{"id":1045,"date":"2009-03-29T01:57:23","date_gmt":"2009-03-29T04:57:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=1045"},"modified":"2021-09-20T00:43:22","modified_gmt":"2021-09-20T03:43:22","slug":"gran-torino-de-clint-eastwood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/29\/gran-torino-de-clint-eastwood\/","title":{"rendered":"Gran Torino, de Clint Eastwood"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1047\" title=\"Cartaz do filme Gran Torino\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/gran_torino.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/gran_torino.jpg 338w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/gran_torino-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos uma \u00e9poca estranha de explora\u00e7\u00e3o (comercial e ideol\u00f3gica) das diferen\u00e7as. O racismo t\u00e3o impregnado na cultura desde o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 tanto ocidental quanto oriental \u2013 ganhou nas \u00faltimas d\u00e9cadas um advers\u00e1rio s\u00e9rio, inflex\u00edvel e na maioria das vezes sem nenhum senso de humor chamado &#8220;politicamente correto&#8221;, termo abra\u00e7ado pelas novas gera\u00e7\u00f5es que o usa quase sempre de forma rasa sem aprofundar discuss\u00f5es ou tentar entender o cerne deste ou daquele ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma aldeia global que cada vez mais defende a livre op\u00e7\u00e3o de sexo e promove uma interessante fus\u00e3o de ra\u00e7as, credos e cores, o racismo amea\u00e7a sair de moda em termos gerais, mas permanece infiltrado at\u00e9 a medula na personalidade humana. &#8220;Nascemos racistas ou viramos racistas com o tempo?&#8221;, \u00e9 o pensamento que vem a seguir, mas o que Clint Eastwood prop\u00f5e em seu bel\u00edssimo \u2013 e tristissimo \u2013 longa &#8220;Gran Torino&#8221; \u00e9 uma outra forma de reden\u00e7\u00e3o: uma pessoa pode deixar de ser racista? Em que circunst\u00e2ncias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No interior brasileiro, um velho imigrante fuzila com palavras cru\u00e9is pessoas de pele escura. Um de seus melhores amigos, por\u00e9m, \u00e9 negro. &#8220;Mas ele tem alma branca&#8221;, diz tentando justificar a exce\u00e7\u00e3o. Apesar de sua natural veia c\u00f4mica, o ato exterioriza a incapacidade das pessoas de habitarem um ambiente multicultural cuja cren\u00e7a em religi\u00f5es, a cor de pele e a op\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o s\u00e3o (ou melhor, n\u00e3o deveriam ser) tratados de forma estereotipada. Sob diversos pontos de vista somos diferentes, e nunca fomos t\u00e3o iguais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Walt Kowalski, personagem central de &#8220;Gran Torino&#8221;, \u00e9 um amontoado de clich\u00eas racistas. Conta piadas cujos personagens s\u00e3o negros, orientais ou homossexuais, pragueja contra os piercings de sua neta, abomina os vizinhos asi\u00e1ticos e critica o filho que vende carros estrangeiros. Lutou na Cor\u00e9ia\u00a0e trabalhou na linha de montagem da Ford tendo montado o modelo Gran Torino 1972 que exibe com prazer na garagem. \u00c9 o t\u00edpico cidad\u00e3o m\u00e9dio que se entope de cerveja, segura rifles como se fossem escovas de dentes e abomina os tempos modernos que transformaram seu velho bairro em um reduto oriental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das credenciais apresentadas, o desenvolvimento do roteiro \u00e9 \u00f3bvio e sentimentaloide, trope\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o de atores secund\u00e1rios, mas n\u00e3o perde o foco. Clint dirige com simplicidade uma hist\u00f3ria simples, ent\u00e3o n\u00e3o espere grandes varia\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas nem reviravoltas desordenadas. Tudo que a lente do diretor foca \u00e9 aquilo que precisa ser mostrado, sem exageros cinematogr\u00e1ficos, e se a forma direta e enxuta com que o filme chega ao p\u00fablico n\u00e3o faz dele uma obra-prima, impressiona como o diretor mant\u00e9m a hist\u00f3ria na linha sem quedas ou trope\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, como outros bons filmes recentes do diretor, a raz\u00e3o cede lugar ao cora\u00e7\u00e3o e o pessimismo que exp\u00f5e ao defender que precisamos nos sacrificar para colocarmos um pouco de ordem no caos que vivemos tamb\u00e9m carrega neste ato simbolista uma grande dose de hero\u00edsmo social em um mundo cada vez mais particular. Remete a lembran\u00e7a de um tempo que ficou no passado como um velho carro, fotos desbotadas e medalhas de guerra. Nost\u00e1lgico, &#8220;Gran Torino&#8221; abusa do politicamente incorreto. E emociona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0&#8220;Gran Torino&#8221;, de Clint Eastwood<\/strong> &#8211; Cota\u00e7\u00e3o: 3\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1046 aligncenter\" title=\"Cena do filme Gran Torino\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/gran_torino_clint.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<\/strong>&#8211; &#8220;A Conquista da Honra&#8221; &#8211; &#8220;Cartas de Iwo Jima&#8221;, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/conquista_cartas.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;As Pontes de Madison&#8221;, de Clint Eastwood, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/pontesdemadison.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Marcelo Costa Vivemos uma \u00e9poca estranha de explora\u00e7\u00e3o (comercial e ideol\u00f3gica) das diferen\u00e7as. O racismo t\u00e3o impregnado na cultura desde o ber\u00e7o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/29\/gran-torino-de-clint-eastwood\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5324],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1045"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1045"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1045\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1057,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1045\/revisions\/1057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}