{"id":10057,"date":"2011-10-11T08:30:01","date_gmt":"2011-10-11T11:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=10057"},"modified":"2017-08-01T09:43:58","modified_gmt":"2017-08-01T12:43:58","slug":"15-anos-de-morte-de-renato-russo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/11\/15-anos-de-morte-de-renato-russo\/","title":{"rendered":"20 anos de morte de Renato Russo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10058 aligncenter\" title=\"legiao1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/legiao1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"458\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/legiao1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/legiao1-300x229.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Ismael Machado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado no Scream &amp; Yell em 2011 em ocasi\u00e3o dos 15 anos da morte de Renato<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez por ter uma coluna de assuntos ligados ao universo pop no jornal em que trabalho e por ter escrito um livro sobre o rock paraense dos anos 80, sempre sou convidado a bate-papos sobre m\u00fasica e literatura pop. Na primeira semana de outubro, por exemplo, participei de mais uma dessas conversas, desta vez patrocinada pela Livraria Saraiva de Bel\u00e9m. Era sobre os 15 anos de morte de Renato Russo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi curioso, porque alguns dias antes fiquei lendo os coment\u00e1rios sobre o disco \u201cDois\u201d, resenhado de forma muito bacana aqui nesse espa\u00e7o pelo Tiago Agostini. E constatando o quanto h\u00e1 de paix\u00e3o \u2013 a favor e contra \u2013 quando se fala em Legi\u00e3o Urbana. A falta de contexto \u00e9 algo que se destaca \u2013 talvez seja porque muitos dos que comentam talvez n\u00e3o tivessem a idade de serem contempor\u00e2neos da banda no per\u00edodo em que seus primeiros discos foram lan\u00e7ados (segunda metade dos anos 80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falta, nas discuss\u00f5es, um pouco de contextualiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muito ran\u00e7o amargo (de algumas pessoas) sempre que Legi\u00e3o Urbana \u00e9 citada. A banda ficou sendo odiada por muitos por causa do p\u00fablico que possui. Algo semelhante ao que veio a acontecer com Los Hermanos tempos depois. Como se fosse um pecado imortal uma banda ser amada incondicionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico que apareceu no audit\u00f3rio da Livraria Saraiva era jovem, interessado e com perguntas e pondera\u00e7\u00f5es inteligentes. Lembrei, em determinado momento, de uma frase do mago da ind\u00fastria musical, Andr\u00e9 Midani. Ele costumava dizer que as gravadoras sonhavam encontrar outra Legi\u00e3o Urbana. Segundo ele, uma banda talentosa, que vendesse bem, sem ceder a caprichos modistas e com uma aura de honestidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muito tempo depois da morte de Russo, a Legi\u00e3o continuou sendo a terceira maior vendedora de discos da Emi Odeon no mundo inteiro. \u00c9 uma marca que impressiona, seja l\u00e1 qual o \u00e2ngulo que se queira olhar. Ou o fato de at\u00e9 hoje, \u2018H\u00e1 Tempos\u2019 ter batido o recorde de pedidos de execu\u00e7\u00f5es nas r\u00e1dios no dia do lan\u00e7amento. Ou mesmo de apenas Frank Sinatra e Michael Jackson terem ocupado tanto tempo no Jornal Nacional no dia da pr\u00f3pria morte como Renato Russo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o n\u00fameros, \u00edndices. Para muitos n\u00e3o representa algo a mais do que isso. Mas volto a falar de contextualiza\u00e7\u00e3o, com base em algumas cr\u00edticas que costumam ser associadas \u00e0 Legi\u00e3o Urbana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Critica-se a sonoridade da Legi\u00e3o Urbana. Vamos nos reportar \u00e0 \u00e9poca. De 1982 a 1984, quando a Legi\u00e3o lan\u00e7ou \u2018Ser\u00e1\u2019, o cen\u00e1rio pop brasileiro tinha algumas vertentes bem delineadas no saco de gatos que era aquele nascente rock 80. N\u00e3o cabem aqui an\u00e1lises sobre o punk paulista ou a vanguarda paulistana, movimentos mais undergrounds. Fiquemos no mainstream.