{"id":10129,"date":"2011-10-15T15:34:13","date_gmt":"2011-10-15T18:34:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10129"},"modified":"2019-04-06T17:51:55","modified_gmt":"2019-04-06T20:51:55","slug":"show-eu-nao-to-nem-ai-pra-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/15\/show-eu-nao-to-nem-ai-pra-morte\/","title":{"rendered":"Show: &#8220;Eu N\u00e3o T\u00f4 Nem A\u00ed Pra Morte&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/eduguimaraes\/sets\/72157627858296982\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10130\" title=\"arnaldo2_edu\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/arnaldo2_edu.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/arnaldo2_edu.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/arnaldo2_edu-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><br \/>\nFotos por <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/eduguimaraes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Edu Guimar\u00e3es<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco do teatro do Sesc Belenzinho, um homem idoso (ou de melhor idade, como dizem os politicamente corretos) usando uma bata dourada e uma cal\u00e7a cinza toca um piano de cauda. \u00c0 sua volta, p\u00e9talas de flores est\u00e3o jogadas pelo ch\u00e3o, e atr\u00e1s de si um tel\u00e3o exibe sua imagem ao vivo, contraposta a pinturas de cores fortes e formas simples, de grande intensidade. Esse homem chama-se Arnaldo Dias Baptista, e \u00e9 quase um milagre que ele esteja vivo, em cima de um palco, sendo capaz de executar suas can\u00e7\u00f5es. Quando se considera que esta apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira que o cantor faz em pelo menos cinco anos \u00e9 natural entender porque a noite de 8 de outubro de 2011 ganha ares de celebra\u00e7\u00e3o quase \u00fanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao abrirem-se as cortinas, ap\u00f3s ser apresentado como um homem em defesa da eletricidade limpa \u2013 inten\u00e7\u00e3o confessa em \u201cI Don\u2019t Care\u201d, m\u00fasica que deve estar em seu novo disco, \u201cEsphera\u201d \u2013 e dos amplificadores valvulados, Arnaldo aparece sentado em um banco, \u00e0 frente do piano, sorrindo como um menino travesso para a plateia. Esse sorriso continuar\u00e1 em seu rosto durante toda a apresenta\u00e7\u00e3o, especialmente quando \u00e9 aplaudido por mais uma de suas traquinagens \u00e0 frente do instrumento. Elas n\u00e3o s\u00e3o poucas, diga-se de passagem: o estilo de Arnaldo ao tocar \u00e9 vigoroso, forte, explorando intensamente tanto as teclas mais agudas quanto as mais graves. Em alguns momentos do show, a emo\u00e7\u00e3o que ele transmite a seu instrumento \u00e9 t\u00e3o visceral que \u00e9 poss\u00edvel perceber at\u00e9 algumas notas a mais (que, entretanto, nunca soam fora de lugar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 costume, o show n\u00e3o tem um repert\u00f3rio definido previamente. Ali\u00e1s, talvez seja melhor dizer que o que se viu no Sesc Belenzinho nem chega exatamente a ser um show, assemelhando-se muito mais a um sarau. \u00c9 f\u00e1cil perceber que Arnaldo toca o que lhe d\u00e1 na telha, como num fluxo de consci\u00eancia ou numa inspira\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, gerando agrad\u00e1veis surpresas em boa parte da apresenta\u00e7\u00e3o. Parece at\u00e9 normal que Arnaldo cante Bob Dylan (\u201cBlowin\u2019 in the Wind\u201d) e Elton John (\u201cRocket Man\u201d, num dos pontos altos da noite, e a quase irreconhec\u00edvel \u201cSkyline Pigeon\u201d), influ\u00eancias confessas em seu trabalho. Mas o que dizer quando os dois veteranos do rock se unem a Bach, antigos boleros (\u201cPerfidia\u201d) e standards do jazz (\u201cStella by Starlight\u201d, j\u00e1 gravada por Frank Sinatra e Miles Davis)? Entretanto, ao mesmo tempo, tal liberdade tamb\u00e9m d\u00e1 espa\u00e7o para alguns momentos meio perdidos, desconexos do todo, como quando Baptista cede a algum improviso qualquer e gratuito no piano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, quando o compositor mostra suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, a apresenta\u00e7\u00e3o ganha contornos marcantes. Ao tocar \u201cAndo Meio Desligado\u201d e \u201cDesculpe Baby\u201d, a sensa\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 