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	<title>SCREAM &#38; YELL 2.0</title>
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	<description>Maio de 2012 - Ano XII - Cultura Pop</description>
	<pubDate>Thu, 17 May 2012 01:40:55 +0000</pubDate>
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		<title>De Portugal: Orelha Negra, Kassin e Hyldon</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 01:13:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
por Pedro Salgado, especial de Lisboa
A edição deste ano do Rock In Rio Lisboa (que começa no próximo fim ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14456" title="orelhanegra" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/orelhanegra.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/woorman" target="_blank">Pedro Salgado</a>, especial de Lisboa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A edição deste ano do Rock In Rio Lisboa (que começa no próximo fim de semana, 25 e 26 de maio, e segue pelo fim de semana seguinte: 01, 02 e 03 de junho) apresenta a particularidade de unir nomes portugueses com brasileiros. Várias parcerias, entre músicos dos dois países, celebram a efeméride com shows conjuntos da cantautora Mafalda Veiga e Marcelo Janeci, o encontro de David Fonseca com Mallu Magalhães, dos quase irmãos Xutos e Pontapés com o Titãs ou a combinação do pop etéreo do Amor Electro com Paulinho Moska, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma dessas associações merece especial destaque por juntar os magos do hip hop e soul português Orelha Negra com a lenda soul brasileira Hyldon e o produtor e músico Kassin. O show de 1 de Junho, no palco Sunset, no Parque da Bela Vista, em Lisboa, congregando talentos multigeracionais, acontece uma semana depois da banda lisboeta editar um novo álbum homónimo, em que à velha costela negra do grupo acrescem incursões psicodélicas e os teclados analógicos repescam o hip hop dos anos 90.</p>
<p style="text-align: justify;">O espetáculo possibilitará uma interação do conjunto, com músicos que pertencem ao seu imaginário, aliado ao gosto pelos novos desafios. Além dos grupos citados, o Rock in Rio Lisboa ainda terá Bruce Springsteen, Metallica (tocando o “Black Album” na integra), Smashing Pumpkins, Stevie Wonder e Lenny Kravitz, entre muitos outros nomes (veja <a href="http://rockinriolisboa.sapo.pt/cartaz-rock-in-rio-lisboa-2012" target="_blank">aqui</a>). De Lisboa para o Brasil, o baterista do Orelha Negra, Fred Ferreira, conversou com o Scream &amp; Yell sobre a participação da banda no festival. Confira:</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/taOLrLbud9E" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/taOLrLbud9E"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como surgiu a possibilidade de tocar no Rock In Rio 2012?</strong><br />
Pouco antes da edição lisboeta de 2010 do Rock In Rio, falámos com o Zé Ricardo (organizador dos concertos do Palco Sunset), dizendo que queriamos tocar. Infelizmente não se concretizou. No princípio deste ano, porém, voltamos a falar sobre isso e ele manifestou interesse na participação do Orelha Negra. Tive a ideia de convidar o Hyldon (um dos meus ídolos musicais) e além de ser fã do Kassin, ele também já era meu amigo há alguns anos. O Zé Ricardo gostou do conceito e avançámos para um show em conjunto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hyldon e Kassin são as parcerias que sempre quiseram concretizar?</strong><br />
Não são as parcerias que sempre quisemos concretizar, mas sentimos que são as associações que se enquadram melhor neste espetáculo. Eles são dois músicos por quem temos uma grande estima e dos quais apreciamos muito os trabalhos. Existem muitos artistas com quem gostaríamos de tocar, mas admiramo-los profundamente. Sem dúvida que Hyldon e Kassin estão no topo dos músicos com quem pretendíamos tocar. Apesar de pertencerem a gerações diferentes, cada um deles teve um papel importante na música brasileira e influenciou bastante o Orelha Negra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que poderemos esperar deste show?</strong><br />
É a primeira vez que teremos um cantor atuando conosco num palco. Embora ainda não saibamos muito bem como vai funcionar, agendámos uma semana de ensaio em Lisboa, com Hyldon e Kassin. Durante esse período faremos ensaios e gravações, até para recordar o momento, que esperamos não seja o último. Estamos um pouco ansiosos, mas acreditamos que vai dar tudo certo, porque eles são multi-instrumentistas e têm capacidade de se inserir em vários estilos musicais. E nós também. Julgo que o resultado será interessante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O repertório que irão interpretar será apenas do Orelha Negra e dos músicos brasileiros convidados?</strong><br />
Sim! O repertório vai ser formado por músicas nossas e algumas canções do Kassin e do Hyldon. Dificilmente interpretaremos outros temas, mas existem possibilidades de tocarmos algo do Tim Maia, do álbum “Velhos Camaradas”, que é um dos discos da minha vida, embora nada esteja decidido nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alguma coisa do novo disco tem chance de entrar no show?</strong><br />
Vamos tocar algumas músicas sim, até porque o show do RIR acontece uma semana depois do álbum ser editado. Provavelmente serão dois temas: “Luta” (baseada num sample brasileiro bem como outra faixa a decidir em breve, que poderá ser “Throwback” (o novo compacto do Orelha Negra).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De uma forma gerala, como você avalia as parcerias que se formaram, entre músicos portugueses e brasileiros na presente edição do Rock In Rio?</strong><br />
Não é a primeira vez que as parcerias luso-brasileiras se têm concretizado no Palco Sunset. O Zé Ricardo tem usado bem esse espaço. Como 2012 é ano de Portugal no Brasil existe uma maior visibilidade. Tenho curiosidade em ver Mallu Magalhães com David Fonseca, será estimulante. Xutos &amp; Pontapés com Titãs vi no RIR 2011, no Rio de Janeiro. Mafalda Veiga com Marcelo Janeci promete, porque tenho acompanhado o trabalho dele e o disco é muito bom. Moska e Amor Electro vai ser agradável também. Acho que acontecerá uma boa fusão de artistas novos, e menos novos, de Portugal e Brasil. O princípio da troca de comunicação musical e pessoal é muito salutar.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/S8id5ZuolFE" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/S8id5ZuolFE"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">- Pedro Salgado (siga <a href="http://twitter.com/woorman" target="_blank">@woorman</a>)    é jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell    contando novidades da música de Portugal. Veja outras entrevistas de    Pedro Salgado <a href="http://screamyell.com.br/site/tag/portugal/">aqui</a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Orelha Negra: &#8220;Não procuramos transmitir ideias, mas sim fazer música&#8221; (leia <a href="http://screamyell.com.br/site/2011/03/29/entrevista-orelha-negra/">aqui</a>)<br />
- Especial: conheça a nova cena musical portuguesa, por Pedro Salgado (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/12/11/especial-como-anda-a-cena-portuguesa/">aqui</a>)</p>
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		<title>Entrevista: The Ugly Club</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 00:23:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
por Andressa Monteiro
A vontade de lançar discos e projetos musicais de bandas novas e/ou independentes, tanto no Brasil como ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14441" title="ugly1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/ugly1.jpg" alt="" width="605" height="393" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://twitter.com/#%21/monteiroac" target="_blank">Andressa Monteiro</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A vontade de lançar discos e projetos musicais de bandas novas e/ou independentes, tanto no Brasil como em outros países, pode ficar apenas no papel se o artista não possuir renda suficiente para a produção e distribuição de um trabalho, que geralmente leva tempo e custa dinheiro. Claro, é possível fazer coisas caseiras, gravadas no quarto de casa, mas nada como um bom estúdio. </p>
<p style="text-align: justify;">Pensando nisso, o site norte-americano de compartilhamento <a href="http://www.kickstarter.com/" target="_blank">Kickstarter</a> criou um meio de financiar ideias vindas de orçamentos limitados. Aparentemente, grupos de artistas tem se beneficiado com a ferramenta, pedindo ajuda de fãs para arrecadar uma quantia definida e assim transformar um sonho em realidade. Pode ser a gravação de um disco, o financiamento de uma turnê ou mesmo a gravação de um DVD.</p>
<p style="text-align: justify;">É um primeiro passo, mas a banda precisa ir atrás, chamar a atenção de alguma forma. Assim, dia desses chega um e-mail (com o inglês passado para o espanhol por um tradutor de internet): “Ola, se trata de Ryan de The Ugly Club, una banda psicodélica / indie-rock de New Jersey, USA. Que quería enviar un correo electrónico con el fondo de la banda porque me encanta Scream &amp; Yell”. Em seu site, eles assumem influencias: Wilco e My Morning Jacket.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou “psych indie-rock”, como eles se definem. Ryan é vocalista e guitarrista do The Ugly Club, banda formada em Nova Jersey há cerca de três anos, e que conseguiu um apoio de 6.500 dólares no Kickstarter, montante que deverá ser direcionado para os gastos de seu primeiro disco. “Ficamos completamente emocionados e comovidos com o apoio dos fãs”, confidencia.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de Ryan, estão presentes no grupo Joe Stasio (guitarra e engenharia de produção), Rick Sue-Poi (baixo), Taylor Mandel (piano) e Ryan McNulty (bateria). O álbum de estreia já tem nome: “You Belong to The Minutes”, previsto para sair em julho deste ano, mas os dois primeiros EP’s, “Sing What You Want” e “Visions of Tall Girl”, podem ser ouvidos no Bandcamp (<a href="http://theuglyclub.bandcamp.com/" target="_blank">http://theuglyclub.bandcamp.com/</a>) do grupo - ou logo abaixo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista por e-mail, Ryan fala da emoção de tocar no festival SWSX, de sua paixão por escritores latino-americanos e da vontade de visitar o Brasil. “Desculpe por não entrar em contato originalmente em Português”, diz ele no primeiro e-mail. Tudo bem, as canções falam por si. E elas são boas. Com vocês, The Ugly Club.</p>
<p><iframe width="600" height="100" style="position: relative; display: block; width: 600px; height: 100px;" src="http://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/v=2/album=2107101315/size=venti/bgcol=FFFFE0/linkcol=e3c354/" allowtransparency="true" frameborder="0"><a href="http://theuglyclub.bandcamp.com/album/visions-of-tall-girl-ep">Visions of Tall Girl EP by The Ugly Club</a></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como e quando vocês começaram?</strong><br />
A banda começou há cerca de três anos quando peguei uma guitarra e comecei a compor canções com Taylor, nosso tecladista. Tínhamos acabado de sair de outra banda e precisávamos recomeçar. Depois de dois anos, nós não havíamos definido ainda essa formação, mas depois desse período, tudo se encaixou perfeitamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E por quê o nome The Ugly Club?</strong><br />
Na época em que estávamos gravando com o nosso antigo guitarrista, ele deu o nome “The Ugly Club” a uma música. Eu e o Taylor adoramos e perguntamos se poderíamos usar em nossas novas composições. Com sorte, o nome vingou e acabou virando uma banda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Li que vocês gostam de bandas como Wilco e My Morning Jacket, certo?</strong><br />
Com certeza. Somos muito ecléticos em nossos gostos. Cada integrante tem uma bagagem musical distinta. Gostamos de Prince, Stevie Wonder, Jeff Buckley, Miles Davis e muitos outros. Música é música.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como funciona o seu processo de composição e no que você se inspira?</strong><br />
Não há formas de escapar de sua vida pessoal quando o lápis se encontra com o papel. O nosso disco foi escrito em cinco anos e durante esse período eu estava apaixonado, depois não estava mais. Também via amigos meus lidando com os seus vícios, morte, etc. Foram temas sobre os quais acabei escrevendo. Além disso, o nosso single, “David Foster Wallace”, é uma homenagem a um escritor já falecido. Eu estava lendo um de seus livros, enquanto escrevia as músicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês lançaram dois EP’s, “Sing What You Want” e “Visions of Tall Girl”, produzidos também pelo guitarrista Joe Stasio. Como são esses trabalhos?</strong><br />
Nós gravamos “Sing What You Want” em um porão, sendo as primeiras canções escritas com participações de vários músicos. Já o segundo EP, “Visions of Tall Girl”, foi gravado e produzido por Joe alguns meses depois de nós definirmos a nossa nova formação. Foi uma época ótima, pois mergulharmos no processo de autoprodução do álbum e conseguimos separá-lo em fragmentos, criando o som que procurávamos. Nós temos muito orgulhos dos dois EP’s, de maneiras diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tem alguma música favorita?</strong><br />
Provavelmente “Visions Part I”. Essa é a primeira parte de uma história dividida em duas, que fala sobre uma pintura que tenho no meu quarto. A percepção que tive da obra foi de uma garota gigante deitada em uma floresta e acabei criando uma história em cima disso. Essa foi a minha primeira composição fictícia, o que me divertiu bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/0-DGR_U1p2k" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/0-DGR_U1p2k"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O primeiro álbum de vocês está em fase de produção&#8230;</strong><br />
Nós queremos que o disco seja lançado em julho deste ano. Será completamente diferente dos dois EP’s, porque essas canções já estão amadurecidas e a banda como um todo realmente gostou do que foi feito. Nós estamos apaixonados pelo material e nome do disco será “You Belong To The Minutes”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se vocês pudessem escolher um lugar para tocar e uma banda para sair em turnê, quais seriam as opções?</strong><br />
Brasil. Nós fizemos uma pequena turnê pelo nosso país e foi fantástico. Tocamos em cidades como Nashville e Austin, mas adoraríamos sair dos Estados Unidos e viajar para a América do Sul e Europa. Tomara que isso seja possível um dia. Nós também gostaríamos de sair em turnê com bandas como Wilco, My Morning Jacket, The Walkmen e The Arcade Fire. Seria ótimo!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês tiveram sucesso com a campanha feita pelo site americano Kickstarter, onde os fãs te ajudaram a arrecadar 6.500 dólares para as despesas do álbum. Quem teve essa ideia?</strong><br />
Todos do grupo. Nós nunca poderíamos imaginar quanto conseguiríamos arrecadar e por isso ficamos completamente impressionados e comovidos. O apoio dos fãs foi realmente inacreditável.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você considera a internet uma ferramenta poderosa na divulgação de novos artistas?</strong><br />
A internet é com certeza o meio mais importante na divulgação de novos artistas, sem sombra de dúvidas. Onde as pessoas estão? Online ou em seus iPhones. Você tem que ir onde o público está e esse lugar é a internet.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a sua opinião sobre a pirataria online?</strong><br />
A pirataria online tem suas falhas, mas quero apenas que as pessoas escutem e amem a música que fiz. Pessoalmente, tento expor cada vez mais o nosso trabalho ao público. O nosso EP, “Visions of Tall Girl”, por exemplo, pode ser baixado gratuitamente no site da banda.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Ainda falando sobre internet, vocês têm um link no site de vocês sobre a campanha Kony 2012 (baseado no documentário polêmico criado pela Invisible Children, Inc que mostra as atividades de Joseph Kony e da Lord&#8217;s Resistance Army, que incluem, entre outras coisas, rapto de crianças e jovens para atuar como soldados e escravos sexuais)</strong></span><br />
Não sei muito sobre o assunto, mas Joe teve vontade de postar em nosso site para apoiar a campanha. De qualquer forma, a ideia me parece óbvia. Se estivesse vivo em 1940, eu seria anti-Hitler também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a experiência de tocar no festival SXSW?</strong><br />
Posso falar por todos ao dizer que foi a melhor experiência de nossas vidas. Tocar no SXSW é um sonho para nós músicos. Toda a indústria e comunidade musical estavam em Austin. Nós conhecemos diversas pessoas em nossos shows, e acabamos conhecendo mais ainda, porque estávamos tocando nas ruas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tem vontade de visitar o nosso país? Conhece música brasileira?</strong><br />
Eu realmente gostaria de conhecer mais, mas adoro, por exemplo, Jorge Ben. Sou mais ligado na literatura da América Latina. Alguns dos meus livros preferidos são de escritores como Roberto Bolaño, Pablo Neruda e (Gabriel Garcia) Márquez. Nós mal podemos esperar para tocar no Brasil!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vocês andam escutando ultimamente?</strong><br />
Ando ouvindo bastante Antibalas e outras músicas afrobeat. Sempre fui um grande fã do Fela Kuti e do gênero musical, então estou escutando isso e juntamente tocando guitarra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês estão em turnê agora? Tem outros planos, além do lançamento do disco?</strong><br />
Estamos tocando em Nova Jersey e Nova York. Esperamos viajar para outros lugares assim que o disco for lançado e continuar com a divulgação. Sair em turnê pode ser bem caro, então estamos juntando dinheiro e recursos para que isso aconteça. Esperamos que todos curtam a nossa música e que divulguem o nosso trabalho para todos os amigos.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ynJREcs6zsA" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/ynJREcs6zsA"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Mn-7BgTzSIQ" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/Mn-7BgTzSIQ"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">***<br />
- Andressa Monteiro (siga <a href="https://twitter.com/#%21/monteiroac" target="_blank">@monteiroac</a>) é jornalista e assina o blog <a href="http://thegoldfishmemory.blogspot.com/" target="_blank">Goldfish Memory </a></p>
<p style="text-align: justify;">Você encontra mais infos sobre The Ugly Club no site oficial (<a href="http://www.theuglyclubmusic.com" target="_blank">www.theuglyclubmusic.com</a>), no Twitter (<a href="http://www.twitter.com/theuglyclub" target="_blank">@theuglyclub</a>) ou no Facebook (<a href="http://www.facebook.com/theuglyclub" target="_blank">www.facebook.com/theuglyclub</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Crosby, Stills &#038; Nash ao vivo no Rio</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 12:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Carlos Eduardo Lima</b>
É possível apostar que será muito difícil o país ver um show tão intenso e tão cheio de referências ao rock’n'roll de tempos idos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-14425" title="crosby1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/crosby1.jpg" alt="" width="605" height="400" />Crosby, Stills &amp; Nash - 43 Anos Depois<br />
Citibank Hall, Rio de Janeiro, 13 de maio de 2012<br />
por <a href="http://twitter.com/celeolimite" target="_blank">Carlos Eduardo Lima</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 29 de maio de 1969, Crosby, Stills e Nash lançavam seu primeiro e clássico disco, cuja capa mostra o trio num sofá. Era a união de três pessoas bastante celebradas do rock norte-americano, mais precisamente do rock californiano, mesmo que Nash fosse inglês. Todos eram donos de passados gloriosos: Crosby era ex-integrante dos Byrds. Stills, um ex-Buffalo Springfield e Graham Nash, outrora membro dos Hollies. A primeira música deste disco clássico, &#8220;Suite: Judy Blue Eyes&#8221;, foi o encerramento do show que estes três senhores proporcionaram ao público carioca num domingo inesquecível. Corrigindo uma lacuna inexplicável de 43 anos, CS&amp;N estiveram numa mini-turnê brasileira, passando por São Paulo, Belo Horizonte e fechando com o Rio.</p>
<p style="text-align: justify;">A canção, de autoria de Stills, cartão de visita da participação no Festival de Woodstock, abria o disco homônimo de 1969, mostrando o traço principal e atemporal do trio: as harmonias vocais. Impressionante ver que eles, em torno dos 70 anos de idade (Crosby e Nash já bateram no 7.0; Stills tem 67), ainda são capazes de sustentar um show com duração superior a duas horas, usando as vozes da maneira que usam. Como na última canção do show, por coincidência, a primeira a ser ouvida no disco e a se tornar hit há 43 anos, para mostrar o quanto o tempo é relativo.</p>
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14426" title="crosby2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/crosby2.jpg" alt="" width="605" height="407" /></p>
<p style="text-align: justify;">É possível apostar que será muito difícil o país ver um show tão intenso e tão cheio de referências ao rock&#8217;n'roll de tempos idos. Ver aqueles senhores no palco, pensar na militância que fizeram - e fazem - em suas carreiras, algo que deixa malas como Bono Vox no status de escoteiro, é pensar em como dá pra imaginar a figura do revolucionário como sendo um senhor de idade. Geralmente associamos a figura do empreendedor de grandes mudanças ao jovem, aquele que sai pra rua, oferece sua cara ao desconhecido e muda as coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse jovem, se tudo der certo, envelhecerá, dono de uma sabedoria infinita. É o que parece caracterizar Crosby, Stills e Nash. Já viram de tudo, estiveram no palco de Woodstock, foram e vieram, usaram todos os tipos de drogas, cantaram contra o racismo, a fome, a incompreensão, a Guerra do Vietnã, cantaram sobre o amor de irmão, de homem e mulher, de compatriotas. Causas e temas que realmente importam, que mudam as coisas, de fato. Esta impressão permanece ao longo do show. Da abertura incendiária com &#8220;Carry On/Questions&#8221;, passando pelo libelo anti-racismo de &#8220;Southern Cross&#8221; e a brejeirice de &#8220;Marrakesh Express&#8221;, era evidente que o trio vinha disposto a tirar o atraso de tanto tempo. A platéia era um show à parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Formada eminentemente por quarentões e cinquentões, entre eles, o guitarrista Roberto Frejat e o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, eles receberam o trio com uma reverência constante, aplaudindo quase sempre de pé as canções. Exceto por &#8220;Jesus From Rio&#8221;, do disco lançado em 2004 por Crosby e Nash, e &#8220;Almost Gone&#8221;, da lavra recente de Nash, o que se viu/ouviu foi um desfile de clássicos do calibre de “Long Time Gone”, &#8220;Bluebird&#8221;, do Buffalo Springfield, banda que deu ao mundo Stills e Neil Young, “Deja Vu&#8221;, canção-título da colaboração com Young em 1971, a interpretação cortante de Crosby em “Guinnevere” e a celebração acústica de &#8220;Helplessly Hoping&#8221;.</p>
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14427" title="crosby3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/crosby3.jpg" alt="" width="605" height="409" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda marcaram presença no setlist a canção de amor de Nash para Joni Mitchell, “Our House”, o testemunho de vida de Crosby em “Almost Cut My Hair”, o hit de 1977 &#8220;Just A Song Before I Go&#8221; e o balanço do mundo em “Wooden Ships”. Destaque também para a cover pungente de &#8220;Girl From The North Country&#8221; (Bob Dylan), as luminosas &#8220;Teach Your Children &#8221; e &#8220;Love The One You&#8217;re With&#8221; e as inesperadas &#8220;Cathedral&#8221;, canção psicodélica de Nash sobre uma viagem de ácido na famosa Winchester Cathedral em Londres, e &#8220;Woodstock&#8221;, de Joni Mitchell, não executada em São Paulo. Se a voz de Stills já não é a mesma, ele compensa com sobras ao tirar sonoridades cortantes e blueseiras de sua guitarra. Lembra o estilo de Neil Young, quando está à frente do Crazy Horse, só que ainda mais melodioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso nos leva de volta ao último bis, quando o trio retorna ao palco para executar &#8220;Suite: Judy Blue Eyes&#8221;, cuja vocalise final era cantada pela platéia suplicante. Ali, no palco, essa entidade mítica que pode estar em qualquer lugar, aqueles sujeitos voltam no tempo, dançam, têm visões, lembram, pensam o futuro, ou, simplesmente curtem ao máximo o grande barato de ser um arquiteto do rock: receber o carinho e admiração de tantos outros, cujas vidas foram modificadas pela música que eles fizeram, não fazendo qualquer diferença se foi em 1969 ou 2969. Naquela hora, todos, músicos e platéia, estão no palco, juntos. E isso, gente, é um show de rock. Escolha o seu e sinta o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Dívida de 43 anos paga. Agora ainda faltam Simon &amp; Garfunkel, Eagles&#8230;</p>
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14428" title="crosby4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/crosby4.jpg" alt="" width="605" height="408" /></p>
<p style="text-align: justify;">- Carlos Eduardo Lima (<a href="http://twitter.com/#%21/celeolimite" target="_blank">@celeolimite</a>) é jornalista e assina a coluna Sob o CEL (<a href="http://screamyell.com.br/site/tag/sob_o_ceu/">leia aqui</a>) no Scream &amp; Yell. Todas as fotos por Divulgação / T4F<a href="http://screamyell.com.br/site/tag/sob_o_ceu/"><br />
</a></p>
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		<title>Entrevista: Huaska</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/16/entrevista-huaska/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 11:37:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcos Paulino</b>
Lançando "Samba de Preto" com produção de Eumir Deodato, o quinteto paulistano se joga na experiência da bossa metal
