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	<title>SCREAM &#38; YELL 2.0</title>
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	<description>Março de 2010 - Ano X - Cultura Pop</description>
	<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 03:20:39 +0000</pubDate>
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		<title>Black Sabbath, U2 e Spiritualized</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 22:53:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
Os dois primeiros do Sabbath em versão remaster; o quarto disco do U2 em edição de luxo; e Spiritualized versão tarja preta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="size-full wp-image-4611 aligncenter" title="sabbath" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/sabbath.jpg" alt="" /><br />
<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Black Sabbath&#8221; e &#8220;Paranoid&#8221; Deluxe Edition, Black Sabbath</strong> (Universal)<br />
Lançados em 1970 (&#8221;Black Sabbath&#8221; em fevereiro e &#8220;Paranoid&#8221; em setembro), os dois primeiros álbuns clássicos do Sabbath retornam ao mercado em versões remasterizadas e ampliadas, com encarte caprichado, mas poucas novidades no quesito musical. Juntas, as duas edições (&#8221;Black Sabbath&#8221; em dois CDs, &#8220;Paranoid&#8221; em dois CDs mais um DVD) compilam sete versões instrumentais (&#8221;War Pigs&#8221;, você pode imaginar, é fodona), três outtakes curiosos, mas que não se diferenciam tanto das versões originais (como &#8220;Black Sabbath&#8221;, a música, sem as trovoadas no começo – ela também surge em versão instrumental) versões alternativas (a primeira parte de &#8220;Warning&#8221;, a introdução de &#8220;Sleeping Village&#8221;) e um b-side que entrou na versão americana do primeiro álbum, &#8220;Wicked World&#8221;. Os destaques são &#8220;Planet Caravan&#8221; (com Ozzy sem efeito na voz – ficou ótima) e, principalmente, &#8220;Paranoid&#8221;, as duas com letras diferentes. O DVD que acompanha o segundo álbum traz o mix quadrifônico de 1974. Os discos originais são nota 10. As Deluxe, 9,5.</p>
<p>Preço em média: &#8220;Black Sabbath&#8221; – R$ 70 (importado) / &#8220;Paranoid&#8221; – R$ 90 (importado)<br />
Nota: 9,5</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4612 aligncenter" title="unforgettable" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/unforgettable.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;The Unforgettable Fire –25th Anniversary Edition&#8221;, U2 </strong>(Universal)<br />
Em março de 1984, o U2 se alojou em um castelo para compor e gravar seu quarto disco. O sucesso repentino de “War” os transformou na bola da vez. Brian Eno e Daniel Lanois foram escolhidos para diluir o pós punk funcional dos primeiros álbuns e formatar a sonoridade U2, abstrata e etérea, que o mundo viria a celebrar. &#8220;Bad&#8221; é Top Ten da banda. Esta reedição traz um CD bônus com 16 faixas – b-sides (&#8221;Love Comes Tumbling&#8221;, &#8220;The Three Sunrises&#8221;), remixes (&#8221;Wire - Celtic Dub Mix” saiu numa compilação da NME) e números ao vivo além de sobras de estúdio (&#8221;Disappearing Act&#8221; e &#8220;Yoshino Blossom&#8221;) que são melhores que os últimos discos do quarteto –, um livreto e um envelope com fotos de Anton Corbijn, mas o destaque é o DVD, que junta clipes, faixas ao vivo (no Live Aid e na turnê da Anistia Internacional) e um documentário precioso das gravações, que flagra um Bono caipira, pretensioso e messiânico desafinando horrores, mas seguro de que o mundo seria seu. O disco original era nota 8. Essa reedição gringa, 10.</p>
<p>Preço em média: R$ 150 (Deluxe Edition acima importada) / R$ 50 (CD duplo nacional)<br />
Nota: 10</p>
<p><strong>Leia também</strong><br />
- Os três primeiros do U2 em versão deluxe, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2008/12/09/os-tres-primeiros-do-u2-em-versao-deluxe/" target="_self">aqui</a>)<br />
- U2 ao vivo em Los Angeles via Youtube, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2009/10/26/u2-ao-vivo-via-youtube/" target="_self">aqui</a>)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4613 aligncenter" title="spiritualized_ladies" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/spiritualized_ladies.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space Deluxe&#8221;, Spiritualized </strong>(Sony)<br />
Esta pequena obra prima chegou às lojas 13 anos atrás numa embalagem de remédio, com direito a bula, que receitava seu uso no tratamento do coração e da alma. O tempo passou, o remédio virou tarja preta, mas continua medicando corações frágeis. Jason Pierce tenta negar, em vão, mas a inspiração velada do álbum foi o fim de seu relacionamento com Kate Tadley, então tecladista da banda, que logo depois se casou secretamente com Richard Ashcroft. Pierce soa didático nesta reedição tripla (com a dosagem dividida em três tabletes de 60 minutos) ao juntar demos, takes experimentais e separar instrumentos para mostrar como construiu sua sinfonia de (des)amor. &#8220;Broken Heart&#8221;, por exemplo, era linda desde o primeiro rascunho. A faixa título surge agora em seu arranjo final, com acréscimo da citação lírica de &#8220;Can&#8217;t Help Falling In Love&#8221;, suprimida da versão do álbum original no último momento. Tem gente que se mata por amor. Outros fazem da dor algo dolorosamente belo. Jason Pierce faz parte do segundo grupo. Ainda bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Preço em média: R$ 150 (Tablet Edition com três CDs – importada)<br />
R$ 500 (Edição Limitada com doze mini CDs – importada) <a href="https://www.atpfestival.com/spiritualized.php" target="_blank">aqui</a><br />
Nota: 10</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também</strong><br />
<strong>-</strong> “Songs In A&amp;E”, Spiritualized, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2008/05/13/disco-da-semana-songs-in-ae-spiritualized/" target="_self">aqui</a>)<br />
- Spiritualized ao vivo em Benicassim, 2008, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2008/07/19/fib-2008-viernes/" target="_self">aqui</a>)</p>
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		<title>DVD: Adventureland, Greg Mottola</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/08/dvd-adventureland-greg-mottola/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 21:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Tiago Agostini</b>
James Brennan não teve muita sorte ao terminar o colégio. Após a formatura, viu seus planos de passar os três meses...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4601" title="adventureland" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/adventureland.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/tiagoagostini" target="_blank">Tiago Agostini</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">James Brennan não teve muita sorte ao terminar o colégio. Após a formatura, viu seus planos de passar os três meses do verão viajando pela Europa com o melhor amigo acabarem por causa de problemas financeiros do pai. Agora ele se vê obrigado a voltar para a cidadezinha natal do interior e procurar um trabalho temporário durante a estação, para guardar dinheiro e conseguir ir para a faculdade de jornalismo em Nova York. Metido a intelectual e sem nenhuma experiência anterior, o único emprego que Brennan consegue é no parque de diversões Adventureland. É la, entre carrosséis e jogos de tiro ao alvo, que ele vai aprender importantes lições sobre amizade e, principalmente, encontrar o primeiro amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma coisa a se saber sobre James Brennan: ele não tem o menor jeito com as mulheres e vê a si próprio como um poeta romântico, idealizando as situações e as mulheres ideais. Virgem, faz questão de contar este estado logo nas primeiras conversas com as meninas, ou de declarar que teve uma decepção amorosa recentemente e por isso não pode se envolver. Pura ingenuidade. É desta forma que ele vai se envolvendo aos poucos com Emily (Kristen Stewart), num inusitado triângulo amoroso com Connell (Ryan Reynolds).</p>
<p style="text-align: justify;">Connell, ironicamente, funciona como o guru de Brennan. Famoso pela lenda de que fez uma jam session com Lou Reed, o responsável pela manutenção do parque é venerado pelas meninas, com sua pinta de galã rebelde. É ele quem ensina as regras sobre primeiros encontros para Brennan e relembra os princípios básicos do verdadeiro macho: um caçador em meio à selva (por mais que isso possa dar errado). Afinal, casado, Connell não se furta a joguinhos de sedução e enganação de meninas mais novas.</p>
<p style="text-align: justify;">E, óbvio, há Emily, a adolescente rebelde com o segundo casamento do pai que encanta e apaixona a todos com seu jeito independente e seguro. As aparências enganam, porém. Apesar de externamente ela encarnar o mito de que as meninas amadurecem mais rápido que os meninos, no fundo Emily é uma menina assustada e com medo de se entregar a uma verdadeira paixão. Numa atuação primorosa, Kristen Stewart é capaz de roubar corações com este filme.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Adventureland&#8221; (que ganhou bizarro título &#8220;Férias Frustradas de Verão&#8221; no Brasil) pode parecer, mas não é apenas mais uma comédia adolescente norte-americana. Greg Mottola, diretor de &#8220;Superbad&#8221;, usa de sutilezas para contar a história, se valendo da ótima atuação do elenco – destaque para Jesse Eisenberg como Brennan e Kristen Stewart como Emily. No filme, olhares e essas pequenas sutilezas são mais importantes que grandes diálogos. È o silêncio quem dá o tom nos momentos cruciais. As inseguranças e inexperiências de Brennan são tratadas de forma sutil, conduzindo a história de forma leve e versando sobre o lento amadurecimento de um rapaz nos seus 17, 18 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ambientado em 1987, &#8220;Adventureland&#8221; se vale de uma trilha sonora tão diversificada quanto aqueles loucos anos 80. E é assim, entre um Lou Reed e um The Replacements, passando por The Outfield, que os personagens vão aprendendo mais sobre si mesmos e sobre o amor. Sem muito sucesso no circuito norte-americano, o filme foi lançado direto em DVD no Brasil. Uma pena. Se é verdade que formamos nosso caráter para o resto da vida no final da adolescência, &#8220;Adventureland&#8221; consegue captar este momento com maestria.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4602 aligncenter" title="adventureland_one" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/adventureland_one.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p>Tiago Agostini é jornalista e assina o blog <a href="http://baladadolouco.wordpress.com/" target="_blank">A Balada do Louco</a></p>
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		<title>Ana Carolina, Hendrix, Rogério Skylab</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/06/ana-carolina-jimi-hendrix-rogerio-skylab/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 01:45:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
Ana Carolina estrela comédia em playback; o baú infinito de Jimi Hendrix; e os clássicos de Rogério Skylab ao vivo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4589" title="ana_carolina" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/ana_carolina.jpg" alt="" width="257" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Multishow Registro Ana Car9lina + Um”, Ana Carolina </strong>(Sony Music)<br />
Para festejar dez anos de carreira, Ana Carolina decidiu fugir do formato comum de gravação de DVD e inovar lançando o que pode ser o primeiro registro de uma nova era: o Playback de Motel. Para tanto, a produção alugou um enorme casarão encravado no Alto da Boa Vista, no Rio (que tem até um lago artificial no meio), convocou figurantes, recheou o ambiente de luzes vermelhas, abajures e arranjos miquelinos e convidou um time luxuoso da MPB para cantar ao entardecer da Guanabara. Ana Carolina e Maria Bethania trocam olhares cúmplices debaixo de uma árvore frondosa enquanto salivam versos libidinosos como “E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer. Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio, não vou esquecer”. Nem nós. O clipe seguinte é uma pérola. Ana Carolina se declara, briga e faz as pazes com a câmera enquanto canta “10 Minutos”. Ângela Rô Rô é a próxima, e chega para cantar com Ana uma letra que diz: “E eu gosto de homens e mulheres. E você, o que prefere?”. Seu Jorge, Roberta Sá, Luiz Melodia, Gilberto Gil, Maria Gadú e Zizi Possi também marcam presença. Na hora de comprar, se você não achar na estante de Música de sua loja preferida, procure em Comédia. Pode estar ali.</p>
<p>Preço em média: R$ 45<br />
Nota: -1</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4590 aligncenter" title="jimi_hendrix" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/jimi_hendrix.jpg" alt="" width="263" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Feed-Back”, Jimi Hendrix </strong>(Video Brokers)<br />
James Marshall Hendrix viveu apenas 27 anos, mas seu arquivo musical parece infinito. Todo ano alguma novidade do mítico guitarrista chega às lojas, a maioria requentando material conhecido. O documentário &#8220;Feedback&#8221; é o lançamento da vez. O diretor Mike Parkinson colheu opiniões de, entre outros, Ed Chaplin (primeiro empresário a conseguir um contrato para Jimi), Gerry Stickells (tour manager) e Melinda Meriweather (uma ex-namorada), que discutem a personalidade do guitarrista, sua mudança para a Inglaterra, questões jurídicas, sua música, drogas e mais. Grande parte das imagens ao vivo foram retiradas do filme &#8220;Rainbow Bridge&#8221;, de Chuck Wein, que registra um show gratuito ao ar livre do Jimi Hendrix Experience em março de 1970. Um CD bônus traz 15 números interessantes, 10 deles com um Hendrix iniciante acompanhando o saxofonista Lonnie Youngblood em gravações que datam de 1965/1966. Há ainda dois registros barulhentos com o Experience e três com a banda de Little Richard (entre estes últimos, versões para “Long Tall Sally” e “Lucille”). Está há anos luz da genialidade de “Are You Experienced“ e “Eletric Ladyland”, mas serve para saciar a fome dos fãs e impressionar curiosos.</p>
<p>Preço em média: R$ 45<br />
Nota: 6</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4591 aligncenter" title="skylab_9" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/skylab_9.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Skylab IX”, Rogério Skylab</strong> (Independente)<br />
“Ele é uma pessoa muito inteligente e ao mesmo tempo muito louca”, diz uma fã. Um rapaz, abraçado a namorada, confessa: “Ela não queria vir. Ela tem medo”. Se o politicamente incorreto tivesse um nome ele iria se chamar Rogério Skylab. O mago do cancioneiro psicótico nacional – que já brindou com canções “proibidas” pessoas ilustres como Chico Xavier, Roberto Carlos, Glória Maria, Fátima Bernardes, Mario Covas e Ana Maria Braga – chega enfim ao seu primeiro DVD. Gravado ao vivo no Centro Cultural São Paulo em setembro de 2008, Skylab IX compila em 30 músicas (cinco delas inéditas) o supra-sumo da carreira deste poeta marginal amado pela platéia do Jô Soares. Está tudo aqui em imagens cruas e sem efeitos. Da pregação anti-religiosa de “O Convento das Carmelitas” passando pela hilária indigestão de “Carrocinha de Cachorro Quente” (com intensa participação do público), pelo recado ao cenário independente “Você Vai Continuar Fazendo Música?” até o manifesto apaixonado de “Motosserra” e a canção número 1 da lista negra do IBAMA: “Matador de Passarinhos”. Maurício Pereira (Os Mulheres Negras) faz um dueto desajeitado em “O Mundo Tá Sempre Girando”, Marcelo Birck (Graforréia Xilarmônica) toca guitarra em “Samba de Uma Só Nota ao Contrário” e Lois Lancaster (Zumbi do Mato) canta “Samba”. Nos extras, dois clipes mais um making of do show com declarações de estudantes, jovens atores, funcionários públicos, malucos de plantão e um professor universitário. Para derramar lágrimas de sangue.</p>