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, esse cen\u00e1rio era recheado de bandas digamos \u2018praieiras\u2019, \u2018luminosas\u2019. Era a tal \u2018niueive\u2019, como ironizavam na \u00e9poca. Placa Luminosa, Herva Doce, R\u00e1dio Taxi, Grafitte, Absintho, Dr. Silvana, entre outras, disputavam espa\u00e7o com Blitz, Kid Abelha, Paralamas, Tit\u00e3s. Entre 1982 e 1984, as duas \u00fanicas bandas que efetivamente estavam razoavelmente no mainstream e fugiam da est\u00e9tica predominante de letras pueris, visual coloridinho e m\u00fasicas com batidas semelhantes eram Bar\u00e3o Vermelho e Camisa de V\u00eanus. Ambas lan\u00e7aram os primeiros discos em 1982. Bar\u00e3o era mais visceral que seus pares, muito pela influ\u00eancia stoneana e pelas letras de Cazuza. J\u00e1 o Camisa transformava musicas de bandas punks como The Jam e Buzzocks em suas (o que eram \u201cPassatempo\u201d e \u201cO Adventista\u201d?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que tanto Bar\u00e3o Vermelho quanto Camisa de V\u00eanus ressentiam-se de uma produ\u00e7\u00e3o mais adequada \u00e0s id\u00e9ias sonoras que possu\u00edam. Vale destacar que havia uma esp\u00e9cie de f\u00f3rmula para as m\u00fasicas. A bateria com uma sonoridade meio computadorizada, t\u00edpica da New Wave, o baixo quase sem for\u00e7a e uns solinhos de guitarra com mixagem baixa e sem pot\u00eancia alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o primeiro ponto a se destacar na Legi\u00e3o Urbana. Quando o ent\u00e3o quarteto lan\u00e7ou \u201cSer\u00e1\u201d, no final de 1984, a banda surpreendeu os desavisados. O som era \u2018cheio\u2019, a bateria mixada de forma que quase n\u00e3o se via no Brasil, e a m\u00fasica sem firulas de solinhos chochos. Era uma sonoridade compacta, que acertava em cheio. A letra da m\u00fasica tamb\u00e9m chamava a aten\u00e7\u00e3o. \u201cTire suas m\u00e3os de mim, eu n\u00e3o perten\u00e7o a voc\u00ea, n\u00e3o \u00e9 me dominando assim, que voc\u00ea vai me entender&#8230;\u201d. Pense no per\u00edodo. Era 1984, o \u00faltimo ano do regime militar. E Renato Russo habilmente jogava com a ambig\u00fcidade na letra. Poderia ser uma polar\u00f3ide instant\u00e2nea do momento pol\u00edtico, mas ao mesmo tempo era pessoal. Era \u00edntimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se via isso ent\u00e3o. Esse \u00e9 um fator important\u00edssimo para se entender o fasc\u00ednio da Legi\u00e3o. O primeiro disco vinha com a recomenda\u00e7\u00e3o: ou\u00e7a no volume m\u00e1ximo. N\u00e3o era uma figura de ret\u00f3rica. Nenhum disco lan\u00e7ado em 1985 tinha aquela qualidade de produ\u00e7\u00e3o. 1985 foi o ano de \u201cTelevis\u00e3o\u201d, dos Tit\u00e2s, um disco ainda indeciso. Foi o disco do primeiro do Ira!, \u201cMudan\u00e7a de Comportamento\u201d, talvez o \u00fanico \u00e1lbum que ombreasse com a Legi\u00e3o nesse quesito sonoridade. Mesmo o an\u00e1rquico \u201cN\u00f3s Vamos Invadir Sua Praia\u201d, do Ultraje a Rigor, perdia em pot\u00eancia na caixa de som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o primeiro disco, a Legi\u00e3o tamb\u00e9m ajudou a solapar as bandas fajutas e oportunistas e engra\u00e7adinhas que se proliferavam. Foi o disco que fez com que muita gente sonhasse em ter uma banda de rock. Pode-se tentar ignorar o que representou sonoramente \u201cGera\u00e7\u00e3o Coca-Cola\u201d, mas eis uma m\u00fasica que continha intensidade, agressividade, urg\u00eancia e uma letra que conseguia dar conta de um recado importante no per\u00edodo. Quando essa gera\u00e7\u00e3o 80 