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14416" title="huaska" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/huaska.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://twitter.com/#%21/marquinhozp" target="_blank">Marcos Paulino</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Várias bandas de rock já se arriscaram a misturar gêneros musicais típicos de seus países a vocais gritados, guitarras distorcidas e baterias aceleradas. Mas os paulistanos da Huaska quiseram ir além. Depois de experimentar batidas de samba e bossa nova em algumas de suas canções, o quinteto resolveu que faria dessa fusão uma constante. Em seu terceiro disco, “Samba de Preto”, recém-lançado, o vocalista Rafael Moromizato, o violonista Alessandro Manso, o guitarrista Carlos Milhomem, o baterista Caio Veloso e o baixista Júlio Mucci lançaram mão desse conceito em todas as 10 faixas.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa fase em que quer deixar o underground para ganhar públicos maiores, a banda, criada em 2003, conseguiu que o disco fosse produzido pelo eclético Eumir Deodato, e ainda contou com a participação da lendária cantora Elza Soares na música que dá nome ao álbum. Mas ainda segue de forma independente, com os músicos pagando do bolso novos luxos, como assessoria de imprensa, e dividindo as tarefas administrativas. Nesta entrevista ao <a href="http://www.mundoplug.com.br" target="_blank">PLUG</a>, parceiro Scream &amp; Yell, Rafael fala sobre o atual momento da Huaska.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jYmk6m4hdCE" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/jYmk6m4hdCE"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que os integrantes de uma banda que mistura rock com samba e bossa nova escutam no dia a dia?</strong><br />
Os gostos de cada um são bem diferentes. E isso ajudou a buscar uma sonoridade diferente. Mas dá pra citar algumas bandas que a gente ouve, como Faith No More, Metallica, Nirvana, Deftones, Korn. São algumas das internacionais que influenciaram diretamente o nosso som. Dos compositores brasileiros, entram Tom Jobim, Chico Buarque, João Gilberto, Cartola.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não é exatamente comum que quem escuta a primeira parte das influências que você citou goste da segunda. Como vocês chegaram à conclusão de que dava pra fundir tudo isso?</strong><br />
Quando montamos a banda, definimos qual seria nosso estilo. Trouxemos a batida do violão justamente porque achamos que seria a ponte entre as letras em português e o rock. No primeiro disco, essa proposta entrou em algumas músicas. Gostamos do resultado e fomos incorporando ca-da vez mais elementos do samba e da bossa. No segundo CD, entraram os elementos de percussão brasileira, o pandeiro, a cuíca. Essa brasilidade era um detalhe que acabou se tornando nossa principal característica. O “Samba de Preto” é o amadurecimento dessa sonoridade. Chegamos onde queríamos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Misturar músicas típicas com rock em algumas faixas não é uma novidade, mas fazer disso a principal característica da banda não pode causar um estranhamento nos públicos de uma coisa e de outra?</strong><br />
Tocamos em eventos com vários gêneros de rock, e acabamos sendo uma surpresa boa. Nosso público é um reflexo da mistura. Temos fãs de 15 a 50 anos, de diferentes classes sociais, de gostos diferentes. Pode ser que na primeira impressão cause certa estranheza, mas quem en-tende a proposta acaba gostando do som. A aceitação, no geral, é bem grande dos dois lados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como é o esquema de composição da banda, pra ir juntando os instrumentos do rock com os do samba e da bossa?</strong><br />
Cada um leva suas ideias de melodia, de harmonia, pro estúdio e vamos construindo. Aos poucos, vamos experimentando o que cabe. Neste último CD, ficamos de janeiro a outubro só trabalhando na pré-produção. Foi tudo muito cuidadoso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi o encontro com o Eumir Deodato?</strong><br />
Conheci o Eumir através de um amigo que é produtor musical e me passou o contato dele. Mandei um e-mail pro Eumir com uma música do segundo disco. Ele retornou dizendo que tinha adorado, então o convidei pra participar do terceiro disco. Ele topou, e o mais legal é que abraçou mesmo o projeto, sempre fala da banda em entrevistas. Ele já trabalhou com gente como Tom Jobim, Frank Sinatra, Björk, e pudemos mostrar uma coisa nova de que ele gostou. Isso nos deixou muito felizes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E a Elza Soares, como entrou na história?</strong><br />
Queríamos alguém pra cantar comigo no disco, mas não uma pessoa só do samba, e sim que tivesse a ver com o projeto. A Elza canta diversos gêneros musicais, fez experimentação do jazz com samba. E tem um timbre forte, marcante, aquela voz rasgada. Achamos que isso tinha bastante a ver com o que estávamos fazendo e mostrei pro empresário dela o single do CD. Ela topou na hora. Disse que gostava de rock e nunca tinha gravado com esse tipo de banda. Ela já até aceitou fazer uma participação num show.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A banda tem 10 anos de vida, mas ainda carece de uma exposição maior. A participação de artistas como o Eumir e a Elza tem justamente o objetivo de ajudar nisso?</strong><br />
Sim. Até o segundo disco, era mais underground. Uma das ideias na concepção do “Samba de Preto” era mostrar o disco pro público em geral. Sentimos uma maturidade e decidimos trabalhar bastante na divulgação. Antes, a gente colocava as músicas na internet, fazia o básico. Neste disco, queremos fazer nossa música chegar às pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/eXis1kLuMiI" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/eXis1kLuMiI"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/MMhix8JLamc" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/MMhix8JLamc"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">*******</p>
<p>Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno <a href="http://www.mundoplug.com.br/" target="_blank">Plug</a>, do jornal <a href="http://www.gazetadelimeira.com.br/" target="_blank">Gazeta de Limeira</a></p>
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		<title>Metaleiro Por Uma Noite</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 11:26:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<category><![CDATA[sob_o_ceu]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>Sob O CEL #16</b>
O heavy metal permanece como sinônimo de um 'coming of ages' na vida dos jovens nerds nascidos a partir dos anos 70]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14382" title="iron1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/iron1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Metaleiro Por Uma Noite<br />
Sob O CEL #16<br />
por Carlos Eduardo Lima</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu e minha esposa acabamos de ver o mais recente DVD do Iron Maiden, “En Vivo”. Engraçado esse reconhecimento das bandas de rock pesado para com seus públicos latino-americanos. O AC/DC lançou “Live at River Plate”, um petardo gravado no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. O Maiden gravou um concerto inteiro no Estádio Nacional de Santiago, no Chile, numa turnê que passou pelos quatro cantos do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso do Maindem, o DVD duplo “En Vivo” traz o show na íntegra, parte da turnê “The Final Frontier”, nome do último disco de inéditas da banda, lançado no ano passado. O outro disco mostra um documentário minucioso sobre a tal turnê, nos mesmos moldes do filme anterior, “Flight 666”. Aqui, o Ed Force One, avião que o Maiden utilizou para percorrer o circuito da turnê reaparece numa versão Boeing 757, com mais autonomia de voo e espaço para carga redefinido. Entre ajustes técnicos e comentários de Bruce Dickinson, vocalista e piloto comercial, a banda mostra uma dedicação fora do normal para levar o máximo possível em termos de espetáculo ao máximo possível de pessoas em cidades desprivilegiadas pelo roteiro habitual das turnês de rock como Belém do Pará e Jacarta, na Indonésia.</p>
<p style="text-align: justify;">A dedicação da equipe e dos integrantes é espantosa, revelando uma cuidadosa infraestrutura por trás daquele teatro musical que levam ao palco. Isso me levou a uma digressão, sobretudo ao ver, mais uma vez, que o público dominante em concertos dessa natureza é masculino. Não há espaço para discoletes, intelectuais, hipsters, emos, sertanejos e rappers: o negócio é para ogros fãs de rrrrock. E, por mais que algum blasé venha tecer comentários antropológicos zona sul, Bruce Dickinson, Steve Harris, Dave Murray, Nicko McBrain, Adrian Smith e Janick Gers são acima de qualquer suspeita num palco, sendo que Harris é um dos mais conceituados baixistas do metal em todos os tempos. McBrain é um baterista virtuoso e o trio de guitarristas – Murray, Smith e Gers – ergue uma parede de 18 cordas a cada show. Resta a Dickinson, um boa praça nato, dono de um dos registros mais marcantes do rock, manter essa unidade tática operante ao longo do show. E ele consegue plenamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Engraçado que voltei minha atenção ao Iron Maiden após meu casamento. Minha esposa é baterista e fã da banda desde seus primeiros discos, ainda com o vocalista anterior, Paul Dianno. Quando fomos morar juntos, a coleção dela trazia um grande número de álbuns do Maiden, inclusive meus prediletos, “Powerslave” (1984) e “Seventh Son Of A Seventh Son” (1987). O primeiro é um clássico, já o segundo é visto com má vontade pelos fãs mais radicais porque tenta enfiar um virtuosismo progressivo aqui e ali. Mesmo assim, amigos, mantendo o meu grau de honestidade nesses relatos quinzenais aqui no S&amp;Y, preciso confessar que nunca fui muito fã de heavy metal. Sempre tive um pensamento que aliava a música à harmonia, a sons eminentemente não-agressivos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14386" title="iron2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/iron2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A partir de um determinado momento de adolescência tardia, fui começar a prestar atenção e coisas mais pesadinhas na década de 1990, via grunge e “And Justice For All” e “Black Album”, do Metallica. Isso me fez retomar um caminho aberto a duros golpes dentro de um sertão musical onde havia lugar apenas para sons leves, bonitinhos e harmônicos. Lá na minha aurora como ouvinte dedicado de música, ainda no início da década de 80, está arquivado um pequeno flerte com o universo heavy metal, típico dos sujeitos que estão se tornando homens, precisando provar para o mundo e para si mesmos, que são durões, mauzões, machões e capazes de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada disso, no entanto, estava na minha mente quando dei de cara com a capa de “Powerslave” numa tarde qualquer do segundo semestre de 1984. Imagino que esse contato tenha acontecido numa livraria do Leblon, chamada Tempos Modernos, que, claro, não existe mais. Acho que estava com meu grande amigo na época, Claudio Ratton, que morava em frente à livraria. Nós dois e outro amigo, Jaime Biaggio, éramos fãs de Queen e estávamos ouvindo música &#8220;mais a sério&#8221; e empreendendo certa imersão no universo nascente dos clipes, até então novidade absoluta na programação televisiva brasileira. Víamos o FM TV (Manchete), Clip Clip (Globo) e os programas BB Videoclip e BB Videoroll (ambos da Record, se não me engano). Jaime gravava os clipes em fitas Betamax e nos reuníamos na casa dele para assisti-los com direito a comentários e outras nerdices. Era uma época de expectativa pelo Rock In Rio, cuja escalação contemplava o temível Dia do Metal, a se realizar em 19 de janeiro de 1985 quando se apresentariam Scorpions, Whitesnake, AC/DC e Ozzy Osbourne.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse contexto surgiria o termo &#8220;metaleiro&#8221;, usado pela Globo para denominar o fã dessas bandas. O AC/DC nem poderia ser considerado uma formação de heavy metal, nem o Whitesnake, tampouco o Scorpions, estando os três muito mais para o terreno do hard rock e suas diferentes abordagens. O Iron Maiden (que abriria o festival em 11 de janeiro), sim, poderia ser chamado desse jeito. As letras satânicas, o sucesso do disco anterior &#8220;The Number Of The Beast&#8221;, cuja faixa-título era hit, as capas com variações sinistras do personagem simbólico do Maiden, Eddie, mostravam que havia algo ali.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando digo &#8220;havia algo ali&#8221;, significa que o simples ato de comprar “The Number Of The Beast’ era, de certa forma, transgressor. Você podia comprar &#8220;Back In Black&#8221; (AC/DC) ou &#8220;Love At First Sting&#8221; (Scorpions) sem qualquer problema. Comprar “The Number&#8230;” era um buraco mais embaixo. Nunca comprei o terceiro disco do Maiden. Nem “Powerslave”, o quinto, cuja capa eu estava vendo na Tempos Modernos ao lado do Ratton. Nela está uma pirâmide egípcia totalmente &#8220;from hell&#8221;, cujas estátuas de deuses foram substituídas por imagens sinistras do Eddie, além de detalhes tão pequenos de nós todos, como um impagável &#8220;Indiana Jones was here&#8221; e uma figura do Mickey Mouse, ambos pichados numa das estátuas. Aquilo era legal. Valia a pena ter uma camisa da banda com aquela imagem sensacional da pirâmide. Vejam, eu tinha 14 anos de idade. E ter essa idade em 1984/85, é muito diferente de tê-la hoje.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14388" title="iron3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/iron3.jpg" alt="" width="605" height="406" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em novembro daquele 1984, após algumas reuniões na casa do Jaime para ver mais clipes, surgiu a ideia de estragarmos a festa de aniversário de uma amiga da irmã mais nova do Ratton, Renata. Seria no playground do prédio do Jaime e era a chance para debutarmos como agentes do caos, da desordem e do mais puro mal heavy metal. Os três, devidamente paramentados, mais outro amigo do colégio, Fábio, nos organizamos para desarticular a festa, mas, sem saber exatamente como. Festinhas de playground eram a maneira nascente de celebrar aniversários e unir as turminhas de colégio e se dividiam em músicas rápidas – pra dançar – e músicas lentas, para tentar se dar bem com as meninas. No nosso caso, o contato com meninas no colégio era recente, datando do ano anterior, uma vez que o Santo Agostinho era uma instituição que deixara de aceitar apenas alunos do sexo masculino em 1983, abrindo sua sétima série para meninas. Eu, por minha vez, era um perfeito imbecil, preferia meu Autorama e minhas revistas de aviação militar, algo que Ratton também preferia. Estávamos então, talvez, descontando nossa invencibilidade nas festinhas, seja na hora da música rápida – porque tínhamos a desenvoltura de postes de luz dançando – ou da música lenta, na qual não arrumávamos absolutamente nada nem ninguém. Mas, você pode perguntar, como destruímos a festa e desempenhamos nossa função não-declarada de agentes do caos?</p>
<p style="text-align: justify;">Limitamo-nos a aparecer no meio dos colegas da irmã do Ratton, que deviam ser uns dois anos mais novos que nós, vestidos com camisas do Iron Maiden. A simples aparição de meninos maiores que a média de convidados da festa, sobretudo trajados daquele jeito hediondo, deveria causar pânico e temor. Não causou. Não tivemos nem a criatividade de sabotar o preparo de algum salgado ou cortar o fio do aparelho de som, dois atos que, certamente, atrapalhariam de fato o andamento da festa. Em vez disso, acabamos num canto, nos entreolhando e decidindo amealhar alguns salgadinhos restantes na cozinha.</p>
<p style="text-align: justify;">O que quero dizer com esse episódio pra lá de micoso é que o heavy metal é um estilo musical que permanece como sinônimo de um ‘coming of ages’ na vida dos jovens nerds nascidos a partir da década de 1970. É aquele signo que usamos para mostrar aos outros que crescemos e/ou estamos ficando mais velhos, fortes, maus e capazes de lidar com a vida. Mais do que você, imbecil. Isso nem sempre dá certo, como o relato pode facilmente comprovar. O que nos une em 1984/85 aos sujeitos da plateia lá do Estádio Nacional de Santiago em 2012 é a mesma coragem de nos expormos diante de um ambiente estranho, usando uma espécie de armadura musical. Tem a ver com ser jovem, com ser ingênuo, com a impressão de que rock pode (ou poderia) nos libertar dos fracassos com o sexo oposto, com a fase pré-alcool, pré-drogas, pré-mundo adulto. Às vezes a gente fica pensando que deixou algumas coisas pelo caminho, certo? E as acha lá no meio do show do Maiden no Chile.</p>
<p style="text-align: justify;">PS: Malditos padres agostinianos recoletos que, somente após nossa passagem pelo colégio, admitiram integralmente as meninas no Santo Agostinho. FDP&#8217;s!</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/EXjLGN2FH2w" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/EXjLGN2FH2w"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">CEL é Carlos Eduardo Lima (siga <a href="http://twitter.com/#%21/celeolimite" target="_blank">@celeolimite</a>),     historiador, jornalista e fã de música. Conhece Marcelo Costa por    carta  desde o fim dos anos 90, quando o Scream &amp; Yell era um    fanzine  escrito por ele e amigos, lá em sua natal Taubaté. Já escreveu    no  S&amp;Y por um bom tempo, em idas e vindas. Hoje tem certeza de  que  o   mundo como o conhecíamos acabou lá por volta de 1994/95 mas não   está   conformado com isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Sob o CEL #1: Uma Ajudinha Para Simon Reynolds (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/08/24/uma-ajudinha-para-simon-reynolds/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #2: Fé em Bruce Springsteen (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/09/02/sob-o-cel-2/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #3: Roberto Carlos - Quase Nada se Modificou (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/09/15/quase-nada-se-modificou/" target="_self">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #4: Sobre os 20 Anos de Nevermind (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/09/25/sobre-os-20-anos-de-nevermind/" target="_self">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #5: Precisamos de um “Titanomaquia” (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/10/15/precisamos-de-um-titanomaquia/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #6: Sobre Lou Reed, Metallica e Discos Estranhos (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/11/09/sobre-discos-estranhos/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #7: Ringo Starr e a Microhistória (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/11/22/ringo-starr-sua-banda-e-a-microhistoria/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #8: O Fator Foo Fighters - Uma Crise Submarina (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/12/06/o-fator-foo-fighters/" target="_self">aqui</a>)<br />
<span>- Sob o CEL #9: A Educação Sentimental do Kid Abelha (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2011/12/19/a-educacao-sentimental-do-kid-abelha/" target="_self">aqui</a><span>)<br />
<span>- Sob o CEL #10: A Cinturinha da Paula Fernandes (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2012/01/09/a-cinturinha-da-paula-fernandes/" target="_self">aqui</a>)<br />
<span>- Sob o CEL #11: Michel Teló, Vai Pra P… (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2012/01/26/michel-telo-vai-pra-p/" target="_self">aqui</a><span>)<br />
- Sob o CEL #12: Progs, Reacionários e Conservadores (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/13/progs-reacionarios-e-conservadores/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #13: Guilheme Arantes e a Amnésia do Pop (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/10/guilheme-arantes-e-a-amnesia-do-pop/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #14: Madureira 0 x 1 Bangu (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/26/madureira-0-x-1-bangu/">aqui</a>)<br />
- Sob o CEL #15: Os Jovens, O Rock e O Conhecimento (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/04/20/os-jovens-o-rock-e-o-conhecimento/">aqui</a>)<br />
</span></span></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Pagando uma dívida para Steve Harris e Iron Maiden, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2007/05/31/um-debito-com-steve-harris/">aqui</a>)<br />
- As muitas faces de Eddie pós-Derek Riggs, por Renato Beolchi (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/08/24/as-muitas-faces-de-eddie-pos-derek-riggs/">aqui</a>)<br />
- Em “The Final Frontier”, o Iron Maiden surpreende… por quatro minutos (leia <a href="http://screamyell.com.br/site/2010/08/24/cd-the-final-frontier-iron-maiden/" target="_self">aqui</a>)<br />
- Saiba como foi o show do Iron Maiden em Belém, por Adriano Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/04/06/iron-maiden-em-belem/">aqui</a>)<br />
- Um Adolescente Nos Anos 80: &#8220;The Number Of The Beast&#8221;, Iron Maiden (<a href="http://www.screamyell.com.br/pms_cnts/tkquatro.html">aqui</a>)</p>
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		<title>Balanço Sónar São Paulo 2012</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 00:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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Balanço Sónar São Paulo 2012
“Quando falamos do Sónar parece que estamos falando de tecnicismos, coisas especializadas e intelectuais, e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14352" title="sonar11" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar11.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Balanço Sónar São Paulo 2012</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Quando falamos do Sónar parece que estamos falando de tecnicismos, coisas especializadas e intelectuais, e essa não é nossa intenção. O festival é aberto para todo mundo. Há uma vivência, uma experiência em participar do festival que é apresentada de uma forma totalmente aberta a todos”</em>, Enric Palau em entrevista ao Scream &amp; Yell.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse parágrafo, já no fim do bate papo por telefone de um dos criadores do Sónar, na Espanha, com o editor do Scream &amp; Yell, acenava uma pequena preocupação na forma com que o festival poderia ser recebido pelo público brasileiro. Será que a veia intelectual do festival iria afastar as pessoas (mesmo com pesos pops como Cee Lo Green e Criolo no line-up)? Qual seria o público que iria bater ponto no evento? Com quem estamos falando? Dúvidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Passados os dois dias do Sónar São Paulo, pode se dizer que o aceno de preocupação deu lugar à comemoração. Não que a edição 2012 do festival na capital paulista tenha sido impecável, muito pelo contrário (atrasos constantes e uma sinalização pouco eficiente da localização dos palcos incomodaram muito), mas se os ingressos não esgotaram nas bilheterias, um ótimo público marcou presença credenciando futuras edições.</p>
<p style="text-align: justify;">Para fugir da cobertura óbvia, o Scream &amp; Yell optou por levar ao festival uma equipe de cinco profissionais (quatro repórteres, uma fotógrafa). Assim como fizemos na cobertura do Planeta Terra 2011, o que nos interessava era mostrar/chocar a experiência destes quatro profissionais no festival (livres para ver o show que quisessem) buscando assim criar um painel mais amplo do que realmente aconteceu no Anhembi nestes dois dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro, não conseguimos ver todos os shows – e nos sentimos desobrigados disso. A ideia era acompanhar o festival, viver a experiência, tentar entender o que estava acontecendo e, no meio disso tudo, assistir aos shows, beber cerveja e descobrir nomes que não conhecíamos. O avançado do horário (tanto quanto o horário mais cedo dos primeiros nomes do sábado) derrubou alguns nomes que queríamos ver, mas não vamos chorar sobre o uísque derramado.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo você irá conferir os relatos de <strong>Andrea Fabiana</strong> (<a href="https://twitter.com/#!/deafabiana" target="_blank">@deafabiana</a>), <strong>Andressa Monteiro</strong> (<a href="https://twitter.com/#!/monteiroac" target="_blank">@monteiroac</a>), <strong>Leonardo Vinhas</strong> (<a href="https://twitter.com/#!/leovinhas" target="_blank">@leovinhas</a>) e <span style="color: #000000;"><strong>Marcelo Costa</strong></span> (<a href="https://twitter.com/#!/screamyell" target="_blank">@screamyell</a>) ilustrados pelas fotos de <strong><span style="color: #000000;">Liliane Callegari</span></strong> (<a href="https://twitter.com/#!/licallegari" target="_blank">@licallegari</a>). E a participação de <strong>Bruno Capelas</strong> (<a href="https://twitter.com/#!/noacapelas" target="_blank">@noacapelas</a>), que gostaria de estar no Anhembi, mas acabou optando por outro roteiro. Não é apenas Sónar, é São Paulo. No fim, o que temos não é só um retrato borrado (às vezes feliz, outras triste) de um festival, mas um rápido reflexo no espelho de uma cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o Sónar. Essa é São Paulo. E esses somos nós. Embarque na experiência.</p>
<h2 style="text-align: center; "><strong>Festival Sónar – Primeiro Dia</strong></h2>
<h2 style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14353" title="sonar2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar2.jpg" alt="" width="605" height="403" /></h2>