<p>Preço em média: R$ 35 (frete incluso <a href="http://www.rogerioskylab.com.br/comprar09.htm">aqui</a>)<br />
Nota: 8</p>
<p><strong>Leia também</strong><br />
- “Skylab VII”, de Rogério Skylab, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2007/10/24/500-toques-rogerio-skylab-gardenais-e-itinerante-magazine/">aqui</a>)</p>
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		<item>
		<title>Cinema: Educação, de Lone Scherfig</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/05/cinema-educacao-de-lone-scherfig/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 22:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
O filme britânico da temporada tinha tudo para dar certo, mas o roteiro (alô, Nick Hornby) é moralista e repleto de clichês.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4577" title="educacao" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/educacao.jpg" alt="" width="233" height="350" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Londres, anos 60. Jenny tem 16 anos, estuda em um reformatório e é apaixonada por arte, música francesa e cigarros, mas sua rotina em casa é totalmente diferente daquilo que ela sonha e gosta. Ela precisa estudar muito para conseguir entrar em Oxford, plano traçado milimetricamente pelo pai, que não dá sossego para a menina. Então surge um cara boa pinta, muito mais velho e malandro, que tira a princesinha do caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Segura de si, agora que encontrou o amor e descobriu a vida, Jenny distribui sabedorias para professores, compra presentes para as amigas e passa a perna na família para viver um conto de fada com seu eleito, mas eu, você e Lynn Barber sabemos que contos de fada não existem, então derrame-se obviedades e lições de moral para adolescentes. Clichê e óbvio, &#8220;Educação&#8221; (&#8221;An Education&#8221;) é uma grande decepção.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme britânico da temporada tinha tudo para dar certo. Lone Scherfig, a diretora, já havia mostrado dom para a coisa no ótimo &#8220;Italiano para Principiantes&#8221; (2000). A jovem Carey Mulligan arrebatou indicações (merecidas) em diversas premiações, inclusive no Oscar, por sua atuação como Jenny. As atuações secundárias são boas (Peter Sarsgaard e Alfred Molina se destacam), mas nada salva o filme de seu roteiro moralista.</p>
<p style="text-align: justify;">Adaptado do livro de memórias da jornalista Lynn Barber, &#8220;Educação&#8221; abusa do direito de ser óbvio. Cada cena que surge faz o espectador desenhar a próxima, pois nada no filme é novo. Jenny é inocente e sonhadora. David é esperto e malandro. As cartas estão na mesa. O moralismo impera. É possível ouvir anjinhos soprarem os ouvidos: &#8220;Não engane seus pais. Não desista dos seus sonhos. Você não sabe nada da vida&#8230;&#8221;. Zzzzzzzzzzzzzzz</p>
<p style="text-align: justify;">Nick Hornby é um ótimo frasista, e colabora para o filme com boas tiradas, mas seu roteiro é correto demais (indicação ao Oscar não significa qualidade). Era de esperar. Hornby adora finais felizes, vide &#8220;Alta Fidelidade&#8221;, &#8220;Um Grande Garoto&#8221; e até &#8220;Uma Grande Queda&#8221;, cujo ponto de partida é o encontro de seis suicidas no alto de um prédio na noite de réveillon. Mesmo ali, Hornby mostra que no fim tudo acaba bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seus livros, o escritor britânico consegue criar um universo cínico que justifica a felicidade aparente (ou você acredita realmente que Rob Fleming nunca mais vai pisar na bola com Laura?), e esse cinismo faz falta em &#8220;Educação&#8221;. O roteiro cria situações à procura de soluções, e das que se apresentam escolhe a mais óbvia. Alguém pode dizer: &#8220;Aconteceu assim. É uma biografia&#8221;, mas qual a graça da vida quando ela imita a vida?</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Educação&#8221; foi feito para encantar adolescentes assim como Jenny ficou encantada com David – numa falsa premissa de qualidade de ambos. O roteiro retrata bem esta fase em que o jovem não é dono do seu nariz, apronta pelas costas dos pais e sonha em conquistar o mundo – e tropeça, e levanta, mas, no fim, a história de Lynn Barber moraliza a juventude como mãe contando causos para o filho: ele vai rir, chorar e terminar o relato cheio de lições de moral para a vida. Pra que cinema, né mesmo.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-4578 aligncenter" title="educacao_2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/educacao_2.jpg" alt="" /><br />
<strong>Leia também:</strong><br />
- O intimismo e a simplicidade de &#8220;Italiano para Principiantes&#8221;, por Marcelo Costa (<a href="http://www.screamyell.com.br/cinema/italianoparaprincipiantes.html" target="_blank">aqui</a>)<br />
- &#8220;Como Ser Legal&#8221; é literatura simples que faz pensar, por Marcelo Costa (<a href="http://www.screamyell.com.br/literatura/comoserlegal.htm" target="_blank">aqui</a>)</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Música: End Times, Eels</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/04/musica-end-times-eels/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2010/03/04/musica-end-times-eels/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 22:49:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Adriano Mello Costa</b>
Histórias tristes de um cidadão de meia idade que se vê perdido enquanto busca encontrar seu lugar no mundo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4565" title="eels_end" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/eels_end.jpg" alt="" width="300" height="300" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://coisapop.blogspot.com/" target="_blank">Adriano Mello Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mark Oliver Everett já passou por poucas e boas na vida. Perdeu familiares e amigos vitimados com doenças e outras desgraças. O sentimento por trás dessas perdas sempre nutriu diretamente o Eels, grupo do músico, que na verdade funciona em torno da sua figura. Depois de um hiato de quatro anos, E. (como também é chamado) retornou com um ótimo disco no ano passado, “Hombre Lobo: 12 Songs Of Desire”, no qual utilizava um personagem para descarregar suas emoções.</p>
<p style="text-align: justify;">Pouco mais de seis meses depois, agora no comecinho de 2010, Everett aparece com mais um álbum do Eels. “End Times” lançado pela Vagrant Records, é um disco triste, extremamente triste e sem esperança. Utilizando suas próprias visões nas canções, Mark Everett imprime - com marca forte - letras sobre perdas, desilusões e carência. Em “End Times”, o Eels mostra a face de um cidadão de meia idade que se vê um pouco perdido enquanto busca encontrar seu lugar no mundo e conviver com suas falhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a gravação do disco, o músico se enfurnou dentro de um porão e elaborou as 14 canções que passam na maioria em níveis mínimos e com poucos instrumentos. Já na abertura, com “The Beginning”, o clima do disco se apresenta. Aparecem os versos &#8220;tudo foi lindo e livre” e, na seqüência, um “no princípio” designa o que virá: tristeza. É o fim dos tempos. Na canção titulo, ele faz uma espécie de depoimento: “Eu ando em torno de uma poça na rua (&#8230;) eu não sinto nada agora, nem mesmo o medo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Nowadays”, com violões que a tornam mais acessível, além de uma bonita harmônica, Mark Everett canta como um antigo trovador solitário: “Hoje em dia quando você for para uma caminhada, melhor não parar e dizer olá”. Decepção, isolamento e receio batem com força na porta. Na emotiva “I Need A Mother”, a carência afetiva por um amor perdido encontra paralelo com o amor de mãe: “Eu preciso de uma mãe (&#8230;), eu preciso de uma amante, não alguém como você”.</p>
<p style="text-align: justify;">A poesia meio suja de “In My Younger Days”, o ritmo mais cru de “Paradise Blues” e a contemplativa “Little Bird” são outros bons momentos de “End Times”, talvez o disco mais difícil da carreira do Eels (e olha que isso não é nada fácil). Nem tanto por sua construção sonora e sim pela sua visão pessimista e derrotada do mundo em que vivemos. Pode-se até discordar de alguns pontos das letras de Mark Everett, e abusar do positivismo como guia, mas mesmo assim é um disco que faz pensar.</p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p style="text-align: justify;">Adriano Mello assina o blog <a href="http://coisapop.blogspot.com/" target="_blank">Coisa Pop</a>.</p>
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		<title>Rock Raro: Arzachel</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/04/rock-raro-arzachel/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 22:31:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Wagner Xavier</b>
Entre 1966 a 1969, o movimento psicodélico vivia seu período áureo e diversos músicos aproveitavam a efervescência cultural...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4557" title="arzaquel" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/arzaquel.jpg" alt="" width="294" height="294" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="mailto:wagner2505@yahoo.com.br" target="_blank">Wagner Xavier</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Entre 1966 a 1969, o movimento psicodélico vivia seu período áureo e diversos músicos aproveitavam a efervescência cultural da época para criarem projetos audaciosos e irreverentes que se tornaram ao longo do tempo obras relevantes e originais. Um nome que se destacou neste período foi o de Steve Hillage, que fez história com o Gong anos depois, mas que já em 1969 montou o Arzachel ao lado de Dave Stewart.</p>
<p style="text-align: justify;">Surgido das cinzas do grupo Uriel, o Arzachel lançou seu primeiro álbum em 1969, um disco de rock progressivo com pitadas psicodélicas muito bem executadas. Todos os integrantes da banda usaram codinome para a gravação. Simon Sasparella e Steve Hillage (guitarra e vocais); Njerogi Gategaka e Mont Campbell (baixo e voz); Basil Dowling e Clive Brooks (bateria); Sam Lee-Uff  é Dave Stewart (orgão).</p>
<p style="text-align: justify;">“Arzachel” é um disco muito climático, francamente progressivo com destaque para o orgão de Sam Lee-Uff.  Começa com “Garden of Earthly Delights”, uma canção típica do período psicodélico. Influências marcantes de Move e do Pink Floyd fase Sid Barret junto a uma boa dose de criatividade e talento fazem com que o álbum se destaque entre os grandes da época.</p>
<p style="text-align: justify;">“Azathoth”, a segunda música, tem uma introdução próxima da musica clássica. Um órgão que se espalha de forma bastante interessante pela canção seguido de uma melodia quase bíblica mostra a versatilidade do Arzachel. Muito provavelmente idéias musicais de Hillage, aqui disfarçado de Simeon Sasparella.<br />
“Queen St. Gang”, a terceira faixa, é um bonito número instrumental caracterizado por uma melodia bem gostosa, principalmente pelo acompanhamento do orgão. O lado A do vinil ainda traz “Leg”, um poderoso do blues executado com levada pesada e totalmente psicodélica.</p>
<p style="text-align: justify;">O lado B é ótimo, apenas duas canções de tirar o fôlego, onde os caras simplesmente detonam. Os dez minutos de “Clean Innocent Fun” exibem toda a força musical e criativa do quarteto. Psicodelismo, hard rock e progressivo se misturam numa introdução simplesmente fantástica. O trabalho das guitarras já mostra o quão bom era Steve Hillage, que faria muito sucesso nos anos seguintes com seus projetos paralelos.</p>
<p style="text-align: justify;">Com 16 minutos de duração, “Metempsychosis”, a sexta é última música, lembra bastante algumas passagens de “Interestelar Overdrive”, canção do primeiro álbum do Pink Floyd, e fecha o único disco do Arzachel. Steve Hillage e Dave Stewart se juntariam mais tarde na banda Khan e gravariam ainda mais um excepcional disco de progressivo na década de 1970.</p>
<p style="text-align: justify;">“Arzachel” foi relançando em 2002 pela Akarma Records. Um detalhe curioso pode ser encontrado no encarte, que além da apresentação de cada músico da banda, traz informações, como por exemplo, sobre o time que o baterista torce (no caso, Totthemham), crenças sobre como a musica pode influenciar no desempenho sexual ou ainda falar sobre as qualidades pessoais de cada um dos instrumentistas. Definitivamente, um rock raro.</p>
<p style="text-align: justify;">********</p>
<p style="text-align: justify;">Wagner Xavier assina a coluna <a href="http://www.screamyell.com.br/secoes/rockraro.html" target="_self">Rock Raro</a> no Scream &amp; Yell. Veja outras raridades <a href="http://www.screamyell.com.br/secoes/rockraro.html">aqui</a></p>
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		<title>Cine: O Mensageiro, Oren Moverman</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/04/cinema-o-mensageiro-oren-moverman/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 21:48:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Roberta Ávila</b>
Eis um filme de guerra um pouco diferente. Enquanto boa parte dos longas foca-se na guerra, Oren retrata a rotina de quem volta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4545" title="mensageiro" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/mensageiro.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por Roberta Ávila</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“O Mensageiro” é um filme de guerra um pouco diferente. Enquanto a maior parte dos filmes concentra-se na guerra em si, fazendo das barbaridades que acontecem durante o combate os motivos de sensibilização contra os confrontos armados, o filme do diretor Oren Moverman retrata a rotina de um soldado que acaba de voltar da guerra do Iraque, consagrado como herói.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se engane. O objetivo aqui ainda é mostrar o lado feio da guerra, porém, Moverman deixa mutilações, mortes, e perda física de lado e concentra-se na mutilação moral e emocional que a guerra causa no soldado, um foco que também não é novidade no cinema (você já viu isso de relance na dobradinha de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima e, de forma distanciada e por vezes cômica em “Forrest Gump”), mas funciona bem “O Mensageiro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ben Foster foi uma escolha interessante para o papel do sargento Will.  Foster não é um incrivelmente bonito nem tem um rosto marcante. No começo do filme, sua expressão é sarcástica, debochada e essa soma de fatores faz com que ele seja perfeito para ser só mais um soldado que voltou da guerra. Com o desenrolar da história, conforme Will vai se abrindo, o personagem ganha empatia, mas é difícil estar ao lado de Woody Harrelson sem ser ofuscado.</p>
