{"id":10427,"date":"2011-11-01T07:52:21","date_gmt":"2011-11-01T09:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10427"},"modified":"2023-03-29T00:55:59","modified_gmt":"2023-03-29T03:55:59","slug":"cds-metals-feist","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/01\/cds-metals-feist\/","title":{"rendered":"CDs: Metals, Feist"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10428\" title=\"feist\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/feist.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/feist.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/feist-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/feist-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago Faria<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda m\u00fasica de \u201cMetals\u201d abre com uma imagem que funciona como uma esp\u00e9cie de ep\u00edgrafe para o terceiro disco de Leslie Feist: um cemit\u00e9rio cheio de luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos diante de uma marcha f\u00fanebre, portanto. Mas de um tipo enganoso: sob a terra da mixagem, a melodia vai estalando os ossos at\u00e9 renascer gloriosamente, num coro de mortos-vivos: \u201cTraga todos de volta \u00e0 vida\u201d, eles cantam. O disco, de alguma forma, est\u00e1 todo dentro desse verso e da atmosfera \u00e1rida\/amarelada dessa can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Li muitas resenhas sobre o \u00e1lbum (h\u00e1 duas semanas, n\u00e3o consigo me livrar dele), e a que pareceu mais completa foi a da Uncut, uma revista inglesa com um fraco pelo <em>dark side of the folk<\/em> (clique no link no fim do post para ler a belezinha): o autor do texto, Bud Scoppa, percebe que a sensibilidade de Feist se assemelha \u00e0 de uma pintora: ela escolhe loca\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas para gravar os discos, e tenta \u201ccolorir\u201d as can\u00e7\u00f5es com os tons da paisagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Metals&#8221; seria, se seguirmos essa linha de pensamento, um \u00e1lbum que simula a natureza exuberante \u2013 entre florestas e forma\u00e7\u00f5es rochosas \u2013 de Big Sur, na costa californiana. \u00c9 claro que n\u00e3o trata <em>apenas<\/em> disso, mas a sensa\u00e7\u00e3o de que todas as faixas apontam para uma mesma paragem talvez venha da\u00ed: o disco alterna, \u00e0s vezes dentro de uma mesma can\u00e7\u00e3o, a textura de um pedregulho com a variedade de matizes que se encontra numa reserva florestal. A bateria opaca pode aparecer sozinha, desnutrida, ou acompanhada por arranjos de orquestras, por uma linha de guitarra de blues, sopros de fita de horror, viol\u00f5es dedilhados etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kEk5GWf69A4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kEk5GWf69A4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A velocidade com que o disco foi gravado \u2013 duas semanas e meia, numa fazenda convertida em est\u00fadio \u2013 talvez ajude a explicar essa concis\u00e3o sonora. Seria injusto, por\u00e9m, ignorar a participa\u00e7\u00e3o do coprodutor Valgeir Sigurosson. O homem, que ainda \u00e9 lembrado pelo trabalho com Bj\u00f6rk, reprisa aqui o contraste que operou em \u201cThe Letting Go\u201d, de Bonnie \u201cPrince\u201d Billy: op\u00f5e clima g\u00e9lido, com truques de est\u00fadio t\u00e3o n\u00f3rdicos, a can\u00e7\u00f5es quase dom\u00e9sticas e t\u00e3o pessoais, t\u00e3o americanas. O efeito <em>amplia<\/em> de tal forma o script de Feist que \u00e9 como se assist\u00edssemos a uma fita indie, <em>chamber drama<\/em> (uma mulher dentro de um quarto), em 3D, numa sala IMAX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, ainda que nas entrelinhas, esta \u00e9 a superprodu\u00e7\u00e3o de Feist. Apesar da presen\u00e7a dos colegas Chilly Gonzalez e Dominic \u201cMocky\u201d Salole, a canadense convidou o tecladista Brian LeBurton (Beck) e Valgeir para gravar um disco com a no\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o que faltam a \u201cThe Reminder\u201d (2007) e \u201cLet it Die\u201d (2004). Uma reclama\u00e7\u00e3o justa, contudo: aqui, n\u00e3o d\u00e1 nem para procurar singles t\u00e3o poderosos quanto os do disco anterior (nada de \u201c1234\u201d ou de \u201cLimit To Your Love\u201d). \u201cMetals\u201d, no entanto, n\u00e3o \u00e9 nem quer ser um disco de singles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, digamos, um