{"id":10873,"date":"2011-11-25T22:35:05","date_gmt":"2011-11-26T01:35:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10873"},"modified":"2016-08-31T03:32:06","modified_gmt":"2016-08-31T06:32:06","slug":"entrevista-dead-combo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/25\/entrevista-dead-combo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Dead Combo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10874\" title=\"deadcombo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/deadcombo.jpg\" alt=\"\" \/><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00fasica com alma, de identidade portuguesa, influenciada pelo fado, mas tamb\u00e9m por rock, trilhas sonoras de westerns, m\u00fasica da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica. Acima de tudo, o Dead Combo experimenta v\u00e1rias paletas sonoras com honestidade art\u00edstica, n\u00e3o prescindindo de uma atitude libert\u00e1ria, embora bem distante do punk mais infantil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado por T\u00f3 Trips (guitarras) e Pedro Gon\u00e7alves (contrabaixo, kazoo, mel\u00f3dica e guitarras) em 2003, o Dead Combo gravou o tema \u201cParedes Ambience\u201d, inclu\u00eddo no CD \u201cMovimentos Perp\u00e9tuos \u2013 M\u00fasica para Carlos Paredes\u201d, homenagem ao maior guitarrista portugu\u00eas de todos os tempos. Desde logo, os dois m\u00fasicos encarnaram, esteticamente, dois personagens: um gato pingado e um gangster.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aventura discogr\u00e1fica da banda come\u00e7ou com \u201cVol.1\u201d, de 2004, e ao longo de cinco trabalhos de est\u00fadio consolidou-se o termo \u201ctango-billy\u201d (mistura de psychobilly com tango), do qual foram percursores. Musicalmente, o expoente m\u00e1ximo foi atingido com o pen\u00faltimo disco, \u201cLusit\u00e2nia Playboys\u201d, gra\u00e7as a cl\u00e1ssicos como \u201cPutos A Roubar Ma\u00e7\u00e3s\u201d (proporcionando um crescendo entre contrabaixo e guitarra el\u00e9ctrica, com laivos de m\u00fasica do leste europeu) ou a soberba incurs\u00e3o a la americana de \u201cSopa De Cavalo Cansado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer do tempo, o Dead Combo encetou v\u00e1rias colabora\u00e7\u00f5es, entre as quais a composi\u00e7\u00e3o da trilha sonora de \u201cSlightly Smaller Than Indiana\u201d, de Daniel Blaufuks, em 2006, mas a mais proveitosa parceria seria alcan\u00e7ada com a Royal Orquestra das Caveiras, da qual resultaria o recente DVD \u201cDead Combo &amp; Royal Orquestra das Caveiras\u201d, fruto de um show conjunto, no Teatro S\u00e3o Luiz, em Lisboa. Ao vivo, a conjun\u00e7\u00e3o de for\u00e7as ampliou e coloriu a arte telep\u00e1tica de criar paisagens sonoras do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a edi\u00e7\u00e3o de \u201cLisboa Mulata\u201d, a banda lisboeta concretizou o sonho de comp\u00f4r sobre uma cidade em que as comunidades africanas est\u00e3o mais integradas e onde os brancos j\u00e1 dan\u00e7am em discotecas como o B.Leza. A viagem por uma capital portuguesa multirracial, num esp\u00edrito \u201cin your face\u201d, traduzida na catarse do tema hom\u00f4nimo ou no desassossego encantador de \u201cMarchinha Do Santo Ant\u00f3nio Descambado\u201d, revela uma vez mais a capacidade do Dead Combo em antecipar os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil est\u00e1 nos planos do grupo. \u201cAgradava-nos passar uma temporada l\u00e1, com os nossos amigos Kassin e Marcelo Camelo, e tentar estabelecer pontes sonoras\u201d, diz Pedro Gon\u00e7alves. No site: <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/deadcombo\" target=\"_blank\">http:\/\/www.myspace.com\/deadcombo<\/a> \u00e9 poss\u00edvel obter um vislumbre da criatividade de uma banda original e desafiadora. De Lisboa para o Brasil, o Dead Combo conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SSIEIcgjCJE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SSIEIcgjCJE\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o lan\u00e7amento de \u201cLisboa Mulata\u201d o som do grupo ficou mais cru apresentando a vis\u00e3o de uma cidade pluricultural. Sentem-se satisfeitos com a vossa perspectiva lisboeta?