{"id":10733,"date":"2011-11-15T19:51:31","date_gmt":"2011-11-15T22:51:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10733"},"modified":"2012-01-04T23:30:11","modified_gmt":"2012-01-05T02:30:11","slug":"pearl-jam-brasil-tour-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/","title":{"rendered":"Pearl Jam: Brasil Tour 2011"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10734\" title=\"pearljam1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pearl Jam ao vivo no Morumbi, S\u00e3o Paulo, 03\/11\/11<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/leovinhas\" target=\"_blank\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Quando uma banda tem 20 anos de carreira, ela costuma dispensar apresenta\u00e7\u00f5es. Por isso n\u00e3o falemos sobre o Pearl Jam que voc\u00ea conhece e gosta, ou conhece e despreza, ou acha que conhece. Falemos do que acontece quando eles sobem no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A ideia de que cada show \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica, um espet\u00e1culo que \u00e9 t\u00e3o intenso quanto ef\u00eamero, e que n\u00e3o deve ser desperdi\u00e7ado, \u00e9 levada \u00e0 risca pelo Pearl Jam desde o come\u00e7o de sua carreira. Nunca repetem o setlist, nunca usam os mesmos expedientes para promover a integra\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Ranhetas podem se queixar da predisposi\u00e7\u00e3o que Eddie Vedder tem de se comunicar em frases no idioma local em cada pa\u00eds que vai, sempre com um sotaque entre Jo\u00e3o Paulo II e Dom L\u00e1zaro (personagem de Lima Duarte costumeiramente lembrado por seus problemas de dic\u00e7\u00e3o). Mas a\u00ed \u00e9 o tipo de gente que reclama at\u00e9 de barulho de bombinha numa festa de S\u00e3o Jo\u00e3o. O simples fato de se querer fazer entender pelo p\u00fablico ultrapassa a mera demagogia de palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Essa singularidade de cada show \u00e9 o que motivou alguns f\u00e3s a freq\u00fcentar todas as apresenta\u00e7\u00f5es da banda em territ\u00f3rio brasileiro. F\u00e3s menos dispostos ou menos abonados t\u00eam que se contentar em escolher uma noite e esperar pela escolha de repert\u00f3rio com o qual a banda decidir\u00e1 se divertir naquela noite \u2013 e depois, se torturar porque perdeu \u201caquela\u201d can\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m comemorar porque pode presenciar \u201caquela outra\u201d em todo o seu vigor. Qual outra banda vai te proporcionar isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Dito isso, j\u00e1 d\u00e1 para afirmar que o Pearl Jam fez na quinta-feira, 03 de novembro de 2011, o que eles costumam fazer: um puta show. Havia pessoas querendo reproduzir a experi\u00eancia que haviam tido nos shows de 2005 (uma tentativa fadada ao fracasso desde o princ\u00edpio, pelos fatores j\u00e1 citados) e marinheiros de primeira viagem. Fossem quem fossem, ningu\u00e9m estava preparado para um show que seria aberto com \u201cRelease\u201d, faixa de encerramento de \u201cTen\u201d, aquele disco que, em 1991, fez um monte de gente ter certeza de que gostava mesmo \u00e9 de rock\u2019n\u2019roll. Uma faixa lenta e clim\u00e1tica, para subverter a expectativa de come\u00e7ar de forma barulhenta e acelerada, e que j\u00e1 ajudava a evidenciar, pela express\u00e3o de felicidade ou de espanto, quem era f\u00e3, quem era \u201cadmirador sazonal\u201d (isto \u00e9, quem vai esperando os hits) e quem fazia parte desse infame novo p\u00fablico para quem o show \u00e9 uma balada cara, na qual a m\u00fasica \u00e9 menos importante que as fotos, tu\u00edtes e chavecos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">N\u00e3o que barulho e velocidade n\u00e3o viessem na sequ\u00eancia. \u201cCorduroy\u201d, \u201cWhy Go\u201d (outra de \u201cTen\u201d) e \u201cAnimal\u201d se enfileiraram, uma mais intensa que a outra, sendo que na \u00faltima foi poss\u00edvel ver um alucinado fazer um mosh numa caixa de brita na lateral da pista. Uma rea\u00e7\u00e3o extrema, como as l\u00e1grimas observadas aqui e ali (notadamente em \u201cUnthought Known\u201d e \u201cBlack\u201d), um casal se deitando para olhar o c\u00e9u de m\u00e3os dadas em \u201cJust Breathe\u201d, o sorriso beat\u00edfico de um f\u00e3 que era a cara do Stone Gossard ao escutar versos de \u201cWMA\u201d enxertados no final de \u201cDaughter\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Possivelmente essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o Pearl Jam soma vinte anos de exist\u00eancia, conseguindo sobreviver a altos e baixos comerciais (a banda praticamente sumiu das r\u00e1dios nos anos 00): sua m\u00fasica, como poucas hoje em dia, estabelece uma rela\u00e7\u00e3o emocional direta com seu p\u00fablico, que por sua vez est\u00e1 mais interessado no conjunto da obra do que em hits em particular.