas covers, mas algumas compunham. Tocavam na noite, incluindo ai a minha banda, o Mr Jungle, umas poucas can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e in\u00fameras vers\u00f5es. A primeira banda a tocar s\u00f3 musicas pr\u00f3prias foi a finada LN3, isso em 2003. Em 2005 o Mr. Jungle volta reformulado s\u00f3 tocando pr\u00f3prias. Em 2006 trouxe a ideia do coletivo que surgiu em novembro de 2007, como \u201ccoletivo TomaRRock\u201d, sendo um grupo de bandas autorais que produziriam seus eventos para criarmos espa\u00e7os para tocar. De l\u00e1 pra c\u00e1 viramos o Canoa Cultural, s\u00f3 eu restei e passamos a trabalhar com foco divulga\u00e7\u00e3o da cultura roraimense de todas as artes. Somos basicamente a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para as bandas autorais de Roraima, com raras exce\u00e7\u00f5es de um ou outro produtor de eventos pontuais. Produzimos ou co-produzimos mais de 40 eventos por ano, de artes variadas. Falando s\u00f3 de m\u00fasica, realizamos ainda o Grito Rock, as noites Fora do Eixo, os programas \u201cCanoa na Pra\u00e7a\u201d, \u201cCanoa na Escola\u201d e \u201cCanoa na Estrada\u201d, no interior, levando shows, oficinas e palestras gratuitas para os diferentes p\u00fablicos. H\u00e1 os eventos do SESC, do qual participamos da produ\u00e7\u00e3o, entre eles o \u201cEspa\u00e7o Rock a Todo Volume\u201d e o festival \u201cSESC Fest Rock\u201d, que j\u00e1 est\u00e1 na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o onde conseguimos imbuir os gestores do SESC de trabalharmos somente as bandas autorais. Temos parcerias com a Funda\u00e7\u00e3o de Cultura do munic\u00edpio, com a Unidade de Cultura do Estado e Combo Sebrae, e somos chamados para co-produzir ou realizar curadoria para escolhermos somente as bandas autorais. Ou seja, temos eventos constantes, mas sem um local pr\u00f3prio para o publico que queira ouvir m\u00fasica exclusivamente autoral semanalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11313\" title=\"roraima5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu senti Boa Vista realmente distante em rela\u00e7\u00e3o ao resto do pa\u00eds. Mas, claro, \u00e9 uma vis\u00e3o de quem est\u00e1 de fora. Como voc\u00ea enxerga esse isolamento? De que formas ele dificulta o acesso a cultura em geral?<\/strong><br \/>\nT\u00e1 ai algo que nunca mudar\u00e1. A geografia ser\u00e1 a mesma e estaremos sempre distantes do resto do pa\u00eds, a n\u00e3o ser que uma hecatombe nuclear ocorra e aproxime Roraima do centro do Brasil. Para se &#8220;fazer&#8221; um artista independente em Roraima, o cara deve saber que n\u00e3o temos o melhor som, nem luz e temos poucos espa\u00e7os adequados para realizar os eventos. O SESC \u00e9 um grande parceiro, mas o espa\u00e7o multicultural do SESC local fechou para reformas, fazendo com que o p\u00fablico ficasse carente do \u00fanico espa\u00e7o m\u00e9dio e de f\u00e1cil acesso de Boa Vista. E historicamente o ber\u00e7o do rock autoral roraimense da d\u00e9cada passada. Temos hoje quatro v\u00f4os di\u00e1rios&#8230; Somente um vespertino. Agora em dezembro, quem quisesse sair de Boa Vista por avi\u00e3o s\u00f3 poderia sair ap\u00f3s o dia 25 (isso desde o dia 8\/12). A pouca oferta de v\u00f4os que saem todos lotados inviabiliza quase que por completo fazermos shows casados \u201cBoa Vista\/ Manaus\u201d em dias seguidos. Os pre\u00e7os s\u00e3o muito altos. Ah, tem promo\u00e7\u00f5es, certo, mas mesmo assim s\u00e3o bem mais caras que em qualquer lugar do Brasil. Com a chegada da banda larga em 2009, a dist\u00e2ncia do mundo virtual diminuiu, mas ainda \u00e9 parca a oferta e o publico ainda n\u00e3o tem o h\u00e1bito de assistir a web tv e web r\u00e1dio. O acesso \u00e0 cultura de massa \u00e9 de boa, mas algo mais alternativo, justamente o que trabalhamos, \u00e9 algo prec\u00e1rio ainda, mas estamos aumentando a freq\u00fc\u00eancia de shows e de a\u00e7\u00f5es variadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso acaba influenciando no