<h2 style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;">18-20h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Andrea Fabiana</span></strong> – Deixei o trabalho na Berrini (para quem não é de São Paulo: é longe pacas) às 18h30 com o Mac e perto das 19h15 chegamos a casa dele, perto da Paulista, para encontrar a Andressa, a Liliane e o Leonardo.  Rápido esquenta (sem álcool) ao som de Kraftwerk e El Cuarteto de Nos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro</strong> - Trânsito da Paulista, e no som Stevie Wonder! Não tive vontade de escutar nada antes, pois queria saber o que estava por vir. Confesso que a minha impressão mudou completamente quando cheguei ao Anhembi&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas</strong> - Sabe aquele dia que você percebe que está todo mundo indo fazer alguma coisa e só você que não? Então, sexta-feira aconteceu isso comigo: todo mundo na redação onde eu trabalho só pensava no Sónar e no James Blake e no dubstep e no Kraftvérqui, enquanto eu me preparava para o show dos Los Hermanos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas</strong> - Resolvi abrir a cabeça para encarar de espírito aberto a primeira maratona de shows, e deixei &#8220;We Built This City&#8221;, do Starship, no repeat em meu MP3 player durante o trajeto da Vila Leopoldina, onde trabalho, até a parte central da Bela Cintra, que é onde o Mac mora. A ideia era ficar com uma música tão merda na cabeça que qualquer coisa que viesse depois seria muito bem recebida. Não deu muito certo: logo eu estava cantando o refrão entusiasmadamente e me lamentando por não ter um terno colorido e um mullet anos 80. Mea culpa. Já na casa do Mac, a esposa dele me salva, deixando “Radioactivity” rolar solto. Que disco lindo! Equipe agrupada, vamos eu, Andressa e Andrea de metrô até o Tietê, e de lá, táxi. Chegamos rápido. Obrigado, Linha Amarela!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa</strong> – Passei boa parte do dia imaginando uma forma rápida de driblar o transito e o caos de São Paulo numa sexta-feira. Impossível. O Sónar São Paulo prometeu abrir os portões às 19h, mas ninguém chega a lugar nenhum em São Paulo às 19h de um dia normal, quiça de uma sexta-feira. Deixei o trabalho na Berrini um pouco mais cedo e encarei o trem mais cheio do que o normal (a expressão “lata de sardinha” ganha perpetuidade todo dia na capital paulista), e o metrô um pouco mais sossegado. Foi possível chegar em casa nos mesmos 45 minutos diários. Detalhe: já tentei pegar taxi Berrini/Paulista e o máximo que ele consegue fazer é em torno de 55 minutos. Linha Amarela &lt;3</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14407" title="sonar24" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar24.jpg" alt="" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">20-22h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana</strong> - Festival grande em plena sexta-feira pós-labuta é difícil. E como. Alguns músculos do pé me indicavam que iria ser uma noite complicada. Empolguei-me ao passar pela catraca do credenciamento e receber os óculos 3D para o show do Kraftwerk. Devo ter soltado um gritinho ridículo na frente do segurança, que me deu um olhar de desprezo. Passamos pelos stands dos patrocinadores e chegamos à porta do Sonar Hall, mas apenas entramos para ver se achávamos alguém que nos pudesse indicar a localização da sala de imprensa. Com a vaga ajuda de algumas placas, finalmente conseguimos achar. Não pensei duas vezes e fui logo bebendo dois copos cheios de café, pois sabia que seriam necessários.  Encontrei uma amiga, que já soltou sua primeira reclamação: “Estão cobrando R$ 5 reais por dois Twix&#8230; MINI!!”. Dei risada e só consegui dizer “Tenso”. Corremos então para assistir ao DJ set de James Blake no Sonar Club.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>– Peguei o show do James Blake do meio para o final. Ele conseguiu, de maneira atrativa, casar entretenimento visual com som. As imagens utilizadas tinham uma história, um apelo, aquela vontade de ver mais. Único problema: ele acabou tocando mais de duas horas e não foi lá muito receptivo com a plateia. Acabou o show e fui circular. O modo com que as pessoas se portavam me chamou a atenção. Fiquei imaginando quanto daquelas pessoas realmente conheciam o que estavam ouvindo, ou se apenas estavam presentes por causa do status que o evento representava. Sabe aquela coisa: “Adoro esta banda, mas só conheço uma música que foi trilha daquele filme ou tocou na casa de um amigo?”. Quem já não passou por isso, certo? Eu mesma fui com o intuito de descobrir e me surpreender com coisas novas, mas ao contrário disso, vi pouquíssima interação. Tinha a sensação de estar em uma balada, onde as pessoas apareciam para ver e serem vistas. Um desfile de moda, de tendências, do high tech, do moderno e do descolado. Se o festival queria ir nessa direção e atingir um público-alvo específico, conseguiu cumprir a meta com sucesso. Deixei os pensamentos de lado e fui conferir o SonarCinema. Resolvi passar por lá com a minha cervejinha na mão e logo o segurança alertou que não seria permitida a entrada com bebidas alcoólicas ou câmeras fotográficas. Perdeu uma espectadora. Não me atrevi a perguntar o que mais não podia fazer, com medo de ele puxar uma lista grande de proibições. Engraçado, né? O público consome a bebida no local, mas não pode entrar em certos lugares com o que comprou? Mais uma novidade, só que dessa vez, nem tão boa assim. Fui para o Cut Chemist e durante a performance, ouvi um trecho de Beastie Boys sendo tocada. Fiquei feliz com a lembrança e homenagem feita ao MC Adam Yauch. Esse fragmento de momento foi o que me deixou mais animada para o resto da noite, que só estava começando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas </strong>- “Do outro lado da cidade”, como cantou Roberto Carlos, e me arrependendo amargamente de não ter sido mão de vaca três anos antes e ter pulado o Just a Fest, lá estava eu na Barra Funda para ver Amarante, Camelo e companhia bela. No táxi - não peguei o metrô porque só tenho amigo enrolado - e na fila pra entrar no Espaço das Américas, eu tentava entender como é que eu tinha chegado ali. Eu sustentava uma relação de amor e ódio com os barbudos mais barbudos da cidade: ao mesmo tempo em que algumas de suas canções faziam meu coração pular uma batida (&#8221;O Vento&#8221;, &#8220;Sentimental&#8221;, &#8220;Condicional&#8221;), outras me davam um tédio e desgosto tremendo (&#8221;Morena&#8221;, &#8220;Retrato pra Iaiá&#8221;, &#8220;A Outra&#8221;). Além disso, apesar de ter tido tempo para curtir a banda ainda na sua época ativa, só fui mesmo me interessar pelos Loser Manos lá para 2007, 2008, por causa de uma ex (é sempre assim). Passei batido pelas turnês de volta da banda, e acho que só fui parar na Barra Funda por força da insistência de dois amigos: &#8220;Pô, é a banda da nossa geração. É o zeitgeist, você não pode deixar o zeitgeist pra trás&#8221;, disse um deles. Fui facilmente convencido, eu sei. Ao entrar, os alto-falantes horríveis do Espaço das Américas – desisti de entender porque ainda fazem shows lá depois da caixa roufenha em “How Soon is Now?”, em março – tocavam o que identifiquei como &#8220;Wish You Were Here&#8221;. Poucas vezes essa música fez tanto sentido, como se as sete mil camisas xadrezes presentes ali quisessem parar o tempo-espaço por pouco mais de duas horas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>- A rapidez da chegada mostra-se ineficaz graças à (des)organização do fetsival. A procura pela sala de imprensa – onde pretendíamos deixar nossas bolsas e mochilas – demora, já que não havia muita sinalização, e no fim, não tinha onde guarda-las. Um Anhembi semivazio fica alheio à nossa busca e&#8230;e o que mesmo? O tal papo de &#8220;música inovadora&#8221; tinha me deixado curioso. Estava crente de que ia encontrar um povo mutcho loco, gente que você não vê todos os dias. Mas julgando pelo palco Sónar Village, parecia que eu tinha pego a Linha Verde no sentido Augusta numa noite de sexta. Passam-se alguns minutos, e o panorama muda: já vira um povo meio Vila Madalena. Se você mora em São Paulo, sabe do que estou falando. Se não, nem esquenta que eu resumo: o primeiro povo é metido a besta e o segundo é coxinha. Cerveja (Miller, R$ 7,00) em mãos, e já na companhia do Mac, vamos em busca de outros palcos. A desorganização atrapalha mais uma vez: difícil identificar o que é o que (não tem uma única faixa nomeando os palcos). Quando chegamos ao Sónar Hall, descobrimos que não podemos entrar com cervejas ou máquinas fotográficas nem lá nem no Sonar Cinema. Desencanamos de tudo: o Mac vai dar um rolê, eu e a Andressa ficamos conversando sobre Neil Strauss, sexo tântrico e Jesus. Tá, menti sobre um desses tópicos. Mas os outros dois são verdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Marcelo Costa </span></strong>- Brinde de sexta-feira à noite: um taxista que não sabe chegar ao Anhembi. E não tem GPS. Sei que você já começa a duvidar da credibilidade do tiozinho, mas ele estava na maior boa-fé, só que perdido – e me fazendo atrasar mais. Errou o caminho três vezes, deu uma baita volta desnecessária no Sambódromo, e quando parou o carro em frente à entrada do festival, se desculpou: “Não costumo fazer esse trajeto, me desculpa. Vou tirar R$ 10 do preço final pelas entradas erradas”. Já dentro do festival, começou um rápido cenário de caos de organização. Pessoas que haviam comprado ingressos pela internet formaram uma fila de quase 2 mil almas recebidas por três atendentes. Decisão da produção: “Fala pro James Blake enrolar a galera que vamos atrasar todos os shows”. Então é isso: investe-se em um APP do festival e distribuem-se 10 mil mapas com localização e horários, mas os horários deixam de ser cumpridos e todo mundo que se organizou em casa para ver este ou aquele show perde todo o trabalho, o horário dos shows (telões estão ali pra que?), a direção dos palcos (com sinalização nula) e ainda tem que aguentar um cara com o mínimo senso de carisma enrolar numa discotecagem. Mas são coisas de um primeiro dia de um novo festival, e a gente tem que aceitar esperando que no futuro (de preferência, no dia seguinte), tudo volte ao normal.</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14355" title="sonar4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar4.jpg" alt="" width="605" height="403" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">22-00h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>– O som de James Blake começou devagar e o espaço ainda estava relativamente vazio. Coincidiu que, ao acelerar o ritmo de suas músicas, o Sonar Club foi enchendo cada vez mais, com as pessoas andando e dançando ao mesmo tempo. Eu, que não alcanço os 1,60m de altura, tive que optar pela lateral vazia, pra conseguir enxergar alguma coisa. E eu queria ver de perto! Entre uma música e outra, ouviam-se os comentários “esse cara é gato, viu!”. E sim, confesso, eu fazia parte desse grupo. A discotecagem me agradou mesmo quando começou um leve pancadão que me fez dançar um pouquinho mais do que apenas mexer o pé. O momento ápice foi quando ele apresentou os remixes de “Soldier”, do Destiny&#8217;s Child, e outra do disco solo da Beyoncé. “Hmmm&#8230; Se revelou com essas músicas!”, disse alguém, mas preferi não pensar sobre o assunto. E não quero até agora. O cara é muito gato. Nem me importei com a ausência de interação com o público. Umas 23h e pouco, ele bateu palmas para os presentes, vestiu o casaco e saiu do palco ao som dos gritos da galera.  Após uns 20 minutos, já com a maioria usando os óculos 3D (e teve quem dispensou), entrou Kraftwerk. O show foi aberto com “The Robots”, que foi cantada de forma empolgada pelo público. Os efeitos 3D são um pobrinhos, mas decidi prestar atenção no show em si e curti do mesmo jeito. Eu tinha planejado escapar para ver o Criolo, mas bastou tocar “Man Machine” pra eu ficar amarrada no Sonar Club.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>– Kraftwerk:  um show muito bem planejado e executado, mas não passou disso. Os fãs pareciam gostar do que viam, mas não sei se posso dizer o mesmo sobre os curiosos – que estavam lá para se familiarizar. A qualidade do som estava boa, mas faltou emoção. Parecia que os mesmos robôs frios e mecânicos das imagens exibidas na abertura de “The Robots” criaram vida e substituíram os verdadeiros integrantes de carne e osso do grupo. Um amigo disse, e tive que concordar: “Se você tocar o disco em casa, vai soar do mesmo jeito”. Saí e fui para o show do Criolo, mas me perdi. A pouca sinalização não ajudava. Eram apenas três palcos, com uma estrutura gigantesca, mas eu olhava para o lado e via a expressão das pessoas, como querendo dizer: “Onde a gente está?”. Um cara até parou e disse: “Ainda tá rolando o show do Kraftwerk? Sabe me dizer onde é?”. Por sorte, ele teve as indicações que demorei a conseguir, mas finalmente achei o Sonar Hall, com o palco montado em um teatro, com cadeiras, mas quem quisesse levantar e dançar, também tinha toda a liberdade (mas, lembre-se: não podia entrar com cerveja). “Não Existe Amor em SP” trouxe imagens mostrando pontos diversos da cidade no telão, e gostei mais das projeções do que da letra cantada. Havia uma preocupação em contar, por meio de fotografias contextualizadas, a história e o significado da canção.  O show seguiu, ele tocou as famosas e animou todo mundo. Era um público diferente, despreocupado, caloroso, que curtia o momento, e parecia mais animado, solto e menos preocupado em “analisar” ou entender a música feita. No meio do show, o número de pessoas aumentava. Enquanto uns entravam, outros saiam pulando, felizes e satisfeitos com o que tinham presenciado. O show terminou bonito, com ele agradecendo: “Vocês poderiam estar em outros lugares, mas escolheram ficar aqui. Muito obrigado!”. Querendo ou não, Criolo tem carisma e soube levar o show com qualidade, sem altos e baixos. A banda que o acompanhava era excelente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas </strong>- Com quinze minutos protocolares de atraso, Camelo, Amarante, Medina e Barba (e companhia limitada) foram recebidos no palco com uma ovação inacreditável. Talvez estivesse aí a grande força desse show: ver a vibração do público. Era difícil não se arrepiar quando braços se erguiam para berrar refrãos como “e a banda diz, assim é que se faz” ou os “olha lá” de “O Vencedor”, a bem da verdade. Mas, nesse caso, o que é virtude também é problema: não importava se o som estava muito ruim, com guitarras muito altas, pouca equalização e ausência de detalhes, chegando à plateia como um disforme tijolo sonoro. Não importava muito bem também se a banda errava um bocado ou se perdia na execução em alguns momentos – por vezes, a bateria bem executada de Barba parecia estar à frente ou atrás do que os outros músicos faziam no palco. O que valia é que aquelas canções – incluindo os grandes momentos de “O Vento”, “Cara Estranho”, “Deixa o Verão” e “Azedume” – estivessem sendo tocadas ali, quase como se os hermanos investissem em um cover de si mesmos. É pouco para a banda brasileira mais influente dos últimos quinze anos. (Repito: influente. Mais uma vez: influente).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>- Passando pelo Sonar VIllage, vemos no palco&#8230; Danilo Gentili de terno tendo espasmos? Não, era o final do DJ set do James Pants. Parecia ter sido animado – o figura, pelo menos, não parava quieto no palco, e a música parecia bem audível. Mas o público estava mais preocupado em ser visto que ver. Não frequento a cena eletrônica, mas imagino que é de bom tom dançar em um DJ set. Mas não estava rolando. Pena. Parecia ter sido legal. Muitas e muitas pernadas depois (não foi fácil achar o SonarClub), Kraftwerk com o show 3D. Meu Deus, eles estão abrindo com &#8220;The Robots&#8221;! Nunca a maquinização do homem foi tão bem resumida, tampouco emoldurada numa melodia tão bela! E olha só: está igualzinha à versão do disco “The Mix”! Muito igual&#8230; Hm&#8230; Depois de algumas músicas, decido que está tudo MUITO igual MESMO. É praticamente o disco em alto e límpido volume. Ok, tem as projeções 3D. Mas a coisa é toda meio “Avatar”: muito artifício bonito, mas falta a história. E o Kraft tem história. Mas não estava aparecendo. Incrível: o show que eu mais queria ver me desaponta. Tudo executado tão perfeito que fica&#8230; &#8220;maquínico&#8221;, como diria Gilberto Gil. Pode ser essa a proposta da banda, e provavelmente é. Mas não era pra mim naquela noite. Mantendo o espírito de &#8220;manter a cabeça aberta&#8221;, passo ao show do Criolo. Em disco, o rapaz nunca me convenceu, e o hype só fazia piorar as coisas (comparar &#8220;Não Existe Amor em SP&#8221; com &#8220;Ronda&#8221; é como comparar legendas de fotos do Facebook com versos do Mario Quintana). Me parecia que o maior poder dele era ativar a produção de fluidos vaginais nas redações de revistas femininas e salas de aula da FAAP. Amigos tinham me dito, entretanto, que ao vivo a coisa fazia sentido musicalmente. E fez. E como fez. Acompanhado de uma banda muito boa, com músicos que conhecem de fato seus instrumentos, Criolo manda um groove fácil e bonito, mas nada simplório. Contagiou, conclamou à dança e foi, aos poucos, lotando o SónarHall; as canções se sucediam e o tempo passava célere (sempre quis usar essa frase). Não é impecável (tem umas canções que não dão liga, como um bolerão brega e um reggaezinho nheco-nheco), mas deu para aproveitar o momento de baixa para ver um pouco do DOOM no SonarVillage (uma barulheira da porra e muita gente dançando, entre eles manos verdadeiros e manos wannabe). De volta ao Criolo, ainda vejo ele fechar o show com humildade e discrição. Em estúdio ele continua não me convencendo. Porém, ao vivo ele me fez ignorar a única chance de ver uma banda que escuto desde os oito anos de idade. Bom quebrar os próprios preconceitos, não?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa </strong>– A ideia era ver um pouquinho do Cut Chemist, mas o atraso vitimou o show na minha agenda pessoal: 22h55 (o show estava marcado para às 22h30) parti feliz para o SonarClub, onde o Kraftwerk deveria mostrar sua história (agora em versão 3D) a partir das 23h. Deveria. James Blake ainda brincava de DJ quando cheguei ao local, o que possibilitou encher novamente meu copo de cerveja. O show começou exatamente meia hora atrasado (desculpa ae, Cut, deveria ter ficado), mas assim que “The Robots” deu o start na apresentação, a emoção tomou conta da razão. O 3D tosco, embora funcional, rendeu bons momentos (principalmente para quem estava colado no palco), e uma aula de história foi jogada no colo do público (ainda mais sintomático quando um show desses acontece em um festival de música avançada). Eu só conseguia pensar: “Imagina esse mesmo show numa sala do MOMA!”.  Não que tenha sido perfeito. A dobradinha “Tour de France 1983 / 2003” soou longa demais, e talvez esse seja um dos raros shows de música que não deveriam passar de uma hora de duração (no Sónar São Paulo foi uma hora e meia), porque acaba tornando-se repetitivo, mas ainda assim (após 17 músicas) deixei o local com um sorriso de orelha a orelha. Baita show. História com H maíusculo (para os olhos e ouvidos). Ok, assumo: dei uma fugidinha rápida no meio do show para olhar a apresentação do Criolo. Consegui ficar 1 minuto e 53 segundos e confirmar que a postura séria e maleta do personagem contaminou o tesão que eu sentia pelas canções. Uma pena, mas de boas canções o inferno (felizmente) está cheio. Music Non Stop.</p>
<h2 style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14356" title="sonar5" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar5.jpg" alt="" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">00-02h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>- Aquela amarração que comentei antes durou pouco. Me deu um momento de ansiedade perto do fim do Kraftwerk e quis dar uma volta. A minha companhia topou e sugeriu irmos para o Sonar Village, onde estavam outros conhecidos. Antes disso, passei no bar e dei graças a Deus pelas filas rapidinhas. De fato, a única fila “grande” que peguei foi a do banheiro, que já foi bom porque não era químico. Dou valor demais a banheiro de verdade, talvez. O clima no Village estava bastante agradável, com muita gente, mas tranquilo para circular. Cheguei bem no começo do set do DJ Zegon com o Sonidos Unidos Sound System, que estava com meia hora de atraso (como quase todos os shows no festival), mas isso acabou sendo positivo pra quem queria ver um pouco dos palcos Club e Village naquele horário. O  cansaço já estava marcando presença, mas foi interrompido quando ouvi os remixes de “Harder, Better, Faster, Stronger”, do Daft Punk, e “Salmon Dance”, do Chemical Brothers, que teve as partes do Fatlip cantada pelo rapper americano, convidado do Zegon. Animei-me para disfarçar a dor nos meus pés, que gritavam “Cadeira, já!” há uma hora. Passei 10 minutos na sala de imprensa pra beber mais um café, fazer uma massagenzinha de 20 segundos nos meus pés e voltei.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>– Fiquei esperando pelo Emicida. Nesse intervalo, entre uma conversa e outra, mais um problema com a organização. Perguntei para outro colega: “Ei, onde você pegou o panfleto com a programação de hoje? Estou atrás disso desde que eu cheguei!”. Ele me respondeu imediatamente: “Achei jogado no chão! Pura sorte!”. Não me choquei também com o preço dos alimentos e das bebidas, confirmando a média cobrada em shows e festivais de grande porte. No entanto, não pude deixar de notar a má distribuição de locais de comida com relação aos bares que estavam por toda a parte. Você só encontrava o que comer em uma área específica, perto do palco principal – e longe dos demais palcos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas </strong>- No bis, os Los Hermanos mostraram aquela que é a sua melhor canção. Sim, estou falando de “Anna Júlia”, pop até a medula, gravada por George Harrison, cantada por todos os presentes (até os seguranças), fazendo valer o preço do ingresso (caro, como sempre). Na sequência, encerram o show com outras duas pauladas do álbum de estreia, o disco mais subestimado do grupo, da época que os irmãos Campelo e Almirante (um abraço, Adolar Gangorra) ainda eram filhos da ligação esquizofrênica entre hardcore e frevo: “Quem Sabe” e “Pierrot”. Findo o show, “valeu, tchau”, e “Maybe I’m Amazed” nos alto falantes (cortesia de Maurício Valladares). Em uma noite normal, eu iria para casa e dormiria tranquilo e sossegado, compensando as poucas horas de sono da noite anterior. Mas como a vida cada vez mais se parece com um desenho animado, acabei indo parar em uma festa na USP “contra a moral e os bons costumes” (vai vendo), numa continuação psicodélico-bizarra-universitária-liberal do show dos Los Hermanos. No caminho, um amigo que estava no Sónar liga: “Então, vou sair daqui, cês me pegam no Metrô Butantã?”. Tá, né. Vale dizer: ele saiu do Anhembi sem ver o show do Kraftwerk – o único da sexta-feira do Sonar que me interessava absurdos. Pensa num cara que estava fazendo as coisas errado&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>– Pego alguma coisa do DJ Zegon &amp; Unidos Sound System – e acabo ficando menos tempo do que leva para dizer o nome deles. Um passeio pelo ambiente me coloca em contato com um Anhembi cheio de povo-balada: peruas de salto alto e megaproduzidas, bombadinhos depilados de camisa justa e gordos carecas atrás de garotinhas. Como até para quebrar preconceitos tem limite, resolvo ir embora. Afinal, o dia seguinte promete ser mais longo. Antes, dá tempo para rever um grande amigo das antigas, o fotógrafo e jornalista Paulo Bórgia. Conversamos sobre o finado Alternative Voices (se alguém se lembra, escreve aí nos comentários) e sobre o fato de estarmos com sono. Boa noite.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa</strong> – Kraftwerk finito, e uma lista divertida de tweets me fazia rir sozinho no caminho entre um palco e outro: “Bjork cancela e Sonar chama Kraftwerk, que não libera imagens e MTV passa Criolo. Saudades da Bjork&#8230;”, mandou @AndreBarcinski. “2 ou 3 coisas q ñ mudam nunca: o som do Kraftwerk e perfurme de puta”, comparou @XicoSa. “Sem Kraftwerk na MTV, fui de Bastardos Inglórios na TNT. Alemão por alemão&#8230;”, disse @elson. Havia passado da 1h30 da manhã, e eu queria muito ver Emicida. Garanti as três primeiras músicas, e fiquei com a certeza de que o show seria bom, mas não sensacional. Parti em direção a uma pizza de calabresa com coca-cola. Estou esperando a hora que algum festival brasileiro irá investir nos pequenos restaurantes, nas barraquinhas, como os gringos. O primeiro que fizer isso dará um salto enorme de qualidade em relação aos outros. Quem aguenta pizza chiclete, macarrão em copo e hot-pocket? Brasil, por favor, me surpreenda.</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14357" title="sonar6" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar6.jpg" alt="" width="605" height="403" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">02-04h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>- Ia voltar direto para o Village e assistir Emicida, mas apenas por curiosidade quis passar antes no Sonar Hall. Eram 2h15, então em teoria o Tahira estava discotecando. Levei uma bela surpresa quando vi que o Little Dragon ainda estava no palco! Cheguei a lamentar o fato de ter perdido o show, mas consegui pegar três músicas. O que mais me chamou a atenção foi o espaço em si. Eu achava que o Village estava em um clima relaxado, mas o Hall levou a medalha de ouro. Estava escuro, fresco e muitas cadeiras estavam ocupadas por quem curtia o show tranquilamente, mas tinha um espaço na frente do palco cheio de fãs que queriam dançar ou ficar perto pra interagir com a vocalista da banda sueca. No Village assisti um pouco do show do Emicida, sem muitas novidades pra quem já viu seu show nas casas menores de São Paulo, mas animado da mesma forma. O “túnel” que levava para o palco principal estava cheio e então eu e a minha amiga lembramos que o show do Chromeo iria começar. Já estava na segunda música quando chegamos, e logo começamos a dançar. Ri muito com as danças psicodélicas de um grupo de amigos do nosso lado e de um cara que segurou um bambolê no alto o show inteiro. Perto do fim, ficamos com vontade de assistir o DJ Marky vs. DJ Patife e chegando lá estavam rolando uns “putz putz” menos interessantes do que a minha cama, que me aguardava quentinha. A vontade de abraçar o mundo e assistir tudo era grande, mas o cansaço ganhou. Táxi, cadê?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>- Emicida começou o show um pouco depois das 2h, com um público grande, que ocupava boa parte da pista. Era ele, um guitarrista e um DJ. Simples, curto e direto. Músicas como “Sou Negão” animaram, e o show foi encerrado com “Triunfo”. O videoclipe da música foi passando nos três telões do palco simultaneamente. Nisso, a garoa fina já caia. Voltei para casa pensando se, entre três palcos e dezenas de artistas tocando, conseguia entender o termo “musica avançada mundial” proposto pela organização. Quando penso em festivais, sempre me vem o sentimento de união e paixões em comum: pelos artistas, pelo dinheiro gasto e tão suado que, nós jovens, quase não temos, pela difícil decisão de deixar de ver uma banda para ver outra, já que os horários entre os shows são tão próximos nestas ocasiões. Mas, principalmente, pela interação tanto do público quanto do artista, independente do gênero musical. Confesso que senti falta da gritaria, da emoção ao cantar as letras, da exaltação, dos pulos e da entrega. Porém, a novidade – que muitas vezes pode ser apenas falta de costume – é a de contemplar, de ouvir com calma e atenção cada melodia, harmonia e elemento de uma canção, de abrir a cabeça para o que não estamos habituados a escutar. Também fica o elogio para a qualidade e variedade de atrações. Faltou o fator surpresa, mas, no geral, acredito que o Sónar conseguiu se sair bem nesse primeiro dia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas</strong> – Na sexta-feira, mais cedo, um dos assuntos do almoço tinha sido a volta da Legião Urbana com Wagner Moura nos vocais. Ali, no último andar da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, tive um vislumbre do futuro: a situação por lá era tão bizarra como imaginar Capitão Nascimento ou o Homem do Futuro cantando &#8220;festa estranha, com gente esquisita&#8221;. Eu olhava para um lado e via faixas ecoando o momento político conturbado da Universidade (“Fora PM, Fora Rotas”), olhava para o outro e via dois grandes amigos héteros (até onde eu sabia) se beijando.  À minha frente, algo que só em São Paulo pra acontecer: uma banda cover de Itamar Assumpção berrava &#8220;Prezadíssimos Ouvintes&#8221;, &#8220;Luzia&#8221; e outros petardos do Nego Dito, cantando a palavra de ordem: “e se chamar a polícia, a boca espuma de ódio”. Andando um pouco mais além, muitas(mas muitas) pessoas peladas, dançando de maneiras pouco ortodoxas, lembrando um pouco a coreografia bisonha de Thom Yorke no clipe de “Lotus Flower” – aliás, ecoava quase toda hora na minha cabeça o grito desesperado de “what the hell am I doing here?”. 97,5% sóbrio, Hunter Thompson às avessas, a minha noite só iria terminar lá pelas seis da manhã, na casa de uma amiga, após muita chuva, muita confusão e muitos caminhos errados, ao melhor estilo “Harold e Kumar Go to the White Castle”. Às vezes acho que estou velho demais pros meus 20 anos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>– Zzzzzzzzz</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa</strong> – Nunca entendi a babação de ovo com o Chromeo. Os vi em uma festa de lançamento de um carro ano passado (ou retrasado) e foi um dos shows mais chinfrins ever. Ou seja, não queria repetir a dose, mas alimentado (não existe pizza ruim, certo) e decidido a caminhar em direção a um taxi, consegui ouvir o começo da terceira música do show (as outras duas ouvi ao longe, na praça de alimentação, no fundo do palco principal) e só esses rápidos segundos valeram muito mais do que aquele show fechado. Até fiquei com vontade de ficar para ver qualé, mas o corpo pedia cama. No dia seguinte conferi os tweets deles: &#8220;Nosso primeiro show verdadeiro no Brasil&#8221;. Respeitei ainda mais e prometo vê-los com calma numa próxima oportunidade. O bom de sair antes do último show principal é que assim que passei a catraca, um taxi já me esperava de porta aberta. E sabia como chegar na Paulista&#8230;</p>
