{"id":10900,"date":"2011-11-25T23:19:36","date_gmt":"2011-11-26T02:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10900"},"modified":"2011-12-12T08:53:09","modified_gmt":"2011-12-12T11:53:09","slug":"5-artistas-acima-dos-60-5-discos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/25\/5-artistas-acima-dos-60-5-discos\/","title":{"rendered":"5 artistas acima dos 60, 5 belos discos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10902\" title=\"sessentas\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/sessentas.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/namiradogroove\" target=\"_blank\">Tiago Ferreira<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tom Waits tem 61 anos, Ry Cooder tem 64, Booker T. Jones tem 67, Steve Cropper tem 70 e Lee \u2018Scratch\u2019 Perry tem 75. Ok, mas o que eles t\u00eam em comum al\u00e9m de serem m\u00fasicos extremamente competentes e experientes? Todos eles lan\u00e7aram \u00e1lbuns em 2011. E \u2013 o que os aproxima ainda mais \u2013 \u00f3timos \u00e1lbuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, o m\u00fasico Beck comentou: \u201cQuando vi o Grammy este ano, fiquei sabendo que cada nomeado tinha uma idade abaixo de 30 anos\u201d. Nas listas de melhores discos do ano, sempre surgem unanimidades, com muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s novidades musicais. Quer dizer ent\u00e3o que somente o que \u00e9 novo deve estar no topo das listas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os g\u00eaneros se renovam, sempre. E os artistas tamb\u00e9m. \u00c9 necess\u00e1rio ouvir a m\u00fasica \u2013 qualquer m\u00fasica \u2013 com um ar de novidade, assim como muitos fazem ao observar novas bandas e artistas. O senso cr\u00edtico deve ser mantido, mas o reconhecimento tem que ser expl\u00edcito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo listamos cinco discos de artistas na melhor idade \u2013 termo politicamente correto para \u201cbatizar\u201d os vov\u00f4s \u2013, gente consagrada que, mesmo no s\u00e9culo XXI, ainda esbanja inventividade, seja na musicalidade, na poesia, na busca de novos temas, na atualiza\u00e7\u00e3o ou reciclagem do g\u00eanero\u2026 In\u00fameros fatores pesam. Observar e se deliciar com tudo isso \u00e9 a grande gra\u00e7a do neg\u00f3cio. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10905  aligncenter\" title=\"crooper\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/crooper.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/crooper.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/crooper-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/crooper-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Dedicated: A Salute to the 5 Royales&#8221;, Steve Crooper (429 Records)<\/strong><br \/>\nO guitarrista Steve Cropper \u2013 um dos maiores vivos \u2013 foi um dos m\u00fasicos que ajudaram a formatar o som cl\u00e1ssico da gravadora Stax, utilizando mais o instrumento como uma for\u00e7a r\u00edtmica do que uma sonoridade \u00e0 parte. Assim, ele criou o melhor m\u00e9todo de destacar a voz de soulmans como Otis Redding e Wilson Pickett. Mas tamb\u00e9m mostrou que, pelo ritmo, \u00e9 poss\u00edvel ouvir requintes de virtuosidade: no grupo Booker T. &amp; the MGs deitou e rolou em cl\u00e1ssicos como \u201cGreen Onions\u201d e \u201cTime is Tight\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cDedicated: A Salute to the 5 Royales\u201d o m\u00fasico presta tributo a um grupo imprescind\u00edvel para o surgimento da soul music: o The 5 Royales. Todo o repert\u00f3rio do \u00e1lbum vem de hits dos anos 50 e 60, e aqui Cropper n\u00e3o foi nem um pouco pomposo ao chamar o time de convidados: Sharon Jones canta com exuber\u00e2ncia em \u201cMessin\u2019 Up\u201d e \u201cCome On &amp; Save Me\u201d e Steve Winwood entra no clima dan\u00e7ante do soul sulista em \u201cThirty Second Lover\u201d. At\u00e9 o blueseiro BB King cai na dan\u00e7a em \u201cBaby Don\u2019t Do It\u201d, junto com Shemekia Copeland.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe aquela cl\u00e1ssica \u201cDedicated to the One I Love\u201d, que ficou bem conhecida nas vers\u00f5es do The Mamas and the Papas e The Shirelles? Ent\u00e3o, ela \u00e9 de autoria do The 5 Royales. E quem relembra esta bela can\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 Lucinda Williams, em um dueto com um parceiro das antigas de Cropper: Dan Penn, um dos grandes g\u00eanios da gravadora Muscle Shoals.