como se aquelas m\u00fasicas estivessem sendo nos apresentadas pela primeira vez \u2013 isso pra n\u00e3o dizer nada sobre o hino \u201cBalada do Louco\u201d, que por muito tempo foi o s\u00edmbolo maior da figura de Arnaldo. As can\u00e7\u00f5es de \u201cSingin\u2019 Alone\u201d, de 1982, gravado pouco antes do tr\u00e1gico acidente que aconteceu com o cantor \u2013 que caiu do 3\u00ba andar do Hospital do Servidor P\u00fablico, em S\u00e3o Paulo, em uma frustrada tentativa de fuga\/suic\u00eddio (n\u00e3o se sabe at\u00e9 hoje) \u2013 tamb\u00e9m exalam seu charme. Especialmente aquelas que t\u00eam um p\u00e9 no nonsense ou em uma inoc\u00eancia maliciosa, como \u201cCorta Jaca\u201d, \u201cSitting on the Road Side\u201d e uma vers\u00e3o em portugu\u00eas de \u201cTrain\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nada \u00e9 capaz de superar o arrepio que surge na espinha quando Arnaldo se dedica especificamente ao repert\u00f3rio do \u00e1lbum \u201cLoki\u201d, de 1974.  37 anos depois, \u00e9 de se admirar que Arnaldo n\u00e3o tenha ficado totalmente l\u00f3ki ou virado bolor. A pergunta de \u201cSer\u00e1 Que Eu Vou Virar Bolor?\u201d soa quase como um desafio petulante, enquanto o apelo pungente de \u201cTe Amo Podes Crer\u201d despeda\u00e7a qualquer cora\u00e7\u00e3o balan\u00e7ado na plateia enquanto a malandra \u201cC\u00ea T\u00e1 Pensando Que Eu Sou L\u00f3ki?\u201d \u2013 apresentada duas vezes: no in\u00edcio do espet\u00e1culo e no bis \u2013 despista os incautos que achavam que Arnaldo j\u00e1 n\u00e3o era mais aquele. A rea\u00e7\u00e3o da plateia \u00e9 \u00f3bvia: o teatro quase vem abaixo com essas can\u00e7\u00f5es, e o artista s\u00f3 n\u00e3o faz infinitos bis porque a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa \u2013 pedidos n\u00e3o faltaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil at\u00e9 saber o que pensar exatamente sobre essa apresenta\u00e7\u00e3o. S\u00f3 por suas circunst\u00e2ncias, ela j\u00e1 seria diferenciada.  O fato de ser Arnaldo Dias Baptista quem se coloca sob as luzes da ribalta intensifica isso ainda mais: a hist\u00f3ria desse menino levado da Pompeia soa improv\u00e1vel demais para ser verdade. (Para quem ainda n\u00e3o viu, vale a pena assistir ao document\u00e1rio \u201cL\u00f3ki\u201d, de Paulo Henrique Fontenelle, que conta bem essa trajet\u00f3ria). V\u00ea-lo em cena \u00e9 vivenciar um artista se reencontrando com sua arte, como uma crian\u00e7a que v\u00ea um brinquedo pela primeira vez e n\u00e3o quer deix\u00e1-lo de lado. Trata-se de uma d\u00e1diva da sobreviv\u00eancia, algo que merece ser contado para filhos e netos. Como se vivesse a letra de uma de suas can\u00e7\u00f5es, Arnaldo passou todos esses anos nem a\u00ed para a morte e conseguiu, como queria, decolar toda manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/eduguimaraes\/sets\/72157627858296982\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10131\" title=\"arnando_edu\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/arnando_edu.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Bruno Capelas \u00e9 estudante de jornalismo e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a><br \/>\n&#8211; Edu Guimar\u00e3es e fotojornalista. Veja mais fotos do show de Arnaldo Baptista <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/eduguimaraes\/sets\/72157627858296982\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cLoki\u201d \u00e9 daqueles filmes que deveriam ficar semanas e semanas em cartaz, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/10\/29\/mostra-sp-loki-arnaldo-baptista\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Cenas da Vida em S\u00e3o Paulo \u2013 O encontro, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/06\/19\/cenas-da-vida-em-sao-paulo-%e2%80%93-o-encontro\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Loki&#8221;, o disco, \u00e9 o maior tratado existencial do rock brasileiro, por Fernando Naporano (<a href=\"http:\/\/rateyourmusic.com\/lists\/list_view?list_id=133037&amp;show=50&amp;start=0\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas\n\u00c9 dif\u00edcil at\u00e9 saber o que pensar exatamente sobre essa apresenta\u00e7\u00e3o. S\u00f3 por suas circunst\u00e2ncias, ela j\u00e1 seria diferenciada. 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