<h2 style="text-align: center;"><strong>Festival Sónar – Segundo Dia</strong></h2>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14358" title="sonar7" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar7.jpg" alt="" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">16-19h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>– Cheguei ao simpático salão da Rua Carlos Steinen, no Paraíso, para assistir os primeiros momentos de Patrícia Colombo, amiga e colega jornalista, como ruiva. Ela iria estrear o novo “visu” no Sonar. “Se ficar ruim, vou assim mesmo e paciência!”, dizia determinada. Para sua sorte, ficou ótimo. Com mais uma amiga, achamos melhor recarregar energias para conseguir ficar em pé pelas próximas horas. Elas optaram por um lanche e eu um pão de mel acompanhado de um copo grande de café, que me dá mais efeito que energético. Às 19h, chegamos à porta do Parque Anhembi, que parecia estar menos movimentada que o dia anterior. Parecia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>– Na cama recuperando o sono perdido devido à noite anterior. Como no segundo dia haviam mais atrações do meu interesse, resolvi descansar para estar mais bem disposta. Sem músicas para aquecer: apenas o som da minha respiração dormindo, dos pratos e talheres batendo na hora do almoço, do chuveiro ligado durante o banho e finalmente dos ruídos e barulhos de carros, motos, táxis e do Metrô até o meu destino final.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas </strong>- Em casa, depois de escrever o relato da sexta-feira, eu pensava mesmo é que o grande show que São Paulo havia recebido nessa última semana fora o dos velhinhos Crosby, Stills &amp; Nash. Quando comprei os ingressos para vê-los no Via Funchal, em fevereiro, eu esperava que fosse ser um show nostálgico, com algumas boas canções e muitas concessões à idade (e as desventuras) de cada um desses três homens que estiveram na poeira e na lama de Woodstock. Mas foi bem mais que isso: em quase três horas de show (com direito a um intervalo de vinte minutos), o trio mostrou que ainda é capaz de fazer muita, mas muita coisa boa em cima de um palco. O “hippie sobrevivente” David Crosby e o “gentleman descalço” Graham Nash continuam cantando perfeitamente – se tiver um tempo, procure um vídeo recente da voz de trovão do sobrevivente Crosby em “Almost Cut My Hair”. Já o “roqueiro” Stephen Stills, se já não tem a doçura da voz de outrora, continua fazendo solos de guitarra inimagináveis. Me peguei chorando umas três vezes durante o show, para não falar dos arrepios mil, como no coro de “Our House”, ou na releitura do grupo para “Girl From the North Country”, de Bob Dylan. Da abertura, com “Carry On”, ao bis final, com “Suite: Judy Blue Eyes”, um show irretocável, de entrar para a galeria dos melhores da vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>– Logo de manhã acordo ainda não refeito da noite anterior e dedico um agradável sábado nublado a um relaxamento preparatório para uma jornada que prometia ser bem mais intensa: fazer feita, browsear pornografia, almoçar na cantina preferida e aproveitar uma taça de Chardonnay&#8230; Isso, mais umas leituras, me reparam para o que – espero – não será uma reedição da noite anterior. A prova anterior do fracasso da sexta não estava na desorganização gritante nem no pouco público. Estava no fato de que acordei após um festival sem vontade nenhuma de ouvir discos dos artistas cujos shows presenciei. Se um show não te deixa no gás para ouvir a música de novo, algo está muito errado.</p>
<p style="text-align: justify;">Observação: você sabe que o dia pode ser cheio de surpresas quando vai à feira e encontra o José Dirceu (aquele) ao volante de um carro no semáforo do Viaduto Pedroso, e no mesmo local, um malabarista pessimamente pintado de prateado faz truques chôchos com bolas enquanto sexualmente excitado (era inescapavelmente visível). Só em SP. Pego a fila do caixa rápido do Extra da Brigadeiro quase vazia - mais um bom sinal. Aproveito que estou por lá e vou pelos arredores comprar frutas secas, alugar DVDs (“Up In the Air” e “The Waking Life”) e buscar a patroa. Depois, mais uma morgada no sofá&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa </strong>– Meu plano pessoal era chegar cedo para ver Silva e Gang do Eletro, mas falhei miseravelmente. Sacumé: uma das melhores (senão a melhor depois de alguns shows) coisas que os festivais nos proporcionam é reencontrar aquele grande amigo, principalmente em tempos virtuais, em que quase todo mundo conversa todos os dias, mas são raros os momentos possíveis para um aperto de mão sincero. Assim, marquei um almoço com Thiago e Breno, do Programa Alto Falante, da Rede Minas, junto ao chapa Tiago Agostini (que estava cumprindo o plantão nosso de cada fim de semana) no Boi na Brasa, singela casa de carnes no centro de São Paulo. Na mesa, após entradas de calabresa, pão e cebola, duas cumbucas de arroz, uma de farofa, três de fritas e duas peças de alcatra e uma de maminha para quatro guerreiros. Vou te contar: sobrou. Cheguei em casa por volta das 16h decidido a fabricar uma porção infinita de zs.</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14359" title="sonar8" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar8.jpg" alt="" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">19-22h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>– Circulamos um pouco pelo local, sem conseguir decidir o que assistiríamos naquele exato momento. O complicado era que já circulava pela boca do povo que haveria atrasos novamente, mas sem saber se eram em todos os palcos. Isso iria bagunçar todo o plano que eu havia traçado para o dia, então achei melhor priorizar os artistas que eu fazia questão de assistir e dar uma volta em cada palco pra sentir o fluxo dos shows e prever os horários. Ainda era cedo, então comprei minhas fichinhas (R$35, igual ao dia anterior) e espiei, um por um, os três palcos. Não sei se era se era a vida me trollando, mas coincidiu que toda hora que chegava em um, a apresentação terminava e o palco era preparado para o próximo show ou set. Demorou mais que o normal, então minhas companhias e eu decidimos imitar o pessoal do Village e sentamos um pouco para descansar. Do meu lado, um cara ouvia tranquilamente seu iPod como se estivesse no parque. Por mera curiosidade, perguntei o que ele estava ouvindo e acabei ganhando a história do Raoni, estudante de Medicina: “Mogwai. Vim de Belém sozinho só pra ver eles. É minha banda predileta, mas nenhum dos meus amigos curte tanto assim. Juro que não me importei vir sozinho”. Achei corajoso. Respeitei.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro</strong> – Comecei assistindo ao show do artista visual e eletrônico Alva Noto com o compositor japonês Ryuichi Sakamoto. A dupla produz uma fusão do eletrônico com o acústico. As notas musicais são transformadas em imagens por meio de equações matemáticas exibidas no telão simultaneamente com a apresentação. Tudo é levado em consideração, principalmente o espaço de tempo e o silêncio entre uma nota e outra. O piano dá o tom de delicadeza e simplicidade à performance. Confesso que, no inicio, não vi um propósito final ou direção no que estava sendo feito de forma tão simples e extraordinária. Puro engano. Novamente: é justamente nessas ocasiões que precisamos nos abrir e observar o diferente dentro de um contexto geral. Como em uma espécie de “química poética”, em que os resultados podem ser diversos e variados – desde uma combustão espontânea, até o equilíbrio e harmonia entre elementos –, me sentei, fechei os olhos e comecei a prestar verdadeira atenção, sem pressa ou vontade de ir embora. Dessa forma, acabei dividindo o show em partes, como em capítulos de livros ou em atos teatrais. Lembrei-me da época em que abria o Windows Media Player e viajava nos gráficos coloridos que se mostravam na tela do computador, ou então pensei em indicar o disco de Alva e Sakamoto a uma mulher grávida, com a intenção de acalentar o seu bebê, bem protegido, nutrido e confortável dentro do útero. Em seguida, abri os olhos e me envolvi com as cores quentes e os pontos brancos exibidos no telão, que pareciam estrelas que se esticavam. Depois, me senti em um jogo de videogame, no meio de uma guerra espacial, onde aviõezinhos eram alvos de constantes tiros, com distorções altas, como trilha sonora. O efeito era hipnótico, levando a sua imaginação a qualquer lugar. Ouvi relatos de gente com dor de cabeça ou euforia depois do show, ou que ficaram extremamente relaxadas e em transe. O público era grande e todos gostaram bastante do que presenciaram. Fiquei com vontade de assistir ao M.Takara vs. Akin, mas como atrasou, fui correndo para o Cee Lo Green.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas </strong>– Hora de encher a barriga. Fui jantar com meus pais no China in Box local. É uma tradição familiar dos sábados à noite em que pedir pizza parece um programa muito trivial – morar no subúrbio tem dessas. Depois de rolinhos primavera e lombo agridoce, fui deixado na estação de trem de São Caetano, rumo ao SESC Belenzinho. O motivo? Céu. Não canso de repetir: o SESC Belenzinho aumenta a minha vontade de viver em uns 273% toda vez que vou lá. É lindo demais, fica “perto” de casa, é fácil de chegar e tem sempre uma agenda bem boa – pra não falar do glorioso sorvete de iogurte com cobertura de frutas vermelhas (ui). O único problema do SESC Belenzinho é que eu ainda não entendi o conceito de ver um show em uma “comedoria”. É o tipo de espaço que você não sabe se fica em pé, na frente do palco (e compromete um pouco a visão das pessoas que ficaram lá trás), ou sentado em uma mesa, tomando um vinho (ou uma Coca) e comendo os salgados e frios e amendoins que o SESC vende a preços módicos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>- &#8230;pão de queijo com geleia caseira, sanduíche, castanha de caju. Pronto: alimentado para encarar o Sónar. Desencontros no metrô, e quando vemos, chegamos – eu e Andressa – no Anhembi passadas as 20h. Incrível como duas horas podem ser resumidas tão facilmente. Decido não perder tempo e correr para o SonarHall ver o Ryuichi Sakamto e Alva Noto. Sakamoto só habitava minha cabeça em duas referências: como &#8220;o oficial gay de Furyo&#8221; (puta filme, assistam) e &#8220;aquele japa que aparecia na Bizz junto com o Arto Lindsay e outros cabeções&#8221;. A intuição dizia que isso justificava minha presença no show. Instalo-me no auditório e me vêm à cabeça lembranças de uma ressonância magnética. O déja-vu é inevitável: o blip constante, os ruídos graves, a assepsia do ambiente, tudo remete à RM. Mas isso não é ruim. Eu, pelo menos, quando passei pelo procedimento, saí da máquina considervelmente alterado – no sentido doidão da coisa. Depois do primeiro instante de reconhecimento, me dou conta que a música me convida a ficar ali. Sabe aquela história de música que te desafia? É exatamente isso. Foi a primeira vez que vi white noise (&#8221;ruído branco&#8221;, ou aquele som de TV fora do ar – pergunte ao seu pai se você nunca sintonizou uma TV analógica na vida) sendo usado de forma realmente musical. Outros ruídos industriais ou eletrônicos eram sequenciados por Sakamoto (e acompanhados por belas imagens minimalistas) e Noto encontrava o tom deles no piano, criando pequenos temas e fazendo lindas variações deles, cheias de espaços e silêncios. Anos atrás, eu teria chamado isso de &#8220;embromação&#8221;. Ainda bem que a história não volta para trás, porque o que eu vi ali foi beleza em um convite à contemplação. Música que te tira do comodismo e te obriga a prestar anteção – e odiar ou amar (teve gente pros dois lados). A ideia ainda era ficar por lá e ver o DJ set de M. Takara (do Hurtmold), mas o atraso (uma das tônicas do dia) de vinte minutos mofou meus planos. Saio quando Takara começa, e vou pro SonarClub descobrir que lá também está tudo atrasado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa </strong>– Quais as chances de, em dois dias em São Paulo, pegar taxistas que não sabem onde fica o Anhembi? Vou te contar: 100%. “Sou novo na praça”, ele se desculpa, mas ao menos tem GPS. Já descolado da noite anterior, em que o outro taxista teve que dar uma volta no Sambódromo porque a Prefeitura da Cidade de São Paulo ainda não desmontou os alambrados usados na prova de Fórmula Indy de 14 dias atrás, o que impossibilita a entrada ao Hotel Holiday Inn (acesso da imprensa ao festival), peço para o piloto acessar uma ruazinha escondida, e cá estamos nós de novo. Chego na sala de imprensa, cumprimento amigos, e um deles me avisa que o show de Ryuichi Sakamto e Alva Noto atrasou e ainda está rolando. Corro para o auditório, e consigo pegar os últimos três números e meio. Demoro meia música para absorver o que está acontecendo. Num primeiro momento tudo parece descompassado, desorganizado, sem métrica, mas os ouvidos começam a buscar um elo de ligação, e quando encontra possibilita a alma quase dez minutos belíssimos música construída ao acaso. Uma pena não ter pego o show desde o começo. Esse, se eu cruzar novamente, não perco.</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14360" title="sonar9" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar9.jpg" alt="" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">22-00h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>- Perto das 22h, achei melhor me aproximar do Sonar Club, onde seria o show do Cee Lo Green. Confesso que já estava nervosa por achar que poderia perder o Mogwai. Essa mania de geminiana que quer tudo e quer agora não dá muito certo em festivais com shows simultâneos, mas optei pelo Cee Lo, de qualquer forma. O corredor que levava ao Club e sua área externa estava bombando. Quem não tinha encontrado algum conhecido, aquele era o lugar e o momento certo – enquanto muitos curtiam os breakbeats de Nedu Lopes do lado de fora, aguardando. Às 22h25 entrou Cee Lo Green, abrindo o show com “The Lady Killer Theme” e “Bright Lights, Bigger City”, animando a galera e arriscando umas palavrinhas em português. A verdade é que apesar de gostar das menos conhecidas, eu também estava apenas esperando por “Fuck You”, pra então correr pro Mogwai. Uma, duas, três músicas e nada. Desisti. Falei pros meus amigos que estava indo pro Hall, caso alguém quisesse ir comigo. “Que show chato, me tira daqui”, disse um deles. Chegando lá, pensei: “QUE ARREPENDIMENTO não ter assistido desde o começo”. Apesar do som um pouco estourado, aquela combinação de luzes acompanhando as guitarras em seus momentos mais fortes foi apenas um dos elementos arrepiantes da apresentação, que lotou aa pista central, cadeiras e corredores do auditório. Lindo ver todas as cabeças fixas e os olhares hipnotizados com cada música, cada nota e cada movimento corporal dos integrantes, que também pareciam desfrutar o show do mesmo jeito que o público. Escolhi mal a divisão do meu tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>- Cee Lo Green começou arrancando gritos de um público que poderia ter sido maior, mas que não foi frio ou distante, dançando todas as músicas com empolgação. Rolou até uma homenagem a David Bowie, com “Let’s Dance”. Porém, a minha parte favorita foi quando Cee Lo convidou três rappers de seu antigo grupo de hip-hop Goodie Mob para cantar, deixando as pessoas surpresas, mas nem por isso totalmente desanimadas. Tive que sair no meio porque não queria perder o Mogwai.  Fiquei sabendo depois que sucessos como &#8220;Crazy&#8221;, do Gnarls Barkley, e &#8220;Fuck You&#8221; garantiram os melhores momentos da apresentação. O Mogwai, por sua vez, fez um show de arrepiar todos os pelinhos do braço. Emocionante e surpreendente do começo ao fim. Tive a sensação de estar no espaço sideral, contemplando o céu, as estrelas e o sistema planetário. Foi um mix de guitarras e distorções altas, agudas e avassaladoras, com momentos de paz, tranquilidade e delicadeza. No meio do show, estava calma e me deliciando com as melodias cuidadosamente executadas, quando levei um susto agressivo vindo das guitarras, que mais pareciam vozes de monstros gritando de dor e agonia, me acordando do transe. Passado do horário previsto, os integrantes quebraram as regras e tocaram mais uma, no &#8220;bis&#8221;, com direito à reclamação por parte da organização do evento. Fiquei querendo ouvir tudo aquilo de novo, mas com fones de ouvido para captar com mais nitidez a riqueza de detalhes. De ouvinte esporádica, acabei me tornando grande admiradora do som da banda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas</strong> – Se Caetano Veloso estivesse no SESC Belenzinho, ele diria que Céu é linda. E é mesmo. Mostrando as canções de “Caravana Sereia Bloom”, seu recém-lançado disco, a cantora paulistana atingiu um ponto ótimo entre doçura e sensualidade, com toques de vigor que fazem qualquer homem (e algumas mulheres) suspirarem. O repertório do show foi quase todo calcado em “Caravana”, com destaque para as robertianas “Falta de Ar” e “Retrovisor”, a bonita balada “Streets Bloom”, de Lucas Santtana, e a graça de “You Won’t Regret It” e “Asfalto e Sal”, mas também sobrou espaço para novos arranjos de “Cangote” e “Malemolência” – que até minha irmã sabe cantar, por culpa da rádio Eldorado. Quase ao final da apresentação, enquanto cantava “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”, do mestre Erasmo Carlos, Céu me fazia imaginar quão absurdo de bom seria um disco seu cantando apenas rock – “Caravana” é bonito, tem boas guitarras, mas, convenhamos, não é um disco de rock nem aqui nem na França. Em todo caso, se você ainda não se deu o trabalho de ouvi-lo, ouça, por favor, nem que seja para lançar pra alguém na sua timeline do Twitter a “ai se eu te pego” do circuito SESC-Baixo Augusta-Vila Madalena, “Chegar em Mim”, que foi ovacionada pelo público presente no Belenzinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>– Com a equipe quase integralmente reagrupada (faltou o Mac, vagabundo), começa a parte &#8220;alegria, alegria&#8221; do festival (até que enfim). Ou melhor, começa a sensação de que estamos, efetivamente, em um festival. Público bombando, cerveja quente e todo mundo aguardando uma atração específica. Faltou só a lama e os banheiros imundos. Mas Cee-Lo compensa nos dando um show de arena. Nas primeiras músicas, numa pegada meio hard-rock farofa dos anos 1980, pude finalmente ver como seria o Van Halen caso eles fossem uma banda legal. Ou, a julgar pelos méritos do gorducho, o Van Halen do soul pop. Cee-lo canta pra cacete e é um puta entertainer. A pegada oitentista satisfaz meu espírito que tinha sido alimentado com &#8220;We Built This City&#8221; no repeat no dia anterior, e o baterista animalesco apaga de vez da minha cabeça a lembrança do sujeitinho medíocre que estava no palco com Noel Gallagher na semana anterior. Uma farra linda, com ótimos músicos e uma entrega absoluta, mas havia um problema: o Mogwai já tinha subido no palco. Fui para o Sónar Hall com o mesmo pensamento que tenho sobre o casamento: estava deixando de lado uma excelente oportunidade de me divertir pra caramba (o show do Cee-Lo) para escolher a exclusividade de algo que parece ser belo. E foi. O Mogwai faz uma música bonita, mesmo quando dissonante. E a beleza – que tinha mostrado uma de suas formas naquele mesmo palco com Sakamoto &amp; Noto – aparece numa intensidade brusca que – meu irmão, até minha temperatura corporal mudou! Estava sentado apreciando a vibração e a música quando comecei a suar e veio uma pancada emocional comunicada exclusivamente pela música. Resultado: chorei, literalmente. Sério. Esqueça as bandas horríveis que dizem ser influenciadas pelo Mogwai e vá a um show deles o quanto antes. A vida precisa dessas coisas. O telefonema de um amigo me tira de lá na última música, uma explosão barulhenta com o som de uma estrela morrendo. Ou seja, saí no exato momento em que poderia ficar ensurdecedor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa </strong>– Ano passado, no Coachella, vi o melhor show que Cee Lo-Green fará em toda a sua vida: ele atrasou 40 MINUTOS para entrar no palco, tocou em sequencia “Crazy”, “Fuck You”, uma versão bisonha de “Iron Main”, do Black Sabbath, e, na quarta música, a produção do festival cortou o som (do tipo: “Foda-se todos os Grammy’s que você tem”). No Sónar Sâo Paulo, não quis contaminar minha memória afetiva daquele grande show curto, e parti logo cedo para as primeiras filas do show do Mogwai, na companhia de vários amigos (Luciano Vianna, Elson Barbosa, Victor Pires, Fernando “Flogase” Lopes e o pessoal do Labirinto e do Herod Layne). E o show foi&#8230; encantador (    ), devastador (    ), melódico (    ), barulhento (    ), todos as alternativas anteriores e algumas mais ( X ). No palco do auditório, o Mogwai promoveu um massacre&#8230; mas com muito carinho. Como escreveu certa vez Salman Rushdie: “Nossas vidas não são o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas são, temos de admitir, deficientes. A música as transforma em outra coisa. A música nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se fôssemos dignos do mundo&#8221;. É isso. Acordamos todos os dias, trabalhamos, sorrimos, vivemos e sobrevivemos, mas temos raros espamos de felicidade real. Ou, sendo mais direto, são raros os momentos que realmente valem a pena serem vividos. Cinco caras escoceses promoveram um destes momentos no Sónar, viraram a chavinha que faz a alma pensar que, sim, vale a pena estar vivo. Um show com doses certeiras de delicadeza e violência. Para guardar na memória por vidas.</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14361" title="sonar10" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar10.jpg" alt="" width="605" height="403" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">00-02h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>– Pra não sofrer a mesma frustração do Mogwai, fiquei mais ligada nos horários (e nas prioridades). Queria assistir Justice e James Blake, mas os shows tinham uma mera diferença de 10 minutos de começo. Pensei bem e dei prioridade ao Justice, já que curto há mais tempo. Depois de alguns minutos de espera, a cruz branca do palco foi acessa e o público começou a gritar pela dupla francesa, que abriu com “Genesis”. Era provavelmente o show mais aguardado da noite e o mais cheio. A princípio me posicionei no meio da pista, mas como mais uma vez a minha altura não ajudou, optei pela extrema lateral, que estava também um pouco mais livre para quem queria dançar. Hit após hit, meus pés começaram a ficar cansados e a dupla já havia tocado as melhores músicas. Ao som de “We Are Your Friends”, saí do Club dançando e tentei ver James Blake, sem muitas esperanças. Que bela surpresa levei quando cheguei ao Hall e ele começou a tocar “The Wilhelm Scream”, a minha predileta dele. E era a última! Considerei sorte e um consolo da vida pelo episódio do Mogwai. E ao vivo “The Wilhelm Scream” é mais linda ainda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>- Mal tinha acabado o show do Mogwai, corri para ver o Justice. Os caras fizeram um show cheio de efeitos visuais, com uma cruz iluminada – marca registrada do grupo – e uma tela com projeções, que acompanhavam as batidas das músicas. Se no dia anterior as pessoas estavam esperando pelo show morno do Kraftwerk, puderam se animar com a dupla francesa. Canções marcantes e em um volume bem alto foram destinadas a um público que dançou sem parar. Clássicos como &#8220;Waters of Nazareth&#8221;, “D.A.N.C.E” e “We Are Friends” foram tocados, deixando todos animadíssimos. O show foi encerrado com o órgão de &#8220;Phantom&#8221; fechando a noite com chave de ouro e fazendo do Justice um dos principais destaques do festival.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas</strong> – No mesmo horário que acontecia o outro show do Sónar que eu queria-muito-ver-mas-não-pagaria-mais-de-cem-dilmas para estar lá, o do cantor inglês James Blake, eu chegava em casa depois de três linhas de metrô (vermelha-azul-verde) e um ônibus, para finalmente descansar. Ou, utilizando a piada infame que eu pensei antes de fechar “A Visita Cruel do Tempo”, fazer o Sónar virar sonhar. Boa noite.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas </strong>- A questão agora era: fazer o que? Depois do Mogwai, seria necessário pausar, respirar, processar a experiência. Mas com o festival nesse pique, quem queria ir embora, ainda mais com amigos ligando? Deu tempo de juntar vários conhecidos para aproveitar o simpático DJ set dos niteroienses The Twelves. Pavilhão lotado, grande expectativa pelo Justice (de quem eu nunca tinha ouvido uma mísera nota, que dizer uma música). Eis que&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;NA CASA DO SENHOR NÃO EXISTE SATANÁS! XÔ SATANÁS!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, não é isso, não! Era só a Madonna. Ah, não era? E essa cruz aí no palco? Usar o símbolo cristão é uma sacadinha de marketing muito boa que os franceses tiveram – e isso os credencia como banda para publicitários, infelizmente. Mas picaretagens visuais à parte, a grandiloquência dos caras é hábil e funciona muito bem. Emitindo sons que parecem trilha para festas populares no bairro industrial do filme “Eraserhead” (outro puta filme, mas não veja esse, deprime pacas), o Justice traz aquele clima de &#8220;o mundo acaba amanhã, então vamos dançar&#8221;. Dá certo por um bom tempo, mas sem aditivos químicos, é difícil aguentar muito tempo. Fica a observação de que os caras são, sim, músicos: cada faixa do Justice tem começo, meio e fim, e nenhuma dessas etapas transcorre de forma óbvia, mesmo sendo uma música que reprocessa clichês em algo diferente. Enfim, é um Chemical Brothers menos lisérgico, e que cai bem em doses homeopáticas. Mas aí o corpo pediu trégua e eu fui me jogar num sofá na sala de imprensa, escutando as histórias patéticas da sempre chineleira relação entre assessores de imprensa e celebridades frequentadoras da área VIP. Quem me salvou desse papo foi o Mac, que foi capotar no sofá também. Rememoramos Mogwai e o fato de crescer em Taubaté, enquanto discutimos que, sim, a segunda noite foi muito melhor que a primeira; sim, poderíamos ter curtido mais as atrações se tivéssemos ingerido combustível químico (o festival todo, aliás, parece feito para funcionar sob o efeito de &#8220;dorgas&#8221;). E sim, o corpo pode impedir de fazer certas coisas quando se envelhece, mas a cabeça amadurecida permite fazer outras. Como curtir o Sónar sem radicalismos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa</strong> – Assim que o show do Mogwai terminou, um amigo gritou: “Vamos beber”. Pedi calma. Precisava processar o show. Não dava para sair caminhando pelo festival como se eu houvesse assistido a um showzinho qualquer. Eu precisava sentir um pouco mais a adrenalina. Manter a dose da viagem por mais algum tempo. Estender a felicidade. Mas estamos em um festival, e a noite é uma criança (chorando). Após flutuar até o palco principal, encontre-me novamente frente a frente com o Justice, e rememoro a primeira impressão que tive quando os vi pela primeira vez: eles são ótimos, as músicas são boas, mas tudo isso já foi feito antes, e de forma ainda melhor. Mas como não se pode ter Daft Punk e Chemical Brothers toda hora, aceitamos o clone e dançamos até o amanhecer. Dançamos? Fugi para a sala de imprensa para esticar as pernas e ouvir algumas boas histórias de amigos, trocar impressões sobre alguns shows (Mogwai campeão, Kraftwerk vice e Justice na terceira colocação), sobre o festival (o público alvo é o de balada, tanto que a “casa” lotou mesmo, pra valer, à 1 da madrugada – e daí vem a questão: público de balada saca música avançada ou só quer dançar, ver e ser visto?), e dar um tempo enquanto o Modeselektor não entrava em campo.</p>