<\/p>\n<p>Os discos do Pearl Jam nunca funcionaram bem como mera trilha sonora para atividades corriqueiras. Mesmo seus discos com mais voca\u00e7\u00e3o de est\u00e1dio \u2013 \u201cTen\u201d (1991), \u201cYield\u201d (2000) e o excepcional \u201cBackspacer\u201d, de 2009 \u2013 n\u00e3o s\u00e3o \u201capenas\u201d bons apanhados de temas de apelo radiof\u00f4nico, mas sim obras que funcionam melhor quando apreciadas na \u00edntegra, e que tendem, todas elas, a ser valorizadas a cada nova audi\u00e7\u00e3o. E o fato de tratar cada disco com essa extrema dedica\u00e7\u00e3o \u00e9 o que faz com que um lado B como \u201cDown\u201d (presente na compila\u00e7\u00e3o \u201cLost Dogs\u201d) seja bem-recebido pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Evidentemente, os hits tamb\u00e9m foram celebrados, e quem ficou parado enquanto rolava \u201cAlive\u201d, \u201cDo The Evolution\u201d e \u201cEven Flow\u201d? A pr\u00f3pria banda estava l\u00e1, com sua entrega costumeira, a precis\u00e3o instrumental (melhora a cada ano), o carisma do diminuto Eddie Vedder acompanhado dos trejeitos de guitar hero de Mike McCready e do pique quase adolescente do baixista Jeff Ament. Enfim, tudo o que voc\u00ea precisa para vivenciar uma noite que vai te fazer acreditar que a m\u00fasica \u2013 e at\u00e9 a vida em si \u2013 valem a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Claro que quem s\u00f3 foi nesse dia saiu de l\u00e1 pensando que \u201cpuxa, eles podiam ter tocado X ou Y\u201d. N\u00e3o foi nessa noite que os f\u00e3s puderam ouvir \u201cNot For You\u201d, \u201cJeremy\u201d, \u201cHail, Hail\u201d ou a cover de \u201cBaba O\u2019Riley\u201d, do Who, todas executadas na noite seguinte em S\u00e3o Paulo. Mas isso \u00e9 parte do espet\u00e1culo: o que n\u00e3o foi vivido naquela noite \u00e9 o que te impulsiona para a pr\u00f3xima. \u00c9 um pouco do melhor da vida, dando combust\u00edvel para voc\u00ea sair em busca de mais vida. Como acontece em todo show do Pearl Jam.<\/p>\n<p style=\"text-align: center; \"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10739\" title=\"pearljam3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pearl Jam ao vivo no Morumbi, S\u00e3o Paulo, 04\/11\/2011<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/eduardoapm\" target=\"_blank\">Eduardo Martinez<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Em dado momento do show do Pearl Jam na sexta-feira (04\/11), em S\u00e3o Paulo, Eddie Vedder anuncia \u201cI Gonna See My Friend\u201d, m\u00fasica em que o vocalista berra a ponto de explodir. No meio da execu\u00e7\u00e3o, em um verso de vocal intenso, Vedder desce uma oitava, cantando em tom grave. Os mais exigentes pensam de imediato: \u201cEle n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo\u201d. No entanto, como que respondendo as d\u00favidas, o \u00faltimo refr\u00e3o vem arrasador, com a voz dilacerando os ouvidos mais sens\u00edveis. Pronto, as coisas estavam no lugar novamente, como de costume na carreira do Pearl Jam. Quando parece que tudo vai ruir, a banda surpreende e as coisas se encaminham mais uma vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Voltando no tempo, nos anos 90, quando o grunge se tornou um nicho de mercado, o Pearl Jam recusou \u201ctomar o lugar\u201d do Nirvana, ap\u00f3s a morte de Kurt Cobain, entrando em reclus\u00e3o comercial (nada de clipes e a\u00e7\u00f5es de marketing mirabolantes). Comprou briga com a empresa de distribui\u00e7\u00e3o de ingressos Ticketmaster, com quem n\u00e3o trabalhou de 1994 a 1998, dificultando significativamente as turn\u00eas. Quando percebeu a pirataria e o interesse dos f\u00e3s por bootlegs, o Pearl Jam teve a inusitada atitude de lan\u00e7ar 72 discos ao vivo entre 2000 e 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Ap\u00f3s o fundamental \u201cTen\u201d (1991), \u201cVs.\u201d (1993), que consolidou a sonoridade do grupo, \u201cVitalogy\u201d (1994), \u201cNo Code\u201d (1996) e \u201cYield\u201d (1998), a banda entrou naquele per\u00edodo ingrato em que v\u00ea a necessidade de soar diferente, de \u201camadurecer\u201d. Dessa fase vieram \u201cBinaural\u201d (2000) e \u201cRiot Act\u201d (2002), felizmente mais sombrios do que caretas. Em 2006, no entanto, quando era aguardado mais um \u00e1lbum reflexivo, o Pearl Jam aparece com um disco hom\u00f4nimo, barulhento, vigoroso e remetendo ao in\u00edcio da carreira. O que se confirmou, e com ainda mais for\u00e7a, em 2009, com o \u00f3timo \u201cBackspacer&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Cortando de volta ao show de S\u00e3o Paulo, antes da citada \u201cGonna See My Friend\u201c, j\u00e1 haviam sido executadas sete m\u00fasicas. O come\u00e7o arrasa quarteir\u00e3o foi com \u201cGo\u201d, que s\u00f3 havia sido tocada duas vezes na turn\u00ea atual, seguida de \u201cDo The Evolution\u201d, \u201cSevered Hand\u201d, \u201cHail Hail\u201d e \u201cGot Some\u201d. Quando o show parecia um trem descarrilhado, surge uma bela pausa para respirar com \u201cElderly Woman Behind The Counter In A Small Town\u201d e \u201cGiven To Fly\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O show continua ent\u00e3o com uma sequ\u00eancia que gradativamente vai trazendo o peso de volta: uma bela vers\u00e3o de \u201cWishlist\u201d, com direito a um coro do p\u00fablico arrepiante no final, \u201cAmong The Waves\u201d, \u201cSetting