ciclo <em>discreto<\/em> de can\u00e7\u00f5es \u2013 \u00e0 moda de Van Dyke Parks e Joanna Newsom, ainda que sem a consist\u00eancia ou as idiossincrasias que talvez Feist procurasse. \u00c0s vezes soa como um disco da Norah Jones, como nas baladas \u201cCicadas and Gulls\u201d e \u201cBittersweet Melodies\u201d. \u00c0s vezes soa como Arcade Fire e Broken Social Scene, como no sing-a-long de \u201cComfort Me\u201d e \u201cA Commotion\u201d. \u00c0s vezes soa como o disco que apenas Feist poderia ter gravado (\u201cAnti-Pioneer\u201d, \u201cCaught a Long Wind\u201d), mas n\u00e3o \u00e9 sempre que acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/P2TgWlkfYjo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/P2TgWlkfYjo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mais agrada em \u201cMetals\u201d, al\u00e9m do esfor\u00e7o de criar um halo sonoro em torno das can\u00e7\u00f5es, \u00e9 como as ranhuras das melodias est\u00e3o sempre ressaltando o tom de tens\u00e3o e tristeza dos versos de Feist, numa toada muito semelhante \u00e0 de St. Vincent e de Fiona Apple (\u00e9 claro, praticando muitos dos clich\u00eas que marcam as singer-songwriters da gera\u00e7\u00e3o de Aimee Mann). Quando se tenta decifrar as letras (o que, no caso, exige esfor\u00e7o), encontramos um songbook de desilus\u00e3o. O disco come\u00e7a com uma f\u00e1bula sobre um homem bom e uma boa mulher que n\u00e3o conseguem encontrar bondade um no outro. Na faixa seguinte, j\u00e1 fomos lan\u00e7ados em pleno cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata, no entanto, de um \u00e1lbum totalmente dark, j\u00e1 que Feist est\u00e1 sempre pronta para refrescar os versos com melodias agrad\u00e1veis, que poderiam estar num disco da Ad\u00e9le. \u201cHow Come You Never Go There\u201d, por exemplo, \u00e9 um single para um entardecer californiano. Mas, no versos, a brisa bate com secura. \u201cPor que voc\u00ea nunca vai at\u00e9 l\u00e1? Por que fico sempre sozinha l\u00e1?\u201d, Feist pergunta. Sem resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou, num apelo mais direto, em \u201cComfort Me\u201d, ela admite: \u201cQuando voc\u00ea me conforta. Na verdade, isso n\u00e3o me d\u00e1 conforto algum.\u201d E a\u00ed o disco come\u00e7a a parecer mais complicado, mais cheio de drama (e de luz) do que soava quando o encontramos pela primeira vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/b2dvRj_1gm4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/b2dvRj_1gm4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tiago Faria (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@superoito<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/superoito.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meu Nome N\u00e3o \u00c9 Superoito<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cStrange Mercy\u201d, St. Vincent: conto de fadas assombrado e neur\u00f3tico, por Tiago Faria (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/18\/musica-strange-mercy-st-vincent\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Feist na Uncut: &#8220;She&#8217;s the antithesis of the demure female singer\/songwriter&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.uncut.co.uk\/music\/feist\/reviews\/15187\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Aimee Mann ao vivo em Metuchen, Estados Unidos, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/09\/aprendendo-com-aimee-mann\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201c@#%&amp;*! Smilers\u201d, o \u00e1lbum mais pop da carreira de Aimee Mann, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/09\/10\/500-toques-carla-bruni-aimee-mann-e-carole-king\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Forgotten Arm\u201d, de Aimee Mann, funciona como um filme, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/resenha_aimee_forget.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Faria\nEstamos diante de uma marcha f\u00fanebre, mas, sob a terra da mixagem, a melodia vai estalando os ossos at\u00e9 renascer gloriosa\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/01\/cds-metals-feist\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10427"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10427"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73665,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10427\/revisions\/73665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}