<p style="text-align: justify;">A imagem que muitas pessoas guardam de Woody Harrelson advêm de filmes em que a violência ocupa um papel central – como “Assassinos por Natureza” e “Onde os Fracos Não Têm Vez” – e isso já garante de antemão uma presença selvagem no inconsciente.  Em “O Mensageiro”, Harrelson é o capitão Tony, encarregado de coordenar e acompanhar o sargento Will em seu novo trabalho no exército: comunicar às famílias a morte de um ente querido no campo de batalha.</p>
<p style="text-align: justify;">A edição lenta e despretensiosa facilita a absorção do roteiro, que expõe as seqüelas da guerra e o tratamento do exército norte-americano para com as pessoas que entregam a vida em suas mãos. Como o capitão Tony declara em certo momento, se um soldado cai numa vala, o exército comunica a seus familiares que ele morreu em combate, sempre buscando atribuir sentido a uma coisa que não tem explicação.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, como explicar o sentido das coisas para Will: seu pai morreu, sua mãe é louca. A namorada, que estava com ele desde a adolescência, o trocou por outro cara quando ele foi enviado para a guerra, e agora que ele está de volta, ela vai se casar. Will voltou para quê? Para quem? Para uma vida que não é mais dele, cheio de lembranças e mesmo de conhecimento que fazem ainda mais difícil com que ele se encaixe.</p>
<p style="text-align: justify;">Entra em cena Olivia (Samantha Morton), uma das mulheres que Will e Tony precisam comunicar o falecimento de seu marido. Diferente das outras pessoas, Olivia não reage com violência nem demonstra dor aguda. Ela fica desorientada, mas age como se já soubesse que um dia iria acontecer. Mais tarde ela revela que cada vez que seu marido voltava do front estava mais diferente do homem com quem ela se casara. Ele já não era um bom marido, nem mesmo bom pai. Era um estranho que ela não amava, mas  a morte faz com que ela passe a amá-lo de novo. Mas ele está morto.</p>
<p style="text-align: justify;">De alguma forma, é essa questão da lógica que divide o filme. Qual o sentido de se enviar rapazes de 18 anos para “libertar” o Iraque? Qual o sentido para que eles morram lá? Qual o sentido na volta para casa, com a morte do inimigo no âmago por um ideal nebuloso? Como tocar a vida adiante depois de conviver com perdas tantas irreparáveis, explosões, bombas, armas, mortes, atentados? Qual o sentido de tudo isso?</p>
<p style="text-align: justify;">No fim das contas, Will parece encontrar nos dilemas de Olivia e no luto da moça um cais tranqüilo em que ele consegue vislumbrar um recomeço. Não, não é um final feliz, mas existe a promessa de que um final feliz pode existir e a mensagem de que a esperança – apesar da dor e do pavor – não morre com a guerra.</p>
<p>*******</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4546 aligncenter" title="mensageiro_605" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/mensageiro_605.jpg" alt="" /></p>
<p>Roberta Ávila é jornalista e assina o blog <a href="http://ficcoesdaminhavida.blogspot.com/" target="_blank">Ficções da minha vida</a></p>
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		<title>Jorge Ben Jor comanda micareta em SP</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/03/01/jorge-ben-jor-comanda-micareta-em-sp/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 02:46:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Tiago Agostini</b>
A plateia lotada do Credicard Hall pula, samba, agita, maravilhada. É festa fácil. <br />Mas parece que falta alguma coisa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4574" title="jorge_e_as_mulheres" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/jorge_e_as_mulheres.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/tiagoagostini">Tiago Agostini</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Jorge Ben Jor é um dos três grandes gênios da música brasileira – coloque na conta Chico Buarque e Caetano Veloso. Isso é fato. Com o lançamento, no final de 2009, da caixa Salve Jorge, com seus discos lançados entre 1963 e 1976 na Philips (hoje Universal), ele vive agora mais um de seus momentos de prestígio e boa exposição. Tem sido assim mais ou menos durante toda a carreira, momentos de esquecimento intercalados com o sucesso, até porque Jorge é um artista muito mais discreto do que boa parte dos seus companheiros de geração. Mas, como tem a mão perfeita para refrões balançantes e simples, volta e meia crava um sucesso desses que você decora a letra sem nem perceber.</p>
<p style="text-align: justify;">É desses hits fáceis que o repertório de duas horas de show no Credicard Hall foi feito. Logo de cara, Jorge já lança mão de “Mas Que Nada” e “Chove Chuva”, em um dos muitos pout-pourris que marcam o show, sem medo de ser feliz. Com o público ganho e na mão – como se isso já não estivesse claro nos corredores antes do primeiro acorde soar – ele vai desfilando clássicos como “A Banda do Zé Pretinho”, “Os Alquimistas Estão Chegando”, “W/Brasil”, “País Tropical”, “Por Causa de Você Menina”, “Zumbi” e tantos outros. A plateia lotada pula, samba, agita, maravilhada com a apresentação da mão direita mais abençoada da música brasileira. É festa fácil. Mas parece que falta alguma coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira sensação que se tem no show do mestre é que Jorge merecia uma banda melhor para lhe acompanhar. A cozinha da Banda do Zé Pretinho não passa nem perto de ter o “punch” necessário e o teclado é repetitivo e sem inspiração – um midi no lugar não faria feio. Talvez se Jorge fizesse como Caetano e recrutasse jovens talentos da nova geração a apresentação ficasse mais vibrante – apesar que o homem da gravata florida não precisa se renovar ou reinventar sua carreira, como fez Caetano ao recrutar a Banda Cê. É só uma questão de sonoridade, mesmo. O balanço e o suingue de Jorge nunca saem de moda.</p>
<p style="text-align: justify;">O segundo grande problema do show: a obsessão de Jorge por pout-pourris. Ok, o repertório é enorme, poderia render um show de três horas fácil, todo mundo quer ouvir suas músicas favoritas e fazendo a união de duas ou mais músicas você acaba agradando mais gente. Contudo, enfileirando estrofes diferentes a cada minuto, Jorge acaba tirando as particularidades de cada música, igualando todas ao mesmo patamar e arranjo, transformando o show meio que em um lugar comum. De repente, você sente que há 20 minutos está ouvindo a mesma coisa, a mesma canção, e ir até o bar pegar uma cerveja não parece algo tão ruim – afinal, o que de tão diferente você pode perder?</p>
<p style="text-align: justify;">Então, ao final do show, Jorge liga a distorção e toca uma versão envenenada e chapante de “Umbabarauma”, emendada com “Fio Maravilha”. E, como se estivesse em um estádio lotado driblando zagueiros cheio de humildade, você sai rodopiando, abraçando as pessoas ao seu lado, o sorriso brota sorrateiro e toda a frieza da análise crítica vai por água abaixo. Se o show parece uma micareta sofisticada, qual o problema de pular e ser feliz?</p>
<p style="text-align: justify;">Após um longo intervalo para a volta ao bis – e um longo e enfadonho solo de teclado, sempre ele -, uma versão pungente de “Jorge da Capadócia” e nosso mestre resolve chamar “todos os emos para perto do palco”. Sorriso de orelha a orelha, Ben Jor traz umas 20 meninas lindas ao palco para cantar e dançar com ele “Gostosa”, ensinando a esses meninos chorões o que importa mesmo na vida. Clima de festa no palco, é hora de emendar “Taj Mahal” com “A Banda do Zé Pretinho” numa versão quilométrica e ver, mesmo com as luzes acesas, ninguém arredar pé do salão. O baile está a toda. O homem sabe das coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p style="text-align: justify;">Tiago Agostini é jornalista e assina o blog <a href="http://colunistas.ig.com.br/tiagoagostini/">A Day in The Life</a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=gLz33qOLdvo&amp;feature=player_embedded" target="_blank"><img class="size-full wp-image-4534 aligncenter" title="pais_tropical" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/pais_tropical.jpg" alt="" /></a></p>
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		<item>
		<title>David Bowie, Phoenix, Dirty Projectors</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/02/28/david-bowie-phoenix-dirty-projectors/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 22:17:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=4517</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
A estréia de Bowie em edição de luxo; os remixes do grande CD do Phoenix e a obra- prima de estranheza do Dirty Projectors.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>500 Toques por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4518" title="david_bowie" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/david_bowie.jpg" alt="" width="350" height="311" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;David Bowie - Deluxe&#8221;, David Bowie </strong>(Universal)<br />
A estréia de David Robert Hayward-Jones data de 01/06/1967, ano mítico para a música pop, mas não para Bowie, que viu o disco fracassar no mercado. A voz marcante que iria conquistar o mundo cinco anos depois já está aqui, mas a música é um pastiche de pop psicodélico que, se não soa original, também não faz feio. Esta reedição junta as duas versões do álbum (mono e stereo) mais 25 bonus tracks entre versões alternativas, b-sides e registros ao vivo na BBC Radio 1. Se todos errassem assim na primeira vez&#8230;</p>
<p>Nota: 7<br />
Preço em média: R$ 70 (importado)</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- &#8220;Space Oddity (40th Anniversary Edition)&#8221;, David Bowie, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2009/11/12/lou-reed-david-bowie-e-elvis-costello/" target="_self">aqui</a>)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4519 aligncenter" title="phoenix_wolfgang" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/phoenix_wolfgang.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Wolfgang Amadeus Phoenix Special Edition&#8221;, Phoenix </strong>(V2)<br />
Figurinha fácil em listas de melhores de 2009, o quarto álbum do Phoenix ganhou uma edição especial com um CD bônus com 15 remixes. O Animal Collective deixa &#8220;Love Like a Sunset&#8221; mais climática. Devendra tira o corpo (e a força) de &#8220;Rome&#8221;. O Friendly Fires enche &#8220;Fences&#8221; de sedução (já o Soft Pack a deixa deliciosamente punk). &#8220;Lisztomania&#8221; surge em duas versões. A de Alex Metric é mais dançante, e a de 25Hrs a Day, mais gingada, mas nenhuma delas chega perto da original, imbatível. Vale a curiosidade.</p>
<p>Nota: 8,5<br />
Preço em média: R$ 50 (importado)</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Phoenix: 5º melhor disco e 2ª melhor música no Melhores do Ano Scream &amp; Yell (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/01/26/top-seven-2009-scream-yell/">aqui</a>)<br />
- Phoenix ao vivo no Nokia Trends, em São Paulo, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2007/12/10/nokia-trends-1-x-2-calor/" target="_self">aqui</a>)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4520 aligncenter" title="bitte_orca" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/bitte_orca.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Bitte Orca Special Edition&#8221;, Dirty Projectors</strong> (Domino)<br />
Pequena pérola jogada aos porcos no final dos anos 00, &#8220;Bitte Orca&#8221; é o primeiro álbum dos nova-iorquinos por uma gravadora de renome, e o oitavo (!?!?) da carreira da banda. Estranheza é a palavra que os define, pois eles integram a mesma linhagem de &#8220;Tomorrow Never Knows&#8221;, dos Beatles, e &#8220;Sangue Negro&#8221;, de Paul Thomas Anderson, dois monólitos de estranheza – e genialidade. Nesta edição, um CD bônus junta duas novas versões da bela &#8220;Stillness Is the Move&#8221; com dois experimentos. O que era bom ficou melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 9,5<br />
Preço em média: R$ 50 (importado)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Dirty Projectors: 5º melhor disco e 4ª melhor música no Melhores do Ano Scream &amp; Yell (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/01/26/top-seven-2009-scream-yell/" target="_self">aqui</a>)<br />
- &#8220;Sangue Negro&#8221;, um filme que deixa um gosto amargo nos lábios da alma (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2008/02/11/sangue-negro/" target="_self">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Cinema: Um Homem Sério, irmãos Coen</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/02/24/cinema-um-homem-serio-irmaos-coen/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2010/02/24/cinema-um-homem-serio-irmaos-coen/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 23:24:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=4505</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
A vida de Lawrence Gopnik está prestes a desmoronar, e os irmãos Coen não o perdoam. No fim, tudo fica bem. Será?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><img class="alignnone size-full wp-image-4507" title="homem_serio" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/homem_serio.jpg" alt="" /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">No documentário &#8220;Minessota Nice&#8221;, que engorda os extras da edição especial de &#8220;Fargo&#8221; (1996), Joel e Ethan Coen explicam como foram buscar em suas lembranças de infância a inspiração para o filme, abusando daquilo que é conhecido no centro-oeste dos Estados Unidos como a simpatia de Minessota. &#8220;Não é que não haja hostilidade lá, mas ela é encoberta pela simpatia&#8221;, explica um dos irmãos. O sotaque carregado e a simpatia exagerada venderam para o mundo a imagem de um Estado caipira e abobalhado, numa crítica ácida e divertida assinada pelos irmãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em &#8220;Um Homem Sério&#8221; (A Serious Man, 2009), os Coen retornam a sua infância em Minessota e saem de lá com outra sátira arrasadora, que desta vez observa e avacalha uma comunidade judia, território que os irmãos parecem dominar, visto a quantidade de referências e citações. Eles não perdoam rabinos (ao todo, três), sacaneiam o bar mitzvah (um rito de passagem que é considerado como uma iniciação na vida adulta para os judeus) e tripudiam da fé, no momento em que a fé falta: &#8220;Por que Ele nos faz sentir as perguntas se não vai nos dar nenhuma resposta?&#8221;, questiona um personagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Lawrence Gopnik (Michael Stuhlbarg) é o personagem central desta saga judia. Sua vida parece estar no rumo certo. Ele é um homem de fé, daqueles que não criticam os desígnios divinos, até que uma coisa começa a dar errado atrás da outra. Primeiro é o casamento, depois é o trabalho, por fim a saúde. Gopnik entra num espiral de desacertos que rendem boas gargalhadas no cinema, e mostram como os irmãos Coen chegaram a um ponto na carreira em que dominam a perfeição todos os quesitos técnicos que constroem um grande filme.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, não vá ao cinema esperando revolução. Não é isso que &#8220;Um Homem Sério&#8221; propõe. A história aqui é simplista, mas não simplória. São fatos aparentemente banais que se amontoam uns sobre os outros, e fazem até mesmo um judeu questionar as intenções de Deus, ou melhor, HaShem. Fatos como a separação de um casal, os problemas financeiros de um professor, as dificuldades de convivência em família, problemas com vizinhos (às vezes o contrário), entre outros. Os Coen transformam água em vinho usando o cenário aparentemente banal do cotidiano de Gopnik.</p>