Forth\u201d, da carreira solo de Vedder, \u201cNot For You\u201d e, enfim, \u201cEven Flow\u201d. Com os \u00e2nimos exaltados, mais uma vez a banda d\u00e1 meia volta e saca a balada \u201cUnthought Known\u201d, seguida das pedradas \u201cThe Fixer\u201d e \u201cOnce\u201d, e o fim do set normal foi com \u201cBlack\u201d, que merece um cap\u00edtulo a parte nessa hist\u00f3ria toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">\u201cBlack\u201d \u00e9 a balada mais emblem\u00e1tica da carreira do Pearl Jam. Tocada, ainda hoje em dia, at\u00e9 pela banda do seu vizinho que tem como maior m\u00e9rito se apresentar em festa de anivers\u00e1rio de amigos. \u00c9 a m\u00fasica que aquela amiga, que n\u00e3o se importa muito, acha bonita (al\u00e9m de \u201cLast Kiss\u201d) e por isso diz que ama Pearl Jam, compra camiseta e tudo. \u201cSe n\u00e3o tocarem nem vai fazer falta\u201d, diz o f\u00e3 orgulhoso de conhecer todos os b-sides poss\u00edveis da banda. No entanto, quando a execu\u00e7\u00e3o de \u201cBlack\u201d ia chegando ao fim, faltava camisa xadrez de flanela para enxugar as l\u00e1grimas dos grunge boys que cantarolavam o \u201ctchururu\u201d final como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O Pearl Jam \u00e9 uma banda que, mesmo com todo esfor\u00e7o em n\u00e3o se expor demasiadamente, alcan\u00e7ou um status curioso. Ao mesmo tempo em que \u00e9 respeitada e idolatrada pelos \u00f3rf\u00e3os do grunge, pode ser alinhada a bandas cl\u00e1ssicas do rock mundial e ainda contar com grande apelo popular, a ponto de levar ao Est\u00e1dio do Morumbi grande n\u00famero de f\u00e3s de ocasi\u00e3o, que aguardaram a noite toda por \u201cBlack\u201d, \u201cLast Kiss\u201d e se frustraram por n\u00e3o ouvir \u201cSoldier Of Love\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">No primeiro bis, \u201cJust Breath\u201d e \u201cInside Job\u201d introduzem calmamente a sequ\u00eancia encabe\u00e7ada por \u201cState Of Love And Trust\u201d, a nova \u201cOl\u00e9\u201d, \u201cWhy Go\u201d e \u201cJeremy\u201d, que foi comemorada como um gol em final de campeonato, j\u00e1 que n\u00e3o havia sido tocada no show da noite anterior. O segundo bis come\u00e7a, para a alegria de muitos, com a famigerada \u201cLast Kiss\u201d, em seguida uma vers\u00e3o longa e bonita de \u201cBetter Man\u201d. \u201cSpin The Black Circle\u201d surge para colocar fogo no show novamente abrindo caminho para a cl\u00e1ssica e sempre eficiente \u201cAlive\u201d, um cover tradicional do The Who, \u201cBaba O\u2019Riley\u201d e o final redentor com \u201cYellow Ledbetter\u201d, com os refletores do est\u00e1dio acessos e o p\u00fablico em clima de celebra\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O Pearl Jam \u00e9 uma daquelas bandas que gostam de desafiar a audi\u00eancia. Quando pensam que o grupo vai dando sinais de fraqueza, l\u00e1 est\u00e1 ele novamente surpreendendo. Que banda hoje em dia em cinco shows (a passagem pelo Brasil) toca 67 m\u00fasicas diferentes? O tes\u00e3o em tocar \u00e9 n\u00edtido e talvez seja o ponto fundamental que garante a longevidade e o respeito que o grupo tem em diferentes nichos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Kurt Cobain, contempor\u00e2neo de Eddie Vedder, viu na fama um monstro assustador e fez \u201cSmells Like Teen Spirit\u201d, o que s\u00f3 piorou as coisas. Vedder tamb\u00e9m sentia um desconforto e, ao inv\u00e9s de escrever sobre isso, escolheu a reclus\u00e3o comercial, que de certa forma tamb\u00e9m n\u00e3o surtiu efeito. N\u00e3o h\u00e1 como julgar essas escolhas como certas ou erradas. O que resta \u00e9 que, felizmente, Eddie Vedder n\u00e3o seguiu o mesmo caminho do l\u00edder do Nirvana e p\u00f4de chegar aos 20 anos de Pearl Jam e continuar nos oferecendo momentos especiais&#8230; como este segundo show no Morumbi.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10740\" title=\"pearljam4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pearl Jam ao vivo na Apoteose, Rio de Janeiro, 06\/11\/2011<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/celeolimite\" target=\"_blank\">Carlos Eduardo Lima<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Aten\u00e7\u00e3o, amigos: esse \u00e9 um texto n\u00e3o t\u00e3o jornal\u00edstico sobre o show do Pearl Jam na Pra\u00e7a da Apoteose. Ali\u00e1s, nem \u00e9 s\u00f3 sobre o show, talvez eu coloque pra fora alguns sentimentos que est\u00e3o pedindo por express\u00e3o desde que vi o document\u00e1rio \u201cPJ-20\u201d, sobre os vinte anos de carreira da banda. Sendo assim, voc\u00ea que n\u00e3o \u00e9 f\u00e3 de Vedder e cia, por favor, filtre as informa\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas (elas est\u00e3o aqui em algum lugar), d\u00ea o desconto porque esse \u00e9 um texto de uma pessoa comum, que vai a shows e n\u00e3o est\u00e1 preocupada em ser pragm\u00e1tica. Aviso dado, vamos l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Eu devo ter ouvido Pearl Jam pela primeira vez no in\u00edcio de 1992, um pouco atrasado em rela\u00e7\u00e3o ao lan\u00e7amento do primeiro disco deles, \u201cTen\u201d, em 1991. Foi