{"id":10169,"date":"2011-10-16T13:32:10","date_gmt":"2011-10-16T16:32:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10169"},"modified":"2017-02-15T09:14:34","modified_gmt":"2017-02-15T11:14:34","slug":"scream_yell_apresenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/16\/scream_yell_apresenta\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: Agridoce"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/renata_arruda\" target=\"_blank\">Renata Arruda<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Junho de 2010, durante os intervalos da turn\u00ea do \u00e1lbum \u201cChiaroscuro\u201d (2009), Pitty e o guitarrista Martin Mendezz se reuniram na casa da cantora e, influenciados pela m\u00fasica de Nick Drake, come\u00e7aram a compor algumas can\u00e7\u00f5es no esquema voz, viol\u00e3o dedilhado, piano minimalista e letras \u201cora l\u00fadicas e fofas, ora pesadas e melanc\u00f3licas\u201d, diferentes do conhecido trabalho autoral da cantora. Surgia o Agridoce, inicialmente idealizado como um projeto folk, e hoje melhor definido como \u201ccan\u00e7\u00e3o popular melodram\u00e1tica\u201d, cuja premissa est\u00e1 na liberdade criativa de compor sem se prender a r\u00f3tulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto, de influ\u00eancias como o supracitado Nick Drake, Leonard Cohen, Sean Lennon, Velvet Underground, Iron&amp;Wine, Elliott Smith e outros, em pouco tempo agradou ao p\u00fablico, que come\u00e7ou a pedir por shows e pelo lan\u00e7amento de um \u00e1lbum. \u201c\u00c9 surpreendente que essas m\u00fasicas tenham tocado as pessoas\u201d, chegou a declarar Martin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dupla come\u00e7ou a se animar com a ideia de levar adiante o projeto, mas foi quase um ano depois que o Agridoce arriscou sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo. Chegando no palco de maneira um pouco apreensiva, Pitty chegou a pedir: \u201cEspero que voc\u00eas sejam compreensivos\u201d. A plateia embarcou na atmosfera intimista e delicada da apresenta\u00e7\u00e3o, cantando todas as m\u00fasicas em um coro baixinho. A noite estava ganha. Para o encerramento, Pitty e Martin chamaram ao palco os m\u00fasicos H\u00e9lio Flanders (Vanguart), Bruno Kayapy e Ynai\u00e3 Benthroldo (Macaco Bong), Karina Buhr, Pupillo (Na\u00e7\u00e3o Zumbi) e a dupla Finl\u00e2ndia, que os acompanharam na dram\u00e1tica \u201cO Porto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a repercuss\u00e3o positiva, finalmente Pitty e Martin fecharam com selo Vigilante (Deck) e, inspirados pelo document\u00e1rio \u201cFunky Monks\u201d, do Red Hot Chilli Peppers, partiram para a Serra da Cantareira, onde montaram um est\u00fadio caseiro na enorme casa de campo, que batizaram de Agridocel\u00e2ndia. Para os arranjos, al\u00e9m do piano meia cauda, viol\u00f5es, guitarras e chocalhos, apostaram em tirar sons de palmas e p\u00e9s e improvisar com o que estivesse dispon\u00edvel: porta, corrente, gaveta de cabe\u00e7a para baixo. \u201cTem duas m\u00fasicas que a gente usou a t\u00e9cnica de piano preparado do John Cage, que voc\u00ea interfere o som colocando coisas nas cordas. Numa delas a gente colocou gizo, na outra colocamos garfo\u201d, disse Pitty em entrevista e Martin prosseguiu: \u201cAcabou saindo muita coisa que, na cabe\u00e7a da gente, poderia ter feito de outro jeito. Pens\u00e1vamos em colocar cordas, mas descobrimos que um dobro com um ebow e slide, dobrado tr\u00eas vezes, causava essa impress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para l\u00e1 tamb\u00e9m se mudaram o produtor Rafael Ramos, o engenheiro de som Jorge Guerreiro e o fot\u00f3grafo e cinegrafista Ot\u00e1vio Sousa, que registrou toda a estadia do grupo durante os vinte e dois dias do isolamento. Pitty e Martin acabaram compondo mais do que o