<h2 style="text-align: center; "><img class="aligncenter size-full wp-image-14362" title="sonar111" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar111.jpg" alt="" /></h2>
<h2 style="text-align: center; "><strong><span style="text-decoration: underline;">02-04h</span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andrea Fabiana </strong>- Eu havia conhecido recentemente Modeselektor em alguns sites de música eletrônica e bastaram três canções pra pirar e querer dançar no show ao vivo. A dupla estava prevista para entrar no palco às 2h10 e eu sabia que iria demorar de 20 a 40 minutos para de fato  eles entrarem. Como queria ver de perto, cheguei as 2h no Sonar Club pra aguardar. O DJ Munchi, da Holanda, já estava começando seu set. Eu e mais duas amigas gostamos do que ele estava tocando e decidimos esperar o Modeselektor lá no meio da galera, dançando e curtindo o som. Munchi é uma figura. Cada batida pesada de eletro era misturada com ritmos e acompanhada de movimentos com as mãos que animavam a audiência. Sobre seu enorme cabelo crespo, escondendo partes do rosto, ele exibia seu sorrisinho de moleque travesso. O set estava perfeito, mas cortaram o som. Quando voltou, ele conseguiu encerrar direitinho (mas não sem menos climão). Mais tarde, num bate papo, Munchi contou que nem ele entendeu o que aconteceu e ninguém deu explicações, mas afirmou ter gostado muito da resposta do público, prometendo misturas com funk carioca na próxima vez. Logo em seguida, foi a vez da produção montar os telões do Modeselektor, que já entraram animados falando com o público com a ajuda de um microfone que deixava a voz mais grave. Entre uma música e outra, Sebastian Szary interagia ainda mais com os presentes, batendo palmas e incentivando pulos e mãos pra cima. O melhor momento foi quando desceu do palco com um vulto nos braços, chamou a galera para se aproximar e estourou uma garrafa de champagne, dando um banho nos fãs, que amaram a surpresa. Podia se ver que a dupla alemã sabe dar um show de entretenimento. De começo a fim manteve todos empolgados. Ainda tinha Totally Enormous Extinct Dinosaurs, mas sinto muito. Perto das 4h, meus pés (que sempre são os que mais sofrem em festivais) gritavam por um descanso. Finalizei a noite tietando o Munchi e gastando minhas últimas fichinhas. Que erro e que ressaca. Ainda assim saí desejando que todos os festivais de São Paulo fossem “perrengue-free”, igual a este.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Andressa Monteiro </strong>- As apresentações do Mogwai, Alva Noto &amp; Ryuichi Sakamoto, Justice e Cee Loo Green traduziram bem um sentimento de simplicidade, instrospecção, união de elementos, temas, sons e imagens com um só propósito: o de entreter.  O público, por sua vez, correspondeu melhor no sábado com entusiasmo, variando comportamentos que iam de danças solitárias até rodas de amigos se abraçando e cantando junto as músicas, de transes de olhos fechados até momentos de curiosidade, admiração e surpresa. Voltei para a casa com a sensação de dever cumprido. O segundo dia teve mais cara de festival bom: gente animada, relaxada, interessante e interessada, disposta e feliz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bruno Capelas </strong>– Zzzzzzzzzzzzzzz</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leonardo Vinhas</strong> - Já deu, né? Ou quase: pego um taxista que me conta que funcionários de de um certo Centro de Exposições e Convenções cobram propina de R$ 300 por mês para taxistas que queiram trabalhar lá. &#8220;Aproveita que você é jornalista e publica essa história&#8221;, ele me &#8220;sugere&#8221;. E logo depois, me pergunta se eu quero recibo com valor maior que o da corrida realizada. É Brasil!!!</p>
<p style="text-align: justify;">PS 1: o taxista garantiu que a acusação é séria. Fica a dica pra quem quiser apurar. Eu não vou. Tô com sono.</p>
<p style="text-align: justify;">PS 2: o Scream&amp;Yell não reembolsa as despesas de seus colaboradores. Mas paga em afeto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Marcelo Costa</strong> – Eu queria ver Modeselektor. E também Squarepusher. Queria. Pouco depois das 3 da manhã, o cansaço vem de forma arrebatadora me convidando para o sono. As pernas estão cansadas, a voz falha um pouco, a camisa parece ter sido esfregada em um cinzeiro, e quatro fichas de R$ 5 ainda repousam no bolso. Será que encaro a sexta cerveja da noite, ou caminho até o palco principal atrás da pizza chiclete? Opto pela segunda opção, mas quando caio em mim, estou cansado demais para a (longa) caminhada. Decido vender as fichas para um cara que está na fila: “R$ 15”, peço. Ele me paga, e observa que são quatro fichinhas de R$ 5: “Mas tem R$ 20 aqui”, ele diz. “Um presente”, respondo e saio em direção à saída de taxi, onde encontro o casal Breno e Jéssica. Decidimos dividir o taxi até a Paulista, e vamos papeando impressões. Tento imaginar que, para uma primeira edição, o Sónar cometeu alguns erros básicos, mas promoveu alguns shows interessantíssimos. Talvez a posição dos palcos tenha que ser repensada, o veto à cerveja e câmeras em alguns shows também (tudo bem que alguns desses vetos partem dos artistas, mas se estamos em um festival de música avançada, o público precisa ter direito de usar a tecnologia que está à mão), e, como um todo, o Sónar talvez precise radicalizar para exibir em São Paulo sua personalidade, que vai (ou pretende ir) muito além de uma “grande balada”, como pareceu em alguns momentos (embora não podemos culpar o festival pelo público que alavancou assim como não podemos culpar o Los Hermanos pelos fãs que conquistou – ou podemos?), muito embora algumas frestas de inteligência musical e artística marcaram presença aqui e ali. É pouco, mas é um sinal de que o festival pode e deve crescer muito nos próximos anos. Ou, no fundo, é um sinal de que sou um velho chato tentando racionalizar um festival que cravou dois shows no topo do meu Top 5 pessoal do ano (até agora – Morrissey acaba de perder o quinto lugar). 2013 está ai, e com ele a esperança de um Sónar com novos shows antológicos, mais radicalização e menos atrasos. Valeu a experiência.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14402" title="sonar20" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar20.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14403" title="sonar22" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar22.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14404" title="sonar23" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar23.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14405" title="sonar21" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar21.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14363" title="sonar12" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/sonar12.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: justify;">- Marcelo Costa (<a href="http://twitter.com/#%21/screamyell" target="_blank">@screamyell</a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href="http://screamyell.com.br/blog/" target="_blank">Calmantes com Champagne</a><br />
<span>- </span><span>Leonardo Vinhas (<a href="https://twitter.com/#!/leovinhas" target="_blank">@leovinhas</a>) assina a seção Conexão Latina (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2012/05/03/tag/conexao_latina/">aqui</a><span>) no Scream &amp; Yel</span><br />
<span>- Bruno Capelas (<a href="http://twitter.com/#%21/noacapelas" target="_blank">@noacapelas</a>) é estudante de jornalismo e assina o blog </span><a href="http://pergunteaopop.blogspot.com/" target="_blank">Pergunte ao Pop</a><br />
- Andressa Monteiro (<a href="https://twitter.com/#%21/monteiroac" target="_blank">@monteiroac</a>) é jornalista e assina o blog <a href="http://thegoldfishmemory.blogspot.com/" target="_blank">Goldfish Memory </a><br />
- Andrea Fabiana (<a href="http://twitter.com/#%21/deafabiana" target="_blank">@deafabiana</a>) é jornalista e integra o Núcleo de Inteligência Musical <a href="http://sonora.terra.com.br/" target="_blank">Sonora</a><br />
- Liliane Callegari (<a href="https://twitter.com/#!/licallegari" target="_blank">@licallegari</a>) é arquiteta e fotógrafa. Veja mais fotos do festival <a href="http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/sets/72157629709601178/" target="_blank">aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;">Todas as fotos por Liliane Callegari com  exceção da foto do Kraftwerk (por Marcelo Costa / Scream &amp; Yell) e de Ryuichi Sakamto e Alva Noto (por Robson Bento / Getty Images Latam)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Entrevista: Enric Palau, um dos criadores do Sónar, conversa com o Scream &amp; Yell (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/18/entrevista-enric-palau-sonar/">aqui</a>)<br />
- Planeta Terra 2011: por Marcelo Costa, Bruno Capelas, Rodrigo Levino e Murilo Basso (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/11/08/balancao-planeta-terra-2011/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://screamyell.com.br/site/2012/05/13/balanco_sonar_sp_2012/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Livros: Olhando os ídolos de perto</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/13/olhando-os-idolos-de-perto/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2012/05/13/olhando-os-idolos-de-perto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 May 2012 15:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=14337</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Leonardo Vinhas</b>
Por que será que damos tanta importância aos artistas? Neil Strauss tenta entender isso resgatando frases de entrevistas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14338" title="neil_strauss" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/neil_strauss.jpg" alt="" width="266" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://www.facebook.com/leovinhas" target="_blank">Leonardo Vinhas</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por que gostamos tanto de música pop? A pergunta pode surgir numa mesa de bar, numa conversa na sala de um amigo, durante a leitura de “Alta Fidelidade” (ou depois de assistir à sua adaptação cinematográfica). Independentemente disso, a questão acaba sendo: por que nos baseamos tanto nas emoções proporcionadas por uma pecinha musical de três minutos?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez isso possa ser respondido sem muita reflexão se simplesmente citarmos Milan Kundera: porque a música, ao contrário do cinema e da literatura, é a única arte capaz de nos emocionar várias vezes com a mesma peça (citação de memória, as palavras exatas podem ser outras). Isso, porém, abre espaço para outra questão: por que damos tanta importância a quem cria essas pecinhas?</p>
<p style="text-align: justify;">Neil Strauss é um jornalista que dedicou mais de vinte anos de sua carreira a entender isso – mesmo que, no começo, não soubesse que esse era seu objetivo. Fazendo parte das redações de publicações como o jornal The New York Times e a revista Rolling Stone, e colaborando como freelancer para Esquire, Details, Maxim, Interview e outras, Strauss entrevistou mais 3 mil personalidades, algumas mundialmente famosas, outras tão obscuras que mal poderiam ser chamadas de &#8220;cult&#8221;. E ao longo dessa trajetória, entregou textos que atendiam exatamente às necessidades de cada publicação, mas não necessariamente refletiam a essência ou realidade do entrevistado.</p>
<p style="text-align: justify;">Em busca dessa essência, Neil passou dois anos revisitando as gravações e anotações de cada entrevista, em busca &#8220;do único momento de verdade ou autenticidade&#8221; de cada entrevistado, nas palavras dele. &#8220;Afinal&#8221;, esclarece Strauss, &#8220;você pode sacar muito de uma pessoa ou situação em um minuto. Mas apenas se você escolher o minuto certo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">“Everyone Loves You When You&#8217;re Dead: Journeys int Fame and Madness” (editora !t, 520 págs. importado) traz 228 desses minutos, organizados em capítulos que se montam a partir de fragmentos de seus encontros com pessoas como Leonard Cohen, Bono Vox, Lady Gaga, Dave Navarro, agentes da CIA, Tom Cruise, racistas, Hugh Laurie, Courtney Love e muitíssimos outros. Mesmo sem uma narrativa convencional, cada capítulo conta uma história, cujo mote já é explicitado a partir de seus respectivos títulos, como &#8220;Esfaqueando sua mãe por um álbum no número 1&#8243;, &#8220;Caras malvados com cabelos compridos&#8221;, &#8220;Leve seu traficante para o expediente&#8221;, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Há, evidentemente, histórias desconcertantes (por exemplo, quando Omar Rodriguez-Lopez revela ter sido vítima de incesto), fofocas divertidas (o insuspeito homoerotismo em bandas &#8220;machonas&#8221; como Incubus e Korn), momentos de sinceridade assombrosa (a asquerosa arrogânica de Joni Mitchell). Mas nada disso, isoladamente, é razão para você atravessar as mais de 500 páginas do livro. A verdadeira razão é a resposta para as duas perguntas formuladas no começo deste texto.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ao reportar, editar e ler as entrevistas incluídas neste livro – e examinar quem é infeliz, quem é feliz e por que – acabei aprendendo tanto sobre mim e sobre minhas escolhas de vida quanto sobre as vidas e filosofias dos artistas e celebridades sobre quem estava escrevendo&#8221;, afirma Strauss no epílogo. E com essa experiência, é capaz de concluir que &#8220;o inferno é chegar ao fim da sua vida e perceber que você errou por pouco e que suas prioridades estavam erradas&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca se configurando como autoajuda (até porque as conclusões do autor só aparecem no breve epílogo) nem abusando do juízo sobre seus entrevistados, Neil Strauss nos permite poder entender um pouco mais sobre o que há por trás da persona que admiramos e chegar mais perto da pessoa que não conhecemos. E com isso, fica aberto o caminho para que cada leitor tire suas conclusões. É um caminho fascinante e, por vezes, doloroso. A pungência de vários trechos, a banalidade de outros e até a iluminação de alguns - todos incomodam. Como deve incomodar o bom jornalismo, como deve incomodar a urgência por mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Everyone Loves You When You&#8217;re Dead&#8221; é o mais próximo que você vai chegar dos seus ídolos. E em cada página, você será forçado a se perguntar se realmente precisa deles.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/UJDcJRF3_qw" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/UJDcJRF3_qw"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Leonardo Vinhas</strong><span> assina a seção Conexão Latina (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2012/05/03/tag/conexao_latina/">aqui</a><span>) no Scream &amp; Yell e já escreveu sobre O Rock Argentino Depois De Cromañon (<a href="http://www.screamyell.com.br/musicadois/republicacromagnon.htm">aqui</a>) e sobre o show de Noel Gallagher (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/05/03/noel-gallagher-ao-vivo-em-sao-paulo/">aqui</a>)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Somos os neo-reprimidos?, por Eduardo Fernandes (<a href="http://www.screamyell.com.br/mais/reprimidos.htm">aqui</a>)<br />
- De volta ao mundo de Rob Fleming, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2009/11/23/de-volta-ao-mundo-de-rob-fleming/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://screamyell.com.br/site/2012/05/13/olhando-os-idolos-de-perto/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Discografia comentada: Mogwai</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/09/discografia-comentada-mogwai/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2012/05/09/discografia-comentada-mogwai/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 10 May 2012 00:20:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Elson Barbosa</b>
O Mogwai é difícil de entender à primeira ouvida. É daqueles grupos que requer atenção, um preço relativamente alto hoje...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14293" title="mogwai1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai1.jpg" alt="" width="605" height="460" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Discografia comentada: Mogwai<br />
por <a href="https://twitter.com/#!/elson" target="_blank">Elson Barbosa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Mogwai é uma banda difícil de entender à primeira ouvida. É daqueles grupos em que cada vez que você ouve, qualquer que seja a música, você percebe algum detalhe que nunca havia percebido antes. Ou seja, é uma banda que requer atenção, um preço relativamente alto hoje em dia. Eles já vieram ao Brasil, em 2002, para uma turnê intensa. Além de ser uma banda difícil de entender à primeira ouvida, o Mogwai também é daqueles grupos que promovem experiências sonoras ao vivo. Quem for ao Sónar São Paulo verá.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do som inspirar seriedade, a banda ri em fotos e coloca títulos engraçados em suas músicas. Eles são de Glasgow, terra de Primal Scream, Teenage Fanclub e Franz Ferdinand, e meu primeiro contato com eles foi em 1999. Um amigo havia indicado uma coletânea tripla da Matador, “Everything Is Nice”, lançada em comemoração aos 10 anos do selo, por um preço muito barato na Amazon. Comprei. Nela havia duas faixas – &#8220;Xmas Steps&#8221; e &#8220;Hugh Dallas&#8221; (essa inédita até hoje). &#8220;Xmas Steps&#8221; atrai devido a mistura de estranheza e beleza, com um peso enorme ao final da música. Não se parecia com nada que eu tivesse ouvido antes.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo depois a gravadora Trama lançou o creme da discografia inicial do Mogwai em edição nacional – “Ten Rapid”, “Young Team”, “Come On Die Young” e “Rock Action” (&#8221;Mr Beast&#8221; ainda sairia no Brasil via Musik Brokers, mas os dois últimos não chegaram a ter edição nacional). Comprei todos, ainda sem entendê-los direito. Anos depois, passei a me aprofundar nesse estilo chamado post-rock, descobrindo Godspeed You! Black Emperor, Mono, Explosions In The Sky e Slint, entre outros. Em uma viagem aos Estados Unidos, encontrei o EP &#8220;My Father My King&#8221;, e comprei meio que por impulso completista. E a ficha caiu.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;My Father My King&#8221; mudou tudo. Passei a dar valor à banda, a reouvir os álbuns antigos com outros ouvidos, descobrindo faixas obscuras que eu mal havia percebido a existência antes. A dar atenção à banda. Foi o Mogwai que me induziu a formatar e batizar a minha própria banda, a formatar e batizar o meu selo virtual, a fuçar e abraçar dezenas de bandas nacionais que seguem as ideias deste grupo de escoceses. &#8220;Two parts serenity and one part death metal&#8221;, a descrição colada em um adesivo no EP &#8220;My Father My King&#8221;, passou a ser quase uma definição de caráter.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, disco a disco, um a um, você poderá adentrar também esse território inebriante. Espero que você se divirta. Eu me sinto em casa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14295" title="mogwai2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai2.jpg" alt="" width="604" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Young Team (1997)</strong></span><br />
Para abrir seu álbum de estreia, os integrantes do Mogwai convidaram uma amiga, pedindo para que ela desse sua opinião sobre a música da banda: &#8220;If the stars had a sound, it would sound like this&#8221; (&#8221;Se as estrelas tivessem um som, elas soariam assim&#8221;). A frase marcante praticamente resume toda a carreira do Mogwai. “Young Team” é o primeiro álbum full do grupo, talvez o mais variado, e, ainda, o clássico da banda. Aqui, o grupo define e explora sua principal característica: a variedade em dinâmicas, climas, timbres, texturas. &#8220;Like Herod&#8221;, talvez a faixa mais forte de toda a carreira da banda, é quase uma definição do que se entende como post-rock: início com um leve clima de tensão, riffs em repetição, bateria calma. Perto dos dois minutos e meio, quase silêncio, para aos três minutos o peso e a tensão máxima explodirem numa massa sonora aterrorizante. Dá quase para ver a música, ou ao menos seguir um roteiro imaginário combinando suspense, terror e violência. As diferenças de dinâmica calmaria-explosão são um clichê, mas funcionam, e o Mogwai se tornaria um especialista nisso. Mas o que chama atenção é a variedade no resto do álbum: &#8220;Tracy&#8221; é triste e delicada, em total contraste com o terror de &#8220;Like Herod&#8221;. &#8220;Yes! I Am A Long Way From Home&#8221; e &#8220;Katrien&#8221; são densas e pesadas – nessa última, uma voz narra algo ininteligível, o que torna a voz só mais um instrumento embaixo do ruído. &#8220;R U Still In 2 It&#8221; é uma faixa introspectiva, trazendo a voz forte de Aidan Moffat (Arab Strap) contrastando com a tímida voz de Stuart Braithwaite tentando cantar o refrão. Mas nem tudo é perfeito: &#8220;Summer (Priority Version)&#8221; é uma regravação inferior de &#8220;Summer&#8221;, presente no EP “Ten Rapid”; &#8220;With Portfolio&#8221; é só um filler com uma mixagem exagerada que obriga o ouvinte a abaixar o volume no seu final, e &#8220;Mogwai Fear Satan&#8221; perde muito para as versões ao vivo, mais curtas e muito mais pesadas. Mas nada disso faz perder o brilho do álbum.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 9<br />
Ouça: &#8220;Like Herod&#8221;, &#8220;Tracy&#8221;<br />
Melhor trecho: As duas explosões de &#8220;Like Herod&#8221;<br />
Curiosidades: Em 2008, “Young Team” foi relançado em uma versão deluxe dupla, com um segundo CD de raridades e versões ao vivo. E no mesmo ano o Mogwai tocou o disco na íntegra no Primavera Sound Festival, na Espanha.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14296  aligncenter" title="mogwai3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai3.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Come On Die Young (1999)</strong><br />
Diferente da fórmula calmaria-explosão que o próprio Mogwai ajudou a definir no álbum de estreia, “Come On Die Young” surpreende por ser um trabalho calmo e introspectivo – talvez o mais difícil da banda. É um álbum desplugado, sem grandes efeitos de guitarra ou o peso característico dos primeiros trabalhos. Mas passada a fase de estranhamento, dá pra encontrar um belíssimo conjunto de canções, com composições mais maduras do que o esperado para um segundo álbum. &#8220;Cody&#8221; é uma balada cantada pela voz tímida de Stuart Braithwaite. &#8220;Kappa&#8221; e &#8220;May Nothing But Happiness Come Through Your Door&#8221; são primas de &#8220;Tracy&#8221;, do álbum anterior, e têm um clima de tensão crescente que até ensaia uma pequena explosão, mas logo voltam para a introspecção. &#8220;Ex-Cowboy&#8221; é um dos pontos altos do disco, trazendo um trecho com efeitos climáticos e viajantes. A explosão esperada só aparece no final do disco – &#8220;Christmas Steps&#8221;, a penúltima faixa, traz um trecho pesado e distorcido, lembrando que ainda se trata do mesmo Mogwai de “Young Team”. Diante de um álbum tão calmo e leve, é irônico ver títulos de músicas como &#8220;Punk Rock:&#8221; e &#8220;Punk Rock/Puff Daddy/Antichrist&#8221;, comprovando que os escoceses são grandes piadistas na hora de batizar suas músicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 8<br />
Ouça: &#8220;Christmas Steps&#8221;, &#8220;Ex-Cowboy&#8221;<br />
Melhor trecho: A explosão em &#8220;Christmas Steps&#8221;<br />
Curiosidade: A faixa &#8220;Punk Rock:&#8221; tem um discurso de Iggy Pop sobre punk rock, de um programa de TV canadense de 1977.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14297  aligncenter" title="mogwai4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai4.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rock Action (2001)</strong><br />