uma audi\u00e7\u00e3o, digamos, involunt\u00e1ria, uma vez que eu tinha uma namorada que morava na Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio. Costum\u00e1vamos namorar num playground e havia algu\u00e9m naquele pr\u00e9dio que gostava de Nirvana, Alice In Chains e Pearl Jam. O som se propagava pelo playground, a ponto de eu me dar conta de que estava um pouco por fora. Havia lido na Bizz algumas resenhas de discos dessas bandas, todas elogiosas, mas eu experimentava um momento de descoberta de cl\u00e1ssicos. Ouvia muito Van Morrison, soul music, Marvin Gaye, essas coisas. O tal vizinho me chamou aten\u00e7\u00e3o para o som que era feito em Seattle e eu fui investigar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Na filial das Lojas Americanas dali da Tijuca mesmo, comprei \u201cNevermind\u201d e \u201cTen\u201d, de uma tacada e fui ouv\u00ed-los com aten\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o havia passado por aquela &#8220;adolesc\u00eancia metaleira&#8221; que todo mundo experimenta, aquela fase em que se ouve Anthrax, Pantera, Slayer, enfim, tampouco era f\u00e3 de alguma banda como Black Sabbath. Lembrem que Ozzy ainda n\u00e3o havia se transformado num palha\u00e7\u00e3o pela MTV, portanto, n\u00e3o havia essa afinidade que todos parecem ter hoje em dia com a vida do cara. Metal pra mim era uma lembran\u00e7a distante da oitava s\u00e9rie, quando me arrisquei a ouvir Iron Maiden, sem muito sucesso. Desse jeito, Nirvana e Pearl Jam eram pesadinhos para mim, assim como o disco preto do Metallica, que dava as caras na mesma \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Eu gostei mais de \u201cTen\u201d que de \u201cNevermind\u201d. Demorei alguns anos pra entender totalmente e apreciar qualquer coisa que tenha um DNA punk e o segundo disco do Nirvana \u00e9 um disco punk acima de qualquer outra coisa. O \u201cTen\u201d j\u00e1 era algo mais voltado para uma linhagem cl\u00e1ssica do rock setentista, algo que era muito norte-americano e tradicional, sei l\u00e1, como se um monte de bandas se juntassem e sa\u00edsse o disco como resultado desse mix de coisas. De  Aerosmith e Crazy Horse, passando por MC5 e Doors e chegando na Inglaterra de Stones e companhia. Estava tudo ali, de alguma forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Can\u00e7\u00f5es como &#8220;Alive&#8221;, &#8220;Jeremy&#8221;, &#8220;Black&#8221; e &#8220;Why Go&#8221; vieram logo para grudar na mente e a audi\u00e7\u00e3o de Van Morrison e soul music foi devidamente arquivada. Peguei os outros dois discos do Nirvana (\u201cBleach\u201d e a colet\u00e2nea \u201cIncesticide)\u201d, al\u00e9m de \u201cFacelift\u201d do Alice In Chains, a trilha de \u201cSingles &#8211; Vida de Solteiro\u201d, filme de Cameron Crowe sobre casais em Seattle na \u00e9poca do nascimento do grunge e explorei nomes da cena como Soundgarden, Mudhoney e Screaming Trees, cujo disco \u201cSweet Oblivion\u201d, era lan\u00e7ado por aqui na esteira da onda flaneleira. Devidamente informado, sintonizado na MTV e atento ao que era escrito sobre essas bandas, fiz assim minha ades\u00e3o ao som que estava &#8220;na onda&#8221; em pleno 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O tempo passou, Cobain estourou seus miolos, a d\u00e9cada de 90 se foi, mas nunca perdi o Pearl Jam de vista. Tive momentos de saber letras de discos inteiros, como o \u201cVitalogy\u201d (1994) ou o \u201cNo Code\u201d (1996) e achar muito legal a batalha que a banda comprou contra a Ticketmaster, reclamando dos pre\u00e7os alt\u00edssimos dos ingressos e levantando a possibilidade de enquadrar a empresa nas leis anti-truste americanas por monop\u00f3lio da venda dos bilhetes. Tamb\u00e9m presenciei uma acomoda\u00e7\u00e3o do Pearl Jam em termos de criatividade e relev\u00e2ncia. Suspeito que tenha a ver com a trag\u00e9dia do Festival dinamarqu\u00eas de Roskilde, em 2000\/01, quando pessoas morreram pisoteadas enquanto a banda se apresentava, na \u00e9poca, divulgando seu sexto disco de est\u00fadio e \u00faltimo realmente interessante, \u201cBinaural\u201d. Stone Gossard diz em \u201cPJ 20\u201d que eles nunca mais foram os mesmos depois daquilo e que nunca seriam capazes de superar essa trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O document\u00e1rio me fez pensar em mim mesmo \u00e0 medida que as imagens da banda avan\u00e7avam pela cronologia dos anos. Relembrei das audi\u00e7\u00f5es, da maneira como costum\u00e1vamos nos informar sobre m\u00fasica antes da internet (como disse Jeff Ament, o baixista da banda, sobre ler revistas de m\u00fasica numa cidade no meio do nada: &#8220;n\u00f3s estud\u00e1vamos essas coisas!