previsto, fechando o per\u00edodo de grava\u00e7\u00f5es com vinte e uma m\u00fasicas prontas; entre elas, a balada pop \u201cUpside Down\u201d, recentemente lan\u00e7ada no site oficial do Agridoce (<a href=\"http:\/\/agridoce.net\" target=\"_blank\">http:\/\/agridoce.net<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, sete vers\u00f5es demo continuam dispon\u00edveis nas p\u00e1ginas da dupla, al\u00e9m do v\u00eddeo promocional da can\u00e7\u00e3o \u201cB Day\u201d, realizado por Daniel Weksler. Uma oitava, \u201cNe Parle Pas\u201d \u2013 a \u00fanica composi\u00e7\u00e3o em franc\u00eas \u2013 inspirou o produtor Daniel Tejo (Instituto) de tal forma que ele criou um remix trip hop com batidas de dubstep e trompete cool jazz, trazendo uma atmosfera sensual e melanc\u00f3lica \u00e0 m\u00fasica. A ideia acabou resultando no lan\u00e7amento de um compacto em vinil colorido 7?, que traz a demo original em um lado e o remix no outro e pode ser comprado exclusivamente no site da loja IdealShop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aguardado CD, batizado apenas de \u201cAgridoce\u201d e masterizado por Bernie Grundman (Tom Waits), chega \u00e0s lojas na primeira quinzena de Novembro. O primeiro single, \u201cDan\u00e7ando\u201d \u2013 que em sua vers\u00e3o demo teve o maior n\u00famero de execu\u00e7\u00f5es nas p\u00e1ginas da dupla \u2013 estar\u00e1 nas r\u00e1dios a partir de ter\u00e7a-feira, mas o Scream &amp; Yell j\u00e1 teve acesso e traz o single com exclusividade, al\u00e9m de uma mini-entrevista. Ou\u00e7a a m\u00fasica abaixo e confira o bate papo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vOL-AvxD9w4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Sabemos que o Agridoce surgiu de maneira despretensiosa, influenciado pelo folk de Nick Drake, inclusive sendo apelidado de &#8220;fofolk&#8221; no come\u00e7o. Agora que ganhou corpo, o que podemos esperar do CD?<\/span><\/strong><br \/>\nMartin: Muita coisa mudou desde os tempos de ensaios e m\u00fasicas disponibilizadas no MySpace at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o do disco. Isso somado ao fato de termos gravado num clima de liberdade criativa t\u00e3o grande aumentou muito a dist\u00e2ncia entre a proposta inicial e o produto final. Nunca assumimos um r\u00f3tulo folk ou minimalista, s\u00e3o apenas dois entre muitos elementos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pitty: No final das contas, deixamos a coisa voar para o lado que nos desse vontade, descobrindo enquanto faz\u00edamos, a despeito da fagulha inicial que era esse lance mais ac\u00fastico apenas. O m\u00e9todo r\u00fastico da grava\u00e7\u00e3o d\u00e1 totalmente o tom do disco; \u00e9 poss\u00edvel sentir a atmosfera da casa, da madeira do piso e do teto, do ambiente de fora com vazamentos em geral j\u00e1 que n\u00e3o era um est\u00fadio acusticamente isolado. E isso a gente queria mesmo, o clima de uma casa com amigos reunidos respirando m\u00fasica e criando 24h por dia. Hoje n\u00e3o sei como classificar o som, mas acredito que a proposta seja desenvolver can\u00e7\u00f5es intimistas e explorar experimentalismos tendo o piano e viol\u00e3o como base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Podem contar um pouco sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o da dupla? Voc\u00ea tamb\u00e9m comp\u00f5e no piano, Pitty?