<p style="text-align: justify;">Gopnik é o vértice central da trama, um homem sem carisma e com um q de bobalhão que vira joguete na mão de uma esposa mandona, de um amante cínico, de um filho maconheiro, de uma filha sonhadora, de um irmão genial e doente, de advogados extorsivos, e de rabinos que pedem apenas que ele observe a vida por uma nova perspectiva. &#8220;Você está olhando o mundo com olhos cansados&#8221;, diz o rabino mais jovem. &#8220;Minha mulher está saindo com Sy Ableman&#8221;, retruca Gopnik. &#8220;A vida é assim&#8221;, encerra o rabino.</p>
<p style="text-align: justify;">O humor – sugado com esperteza da banalidade – transforma &#8220;Um Homem Sério&#8221; em um grande filme, não o melhor dos Coen (&#8221;Fargo&#8221;, &#8220;E ai, Meu Irmão, Cadê Você?&#8221;, &#8220;O Grande Lebowski&#8221; &#8220;O Homem Que Não Estava Lá&#8221;, &#8220;Onde os Fracos Não Têm Vez&#8221; – a concorrência é injusta), mas uma obra com a assinatura da dupla, um daqueles filmes que faz o espectador deixar a sala sorrindo, apesar do caos exibido na tela.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você é goy, não se preocupe (mas observe se seus dentes não trazem um recado divino). Você vai entender quando a esposa de Gopnik pedir o divórcio, exigindo um guet: “Sem um guet, eu sou uma agunah&#8221;, diz ela. As palavras mudam, mas o sentindo permanece o mesmo. A questão, no entanto, é saber se existe algum sentido na vida. Para os Coen, talvez nem HaShem saiba. Coitado do Lawrence Gopnik. Mas não se preocupe: nós ficaremos bem. Acredita?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4506 aligncenter" title="coen_serious" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/coen_serious.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- “Onde os Fracos Não Tem Vez”, dos irmãos Coen, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2007/11/03/mostra-sp-onde-os-fracos-nao-tem-vez/">aqui</a>)</p>
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		<item>
		<title>Lafayette, Lulina e Cidadão Instigado</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/02/24/lafayette-lulina-e-cidadao-instigado/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 07:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[500 Toques]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
A super-banda independente de Lafayette; o interessante universo particular de Lulina; a revolta e a tristeza de Fernando Catatau.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4494" title="“As 15 Super Quentes”, Lafayette e os Tremendões " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/lafa.jpg" alt="" width="300" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“As 15 Super Quentes”, Lafayette e os Tremendões </strong>(Arterial Music)<br />
Você pode até não saber, mas já deve ter cantado e dançado muitas canções conduzidas pelo orgão mágico do senhor Lafayette Coelho, 66 anos. Um dos nomes menos conhecidos da lendária Turma do Matoso, no Rio de Janeiro (que, dentre outros, incluía Wilson Simonal, Jorge Ben, Tim Maia, Erasmo e Roberto Carlos), Lafayette é responsável pelo som de órgão que marcou a Jovem Guarda. Ele costuma dizer que se alguma canção dessa época tem órgão, é ele quem toca. Exemplo clássico: “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”. Em 2004, Lafayette conheceu Gabriel, do Autoramas, e a grande amizade se transformou nesse projeto que recupera canções daquele período em versões poderosas que ganham corpo tocadas por uma super-banda independente formada por Érika Martins (ex-Penelope), Renato Martins (Canastra), Melvin (Carbona), Nervoso (Nervoso &amp; os Calmantes) e Marcelo Callado (Do Amor e Banda Cê, de Caetano Veloso), além do próprio Gabriel. O grupo já tinha lançado um compacto em vinil, e agora chega com um CD que, com título apropriado, destaca um repertório cheio de hits (de ontem, hoje e sempre) como “É Papo Firme”, “Você Não Serve Pra Mim” e “Só Vou Gostar De Quem Gosta de Mim”. Faça uma festa e deixe o disquinho tocar do começo ao fim. Sorriso garantido no rosto de todos. Não há dinheiro no mundo que pague.</p>
<p>Preço: R$ 23 (<a href="http://www.myspace.com/lafayetteeostremendoes" target="_blank">http://www.myspace.com/lafayetteeostremendoes</a>)<br />
Nota: 8</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4495 aligncenter" title="“Cristalina”, Lulina " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/lulina.jpg" alt="" width="338" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Cristalina”, Lulina</strong> (YB)<br />
Antes de estrear oficialmente com esse disco, a pernambucana Luciana Lins havia lançado nove álbuns caseiros, desses feitos no quarto, com a voz gravada no microfone do computador, a companhia de um violão e muita inspiração. O processo rendeu trabalhos como &#8220;Cochilândia&#8221; (2002), &#8220;Translúcida&#8221; (2006) e o duplo &#8220;Aceitação do 14 / Aos 28 Anos Dei Reset na Minha Vida&#8221; (2008) (que você pode baixar em <a href="http://tramavirtual.uol.com.br/lulina" target="_blank">http://tramavirtual.uol.com.br/lulina</a>), e as 18 canções escolhidas para &#8220;Cristalina&#8221; funcionam como um &#8220;Best Of&#8221; destes oito anos de carreira caseira, agora regravada e remasterizada em um estúdio bacana. Lulina promove um choque do apelo delicado e, por vezes, infantil de sua voz pequena (e da <a href="http://www.lulilandia.com.br/" target="_blank">Lulilândia</a>) com letras que discorrem sobre orgasmos múltiplos, baseados na balada, bolhas na pleura e uma bebida chamada sangue de E.T.. Em &#8220;Meu Príncipe&#8221; (a tal que fala de orgasmos), ela vai para o botequim, enquanto ele fica na cozinha – pensando em discutir a relação. &#8220;Balada do Paulista&#8221;, com seu refrão grudento (“Puta meu, tipo nossa cara”), é um retrato hilário de São Paulo. &#8220;Bichinho do Sono&#8221; (regravada por Bruno Morais) e &#8220;A Margarida&#8221; são outros dois momentos brilhantes de um álbum que, na verdade, é um interessante universo particular. Vale o passeio.</p>
<p>Preço: R$ 15 (<a href="http://lulilandia.wordpress.com/" target="_blank">http://lulilandia.wordpress.com/</a>)<br />
Nota: 8<br />
Download: <a href="http://outroscriticos.blogspot.com/2009/10/lancamento-lulina-cristalina.html" target="_blank">Baixe no Outros Críticos</a></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4496 aligncenter" title="“Uhuuu!”, Cidadão Instigado " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/uhu.jpg" alt="" width="334" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Uhuuu!”, Cidadão Instigado </strong>(Independente)<br />
“Abram as portas das suas casas, deixem os ladrões entrarem, eles vão tentar levar tudo o que puderem”, instiga Fernando Catatau, cabeça pensante do Cidadão Instigado, em “O Nada”, faixa que abre de forma envolvente e filosófica o terceiro álbum de um dos grupos independentes brasileiros mais celebrados da década. Uhuuu! parte da musicalidade do festejado Método Túfo de Experiências (2005) em direção a uma sonoridade mais direta e orgânica sem deixar de lado as principais características do grupo, um caldeirão fervilhante movido a rock psicodélico e música brega, como se Odair José integrasse por um fim de semana o Pink Floyd, reducionismo que se esforça, mas ainda não consegue definir a beleza de “Como as Luzes”, com tecladão espacial e letra comovente, da orgia instrumental da extensa “Escolher Pra Que?” (de quase sete minutos de duração), com solos de guitarra e timbragem retrô, do mix funk arrasador de “Doido”, com batidas e teclados que lembram algo de Franz Ferdinand e trazem ao cabo Arnaldo Antunes declamando maluquices, da explosão espacial “A Radiação Na Terra” (Caetano fase Araçá Azul movido a guitarradas) e da conclusão poética “Deus é Uma Viagem”. Entre a revolta solitária e a tristeza semi-hippie, o Cidadão Instigado crava outro álbum fenomenal.</p>
<p>Preço: R$ 15 (<a href="http://www.myspace.com/cidadaoinstigado" target="_blank">http://www.myspace.com/cidadaoinstigado</a>)<br />
Nota: 9<br />
Download: <a href="http://outroscriticos.blogspot.com/2009/08/lancamento-cidadao-instigado-cd.html" target="_blank">Baixe no Outros Críticos</a></p>
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		<title>Entrevista do mês: Heitor e Nevilton</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/02/21/entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 02:32:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Entrevista do Mês]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa e Tiago Agostini</b>
Heitor está à frente da Banda Gentileza, um dos destaques da atual cena de Curitiba, e Nevilton cede seu nome ao trio que faz um dos melhores shows do rock nacional atual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>ENTREVISTÃO DO MÊS DE FEVEREIRO</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4466" title="Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/entrevista21.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Nevilton de Alencar e Heitor Humberto<br />
por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a> e <a href="http://twitter.com/tiagoagostini" target="_blank">Tiago Agostini</a><br />
fotos: <a href="http://twitter.com/licallegari" target="_blank">Liliane Callegari</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton de Alencar tem 23 anos, nasceu em Londrina, mas mudou-se para Umuarama ainda pequeno, um pouco depois de arrebentar uma porta de vidro da casa dos pais com uma flautinha de brinquedo. Heitor Humberto tem 25 anos, é de Joinville, e aos sete começou a tocar violino, instrumento que o acompanhou até os treze, quando a família mudou-se para a pouco amistosa Curitiba. Nevilton e Heitor fazem parte de uma novíssima geração de músicos que vem sacudindo o cenário independente da música brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhado de Tiago Lobão (baixo) e Eder Chapolla (bateria), Nevilton (guitarra e voz) lançou quatro EPs caseiros, mas vem chamando a atenção devido às apresentações incendiárias do trio, que já renderam elogios à banda em lugares como Palmas, Cuiabá e São Paulo. Não à toa, a banda ficou em segundo lugar na categoria Melhor Show da votação de Melhores do Ano do Scream &amp; Yell (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/01/26/melhor-show-nacional-2009/" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor (voz, guitarra, violino, cavaquinho) está à frente da Banda Gentileza, sexteto paranaense que ainda conta com Artur Lipori (trompete), Emilio Mercuri (guitarra), Diego Perin (baixo), Diogo Fernandes (bateria) e Tetê Fontoura (sax, teclado). O álbum de estréia da Banda Gentileza, homônimo, foi eleito pelo júri do Scream &amp; Yell como o 11º melhor disco de 2009, sendo o melhor disco de estréia do ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Convidamos Heitor e Nevilton (e também Diego, baixista da Banda Gentileza) para uma cerveja de fim de tarde buscando não só conhecer a história de duas bandas promissoras do cenário independente nacional, mas também vasculhar os caminhos que levaram os dois músicos a se aventurarem pelo cada vez mais inóspito território da música popular brasileira, uma terra de ninguém, um local cômodo e bastante aprazível para o crescimento de parasitas viciados em fórmulas, clichês e jabá.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton e Heitor se assumem animados com o futuro das duas bandas, mas buscam alternativas para mostrar o trabalho para o maior número de pessoas possível. A internet até ajuda: o disco da Banda Gentileza você pode baixar gratuitamente <a href="http://www.bandagentileza.com.br/" target="_blank">aqui</a>. “Pressuposto”, o EP mais recente do trio Nevilton, também pode ser baixado gratuitamente <a href="http://www.rocknbeats.com.br/download-discos-independentes/nevilton-pressuposto-2010/" target="_blank">aqui</a>. As histórias destes dois jovens talentos da música brasileira você confere abaixo. E cuidado ao convidá-los para uma cerveja: eles bebem bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a primeira lembrança de vocês em relação à música? Essa coisa de começar a tocar, pegar um instrumento, fazer um som&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: A minha mãe é professora de piano, então desde que nasci tem música em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Ai é covardia (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Ela se aposentou este ano, então já faz um tempo que ela não estuda, mas ela tocava bastante, e eu cresci com ela tocando piano em casa. Quando comecei a crescer, não sei por que e de onde, pirei que queria tocar violino, e toquei dos sete aos treze, quando me mudei de Joinville. Nessa época fiz violino e teoria musical, e toquei na Orquestra de Joinville, uma coisa mais clássica. Quando fui para Curitiba, eu mal conhecia a minha vida sem ter que parar uma hora por dia e estudar violino para ir pra aula. Era uma obrigação. Várias vezes quando a piazada ia brincar, eu ficava tocando violino. Enchia o saco. Quando cheguei em Curitiba, com treze anos, decidi dar um tempo e fiquei sem fazer nada. Óbvio que nunca mais voltei, parei de estudar e hoje em dia toco apenas por hobby na banda.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Meus pais dizem que eu me acalmo muito com música desde pequeno. Eu era agitado e ficava calminho com a música. Botava um Gonzagão na vitrola e eu parava de chorar. Quando eu tinha uns cinco ou seis anos me colocaram na aula de teclado. Alguns primos já tocavam algum instrumento. E do teclado eu fui para o violão, do violão fui para a guitarra, e da guitarra&#8230; comecei a pular (risos) e virei isso aqui&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E as primeiras bandas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Tive várias bandinhas&#8230; Tudo começou com um amigo que chegou e disse: estou tocando baixo, tem um amigo baterista, e queria que você tocasse, cantasse uns Nirvana que a gente está tirando&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com quantos anos?</strong><br />
 <br />