&#8221;) e em como era prazeroso comprar um disco, traz\u00ea-lo pra casa, fechar a porta do quarto e devor\u00e1-lo. Claro, tamb\u00e9m d\u00e1 saudade de quanto t\u00ednhamos mais tempo livre e menos responsabilidade em nossas m\u00e3os para podermos fazer isso. Cameron Crowe, o mesmo diretor de \u201cSingles\u201d e tantos outros filmes pop rock, como \u201cJerry Maguire\u201d e \u201cQuase Famosos\u201d, conduz \u201cPJ 20\u201d com olhos de f\u00e3 e admirador da banda, e \u00e9, provavelmente, um caso de jornalista que n\u00e3o age como jornalista, ao contar a hist\u00f3ria dos caras. Nem poderia. Nem posso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O show de 6 de novembro de 2011, n\u00e3o foi melhor ou pior que a apresenta\u00e7\u00e3o de 4 de dezembro de 2005. Foi diferente. Como minha rela\u00e7\u00e3o com a banda \u00e9 emocional, me permito analisar algumas coisas sob este ponto de vista. Minha vida \u00e9 muito melhor hoje que h\u00e1 seis anos, em todos os aspectos. Ver o show ao lado da minha fam\u00edlia, apresentar para minha esposa algumas das m\u00fasicas que conheci h\u00e1 vinte anos, poder dar a ela a chance de me ver nessa \u00e9poca. \u00c9 como um t\u00fanel iluminado do tempo. Ver as pessoas se abra\u00e7ando e bradando as m\u00fasicas \u00e9 como perceber que o rock acompanha a vida de muita gente, por mais clich\u00ea ou mesmo preconceituoso que isso possa parecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Eu venho de um tempo em que a gente s\u00f3 ouvia rock at\u00e9 um determinado ponto. N\u00e3o havia o sambinha indie, a MPB indie, o jazz indie. A gente ouvia rock, trilhas de novela, discos da m\u00e3e e do pai, r\u00e1dio FM. Nada de webradios e streamings por a\u00ed. E mais: o que pode parecer uma idade m\u00e9dia em termos de pluralidade hoje nem era notado por n\u00f3s na \u00e9poca. O rock era suficiente. O soul e o funk eram ainda coadjuvantes e a MPB era a chamada quarta for\u00e7a do campeonato, no meu caso, dada a influ\u00eancia dos discos de Caetano, Gil, Milton, Gal, Chico e Beth\u00e2nia, al\u00e9m de Roberto Carlos, trazidos por minha m\u00e3e e meus av\u00f3s. Desse jeito, eu venho de um tempo n\u00e3o plural em termos de m\u00fasica, muito obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">E o show? Foi praticamente perfeito. O quarteto fant\u00e1stico de \u201cTen\u201d foi todo executado, a saber, &#8220;Jeremy&#8221;, &#8220;Even Flow&#8221;, &#8220;Black&#8221; e &#8220;Alive&#8221;, com a presen\u00e7a luxuosa de &#8220;Why Go&#8221;. Poucas vezes a banda revisita todas essas can\u00e7\u00f5es em um mesmo show. Teve &#8220;Daughter&#8221;, &#8220;Nothingman&#8221;, &#8220;Given To Fly&#8221;, &#8220;Corduroy&#8221;, &#8220;Faithfull&#8221;, &#8220;State Of Love And Trust&#8221;, &#8220;Do The Evolution&#8221;, a rar\u00edssima &#8220;Immortality&#8221; e covers maravilhosas, como &#8220;Rockin&#8217; In The Free World&#8221; (Neil Young), &#8220;I Believe In Miracles&#8221; (Ramones) e um souvenir para a vida: a primeira execu\u00e7\u00e3o em show de &#8220;Mother&#8221;, cover do Pink Floyd safra \u201cThe Wall\u201d (s\u00f3 apresentada anteriormente no programa de Jimmy Fallon). Eu comentava antes do show que seria maravilhoso ouvir &#8220;Sittin&#8217; On The Docks Of The Bay&#8221; (Otis Redding) ou &#8220;Harvest Moon&#8221; (Neil Young), covers j\u00e1 mostradas pela banda ao longo dos tempos, mas ver minha esposa \u2013 f\u00e3 de carteirinha do Floyd \u2013 se esgoelando, fazendo air guitar e abra\u00e7ando seu filho e dizendo: &#8220;essa letra \u00e9 muito verdadeira, meu menino&#8221; n\u00e3o tem pre\u00e7o e n\u00e3o pode ser entendido como uma mera reportagem, no sentido estrito do termo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Dane-se se o som estava embolado para quem via de arquibancada. Dane-se se as pessoas deixam pra chegar ao lugar do show atrasadas, dane-se se o vento teima em trazer todas as fuma\u00e7as de cigarro em cima de voc\u00ea: ver um show do Pearl Jam, no meu caso, \u00e9 abrir uma janela para outro tempo, n\u00e3o melhor, mas bom de olhar e revisitar. Ao que parece, a banda sente o mesmo e n\u00e3o demonstra qualquer sinal de enfado ou cansa\u00e7o diante do seu repert\u00f3rio. Parecem olhar pra eles mesmos, da mesma forma que eu e, certamente, um monte de gente. O melhor show que eu poderia querer ver nesse ano, o primeiro sem minha m\u00e3e por perto para me perguntar: &#8220;e ent\u00e3o, meu filho? Foi bom?&#8221;. Valeu, Pearl Jam.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10741\" title=\"pearljam5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam5.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam5-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pearl Jam ao vivo no Estadio do Paran\u00e1 Clube, Curitiba, 09\/11\/11<br \/>\npor <a href=\"mailto:tecadalessio@hotmail.com\" target=\"_blank\">Teca D&#8217;Alessio<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Muita gente ainda chegava ao est\u00e1dio Durival de Britto, com capacidade para 27 mil pessoas, quando o grupo de punk rock X, da Calif\u00f3rnia, come\u00e7ou sua apresenta\u00e7\u00e3o. A banda de abertura foi escolhida por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, que contou em um dos shows em S\u00e3o Paulo que, ainda adolescente, falsificou seu documento de identidade para poder v\u00ea-los ao vivo. O v\u00ednculo se confirmou quando ele subiu ao palco para cantar a \u00faltima m\u00fasica, para surpresa e del\u00edrio do p\u00fablico presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Com um c\u00e9u sem