{"id":10311,"date":"2011-10-28T07:15:14","date_gmt":"2011-10-28T09:15:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10311"},"modified":"2023-03-29T00:29:03","modified_gmt":"2023-03-29T03:29:03","slug":"entrevista-flavio-renegado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/28\/entrevista-flavio-renegado\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fl\u00e1vio Renegado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10312\" title=\"renegado\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/renegado.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/murilo_basso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Murilo Basso<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Belo Horizonte, Fl\u00e1vio Renegado cresceu na comunidade Alto Vera Cruz e, claro, poderia ser s\u00f3 mais um em meio a tantas pessoas. Clich\u00ea? Sim, afinal, a vida \u00e9 feita deles, mas se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 evit\u00e1-los, ao menos na m\u00fasica, Renegado acerta em cheio ao fazer can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cabem nos limites da capital mineira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao encontrar o meio termo entre as tem\u00e1ticas caracter\u00edsticas ao rap \/ hip-hop e os elementos da m\u00fasica popular, Fl\u00e1vio faz com que a diversidade sonora seja a principal caracter\u00edstica do seu trabalho \u2013 evidenciada ainda mais em seu segundo disco, \u201cMinha Tribo \u00e9 o Mundo\u201d, que contou com a produ\u00e7\u00e3o de Pl\u00ednio Profeta em 9 das 11 faixas e est\u00e1 liberado para download no site oficial (<a href=\"http:\/\/minhatribo.flaviorenegado.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em seu primeiro trabalho, \u201cDo Oiapoque a Nova York\u201d (2008), que lhe rendeu o pr\u00eamio Hut\u00faz de revela\u00e7\u00e3o, o mineiro nos apresentou a vers\u00e3o inicial deste conceito, essa ideia retorna ainda mais elaborada em seu novo \u00e1lbum, fruto do amadurecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Alto-Falante e ao Scream &amp; Yell, Fl\u00e1vio Renegado exp\u00f5e sua opini\u00e3o sobre o rap e o hip-hop, revelando detalhes sobre seu trabalho. Confira o bate papo, ou\u00e7a o disco e perceba que Fl\u00e1vio est\u00e1 longe de se restringir a um g\u00eanero. O que Renegado faz \u00e9, sobretudo, m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. O show de lan\u00e7amento do novo \u00e1lbum acontece neste s\u00e1bado (29\/10), no Music Hall, em Belo Horizonte. Infos <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=10150310511012294&amp;set=pt.153219207293&amp;type=1&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n<p><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"295\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/player.soundcloud.com\/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1212345&amp;show_playcount=true&amp;show_comments=true&amp;show_artwork=true&amp;color=ff7700\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"295\" src=\"http:\/\/player.soundcloud.com\/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1212345&amp;show_playcount=true&amp;show_comments=true&amp;show_artwork=true&amp;color=ff7700\" allowscriptaccess=\"always\"><\/embed><\/object><span><a href=\"http:\/\/soundcloud.com\/flaviorenegado\/sets\/minha-tri\"><\/a><a href=\"http:\/\/soundcloud.com\/flaviorenegado\"><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea foi parar na m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nCara, cada vez que paro para me lembrar de como tudo come\u00e7ou vejo que as coisas na vida realmente nascem sem pretens\u00e3o. A primeira vez que o rap e a musica me tocaram eu tinha 13 anos, estava na casa de um amigo ouvindo uma radio comunit\u00e1ria \u2013 que alguns anos depois acabou se tornando a reconhecida \u201cRadio Favela&#8221;. Quando ouvi Thaide e Dj Hum, com &#8220;Corpo Fechado&#8221; e, na sequ\u00eancia, &#8220;Fim de Semana no Parque&#8221;, com os Racionais, percebi que era isso que queria fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conheci seu trabalho na Feira M\u00fasica Brasil 2010. Um amigo comentou que voc\u00ea era de Belo Horizonte mesmo, ent\u00e3o a primeira coisa que meio veio \u00e0 cabe\u00e7a foi: rap mineiro? Como assim?