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O soul \u00e9 a grande praia de Cropper, mas aqui vemos um flerte mais aproximado com o rockabilly e o R&amp;B. Dessas fa\u00edscas sai muito rock and roll, como a acelerada \u201cI Do\u201d, parceria com Brian May, e o agito dan\u00e7ante de \u201cRight Around the Corner\u201d (com Delbert McClinton), que vai deixar voc\u00ea na d\u00favida entre o que ouvir em seguida: Elvis Presley ou Chuck Berry?<\/p>\n<p style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10906\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"leescratch\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/leescratch.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/leescratch.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/leescratch-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/leescratch-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Rise Again&#8221;, Lee &#8216;Scratch&#8217; Perry (M.O.D. Technologies)<\/strong><br \/>\nLee \u2018Scratch\u2019 Perry \u00e9 o revolucion\u00e1rio produtor que inventou o dub enquanto realizava experimentos com o reggae no Black Ark Studios, um dos grandes redutos da m\u00fasica jamaicana nos anos 1970. Lee Perry, inclusive, chegou a produzir alguns hits de Bob Marley, como as excelentes \u201cSun is Shining\u201d e \u201cPunky Reggae Party\u201d, s\u00f3 para citar duas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a habilidade de produ\u00e7\u00e3o do m\u00fasico se encaixou ordenadamente no \u00e1lbum \u201cRise Again\u201d, lan\u00e7ado neste ano pelo selo M.O.D. Technologies e produzido por Bill Laswell (que j\u00e1 trabalhou com Iggy Pop e Herbie Hancock).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fasc\u00ednio por bombas, fogos e explos\u00f5es nas produ\u00e7\u00f5es sonoras aparece aqui, aliado \u00e0 sua voz decadente que n\u00e3o poderia suscitar outro contexto que n\u00e3o o apocal\u00edptico. \u201cScratch Message\u201d \u00e9 a can\u00e7\u00e3o que melhor reflete tal atitude incendi\u00e1ria, mas a secura do rocksteady mant\u00e9m um eixo firme com os efeitos do sax de Peter Apfelbaum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOrthodox\u201d \u00e9 um dueto regueiro de Lee Perry com a cantora eg\u00edpcia Gigi Shibabaw, tra\u00e7ando um elo com a m\u00fasica popular africana, mais marcadamente o pop. Os teclados s\u00e3o costurados e formam efeitos nebulosos em \u201cWake The Dead\u201d, enquanto Lee Perry surge aos fundos evocando um \u201cfiiireeeeee!!!\u201d vigoroso \u2013 mas n\u00e3o tanto, j\u00e1 que estamos falando de um m\u00fasico de mais de sete d\u00e9cadas de idade. Esta \u00e9, talvez, a melhor faixa de todo o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a m\u00fasica mais surpreendente \u00e9 \u201cE.T.\u201d, que forma uma conex\u00e3o entre fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dub, m\u00fasica africana e psicodelia, sem fugir da \u00f3rbita musical que paira nas ideias de Lee \u2018Scratch\u2019 Perry (ou\u00e7a no final).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de falar de espa\u00e7o, comida japonesa (\u201cInakaya\u201d), fogo, inc\u00eandio, vida e morte, o produtor tamb\u00e9m fala de kung-fu recorrendo ao ragga murphy em \u201cDancehall Kung Fu\u201d. Nada convencional.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10907  aligncenter\" title=\"tomwaits\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/tomwaits.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Bad as Me&#8221;, Tom Waits (Anti\/Epitaph)<\/strong><br \/>\nQuando o single de mesmo nome do \u00e1lbum foi lan\u00e7ado, provavelmente a maioria dos f\u00e3s do bardo deve ter ficado surpreendida com as in\u00fameras tonalidades vocais exploradas: Tom Waits se despe como um fracassado para dar um conselho de boteco a algum ser inexistente, dizendo que o mal \u00e9 algo normal. A prova dos nove aparece quando surge uma voz endiabrada, estabelecendo um di\u00e1logo com o cantor desesperado que diz que \u201cvoc\u00ea \u00e9 o mesmo tipo de mau que eu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum \u201cBad as Me\u201d tem um balan\u00e7o equilibrado de baladas e can\u00e7\u00f5es agitadas. Come\u00e7a pesado com as guitarras blueseiras de Keith Richards aceleradas a todo o vapor em \u201cChicago\u201d. Mas o grande triunfo no instrumento fica a cargo de Marc Ribot, eterno parceiro de Waits, que cria um ambiente esfuziante em \u201cGet Lost\u201d, uma polka animada que mostra o bardo bem alegre e convincente ao tentar te levar para a trilha da perdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro colaborador