<\/strong><br \/>\nMartin: Na verdade n\u00e3o existe um processo de composi\u00e7\u00e3o, simplesmente vamos acolhendo as ideias que aparecem. Algumas vezes um dos dois traz um esbo\u00e7o e vamos desenvolvendo juntos, noutras um vem com a can\u00e7\u00e3o j\u00e1 mais finalizada e o outro interfere no arranjo ou letra. Algumas m\u00fasicas foram compostas pelos dois a partir de improvisa\u00e7\u00f5es livres. A regra \u00e9 n\u00e3o ter regra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pitty: Tenho a mania de sempre fazer o texto primeiro, com calma, com tempo. No Agridoce foi interessante me ver arrancada dessa zona de conforto algumas vezes, quando t\u00ednhamos uma m\u00fasica pronta e Martin me incitava a fazer a letra ali, na hora. Eu dava uma surtada, ficava meio louca, achando imposs\u00edvel de acontecer; mas no final do dia acab\u00e1vamos tendo a tal can\u00e7\u00e3o finalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martin: Criar em parceria gera uma tens\u00e3o que pode trazer resultados muito legais, as estrofes de &#8220;Upside Down&#8221; s\u00e3o um exemplo disso. As inspira\u00e7\u00f5es para as letras s\u00e3o as mais variadas e apesar delas terem um tom biogr\u00e1fico n\u00e3o s\u00e3o necessariamente sobre experi\u00eancias reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pitty: Pra mim algumas s\u00e3o. N\u00e3o sei escrever de &#8220;fora&#8221;. E sim, eu me aventurei a compor no piano. \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pitty declarou que quando lan\u00e7ou seu primeiro CD queria sair do marasmo da \u00e9poca, com letras &#8220;nem um pouco fofas&#8221; e rejeitou lan\u00e7ar a balada &#8220;Equalize&#8221; como primeiro single, o que deu muito certo. Por\u00e9m, os tempos s\u00e3o outros, as r\u00e1dios t\u00eam-se oposto a tocar m\u00fasicas pesadas afirmando que n\u00e3o h\u00e1 um grande p\u00fablico para este tipo de som. Inclusive, no Rock in Rio, o grande momento da banda foi curiosamente durante as baladas. O que mudou em voc\u00ea como artista e o que acha que mudou para o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nPitty: Em mim n\u00e3o mudou muita coisa nesse sentido. Sempre acho que vale a pena experimentar a contram\u00e3o pra dar um sacode nas coisas, como tentei fazer no primeiro disco. Hoje em dia talvez nem tivesse rolado, o funil est\u00e1 cada vez mais estreito. E ao mesmo tempo, lan\u00e7ar um disco de can\u00e7\u00f5es agora n\u00e3o tem nada a ver com esse afunilamento. N\u00e3o quero fazer ou deixar de fazer nada movida por essa quest\u00e3o, a mola propulsora da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. N\u00e3o sei o que mudou exatamente para o p\u00fablico, exceto pelo fato de que quem gosta de som mais pesado permanece carente de emissoras apostando nesse segmento e corre por outros lados como a internet, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10170 aligncenter\" title=\"agridoce\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/agridoce.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/agridoceoficial\" target=\"_blank\">http:\/\/www.facebook.com\/agridoceoficial<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Renata Arruda (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/renata_arruda\" target=\"_blank\">@renata_arruda<\/a>) \u00e9 jornalista e colaboradora na empresa <a href=\"http:\/\/www.teialivre.com.br\/\" target=\"_blank\">Teia Livre<\/a> e na <a href=\"http:\/\/revistasnovitas.com.br\/\" target=\"_blank\">Revista Cultural Novitas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;No final das contas, deixamos a coisa voar para o lado que nos desse vontade&#8221;, conta Pitty em papo com o Scream &#038; Yell\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/16\/scream_yell_apresenta\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":27,"featured_media":42117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1700],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10169"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10169"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10169\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42118,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10169\/revisions\/42118"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}