<\/strong><br \/>\nMano, quando falo que sou de BH a rea\u00e7\u00e3o do povo e a mesma que voc\u00ea teve, mas quem est\u00e1 ligado na cena fora do eixo \u201cSP x RJ\u201d sabe que BH \u00e9 um dos lugares onde o hip-hop mais tem crescido nos \u00faltimos anos. Temos uma cena organizada, coletivos servindo como refer\u00eancia para outras partes do pa\u00eds. Toda a sexta-feira tem duelo de Mc&#8217;s, grupos e artistas est\u00e3o em alta produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e, para este ano, temos a previs\u00e3o de 15 ou mais grupos lan\u00e7ando discos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, agora tenho um pouco de no\u00e7\u00e3o sobre a dimens\u00e3o da cena em Belo Horizonte. H\u00e1 festivais espec\u00edficos voltados para o g\u00eanero&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, a cena deu um salto muito alto de qualidade, nasceram o &#8220;Palco Hip Hop&#8221; e o &#8220;Cidade&#8221;, dois festivais que est\u00e3o ajudando a estruturar, a profissionalizar a cena local. E vamos conquistando mais espa\u00e7o para o rap. Neste segundo semestre estreei na 98FM o &#8220;Boombox&#8221;, programa voltado para o Hip- Hop \/ Black Music, em que grupos e artistas locais t\u00eam espa\u00e7o garantido \u2013 e esta foi a \u00fanica exig\u00eancia que fiz quando fui convidado pela r\u00e1dio. Ano que vem o &#8220;Boombox&#8221; tamb\u00e9m se tornar\u00e1 um festival para revelar novos talentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tanto o rap como o hip-hop sempre trabalharam com quest\u00f5es mais marginais. Seguindo esse caminho n\u00e3o se perde o foco do g\u00eanero e de seu papel como agente social?<\/strong><br \/>\nSempre achei que toda a unanimidade deve ser questionada. Vejo rapper&#8217;s falando que s\u00e3o \u201cgangsta\u201d sem de fato terem vivido o crime. Tamb\u00e9m n\u00e3o gosto da famosa f\u00e1brica da mis\u00e9ria, que usa a favela como trampolim para autoproje\u00e7\u00e3o. Tem muita gente falando o que n\u00e3o faz e pregando o que n\u00e3o vive, e isso n\u00e3o cresce o g\u00eanero. E nem a favela. As lutas sociais quando s\u00e3o tratadas com extremismo sempre beneficiam o lado contrario.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que esse discurso da viol\u00eancia enquanto tem\u00e1tica acaba banalizando o g\u00eanero \u2013 embora hoje a resist\u00eancia seja menor, ainda existe um pouco de preconceito com o rap \/ hip-hop. Ent\u00e3o, acho que a grande sacada \u00e9 n\u00e3o ser panflet\u00e1rio demais.<\/strong><\/span><br \/>\nSe a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 noticiar a viol\u00eancia podemos deixar por conta dos programas policiais. N\u00e3o acho que todo rapper deve ser engajado, mas acredito que todo Mc ligado ao hip-hop deve ter compromisso m\u00ednimo com a cultura e com os seus valores. N\u00f3s temos uma responsabilidade muito maior, somos a voz do povo, dos que n\u00e3o tem voz. Temos que mostrar possibilidades, motivos para achar que lutar vale a pena e nunca esgotar os sonhos. O caso n\u00e3o \u00e9 ser panflet\u00e1rio&#8230; Hoje os Mc&#8217;s est\u00e3o falando de temas que tem a ver com a sua realidade, com isso o povo se sente tocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O rap nacional n\u00e3o pode estar influenciado apenas pelo rap norte-americano. Temos uma infinidade de ritmos que podem e devem ser incorporados, fortalecendo o g\u00eanero nacionalmente?