Nevilton: Uns 14 anos. Coloquei um captador no meu violão de cordas de aço, colocava distorção e tocava Nirvana. Passei uns três anos tocando um pouquinho com essas bandas, e algumas queriam tocar um negócio meio metal, um lance pesado. Comecei a estudar mais a guitarra quando comecei a tocar oficialmente. Ai veio a Superlego, que fazia covers dos anos 80, e a gente fez show pra caramba. Comprei a guitarra, o ampli, todas essas histórias. A gente começou a fazer o trabalho autoral porque eu já vinha compondo músicas. Acho que a gente tocou com o Heitor no Festival Tinidos (em Curitiba), no Motorrad&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: A Superlego tocou com a gente antes, no Porão do Rock, em 2006 (acho), numa noite que tinha a gente, o Vanguart e o Charme Chulo e não foi ninguém ver (risos), mas foi muito divertido. Eles tocaram Inimigos do Rei (risos).</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Isso (risos). O nosso repertório já era bastante autoral, mas a banda já não era um quinteto. Eu cantei nesse dia (em Curitiba), e a Superlego inicialmente não era isso. Quando começamos a fazer um som autoral, rolou um papo de “a gente está tocando e ganhando pouco”, e a galera foi saindo. Eu e o (Tiago) Lobão conversamos. “Acho que os caras não vão querer mais tocar. Vamos fazer uma viagem?”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Lobão (baixista) já estava tocando com você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Já. O Lobão e o Fernandinho, baterista anterior do trio, eram do Superlego. Do quinteto a gente virou um trio. Nesse meio tempo deu aquela bambeada. “Não sei se quero tocar esse som autoral, é muito difícil”. O Fernando também estava desanimado. Então eu e o Lobão fomos para Los Angeles e voltamos cheios de idéias. Vamos agitar. Conversamos com o Fer, mas o resto dos meninos nem queria mais saber da gente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eles fizeram outra banda cover?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Não. Um virou pai agora, o outro entrou no terceiro curso de faculdade, e pararam de tocar. Eu e o Lobão estamos nessa. O Fernandinho desistiu pouco tempo atrás. O ano passado foram 49 shows oficiais, mais umas coisas alternativas (tipo se apresentar na escola), e o Fer tinha outros compromissos e não aguentou o tranco. De repente a banda não estava rendendo o suficiente para ele estar satisfeito e ele pulou fora&#8230; do nada.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4467 aligncenter" title="Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari entrevista21.jpg " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/scream4.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Heitor, como rolou essa fase de parar de tocar violino e encontrar a galera? Você já conhecia alguém quando chegou em Curitiba?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Quando sai de Joinville, estranhei muito. Em Curitiba o pessoal é mais fechado, eu não conhecia ninguém, então continuei voltando pra Joinville várias vezes, aquela coisa de moleque pré-adolescente que não se adapta. Eu tinha um grande amigo lá, que é meu amigo até hoje, o Ronaldo, e a gente começou a fazer um som. Ele tocava violão, e eu comecei a compor – com 12, 13 anos – aquelas letras de rimas bem primárias, e ele musicava. Inclusive, uma que a gente toca até hoje, “Sempre Quase”, uma bem baladinha, foi ele quem fez. É dessa época. A gente chegou a gravar uma demo em casa, que tenho até hoje. Era uma dupla que se chamava Àhotten (risos), violão e voz e uma batucada que a gente fazia com berimbau. Dois anos depois, gravei outra demo. Eu e um amigo do colégio falávamos muita besteira, e escrevíamos essas besteiras. A gente cantarolava e as pessoas ao redor, na sala de aula, já começavam a reconhecer as nossas músicas, e pensei: “Cara, vamos gravar?”. Ele tocava baixo e eu arranhava a guitarra, e marcamos um estúdio, por uma hora, pra gente ensaiar e fazer as músicas, e na hora seguinte gravar. O nome dessa banda é Tomara Que Você Morra (risos), e é uma bosta (mais risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como eram as cidades de vocês? Tinha lugar pra tocar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Até por estar no colégio, eu não saia. Nem sei dizer. Lembro de alguns bares de nome, como o Café Beatnick, o Circus&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alguma banda de Curitiba&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Na época havia algumas bandas que tocavam no teatro do colégio, como Oskão&#8230; Tinha o Pelebrói Não Sei, que durou um bom tempo, o Boobarelas, essas são as que mais me lembro de acompanhar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês chegaram a tocar em teatro de colégio?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Não. A gente chegou a vender 50 cópias da nossa fita demo naquele esquema de chegar para o professor: “Compra”. Nessa época eu saia pouco, não acompanhava tanto a cena musical de Curitiba. Isso aconteceu mais na época da faculdade, quando a gente começou a montar a banda.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Umuarama nunca teve cena (risos). Até hoje (mais risos). Então quando comecei a tocar mais, eu sabia que tinha uma banda na cidade chamada Hypnoise, que o Lobão e o Fernando tocavam, e eles tocavam covers de Pixies, Cake, Pavement, essas coisas que hoje em dia eu escuto pra caramba. Até acho que isso tenha influenciado na sonoridade do trio. Foi um choque ouvir Pavement pela primeira vez. “Que louco, que estranho”. E eles praticamente eram a cena, e só tocavam covers. Eles tinham umas quatro ou cinco músicas gravadas, mas não sei se publicaram. Eu tenho essas gravações e acho super bonitinhas, bem legais. Quando comecei a tocar também encarei umas festas de escola, mas só Nirvana&#8230; Quando a gente começou a tocar um pouco melhor já arriscou um (Black) Sabbath. Então a gente fez umas músicas falando do verde (risos), que eram muito engraçadas, para participar do festival do IAP, o Instituto Ambiental do Paraná. A gente gravava as demos na sala, aquela barulheira, ninguém entendia porra nenhuma, mas era legal. Hoje em dia, nós somos a cena de Umuarama. E, ao mesmo tempo, somos bem falados, tipo: “Eles vão tocar em Cuiabá”, mas quando a gente está na cidade é aquela coisa: “Esses caras não desistem dessa merda” (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Próximo passo: como foi formar as bandas que vocês têm hoje? Como se deu isso de encontrar a galera e decidir fazer um som?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Eu fui fazer jornalismo, e me identifiquei mais com o pessoal veterano, e alguns deles já tinham bandas. Inclusive, em várias festinhas de faculdade que a gente fazia no Salim, um bar bem pequeno em Curitiba, essas bandas faziam uns showzinhos. Comecei a conhecer o pessoal, e eu tinha algumas músicas dessa época do Ronaldo, de Joinville, já estava tocando violão, e pedi para me deixarem tocar umas três ou quatro músicas entre as bandas, coisa de chato que pede espaço para tocar a sua música. Um dia eles cometeram o erro de deixar, e eu fui lá e toquei algumas, e quem estava lá acabou gostando bastante. Quando rolou uma festa seguinte, eles falaram: “Heitor, toca aquelas músicas suas de novo, a gente quer ouvir”. Eu fui e toquei e foi legal. Na terceira eles pediram de novo, e o pessoal das bandas que estava lá subiu no palco pra me acompanhar. Pegaram baixo, guitarra e bateria, ficavam olhando o que eu tocava e tentavam acompanhar. Ficou uma&#8230; ninguém conhecia as músicas e começaram a estragar pacas o que já não era grande coisa (risos). Um dia fizeram um convite oficial para eu tocar numa festa, então chamei algumas das pessoas que tinha tocado comigo na festa anterior pra gente ensaiar. E era mais ou menos o Johnz, a banda que o Túlio, do Pagodeversions, tinha montado em Curitiba. A gente ensaiou, fez esse show e no começo do ano seguinte me convidaram para fazer um show no Putz, o Festival de Cinema Universitário de Curitiba, e daí era num cinema, um show de verdade. A gente ensaiou e formatou as músicas. Ficou o Diego Garapa (baixo), o Diogo Fernandes (bateria) e o Jota (guitarra). Daí eles já botaram o arranjo deles. E quando acabou aquele show, a gente gostou do resultado. Não tinha pretensão nenhuma. Era só mais um ensaio para mais um show, e muita gente veio comentar, então decidimos continuar e gravar as músicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2004 a cena de Curitiba estava bem agitada. O De Inverno fazia festivais, havia bandas boas no circuito alternativo. Vocês viam essas bandas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Diego: Era uma cena mod, na verdade. Tinha Faichecleres, Dissonantes e mais trocentas bandas mod.</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Tinha a Reles&#8230; mas a gente não via muito, até porque não se identificava com o som.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nessa época o Terminal Guadalupe já tinha disco, a Poléxia já tinha disco&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Eu ouvia falar, mas não ia muito atrás. Ia ver umas bandas de fora que tocavam na cidade. O Fuck Fuckers&#8230; o Resist Control. Um pouco depois a gente gravou o primeiro EP, e ai sim, caímos pros bares e começamos a conhecer as bandas e fazer parte da cena musical de Curitiba. Antes era mais evento de faculdade mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Uma pergunta? Qual foi o teor alcoólico para você tocar na primeira festa de faculdade? (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: O Heitor sempre foi cara de pau&#8230; (mais risos)</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Mas deve ter tido uma iniciativa alcoólica&#8230; (mais risos)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4468 aligncenter" title="Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/scream12.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E vocês, Nevilton. O trio já estava formado&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: No terceiro ano do colégio, quando a gente estava começando a pensar na faculdade, eu comecei a gravar uma fita demo chamada “A Base do Teto Desaba”. Nessa demo tem algumas músicas que a gente chegou a tocar com a banda, como “Luz e Sol”. E eu fiz como o Heitor: vendi 70 fitas demos no colégio, na formatura do terceiro ano, pra todos os pais de amigos (risos). Eu passei em Engenharia, na UEM, conheci uma galera de música, mas ninguém fazia nada, e eu já estava bem empolgado com essa história de tocar. Um dia, eu ainda estava morando em Maringá, bem próximo a desistir da Engenharia, fui pra Umuarama abrir um show do Hypnoise. Era violão e voz, e eu tocava MPB e aquelas músicas da minha demo. Foi ali que conheci o Lobão. Ele olhou a minha pasta e disse: “Nossa, velho, você toca Anjos do Inferno?”. É um grupo na linha dos Demônios da Garoa, mas anterior, 1940, algo assim. E a gente ficou super amigo e começou a conversar um monte nesse dia, e já combinamos: eu tinha um monte de músicas, ele tinha um monte de riffs, “Sábado, o que você vai fazer?”. Eu ia dar umas aulas de violão, mas marcamos dele passar lá em casa. Em doze horas, o tempo todo junto, a gente escreveu, arranjou e gravou a primeira versão de “Delicadeza”. Tinha acabado de abrir uma padaria 24 horas em Umuarama (risos) – hoje ela nem existe mais – e a gente ficou ali em casa compondo, e se batesse uma fome às 4h da manhã, a gente ia pra padaria. Depois dessa eu desgracei a vida do Lobão (risos). Ele parou de tocar cover, deixou o emprego no banco&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Heitor, e como vocês partem para gravar o primeiro disco&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Quando a gente fez o show na Cinemateca e percebeu que estava legal, eu pensei: preciso registrar essas músicas para concretizar que é uma banda. Pois não era uma banda. Era eu chamando eles para tocar num show ou outro. Eles já tinham um outro projeto e eu pensando que tinha que materializar aquele negócio. E lá em Curitiba estava rolando uma história que eu acho genial, que é a Grande Garagem que Grava. Eles pegam uma verba e lançam um monte de disco gravado ao vivo com uma qualidade bacana&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Prum monte de banda que não tem registro&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Isso. E eles dão o CD pra você e você vende pelo preço que você quiser. E você pode mandar fazer mais discos com o dinheiro que você arrecada. Muita banda gravou discos de uma hora pra outra, gente que ninguém conhecia. Só que era um projeto de lei municipal de incentivo, e a banda tinha acabado de surgir. Eu fui lá bater na porta deles perguntando se tinha como gravar, e eles me falaram que o projeto tinha acabado, mas que eles estavam com a estrutura toda lá. Então eu propus: “Eu pago uma quantia que seja suficiente para vocês realizarem esse projeto pra mim, e a gente lança o disco”. Eles toparam. Juntei uma grana, e começamos a ensaiar para gravar ao vivo. A idéia era boa. Você gravava o disco e em duas semanas ele estava na sua mão e você já podia sair divulgando. Só que era ao vivo. Imagina a banda sem entrosamento&#8230; A gente estava super nervoso, e errou tanto. Quando terminou o show, eu fui pra salinha e o pessoal contou que tinha queimado uma placa de som. E eu falei: “Graças a Deus, cara” (risos). E eles: “Vocês estavam tocando e se divertindo tanto que a gente não quis falar nada. Vamos marcar um novo show pra daqui um mês?”. E a gente voltou a ensaiar, ensaiar e ensaiar, e ficou um pouco melhor. Ai a gente começou a divulgar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esse momento, esse clique nos interessa. Como surgiu em vocês essa vontade de mostrar o trabalho, essa coisa de acreditar que vocês estavam fazendo algo legal&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: A gente nem tinha público. Ninguém nos conhecia além de alguns amigos. A idéia foi gravar e depois começar a divulgar. Parti do pressuposto de que com o disco eu iria conseguir chegar às pessoas, chegar nas casas e conseguir um espaço para fazer show. A gente já tinha percebido que a recepção da galera tinha sido muito positiva nos shows anteriores. Não era só elogio de amigo. Era gente comentando a letra, a música, sabe. E acho que isso acabou incentivando mais a gente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E vocês, Nevilton? Como foi gravar os EPs que renderam o Pacotão?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Desde que fiz “A Base do Teto Desaba” comecei a aprender umas coisas de gravações&#8230; em casa mesmo. Tanto é que as gravações do Pacotão são todas caseiras&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você ainda não tinha entrado em estúdio em Umuarama?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Não. No meu caso, é tudo caseiro. Os meninos já tinham entrado em estúdio com a Hypnoise, mas eu tinha mesa de som, um computador e um programa, e comecei a mexer com isso, comecei a aprender algumas coisas. Um dia vou achar uma cópia do “A Base do Teto Desaba” e trago pra vocês. É horrível (risos). É natural. Guitarra e voz. Uma música ou outra que a gente fazia uma arranjinho com teclado, Fruit Loop (risos). No “Pacotão”, a bateria das três últimas músicas, que são da nossa primeira demo, são todas em Fruit Loop. Eu tinha que gravar tudo. A gente participava de um site chamado DemoClub e já tinha música publicada no começinho do Trama Virtual. No começo, a parada do Trama Virtual era Cansei de Ser Sexy, Bonde do Role, Leela e Nevilton de Alencar, em sétimo com uma música chamada “Flores”, que era de uma gravação bizarra: guitarra, gaita e voz. A gente vai rearranjar ela. E desde essa época eu comecei a divulgar, mandar pra todos os amigos, e de gostar dessa coisa de gravar. Quando a gente voltou de Los Angeles, eu trouxe vários equipamentos que ajudaram a facilitar o processo todo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi essa ida para Los Angeles?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: A Superlego começou a se desmaterializar e eu o Lobão decidimos viajar. “Vamos viver em inglês um pouquinho?”