{"id":10069,"date":"2011-10-11T09:03:15","date_gmt":"2011-10-11T12:03:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10069"},"modified":"2019-04-06T17:51:36","modified_gmt":"2019-04-06T20:51:36","slug":"sobre-o-tempo-tears-for-fears","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/11\/sobre-o-tempo-tears-for-fears\/","title":{"rendered":"Sobre o Tempo: Tears For Fears"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-10070\" title=\"tears1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/tears1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <\/strong><strong><\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><br \/>\n<strong> Fotos por Mila Maluhy (T4F)<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo \u00e9 uma coisa engra\u00e7ada \u2013 especialmente quando se trata de bandas de rock. Muitas delas passam uma carreira inteira tentando provar que ainda s\u00e3o jovens \u2013 mesmo quando seus integrantes j\u00e1 ostentam os cabelos mais que brancos. Outras simplesmente aceitam o fato de que est\u00e3o ficando experientes e barrigudas. Interessante, por\u00e9m, \u00e9 quando essas duas experi\u00eancias acontecem com a mesma banda, no espa\u00e7o de um \u00fanico show, ainda que uma sensa\u00e7\u00e3o prevale\u00e7a sobre a outra. Pois foi algo assim o que aconteceu no dia 06, no palco do Credicard Hall, durante a primeira passagem do Tears for Fears por S\u00e3o Paulo na mini-turn\u00ea que o duo ingl\u00eas faz pelo Brasil neste m\u00eas de outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo na entrada j\u00e1 era poss\u00edvel notar essa divis\u00e3o: uma boa parte da plat\u00e9ia era formada por respeit\u00e1veis senhores e senhoras, carentes de alguns fios de cabelos e de um pouco de nostalgia dos anos 80. Entretanto, uma fra\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel do p\u00fablico compunha-se de jovens na faixa entre os 15 e os 25 anos de idade, que conheceram a banda na esteira do sucesso do filme cult \u201cDonnie Darko\u201d, que inclu\u00eda \u201cHead Over Heels\u201d e uma cover de \u201cMad World\u201d em sua trilha sonora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com meia hora de atraso, \u00e0s 22h, e lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, o show come\u00e7ou em alta voltagem, destacando os hinos \u201cEverybody Wants to Rule the World\u201d e \u201cSowing the Seeds of Love\u201d (a primeira de 1985, a segunda de 1989). Na sequ\u00eancia, ao executar \u201cChange\u201d, do \u00e1lbum de estr\u00e9ia \u201cThe Hurting\u201d (1983), os primeiros efeitos dos cabelos brancos puderam ser sentidos: apesar da \u00f3bvia empolga\u00e7\u00e3o da plateia, o vocal de Curt Smith soava um pouco atrasado e descompassado com a m\u00fasica \u2013 algo que se repetiu outras vezes durante a apresenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, era poss\u00edvel sentir que sua voz j\u00e1 n\u00e3o era mais a mesma, n\u00e3o alcan\u00e7ando as costumeiras notas de outrora. Entretanto, sua presen\u00e7a de palco e a empolga\u00e7\u00e3o da banda em procurar fazer o melhor, apesar de algumas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, eram um bom sinal de que a noite n\u00e3o seria apenas um mero ca\u00e7a-n\u00edquel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro sinal de que aquela n\u00e3o era uma noite meramente nost\u00e1lgica foi a boa inser\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es \u201cmais recentes\u201d da banda dentro do setlist, como a dobradinha \u201cCall Me Mellow\u201d e \u201cEverybody Loves a Happy Ending\u201d, do \u00e1lbum \u201cEverybody Loves a Happy Ending\u201d, de 2005, ou a \u201capenas-gravada-ao-vivo\u201d \u201cFloating Down the River\u201d. As tr\u00eas can\u00e7\u00f5es, juntas, soaram como se os dezesseis anos que separaram \u201cEverybody Loves\u201d de \u201cThe Seeds of Love\u201d, \u00faltimo \u00e1lbum da banda enquanto dupla antes da separa\u00e7\u00e3o, mal tivessem passado. Ainda que n\u00e3o exatamente in\u00e9ditas, as novas m\u00fasicas soam mais atuais e coerentes do que boa parte do rock que se v\u00ea hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/t4fbr\/6219998169\/in\/photostream\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10071 