conhecido aqui \u00e9 Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, que deixa o rock-funk de lado para explorar uma linha de baixo mais obscura em \u201cRaised Right Men\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O potencial do compositor nas baladas ganha ainda mais pot\u00eancia: \u201cFace to the Highway\u201d e \u201cKiss Me\u201d seguem o protocolo, mas faixas como \u201cBack in the Crowd\u201d \u2013 uma balada que transpira Bourbon \u2013 e \u201cLast Leaf\u201d, um verdadeiro dueto de anci\u00e3os que mostra a intr\u00e9pida parceria entre Waits e Richards nos vocais, denotam que a tristeza \u00e9 apenas um caminho que o bardo domina muito bem, sem precisar ser engolido por ela (ou\u00e7a no final).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10908  aligncenter\" title=\"rycooder\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/rycooder.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/rycooder.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/rycooder-300x268.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Pull Up Some Dust and Sit Down&#8221;, Ry Cooder (Nonesuch)<\/strong><br \/>\nOutro dos maiores guitarristas vivos \u00e9 tamb\u00e9m um dos m\u00fasicos mais vers\u00e1teis de que se tem not\u00edcia. Ou\u00e7a \u201cPull Up Some Dust and Sit Down\u201d e comprove: ele explora a country music, o blues, folk de protesto, o rock e a m\u00fasica texana, com muita acentua\u00e7\u00e3o de solos crus. Tudo bem que todos esses ritmos s\u00e3o correlatos, mas exibir maestria e dom\u00ednio em todos eles de uma talagada s\u00f3, \u00e9 algo de dar inveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste \u00e1lbum, o m\u00fasico explora a ironia em can\u00e7\u00f5es que denunciam a divis\u00e3o que perdura entre ricos e pobres numa Am\u00e9rica devastada por seus ideais ut\u00f3picos de soberania. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma outra composi\u00e7\u00e3o t\u00e3o inteligente para retratar a queda dos banc\u00e1rios nos EUA como \u201cNo Banker Left Behind\u201d, que mostra os pr\u00f3prios entrando em farra ap\u00f3s \u201croubar uma na\u00e7\u00e3o cega\u201d (ou\u00e7a no final).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHumpty Dumpty World\u201d tem uma pegada reggae, e Ry Cooder cria um entrela\u00e7amento surpreendente com uma guitarra r\u00edtmica e solista ao mesmo tempo. Aqui, vemos um m\u00fasico inspirado nos temas revolucion\u00e1rios, tal qual um Woodie Goothrie do s\u00e9culo XXI que ainda n\u00e3o se desprendeu totalmente de suas ra\u00edzes musicais. Meio reggae, meio folk, meio rocksteady.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cChristmas Time This Year\u201d \u00e9 folcl\u00f3rica at\u00e9 o ultimo talo; Cooder toca banjo e se baseia em um ritmo alegre mexicano para falar \u2013 sarcasticamente, \u00e9 claro \u2013 da depend\u00eancia que n\u00f3s temos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s armas, para encontrar alguma seguran\u00e7a. Talvez ele tivesse se referindo a um pai de fam\u00edlia conservador de estados sulistas, que mant\u00eam rev\u00f3lveres e espingardas para se \u201cprotegerem\u201d. Mas a mensagem fica bem direcionada a todos os ouvintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que grande destaque de \u201cPull Up Some Dust and Sit Down\u201d \u00e9 a sequ\u00eancia de \u201cI Want My Crown\u201d e \u201cJohn Lee Hooker for President\u201d: a primeira mostra Ry Cooder com uma voz endiabrada, lembrando incurs\u00f5es vocais de Tom Waits. Tem muita refer\u00eancia a Captain Beefheart e, se tivesse algum barulho similar a um uivo, dir\u00edamos que Howlin\u2019 Wolf teria ressuscitado. As guitarras blueseiras entram em conex\u00e3o com o sax alto de Arturo Gallardo. J\u00e1 no tributo a John Lee Hooker, Ry Cooder imagina que o mundo provavelmente seria melhor se d\u00e9ssemos mais import\u00e2ncia aos bo\u00eamios do que aos engravatados s\u00e9rios. Lee Hooker se preocuparia com a na\u00e7\u00e3o: \u201cTodos pegam um bourbon, um scotch, uma cerveja; tr\u00eas vezes por dia, se ficar legal\u201d. Quem n\u00e3o queria viver assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10909  aligncenter\" title=\"bookert\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/bookert.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/bookert.