. Foi uma idéia maluca. A gente teve um mês pra vir pra São Paulo, pegar o visto e ir. Chegamos lá e ficamos fascinados. Tinha um monte de shows de bandas que a gente nunca tinha ouvido falar, tipo My Morning Jacket. Um puta show animal com som foda, iluminação bonita, e tudo organizado. Vimos vários artistas em lugares menores e voltamos super empolgados. Decidimos apostar naquelas músicas, coisas como “Delicadeza”, que é uma parceria minha com o Lobão, “A Máscara”, que a gente tocava na Superlego. Fiquei pensando que não queria montar uma banda nova que, do nada, os caras desanimassem e a gente tivesse que mudar o nome. “Vai ser Nevilton e quem quiser nos acompanhar que nos acompanhe”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quanto tempo vocês ficaram lá?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Seis meses. Foi o suficiente para ter um puta choque.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fazendo o que lá?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Qualquer coisa (risos). A gente foi pra lá num esquema de trabalhar em staff, em shows e eventos, tipo a Semana do Automóvel de Los Angeles. A gente ficava lá trabalhando “overnight” em vários empregos. De showzinhos a showzões. Shows de hip hop maluco, mas a gente também viu dois shows do Foo Fighters, Elvis Perkins, três shows do Guns ‘n Roses, Raconteurs, Gnars Barkley, Beck&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trabalhando?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Trabalhando. Ganhava 80 dólares por cada show como segurança, e eles nunca colocavam a gente num lugar muito sério. Arranjavam lugares tipo a saída de emergência – olhando pro palco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eles pagavam para vocês verem os shows&#8230; risos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Sim (risos). A gente chegava duas horas antes pra pegar todas as coordenadas. Tipo um show do Guns, você tem muitas restrições. Ninguém podia entrar de cartola no local&#8230; e ai se o cara insistisse, a gente ia e chamava o supervisor, que era um cara bem forte (risos). A gente ganhava dinheiro pra ver esses shows, e ficava empolgado querendo fazer um som. Com o dinheiro que ganhei lá comprei microfone, controlador midi, notebook. Deixei todas as roupas lá e voltei com a mala cheia de coisinhas. O Lobão ficou mais um mês e meio, e assim que cheguei comecei a gravar “Balada da Vida Irônica”. O Lobão gravou o baixo de “Boleroteque” quando voltou, o resto eu já tinha feito. Ele chegou dia 27 de junho e eu já tinha fechado um show pro dia 30. E a partir do momento que eu peguei o gosto por gravar, divulgar ficou mais fácil, e fui virando esse marketeiro que sou hoje (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nesse ponto as duas bandas pegam um caminho diferente. O Heitor foi e gravou um disco enquanto vocês gravaram as demos, mas se concentraram nos shows&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Por causa das demos. A gente mandava para algumas bandas e fazia algumas parcerias. O primeiro show da Superlego em Maringá foi com a Família Palim. O primeiro show em Curitiba foi com a Poléxia, e a gente levou a Poléxia pra Umuarama, e foi um show legal numa boate bizarra. Foi lindo. A gente levou o Charme Chulo pra lá nessa época. Eles tocaram no mesmo dia de um baile de uma banda chamada Tradição, mas o bailão custava R$ 25 e o show do Charme Chulo era R$ 10 homens, R$ 8 mulheres, e lotou. Quando eles tocaram aquelas brincadeiras deles, “Moreninha Linda”, a galera dançava. Muito legal.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4469 aligncenter" title="scream13" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/scream13.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E a Banda Gentileza chegou a tocar fora de Curitiba nessa época?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: A gente tocava num bar de Curitiba tentando fazer o nome e ralando muito. Demorou pra ter público. Acho que no show que a gente fez semana passada em Curitiba finalmente tinha gente pra assistir de verdade. Antes eram amigos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O disco &#8220;Banda Gentileza&#8221; foi gravado quando?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Ano passado. A gente fez esse disco a jato. Decidimos que queríamos gravar um disco, e em janeiro já traçamos o cronograma do ano. Fechamos com o Plínio (Profeta, produtor), fechamos estúdio, fizemos ensaio até maio, quando o Plínio chegou para a pré-produção e em junho a gente foi para o estúdio. O disco tem 12 músicas, e a gente já tinha gravado várias nos dois GGG. Decidimos regrava-las porque gostávamos delas. Hoje em dia, por mim, eu regravaria todas (risos)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você mudaria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Principalmente a voz. Foi a nossa primeira vez em estúdio, afinal, os dois anteriores eram ao vivo, e pelo fato da gente tocar sempre em barzinho com o som sempre bizarro e sem retorno, eu não sabia como eu cantava. Quando a gente foi gravar o disco eu pensei que precisava aprender a cantar e fui fazer aula de canto. Na primeira aula a professora falou: “Para de berrar. Agora. Pode cantar baixinho. No estúdio você aumenta o volume depois”. E então comecei a interpretar, tentar dar uma certa dinâmica para aquilo. “Preguiça”, por exemplo, eu acho que ficou bem boa, mas nas outras&#8230; eu poderia ter feito melhor, mas o que está no disco é bem espontâneo, sincero.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você não está sozinho: todo mundo eclama da inexperiência no primeiro disco. O Rodrigo Lemos, inclusive, reclama da voz dele no primeiro disco da Poléxia&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Ele acha frio&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: E é um disco tão bonito. “O Avesso” é dessa época que a gente fez a festa em Umuarama e foi sensacional. A Poléxia fazia um trabalho bonito, tocava o coração&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: Eles eram o top (em Curitiba) na época&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Houve uma expectativa muito grande em Curitiba pelo disco deles. A gente ouvia a galera comentando: “Eles estão gravando”. “Eles vão lançar o disco”.</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: E ao vivo tinha o efeito Dudu, que era foda&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual foi o primeiro show que vocês viajaram tipo 100 km pra tocar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Qualquer show pra gente é fora (risos), porque Maringá é 170km de Umuarama. Maringá foi um dos primeiros lugares em que a gente chegou tocando música própria. “Sem cover hoje. Sem tocar Nenhum de Nós” (risos).</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Antes de Umuarama mesmo?</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Antes. Em Umuarama a gente estava fazendo um dinheirinho legal tocando nas duas boates que tinha na cidade, mas só cover, e lotava. A gente não passou barra em relação a público na região. A barra que a gente passou foi fora, lugares como Curitiba&#8230; teve uma vez lá que deu R$ 43 de bilheteria.</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Bem vindo a Curitiba (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quanto é um bom público em Umuarama?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: No show da Poléxia foram 600 pessoas. A gente sempre tentava levar uma banda da região que tivesse fazendo algo autoral e uma banda de fora pra tocar com a gente lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: A gente fez algo parecido em Curitiba, o “Gentileza convida”. Era mensal e sempre tinha uma banda de Curitiba e outra de fora. Começamos com Supercordas, que estava bombando na Folha de São Paulo, e Charme Chulo, que estava na mesma onda. Fizemos um cartaz lindo, o preço estava acessível e&#8230; show vazio. O segundo foi Instiga e Sabonetes. Baixamos o preço, divulgamos e&#8230; ninguém foi. A gente fez outros&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando pegou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Não pegou! A gente fez um especial de natal no final do ano com um cartaz lindo. A galera comentou. O preço era R$ 3, convidamos integrantes de várias bandas de Curitiba – para que não houvesse outro evento concorrendo com a gente (risos) – e&#8230; bar vazio. Desde então desisti de produzir shows em Curitiba. Não pegou. Foi triste.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Nós tocamos três vezes em Curitiba em 2007, e nenhuma em 2008. A gente não tinha essa coisa de “saiu na Folha de São Paulo”, sabe, mas a gente fazia a nossa divulgação bizarra. Vários jornais do interior falavam da gente, mas porque nós mandávamos material pra eles.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como vocês vêem as carreiras das bandas agora nesse cenário doido que a gente está vivendo? Como vocês pensam o futuro da Banda Gentileza e do Nevilton?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Agora com o disco, percebemos uma ascensão nos últimos meses em termos de público&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em termos de crítica também. O disco foi eleito o 11º melhor álbum de 2009 na votação do Scream &amp; Yell, sendo o melhor disco de estréia do ano&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Sim, sim. A gente tocou em Joinville no final do ano e foi bem legal. Um mês e meio depois eles nos chamaram de novo pra tocar e a gente pensou: “Faz tão pouco tempo que tocamos lá. Será que vale a pena?”. Mas fomos e a casa lotou e tinha fila para entrar, a galera cantando as músicas. Daí voltamos pra tocar em Curitiba. Começou tarde, bar lotado, e a mesma coisa que Joinville, galera cantando e tal. Aqui em São Paulo o lugar era grande, era no final da tarde, choveu, e mesmo assim deu um público legal. Terminou o show e a galera veio pra cima do palco conversar, comprar CD. Teve dois caras que viajaram para nos ver. É tipo um sonho de moleque de você montar uma banda e ter uma receptividade, sabe. Já estou realizado. O trabalho agora é tentar fazer essa música chegar ao maior número de pessoas possível. Confesso que estou bem otimista e bastante animado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês têm alguma idéia de como fazer a música chegar a mais pessoas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: A gente fez alguns brainstorms&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: E acabou bêbado&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Talvez fazer um clipe legal ajude bastante&#8230; porque ter uma entrevista, ter uma resenha não significa nada&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: A minha prima leu a resenha que saiu do nosso disco na Folha de São Paulo, e o cara detona, e ela: “Que legal que saiu na Folha, que massa”. E eu: “Mas o cara não gostou”&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É aquele velho ditado: não existe publicidade ruim&#8230; porque vai o cara e diz que o disco não é bom porque lembra isso, isso e isso, e o leitor lê e pensa: “É exatamente o que eu gosto”&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Tanto o cara do Globo quanto a Folha falaram: “A banda se perdeu em meio a muitas influências sem saber onde queria chegar”. E esse foi o ponto que mais elogiaram em todos os outros lugares, essa coisa de dar uma unidade a tantas coisas diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E você, Nevilton. Como foi receber a notícia de que vocês fizeram o segundo melho show nacional do ano, segundo a votação do Scream &amp; Yell?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Fiquei assustado, mas acho que a nossa tática está funcionando, que é de tocar em qualquer lugar. E isso só está ajudando. Quando a gente completou dois anos de banda já tínhamos 100 shows. É show pra caramba. E isso faz a gente criar pegada, anima cada vez mais&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Faz vocês pularem cada vez mais alto (risos)&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: E eu já descobri que dar cambalhota não é uma boa idéia (risos). Fiquei com uma dor na coluna por dois meses&#8230; mas isso tudo é resultado da gente estar tocando muito&#8230; e metendo a cara. Eu sempre fui muito otimista. Tanto é que o Lobão não ia largar o emprego no Banco do Brasil se não tivesse um cara com ele que acreditasse muito nas coisas. As nossas músicas sempre foram acessíveis. Não tem crise. A gente mostra pra mãe dos amigos, e elas gostam. Os amigos gostam. Por que uma pessoal normal no fim de tarde, passando roupa e ouvindo rádio, não vai gostar de uma música dessas?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Heitor: É a mesma coisa que a gente sente&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: A nossa tática pra chegar até a galera é tocar em todas as situações possíveis que estiverem ao nosso alcance. Vai virando uma bola de neve.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4470 aligncenter" title="Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari  scream12.jpg " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/scream14.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ser um trio facilita pra vocês?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Facilita muito&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ser um sexteto dificulta pra vocês, Heitor?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Das seis pessoas, duas volta e meia tem plantão no fim de semana.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Tenho certeza que a Banda Gentileza não tocou em Umuarama ainda porque é mais difícil levar vocês. A Poléxia foi num carro só&#8230; o Charme Chulo também&#8230; o Terminal Guadalupe só tocou em Umuarama porque eles já tinham fechado Paraíso do Norte e Maringá. A gente tem um Uno, que a gente bateu depois de um show: “Chorei. Acabou. Acabou”, mas nessa última viagem ele fez 17km o litro (risos). Ele agüenta muita viagem ainda (mais risos). Você coloca o trio ali dentro, enche de comida e vamos encarando. Demoramos dois dias de estrada para chegar em Palmas para um show. No dia seguinte, o jornal do Estado do Tocantins dizia: “Na noite do Pato Fu, o melhor show foi de uma banda do Paraná, Nevilton”. Isso não tem preço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Já que falamos do futuro, queremos saber um pouco do passado e o quanto incomoda vocês quando alguém escreve, por exemplo, no caso da Banda Gentileza, que vocês lembram Los Hermanos&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: A gente fala em Los Hermanos. Acho que hoje em dia, qualquer coisa lembra&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Não tem ranço, não incomoda, mas eu fico pensando: “É só isso que ele consegue escrever?”. Não dá para levar muito a sério um cara que escreve isso. A Adriane Perin escreveu no blog da De Inverno uma coisa legal após ter visto um show nosso: “Volta e meia comparam eles a Los Hermanos, mas não foram os Los Hermanos os primeiros a misturar rock com MPB. Por que eles não são comparados a Novos Baianos?”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas é diferente. Pra essa nova geração, da qual vocês fazem parte, o Los Hermanos bateu muito forte. Tanto que não só o “Bloco do Eu Sozinho” ganhou disparado a votação de Melhores da Década, como o “Ventura” ficou em segundo com uma larga vantagem. Por isso queremos saber: o Los Hermanos influenciou vocês? Quais bandas influenciaram?