nuvens e a lua cheia, ap\u00f3s um dia de muito sol e calor, a noite n\u00e3o poderia estar melhor para a segunda apresenta\u00e7\u00e3o do Pearl Jam na cidade, ap\u00f3s seis anos. \u00c0s 21h20, o momento t\u00e3o esperado chega: a banda entra no palco com a curta e bomb\u00e1stica \u201cGo\u201d, do segundo \u00e1lbum, \u201cVs\u201d (1993), a mesma que abriu o show do dia 04 de novembro, em S\u00e3o Paulo. O p\u00fablico, que n\u00e3o chegou a lotar o est\u00e1dio, mas n\u00e3o economizou na anima\u00e7\u00e3o, foi \u00e0 loucura. A segunda surpresa da noite veio em seguida, com \u201cArms Aloft\u201d, m\u00fasica da banda Mescaleros, que Joe Strummer liderou ap\u00f3s a sa\u00edda do The Clash. Uma curiosidade: essa m\u00fasica foi tocada por eles ao vivo apenas nove vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Com muitos goles de vinho direto da garrafa, Eddie Vedder mostrou-se, como sempre, carism\u00e1tico. Vestindo uma camisa de flanela \u2013 que n\u00e3o nega sua origem \u201cgrunge\u201d- por cima de uma camiseta preta do filme \u201cRocky\u201d, ele arrisca o portugu\u00eas: \u201cE a\u00ed, galera? Hoje foi um dia lindo e esta noite vai ser mais incr\u00edvel ainda. N\u00f3s vamos cuidar bem de voc\u00eas\u201d. Ningu\u00e9m duvidou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Uma sequ\u00eancia de m\u00fasicas \u00e9 cantada em coro pelos f\u00e3s. \u201cAnimal\u201d (\u201cVs\u201d, 1993), \u201cOl\u00e9\u201d (que ser\u00e1 lan\u00e7ada no pr\u00f3ximo \u00e1lbum em 2012), e \u201cWhy GO\u201d (\u201cTen\u201d, 1991) s\u00e3o tocadas sem interrup\u00e7\u00e3o, mostrando que a banda, apesar dos 20 anos de estrada, ainda tem energia de sobra. Em \u201cEven Flow\u201d (\u201cTen\u201d, 1991), o excelente guitarrista Mike McCready toca com categoria com seu instrumento apoiado na parte de tr\u00e1s do pesco\u00e7o, sem errar ou faltar nenhuma nota. A varia\u00e7\u00e3o do set list, uma das principais caracter\u00edsticas do grupo, \u00e9 marcada tamb\u00e9m nesse show. \u201cRed Mosquito\u201d, \u201cOff He Goes\u201d  (\u201cNo Code\u201d, 1996), \u201cFootsteps\u201d  e \u201cIn Hiding\u201d (\u201cYeld\u201d, 1998), foram algumas das m\u00fasicas tocadas pela primeira vez no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">O segundo bis come\u00e7a com a cl\u00e1ssica \u201cBetter Man\u201d (\u201cVitalogy\u201d, 1994), que Eddie encaixa com a incidental \u201cSave it for Later\u201d, da banda de ska inglesa The Beat. Em \u201cAlive\u201d, Eddie Vedder desce do palco e vai de encontro ao p\u00fablico. J\u00e1 \u00e9 quase meia-noite quando \u201cBaba O\u2019Riley\u201d, do The Who \u00e9 tocada. Para finalizar, a mesma que encerrou o segundo show de S\u00e3o Paulo e o do Rio, \u201cYellow Ledbetter\u201d. Foram 32 m\u00fasicas e mais de duas horas e meia de uma apresenta\u00e7\u00e3o que agrada tanto a pessoas que conhecem apenas os hits quanto os seus fieis seguidores, que n\u00e3o s\u00e3o poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">E podem me incluir nessa lista: Logo depois da segunda apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, chegando em casa, vi onde seria o pr\u00f3ximo show ainda com ingressos \u00e0 venda: Curitiba. Sem grana e em busca de trabalho (ou &#8220;between jobs&#8221;, termo em ingl\u00eas que d\u00e1 uma impress\u00e3o bem mais favor\u00e1vel \u00e0 situa\u00e7\u00e3o), fui pesquisar minhas milhas e as passagens dispon\u00edveis. Tudo estava de acordo com o que eu precisava. E a volta? Teria que ser de \u00f4nibus, logo ap\u00f3s o show. Mas qual a dist\u00e2ncia do est\u00e1dio at\u00e9 a rodovi\u00e1ria? Era um do lado do outro. A essa altura, o ingresso era apenas um detalhe&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10742\" title=\"pearljam6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam6.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam6-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pearl Jam ao vivo no Est\u00e1dio Zequinha Barbosa, Porto Alegre, 11\/11\/11<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/murilobasso\" target=\"_blank\">Murilo Basso<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje acho no m\u00ednimo engra\u00e7ado o fato de minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica ter come\u00e7ado efetivamente em um show do Pearl Jam. Eu tinha 15 anos, morava no interior (do interior) do Paran\u00e1 e meus pais se dispuseram a me levar, sem maiores problemas. Ainda tenho as imagens do caminho pela fila at\u00e9 entrada para o show bem vivas. Meu pai olhou e disse: \u201cVai. Nos encontramos aqui quando acabar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seis anos depois, quando anunciaram que a turn\u00ea \u201cPJ 20\u201d passaria pelo Brasil, prometi a mim mesmo me esfor\u00e7ar para assistir o maior n\u00famero poss\u00edvel de apresenta\u00e7\u00f5es. O saldo final foram duas apresenta\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo, uma na mesma Curitiba de seis anos atr\u00e1s e outra em Porto Alegre. Ou ainda, quatro noites em que sa\u00ed chorando feito uma crian\u00e7a. E embora a segunda noite