<\/strong><br \/>\nA palavra de ordem \u00e9 &#8220;abrasileirar&#8221;. Estou tendo a oportunidade de ver o rap pelo o mundo e o que vejo \u00e9 que ele ganha for\u00e7a quando estabelece rela\u00e7\u00e3o com a cultura local. Hoje no Brasil se entende melhor isso, e sem sombra de d\u00favida \u00e9 um avan\u00e7o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ooD5-PjkYo0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ooD5-PjkYo0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido consigo notar em seu trabalho que ao incorporar elementos do samba, reggae, bai\u00e3o, voc\u00ea busca uma nova roupagem para suas can\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se restringindo ao discurso social. E enquanto alguns artistas optam por priorizar elementos estritamente musicais ou dar prefer\u00eancia \u00e0s letras, parece que em seu trabalho h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com equil\u00edbrio entre todos os elementos.<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 muito relativo. Vejo muitas pessoas que gostam do meu trabalho e conseguem entender a proposta. N\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de me intitular o melhor ou de achar que estou reinventando a roda. Apenas quero propor outro caminho, se as pessoas se identificaram, \u00e9 s\u00f3 chegar. S\u00e3o sempre bem vidas. A cada dia busco a medida exata. Todos que amam o que fazem, procuram sempre sofisticar, encontrar o tempero correto. Hoje minha busca \u00e9 o equil\u00edbrio das letras e das poesias, dos arranjos e das melodias, mas isso com o sentimento que a musica esta pedindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A tem\u00e1tica da discuss\u00e3o de classes tamb\u00e9m est\u00e1 presente, especialmente quando o cotidiano da sua comunidade \u00e9 retratado. Como separar o aspecto pol\u00edtico do entretenimento que, em geral, \u00e9 a ess\u00eancia da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nO caminho que percorro para isso \u00e9 falar do dia-a-dia das pessoas, de coisas bem cotidianas. Ent\u00e3o a diferen\u00e7a de classes vira algo transversal a v\u00e1rios temas, e \u00e9 o que arregimenta essencialmente as m\u00fasicas. Achar o meio termo disso \u00e9 muito dif\u00edcil. O rap se auto imp\u00f4s muitas regras, ent\u00e3o sempre que buscamos sair do clich\u00ea, vem a reflex\u00e3o \u201cisso \u00e9 certo ou aquilo \u00e9 errado\u201d. Ent\u00e3o tudo o que falamos e escrevemos tem que ser verdadeiro, tem que ter sentimento. Se n\u00e3o for assim, n\u00e3o conseguiremos convencer ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No primeiro disco voc\u00ea trabalha a quest\u00e3o da f\u00e9, n\u00e3o da religiosidade em si&#8230;<\/strong><br \/>\nA f\u00e9 \u00e9 o maior sentimento que o ser humano pode ter. \u00c9 o que nos move; o que nos faz acordar pela manh\u00e3 e ter a disposi\u00e7\u00e3o de encarar a vida. Acho importante todos terem sempre muita f\u00e9 independente da religi\u00e3o, afinal ela \u00e9 o maior escudo do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido, \u201cBen\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 uma homenagem a sua m\u00e3e?<\/strong><br \/>\nSempre vejo grandes pessoas sendo homenageadas quando morrem, ent\u00e3o quis fazer uma homenagem para a pessoa que considero o meu maior super-her\u00f3i. Tive a oportunidade de dedicar esta musica para ela para que soubesse o quanto \u00e9 importante para mim. Fiz a musica em um ponto de \u00f4nibus a caminho de uma palestra sobre juventude e drogas. A can\u00e7\u00e3o veio carregada de sentimentos e l\u00e1grimas, escrevi em 40 minutos. Foi super intensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 \u201cA Coisa \u00e9 S\u00e9ria\u201d retrata o relacionamento \u201chomem x mulher\u201d.