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Pô, foi no início da faculdade (o sucesso do Los Hermanos) e bateu muito forte. Eu não gostava do rock nacional, porque nada me agradava, não dizia nada pra mim. E fui ouvir o “Bloco” um tempo depois de lançado. Eu vi o clipe de “Todo Carnaval Tem Seu Fim” na MTV, numa madrugada, e fiquei pensando: “Eles estão fazendo isso?!?!”. Não tinha nada a ver com o primeiro disco, era diferente. Comecei a ouvir, ouvir e ouvir e não tinha ninguém fazendo aquilo. Tinha uma qualidade nas letras, uma preocupação estética, mas com muita espontaneidade. Aquilo é muito sincero, autêntico. Bateu e bateu muito forte. Havia uma comoção no país inteiro, shows lotados com todo mundo cantando de cabo a rabo todas as canções. A influência é inegável, mas não é só isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: Tanto é que gravamos o disco agora, e a banda são seis pessoas: cada uma escuta uma coisa diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Perguntaram pra nós, numa entrevista, o que cada um estava ouvindo, e eu nunca tinha parado para pensar nisso, e cada um falou uma coisa diferente. Então, tem uma influência grande (de Los Hermanos), mas não é só isso. Não é difícil perceber.  Agora eu pergunto pra vocês, que são do meio, porque será que falam isso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por vários pequenos motivos: o espaço para uma resenha em um jornal ou numa revista é mínimo. Você precisa apresentar algo para o leitor de uma forma rápida, sucinta, e que faça com que ela leia e tenha uma idéia do som. Impresso é diferente de site, por exemplo, que não há limitação de toques. Essa entrevista de duas horas vai entrar inteira. Na revista seria 1/5 dela. Então, no impresso, você precisa focar em imagens que ampliem o universo para o leitor.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Mas é de uma forma negativa?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não acredito. De repente o cara achou que o som era apenas isso, e cravou. É a leitura dele. É uma maneira de situar o leitor&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Mas no nosso caso não é só isso&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas é a referência que mais bate&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: No meu caso, o Los Hermanos me aproximou da música brasileira. Tive outras aproximações também, mas o Los Hermanos impressionou. Não era como ouvir um disco do Chico Buarque ou um do Detonautas. Era novo, acessível.</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: E o Mombojó veio na cauda, depois veio o Móveis (Colônias de Acaju). Porque quando se fala deles ninguém fala em Los Hermanos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Mombojó é cauda mesmo, mas ai já rola uma diferença estética. O Los Hermanos era Chico Buarque. O Mombojó era Jorge Ben. E isso faz diferença. Mas tem algo ali, inevitável. Já o Móveis&#8230; o público do Móveis é herança dos Los Hermanos. E o “C_mpl_te” aproximou ainda mais as duas bandas, sonoramente.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Foi o Lobão quem me mostrou o Mombojó pela primeira vez. Ele tinha ido ver o show do Pixies, em Curitiba, e o Mombojó abriu. E depois, quando rolou aquele show com a gente, Banda Gentileza, Charme Chulo e Vanguart, vocês tocaram uma versão de “Adelaide”, do Mombojó, e ficou lindinha&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: E que verso bonito, né: “O que eu entendo por seu meu é tudo que posso lhe dar”&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="size-full wp-image-4474 aligncenter" title="Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/scream6.jpg" alt="" /></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nevilton, e quando falam pra você “Nando Reis”. O que você acha?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Eu acho divertido. Não está estreitando. É muito por causa de “A Máscara”. Talvez pelo jeito que a gente tenha gravado&#8230; a estrutura daquela demo talvez lembre algumas coisas, mas eu nunca tive um contato muito próximo com o som do Nando Reis. Faz pouco tempo ganhei aquele disco que ele gravou em Seattle, “Para Quando o Arco-íris Encontrar o Pote de Ouro”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Diego: E tem o seu timbre de voz&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Mas se falar das minhas desafinações comparando com o Nando Reis, eu ouço muito mais Stephen Malkmus e&#8230; eu acho ok (risos). Não me sinto nem um pouco ofendido com nada. Sem contar que o Nando Reis às vezes até aproxima outras pessoas, tipo: “Oi, eu sou do fã clube do Nando Reis”, e eu: “Que legal, você gostou da nossa música?”. E ela: “Gostei, gostei pra caramba”. Que lindo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tem gente que já falou em The Who&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Olha a impressão que a gente está dando (risos)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8230;e o Supegrass dos primeiros discos&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Hoje estou ouvindo mais Supergrass. E conhecia, mas comecei a ouvir mais depois que o pessoal começou a comentar. E fui ouvir para descobrir o porquê, né. Me identifiquei muito. Tem vários backing vocals no estilo “lalalalalalalala” e umas coisas muito divertidas. Mas eu conhecia o “In It for the Money” e o “I Should Coco” muito superficialmente. Não foi uma influência direta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Talvez sejam as mesmas referências&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Talvez o The Who&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sem pensar muito: tem uns sete mil CDs aqui. Se tivesse que pegar um e sair correndo, qual seria?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Um só? &#8230; Acho que iria ser o disco que mais me marcou, que é o “Roots”, do Sepultura. Marcou demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Não sei. Juro que não sei. Acho que seria o máximo que coubesse na minha mão. Eu sempre tive contato com Pavement por MP3. Talvez eu levasse uns Pavement&#8230; mas é muita coisa boa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais bandas com quem vocês tocaram juntos ou já viram ao vivo que vocês acharam fodas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Móveis Coloniais de Acaju. Você sai de casa pra ver uma parada que te deixa feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: Eu fui ver eles no Planeta Terra e me chocou. Na hora que eu entrei já tinha um buraco no meio da platéia e eles estavam lá agitando. Que louco. Mas tem vários shows que me deixaram impressionado. Por exemplo, eu conhecia as músicas do Beto Só fazia uns quatro anos, mas nunca esperava ver ele ao vivo, já que ele não tem uma agenda lotada, e fui vê-lo em Curitiba, e foi um show lindo. Um show incontestável é o do Macaco Bong. Vi alguns shows deles, e todos foram chocantes. Eles fizeram um show com a Pata de Elefante no Itaú Cultural que, pra mim, separou meninos de homens. O show deles foi amplo, abriu a história. Das bandas que conheço, o grande show é o do Macaco Bong.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E o que vocês pensam de suas bandas no futuro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nevilton: O mesmo que eu vinha pensando dois anos atrás, mas com muito mais animo. Eu já era animado sem saber que existia uma critica que falava de pessoas que não estão na mídia, reles mortais (risos), hoje em dia sou muito mais “putinha” do que era (mais risos). Tem muita música ainda pra fazer. Tem uma turnê pela frente. Nós já confirmamos o Abril Pro Rock, no Recife, e vamos aproveitar o festival para fazer mais umas dez datas no Nordeste. Eu vejo que vamos fazer mais de 50 shows até junho. Se em 2009 foram 49 shows no ano, em seis meses de 2010 a gente já vai ter feito isso. É a tática que eu falei antes: a gente vai atingir muita gente pessoalmente, no palco. Não há negatividade. Está muito legal&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Eu quero montar um trio (risos) e fazer 50 shows até o meio do ano (mais risos).</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: A gente está pensando em dividir a Banda Gentileza em dois trios&#8230; (risos), mas&#8230; sério, a gente ainda nem começou&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: Temos plena noção disso. A gente precisa plantar mais, precisa fazer a música chegar ás pessoas. Temos uma dificuldade muito grande de fazer show. Existe convite que a gente recusa porque não tem como faltar dois dias no trabalho. Estamos buscando meios&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Diego: Um milionário para adotar a gente (risos)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Heitor: &#8230; mas a gente também está otimista. A recepção está sendo muito boa, então o plano é continuar o trabalho. Divulgar, circular, tocar. Quando a gente decidiu gravar o disco, estávamos numa reunião na casa do Artur (Lipori), e conversamos: “Vai custar tanto. A gente não tem esse dinheiro. Vamos ter que fazer uma dívida. Vai valer a pena?”. A gente gravou e está acontecendo um monte de coisa legal. O disco não passou em branco, entrou em listas de melhores do ano, estou realizado. Agora é pensar no segundo disco&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4471 aligncenter" title="Nevilton e Heitor, foto Liliane Callegari " src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/scream15.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">- Marcelo Costa é editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href="http://screamyell.com.br/blog/" target="_blank">Calmantes com Champagne</a><br />
- Tiago Agostini é jornalista, colaborador da Rolling Stone e assina o blog <a href="http://colunistas.ig.com.br/tiagoagostini/" target="_blank">A Day in The Life</a><br />
- Liliane Callegari é arquiteta e fotógrafa. <a href="http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari" target="_blank">http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari</a></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4482 aligncenter" title="gentileza_nevilton" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/gentileza_nevilton.jpg" alt="" /></p>
<h3 style="text-align: left;">  <a href="http://www.bandagentileza.com.br">http://www.bandagentileza.com.br</a> &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; <a href="http://www.nevilton.com.br">http://www.nevilton.com.br</a></h3>
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		<title>Cinema: A Fita Branca, Michael Haneke</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:55:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
O polêmico cineasta austríaco ganhou a Palma de Ouro, o Globo de Ouro e irá levar um Oscar por está fábula sobre vingança.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4452" title="fitabrancacartaz" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/fitabrancacartaz.jpg" alt="" width="273" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/screamyell" target="_blank">Marcelo Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em “O Sétimo Continente” (Der Siebente Kontinent, 1988), seu primeiro filme, Michael Haneke contava a história de uma família que comete suicídio. “71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso” (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, 1994) narra diversas historietas de pessoas normais que se reúnem, ao acaso, sob a alça de mira de um jovem de 19 anos, que assassina a todos na noite de natal. O obrigatório “Violência Gratuita” (Funny Games, 1997/2007) é uma sessão de tortura, da qual o espectador é cúmplice. Haneke é polêmico e não quer ver você sorrindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “A Fita Branca”, o diretor austríaco se fecha em um vilarejo alemão às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Neste microcosmo da sociedade vivem a família de um barão, que emprega dezenas de trabalhadores em sua fazenda, um médico viúvo, pai de um casal de filhos, a família de um pastor e um jovem professor, que narra uma série de acontecimentos que sacudiram a paz do vilarejo. “A Fita Branca” ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, e também sairá do Oscar com uma – merecida – estatueta dourada.</p>
<p style="text-align: justify;">A seqüência de pequenas tragédias começa quando o médico do vilarejo está voltando para casa, e seu cavalo tropeça em uma linha de arame imperceptível. O tombo quase tira a vida do homem, que é levado para a cidade onde passa semanas tentando se recuperar do acidente. Policiais tentam buscar provas, mas não encontram nada, nem o fio de arame que possa ter causado o acidente. O acidente é deixado de lado devido a outra tragédia, e elas se sucedem sem ligação aparente enquanto, paralelamente, o professor conta uma inocente história de amor do começo do século passado.</p>
<p style="text-align: justify;">E é isso, mas se tratando de Haneke, nunca é apenas “isso”. O nome do filme faz alusão às fitas brancas que pais colocavam em seus filhos após pecados cometidos para que estes se lembrassem de sua inocência e pureza. Da mesma forma, “A Fita Branca” é, aparentemente, um filme puro. A esplendorosa fotografia em preto e branco e a opção por closes nos rostos sem culpa nem remorso de seus personagens obrigam o espectador a vasculhar a origem do drama, a cavar calmamente a procura da raiz da maldade que é exibida na tela, e é nesse ponto que Michael Haneke alcança o sublime.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “A Vila” (The Village, 2004), o cineasta indiano M. Night Shyamalan contava a história metafórica de um grupo de pessoas de um vilarejo cuja rotina cheia de regras era pontuada por aparições de assombrações. O foco da câmera de Shyamalan era o governo de George Bush, considerado por muitos a raiz da maldade na sociedade moderna. Em “A Fita Branca”, os incidentes que movimentam o vilarejo desembocam no nazismo, mas isso é conseqüência, e não a causa, que é o que mais interessa ao cinema de Haneke: o culpado, para ele, são os pais, é a religião, é a doutrinação cega.</p>
<p style="text-align: justify;">A brilhante exposição de fatos que Haneke exibe na tela é uma aula para o mundo moderno. A revolução – e o fascismo – começa em casa. É no âmbito familiar que se desenha a nova sociedade – e se constrói/destrói personalidades. “O homem nasce puro. A sociedade o corrompe”, escreveu Rousseau. Pais são exemplos para os filhos. Como explicou Haneke em entrevista para a revista New Yorker, “em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino”. Ele não está falando – apenas – da Alemanha, de Hitler e do nazimo em “A Fita Branca”. Está falando da vida&#8230; e precisa ser ouvido. Haneke quer sim ver você sorrir, mas o mundo não deixa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4453 aligncenter" title="fitabranca" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/fitabranca.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- &#8220;A Vila&#8221;, de M. Night Shyamalan, por Marcelo Costa (<a href="http://www.screamyell.com.br/cinemadois/avila.html" target="_blank">aqui</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p style="text-align: justify;">Marcelo Costa é editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href="../../blog/">Calmantes com Champagne</a></p>
