{"id":11076,"date":"2011-12-05T20:39:43","date_gmt":"2011-12-05T23:39:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=11076"},"modified":"2011-12-28T08:32:17","modified_gmt":"2011-12-28T11:32:17","slug":"take-care-drak","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/05\/take-care-drak\/","title":{"rendered":"CDs: Take Care, Drake"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11077\" title=\"take_care\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/take_care.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\">Tiago Faria<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Rede Social\u201d, de David Fincher, \u00e9 o filme que passa na cabe\u00e7a quando \u201cTake Care\u201d, segundo disco de Aubrey Drake Graham, come\u00e7a a tocar. Eles n\u00e3o tratam, obviamente, do mesmo tema: o canadense, pra nossa infelicidade, n\u00e3o escreve m\u00fasicas sobre cutucadas&amp;retuitadas. Mas ele poderia estar (numa outra dimens\u00e3o?) ali perdido entre os geeks extraordin\u00e1rios de Harvard: vestido num moletom surrado, crescendo e enriquecendo solitariamente diante de um Macbook Air.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que se queira tratar Drake como apenas mais uma celebridade do R&amp;B, existe algo incomum (e novo) nesse cantor de 25 anos \u2013 tra\u00e7os de temperamento que talvez n\u00e3o ser\u00e3o percebidos de imediato por quem trata a m\u00fasica pop comercial americana como um conjunto de f\u00f3rmulas necessariamente burras e datadas. \u00c9 que, como os personagens de \u201cA Rede Social\u201d, Drake n\u00e3o se surpreende com nada: e at\u00e9 o dinheiro (e estamos falando de muito dinheiro) se tornou um valor subjetivo demais para livr\u00e1-lo do desencanto. \u00c9 como se ele tivesse nascido exatamente ap\u00f3s o fim de uma festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTake Care\u201d segue, sim, uma s\u00e9rie de conven\u00e7\u00f5es do g\u00eanero. N\u00e3o \u00e9 um disco arredio, de forma alguma. Tem um punhado de convidados especiais, que possivelmente trocaram arquivos de mp3 via e-mail, e recorre a um repert\u00f3rio de tramas (sobre fama, mulheres, telefonemas constrangedores e a amizade dos br\u00f3der) que j\u00e1 nos parece corriqueiro. Mas, an\u00e1lise superficial por an\u00e1lise superficial, \u201cA Rede Social\u201d tamb\u00e9m pode ser visto como um filme de g\u00eanero: um teen movie universit\u00e1rio dos anos 80 com, digamos, di\u00e1logos mais velozes e uma subtrama \u00e0 la fita de tribunal. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando convidou Trent Reznor (do Nine Inch Nails) para compor a trilha de \u201cA Rede Social\u201d, David Fincher avisou a ele que a m\u00fasica teria um papel essencial no projeto: ela apontaria para uma camada discreta de sentidos que n\u00e3o estava t\u00e3o vis\u00edvel no roteiro. No que Reznor, atento \u00e0 conota\u00e7\u00e3o soturna do texto, escreveu as harmonias cinzentas que n\u00e3o encontramos numa com\u00e9dia de John Hughes. Pois a qualidade dessa colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 que se nota entre Drake e os produtores\/compositores Noah \u201c40? Shebib e The Weeknd.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cimoNqiulUE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cimoNqiulUE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto Shebib alarga os espa\u00e7os vazios das faixas (\u201cOver My Dead Body\u201d, que abre o disco, at\u00e9 assusta pela falta de ornamentos: parece uma vers\u00e3o demo), o The Weeknd (o apadrinhado mais famoso do cantor) divide com Drake a mise-en-scene noturna das mixtapes \u201cHouse of Balloons\u201d e \u201cThursday\u201d. Essas plataformas sonoras acabam por refor\u00e7ar, mesmo indiretamente, o que existe de mais inst\u00e1vel nos versos de Drake. E, apesar de o cantor insistir que est\u00e1 tudo bem, este n\u00e3o \u00e9 um disco tranquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o de que o melhor sempre j\u00e1 passou (e j\u00e1 havia passado antes mesmo do disco de estreia, \u201cThank Me Later\u201d, cuja faixa principal atendia por \u201cOver&#8217;), e de que n\u00e3o h\u00e1 mais sonho poss\u00edvel (\u201cwho will survive in Am\u00e9rica?\u201d, perguntaria Kanye West), vaza sem que ele perceba. Num \u00e1lbum supostamente confessional (o esp\u00edrito de blogueiro p\u00f3s-chute-na-bunda afasta o Drake das \u2018mentiras sinceras\u2019 do The Weeknd), h\u00e1 muito a ser lido nas entrelinhas. \u201cNo fim das contas, somos s\u00f3 eu, eu mesmo e meus milh\u00f5es\u201d, ele diz, em \u201cHeadlines\u201d. Uma conclus\u00e3o que Mark Zuckerberg possivelmente curtiria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesses momentos de tens\u00e3o forma\/conte\u00fado que \u201cTake Care\u201d nos lembra como a m\u00fasica pop (a melhor m\u00fasica pop) pode soar, ao mesmo tempo, oportunista e oportuna, superficial e profundamente contempor\u00e2nea. A colabora\u00e7\u00e3o entre Rihanna, Jamie xx e Gil Scott-Heron (na faixa-t\u00edtulo) talvez resuma todos os belos curtos-circuitos do disco: um hit cheio de ranhuras, um dubstep farofento que parece oscilar entre o conforto absoluto e uma leve sensa\u00e7\u00e3o de que algu\u00e9m entrou no est\u00fadio e, aos 45 do segundo tempo, subverteu o mix. \u201cVou tomar conta de voc\u00ea\u201d, diz o refr\u00e3o. Soa um pouquinho ir\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre R. Kelly e James Blake (e mais para a egotrip de \u201cMy Beautiful Dark Twisted Fantasy\u201d que para as dores de cotovelo de \u201c808?s and Heartbreak\u201d), Drake conseguiu criar um disco megacorporativo e ultracomercial, mais confiante e ainda mais pragm\u00e1tico que o anterior. N\u00e3o h\u00e1 como abandonar, no entanto, uma persona cheia de conflitos e incertezas, que garante ao \u00e1lbum uma corzinha triste e bem atual; um blue-met\u00e1lico, apesar dos holofotes quentes e dos efeitos especiais: \u201cParece que me importo, mas s\u00f3 diante das c\u00e2meras\u201d, Drake confessa. E, na real, algu\u00e9m se importa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LPG3pBOcrMs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LPG3pBOcrMs\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tiago Faria (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\">@superoito<\/a><span>) \u00e9 jornalista e escreve no <a href=\"http:\/\/superoito.com\" target=\"_blank\">http:\/\/superoito.com<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Thursday, The Weeknd: um personagem agora completo, por Tiago Faria (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/09\/27\/cds-thursday-the-weeknd\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Faria\nTake Care  segue uma s\u00e9rie de conven\u00e7\u00f5es do g\u00eanero e, apesar de o cantor insistir que est\u00e1 tudo bem, n\u00e3o \u00e9 um disco tranquilo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/05\/take-care-drak\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11076"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11076"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11076\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11407,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11076\/revisions\/11407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}