A primeira característica que chama a atenção em “Rock Action” são os sintetizadores. A banda começa a explorar mais timbres eletrônicos, com sintetizadores analógicos, vocoders e bateria eletrônica. As músicas herdam os climas mais calmos de “Come On Die Young” – novamente, não há trechos pesados e distorcidos. Outra mudança é que a presença de vocais é constante durante todo o álbum. &#8220;Sine Wave&#8221; e &#8220;2 Rights Make 1 Wrong&#8221; têm vocais em vocoder, novamente sendo usados mais como um instrumento do que como uma voz passando uma mensagem através de uma letra. &#8220;Take Me Somewhere Nice&#8221; é cantada por Stuart Braithwaite, com David Pajo (Slint) fazendo vocais de apoio. &#8220;Dial: Revenge&#8221; é cantada em gaélico por Gruff Rhys, do Super Furry Animals – a escolha da língua foi justamente com o objetivo de tornar a letra incompreensível. &#8220;2 Rights Make 1 Wrong&#8221; tem vocais de apoio de mais um convidado conhecido: Gary Lightbody, do Snow Patrol. O ponto alto é &#8220;You Don&#8217;t Know Jesus&#8221; em todo seu crescendo dramático, com a banda adicionando camadas e ruídos a cada trecho da música, descascando-os aos poucos até o final.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 8<br />
Ouça: &#8220;You Don&#8217;t Know Jesus&#8221;, &#8220;2 Rights Make 1 Wrong&#8221;<br />
Melhor trecho: O crescendo de &#8220;You Don&#8217;t Know Jesus&#8221;<br />
Curiosidade: Novamente uma citação de Iggy Pop - &#8220;Rock Action&#8221; é, ao lado de &#8220;Rock Asheton&#8221;, um dos apelidos que Iggy deu a Scott Asheton, baterista dos Stooges.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14298  aligncenter" title="mogwai5" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai5.jpg" alt="" width="350" height="347" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Happy Songs For Happy People (2003)</strong><br />
Eis o álbum menos inspirado da banda. Quase uma continuação de “Rock Action”. Os elementos eletrônicos e vocais em vocoder têm bastante presença em todo o trabalho – vide &#8220;Hunted By A Freak&#8221;, a faixa de abertura. &#8220;Moses? I Amn&#8217;t&#8221; é uma peça minimalista de sintetizadores e violoncelo, lembrando Philip Glass. Em &#8220;Killing All The Flies&#8221;, a banda ensaia uma volta aos tempos de “Young Team” e começa a fazer as pazes com os pedais de distorção, em um trecho que dura poucos segundos. A distorção toma forma de vez em &#8220;Ratts Of The Capital&#8221; – o seu crescendo e ápice é talvez um dos cinco melhores momentos de toda a carreira da banda. &#8220;I Know You Are But What Am I?&#8221; volta ao minimalismo, dessa vez com uma melodia repetitiva ao piano lembrando Arvo Pärt, antes de entrar uma bateria eletrônica. &#8220;Stop Coming To My House&#8221; fecha o álbum com um belo crescendo de camadas sobrepostas de ruído. Apesar do brilho em momentos específicos, é um álbum menor na discografia dos escoceses.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 6<br />
Ouça: &#8220;Ratts Of The Capital&#8221;, &#8220;Hunted By A Freak&#8221;<br />
Melhor trecho: A explosão em &#8220;Ratts Of The Capital&#8221;<br />
Curiosidade: A versão em CD vem com as faixas individuais de &#8220;Hunted By A Freak&#8221; separadas para serem remixadas e retrabalhadas. E uma versão em mp3 que circulou pela internet continha um sampler do tema de “Happy Tree Friends” ao final do álbum.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14300    aligncenter" title="mogwai6" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai6.jpg" alt="" width="350" height="348" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mr Beast (2006)</strong><br />
&#8220;Provavelmente o melhor álbum de art rock em que eu estive envolvido desde ‘Loveless’, do My Bloody Valentine. Na verdade, é possivelmente melhor que o Loveless&#8221;. As palavras são de Alan McGee, dono do selo Creation e produtor executivo do álbum. Não há como ignorar e não referendar: “Mr Beast” é o melhor trabalho dos escoceses. As faixas são curtas e diretas – nenhuma canção chega aos 6 minutos de duração –, tendo estruturas mais simples e acessíveis, estrofe-refrão, quase um álbum de rock tradicional. &#8220;Auto Rock&#8221; é uma bela melodia ao piano que vai ganhando corpo aos poucos. &#8220;Glasgow Mega-Snake&#8221; é violenta e furiosa – nunca antes a banda havia gravado algo tão direto e pesado. &#8220;Travel Is Dangerous&#8221;, com vocais do tecladista Barry Burns, é quase shoegaze, com estrofe leve e refrão pesado e sujo. &#8220;Team Handed&#8221; e &#8220;Friend Of The Night&#8221; têm melodias ao piano que trazem um clima de sofisticação. &#8220;I Chose Horses&#8221; é lenta e delicada, com vocais em japonês de Tetsuya Fukagawa, da banda Envy. E &#8220;We&#8217;re No Here&#8221; fecha o álbum de maneira magistral, com todo o seu peso e melodia grandiosa quase lembrando um hino. “Mr Beast” é talvez o trabalho que melhor representa a complexidade de ideias da banda, ao unir faixas tão sofisticadas e outras tão pesadas em um mesmo álbum. É esse paradoxo de calmaria e violência que faz a banda ser tão singular. Se precisar escolher um álbum para entender o Mogwai – e talvez boa parte do post-rock – comece por esse.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 10<br />
Ouça: &#8220;Glasgow Mega-Snake&#8221;, &#8220;We&#8217;re No Here&#8221;, &#8220;Friend Of The Night&#8221;<br />
Melhor trecho: A mudança harmônica com a repetição de bateria a partir dos 2:40 de &#8220;We&#8217;re No Here&#8221;<br />
Curiosidade: A versão deluxe traz de bônus um DVD com um documentário de 40 minutos sobre a gravação do álbum, além de trechos de shows.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14302  aligncenter" title="mogwai77" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai77.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">The Hawk Is Howling (2008)</span></strong><br />
Uma espécie de evolução das ideias dos álbuns anteriores. Traz quase a mesma estrutura de “Mr Beast”, mas dessa vez voltando às faixas mais longas – metade delas passam dos 6 minutos de duração. &#8220;I&#8217;m Jim Morrison, I&#8217;m Dead&#8221; abre o álbum com um clima denso movido a pianos. &#8220;Batcat&#8221; volta à violência de &#8220;Glasgow Mega-Snake&#8221; em uma faixa ainda mais pesada que a sua antecessora. &#8220;The Sun Smells Too Loud&#8221; até chama a atenção por sua ideia inusitada – com uma base eletrônica, é quase um kraut-rock animadinho –, mas o resultado beira a estranheza e o resultado é abaixo da média. &#8220;I Love You, I&#8217;m Going To Blow Up Your School&#8221; e &#8220;The Precipice&#8221; são quase literais no título – enquanto a primeira começa lenta e densa até o final explosivo, a segunda é profunda e com um senso de perigo e tensão, crescendo devagar até estourar nos últimos minutos da música e do CD. E há &#8220;Scotland&#8217;s Shame&#8221;, uma pequena obra-prima – lenta, climática, com uma bateria densa e um belíssimo arranjo de sintetizadores e guitarras em reverb e delay, um dos pontos altos do álbum e até da carreira da banda. “The Hawk Is Howling” comprova o caráter experimental da banda adicionando novas ideias e influências a cada álbum.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 8<br />
Ouça: &#8220;Batcat&#8221;, &#8220;Scotland&#8217;s Shame&#8221;<br />
Melhor trecho: Em &#8220;Scotland&#8217;s Shame&#8221;, quando um efeito de guitarra em wah parece &#8220;abrir&#8221; a música para os sintetizadores<br />
Curiosidades: A versão deluxe do álbum traz de bônus um DVD com um documentário sobre a banda dirigido por Vincent Moon. Roky Erickson, ex-vocalista do 13th Floor Elevators, canta em &#8220;Devil Rides&#8221;, b-side do single de &#8220;Batcat&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14303  aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="mogwai8" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai8.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Hardcore Will Never Die, But You Will (2011)</span></strong><br />
Primeiro álbum do Mogwai lançado pela Sub Pop. A banda parece simplificar novamente seu som, apostando em faixas mais curtas e diretas. &#8220;White Noise&#8221; abre o disco de forma grandiosa, com um pequeno épico no meio dos seus curtos 5 minutos, fazendo dessa abertura um dos pontos altos do trabalho. &#8220;Mexican Grand-Prix&#8221; é eletrônica, prima de &#8220;The Sun Smells Too Loud&#8221; do álbum anterior, mas com melhores resultados. &#8220;Rano Pano&#8221; adiciona estranheza – é um ritmo quebrado, difícil de ser entendido nas primeiras audições. Ponto para a banda por abrir mais um caminho. &#8220;San Pedro&#8221; é talvez a faixa mais pop da carreira dos escoceses – três minutos e meio, direta, redonda. &#8220;Letters To The Metro&#8221; volta à introspecção de “Come On Die Young”. &#8220;You&#8217;re Lionel Richie&#8221; é o Mogwai fazendo o que faz melhor – um épico crescendo em tensão constante. “Hardcore” marcou o crescimento da banda, tendo repercutido mais que os anteriores e ganhando três vídeos oficiais, feito inédito para a banda.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota: 8<br />
Ouça: &#8220;San Pedro&#8221;, &#8220;White Noise&#8221;<br />
Melhor trecho: Em &#8220;White Noise&#8221; quando entra um &#8220;solo&#8221; de efeitos em crescendo<br />
Curiosidades: A versão deluxe do álbum traz de bônus um segundo CD com uma faixa inédita – &#8220;Music For A Forgotten Future (The Singing Mountain)&#8221;, de mais de 23 minutos de duração. &#8220;You&#8217;re Lionel Richie&#8221; foi batizada depois que o guitarrista Stuart Braithwaite realmente encontrou com o famoso cantor dos anos 80 em um aeroporto.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14304" style="border: 1px solid black;" title="mogwai9" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai9.jpg" alt="" width="600" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Compilações e BBC Sessions</strong><br />
“Ten Rapid” (1997) é uma compilação de diversas faixas lançadas em EPs no início de carreira (entre 1996 e 1997). Por ter sido lançada antes do primeiro álbum oficial (“Young Team”), muitas vezes é confundido como o primeiro álbum da banda. &#8220;Summer&#8221; é a versão original – e melhor – da música, diferente da &#8220;Summer (Priority Version)&#8221; incluída em “Young Team”, e é tocada até hoje nos shows da banda junto a &#8220;Helicon 1&#8243;. EP+6 (2000) junta três EPs: “4 Satin”, primeiro EP da banda, lançado em 1997 com três faixas; “No Education = No Future (Fuck The Curfew)” lançado em 1998 com três faixas; E “EP”, lançado em 1999 com quatro faixas. “No Education” e “EP” foram lançados nos EUA em um mesmo álbum, rebatizado de “EP+2”. “No Education” inclui &#8220;Xmas Steps&#8221;, uma versão alternativa da &#8220;Christmas Steps&#8221;, lançada no álbum “Come On Die Young”. “Government Comissions” (2005) reúne Diversas gravações que o Mogwai fez para a BBC de 1996 até 2003, incluindo Peel Sessions – é a voz de John Peel que abre o álbum apresentando &#8220;Ladies And Gentlemen, Mogwai!&#8221;. O maior destaque da compilação é a versão matadora de &#8220;Like Herod&#8221;, com 18 minutos de duração.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14305" style="border: 1px solid black;" title="mogwailive" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwailive.jpg" alt="" width="600" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Álbuns ao Vivo</strong><br />
&#8220;Special Moves&#8221; é um álbum ao vivo lançado junto ao filme “Burning” numa edição CD+DVD, contendo faixas gravadas em três shows em Nova York em abril de 2009. “Burning” foi dirigido por Vincent Moon, que já havia dirigido um curta para o álbum “The Hawk Is Howling” (junto ao CD+DVD há um cartão que dá acesso a mais seis faixas ao vivo exclusivas). Outros bootlegs podem ser encontrados com facilidade na web, e os mais recomendados são “Mogwai Live at Supersonic” (2007), “Music Hall of Williamsburg” (2009), “ITunes Festival” (2011) e “Live at KEXP Studios 2011-05-06” (2001).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14306" style="border: 1px solid black;" title="mogwaieps" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwaieps.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Singles, splits e EPs</strong><br />
Os primeiros singles foram reunidos nas coletâneas “Ten Rapid” e “EP+6”, mas ainda ficou muita coisa inédita de fora, como os lançados em 2001: “Travels in Constants, Vol. 12”, “US Tour EP”, “UK/European Tour EP” e “My Father, My King”, esta última talvez a grande obra-prima da banda. Gravada por Steve Albini e com mais de vinte minutos de duração, é baseada em um hino judeu chamado &#8220;Avinu Malkeinu&#8221;, e contém todos os elementos que definem o som da grupo: introspecção, tensão, caos, redenção. Talvez não: é a grande obra-prima do Mogwai.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversos singles dos álbuns “Mr Beast” (“Travel is Dangerous” e “Friend of The Night”), “The Hawk Is Howling” (“Batcat”) e “Hardcore Will Never Die, But You Will” (“Rano Pano”, “Mexican Grand-Prix” e “San Pedro”) também contém faixas inéditas de bônus. “Earth Division” (2011) é um EP de quatro músicas gravado durante as sessões de “Hardcore Will Never Die”, e lançado no final de 2011. Nele a banda adota um estilo mais acústico e faz maior uso de violinos e violoncelos, como na quase vinheta erudita &#8220;Get To France&#8221; e na mistura de eletrônica com música erudita de &#8220;Drunk And Crazy&#8221;. Recentemente, no início de maio, a faixa &#8220;Earth Division&#8221; foi divulgada na internet como parte da coletânea “Music For Occupy”. Apesar do título, a faixa estranhamente não entrou no EP de mesmo nome.</p>
<p style="text-align: justify;">“Angels Vs Aliens” (1996, dividido com Dweeb), “Club Beatroot – Part Four” (1997, dividido com pH Family) e “Do The Rock Boogaloo” (1998, com Magoo) são splits lançados entre 1996 e 1998, com versões alternativas de &#8220;Angels Vs Aliens&#8221; (regravada em “Ten Rapid”) e &#8220;Stereodee&#8221; (regravada em “4 Satin”). “Do The Rock Boogaloo” ainda tem duas versões de músicas do Black Sabbath – &#8220;Black Sabbath&#8221; pelo Magoo e &#8220;Sweet Leaf&#8221; pelo Mogwai. “US Tour EP” (2008) é um split dividido com o Fuck Buttons, com Mogwai remixando &#8220;Colours Move&#8221;, dos Buttons, e estes fazendo uma cover de &#8220;Mogwai Fear Satan&#8221;. Este EP foi relançado no Record Store Day em 2010.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14307" style="border: 1px solid black;" title="200trilhas" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/200trilhas.jpg" alt="" width="600" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Álbuns de remix e Trilhas Sonoras</strong><br />
“Kicking A Dead Pig” é um álbum de remixes de várias faixas do Mogwai, remixado por artistas como Arab Strap, Alec Empire e My Bloody Valentine. O álbum foi relançado em 2001 com um segundo CD de bônus contendo remixes de &#8220;Mogwai Fear Satan&#8221;, que haviam sido lançados em um EP de 1998. “Zidane: A 21St Century Portait” (2006) é a trilha sonora do documentário que retrata a biografia de Zinedine Zidane, um dos maiores futebolistas da história. Nele, a banda volta ao estilo calmo e introspectivo dos dias de “Come On Die Young”. Uma das faixas, &#8220;7:25&#8243;, é uma sobra de estúdio daquele álbum, enquanto &#8220;Black Spider&#8221; é uma sobra do “Rock Action”. Já “The Fountain” é a trilha sonora do filme “A Fonte da Vida”, dirigido por Darren Aronofsky, composta por Clint Mansell, que já havia trabalhado com o diretor nas trilhas de “Pi“ e “Requiem For A Dream”, e além do Mogwai conta com a participação do Kronos Quartet.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14308" style="border: 1px solid black;" title="mogwaicovers" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwaicovers.jpg" alt="" width="600" height="200" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Covers</strong><br />
Algumas covers gravadas pela banda:<br />
- &#8220;Honey&#8221; (Spacemen 3) - Álbum A Tribute to Spacemen 3 (1998)<br />
- &#8220;Sweet Leaf&#8221; (Black Sabbath) - EP Do The Rock Boogaloo (1998)<br />
- &#8220;Don&#8217;t Cry&#8221; (Guns N&#8217; Roses) - Gravada em uma Peel Session de 1998, mas nunca lançada<br />
- &#8220;Arundel&#8221; (Papa M, projeto de David Pajo do Slint) - EP Travels In Constants (2001)<br />
- &#8220;Gouge Away&#8221; (Pixies) - Álbum Dig For Fire - A Tribute to Pixies (2007)<br />
- &#8220;Ghostrider&#8221; (Suicide) - Faixa ainda não lançada</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14309  aligncenter" title="mogwai_bigg" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/mogwai_bigg.jpg" alt="" width="300" height="387" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Itens de colecionador</strong><br />
MOGWAI BIG MUFF PI<br />
Pedal de Big Muff feito exclusivamente para a banda, pela Electro Harmonix.<br />
<a href="http://www.ehx.com/blog/mogwai-big-muff-pi" target="_blank">http://www.ehx.com/blog/mogwai-big-muff-pi</a></p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, primeiro vídeo: Tracy Music Box -&gt; uma caixinha de música com a melodia de &#8220;Tracy&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ufvPG6DzuCc" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/ufvPG6DzuCc"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/i1HZm5KhuGk" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/i1HZm5KhuGk"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/YvF8NKDWazU" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/YvF8NKDWazU"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/gVNYm9Qncyc" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/gVNYm9Qncyc"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yzmKyMug_T8" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/yzmKyMug_T8"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FEwnhjItTSs" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/FEwnhjItTSs"></embed></object></p>
<p>*******</p>
<p style="text-align: justify;">- Elson Barbosa toca baixo no <a href="http://www.myspace.com/herodlayne" target="_blank">Herod Layne</a> e é um dos capos do selo virtual <a href="http://sinewave.com.br/" target="_blank">Sinewave</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Perdido em Firenze e o inferno do Mogwai ao vivo na Itália, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2009/07/20/perdido-em-firenze-e-o-inferno-do-mogwai/">aqui</a>)<br />
- “Se Beethoven tivesse nascido na Escócia, 1980, provável que tocasse no Mogwai” (<a href="http://screamyell.com.br/site/2008/06/25/500-toques-elton-john-amy-winehouse-e-mogwai/">aqui</a>)<br />
- Mogwai em São Paulo em 2002, duas noites de barulho e risos, por Marcelo Finateli (<a href="http://www.screamyell.com.br/musica/mogwaibrasil.html">aqui</a>)<br />
- “Rock Action”, do Mogwai, é o som de demônios sendo moídos, por Diego Fernandes (<a href="http://www.screamyell.com.br/musica/mogwai.html">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>DVD: 50%, guiado pela franqueza</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/09/dvd-50-guiado-pela-franqueza/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 12:12:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=14281</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Gabriel Innocentin​i</b>
Se Rob Fleming quiser fazer uma lista de filmes que terminam ao som de grandes canções, "50%" pode entrar na disputa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14282" title="50" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/50.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/eduardomarciano." target="_blank">Gabriel Innocentin​i</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esqueça &#8220;Drive&#8221;, filme em que Ryan Gosling é promovido a astro por ser um herói sem libido. Esqueça &#8220;Shame&#8221;, em que Michael Fassbender não sabe como lidar com a libido. &#8220;50%&#8221; faz com que o espectador se importe com os personagens ao final, ao contrário dos personagens dos filmes dirigidos por Nicolas Winding Refn e Steve McQueen, condenados ao esquecimento e à solidão. Jonathan Levine tem a coragem e a ousadia de permitir a possibilidade do encontro com o outro. (Numa época em que imperam o cinismo e o individualismo, é previsível que &#8220;Além da Vida&#8221;, de Clint Eastwood, tenha tido julgamento negativo)</p>
<p style="text-align: justify;">Parece deslocado defender um filme cuja principal qualidade é a franqueza quando filmes afetados e artificiosos como &#8220;Drive&#8221; e &#8220;Shame&#8221; são incensados como ápices da arte cinematográfica. O enredo de &#8220;50%&#8221; é simples: Adam (Joseph Gordon-Levitt) descobre que tem um câncer cuja chance de cura é de 50%. Numa interpretação pessimista: a chance de morrer é de 50%. A mãe (Angelica Houston) é superprotetora, o pai tem Alzhaimer. Adam está passando por uma fase estranha no namoro com Rachel (Bryce Dallas Howard). Seu melhor amigo é o fanfarrão Kyle (Seth Rogen em papel típico de Seth Rogen). De brinde, ainda há a bela Anna Hendrick no papel de terapeuta iniciante.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;50%&#8221; tem todos os ingredientes de um filme independente: ator principal carismático, família disfuncional, alternância entre drama e comédia, trilha sonora esperta (Radiohead, Roy Orbison, Pearl Jam). Porém, ao contrário da média dessas produções, não vem com lição de moral embutida no final. Lidar com o câncer é um problema não somente para o doente, mas para os amigos, os familiares, a namorada e até mesmo a terapeuta.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos são pessoas normais: a mãe que sufoca o filho, o amigo bufão que não sabe lidar com a situação, a psicóloga novata com dificuldade em manter a distância em relação ao paciente, a namorada vacilante. O roteirista estreante Will Reiser, que teve câncer na espinha como Adam, vai bem ao tratar o tema sem eleger vilões nem criar heróis, criando espaços para essas relações se desenvolverem. É essa ambivalência que torna os personagens mais próximos do espectador. Impossível condenar sumariamente qualquer um deles, pois o que faríamos em seus lugares? Tais questões são impossíveis ou inúteis em &#8220;Drive&#8221; e &#8220;Shame&#8221;. Indiferença é o que esses filmes provocam.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14283" title="50_1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/50_1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Jonathan Levine está interessado em fazer a história avançar sem chamar atenção para A Sétima Arte. O que salva &#8220;50%&#8221; de ser um dramalhão ou uma produção esvaziada como &#8220;Drive&#8221; e &#8220;Shame&#8221; é sua absoluta franqueza, sua fragilidade deliberada. Em vez da opacidade, a transparência; do artifício, a simplicidade; da afetação, a autenticidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do mais, Levine é inteligente o bastante para presentear o espectador com a ausência de Carey Mulligan, tão atraente quanto um semáforo. Ele também não quer reabilitar, em pleno 2012, os sintetizadores da década musical mais famigerada da história, nem resgatar (a sério, em 2012) um subgênero, o do justiceiro solitário, como Nicolas Winding Refn em &#8220;Drive&#8221;. Muito menos quer esfregar no nariz do espectador a solidão dos grandes centros urbanos como Steve McQueen em &#8220;Shame&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">É claro que as escolhas de Levine não estão 100% livres de deslizes, mas o objetivo principal é investigar quão difícil se torna a vida das pessoas afetadas pela doença. O roteiro guarda os trunfos para o final, quando as revelações (fatos simples, até mesmo convencionais) criam espaço para detonar a emoção, reprimida na maior parte do tempo, num clímax catártico.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;50%&#8221; não vai mudar o mundo, nem será arquivado sob as tags de radical, cinema autoral, e outras expressões pomposas que não dizem nada. Mas encontrará seu caminho ao lado de pequenas jóias como &#8220;Lula e a Baleia&#8221;, &#8220;Garotos Incríveis&#8221; e &#8220;Sideways&#8221;. E se Rob Fleming quiser fazer uma lista de filmes que terminam ao som de grandes canções, como &#8220;Clube da Luta&#8221; (&#8221;Where Is My Mind&#8221;) e &#8220;A Rede Social&#8221; (&#8221;Baby, You&#8217;re a Rich Man&#8221;), &#8220;50%&#8221; pode entrar na disputa.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/vyEmMbhbIT0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/vyEmMbhbIT0"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">- Gabriel Innocentini (siga <a href="http://twitter.com/eduardomarciano" target="_blank">@eduardomarciano</a>) é jornalista e já escreveu para o Scream &amp; Yell sobre Tom Waits (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/14/2011/12/22/a-urgencia-de-tom-waits/">aqui</a>), Thomas Pynchon (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/14/2011/10/29/livvro-vicio-inerente-de-thomas-pynchon/">aqui</a>), Jorge Ben (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/14/2011/04/05/a-alegria-segundo-jorge-ben/">aqui</a>) e Jennifer Egan (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/02/a-visita-cruel-do-tempo-jennifer-egan/">aqui</a>)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- “Drive”: um filme econômico que tem muito a oferecer (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/23/cinema-drive-nicolas-winding-refn/">aqui</a>)<br />
- &#8220;Sideways&#8221;: Alexander Payne continua contando piadas sem graça (<a href="http://www.screamyell.com.br/cinemadois/sideways.htm">aqui</a>)<br />
- &#8220;Clube da Luta&#8221;: Se essa é a sua primeira vez, recomendo: assista duas (<a href="http://www.screamyell.com.br/cinema/clube.htm">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Promoção: Man&#8230; Or Astro-Man?</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/08/promocao-man-or-astro-man/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 02:42:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Promoção]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=14271</guid>
		<description><![CDATA[Man… Or Astro-Man? pousa nesta quarta em Goiânia e na quinta em São Paulo. O Scream &#038; Yell e a Inker Agência sorteiam ingressos para os dois shows! Concorra!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14273" title="man1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/man1.jpg" alt="" /><em>Foto: Show na Virada Cultural SP por Fernanda Coronado</em></p>
<p style="text-align: justify;">Após aterrisarem na Virada Cultural de São Paulo, os lunáticos do Man… Or Astro-Man? tocam dia 09/05 em Goiânia, no Bolshoi Pub; e 10/05 no Cine Jóia, em São Paulo. Depois, o grupo pega sua nave espacial e parte para a Argentina, onde toca no dia 11 de maio no Niceto Club, e Buenos Aires.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo mundo sabe que o sul dos Estados Unidos possui ocorrências de visitas extra-terrestres. O Man&#8230; Or Astro-Man? emergiu do Alabama, Estado americano onde pipocam inúmeras notícias sobre Aliens. Coincidência?</p>
<p style="text-align: justify;">Veloz e furioso, o quarteto se apresenta vestido em roupas de filme de ficção científica dos anos 40. Banda de muitos álbuns, muitos compactos e zilhões de parcerias com bandas épicas (Pavement, por exemplo), o Man… Or Astro-Man? é liderado pelo baixista e articulador de outros “barulhos científicos” Coco the Electronic Monkey Wizard. Além dele, sobem ao palco Star Crunch (guitarra e voz), Birdstuff (bateria) e, ainda, injetando uma boa dose de feminilidade no grupo, Avona Nova (guitarra e baixo).</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é uma “banda de extra-terrestres enviada à Terra para tocar surf music”, afirmam.</p>
