{"id":10831,"date":"2011-11-22T21:51:11","date_gmt":"2011-11-23T00:51:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10831"},"modified":"2011-12-07T08:18:46","modified_gmt":"2011-12-07T11:18:46","slug":"download_silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/22\/download_silva\/","title":{"rendered":"Download: Silva, estreia de L\u00facio Souza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10832\" title=\"silva\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/silva.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/silva.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/silva-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/silva-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/yuridecastro\" target=\"_blank\">Yuri de Castro<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silva morreu. Mas, antes disso, MC Bob Rum corre pra dizer os atributos de um homem que tirou o domingo para jogar o seu futebol, dar um rosa pra irm\u00e3 e prometer n\u00e3o demorar. E tamb\u00e9m para ouvir os graves das caixas da Furac\u00e3o 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase duas d\u00e9cadas depois de \u201cRap do Silva\u201d instaurar as bases do Funk Carioca, n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil perceber o que mudou (e tamb\u00e9m o que segue o mesmo tipo de curso). Bob Rum e os demais DJs e MCs do ent\u00e3o movimento funk entenderam com o tempo que o processo n\u00e3o seria horizontal. Do est\u00fadio prec\u00e1rio para a r\u00e1dio comunit\u00e1ria, da r\u00e1dio comunit\u00e1ria para o bailinho, do bailinho para o principal baile funk da favela, do principal baile funk da favela para o asfalto (e, por conseguinte, para o r\u00e1dio, para o povo e, dependendo, para a TV).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso vem \u00e0 cabe\u00e7a ao ouvir o primeiro registro de L\u00facio Souza. Com 23 anos, L\u00facio assina como \u201cSilva\u201d, seu nome do meio, o EP hom\u00f4nimo. T\u00e3o egresso da classe m\u00e9dia quanto L\u00facio, ouvi \u201cRap do Silva\u201d ap\u00f3s receber de minha m\u00e3e uma fita K-7 de Rap Brasil 2, colet\u00e2nea respons\u00e1vel pela difus\u00e3o mainstream das mel\u00f4s e dos raps cariocas que ecoavam h\u00e1 muito tempo nas r\u00e1dios piratas do Rio de Janeiro. Simples, direta e intermediada por um refr\u00e3o que transcende o tempo linear da can\u00e7\u00e3o, a faixa abriria n\u00e3o s\u00f3 a colet\u00e2nea, mas tamb\u00e9m toda a minha forma de enxergar m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em 2011. Quando o refr\u00e3o de \u201cImergir\u201d surgir pela segunda vez, vai ser imposs\u00edvel ficar inerte. E \u00e9 bem prov\u00e1vel que, por algum tipo de v\u00edcio, brindemos juntos, eu, voc\u00ea, nossos 20 e poucos anos, a vinda do refr\u00e3o. Mas \u00e9 preciso refletir. \u201cSilva\u201d n\u00e3o inebria. \u00c9 apenas confortavelmente apelativo em suas cinco faixas, um gancho bem no meio do talento de L\u00facio \u201cSilva\u201d Souza, hoje prod\u00edgio da cena musical da capital do Esp\u00edrito Santo, Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 23 anos, L\u00facio faz par com Andr\u00e9 Paste em um imagin\u00e1rio de novas possibilidades no Estado do Esp\u00edrito Santo. H\u00e1 dois anos, Paste come\u00e7ava a ver seu nome circular por culpa de seus in\u00fameros mash-ups. Mesma \u00e9poca em que L\u00facio j\u00e1 soltava uma releitura aqui e uma in\u00e9dita acol\u00e1 em seu perfil no MySpace. Nesta \u00e9poca, a banda Solana repercutia o excelente \u00e1lbum \u201cFeliz, Feliz\u201d