<\/strong><br \/>\nSim! Sempre afirmamos que \u00e9ramos de Lisboa. Com este disco, chegamos tamb\u00e9m \u00e0 conclus\u00e3o que nunca t\u00ednhamos posto a cidade na capa ou feito um trabalho alusivo. Para al\u00e9m disso, houve uma s\u00e9rie de coincid\u00eancias que ocorreram. Entre elas, chegar a um ponto em que nos questionamos sobre o que \u00edamos fazer com a nossa m\u00fasica. Vamos nos repetir? Percorrer a orienta\u00e7\u00e3o de sempre? Lembramo-nos tamb\u00e9m que t\u00ednhamos alguns temas antigos, mais africanos, que nunca chegamos a usar, e sentimos que era um bom caminho para concretizar essa ideia. Curiosamente, essa no\u00e7\u00e3o surgiu no Recife, no Abril Pro Rock. Depois, juntou-se a isso o fato de termos levado para a sala de ensaios uma guitarra chamada mulata. Por um lado, este foi o contexto musical que nos levou ao \u00e1lbum. Por outro lado, Lisboa \u00e9 mesmo uma cidade pluricultural, antigamente pensava-se em termos de exotismo, mas, hoje em dia, \u00e9 um dado adquirido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> \u201cAnadamastor\u201d \u00e9 porventura a can\u00e7\u00e3o mais cl\u00e1ssica do novo trabalho, no entanto parece albergar dois mundos distintos. Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica \u00e9 dedicada a uma garota, Ana, que trabalha num caf\u00e9 perto do Miradouro de Santa Catarina, em Lisboa. Por vezes, vamos l\u00e1 almo\u00e7ar ou beber uma cerveja. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que tem aquela marca do Dead Combo tradicional e que poderia estar inclu\u00edda em discos anteriores. O Marc Ribot entra nesse tema como convidado e sentimos que \u00e9 uma m\u00fasica que faz a ponte entre a sonoridade e o conceito de \u201cLisboa Mulata\u201d com o trabalho desenvolvido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A interpreta\u00e7\u00e3o de \u201cMarchinha De Santo Ant\u00f3nio Descambado\u201d insere-se na tradicional vontade de subverter coordenadas?<\/strong><br \/>\nEsse tema surgiu na sala de ensaios e um pouco por acaso. Quando convers\u00e1vamos, um de n\u00f3s come\u00e7ou a tocar algo e aquilo pareceu-nos ser uma pequena marcha. Achamos engra\u00e7ado e desenvolvemos a ideia. Pensamos tamb\u00e9m no Marc Ribot, uma vez que a m\u00fasica foi concebida para ele tocar guitarra. E veio-nos \u00e0 cabe\u00e7a o refr\u00e3o de uma marchinha repetida at\u00e9 ao infinito. Visualmente, aparenta ser uma prociss\u00e3o lisboeta de Santo Ant\u00f3nio, na Cal\u00e7ada da Bica, mas, de repente, as pessoas que transportam a est\u00e1tua escorregam, come\u00e7am a cair e tudo acaba mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> O que voc\u00eas tinham em mente quando convidaram Marc Ribot, Caman\u00e9, S\u00e9rgio Godinho e Alexandre Fraz\u00e3o para participarem no disco?<\/strong><br \/>\nDas colabora\u00e7\u00f5es, e j\u00e1 tivemos muitas, pretendemos sempre convidar m\u00fasicos que admiramos e amigos que possam emprestar a sua mais valia ao trabalho. O Marc Ribot \u00e9 uma pessoa que sempre quisemos incluir num \u00e1lbum nosso e j\u00e1 lhe t\u00ednhamos dedicado uma m\u00fasica, intitulada \u201cRibot\u201d, no primeiro disco. Com o Caman\u00e9, trabalhamos em projetos diferentes no passado mas, como n\u00e3o escreve, pedimos ao S\u00e9rgio Godinho para fazer um poema para ele declamar (em \u201cOuvi O Texto Muito Ao Longe\u201d). Na nossa opini\u00e3o, o S\u00e9rgio \u00e9 o melhor escritor de can\u00e7\u00f5es portugu\u00eas. No caso do Alexandre Fraz\u00e3o, ele \u00e9 um excelente baterista e um velho companheiro de estrada com quem gostamos sempre de contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na composi\u00e7\u00e3o deste \u00e1lbum voc\u00eas tinham presente a ideia de aumentar o p\u00fablico tradicional do Dead Combo?