<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica foi a \u00faltima a entrar no disco. Na \u00e9poca foi o Ganjaman quem me convenceu. Confesso que estava resistente em rela\u00e7\u00e3o a ela e foi uma das can\u00e7\u00f5es mais expressivas do disco. Fiz para uma ex-namorada. Foi um relacionamento conturbado, mas acabou me deixando a m\u00fasica como presente. Acho que ela ganhou toda essa for\u00e7a por retratar um momento pelo qual todas as pessoas passam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda nessa linha de retratar as mulheres, \u201cVera\u201d parece estar falando o tempo todo sobre uma mulher, mas na verdade retrata sua comunidade, certo?<\/strong><br \/>\nSempre quis fazer uma m\u00fasica sobre a minha comunidade, falar sobre o quanto ela \u00e9 importante pra mim. No momento que parei para escrever me veio a imagem de uma mulher que \u00e9 m\u00e3e, amante e filha. Vejo o Alto Vera Cruz desta forma: um lugar que me ensina muito, o tempo inteiro, como um jovem que entra na vida adulta com uma mulher experiente, mas ao mesmo tempo h\u00e1 o frescor da descoberta como um casal de adolescentes. A comunidade \u00e9 como uma mulher, voc\u00ea tem que amar na medida certa.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GMLz5mBsa1g\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/GMLz5mBsa1g\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes mesmo do lan\u00e7amento de \u201cDo Oiapoque a Nova York\u201d voc\u00ea j\u00e1 havia viajado para Cuba, Venezuela e para o Qu\u00eania. Como essas experi\u00eancias est\u00e3o presentes no seu trabalho? De que forma essa nova perspectiva te influenciou?<\/strong><br \/>\nCara, quando se tem acesso, os horizontes se amplificam de uma maneira monstruosa. Ter este contato com outras culturas foi fundamental, principalmente para a constru\u00e7\u00e3o do meu novo trabalho, o &#8220;Minha Tribo \u00e9 o Mundo&#8221;. Busco fazer um som sem fronteiras, sem limites, para que a minha m\u00fasica cumpra o papel de aproximar as pessoas. Cada vez que conhe\u00e7o uma parte diferente do globo tenho v\u00e1rios paradigmas que s\u00e3o quebrados e isso me faz bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 n\u00edtido que esse contato com outras culturas foi fundamental para a constru\u00e7\u00e3o do \u201cMinha Tribo \u00e9 o Mundo\u201d. Foi um processo pensado ou espont\u00e2neo? Ou, em outro cen\u00e1rio, \u00e9 algo que vem sendo constru\u00eddo desde \u201cDo Oiapoque a Nova York\u201d?<\/strong><br \/>\nTudo nasceu de uma forma muito instintiva, o \u201cDo Oiapoque a Nova York\u201d foi uma abre alas, foi conduzindo e o \u201cMinha Tribo \u00e9 o Mundo\u201d foi um semente, que brotou e ganhou for\u00e7a dentro do pr\u00f3prio processo. Trabalho com continuidade de projetos e vejo o novo disco desta forma: \u00e9 a segunda fase de um projeto maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, o clipe da can\u00e7\u00e3o \u201cMinha Tribo \u00e9 o Mundo\u201d passa essa id\u00e9ia de evolu\u00e7\u00e3o, de algu\u00e9m que, com o passar do tempo, foi agregando novos elementos, novas possibilidades at\u00e9 chegar ao dia de hoje.<\/strong><br \/>\n\u00c9 esse o conceito do clipe. Ele fala de movimento, de evolu\u00e7\u00e3o. Parte da ideia do roteiro nasceu do Ricardo Morais (diretor), o restante fizemos de forma livre durante a execu\u00e7\u00e3o. A cada loca\u00e7\u00e3o encontrada buscamos (usar) o m\u00e1ximo delas, tivemos uma equipe talentosa com muita vontade de fazer o clipe, o que influenciou no resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTempo Bom\u201d me soou como uma esp\u00e9cie de adapta\u00e7\u00e3o do soul ao universo da m\u00fasica brasileira. Acho que at\u00e9 pela forma de cantar, extremamente mel\u00f3dica e distante das caracter\u00edsticas do g\u00eanero em si \u2013 e at\u00e9 ent\u00e3o, acho, in\u00e9dita no seu trabalho.