em S\u00e3o Paulo tenha sido inesquec\u00edvel, e a passagem por Curitiba tenha trazido consigo uma carga emocional muito intensa \u2013 al\u00e9m de \u201cIn Hiding\u201d e \u201cFootsteps\u201d \u2013, foi na capital ga\u00facha que a ficha caiu, talvez pela certeza de que aquele seria o \u00faltimo show ou pelo fato de que ali percebi como uso a m\u00fasica para lembrar para onde quero ir. \u00c9 rom\u00e2ntico e adolescente, mas, por favor, respeite meu romantismo adolescente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 \u00e9 caracter\u00edstico ao Pearl Jam, o in\u00edcio foi extremamente en\u00e9rgico, com \u201cWhy Go\u201d, \u201cDo The Evolution\u201d, \u201cSevered Hand\u201d, \u201cCorduroy\u201d e \u201cGot Some\u201d. Na sexta m\u00fasica, \u201cLow Light\u201d (que s\u00f3 foi executada no \u00faltimo show da turn\u00ea), \u00e9 que o p\u00fablico encontrou tempo para respirar. Tamb\u00e9m se torna n\u00edtido que poucas bandas s\u00e3o t\u00e3o capazes em transitar pelos mais distintos climas durante uma apresenta\u00e7\u00e3o: para o Pearl Jam \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel mesclar os acordes mais pesados com momentos de maior serenidade sem perder sua identidade. E se \u201cSmall Town\u201d e \u201cGiven To Fly\u201d, com o p\u00fablico da pista acompanhando em ondas conforme a can\u00e7\u00e3o cresce at\u00e9 seu refr\u00e3o inconfund\u00edvel, d\u00e3o continuidade ao momento mais introspectivo \u201cEven Flow\u201d \u2013 presente em todos os shows da turn\u00ea \u2013 traz a tona o Peal Jam de 20 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte ainda contou com uma vers\u00e3o de \u201cWishlist&#8221; em um arranjo muito mais intenso que o original e, claro, com vers\u00f5es estendidas, de \u201cRats\u201d, &#8220;1\/2 Full&#8221;, quando Vedder usou um espelho para refletir o jogo de luzes na plat\u00e9ia, e de \u201cState of Love and Trust\u201d e \u201cBlack\u201d, fechando com o coro dos 20 mil presentes de forma gradual ao arranjo, at\u00e9 a explos\u00e3o coletiva no in\u00edcio do solo. Uma daqueles momentos t\u00e3o fortes e marcantes que voc\u00ea sente vontade de ver novamente. E de novo. E mais uma vez. S\u00f3 pelo prazer de poder ter a chance de pegar algo que lhe tenha escapado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vedder, um daqueles senhores desgra\u00e7ados que tem plena no\u00e7\u00e3o de sua capacidade e a certeza de que o p\u00fablico est\u00e1 em suas m\u00e3os, retorna ao palco e diz, em portugu\u00eas: \u201cHoje \u00e9 11\/11, anivers\u00e1rio da minha mulher, Jill. Ela est\u00e1 em Seattle e eu estou aqui com saudades. Ser\u00e1 que voc\u00eas poderiam cantar parab\u00e9ns para ela?\u201d, para segundos depois ser acompanhado em un\u00edssono e emendar a folk \u201cJust Breathe\u201d, uma das belas can\u00e7\u00f5es de \u201cBackspacer\u201d, \u00faltimo registro de est\u00fadio do grupo. O que s\u00f3 refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 imposs\u00edvel para uma banda com o Pearl Jam fazer um show ruim com seu repert\u00f3rio. Prova disso \u00e9 que \u201cLight Year\u201d \u00e9 dedicada, claro, ao amigo Joey Ramone e a j\u00e1 tradicional homenagem ao grupo marca presen\u00e7a com \u201cI Believe In Miracles\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se dissesse \u201cn\u00e3o queremos ir embora\u201d, eles retornam mais uma vez, com \u201cLast Kiss\u201d \u2013 can\u00e7\u00e3o que, aceitem, s\u00f3 fez sucesso no Brasil e, al\u00e9m de Porto Alegre, s\u00f3 apareceu na segunda apresenta\u00e7\u00e3o na capital paulista \u2013 e \u201cBetter Man\u201d, que se n\u00e3o \u00e9 a maior can\u00e7\u00e3o do Pearl Jam, pode ser facilmente considerada uma das mais significativas. E se ao longo da turn\u00ea, Vedder aproveitou para citar \u201cI Wanna be Your Boyfriend\u201d, em Porto Alegre \u2013 assim como em Curitiba \u2013 a escolhida foi \u201cSave It For Later\u201d. \u201cCrazy Mary\u201d, da cantora country Victoria Williams, prepara o palco para que Jeff Ament e Matt Cameron construam a sustenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para Gossard e McCready destru\u00edrem qualquer sinal de sanidade que restou com a sequ\u00eancia \u201cJeremy\u201d e \u201cAlive\u201d. E \u00e9 aqui que voc\u00ea percebe estar diante de uma banda t\u00e3o coesa, que se torna dif\u00edcil n\u00e3o se prender a um detalhe da bateria de Cameron, sem ter a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 perdendo alguma \u201cbrincadeira\u201d de McCready com sua guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse instante, Vedder j\u00e1 havia chamado um garoto e mais dois acompanhantes ao palco. \u201cEstava apertado e quer\u00edamos deixar ele mais confort\u00e1vel\u201d. As luzes j\u00e1 come\u00e7avam a serem acesas para a vers\u00e3o de \u201cRockin\u2019 in the Free World\u201d, seguida por \u201cIndifference\u201d e \u201cYellow Ledbetter&#8221; \u2013 e n\u00e3o, n\u00e3o vou cham\u00e1-la de \u201clado B\u201d. E embora o refr\u00e3o diga &#8220;I don&#8217;t wanna stay&#8221;, sa\u00edmos justamente com a