<\/strong><br \/>\nPode parecer um pouco arrogante, mas n\u00e3o pensamos mesmo nisso. A \u00fanica coisa que nos ocorreu, para este trabalho, foi a decis\u00e3o musical pender para o lado africano por termos medo nos repetirmos. Pela nossa sonoridade, temos deparado com garotos ou at\u00e9 sexagen\u00e1rios que nos pedem para autografar o disco. Talvez por fazermos m\u00fasica instrumental, existe uma maior liberdade na audi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 dizemos que ela \u00e9 como o Tintin, ou seja, \u00e9 dos 8 aos 88 anos (risos). Quando iniciamos o projeto, a ideia era fazer shows na Galeria Z\u00e9 dos Bois e divertirmo-nos. Depois da rea\u00e7\u00e3o positiva do p\u00fablico, alargamos o espectro. De uma forma geral, desenvolvemos uma capacidade de nos distanciarmos do que fazemos, ou seja, precisamos gostar de ouvir o que tocamos, independentemente de quem interpreta o tema, e nunca pensamos no lado comercial ou em m\u00fasicas potenciais para singles (compactos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Como foi o acolhimento do p\u00fablico brasileiro \u00e0 vossa m\u00fasica no festival Abril Pro Rock, de 2010?<\/strong><br \/>\nFoi complicado, porque tocamos num feriado, com mais algumas bandas, e havia pouco p\u00fablico, quando no dia anterior tinha havido uma aflu\u00eancia enorme de pessoas. Foi ingl\u00f3rio (risos). No entanto, foi uma experi\u00eancia positiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Voc\u00eas pretendem continuar a trilhar caminhos musicais diversificados como evidenciaram no \u201cLisboa Mulata\u201d ?<\/strong><br \/>\nProcuramos sempre n\u00e3o repetir a f\u00f3rmula e somos curiosos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica que fazemos e ouvimos, a novas fronteiras e a diversas formas de compor e explorar os instrumentos. Por isso, estaremos constantemente atentos a tudo o que nos rodeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EEKdSKU9rzg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EEKdSKU9rzg\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7qkaWV1yHqQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/7qkaWV1yHqQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/QvGjZOAPzoQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/QvGjZOAPzoQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Especial: conhe\u00e7a a nova cena musical portuguesa, por Pedro Salgado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/28\/2011\/06\/07\/2010\/12\/11\/especial-como-anda-a-cena-portuguesa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Deolinda ao vivo em Lisboa: o triunfo do fado pop, por Pedro Salgado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/28\/2011\/06\/07\/2011\/01\/30\/deolinda-o-triunfo-do-fado-pop\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; B Fachada: as ra\u00edzes portuguesas atravessaram uma alma, por Pedro Salgado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/28\/2011\/04\/27\/b-fachada-tradicao-inovadora\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00fasica com alma, influenciada pelo fado e pelo rock, por trilhas sonoras de westerns, m\u00fasica da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica..\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/25\/entrevista-dead-combo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10873"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10873"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39640,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10873\/revisions\/39640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}