{"id":11000,"date":"2011-11-30T07:59:24","date_gmt":"2011-11-30T10:59:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=11000"},"modified":"2016-09-09T17:31:52","modified_gmt":"2016-09-09T20:31:52","slug":"jeneci-e-a-nao-descartabilidade-da-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/30\/jeneci-e-a-nao-descartabilidade-da-musica\/","title":{"rendered":"Show: Marcelo Jeneci em Bel\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11001\" title=\"jeneci1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/jeneci1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Marcelo Jeneci e a n\u00e3o descartabilidade da m\u00fasica<br \/>\ntexto por Ismael Machado<br \/>\nfotos por Caio Brito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias de hoje, com o Youtube servindo de plataforma para clipes supostamente pol\u00eamicos e originais (vide Lady Gaga) e com a voracidade de informa\u00e7\u00f5es sendo facilmente digeridas e cuspidas fora, qual o verdadeiro sentido de um show? O que ele (ainda) pode fazer para ser mais do que um mero entretenimento que ser\u00e1 esquecido momentos depois, como aquela m\u00fasica baixada e arquivada entre tantas outras no computador ou nos aparelhinhos de nomes diversos que s\u00e3o trocados a cada seis meses?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma das reflex\u00f5es que se pode fazer quando determinados artistas se prop\u00f5em a ofertar ao p\u00fablico algo mais do que um punhado de meras can\u00e7\u00f5es descart\u00e1veis. Na mesma semana em que um v\u00eddeo mostrava a arremedo de cantora Katy Perry sendo flagrada no palco fingindo tocar uma flauta durante um show e confessando constrangida que nada sabia daquele instrumento, o site Scream &amp; Yell relatava o que foram os shows da banda Pearl Jam no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pearl Jam talvez seja uma das \u00faltimas bandas do planeta em que a m\u00fasica est\u00e1 acima de modismos, lances mercadol\u00f3gicos ou outros fact\u00f3ides que parecem hoje ser mais importantes que tudo. E h\u00e1 quem ainda os critique por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que tem Marcelo Jeneci a ver com isso? Tudo. Num domingo, 19\/11, Marcelo Jeneci fez, se n\u00e3o o melhor, o mais emocionante show do Festival Se Rasgum, em Bel\u00e9m. Lembrou que a m\u00fasica \u00e9, ou pelo menos deveria ser, algo a mais do que a descartabilidade. E que h\u00e1, sim, a possibilidade de uma esp\u00e9cie de transcend\u00eancia emocional naqueles breves momentos em que o artista sobe ao palco e se entrega para o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra entrega \u00e9 apropriada. Jeneci entrega ao p\u00fablico o que o p\u00fablico espera. S\u00f3 que faz isso levando a plat\u00e9ia a um outro tempo. Quando ao final do longo solo de \u201cPor Que N\u00f3s\u201d, remetendo a uma ambienta\u00e7\u00e3o de rock progressivo, Jeneci agradece a Guilherme Arantes, h\u00e1 finalmente um reconhecimento t\u00e1cito a um dos compositores brasileiros que na virada dos anos 70 para os anos 80 melhor soube captar as ang\u00fastias e sonhos adolescentes na transi\u00e7\u00e3o para a idade adulta em pelo menos quatro discos antol\u00f3gicos, sempre flertando com as possibilidades que o rock progressivo oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeneci n\u00e3o se furta de longos solos instrumentais e, para os ouvidos mais atentos, faz uma ponte extremamente interessante entre o que de melhor havia no Tropicalismo e na m\u00fasica pop dos anos 70 no Brasil com o que de mais diverso h\u00e1 na MPB atual. Est\u00e3o ali concentrados Roberto Carlos (de resto homenageado com uma bela vers\u00e3o de \u201cDo Outro Lado da Cidade\u201d), Odair Jos\u00e9, Mutantes, Guilherme Arantes, Arnaldo Antunes, m\u00fasica caipira, rock progressivo, Elton John, i\u00ea i\u00ea i\u00ea, clube da esquina&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As refer\u00eancias seriam listadas \u00e0s dezenas, mas o fundamental \u00e9 que de todo esse caldo que poderia ser facilmente entorn\u00e1vel, Jeneci extrai can\u00e7\u00f5es doces (n\u00e3o confundir com o p\u00e9ssimo e empobrecedor \u2018fofinho\u2019, com que jornalistas mais c\u00ednicos e pregui\u00e7osos costumam rotular sons que n\u00e3o se baseiam numa suposta agressividade sonora ou de letras). Doces, sim, mas o adjetivo mais apropriado talvez