aligncenter\" title=\"tears2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/tears2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/tears2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/tears2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas elas \u2013 e tamb\u00e9m \u201cClosest Thing to Heaven\u201d \u2013 t\u00eam em si aquela energia da \u201cpsicodelia de caixa de l\u00e1pis de cor\u201d sugerida em \u201cThe Seeds of Love\u201d, como se a banda tencionasse levar adiante a sonoridade dos \u00faltimos discos dos Beatles \u2013 e os primeiros da carreira solo de Paul McCartney. Al\u00e9m disso, vale ressaltar que as can\u00e7\u00f5es novas tamb\u00e9m se destacam pela concis\u00e3o, em contraposi\u00e7\u00e3o, por exemplo, ao exagero megaloman\u00edaco de \u201cThe Badman\u2019s Song\u201d, que com suas infinitas partes, deu a sensa\u00e7\u00e3o de durar um pouco mais do que deveria. Outro problema que atrapalhou o show em alguns momentos foram as falhas na equaliza\u00e7\u00e3o do som do Credicard Hall: o volume estava estourado e os m\u00e9dios chegavam distorcidos aos ouvintes em alguns lugares da plateia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, isso n\u00e3o foi problema para Roland Orzabal, para quem o tempo n\u00e3o passou: ele comandou a apresenta\u00e7\u00e3o, seja apresentando uma curiosa vers\u00e3o blues para \u201cBillie Jean\u201d (Michael Jackson), conversando com a plateia em franco portunhol ou mostrando ainda que \u00e9 capaz de chegar aos tons agudos de outrora. Pouco antes do bis, o guitarrista congelou o na sequ\u00eancia composta pelo semi-hit \u201cBreak It Down Again\u201d, de 1991, da fase p\u00f3s-separa\u00e7\u00e3o com Curt Smith, e \u201cHead Over Heels\u201d, cujos versos iniciais eram sintom\u00e1ticos ao explicar com alguma exatid\u00e3o o esp\u00edrito daquela noite para a maioria dos presentes: \u201cI want to be with you alone \/ And talk about the weather\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na volta para o bis, \u201cWoman in Chains\u201d foi a senha dada pela dupla para o Credicard Hall vir abaixo \u2013 nem a substitui\u00e7\u00e3o de Oleta Adams pelo vocalista Michael Winright, em uma perda dram\u00e1tica (mas n\u00e3o t\u00e9cnica) fez os presentes se importarem. Foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de tamanha intensidade que, logo em seguida, no in\u00edcio de \u201cShout\u201d, a sensa\u00e7\u00e3o era de anticl\u00edmax. Felizmente, ele foi sendo superado ao longo da can\u00e7\u00e3o, que culminou com uma explos\u00e3o em seu final, fazendo as 7 mil pessoas que lotavam o lugar berrar o refr\u00e3o sucesso em 1985, em uma manifesta\u00e7\u00e3o evidente de catarse.  Quem viveu a \u201cd\u00e9cada perdida\u201d pode, ao menos por alguns minutos, relembrar aqueles dias; quem nasceu depois dela, pode sentir um gostinho de como foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem ceder \u00e0 nostalgia barata, playbacks ou forma\u00e7\u00f5es duvidosas, como bandas (outrora) boas t\u00eam feito por a\u00ed, o Tears for Fears mostrou no Credicard Hall que, seguindo \u00e0 risca os versos que canta, ainda \u00e9 capaz de fazer finais felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/t4fbr\/6219997509\/in\/photostream\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10072 aligncenter\" title=\"tears3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/tears3.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Bruno Capelas \u00e9 estudante de jornalismo e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Tears for Fears ainda faz mais dois shows no Brasil nessa turn\u00ea: no dia 11, em Bras\u00edlia, no Centro de Conven\u00e7\u00f5es. J\u00e1 no dia 14, sexta, a banda retorna ao Credicard Hall. Mais informa\u00e7\u00f5es em <a href=\"http:\/\/www.ticketsforfun.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.ticketsforfun.com.br<\/a>. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas\nSem ceder \u00e0 nostalgia barata, playbacks ou forma\u00e7\u00f5es duvidosas, o Tears for Fears provou ainda ser capaz de finais felizes.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/11\/sobre-o-tempo-tears-for-fears\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10069"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10069"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51038,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10069\/revisions\/51038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}