come\u00e7ou a tomar conta dos espa\u00e7os, seja na m\u00fasica, na literatura, nas artes pl\u00e1sticas ou no cinema, foi acusada de tudo o que n\u00e3o presta. Principalmente de alienada. \u00c9 necess\u00e1rio entender a \u00e9poca para analisar o que dizem as letras da Legi\u00e3o Urbana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1985 a Legi\u00e3o surgia como um saud\u00e1vel sopro de novidade no pop nacional. E \u00e9 importante mais uma vez analisar de forma contextualizada essa apari\u00e7\u00e3o. O rock brasileiro parecia fosco, pobre de argumentos e informa\u00e7\u00e3o. Renato, no entanto, tinha informa\u00e7\u00e3o. Inexperientes, poucas bandas sabiam se portar no palco. Com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o havia frontman que merecesse esse nome. Pois bem, a atitude de palco de Renato Russo foi impactante. Era diferente de tudo no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os que falam mal disso o acusam dele simplesmente copiar trejeitos de Morrissey, Jim Morrison, Ian Curtis e quem o detrator quiser escolher. Pois bem. Vejam os v\u00eddeos de Morrissey \u00e0 mesma \u00e9poca. Encontrem semelhan\u00e7as entre o Renato que cantava \u201cAinda \u00e9 Cedo\u201d, no Globo de Ouro, enrolando uma camisa branca de manga comprida, com o Morrissey enfiando um galho de planta na bunda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos temos influ\u00eancias. Acredito que o editor desse site, Marcelo Costa, deve ter se inspirado em muitas coisas de Ana Maria Bahiana e Andr\u00e9 Forastieri, para ficar em dois, antes de come\u00e7ar a arriscar as primeiras resenhas. E muitos dos rascunhos iniciais devem ter sido bem parecidos. Hoje ele tem um estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizem que a Legi\u00e3o era apenas xerox de influ\u00eancias. N\u00e3o se diz mais isso de Paralamas do Sucesso, por exemplo. Mas o que eram os primeiros discos da banda se n\u00e3o imita\u00e7\u00e3o pura de Police? S\u00f3 que isso n\u00e3o desmerece o fato de que, sob essa descarada e explicita influ\u00eancia, era \u00f3timo ouvir \u201c\u00d3culos\u201d, \u201cMeu Erro\u201d, etc&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a m\u00fasica pop foi constru\u00edda sob essa gama de influ\u00eancias. Chuck Berry foi surrupiado por Beach Boys, e o Bech Boys anos depois serviria de \u2018inspira\u00e7\u00e3o\u2019 para que o R.E.M. fizesse \u201cNear Wild Heaven\u201d. A lista de exemplos \u00e9 imensa, infinita talvez. O incensado Los Hermanos praticamente se apropria das id\u00e9ias e sonoridades de Rufus Wainwright. Ningu\u00e9m diz nada. E o que \u00e9 o primeiro disco dos endeusados Strokes? Algu\u00e9m mandou a fatura para Lou Reed, Pretenders, Iggy Pop, The Fall?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo disco da Legi\u00e3o Urbana \u00e9 o \u00e1lbum que apresenta algumas das mais memor\u00e1veis can\u00e7\u00f5es pop do Brasil. Fato. O problema \u00e9 que quem n\u00e3o gosta, n\u00e3o admite. Ora, n\u00e3o \u00e9 preciso gostar de Bossa Nova para perceber que Jo\u00e3o Gilberto e Tom Jobim s\u00e3o geniais e o quanto a m\u00fasica deles foi importante. Voc\u00ea pode n\u00e3o gostar de Beatles, por exemplo, mas isso n\u00e3o quer dizer que por isso deva desmerec\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem diga que as letras de Renato Russo s\u00e3o bregas, pobres. Est\u00e1 l\u00e1, nos coment\u00e1rios sobre o texto do Tiago Agostini. Bom, sejamos sinceros. Se isso: \u2018Preparei a minha tela \/ Com peda\u00e7os de len\u00e7\u00f3is que n\u00e3o chegamos a sujar \/ A arma\u00e7\u00e3o fiz com madeira \/ Da janela do seu quarto \/ Do port\u00e3o da sua casa \/ Fiz paleta e cavalete \/ E com l\u00e1grimas que n\u00e3o brincaram com voc\u00ea \/ Destilei \u00f3leo de linha\u00e7a \/ Da sua cama arranquei peda\u00e7os \/ Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes \/ E fiz, ent\u00e3o, pinc\u00e9is com seus cabelos \/ Fiz carv\u00e3o do batom que roubei de voc\u00ea \/ E com ele marquei dois pontos de fuga \/ E rabisquei meu horizonte&#8230;\u2019, fosse escrito em ingl\u00eas e cantado por Wilco, Radiohead, R.E.M., qual seria a avalia\u00e7\u00e3o? O mesmo se pode dizer de \u201cAndrea Doria\u201d, ou \u201cTempo Perdido\u201d&#8230; ou muitas outras can\u00e7\u00f5es desse mesmo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary Jr. (ex-Lorena Foi Embora e Terminal Guadalupe) \u00e9 leitor desse espa\u00e7o e foi meu amigo por pouco tempo no in\u00edcio dos anos 90. Come\u00e7amos no Jornalismo quase no mesmo per\u00edodo em Campo Grande (MS). N\u00e3o sei se ele lembra, mas houve uma festa em que s\u00f3 tocava vaner\u00e3o, um ritmo meio forr\u00f3 de ga\u00facho. E fic\u00e1vamos eu e ele perto do aparelho de som esperando uma brecha para tocar um pouco de Legi\u00e3o Urbana. Um grupinho se fechava ali para dan\u00e7ar ao som da banda, at\u00e9 que algu\u00e9m viesse e retomasse o vaner\u00e3o. Era um exemplo do que significava Legi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Legi\u00e3o Urbana \u00e9 sempre ridicularizada por muitos por se tratar de uma banda onde n\u00e3o havia m\u00fasicos virtuoses. Essa talvez seja uma das maiores bobagens que se pode dizer. Primeiro porque a maioria das pessoas que diz isso nem sabe identificar direito quantos acordes tem uma can\u00e7\u00e3o. Repetem isso como papagaios porque a pr\u00f3pria banda dizia isso de si pr\u00f3pria. Era o pr\u00f3prio Renato Russo que ironizava a aus\u00eancia de t\u00e9cnica do grupo. Ora, mas quantos acordes mesmo tem as m\u00fasicas de Lou Reed, Iggy Pop, Ramones, Camisa de V\u00eanus, as primeiras m\u00fasicas dos Beatles, Stones, Sex Pistols? Desde quando quantidade de acordes ou virtuosismo t\u00e9cnico de m\u00fasicos garante qualidade? Nesse sentido, as maiores bandas do mundo seriam o Toto, o Asia, o Boston, Europe&#8230; No Brasil, Herva Doce, Radio Taxi e Roupa Nova seriam a sant\u00edssima trindade musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final do livro \u201c31 Can\u00e7\u00f5es\u201d, Nick Hornby diz o seguinte a respeito de uma can\u00e7\u00e3o de Patti Smith. \u201cPor outro lado, a can\u00e7\u00e3o chamava-se \u2018Pissing in a River\u2019; foi tocada com guitarras, durou quatro ou cinco minutos e seu efeito emocional dependeu inteiramente dos acordes, do refr\u00e3o e da atitude. Em outras palavras, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o pop e como um monte de outras can\u00e7\u00f5es pops, \u00e9 capaz de praticamente qualquer coisa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Legi\u00e3o sabia fazer can\u00e7\u00f5es pop. Sabia traduzir em poucos acordes e poucos minutos (\u00e0s vezes nem t\u00e3o poucos assim) o que de relevante uma can\u00e7\u00e3o pop possui: sentimento, um certo olhar diante do mundo e uma maneira inusitada de expressar esse olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz Jos\u00e9 Em\u00edlio Rondeau, na orelha do livro \u201cComo se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3\u201d: \u201cA Legi\u00e3o Urbana poderia ter sido apenas uma banda de rock. Mas tornou-se bem mais que um grupo musical que mudou as regras de jogo ao impor sua assinatura, sua personalidade, suas convic\u00e7\u00f5es e sua \u00e9tica a uma ind\u00fastria fonogr\u00e1fica que apodrecia, a um pa\u00eds em transi\u00e7\u00e3o. Quando a m\u00fasica da banda demonstrou ser capaz de traduzir e espelhar a intrincada trama de emo\u00e7\u00f5es dos meninos e meninas que descobriam o mundo e a si pr\u00f3prios \u2013 e assim, passavam a se expor a todas as vicissitudes que isso implica, a Legi\u00e3o virou \u00edcone, f\u00e1bula\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 jequice ou ser \u2018boc\u00f3\u2019, como afirmam alguns, reproduzir