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		<title>Música: entrevista com Armandinho</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/02/21/musica-entrevista-com-armandinho/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:34:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=4440</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Marcos Paulino</b>
O reggae do gaúcho Armandinho estourou no Brasil em 2006, mas ele já era conhecido no Sul, e agora lança CD por selo próprio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-4441" title="armandinho" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/armandinho.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="mailto:mzpaulino@gmail.com" target="_blank">Marcos Paulino</a> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O reggae do gaúcho Armandinho estourou no Brasil com a música &#8220;Desenho de Deus&#8221;, em 2006, que tocou até enjoar nas rádios. Mas, no Sul do país, Armando Antônio Silveira da Silveira já era um nome conhecido. Mesmo numa carreira quase independente, havia conseguido boas vendagens de seus dois primeiros discos. Foi com o sucesso daquela canção, entretanto, que ele atravessou as fronteiras sulinas, o que lhe rendeu contrato com uma grande gravadora, pela qual lançou o CD &#8220;Armandinho Ao Vivo&#8221;, seguido de &#8220;Semente&#8221;, em 2008.</p>
<p style="text-align: justify;">Armandinho, porém, não estava totalmente feliz. Achava que sua música andava por caminhos que não eram exatamente os que ele queria. Aí radicalizou. Decidiu gravar um novo álbum no estúdio de sua casa, com seu próprio selo, e nele deixar mais clara sua influência rock´n roll. Assim, com &#8220;Volume 5&#8243;, ele espera atrair também um público que torcia o nariz para seu lado mais pop romântico. Sobre o novo trabalho, Armandinho deu ao Plug, parceiro do Scream &amp; Yell, a entrevista a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É nítido que o novo CD traz uma pegada mais rock´n roll, com guitarras mais marcantes. Isso foi proposital?</strong><br />
O Coringa, guitarrista que estava comigo há 12 anos, saiu da banda em 2007. Ele tinha um estilo suave, requintado, de muito bom gosto, melodioso, com riffs bem característicos do reggae. No lugar dele, entrou o Luciano Granja, que tocou com a Pitty e com o Engenheiros do Hawaii. E eu passei a criar os riffs de guitarra. Neste disco, gravei todas as guitarras para dar uma ideia pro Luciano. Gravei na minha casa, sem pressão, e achei que as guitarras ficaram muito boas, gostei da sonoridade. Aí combinei com o Luciano de deixar daquele jeito. Era bem o que eu queria. Como guitarrista, sempre tive essa pegada mais rock. Sou muito fã do Jimi Hendrix.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esse é um lado seu menos conhecido dos fãs, certo?</strong><br />
Sou surfista e, quando vou pegar onda, gosto de ouvir rock, de som pesado, porque dá uma carga de adrenalina que me deixa mais corajoso. Hendrix e Black Sabbath acabam influenciando meu jeito de surfar. Fazia tempo que queria colocar a adrenalina do esporte que pratico no meu dia a dia, na minha música. Meu trabalho estava vindo na obrigação de fazer sucesso, de agradar as gravadoras. Agora, com meu selo, achei que estava na hora de gravar uma música que pudesse botar no som do meu carro e que me inspirasse a pegar onda. Tive a liberdade de colocar meu lado rock que ficava guardado. Meu trabalho ficou mais completo, mais verdadeiro. Não perdi o romantismo, a veia pop, mas agora tem o rock que faltava antes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você considera que seu trabalho estava pendendo muito para o pop romântico?</strong><br />
Muito. Eu estava perdendo a minha identidade. Chegava uma certa hora em que eu não conseguia mais curtir o meu disco. Agora escuto no carro, fiquei muito feliz com o resultado. Acho que estou conquistando um outro público. Meu trabalho estava indo para as crianças e isso me incomodava, porque me deixava um compromisso grande. Sou pai de uma menina de 3 anos e sei que é preciso muito cuidado com as coisas que a gente leva para as crianças. Não queria ir para esse lado. Queria trazer um público que tem mais a ver com a minha idade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você foi independente, já esteve numa grande gravadora e agora tem um selo próprio. Como está sendo esta fase?</strong><br />
É uma tendência do mercado. Os artistas cada vez mais estão abrindo seus selos e suas editoras. Voltaria numa boa para uma gravadora, mas precisava da liberdade de me reencontrar. Não posso ficar na pressão de repetir o sucesso de &#8220;Desenho de Deus&#8221;. A gente muda, escuta outras sonoridades. Ficava angustiado de ter que fazer outro sucesso como foi aquela música.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas mesmo na época independente você teve boas vendagens.</strong><br />
Mas foi em dois Estados. E eu não era bem independente. Era de um selo chamado Orbit. Meu primeiro disco vendeu mais de 80 mil cópias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o que me valeu um disco de ouro. Na realidade, acho que este momento agora é o mais independente de todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Seu selo também lançará trabalhos de outros artistas?</strong><br />
Tenho um acervo enorme de músicas que escrevi, que já não pega mais bem eu cantar. Tenho quase 40 anos. São músicas que ficariam legais para uma banda de molecada. Vou divulgar meu trabalho até julho, e depois quero pegar umas duas bandas que estou de olho para produzir. Quero contribuir para lançar coisas novas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De qualquer forma você não vai querer abrir mão do público jovem no seu trabalho próprio. Prova disso é a faixa &#8220;As festas que eu vou&#8221;, que tem uma letra bem adolescente.</strong><br />
É isso aí. Tenho um público fiel e não posso de uma hora para outra virar as costas para ele. Mas essa música já botei lá no fim do disco (Risos). São músicas dessa época, de colégio, da adolescência, que pretendo lançar com outras bandas.<br />
<strong><br />
No disco tem uma regravação de &#8220;Como dois animais&#8221;, do Alceu Valença. Você pensa em gravar mais coisas de outros artistas?</strong><br />
Sou fã demais do Alceu. Este disco, que mistura reggae e rock, tem tudo a ver com ele, porque pra mim ele é um roqueiro. Tem vários artistas que eu gostaria de regravar. No segundo disco, regravei &#8220;Leãozinho&#8221;, do Caetano Veloso. No ao vivo, gravei &#8220;O bem e o mal&#8221;, do Dori Caymmi, que foi trilha sonora de &#8220;Riacho Doce&#8221;, da Globo. Sempre que tenho oportunidade de regravar alguém da MPB, eu faço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E você pensa em fazer alguma coisa em inglês?</strong><br />
Já fiz. Tenho feito viagens de surfe que estão sendo filmadas. Estou viajando com surfistas profissionais e com músicos que surfam. Um dos surfistas é o Teco Padaratz, grande nome do surfe brasileiro, que escreve, toca e canta. Tem mais duas viagens marcadas: uma em setembro para a Indonésia e uma em março do ano que vem para o Havaí. A trilha sonora desse filme terá músicas em espanhol e em inglês, que já estão sendo gravadas, várias estão prontas. Provavelmente eu vá colocar logo à disposição pra galera conhecer esse meu outro trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se você digitar no Google &#8220;Armandinho Volume 5&#8243;, aparecem dezenas de sites oferecendo o download do disco. Isso te incomoda?</strong><br />
Isso me prejudica e me ajuda. É cedo pra gente tentar tirar uma conclusão se é bom que as pessoas baixem sua música de graça ou não. Isso é uma realidade e nem tem como voltar atrás. O mercado, as gravadoras têm que se adaptar. A internet também é um grande meio de divulgação. Acho que a música tem que tocar, não importa como. Se tiver que tocar de graça, vai tocar. Os profissionais da música ainda estão meio perdidos, mas acho que isso em breve vai ser resolvido. Agora, o que me incomodaria mesmo é se minha música não tocasse nunca. Tenho muitos fãs no Uruguai, na Argentina, que só me conhecem por terem acesso à internet. Mas é lógico que isso faz com que a gente venda menos.<br />
<strong><br />
Com &#8220;Desenho de Deus&#8221;, você conseguiu projeção fora do Sul do país, mas ainda não explorou o interior de São Paulo. Isso está nos planos da nova turnê?</strong><br />
Meu empresário e meu produtor artístico estão morando em São Paulo. Todo meu equipamento também. Continuo morando no Sul, mas nossa base está em São Paulo. Recentemente, fiz um show em Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo, e tinha muita gente do interior. A receptividade foi muito boa. Acho que este é o ano de entrar bem no interior.</p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p style="text-align: justify;">Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno <a href="http://www.mundoplug.com.br/" target="_blank">Plug</a>, do jornal <a href="http://www.gazetadelimeira.com.br/" target="_blank">Gazeta de Limeira</a></p>
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		<title>Jay-Z, Lady Gaga e Robbie Williams</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2010/02/17/jay-z-lady-gaga-e-robbie-williams/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 21:47:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[500 Toques]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
Jay-Z quer enganar você; Lady Gaga lança um "quase" segundo CD; e Robbie Williams mostra que tem mão boa para o pop.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>por Marcelo Costa</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4428 aligncenter" title="jayz" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/jayz.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;The Blueprint 3&#8243;, Jay-Z</strong> (Universal)<br />
&#8220;Eu estou fazendo melhor do que antes&#8221;, garante Jay-Z na primeira faixa de &#8220;The Blueprint 3&#8243;, &#8220;What We Talkin&#8217; About&#8221;, canção com samplers espaciais e uma cadência marca-registrada de Kanye West, que assina a produção - junto com No I.D. - desta e de mais seis outras faixas. Não seja levado pelo papo do rapper. &#8220;Blueprint 3&#8243; fecha a trilogia do título e conta com uma seleção de peso da música pop atual, mas é o mais fraco dos três álbuns: Rihanna arranha a voz sedutoramente em &#8220;Run This Town&#8221;. Alicia Keys desfila charm(e) no refrão de &#8220;Empire State Of Mind&#8221;, que fala sobre uma selva de concreto chamada Nova York, um lugar que realiza sonhos. Timbaland convoca Beyoncé para uma participação inexpressiva em &#8220;Venus vs. Mars&#8221; e ainda assina &#8220;Reminder&#8221;, em que Jay-Z conclui: &#8220;10 número 1 em seguida, quem pode ser melhor do que eu? Só os Beatles. Eu esmago Elvis Presley em seu sapato de camurça azul&#8221;. Já em &#8220;Real as It Gets&#8221;, Jay-Z diz que as favelas no Brasil o entendem. Entre os bons momentos do álbum estão &#8220;Thank You&#8221;, com sampler de Marcos Valle (a introdução parece algo de Tim Maia), e a grudenta &#8220;D.O.A. (Death of Auto-Tune)&#8221;. O tesouro (financeiro) foi deixado para o final: uma versão melosa do hit &#8220;Forever Young&#8221;, original do grupo alemão Alphaville que freqüenta até hoje nossas FMs. Vai virar sucesso na hora em que entrar na programação das rádios e daí novela, toque de celular e casamentos. Sabe o que é isso? $ucesso. Jay-Z conhece.</p>
<p>Preço em média: 35<br />
Nota: 5</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4429 aligncenter" title="ladygaga" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/ladygaga.jpg" alt="" width="350" height="317" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Fame Monster”, Lady Gaga </strong>(Universal)<br />
Nome mais falado da música pop nos últimos dois anos, Lady Gaga vive o conto de fadas do século 21.  Após levar um pé na bunda do selo Def Jam aos 19 anos, a cantora conseguiu um novo contrato e virou ícone com o mega-hit “Poker Face”, que já ganhou sátiras hilárias do ator Christopher Walken e do personagem Cartman, do seriado South Park. “Poker Face” fazia parte de seu primeiro álbum, &#8220;Fame&#8221;, que ressurge inteiro de bônus (você sentiu o cheiro de picaretagem, né) neste segundo lançamento, &#8220;Fame Monster&#8221;. Um primeiro disquinho traz (apenas) oito faixas novinhas e um segundo CD recupera as 16 músicas do debute. A cantora continua investindo no eletropop com pitadas de italohouse em “Bad Romance” (uma “Poker Face 2”), “Alejandro” (um acerto de contas público com um ex) e “Monster” (que vai na cola de outro hit do primeiro disco, “Just Dance”). A balada “Speechless” lembra David Bowie e “Telephone” conta com a participação de Beyonce. É pop para as pistas, sem nenhuma novidade. Ciente disso, Gaga abusa da extravagância visual, pois sabe que no mundo (pop) moderno não basta a música ser boa. É preciso algo mais para sobreviver neste território inóspito que Madonna e Britney encaram como parque de diversões. Em “Teeth”, a melhor música deste (quase) segundo disco, ela avisa: “Não quero dinheiro, só quero seu sexo”. Ela parece estar no caminho certo. O mostro da fama não a assusta.</p>
<p>Preço em média: R$ 35<br />
Nota: 6</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-4430 aligncenter" title="robbies_w" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/robbies_w.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Reality Killed The Video Star&#8221;, Robbie Williams</strong> (Universal)<br />
Notável prodígio da indústria da música mundial, Robbie Williams deixou um extenso catálogo de recordes de vendas na coxia e silenciou-se por três anos, desde quando colocou nas lojas seu nono álbum de estúdio, &#8220;Rudebox&#8221; (2006). Por isso, o anúncio de um novo disco de inéditas deixa a indústria em polvorosa, e fãs numa grande expectativa. Produzido por Trevor Horn, &#8220;Reality Killed The Video Star&#8221; não decepciona o fã clube, que já tinha pistas da empreitada através de seu primeiro single, &#8220;Bodies&#8221;, com Robbie declamando sob uma base forte com verniz oriental: &#8220;Eu quero a perfeição&#8221;. &#8220;Típico de mim&#8221;, diria outro inglês de verve e ego tão afiados quanto, mas Robbie não brinca em serviço. &#8220;Bodies&#8221; é apenas a porta de entrada para um álbum pop que promete encavalar vários hits nas paradas de sucessos. Bons exemplos são &#8220;Last Days of Disco&#8221; (que lembra algo de Eurythmics) e &#8220;Starstruck&#8221;, uma canção de batida dançante forte, cama de teclado ao fundo criando climas e baixo esperto. A bombada &#8220;Difficult For Weirdos&#8221; remete a algo do Depeche Mode e &#8220;You Know Me&#8221; é puro anos 50. Já &#8220;Do You Mind?&#8221;, com riffs de guitarra no começo, parece saída de um disco solo de Mick Jagger. A grande canção do disco é &#8220;Morning Sun&#8221;, que foi escrita após a morte de Michael Jackson e junta piano e cordas em um arranjo bonito que abre e fecha um álbum pop de primeiríssima qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Preço em média: R$ 35<br />
Nota: 7</p>
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