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/bookert-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/bookert-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;The Road From Memphis&#8221;, Booker T. Jones (Anti\/Epitaph)<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar tem o The Roots como banda de apoio. Segundo: Beck \u00e9 o produtor (mas n\u00e3o interfere em muita coisa). Terceiro: h\u00e1 regrava\u00e7\u00f5es instrumentais de \u201cCrazy\u201d (Gnarls Barkley) e \u201cEverything is Everything\u201d (Lauryn Hill). Quarto: tem participa\u00e7\u00f5es de Sharon Jones, Yim Yames (My Morning Jacket) e Lou Reed. N\u00e3o interessou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Road From Memphis\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de soul instrumental levados pela habilidade excepcional do m\u00fasico nos \u00f3rg\u00e3os. Para quem n\u00e3o conhece, Booker T. Jones fincou sua hist\u00f3ria na soul music ao se destacar como um dos principais instrumentistas de est\u00fadio da Stax Records, desde que ela realizava experimentos para se chegar ao som cl\u00e1ssico que ficou muito bem prensado no disco \u201cGreen Onions\u201d, de Booker T. and the MGs (que contava com Steve Cropper). Tudo isso aconteceu no long\u00ednquo ano de 1961 e, ainda hoje, d\u00e1 para perceber o quanto sua presen\u00e7a ainda se faz necess\u00e1ria no g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo \u00e9 puro, lindo, estupendo. Nem Lou Reed, que praticamente estragou a uni\u00e3o com o Metallica em \u201cLulu\u201d, chega perto de fazer isso em \u201cThe Bronx\u201d, contornada por uma linda melodia nas guitarras e uma passagem nos \u00f3rg\u00e3os que chega a emocionar. O fator voz ruim de Lou \u00e9 um mero detalhe, porque ela combina perfeitamente com a divaga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos em um trem das maravilhas que, por mais que fiquemos sem saber o seu destino, reservar\u00e1 uma \u00f3tima surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vocalista Matt Berninger, do The National, divide os vocais com a diva Sharon Jones em \u201cRepresenting Memphis\u201d, uma balada blueseira que mostra solos econ\u00f4micos nos \u00f3rg\u00e3os de Booker T. pontuados com perfei\u00e7\u00e3o (ou\u00e7a abaixo). Mas n\u00e3o pense que \u00e9 tudo maravilhas: em \u201cThe Hive\u201d, o baterista QuestLove sugere a baderna com suas batidas jazz\u00edsticas, fazendo com que o organista entre desordenadamente, mas com a autoridade de quem ainda \u00e9 o superior. Como se fosse o regente de uma orquestra cheia de m\u00fasicos virtuosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRent Party\u201d \u00e9 um pouco mais tranquila e divaga exatamente por aquele som sessentista da Stax que revolucionou a soul music. O organista at\u00e9 chega a arriscar nos vocais em \u201cDown in Memphis\u201d, fazendo uma intersec\u00e7\u00e3o mais fervorosa com o The Roots ao trafegar por algo mais el\u00e9trico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea acha que viajar de carro \u00e9 gostoso, essa \u00e9 a trilha sonora perfeita. Se \u00e9 f\u00e3 de soul music, ent\u00e3o, \u201cThe Road From Memphis\u201d \u00e9 mais que um disco necess\u00e1rio: \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G4GL84vqdNw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G4GL84vqdNw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o7UmyDBnccA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o7UmyDBnccA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/c-uEjO9zfbc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/c-uEjO9zfbc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LxaY_mxYflg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LxaY_mxYflg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SMvyQkwUkWo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SMvyQkwUkWo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Tiago Ferreira (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/namiradogroove\" target=\"_blank\">@namiradogroove<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/namiradogroove.com.br\/\" target=\"_blank\">Na Mira do Groove<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Ferreira\nQuanto mais velho, melhor: conhe\u00e7a cinco discos indispens\u00e1veis lan\u00e7ados em 2011 de m\u00fasicos que j\u00e1 passaram dos 60 anos&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/25\/5-artistas-acima-dos-60-5-discos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10900"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10900"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10904,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10900\/revisions\/10904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}