{"id":10138,"date":"2011-10-15T16:40:22","date_gmt":"2011-10-15T19:40:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10138"},"modified":"2020-08-10T01:22:41","modified_gmt":"2020-08-10T04:22:41","slug":"bad-religion-punks-just-wanna-have-fun","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/15\/bad-religion-punks-just-wanna-have-fun\/","title":{"rendered":"Bad Religion ao vivo em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bareligion2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10139\" title=\"bareligion2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bareligion2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bareligion2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bareligion2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nFotos por <a href=\"http:\/\/www.stephansolon.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Stephan Solon<\/a><\/strong><strong> (Via Funchal)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Bad Religion \u00e9 praticamente o Iron Maiden do hardcore. Em comum, a forma\u00e7\u00e3o com tr\u00eas guitarristas \u2013 mais pela brodagem que pelo som \u2013, o s\u00e9quito de f\u00e3s incondicionais, os \u00e1lbuns mais recentes que ficam entre o correto e o insosso, e o fato de serem remanescentes de gera\u00e7\u00f5es que, musicalmente, j\u00e1 se extinguiram (a <em>New Wave of British heavy metal<\/em>, no caso do Iron, e a turma de primeira hora do punk californiano, no caso do sexteto de Los Angeles).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, mais que isso tudo, o que favorece a rela\u00e7\u00e3o entre as duas bandas \u00e9 o fato de n\u00e3o se levarem a s\u00e9rio: est\u00e3o no palco para divertir-se, dar ao seu p\u00fablico o que eles esperam, e depois seguir pra farra no pa\u00eds seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o 31 anos na estrada, e Greg Graffin pode continuar cantando \u201cI Want to Conquer the World\u201d, mas como ele mesmo reconhece nesta noite quente e chuvosa em S\u00e3o Paulo (13\/10) antes de engatar essa can\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e9 s\u00f3 nostalgia\u201d. No show de Buenos Aires, ocorrido menos de uma semana antes (8\/10), o mesmo Graffin anunciava entre uma can\u00e7\u00e3o e outra: \u201ccomo temos 30 anos, vamos tocar coisas do come\u00e7o, do per\u00edodo meio-cl\u00e1ssico e tamb\u00e9m algumas modernas de merda\u201d, segundo a reportagem de Federico Fashbender no site da Rolling Stone Argentina. E foi de fato um resumo justo do set list do show brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o guitarrista (e membro fundador) Brett Gurewitz nem sempre viaja com a banda, o Bad Religion que deu as caras no Via Funchal tinha apenas Brian Baker e Greg Hetson nas seis cordas, enquanto Jay Bentley e Brooks Wackerman cuidavam da cozinha. Como quinteto, soltaram uma \u201cThe Resist Stance\u201d (uma das poucas do \u00e1lbum mais recente, \u201cThe Dissent of Men\u201d, a figurar no set list) toda pesadona na abertura, e logo como terceiro tema, \u201c21st Century (Digital Boy)\u201d, hit de identifica\u00e7\u00e3o imediata at\u00e9 para n\u00e3o-f\u00e3s, puxando um coro intenso e um espocar constante de flashes de c\u00e2meras digitais (vai longe o tempo em que os f\u00e3s brasileiros da banda sa\u00edam a pogar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste in\u00edcio de show, j\u00e1 deu para ver que os m\u00fasicos estavam felizes: tudo mundo bem alimentado, saud\u00e1vel, as apar\u00eancias enganando as idades \u2013 que j\u00e1 beiram, em m\u00e9dia, os 50. Bentley segue brincando de rock star, com as poses e gestos de sempre (\u00e9 uma atra\u00e7\u00e3o \u00e0 parte); Graffin brinca com sua estampa mista de professor (o que realmente \u00e9: leciona Evolu\u00e7\u00e3o na Universidade de Cornell, em Nova York) e mestre-de-cerim\u00f4nias; Wackerman \u201cmetaliza\u201d a bateria. At\u00e9 Hetson, que por muito tempo parecia a forma decr\u00e9pita do Mumm-Ra, estava inteira\u00e7o e empolgado, correndo de um lado para outro no seu canto do palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso rende uma sincera agita\u00e7\u00e3o, e o repert\u00f3rio equilibra can\u00e7\u00f5es conhecidas o suficiente para agradar ao p\u00fablico (majoritariamente masculino e na faixa dos 30) sem deixar de lado aquelas que ningu\u00e9m vai se incomodar muito em perder para buscar uma cerveja ou dar um pulo no banheiro. Graffin sabe disso e aproveita os intervalos entre as can\u00e7\u00f5es para exercer seu lado entertainer: tira onda da fidelidade cega do p\u00fablico, anuncia a aposentadoria ap\u00f3s o fim da turn\u00ea (desmentida minutos depois), elogia o bairro paulistano dos Jardins antes de tocar \u201cAtomic Garden\u201d e cita Tom Jobim para falar de \u201ccan\u00e7\u00f5es que superam a barreira da l\u00edngua\u201d ao introduzir \u201cDo What You