festival&#8230;<\/strong><br \/>\nTivemos que adiar a noite com o Emicida, pois o mesmo tocaria numa sexta feira, pegaria o v\u00f4o das 13:30, chegaria em Manaus \u00e0s 14:30 e s\u00f3 sairia de l\u00e1 \u00e0s 23:00, chegando em S\u00e3o Paulo \u00e0s 03:00 de domingo. Como ele teria 3 shows no s\u00e1bado e esse era o \u00fanico v\u00f4o, tivemos que adiar para janeiro. O show do Dr Sin, que fecharia a noite do dia 9\/12 e ocorreria por volta da 01:00 da manh\u00e3 j\u00e1 do dia 10\/12 foi antecipado para as 22:00, pois o \u00fanico v\u00f4o que lhes devolveriam para S\u00e3o Paulo a tempo de cumprir agenda, sairia de Boa Vista \u00e0 00:30 da manh\u00e3. Tivemos patroc\u00ednio da OI, mas a verba n\u00e3o caiu a tempo e em uma produ\u00e7\u00e3o do tamanho do TomaRRock desse ano, ou nos adaptar\u00edamos a nossa realidade ou fur\u00e1vamos com quase toda a programa\u00e7\u00e3o. Sem contar que quase sempre n\u00e3o somos a primeira op\u00e7\u00e3o de uma banda quando estamos disputando uma data.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Tamb\u00e9m me senti bem perdido em Boa Vista no sentido de que \u00e9 percept\u00edvel que, por exemplo, o norte do Paran\u00e1 \u00e9 muito influenciado culturalmente por S\u00e3o Paulo. J\u00e1 a regi\u00e3o oeste do PR e o sul de SC, s\u00e3o influenciados pelo RS. Outro exemplo: o tri\u00e2ngulo mineiro est\u00e1 mais pr\u00f3ximo culturalmente de Goi\u00e1s do que de Belo Horizonte. Nesse sentido n\u00e3o consegui encaixar Boa Vista em nenhuma situa\u00e7\u00e3o semelhante: n\u00e3o vejo uma grande influ\u00eancia de Manaus, at\u00e9 pela distancia, assim como n\u00e3o vejo a Venezuela com representatividade suficiente para influenciar voc\u00eas significativamente. H\u00e1 uma influ\u00eancia que eu n\u00e3o consegui pegar? Ou a cultura \u00e9 roraimense mesmo, algo bem particular e definido?<\/strong><\/span><br \/>\nOuvi uma vez que Boa Vista era uma esp\u00e9cie de Nova Iorque miniatura. Pois temos pessoas de todos os cantos do pa\u00eds vivendo aqui. Mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de fora do Estado. Temos influ\u00eancia de todos os cantos, misturados com o tempero ind\u00edgena. Somos, ao mesmo tempo, urbanos, mas com uma cara multifacetada. A influ\u00eancia caribenha \u00e9 menor do que se pode imaginar, mas tamb\u00e9m h\u00e1 pitadas dentro da mistura que \u00e9 ser Roraimense, nascido aqui ou n\u00e3o. Como eu, um paraense que ama Roraima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Qual a fun\u00e7\u00e3o do TomaRRock nesse processo de, digamos, inser\u00e7\u00e3o cultural?<\/strong><\/span><br \/>\nQueremos transformar o TomaRRock numa referencia da cultura roraimense fora de Roraima. Queremos que quando algu\u00e9m escutar as palavras &#8220;Festival TomaRRock de Artes Integradas&#8221; tenham a certeza da qualidade do evento e que encontrar\u00e3o ali uma mostra do que est\u00e1 rolando em todo o pa\u00eds, misturado com parte do que h\u00e1 se melhor no que tange a cultura do estado. T\u00e1, falta muito, mas creio que estamos trabalhando pra isso, e podemos sonhar. Hoje somos uma das melhores oportunidades que os artistas possuem para mostrar seu trabalho, sempre aumentando a parceria entre o Canoa Cultural, os artistas e o 2\u00ba e 3\u00ba setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11314\" title=\"roraima6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/roraima6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Murilo Basso<\/strong> \u00e9 jornalista e colabora com o Scream &amp; Yell, o Urbanaque e a Rolling Stone. J\u00e1 entrevistou Wander Wildner (<a href=\"..\/2011\/02\/13\/entrevista-wander-wildner\/\">aqui<\/a>) e participou da cobertura do Planeta Terra (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/08\/balancao-planeta-terra-2011\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Murilo Basso\nAlguns aproveitam para dizer que o Brasil acaba na capital amazonense: \u201cManaus ainda \u00e9 Brasil. 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