<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica nasceu sem nenhuma pretens\u00e3o, apenas veio a inspira\u00e7\u00e3o e eu botei no papel. N\u00e3o tinha o objetivo de ser uma adapta\u00e7\u00e3o ou releitura. &#8220;Minha Tribo \u00e9 o Mundo&#8221; \u00e9 um \u00e1lbum onde estou me permitindo explorar essa diversidade musical. Na real, essa m\u00fasica nem ia entrar no disco, mas acabei gravando e mostrando para algumas pessoas que me convenceram a inclu\u00ed-la. Aconteceu e estou curtindo bastante ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava tentando encontrar uma defini\u00e7\u00e3o para \u201cPontos Cardeais\u201d e pensei em algo como \u201co momento em que o rap encontra o reggae\u201d.<\/strong><br \/>\nNo primeiro disco tenho duas faixas com presen\u00e7a forte do reggae (&#8220;A Coisa \u00e9 S\u00e9ria&#8221; e &#8220;Sei Quem t\u00e1 Comigo&#8221;). Ambas com a vibra\u00e7\u00e3o positiva que o reggae pede. Em &#8220;Pontos Cardeais&#8221; procurei falar de amores e valores comuns entre a zona sul e a norte, sempre priorizando o cora\u00e7\u00e3o como b\u00fassola condutora. A influ\u00eancia e a paix\u00e3o pelo reggae e raggamuffin s\u00e3o muito fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente voc\u00ea tocou na Inglaterra e na Espanha. Foi como voc\u00ea esperava?<\/strong><br \/>\nEm todos os pa\u00edses que estive a recep\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre muito positiva. Conseguimos estabelecer la\u00e7os de parceria e colabora\u00e7\u00e3o por todos os lugares. Mas ainda quero mais, quero falar a l\u00edngua do mundo e fazer com que este mundo possa me compreender. Esta \u00e9 minha busca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fiquei pensando que, em um universo em que o g\u00eanero \u00e9 dominado por m\u00fasicos cantando em ingl\u00eas, como seria um rapper brasileiro, cantando em portugu\u00eas na Inglaterra. At\u00e9 por isso imagino que na Espanha tenha sido mais f\u00e1cil. Periferia \u00e9 periferia em qualquer lugar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que teve essa rela\u00e7\u00e3o de complexidade. Apesar de estar na Europa, s\u00e3o duas culturas bem diferentes. Os espanh\u00f3is t\u00eam a ess\u00eancia do sangue latino, se permitem mais, mas Londres tamb\u00e9m tem o seu valor. Fiz dois shows l\u00e1, fui muito bem recebido e compreendido. Agora volto da Austr\u00e1lia com o mesmo sentimento de miss\u00e3o cumprida, fiz meu papel de Mc e me comuniquei. Nem todo o lugar \u00e9 periferia, mas n\u00f3s somos favela em qualquer parte do globo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 que ponto se estende sua pretens\u00e3o com o novo trabalho? At\u00e9 onde voc\u00ea pretende chegar?<\/strong><br \/>\nNa vida e na arte minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre evoluir, sempre dar o meu m\u00e1ximo para chegar perto da perfei\u00e7\u00e3o. Quero que o mundo escute o que tenho para falar, quero que a minha tribo aumente e que nossos objetivos sejam alcan\u00e7ados. Como diz o ditado, &#8216;o c\u00e9u e o limite e eu j\u00e1 n\u00e3o tenho medo de voar&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0A1KgehqY5A\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0A1KgehqY5A\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>*******<br \/>\n&#8211; Murilo Basso (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/murilobasso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@murilobasso<\/a>) \u00e9 jornalista e colabora com o Scream &amp; Yell, o Urbanaque, o Alto-Falante e a revista Rolling Stone<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Murilo Basso\n&#8220;Estou tendo a oportunidade de ver o rap pelo o mundo. A palavra de ordem \u00e9 abrasileirar&#8221;, aposta o rapper mineiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/28\/entrevista-flavio-renegado\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":121,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10311"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/121"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10311"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73533,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10311\/revisions\/73533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}