Want\u201d&#8230; Voc\u00ea n\u00e3o leu errado: o decano do punk californiano estava apaixonado pelos Jardins e pela m\u00fasica do falecido Antonio Carlos. \u00c9 s\u00e9rio! Mesmo o rep\u00f3rter mais imaginativo n\u00e3o conseguiria inventar este tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas s\u00e3o pistas claras de quem \u2013 ou melhor, do que \u2013 \u00e9 o Bad Religion de 2011: uma banda que n\u00e3o est\u00e1 propriamente no piloto autom\u00e1tico, mas que sabe que os dias de \u201cpunk combativo\u201d j\u00e1 ficaram para tr\u00e1s h\u00e1 muito tempo, mas tamb\u00e9m que querer inovar \u00e9 arriscado e, do ponto de vista pessoal, desnecess\u00e1rio. Aceitam essa situa\u00e7\u00e3o numa boa, e levam a vida adiante, como quem j\u00e1 deu o que tinha para dar e agora s\u00f3 quer curtir a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E todo mundo curtiu junto: ter um bis com \u201cAmerican Jesus\u201d e \u201cInfected\u201d nos faz lembrar \u2013 pelo menos para quem tinha o Bad como banda de cabeceira nos 17 anos \u2013 que a banda que p\u00f4s o punk rock nas r\u00e1dios e na MTV era a banda que, musicalmente, tinha muito mais que punk para dar. \u201cAmerican Jesus\u201d, aquela grande can\u00e7\u00e3o rock\u2019n\u2019roll que n\u00f3s, bobinhos, desdenh\u00e1vamos como \u201ccomercial\u201d, \u00e9 recebida com a justeza que merece \u2013 e podemos finalmente lavar nossos ouvidos de tanta vers\u00e3o ruim executada por bandinhas idem em bares por a\u00ed. E \u201cInfected\u201d, a melhor can\u00e7\u00e3o do Bad Religion, a \u00fanica que ligava o esp\u00edrito agressivo e inconformista da banda em sua primeira d\u00e9cada com o apuro musical que se insinuou \u2013 e nunca se desenvolveu tanto quanto se supunha \u2013 nos \u00e1lbuns \u201cRecipe for Hate\u201d  e \u201cStranger than Fiction\u201d. Ainda que ao vivo ele n\u00e3o tenha o abandono da vers\u00e3o de est\u00fadio, n\u00e3o d\u00e1 para passar inc\u00f3lume pelos versos do refr\u00e3o (\u201cyou and me \/ have a disease \/ you affect me \/ you infect me \/ I\u2019m afflicted, you\u2019re addicted\u201d) ou por seu clima de hemorragia emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m h\u00e1 que se louvar execu\u00e7\u00f5es irrepreens\u00edveis de can\u00e7\u00f5es t\u00e3o d\u00edspares quanto \u201cNo Control\u201d e \u201cLos Angeles Is Burning\u201d, a matadora seq\u00fc\u00eancia com \u201cAnesthesia\u201d, \u201cAlong the Way\u201d e \u201cFuck Armaggedon&#8230; This Is Hell\u201d, e a boa vontade no momento \u201cJulio de Sorocaba\u201d da noite, quando Graffin puxou um moleque da plat\u00e9ia para cantar (e bem) \u201cModern Man\u201d do come\u00e7o ao fim, ap\u00f3s o cidad\u00e3o segurar uma camiseta onde se lia \u201cplease let me sing modern man\u201d durante metade do show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 exatamente por isso (e porque uma cirurgia que sofri na coluna limita muito minha resist\u00eancia f\u00edsica) que vou embora aos primeiros acordes de \u201cSorrow\u201d. Porque a adolesc\u00eancia j\u00e1 tinha sido homenageada, e n\u00e3o precisamos estragar o momento com a lembran\u00e7a de que foi o Bad Religion quem lan\u00e7ou, ainda que involuntariamente, as bases pro \u201chardcore mel\u00f3dico\u201d e \u2013 horror! \u2013 pro \u201cemo\u201d. Porque sem Bad Religion n\u00e3o existira Millencollin, No Fun At All e todas as bandas da Epitaph.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o precis\u00e1vamos lembrar que o Bad virou uma caricatura de si mesmo, plagiando as bandas que eles mesmos influenciaram (o que \u00e9 \u201cCome Join Us\u201d sen\u00e3o o Pennywise num domingo de tarde?). Se \u00e9 para ter uma lembran\u00e7a do Bad ao vivo, que seja a deles se autoparodiando, come\u00e7ando o bis com um solo de bateria antes de \u201cAmerican Jesus\u201d ou executando \u201cGenerator\u201d como uma balada metal antes de explodir no hardcore. A ideologia morreu, a ret\u00f3rica fica nas letras e s\u00f3 sobra a divers\u00e3o. E no fundo, era isso que os f\u00e3s trint\u00f5es, barrigudos e cheios de cerveja queriam: duas horinhas nas quais pudessem escapar de uma rotina mediocrizante. \u00c9 o que as bandas poseur sempre se propuseram a dar. N\u00e3o que o Bad Religion seja poseur \u2013 j\u00e1 passaram da fase de discutir isso, e n\u00f3s tamb\u00e9m. \u00c9 s\u00f3 que, no fim,<em> punks<\/em> <em>just wanna have fun<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10140\" title=\"bad_religion1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bad_religion1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bad_religion1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/bad_religion1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nA ideologia morreu, a ret\u00f3rica fica nas letras e s\u00f3 sobra a divers\u00e3o. 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