{"id":10190,"date":"2011-10-18T00:25:02","date_gmt":"2011-10-18T03:25:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10190"},"modified":"2024-05-09T00:58:06","modified_gmt":"2024-05-09T03:58:06","slug":"musica-strange-mercy-st-vincent","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/18\/musica-strange-mercy-st-vincent\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Strange Mercy, St. Vincent"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-10191\" title=\"st_vincent\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/st_vincent.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/st_vincent.jpg 399w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/st_vincent-300x263.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago Faria<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco anterior de St. Vincent, &#8220;Actor&#8221; (2009), soava como uma vers\u00e3o \u00e0s vezes sinistra (imagens descoloridas, trilha sonora em slo-mo, final infeliz, hero\u00edna dilacerada) para um desenho animado da Disney. Branca de Neve, no caso, preferiria n\u00e3o ter despertado do sono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Strange Mercy&#8221;, Annie Clark n\u00e3o abandona os limites do conto de fadas. No entanto, ele se torna mais assombrado e neur\u00f3tico, como num mashup de &#8220;A Bela e a Fera&#8221; com &#8220;De Olhos Bem Fechados&#8221;. Tens\u00e3o sexual (para toda a fam\u00edlia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no terceiro disco de Clark. E a impress\u00e3o, agora muito clara, \u00e9 de que ela decidiu demarcar uma trajet\u00f3ria, \u201cassinar\u201d a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. E, se essa trilha ainda n\u00e3o parece exatamente singular, j\u00e1 mostra coer\u00eancia tanto na sonoridade quanto nos temas que a cantora vai acumulando, reiterando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, a come\u00e7ar por &#8220;Marry Me&#8221; (2007), os discos v\u00e3o narrando uma trama, que parece se tornar progressivamente mais pessoal (se bem que s\u00e3o sempre misteriosas as diferen\u00e7as entre a personagem St. Vincent e a pessoa Annie Clark). \u00c9 um disco, aparentemente, de \u201cconfiss\u00f5es\u201d, de \u201cdescobertas \u00edntimas\u201d, sobre uma mulher em embate com o mundo, sobre hist\u00f3rias de amor que n\u00e3o se realizam, sobre culpa e frustra\u00e7\u00e3o \u2014 a primeira faixa se chama &#8220;Chloe in the Afternoon&#8221;, que foi o t\u00edtulo em ingl\u00eas para o &#8220;Amor \u00e0 Tarde&#8221;, conto moral de Eric Rohmer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O script de &#8220;Strange Mercy&#8221;, portanto, vai provocar as compara\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis com os, digamos, \u201cthrillers psicol\u00f3gicos\u201d de outras cantoras agoniad\u00edssimas, como Aimee Mann (\u00e0 frente de todas elas), Fiona Apple, Emily Haines. H\u00e1 can\u00e7\u00f5es do disco, como &#8220;Cheerleader&#8221; e a faixa-t\u00edtulo, que poderiam ter sido gravadas por qualquer uma delas. H\u00e1 clich\u00eas do rock de \u201cmulheres livres em crise\u201d que St. Vincent segue, mesmo que inconscientemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 momentos em que esses lugares-comuns deixam a d\u00favida: este sofrimento \u00e9 de Annie Clark ou de todas elas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os versos facilitam a vida de quem escreve resenhas de m\u00fasica. Porque, de certa forma, est\u00e1 tudo l\u00e1: uma personagem que se revela sem pudores, que vai tirando a roupa e se examinando faixa a faixa. \u201cTive bons momentos com caras ruins, contei mentiras inteiras com meios sorrisos\u201d, ela conta, antes de resolver que \u201cn\u00e3o quero ser sua cheerleader, n\u00e3o mais\u201d (em &#8220;Cheerleader&#8221;). L\u00e1 perto do fim do disco, j\u00e1 come\u00e7a a soar como uma teenager carente: \u201cVoc\u00ea alguma vez se importou de verdade por mim?\u201d, ela pergunta, em &#8220;Neutered Fruit&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ela canta, \u00e9 claro, o desejo. Mais desejo (quase nunca correspondido) que sexo em si. \u201cVoc\u00ea \u00e9 uma festa que ou\u00e7o quando colo o ouvido na parede\u201d, ela admite, em &#8220;Dilettante&#8221;. \u201cMas ningu\u00e9m est\u00e1 ganhando, e os tubar\u00f5es est\u00e3o nadando no vermelho\u201d, conclui. A solu\u00e7\u00e3o que encontra para n\u00e3o se decepcionar com tanta frequ\u00eancia \u00e9 c\u00ednica. \u201cVou ganhar a vida dizendo \u00e0s pessoas o que elas querem ouvir. N\u00e3o \u00e9 um plano perfeito, mas \u00e9 o que temos\u201d, afirma, em &#8220;Champagne Year&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o ta\u00ed: n\u00e3o \u00e9 uma narrativa muito diferente daquela que havia aparecido em &#8220;Actor&#8221; ou em &#8220;Marry Me&#8221;. A diferen\u00e7a \u00e9 que, agora, Clark parece mais disposta a encontrar uma sonoridade tamb\u00e9m irritadi\u00e7a, desgrenhada (e tamb\u00e9m uniforme, recorrente em toda a dura\u00e7\u00e3o do disco). \u00c0 voz delicada, sobrep\u00f5e camadas quase grotescas de teclados, interfer\u00eancias de guitarras, sintetizadores baratos que \u00e0s vezes sugerem um filme de soft-porn para as madrugadas dos anos 80. E, como antes, arranjos de cordas roubados de pe\u00e7as de teatro infantil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O efeito pode ser mesmo apaixonante (Annie \u00e9 femme fatale em pele de gatinha manhosa), principalmente para quem conhece St. Vincent s\u00f3 agora. Para aqueles que dobram estas p\u00e1ginas h\u00e1 mais tempo, &#8220;Strange Mercy&#8221; pode bater como um cap\u00edtulo com algo de perturbador (e de redundante), ainda longe do cl\u00edmax.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10192 aligncenter\" title=\"st_vincent1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/st_vincent1.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tiago Faria (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/superoito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@superoito<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/superoito.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meu Nome N\u00e3o \u00c9 Superoito<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Aimee Mann ao vivo em Metuchen, Estados Unidos, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/09\/aprendendo-com-aimee-mann\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201c@#%&amp;*! Smilers\u201d, o \u00e1lbum mais pop da carreira de Aimee Mann, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/09\/10\/500-toques-carla-bruni-aimee-mann-e-carole-king\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;The Forgotten Arm&#8221;, de Aimee Mann, funciona como um filme, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/resenha_aimee_forget.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Aimee Mann ao vivo em Buenos Aires, por Ligia Helena (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/08\/19\/banze-no-oeste-macho-alfa-e-aimee-mann-em-bue\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Faria\nAnnie Clark n\u00e3o abandona os limites do conto de fadas. 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