e Vit\u00f3ria parecia ganhar algum f\u00f4lego autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas era um espasmo. L\u00facio se guardou enquanto o Esp\u00edrito Santo via um punhado de nomes virem \u00e0 tona e submergir com um descaso de mesma propor\u00e7\u00e3o. E, ent\u00e3o, dois anos depois, revela-se \u201cSilva\u201d e, com ele, n\u00e3o s\u00f3 o talento de L\u00facio (que gravou praticamente todos os instrumentos do \u00e1lbum), mas, principalmente, que h\u00e1 pouco espa\u00e7o para quem ainda associa independ\u00eancia art\u00edstica com desleixo (n\u00e3o proposital) de produ\u00e7\u00e3o. \u201cSilva\u201d, o EP, \u00e9 impec\u00e1vel tecnicamente. Desde a arte da \u201ccapa\u201d aos passeios caprichados que cada instrumento faz, valorizando as repetidas audi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rigor, o r\u00e1dio tem tocado \u201cFugidinha\u201d e, mais recentemente, \u201cAi, Se Eu Te Pego\u201d, ambos na voz de Michel Tel\u00f3. O funk carioca passa longe da est\u00e9tica dos anos 90. Fala-se de sexo, de conquista, poder, desejo e de falsos orgasmos. Em \u201cSilva\u201d h\u00e1 uma letra assim: \u201cNavios dizem recome\u00e7o \/ do mar ningu\u00e9m chegou ao fim \/ eu vou deixar seu nome imergir\u201d. A posi\u00e7\u00e3o da espera, da passividade, se tornou uma t\u00f4nica em todo um punhado de singles e \u00e1lbuns do cen\u00e1rio independente brasileiro. \u00c9 o brasileiro que luta contra o r\u00e1dio, mas que n\u00e3o se posiciona assim por ser combativo e, sim, por ser ing\u00eanuo. E \u00e9 ing\u00eanuo porque combate com todas as for\u00e7as o refr\u00e3o micareteiro de \u201cAi, Se Eu Te Pego\u201d, mas n\u00e3o percebe o qu\u00e3o apelativo s\u00e3o os acordes de \u201cA Visita\u201d. Se fossemos mais espertos, conjug\u00e1vamos as duas em uma mesma mixtape em oferta \u00e0 menina mais gostosa da classe. Mas, n\u00e3o. Separa-se. Diverge-se. E, claro, a menina foge \u2013 ou melhor, vai procurar uma fugidinha. E fica-se na lama, tentando compor algo sobre como \u00e9 dif\u00edcil ser assim, de como a vida \u00e9 dif\u00edcil, de como a rotina \u00e9 extenuante e de como \u00e9 ruim tentar ser bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalizado por Matt Colton, um dos respons\u00e1veis pelo \u00e1lbum hom\u00f4nimo de James Blake, \u201cSilva\u201d n\u00e3o embola e \u00e9 candidato a preencher os cora\u00e7\u00f5es carentes de Vit\u00f3ria e o esperado \u00e9 que se espalhe por todo o pa\u00eds (o que j\u00e1 vem acontecendo, uma vez que j\u00e1 marca presen\u00e7a em cadernos culturais de Rio e S\u00e3o Paulo). N\u00e3o h\u00e1 derrotismo no \u00e1lbum. N\u00e3o h\u00e1 porque derrotismo \u00e9 conceito. E isso n\u00e3o h\u00e1 em nenhuma das cinco faixas que trazem L\u00facio Souza quase oficialmente ao cen\u00e1rio independente e autoral brasileiro. Ainda assim, o EP acaba sendo superior aos seus pares et\u00e1rios, de g\u00eanero e, principalmente, conterr\u00e2neos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das piores sensa\u00e7\u00f5es para quem vai \u00e0 lona \u00e9 a ilus\u00e3o da volta. Rec\u00e9m traumatizado com o \u00faltimo golpe, o atordoado n\u00e3o sabe ainda onde come\u00e7a a sua infantilidade: se na possibilidade de ficar em p\u00e9 novamente ou se antes mesmo da luta, na vontade de lutar. E est\u00e1 na lona este g\u00eanero que abriga n\u00e3o s\u00f3 este EP de L\u00facio Souza, mas uma m\u00e3o cheia de promessas do sem\u00e1foro da atual m\u00fasica brasileira. Tr\u00f4pego, este g\u00eanero v\u00ea contagens sendo abertas a cada