<p style="text-align: justify;">O Scream &amp; Yell, em parceria com Inker Agencia, irá sortear um par de ingressos para o show do Man… Or Astro-Man? em Goiânia e outro par de ingressos para o  show do grupo no Cine Jóia, em São Paulo. <strong>Para participar da promoção basta tuitar a seguinte frase</strong> (dizendo a cidade que você quer ver o show!):</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&lt;&lt;&lt; <span style="color: #ff0000;">“@ScreamYell e @Inker_Agencia estão sorteando ingressos para o Man&#8230; Or Astro-Man?. Eu quero ver o show em… http://screamyell.com.br/site/”</span> &gt;&gt;&gt;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E depois colar o link do tuite nos comentários abaixo</strong> - com endereço de e-mail correto para te acharmos caso você seja sorteado (a). Apenas um tuite e comentário (O número do comentário será sua senha da sorte na promoção). Boa sorte!</p>
<p style="text-align: justify;">SERVIÇO - MAN OR ASTRO-MAN?<br />
09/05 – Bolshoi Pub, Goiânia, GO<br />
Endereço: Rua T-53, 1140, St. Bueno<br />
Horário: 21h00 (porta)<br />
Informações: contato@bolshoipub.com.br / (62) 3285-6185<br />
Site: <a href="http://www.bolshoipub.com.br" target="_blank">www.bolshoipub.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;">10/05 – Cine Jóia, São Paulo, SP<br />
Abertura: The Dead Rocks (www.deadrock.com.br)<br />
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82, Centro<br />
Horário: 21h (porta) / 22h (show)<br />
Ingressos: R$ 80,00 / R$ 40,00 (meia)<br />
Lote promocional: R$ 60,00 / R$ 30,00 (meia)</p>
<p style="text-align: justify;">11/05 – Niceto Club, Buenos Aires, Argentina<br />
Facebook: facebook.com/RockCityAgencia</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.inker.art.br" target="_blank">www.inker.art.br</a></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14276" title="man2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/man2.jpg" alt="" /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Promoção: Sónar São Paulo</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/08/promocao-sonar-sao-paulo/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 17:21:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Promoção]]></category>

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		<description><![CDATA[Na próxima sexta e sábado, 11 e 12/05, São Paulo recebe o Festival Sónar 2012. O Google quer levar um leitor do Scream &#038; Yell para curtir o evento no dia 12! Participe!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/elYlu5ZmgZA" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/elYlu5ZmgZA"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">O Sónar, um dos mais consagrados festivais de música avançada do mundo, desembarca no Brasil nos dias 11 e 12 de Maio, em São Paulo, com atrações como Kraftwerk, James Blake, Mogwai, Emicida e os DJs Marky e Patife, entre outros. E o YouTube (@YTBrasil), com tecnologia já usada no carnaval de Salvador e em outros eventos, faz a festa de quem não poderá estar no Anhembi Parque e transmite ao vivo para o mundo todo as atrações do Festival com imagens em alta definição e som digital.</p>
<p style="text-align: justify;">Para assistir, basta sintonizar o canal <a href="http://youtube.com/sonarsaopaulo" target="_blank">youtube.com/sonarsaopaulo</a> nos dias e horários do Sónar, aumentar o volume e curtir muita música de qualidade. Na página do +AoVivo no Google+ também será possível assistir e comentar a transmissão. Para esquentar o clima do Festival, o canal já está transmitindo entrevistas exclusivas com grandes artistas que estão no line-up do Sónar 2012. No entanto, mesmo transmitindo o evento ao vivo, Youtube e Google querem levar um leitor do Scream &amp; Yell para curtir o <strong>sábado</strong> (dia 12) no festival.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para participar da promoção basta tuitar a seguinte frase:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&lt;&lt;&lt; <span style="color: #ff0000;">&#8220;O @YTBrasil vai transmitir os shows do @SonarSP, mas eu quero ir ao Anhembi! Me leva @Screamyell - http://screamyell.com.br/site/ #sonar2012&#8243; <span style="color: #000000;">&gt; &gt; &gt;</span><br />
</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E depois colar o link do tuite nos comentários abaixo</strong> -  com endereço de e-mail correto para te acharmos caso você seja sorteado  (a). Apenas um tuite e comentário (O número do comentário será sua  senha da sorte na promoção).</p>
<p style="text-align: justify;">Na sexta, 11/05, primeiro dia do festival, o Sónar abrirá às portas às  19h e irá invadir a madrugada. No sábado, 12/05, com uma programação  mais extensa, o festival começará às 15h (mas uma pulseira permitirá que  o espectador entre e saia do evento no horário que quiser, podendo ir  no começo da tarde, sair e retornar durante a noite) e também adentrará a  madrugada. Os ingressos estão à venda (<a href="http://www.hotsite.ingresso.com.br/hotsite/" target="_blank">aqui</a>)  ao preço promocional de R$ 230 por dia (R$ 115 a meia) ou R$ 400 os  dois dias (R$ 200 a meia) até o dia 10/05. Depois R$ 250 e R$ 450  respectivamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Wf6FL7h9f3Y" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/Wf6FL7h9f3Y"></embed></object></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Entrevista: Enric Palau, um dos criadores do Sónar, conversa com Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/18/entrevista-enric-palau-sonar/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://screamyell.com.br/site/2012/05/08/promocao-sonar-sao-paulo/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Cinema: Jovens Adultos, Jason Reitman</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/05/cinema-jovens-adultos-jason-reitman/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2012/05/05/cinema-jovens-adultos-jason-reitman/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 May 2012 14:56:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=14197</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Adriano Costa</b>
Em nova parceria com Diablo Cody (de "Juno"), o diretor, sem contos de fadas <br />ou redenções, faz mais um belo filme]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14198" title="jovens_adultos" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/jovens_adultos.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://coisapop.blogspot.com/" target="_blank">Adriano Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mavis Gary conseguiu uma vida confortável aos 37 anos, bem superior a que a maioria dos habitantes da sua cidade natal, Mercury, no estado de Minnesota, poderia almejar. Tem um bom apartamento em uma metrópole, é escritora e trabalha com uma famosa série de livros. Tudo parece mais ou menos como sucesso, que se não pode ser considerado algo espetacular, é no mínimo uma baita realização. Porém, a sua casa tem alicerces bem frágeis e quebradiços.</p>
<p style="text-align: justify;">Em cima da personagem que a bela Charlize Theron interpreta com muita habilidade é que o diretor canadense Jason Reitman (de &#8220;Obrigado por Fumar&#8221;, &#8220;Juno&#8221; e &#8220;Amor sem Escalas&#8221;) edifica o seu novo trabalho. Nele, Reitman retoma a parceria com a roteirista Diablo Cody, apresentada em “Juno” (2007), e dá mais um passo em direção a uma carreira cinematográfica permeada com relevância e excelência. “Jovens Adultos” é mais um ótimo exemplo desse potencial do diretor e carrega o espectador em um interessante jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do que o primeiro parágrafo tenta descrever, a protagonista não tem realmente a vida perfeita que imagina. Enquanto o roteiro desenha o filme na tela, o espectador percebe que, apesar de ainda manter a beleza intacta (porém, ajudada por truques diversos), Mavis não tem muito mais com o que se orgulhar. Está divorciada, suas relações são instantâneas e superficiais e na série de livros que escreve é como se fosse uma ghost writer, apesar de citada como colaboradora internamente. E até essa série já está em declínio.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14200" title="jovens1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/jovens1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Quando chega um e-mail a convidando para ir ao batizado da filha do ex-namorado em sua cidade natal, aquilo acaba mexendo muito com ela e rende uma cena memorável em uma conversa ridícula e falsa com uma amiga. Ela se manda novamente para Mercury depois de tantos anos em busca de reatar o namoro (com um cara casado e com uma filha) e, dessa maneira, na sua infeliz concepção, recolocar a felicidade de novo no caminho. Mais que uma busca, esse desejo tem um esboço de afirmação.</p>
<p style="text-align: justify;">O diretor Jason Reitman já havia explorado a solidão disfarçada com empregos e relações ligeiras no ótimo “Amor Sem Escalas” (2010), como também a questão da maturidade no já citado “Juno”. Aqui, ele retorna a esses temas, mas inverte o prisma do crescimento, pois já não é uma jovem que precisa amadurecer e lidar com um mundo de responsabilidades e sim o contrário, uma adulta que não consegue estabelecer relações e se mistura cada vez mais com os livros que escreve para adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Na procura em reatar o antigo romance com Buddy Slade (Patrick Wilson), Mavis Gary esbarra em Matt Freehauf (o competente Patton Oswald), um gordinho que tem problemas de locomoção por conta de uma agressão sofrida de modo irracional ainda no colégio e detentor de uma antiga devoção por ela. Não obstante é com esse cara que remonta bonecos de brinquedo e faz bebida no porão, que ela consegue ter alguns momentos de alívio na sua fantasiosa cruzada.</p>
<p style="text-align: justify;">“Jovens Adultos” é acompanhado por uma trilha sonora para lá de eficiente (que ostenta Lemonheads e Replacementes pelo meio) transformando “The Concept”, do Teenage Fanclub, em coadjuvante, o que rende ótimos momentos. Jason Reitman entra de cabeça no universo da sua própria geração para questionar ambição e crescimento, fazendo isso de maneira criativa e cômica dentro da carga de drama que está automaticamente inerente. E assim, sem contos de fadas ou redenções, faz mais um belo filme.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ixY0FZqSzHg" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/ixY0FZqSzHg"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">****</p>
<p style="text-align: left;">- Adriano Mello Costa (siga <a href="http://twitter.com/coisapop" target="_blank">@coisapop</a>) assina o blog de cultura <a href="http://coisapop.blogspot.com/" target="_blank">Coisa Pop</a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Juno: precocemente madura e exageradamente espirituosa, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2008/02/10/juno/">aqui</a>)<br />
- Amor sem Escalas: cinema para adolescentes entenderem errado, por Marcel Plasse (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/01/24/amor-sem-escalas-jason-reitman/">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Bona Fortuna</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/05/entrevista-bona-fortuna/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2012/05/05/entrevista-bona-fortuna/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 May 2012 14:06:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=14176</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Andressa Monteiro</b>
De Mariana, cidade vizinha de Ouro Preto, surge um quarteto apaixonado pelo folk e com um bom disco de estreia. Ouça]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14178" title="bonafortuna" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/bonafortuna.jpg" alt="" width="605" height="408" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://twitter.com/#%21/monteiroac" target="_blank">Andressa Monteiro</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vindos de Mariana, em Minas Gerais, o som do Bona Fortuna transita com facilidade entre o folk e o rock, com influências dos Beatles, Creedence Clearwater Revival, Bob Dylan, Chico Buarque, Dire Straits, Johnny Cash, Raul Seixas, Munford and Sons e Los Hermanos, somando influências individuais de cada integrante e moldando assim a identidade do grupo como um todo.</p>
<p style="text-align: justify;">A banda, criada em 2010 por André Araújo (vocalista e guitarrista), Filipe Oliveira (baixista), Davi Queiroz (guitarrista e violonista) e  Lucas Oliveira (baterista), lançou, após dois anos de existência, o álbum de estreia que leva o nome do grupo e foi produzido, gravado e mixado por Filipe em seu home studio, o que, segundo o próprio baixista, possibilitou uma grande entrega e dedicação à produção musical.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, Filipe assina as dez músicas do disco, divulgado inicialmente para amigos próximos. Tanto ele quanto André não tinham grandes pretensões comerciais: queriam mostrar apenas um trabalho sincero, sem grandes equipamentos, mas com muito empenho e honestidade. O que ambos não imaginavam é que, desde o ano passado, o projeto &#8220;particular&#8221; iria se expandir e tomar proporções inesperadas, atingindo diversos ouvintes que instantaneamente se tornariam fãs e seguidores da banda.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro Ferreira, produtor do Bona Fortuna, sugeriu então que os mineiros lançassem novamente e oficialmente o álbum, agora com a intenção de levar aos palcos independentes o trabalho da banda com uma maior divulgação.</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, feita por e-mail, o grupo comenta sobre os desafios do início de carreira, sobre o processo de criação e realização das músicas, família, amigos, amores e muito mais. O download gratuito do álbum já está disponível no site A Musicoteca (baixe <a href="http://www.amusicoteca.com.br/?p=6388" target="_blank">aqui</a>), e além disso você pode encontrar mais informações na página da banda no Facebook (<a href="http://www.facebook.com/bona.fortuna.oficial" target="_blank">aqui</a>) e no  Twitter <a href="https://twitter.com/#!/bonafortuna_" target="_blank">@bonafortuna_</a>.</p>
<p><iframe width="100%" height="470" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1791585&#038;show_artwork=true"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bona Fortuna significa “boa sorte” em latim. Como surgiu a ideia do nome para a banda?</strong><br />
Filipe: Quem tem banda certamente concordará comigo: escolher um nome que represente bem a imagem e o conceito que o grupo quer transmitir não é uma tarefa das mais fáceis. Inicialmente surgem aquelas expressões quase esdrúxulas, estrangeirismos, jogos de palavras e no final, todas as opções são descartadas&#8230; Certo dia eu estava pensando em alguns nomes, já desanimado com tantas ideias rejeitadas, quando me veio a mente a expressão “boa sorte”, que traz uma intensa carga positiva. Além disso, a palavra “sorte” também é definida por “acaso” ou “risco”, elementos intrínsecos a todo novo projeto. Gostei da ideia, mas a expressão em português não me parecia adequada para o nome de uma banda. Então eu e o André pesquisamos a escrita e pronúncia da expressão em várias línguas e gostamos da sonoridade das palavras em latim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi o processo de composição do álbum? Aonde ele foi feito?</strong><br />
André: O Filipe compôs as músicas e começou a gravá-las em seu home-studio, aqui mesmo em Mariana. Nós já nos conhecíamos há bastante tempo e até mesmo já havíamos tocado em outras bandas juntos, e certo dia ele me chamou para ouvir as composições já prontas. Eu me interessei pelo projeto e decidimos fechar um álbum com dez faixas para divulgarmos apenas entre amigos. A partir daí fomos nos encontrando semanalmente até o fim das gravações. O álbum foi inteiramente gravado em Mariana, na casa do Filipe, com equipamentos básicos de gravação e muito comprometimento para que o projeto transparecesse exatamente o que queríamos&#8230; E esse objetivo felizmente foi alcançado. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que fez vocês mudarem de ideia com relação a divulgação?</strong><br />
Davi: Com certeza a entrada em cena do nosso produtor, o Pedro Ferreira! A divulgação do álbum estava morna, e a banda parada, quando o Pedro, que já nos conhecia de outros projetos, entrou em contato conosco e propôs que relançássemos o álbum oficialmente, por meio do site “A Musicoteca”, visando uma divulgação mais intensa, já que ele acreditava bastante no nosso som. Então a culpa é toda dele! (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há músicas favoritas?</strong><br />
Filipe: Terei que recorrer ao velho clichê: pedir para um compositor escolher a melhor de suas músicas é como pedir a um pai que escolha um entre seus filhos (risos). É claro que tenho uma leve inclinação por algumas letras e melodias, mas é segredo!</p>
<p style="text-align: justify;">Davi: Difícil escolher a melhor! Mas &#8220;O Duelo&#8221; fica em primeiro lugar! A melodia é muito divertida de se escutar e tocar. Sou capaz de tocá-la por todo o dia e não querer parar! (risos). Mas creio que faria o mesmo com as outras&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas: “De Mala e Cuia” sempre me chamou atenção pela situação cômica trazida na letra. “Memento Mori” também me agrada muito, primeiro pelo ritmo com uma pegada latina e segundo, pelo tema instigante da letra. Por fim, fico com “Parece que Perdi a Fé”, o mantra da Bona Fortuna! (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">André: Confesso que tenho uma queda por &#8220;O Duelo&#8221;. Gosto muito do jeito que ela ficou no fim das gravações. Ela passa uma mensagem interessante, além de ser muito divertida de tocar. Mas, é claro, isso não deixa as outras músicas de lado, todas sempre têm sua característica especial, que chama a minha atenção.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Um microfone de estúdio foi colocado no centro do quarto onde aconteceu a gravação do disco e registrou continuamente os ensaios, captando conversas e brincadeiras dos integrantes. A sequência de pré-gravações foi batizada de &#8220;Anthology&#8221;. Por que decidiram fazer dessa maneira? O nome “Anthology” tem alguma relação com os Beatles?</strong></span><br />
Filipe: Como muitas das músicas do álbum foram compostas antes mesmo do início da banda, tive que mostrá-las ao André e foram necessários alguns ensaios até que ele as internalizasse e entendesse a proposta da banda. Como esses ensaios aconteciam no mesmo local aonde o disco foi gravado, resolvemos deixar um microfone condensador de estúdio captando toda a evolução do processo de aprendizagem e aperfeiçoamento das músicas. Ouvir as gravações depois da finalização do álbum é engraçado, pois várias letras foram muito modificadas, alguns arranjos eliminados, além, é claro, de podermos relembrar ótimos momentos de descontração.</p>
<p style="text-align: justify;">André: O nome Anthology foi uma brincadeira e surgiu em meio à sequência de pré-gravações como uma homenagem ao excelente box de DVDs e CDs dos Beatles, em que foram compilados vários takes gravados continuamente, mostrando diálogos e brincadeiras dos Fab Four.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/_HAf-gEM02c" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/_HAf-gEM02c"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A faixa 6 do álbum, “Memento Mori”, trata sobre a conversa de um homem com a morte. O nome foi sugerido por Antônio, pai de Filipe e Lucas, e simboliza a história de um General Romano que sempre pedia ao seu servo que, nos momentos de vitória e bonança, dissesse ao seu ouvido a frase &#8220;memento mori&#8221;, ou &#8220;lembre-te de que morrerás&#8221;, advertindo-o de sua mortalidade e fragilidade diante da vida. Como essa temática influenciou no som que vocês fazem?</strong><br />
Filipe: Durante o processo de composição, tentei ao máximo buscar temas comuns, triviais, capazes de gerar uma identificação quase imediata pelo ouvinte. Todavia, ao mesmo tempo eu procurei dar uma roupagem nova a esses temas, contar a mesma história sob um ponto de vista diferente, enxergando detalhes normalmente esquecidos ou ignorados. Assim surgiu “Memento Mori”, que nos adverte da nossa mortalidade, em forma de diálogo; “No Bar”, que mostra um desencontro amoroso em razão de uma aposta; o embate entre um homem e seu destino, em “O Duelo”; o receio do novo em “De Mala e Cuia”, entre outras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Além disso, a criança segurando o violão na capa é também Antônio. Por que vocês decidiram colocá-lo para ilustrar o disco?</strong><br />
Filipe: A imagem da capa foi uma coincidência extremamente oportuna. Primeiramente porque simbolizou de forma clara e direta o nome da banda e essa fase inicial tão difícil e instável. Explico: “Bona Fortuna” é boa sorte, que é (como eu disse) também acaso, destino, risco. A criança da capa sentada na mesa e segurando o seu violão de brinquedo não tem a mínima ideia do futuro que a espera e de todos os riscos que assumirá e perigos que enfrentará, mas não deixa de sorrir e é incapaz de abandonar o seu pequeno violão, sua paixão. E é assim que nos sentimos agora: cegos diante das incertezas desse caminho tão belo e tortuoso que é a música, mas sempre com um largo sorriso no rosto e sem abdicar do que realmente acreditamos. Além disso, foi uma homenagem ao meu pai, que participou constantemente do processo de produção do álbum, dando conselhos, ouvindo ideias, sugerindo temas, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">André: Antônio esteve muito presente durante o processo de composição das músicas e gravação do álbum, e isso foi extremamente importante para que o Filipe ganhasse cada vez mais segurança e o processo fosse amadurecendo com o tempo até chegar a um resultado final satisfatório. Possivelmente sem a ajuda dele o Filipe não teria levado o projeto para frente, pois a principal motivação com certeza veio do seu pai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antônio tem alguma formação musical? Incentiva os filhos na carreira musical?</strong><br />
Filipe: Meu pai toca saxofone como hobby, mas o seu maior legado que fortaleceu meu amor pela música é o seu ótimo gosto musical. Cresci ouvindo excelentes compositores e intérpretes, fato que considero essencial para a concepção musical em virtude da bagagem cultural adquirida. Sem esquecer, é claro, que ele praticamente me empurrou para as aulas de violão! (risos). E hoje sou extremamente grato a ele por isso&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas: Acho que se ele pudesse, tocaria centenas de instrumentos. Ele é apaixonado por música desde novo, quando ainda sonhava em tocar na fanfarra da escola. Nosso pai sempre foi o nosso maior incentivador! Em cada show ele está presente, por pior que seja o lugar, sempre nos dá preciosas opiniões e sempre está disponível para nos ajudar com o que quer que seja.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a importância da família e dos amigos para cada membro da banda e como isso se reflete na música que vocês fazem?</strong><br />
Davi: No cenário da música é muito difícil sair da inércia, metaforicamente falando. Portanto, qualquer apoio é sempre bem vindo. No meu caso, imagino também que no caso dos demais integrantes, é da família e dos amigos que vem grande parte desse apoio, desse estímulo para continuarmos lutando pelos nossos sonhos. Tudo isso reflete não só nas composições da música, mas também na maneira como tocamos. A gratidão e felicidade por ter tal suporte &#8220;sentimentaliza&#8221; cada nota ou ritmo que fazemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas: Estes são nossos maiores apoiadores e incentivadores! Não importa qual seja o projeto, qual seja a música e o lugar, eles sempre estão lá para nos dar força! Isso influi de uma maneira muito positiva. Ver que nossa família e nossos grandes amigos estão com a gente, faz com que nos dediquemos ao máximo para fazer uma boa música e um bom show.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/haAB6AzHjgI" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/haAB6AzHjgI"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alguns integrantes já participaram de um projeto de covers de artistas clássicos de blues. Como foi essa experiência?</strong><br />
André: Tive dois projetos relacionados ao blues, e ambos foram bem próximos um do outro. O primeiro foi com a mesma formação da Bona Fortuna. Foi quando comecei a conhecer o blues, os instrumentistas e compositores. Diria que foi uma evolução musical. A gente tocava para passar o tempo, em casa. O segundo projeto foi mais profundo. Foi uma época em que a minha guitarra era a minha segunda namorada. Evolui bastante com esse projeto. Apesar de ser meio clichê, o blues vem mais de dentro, é muito sentimento envolvido, mesmo tocando cover. Com esse segundo projeto fizemos shows bem legais.</p>
<p style="text-align: justify;">Davi: Comecei a tocar aos 10 anos de idade, com uma banda cover. Tocávamos rock e pop rock. Quando essa banda terminou, eu e o Lucas começamos um novo projeto, no qual tocávamos cover também, mas desta vez especificamente de Beatles, Led Zeppelin, dentre outros clássicos do rock. A Bona Fortuna surgiu paralelo a este último projeto e hoje a Bona é a minha prioridade. Demais projetos como a banda de blues (mesma formação da Bona Fortuna) também ajudaram na formação do músico que sou hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que andam escutando ultimamente?</strong><br />
Filipe: Tenho escutado The Black Keys, Mumford and Sons, Cartola, Bon Iver, Novos Baianos, Vampire Weekend, Arnaldo Antunes, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">André: Caetano Veloso, Arctic Monkeys, Criolo, Santana, Mumford and Sons, Marcelo Camelo, Foster The People, The Black Keys, Dave Mathews Band.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas: Em primeiro lugar sempre estão os garotos de Liverpool. Também tenho escutado bastante Foo Fighters, The Black Keys e Led Zeppelin.</p>
<p style="text-align: justify;">Davi: Sou um pouco tradicional com bandas e dificilmente me rendo às novas. Daí escuto muito The Beatles e Eric Clapton, principalmente. Mas o Filipe me colocou para escutar The Black Keys e gostei muito! Sem contar que, nas tardes de domingo, gosto de me render ao velho samba de raiz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Black Keys é maioria entre vocês! Ficaram sabendo que eles estão em turnê com o Arctic Monkeys? Se pudessem escolher uma banda/artista para abrir um show ou para rodar em turnê, qual seria?</strong><br />