sensa\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Sem exageros desnecess\u00e1rios e focando em suas can\u00e7\u00f5es o Pearl Jam provou que um \u00f3timo show se faz com guitarras, baixo, bateria e, claro, boas doses de talento e carisma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10743\" title=\"pearljam7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/pearljam7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Todas as fotos por <strong>Karen Loria<\/strong>, fot\u00f3grafa oficial do Pearl Jam. Voc\u00ea pode ver mais registros dos shows no Brasil no <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/pearljamofficial\/6312211409\/in\/photostream\" target=\"_blank\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/pearljamofficial<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Leonardo Vinhas<\/strong> assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) e j\u00e1 escreveu centenas de textos para o site entre eles uma discografia comentada de Nick Cave (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/nickacvediscografia.htm\">aqui<\/a>) e um review do show do Bad Religion em SP (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/15\/bad-religion-punks-just-wanna-have-fun\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211;\u00a0<span><strong>Eduardo Martinez <\/strong>\u00e9 jornalista, assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/ailhadosmendigos.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">A Ilha dos Mendigos<\/a> e j\u00e1 escreveu para o site sobre Superguidis (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/05\/musica-superguidis-2002-2011\/\">aqui<\/a>), Holger (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/02\/musica-sunga-holger\/\">aqui<\/a>) e\u00a0a simpatia debochada de Mike Ness (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/19\/a-simpatia-debochada-de-mike-ness\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; <strong>Carlos Eduardo Lima<\/strong> assina a coluna Sob o C\u00e9u (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/sob_o_ceu\/\">aqui<\/a>) e tamb\u00e9m j\u00e1 escreveu centenas de textos entre eles um review do &#8220;4&#8221;, do Los Hermanos (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/loshermanos4.htm\">aqui<\/a>) e um texto sobre o Byrds (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/thebyrds.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; <strong>Teca D&#8217;Alessio<\/strong> \u00e9 jornalista e j\u00e1 escreveu para o Scream &amp; Yell sobre o show do Police em Londres (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/police_liveinlondon.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; <strong>Murilo Basso<\/strong> \u00e9 jornalista e colabora com o Scream &amp; Yell, o Urbanaque, o Alto-Falante e a Rolling Stone. J\u00e1 entrevistou Wander Wildner (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/02\/13\/entrevista-wander-wildner\/\">aqui<\/a>) e escreveu sobre &#8220;Apenas o Fim&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/08\/26\/apenas-o-fim\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cBackspacer\u201d, Pearl Jam: salve a volta de Brendan O\u2019Brien, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/20\/bunnymen-wilco-e-pearl-jam\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Pearl Jam&#8221;, Pearl Jam: um disco cheio de altos e baixos, por Helder Souza (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/pearjjam_2006.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Riot Act&#8221;, Pearl Jam: a causa empobreceu a ess\u00eancia, por Gisele Fleury (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/pearljam_riot_act.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Ukelele Songs&#8221;, Eddie Vedder parece mais focado que nunca, por M\u00e1rcio Padr\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/04\/musica-ukulele-songs-eddie-vedder\/ \">aqui<\/a>)<br \/>\n<span>&#8211; \u201cInto the Wild\u201d: Eddie Vedder merece a sua aten\u00e7\u00e3o, por Marcelo Costa (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/17\/disco-da-semana-into-the-wild-eddie-vedder\/\">aqui<\/a><span>)<\/span><br \/>\n<span>&#8211; \u201cInto The Wild\u201d, o filme, valoriza as rela\u00e7\u00f5es humanas, por Marcelo Costa (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2007\/11\/04\/mostra-de-sp-into-the-wild\/\">aqui<\/a><span>)<\/span><br \/>\n<span>&#8211; Melhores de 2005: Pearl Jam, quarto melhor show. Veja a lista completa (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/outros\/listas\/2006showinternacional.htm\">aqui<\/a><span>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cobertura Especial\nLeonardo Vinhas, Eduardo Martinez, CEL, Teca D\u2019Alessio e Murilo Basso contam sobre os shows do Pearl Jam no pa\u00eds \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10733"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10733"}],"version-history":[{"count":48,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11495,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10733\/revisions\/11495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}