seja&#8230; cativante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o show, a jornalista e colunista cultural Esperan\u00e7a Bessa postou no twitter que Marcelo Jeneci conseguia a proeza de fazer os mais sisudos homens chorarem. Nem de longe ela foge da verdade. Isso porque as can\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo desnudadas aos poucos sem disfarces. S\u00e3o apenas can\u00e7\u00f5es, \u00e9 fato, mas raramente nos \u00faltimos tempos, can\u00e7\u00f5es tem se mostrado t\u00e3o descomplicadas e intensas, como nas que embalam o primeiro disco de Jeneci, \u201cFeito pra Acabar\u201d, lan\u00e7ado em dezembro do ano passado e al\u00e7ado a disco do ano neste mesmo site. Essa mistura entre simplicidade e sofistica\u00e7\u00e3o, pode at\u00e9 parecer paradoxal ou, para usar outra express\u00e3o pregui\u00e7osa, fruto de \u2018cabecice\u2019 do autor, mas ao fim do show ou da audi\u00e7\u00e3o do disco, a sensa\u00e7\u00e3o real \u00e9 que Jeneci ama m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 \u00f3bvio isso? Nem tanto. Os cuidados nos arranjos, a busca por letras que soam simples, sim, mas que conseguem alcan\u00e7ar a dose certa de emo\u00e7\u00e3o, despertam amor pela m\u00fasica. N\u00e3o apenas pela m\u00fasica dele, em si, mas pela m\u00fasica de forma geral, a boa m\u00fasica pop em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No show de Marcelo Jeneci h\u00e1 tantos momentos \u00edmpares que fica dif\u00edcil estabelecer qual o cl\u00edmax. Mas \u00e9 certo que em \u201cFeito pra Acabar\u201d, com o arranjo em crescendo, com a interpreta\u00e7\u00e3o lembrando o que John Lennon fazia na \u00e9poca da terapia do grito primal, \u00e9 um daqueles momentos de um concerto em que a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de plenitude. Um descarrego emocional que flagra um cantor\/compositor num momento especial da pr\u00f3pria carreira e que consegue, com isso, estabelecer uma comunh\u00e3o com o p\u00fablico como n\u00e3o se costuma ver. Desacostumamos disso. Est\u00e1vamos quase desaprendendo a por pra fora esses sentimentos. As grossas l\u00e1grimas e a voz embargada no canto acabam por nos lembrar porque a m\u00fasica tem esse poder. E vale a pena sentir isso, nem que seja por uma noite apenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11002\" title=\"jeneci2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/jeneci2.jpg\" alt=\"\" \/>&#8211; Ismael Machado \u00e9 rep\u00f3rter especial do Di\u00e1rio do Par\u00e1 e est\u00e1 lan\u00e7ando o livro \u201cSujando os Sapatos &#8211; O Caminho Di\u00e1rio da Reportagem\u201d. Saiba mais\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/\/blog\/2011\/08\/24\/tres-livros-bacanas-dois-em-promocao\/\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Saiba como foram os tr\u00eas dias do Se Rasgum 2011. Adriano Costa, Iuri Freiberger, Jarmeson de Lima, Jos\u00e9 Fl\u00e1vio J\u00fanior, Marcelo Costa e Ricardo Moraes apontam os melhores shows (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/serasgum\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A vit\u00f3ria despercebida de Marcelo Jeneci, por Yuri de Castro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/17\/a-vitoria-despercebida-de-jeneci\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211;\u00a0O que falta para Marcelo Jeneci tomar as r\u00e1dios?, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/16\/ao-vivo-letuce-e-marcelo-jeneci\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Melhores de 2010 Scream &amp; Yell: &#8220;Feito Pra Acabar&#8221;, de Marcelo Jeneci, em primeiro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/25\/melhores-discos-nacionais-2010\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Cinco jornalistas contam como foram os shows do Pearl Jam pelo Brasil em 2011 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que se v\u00ea ao vivo \u00e9 um descarrego emocional que flagra um cantor\/compositor num momento especial da pr\u00f3pria carreira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/30\/jeneci-e-a-nao-descartabilidade-da-musica\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11000"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11000"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40122,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11000\/revisions\/40122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}