lan\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gera\u00e7\u00e3o de L\u00facio e a de Paste n\u00e3o pode pedir para o DJ soltar o rap. Se insistir, o que ir\u00e1 ouvir ser\u00e1 intelig\u00edvel. Ou melhor, inexpressivo. Discotecar n\u00e3o \u00e9 um verbo carregado mais de orgulho e quem vai \u00e0 boate n\u00e3o vai \u00e0 m\u00fasica. Contraditoriamente, as mesmas pessoas que gastam horas e noites sem dormir nesses estabelecimentos receber\u00e3o (e j\u00e1 receberam) \u201cSilva\u201d com louvor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato supracitado, \u201cSilva\u201d claramente se eleva musicalmente. Mas os apupos podem ser desesperados por algum tipo de arrebatamento. H\u00e1 uma necessidade atual de termos um \u00edcone, uma salva\u00e7\u00e3o. O que j\u00e1 se faz como independente \u00e9, portanto, um mercado. E esse mercado tamb\u00e9m precisa de uma salva\u00e7\u00e3o. E, no Brasil, a cada lan\u00e7amento, ela vem sendo constru\u00edda. \u201cRap do Silva\u201d \u00e9 mais do que um recado. Em uma aula de m\u00fasica pop, a acapella acachapa o ouvinte, deixando-o intrigado por alguns segundos at\u00e9 que o refr\u00e3o revelador estra\u00e7alha o imagin\u00e1rio. Mas, al\u00e9m disso, \u201cRap do Silva\u201d \u00e9 uma m\u00fasica de seu tempo. E m\u00fasicas do seu tempo ficam acima da discuss\u00e3o do bom e do ruim. \u201cSilva\u201d e seu autor n\u00e3o conseguem isso. Porque as faixas do EP n\u00e3o s\u00e3o de seu tempo. E sim do seu tempo, dos seus anseios e medos. E m\u00fasica, a gente vai sabendo, passa longe de ser essa ou aquela uma m\u00fasica boa. \u00c9 \u00e9poca e os seus contextos v\u00e3o cercando a produ\u00e7\u00e3o de forma que, de repente, est\u00e3o na mem\u00f3ria como uma coisa s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 s\u00f3 um EP. L\u00facio n\u00e3o precisa mais demonstrar a virtuose. Est\u00e1 l\u00e1. Do vocal aos timbres. \u00c9 tudo muito bom. No entanto, a relev\u00e2ncia \u00e9 um dos artigos mais procurados. E o que tem sido colhido, segundo \u00e1lbum ap\u00f3s segundo \u00e1lbum, \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o. Sem ser pai de fam\u00edlia e sem ser funkeiro, no meio de uma por\u00e7\u00e3o de elogios, a estrela corre risco de n\u00e3o brilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O EP &#8220;Silva&#8221; pode ser baixado gratuitamente aqui:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/?cvbddcc5dsn6cl3\" target=\"_blank\">http:\/\/www.mediafire.com\/?cvbddcc5dsn6cl3<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span>Facebook &#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/listentosilva\" target=\"_blank\">http:\/\/www.facebook.com\/listentosilva<\/a><br \/>\n<span>Soundcloud &#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/soundcloud.com\/silvasilva\" target=\"_blank\">http:\/\/soundcloud.com\/silvasilva<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10833\" title=\"silva2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/silva2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p>Yuri Castro (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/yuridecastro\" target=\"_blank\">@yuridecastro<\/a>) \u00e9 jornalista, locutor do programa Sonar e da Litoral FM e escreve no <a href=\"http:\/\/nafita.tumblr.com\" target=\"_blank\">http:\/\/nafita.tumblr.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Yuri de Castro\nQuando o refr\u00e3o de &#8220;Imergir&#8221; surgir pela 2\u00aa vez, ser\u00e1 imposs\u00edvel ficar inerte. 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