o que disseram ou pensam pessoas cujo conhecimento e sensibilidade inspiram respeito. Jornalistas como Ana Maria Bahia e Jos\u00e9 Em\u00edlio Rondeau, por exemplo, sempre ensinaram, a partir da leitura de seus textos em diversas revistas, a analisar e refletir sobre a m\u00fasica que gosto ou mesmo a que n\u00e3o gosto. A humanidade \u00e9 feita de trocas de experi\u00eancias. Os que dizem pensar apenas por si pr\u00f3prios, sem influ\u00eancia de ningu\u00e9m, mentem. Para si ou para os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a experi\u00eancia de trocar id\u00e9ias com pessoas mais jovens do que eu, com meus quase 45 anos, sobre uma banda que fez parte da minha transi\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia para a idade adulta e perceber o quanto can\u00e7\u00f5es se tornam perenes, n\u00e3o por sua infantilidade, mas sim por sua relev\u00e2ncia, me fez concordar com o escritor Henrique Rodrigues, quando ele diz que uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 importante n\u00e3o quando as descobrimos, mas quando, por meio dela, tamb\u00e9m nos redescobrimos. \u201cQuem cresceu \u2013 e ainda est\u00e1 crescendo \u2013 ouvindo m\u00fasicas da Legi\u00e3o Urbana sabe do que estou falando\u201d, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assino embaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-10059 aligncenter\" title=\"legiao2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/legiao2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/legiao2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/legiao2-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ismael Machado \u00e9 rep\u00f3rter especial do Di\u00e1rio do Par\u00e1 e est\u00e1 lan\u00e7ando o livro \u201cSujando os Sapatos &#8211; O Caminho Di\u00e1rio da Reportagem\u201d. Saiba mais <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/\/blog\/2011\/08\/24\/tres-livros-bacanas-dois-em-promocao\/\">aqui<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Cl\u00e1ssicos do Rock Nacional: &#8220;Dois&#8221;, da Legi\u00e3o Urbana, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/24\/o-segundo-disco-da-legiao-urbana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; DVD \u201cLegi\u00e3o Urbana e Paralamas Juntos\u201d \u00e9 um retrato exemplar, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/27\/legiao-urbana-e-paralamas-juntos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; M\u00f4nica e Eduardo, uma an\u00e1lise comportamental, por Adolar Gangorra (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/traduzida.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Top 20 Melhores dos anos 90 Scream &amp; Yell: dois \u00e1lbuns da Legi\u00e3o Urbana na lista (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/top20nacional.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: Henrique Rodrigues, organizador do livro &#8220;Como Se N\u00e3o Houve Amanh\u00e3&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/11\/entrevista-henrique-rodrigues\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Mat\u00e9rias Antol\u00f3gicas: &#8220;Alfredinho&#8221;, o mission\u00e1rio que se vai, por Marcelo Rubens Paiva (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/alfredinho.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Legi\u00e3o Urbana sabia traduzir em poucos acordes e poucos minutos o que de relevante uma can\u00e7\u00e3o pop possui&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/11\/15-anos-de-morte-de-renato-russo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[166,165],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10057"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10057"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40601,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10057\/revisions\/40601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}