André: O que seria melhor do que pegar carona na turnê do Black Keys com o Arctic Monkeys?</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas: Seria sensacional fazer uma turnê com os Los Hermanos ou Marcelo Jeneci!</p>
<p style="text-align: justify;">Davi: Muito difícil escolher apenas um, mas fico com John Mayer.</p>
<p style="text-align: justify;">Filipe: Pergunta difícil! São tantos&#8230; Mas seria incrível rodar em turnê com Kings of Leon, Vampire Weekend, Pato Fu, Marcelo Camelo, etc.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Concordam que o som de vocês lembre o dos Los Hermanos? Se sim, em quais sentidos?</strong><br />
Filipe: Los Hermanos representou um grande marco na história da música brasileira. A partir deles, vários artistas independentes e alternativos conseguiram uma maior visibilidade e vários outros surgiram com forte influência do grupo. Assim, é natural que haja esse tipo de comparação, pois sempre que ouvimos algo que foge do padrão “comercial” buscamos a referência mais forte que temos nesse quesito, no caso, Los Hermanos. Certamente as minhas composições sofrem uma influência dos barbudos, mas na mesma intensidade que qualquer outro artista que eu goste muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Devido a outros compromissos externos, vocês entraram em um período de latência, ficando parados por alguns meses. Isso foi devido ao fato de que cada integrante tem outros projetos paralelos?</strong><br />
Lucas: Na realidade foi a “Bona Fortuna” que surgiu como um projeto paralelo aos que já participávamos. Eu e o Davi tocávamos em outra banda juntos, o André também tinha outros projetos e só o Filipe estava parado depois de algumas participações em bandas e produções de álbuns independentes, fato que lhe possibilitou uma grande entrega à composição das letras e produção do álbum “Bona Fortuna”.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/BnwQSpkcCsU" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/BnwQSpkcCsU"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Grande parte das letras do disco falam sobre amores, desencontros e relacionamentos. O quanto da vida pessoal de vocês está presente nas letras?</strong><br />
Filipe: Essa pergunta é muito interessante, pois muitas vezes ao ouvirmos uma música, automaticamente a relacionamos com o seu compositor e imaginamos que ele necessariamente tenha vivenciado a situação narrada ou ao menos participado da ocasião. É claro que muitas experiências e sentimentos pessoais são espontaneamente agregados às canções, mas eu busco sempre observar os fatos cotidianos ao meu redor, por mais singelos que possam parecer, e é daí que saem as melhores ideias. Assim, algumas músicas escancaram meus receios e devaneios, outras apenas relatam situações externas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há influências ou referências de filmes ou livros, por exemplo?</strong><br />
Filipe: Não há referências diretas e evidentes, mas além da música, sou cinéfilo de carteirinha, e certamente os diálogos e roteiros dos filmes dos meus diretores prediletos acabam por me influenciar no processo criativo das composições.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bacana! Tem alguma trilha sonora de filme que gostariam de ter produzido?</strong><br />
Filipe: Qualquer filme do Scorsese, Kubrick ou Tarantino! Os filmes deles sempre tem trilhas sonoras sensacionais! Mais especificamente, gosto muito da trilha do “Pulp Fiction”, por ser bem variada e exótica, “Na Natureza Selvagem” (o Eddie Vedder fez um trabalho que beira a perfeição) e “Vanilla Sky”, que é de arrepiar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como observam o crescente surgimento de bandas folk-rock e indies no Brasil?</strong><br />
Filipe: É sempre um alívio observar a ascensão de novos artistas com propostas diferentes, que fogem do convencional. Acredito que todos nós já cansamos dessa onda de bandas que trazem “mais do mesmo”. O folk já foi um estilo dominante há alguns anos, mas acabou perdendo a força e agora ressurge com um novo ânimo. O que mais me chama a atenção nas novas bandas indies com influência do folk são as diferentes abordagens e a consequente ampliação do gênero, já que a tendência atual é a combinação de estilos e sonoridades para se tentar enxergar o “clássico” sob uma nova perspectiva.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês são de Mariana, Minas Gerais. O que podem indicar de bandas/artistas da cidade? Há projetos sendo feitos que merecem destaque?</strong><br />
André: Dentre os trabalhos que chamam a minha atenção em Mariana estão o Xisto Siman e Banda, que é uma banda autoral, com músicas divertidas, dançantes e espirituosas, além de apresentações sempre bem legais. Outra dessas bandas é o Vira Saia, que tem uma pegada mais visceral, tanto nas suas letras quanto na música. Por fim, a Groove de Vinil que faz, corajosamente, covers de funk e jazz instrumental. É um trio muito bom no que faz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais são os desafios que vocês estão encontrando nesse início de carreira? Como está sendo feita a divulgação tanto do grupo como do disco?</strong><br />
Lucas: Todos os integrantes tiveram uma grande experiência com música em bandas desde muito cedo e sempre encontramos os mesmo desafios no percurso: a dificuldade de fazer shows com uma estrutura bacana, a falta de interesse do público em bandas locais, o desinteresse da mídia em projetos que saem do usual. Desta vez, no entanto, contamos com a grandiosa ajuda de nosso produtor e amigo Pedro Ferreira. Ele vem conseguindo uma grande visibilidade para a Bona Fortuna em diversos meios, como blogs conceituados, jornais e emissoras, o que tem deixado todos da banda muito entusiasmados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Já tem uma agenda de shows?</strong><br />
Davi: Agora que lançamos o álbum completo, estamos terminando os ensaios e a elaboração do repertório para os shows de lançamento que pretendemos fazer aqui em Minas Gerais e posteriormente em algumas capitais pelo país. Por isso a agenda ainda não está totalmente definida, mas podem aguardar que logo estaremos na estrada com o show de divulgação do álbum.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E projetos futuros? Pensam em gravar um segundo disco logo?</strong><br />
André: Talvez esse não seja o momento adequado para pensarmos em um novo álbum cheio, pois pretendemos divulgar maciçamente o disco atual antes de iniciarmos outro projeto. Mas logo lançaremos alguns singles ou mesmo um EP com poucas músicas para que a divulgação da banda não esfrie e continue atingindo um público cada vez maior.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14183  aligncenter" title="bonafortuna1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/bonafortuna1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">- Andressa Monteiro (siga <a href="https://twitter.com/#%21/monteiroac" target="_blank">@monteiroac</a>) é jornalista e assina o blog <a href="http://thegoldfishmemory.blogspot.com/" target="_blank">Goldfish Memory </a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Um Festival em Vitória da Conquista</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 13:38:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Andrea Fabiana</b>
Cidade recebe Mundo Livre S/A, Criolo, Leoni, Móveis Colonias de Acajú, Nina Becker e Lucas Santtana em fim de semana]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Texto por <a href="http://twitter.com/#!/deafabiana" target="_blank">Andrea Fabiana</a><br />
fotos por Arthur Garcia e Giselli Moreira<br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14215" title="festival1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/festival1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Festival da Juventude em Vitória da Conquista – Dia 1</strong></p>
<p style="text-align: justify;">4 de maio de 2012. 9h50. O avião pousa no pequeno aeroporto de Vitória da Conquista, onde as pessoas buscam a bagagem num balcão comum ao invés da longa e demorada esteira dos aeroportos de São Paulo e Rio (e de outras grandes capitais) e conseguem se locomover pelo aeroporto inteiro em dez minutos. É perfeito para não se perder e evitar desencontros.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira impressão é de que Vitória da Conquista é uma cidade de interior como qualquer outra, quase sem prédios – e a maioria não ultrapassa os dez andares – casinhas coloridas e simpáticas, a fonte antiga/usada para pintar a fachada dos comércios com “Bar do Bigode”, “Móveis Silva” e “Floricultura Ana”, algumas ruas ainda sendo asfaltadas e frio. Muito frio. Apesar dos ventos gelados, para os moradores, está ‘quase fazendo calor’.</p>
<p style="text-align: justify;">Vitória da Conquista é conhecida como a terra do café, das rosas e do biscoito. “Biscoito é mais forte que o couro, que trabalha bastante por aqui”, diz Vilanei, morador e funcionário da Secretaria de Educação da cidade. “E não esquece de ir em fábrica! Tem que ir em feira, no CEASA!”, diz empolgado.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma cidade tranquila, de 300 mil habitantes, a terceira maior cidade baiana, onde a cena musical está crescendo e ótimos artistas estão surgindo. Usando este gancho, o Festival da Juventude surge como um evento que convida os jovens a participar de palestras, debates e oficinas, com o objetivo de incluí-lo em causas sociais, políticas e educativas. Exemplo disso foi uma das primeiras palestras do evento, que contou com a presença do escritor Leonardo Boff, que discorreu sobre o futuro incerto que pode virar certo nas mãos do jovem bem direcionado. O Centro de Convenções estava badalado, mas à noite, a Praça Barão do Rio Branco superou as expectativas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14218" title="achiles" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/achiles.jpg" alt="" width="605" height="404" /></p>
<p style="text-align: justify;">Previsto para começar às 20h, os shows sofreram um pequeno atraso e Achiles Neto só subiu no palco às 20h50 com a Praça cheia, mas ainda com algumas lacunas no espaço. O jovem, que canta desde os 7 anos, mostrou pequenos esforços para mostrar uma tremenda voz afinadíssima, e ficou bem à vontade  no palco, dançando e pulando e aquecendo o público. Afinal, a noite seria longa. Os primeiros acordes da terceira música provocaram palmas e berros de emoção, pois era o público reconhecendo a música “Agonilia”, aquela que lhe deu o terceiro lugar no programa e concurso “Por isso é que eu canto”. Perto do fim de seu show, Achiles convidou o cantor Ítalo Silva, que também se soltou entre pulos e balanço de quadris.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo depois subiram os conquistenses da Ladrões de Vinil, com seu figurino característico: todos vestindo camisetas de listras horizontais, brancas e pretas. “Buenas noches, manolos e manolas”, gritou o vocalista Loro Borges, que parecia atrair mais pessoas na Praça naquele momento. Entre pulos e dancinhas no estilo rockabilly, os caras se divertem no palco e chamam para dançar. Entre uma música e outra, os integrantes fazem menção a Luiz Gonzaga, o trabalhador – pelo dia 1 de maio – e a namorada do vocalista. Perto do fim, duas figurinhas do rock conquistense são convidadas ao palco para cantar com eles: Malforea Distintivo Blue e Nem Tosco Todo (da banda Cama de Jornal), que causaram a alegria dos locais.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos shows mais aguardados da primeira noite foi o dos baianos da Vendo 147, uma banda instrumental conhecida pela sua formação, que traz dois bateristas posicionados um na frente do outro, dividindo o mesmo bumbo. Sensacional! A barulheira combina direitinho com os riffs eletrizantes das guitarras, acompanhadas pela bela presença de palco dos rapazes. Na primeira fileira, as meninas soltam seus gritinhos e suspiros para os integrantes boa pinta, que se divertem com as reações.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14220" title="festival2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/festival2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Após a terceira música, um dos bateristas faz o convite: “Gostaríamos de chamar no palco uma voz doce e rebelde”, e então sobe Nina Becker, gravidinha e super animada! Juntos, tocam a dançante “Parará”, com Nina acompanhando também na guitarra, “Samba Jambo”, e finalmente “Supermercado do Amor”, com a qual ela faz a brincadeira de passar a mão na barriga (estilo Beyoncé quando anunciou a gravidez) no verso “E todo o seu amor”. “Que gracinha!”, diziam algumas meninas entre o público.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no camarim, Nina havia expressado a alegria de voltar pra Vitória da Conquista com outra atividade – ela já havia circulado pelas cidades do interior para as gravações de “Abril Despedaçado”, como produtora de Walter Salles. Nina contou sobre o convite da Vendo 147 e comparou o som dos meninos com o da banda Carne de Segunda, que originou a Do Amor, de seu marido Marcelo. “Somzeira, né? Os meninos são ótimos e hoje são só alegrias”, diz a cantora que se prepara para lançar seu disco, “Gambito Budapeste”, em junho.</p>
<p style="text-align: justify;">Nina se despede do palco e a Vendo 147 continua tocando suas próprias músicas. Mais tarde chega a hora do segundo convidado da banda, Lucas Santtana, que já havia comentado da afinidade musical com os rapazes, principalmente por ser instrumental e fugir um pouco da canção em si. “Gosto muito desse estilo. Outra banda que tem a mesma pegada e que eu gosto muito é a Hurtmold”, comenta. Lucas inicia com “Para Onde Irá Essa Onda?”, seguida de “É Sempre Bom se Lembrar” e “Who Can Say Which Way”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14223" title="lucas" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/lucas.jpg" alt="" width="605" height="440" /></p>
<p style="text-align: justify;">A química entre os artistas é nítida e o público é receptivo, mas entre os presentes só se ouve “fica perto que depois é o Pepeu”, e “o Pepeu já vai entrar”. Lucas também se despede ao som dos fãs gritando “Novo vocalista!”, “Novo vocalista!”, pedindo a adesão do baiano na banda. Os integrantes e ele riem e agradecem. Enquanto Pepeu não chega, tocam mais músicas próprias, mas logo param por conta de uma briga acontecendo no meio da praça. A banda pergunta no microfone onde está a polícia, mas ninguém aparece. De fato, foi impossível avistar um só fardado durante o evento. A situação parece melhorar e então eles retomam a música.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente Pepeu Gomes é chamado para acompanhar os meninos e então fica claro de quem é a noite. 40 anos de carreira e o cara conquistou todas as tribos, do samba, mpb, rock, soul, black&#8230; Todos juntos para prestigiá-lo. Para amenizar o climão da briga, Pepeu grita no microfone “Vai, vamos colocar as mãozinhas pro alto pra mandar energia boa pra essa banda maravilhosa!” Os meninos da banda fazem sinal de agradecimento e começa o show!  Duas músicas instrumentais, com o Pepeu mandando muito nos riffs. E logo em seguida “Sexy Yemanjá”, coincidindo com a lua cheia, a qual muitos apontavam extasiados. O clima é de festa e todos curtem muito o som. Todos conhecem a letra. No fim da música, Pepeu aproveita para agradecer o convite: “Fazia 14 anos que eu não vinha! E estou muito feliz de estar aqui!”, diz emocionado.</p>
<p style="text-align: justify;">Começam os acordes de “Eu Também Quero Beijar”, com o público cantando em coro, quase mais alto que ele. A empolgação fica demais quando três jovens tentam subir no palco, mas logo são empurrados pra descer. O show parece terminar, mas então Pepeu toma a guitarra e detona tocando o hino nacional brasileiro. Até os caras da Vendo 147 param pra admirar o momento, mas logo acompanham quando ele engata pra tocar o comecinho clássico de “Back in Black”, do AC/DC. Finalmente, ele encerra com um solo incrível. Fez a noite da galera. Nada mal para o primeiro dia de um festival que acontece pela primeira vez em Conquista.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14225" title="vendo_pepeu2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/vendo_pepeu2.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Festival da Juventude em Vitória da Conquista – Dia 2</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Devido  a alguns contratempos, o Festival da Juventude ficou sem Tom Zé, mas  nem por isso o segundo dia evento foi menos animado. As 18h40, a Praça  Barão do Rio Branco ainda estava pouco movimentada. Alguns jovens  circulavam, passando pelas barracas de espetinhos, caldo verde, cachorro  quente ou comprando cerveja dos vendedores com caixas de isopor. O  tempo, menos frio que no dia anterior, não dava sinais de chuva. Pouco  depois das 20h, mais gente chegava e se posicionava, vendo o palco ser  montado. Outros se divertiam no palco alternativo, montado em um beco ao  lado do local, com bandas tocando covers de Pink Floyd e AC/DC para um  público de 30 pessoas – no máximo.</p>
<p style="text-align: justify;">O  primeiro show da segundo noite foi do Complexo Ragga, que entrou no  palco as 21h02 para uma praça bem cheia. O trio, usando óculos escuros,  composto por dois MCs e um DJ, mistura soundsystem com reggae,  circulando pelo funk, dub e suas vertentes, fazendo a galera dançar  muito e cantar junto todas as músicas. &#8220;É nós, Conquista! Isso aqui é  pra vocês!&#8221;, grita o MC, que na sequencia pergunta: &#8220;Cadê o isqueiro?&#8221;,  convidando as pessoas a acenderem os seus para acompanhar os versos &#8220;Eu  quero fogo, eu gosto de fogo&#8221;, de sua terceira música.</p>
<p style="text-align: justify;">Aila  Marçal (aka Preta Aila) é chamada e sobe ao palco para dançar vestindo  roupas bastante reveladoras. Com suas danças sensuais, deixa alguns  homens imóveis, admirando sua beleza. A moça vai até o chão! Coreografia  ou improviso, ela manda muito bem.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14237" title="aila" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/aila.jpg" alt="" width="605" height="404" /></p>
<p style="text-align: justify;">A  praça começa a lotar, e um MC local amigo da banda é chamado e começa  uma música que faz crítica à polícia. Um grupo do público sacode uma  bandeira preta, que logo é tomada pelo MC, que a estica para que todos  possam ler: Levante Popular da Juventude. “Queria agradecer a presença  da Polícia Militar!”, diz. E dessa vez eles estavam lá. Alguns aplaudem,  outros erguem o dedo do meio e vaiam (a polícia). O MC convidado  aproveita para se manifestar a favor da periferia e exige que esse  espaço seja mais trabalhado com a juventude. O show finaliza com a  dançarina dançando dupstep.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto  a equipe monta o palco, o Móveis Coloniais de Acaju conta ao Scream  &amp; Yell que esta é a segunda vez que se apresentam em Vitória da  Conquista e que a noite é mais que especial por ser a primeira vez que  tocam ao vivo a música “Dois Sorrisos”, que lançaram com o Leoni no ano  passado. Paulo Rogério termina de afinar seu sax com um aplicativo do  IPhone e então os meninos se preparam para agitar Vitória da Conquista.</p>
<p style="text-align: justify;">Gritos  e mais gritos. A maioria do público segura bexigas e as sacode no ar,  colorindo a multidão. A banda inicia com “Perca Peso”, aumentando o  número de gritos. Como já é de praxe, a banda não deixar ninguém parado.  Interagindo constantemente com o público, o Móveis empolga com os  sucessos “Descomplica”, “Sem Palavras” e a versão para “A Menina Dança”,  d&#8217;Os Novos Baianos. &#8220;Aconselho&#8221;, a próxima, terá clipe lançado via  Instagram. André aproveita e declama alguns versos da música, deixando  as meninas da frente apaixonadas e frenéticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Bastaram  as duas primeiras notas de “O Tempo” para os conquistenses vibrarem e  pularem, mas isso não os deixou cansados quando, ao final, chegou Leoni.  Juntos, Móveis e Leoni apresentam “Dois Sorrisos”, enquanto o público  joga as bexigas coloridas e os confetes no ar. “Quem tá apaixonado  aqui?”, pergunta Leoni, a resposta vem com gritos e aplausos. Ele fica  então sozinho com sua guitarra e, acompanhado por alguns instrumentos do  Móveis, avisa: “Eu não ia tocar essas músicas sozinho, mas já que temos  tempo, vamos lá. Acho que tenho que agradecer ao Tom Zé”, brinca.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14238" title="leoni" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/leoni.jpg" alt="" width="605" height="404" /></p>
<p style="text-align: justify;">A  primeira é “Garotos”, logo reconhecida e cantada em coro pela praça. O  clima é de nostalgia. “Vocês são ótimos”, diz o compositor, “Posso levar  vocês em todos os shows comigo?”. Mais gritos. Ele aproveita para falar  sobre o projeto Música para Baixar e faz um apelo para que todos tenham  acesso à música sempre. “Que flua a cultura!”, ele grita e continua com  “Só Pro Meu Prazer” e “Como Eu Quero”, que foram muito bem acompanhadas  pelo público.</p>
<p style="text-align: justify;">O  Móveis volta completo e apresenta uma versão de “Eu me Amo”, com Leoni,  que conta com o apoio de uma folha com a letra da música. Momento  divertido: uma menina querendo tocar Leoni. Ele logo percebe e estica  sua mão para a fã, mas tira e coloca a mão no peito coincidindo com o  verso “eu me amo” da música. “Sacanagem!”, ela berra e ri, sabendo que  se trata de uma brincadeira. A canção termina com os dois de mãos dadas.  Animado, Leoni acompanha as danças e coreografias da banda, mostrando  estar bem a vontade com o Móveis. Ao se despedir, faz elogios ao grupo e  revela os planos de uma segunda parceria.</p>
<p style="text-align: justify;">E  em se tratando de um show do Móveis, não podia faltar o momento  tradicional, “Copacabana”, em que eles abrem uma roda no meio do  público. Os saxofonistas descem, com certa dificuldade, devido à  quantidade de pessoas, e se direcionam ao meio da praça, levando o sax  ao alto. André Gonzáles os acompanha e a dificuldade é maior ainda, com o  número de braços querendo puxá-lo. A roda se abre e eles tocam e  divertem a galera, que torna quase impossívela volta dos integrantes  para o palco.</p>
<p style="text-align: justify;">O  set list ainda traz “Adeus”, “Indiferença”, “Cão Guia” e “Sessarua” (as  duas últimas com Leoni) e o Móveis encerra a noite após duas horas de  show. Havia quem pedisse mais, mas a noite no palco foi encerrada, com  muitos aplausos e gritos, e seguiu com uma multidão querendo papear com  os artistas e tirar fotos com Leoni. Foi tietagem até a 1h. Será que  haverá o mesmo com o Criolo hoje?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14235" title="moveis1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/moveis1.jpg" alt="" width="605" height="395" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Festival da Juventude em Vitória da Conquista – Dia 3</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Domingo, dia de encerramento do festival, e a noite está agradabilíssima. São 19h20 e a passagem de som ainda está rolando enquanto as pessoas esperam espalhadas pela Praça. Para o último dia, uma grade é colocada para evitar as tentativas dos jovens de subirem no palco, como nas noites anteriores. Pontualmente às 20h entram as bandas Gafieira Brasil e Brincando de Cordas, ambas de Conquista, tocando juntas. Pandeiros, violões, cavaquinho e trombones se juntam para gafieiras, sambas e chorinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">A praça está movimentada, mas ainda há menos gente do que a noite anterior. Um grupo de meninas arrisca as primeiras danças, e logo outros se juntam a festa. Alguns problemas no som ocorrem durante a apresentação, mas depois de alguns minutos fica tudo certo e os olhares de preocupação discreta dos artistas são trocados por sorrisos. As duas bandas apostam em sucessos da música popular brasileira – de Pixinguinha a Waldir Azevedo, de Assis Valente a Jacob do Bandolim – e tocam de forma descontraída e tranquila. Nas músicas mais animadas, o mesmo grupo de meninas faz uma roda e exibem samba no pé.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sequencia, Mundo Livre S/A! Devido à nova e nada bem-vinda grade, a disputa para ficar no gargarejo fica mais agressiva. Entre empurrões aqui e ali, os jovens se acomodam e aguardam. Às 21h40 os integrantes do combo recifense sobem ao palco – Fred Zero Quatro é o último a entrar. É a primeira vez do grupo em Vitória da Conquista, e a receptividade do púbico é calorosa e bastante animada.</p>
<p style="text-align: justify;">Como o Fred já havia anrtecipado em conversa com o Scream &amp; Yell, o show foi uma mescla de hits com músicas do álbum novo, “Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa”, que, segundo o músico, é a derivação da nova química que vem surgindo na banda desde a entrada de Júnior Areia, com um som mais contemporâneo. Apesar da pouca interação com o público, o vocalista puxa as palmas e o Mundo Livre S/A faz um show tranquilo e sem falhas com “Meu Esquema” e “Computadores Fazem Arte” sendo cantadas em coro pelos presentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14247" title="fred" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/fred.jpg" alt="" width="605" height="512" /><br />
É a vez de Criolo assumir o microfone, e a espera um pouco mais longa aumenta a ansiedade dos conquistenses. São 23h30 de domingo, mas os conquistenses estão firmes e fortes aguardando a atração principal da noite. Criolo entra dez minutos depois, um pouco resfriado, mas com o mesmo ânimo de todos os shows e a mesma personalidade enigmática de sempre. Impressionado com o barulho que Vitória da Conquista faz pra ele (era sua primeira vez na cidade), faz uma reverência ao público e põe a mão no peito em sinal de agradecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">As músicas do álbum “Nó Na Orelha” são todas acompanhadas em coro pelo mar de gente na Praça Barão do Rio Branco, que grita e se emociona com a forte personalidade de palco do cantor. “Sucrilhos”, com seu refrão cantando a capela (por Criolo e pelo público) rende um dos melhores momentos da noite, e Criolo, finaliza a música se ajoelhando e agradecendo ao público, que foi ao delírio com o gesto. Satisfeito, o músico para entre uma canção e outra para observar o público e se mostra bastante agradecido com os gritos, palmas e coros.</p>
<p style="text-align: justify;">Os hits “Subirosdoistiozin”, “Não Existe Amor em SP” e “Freguês da Meia Noite” agradaram muito, mas no meio de “Lion Man”, outra briga (já havia acontecido uma na noite na sexta-feira) chama a atenção do cantor, que decide interromper o show. “A gente é de fora, mas a gente espera”, diz ele. A briga é vaiada pelo resto da Praça e depois de uns bons cinco minutos, quando a situação parece acalmar, ele retoma a música. No bis, “Pra Quê Cerol?” levantou a galera, que ouviu em silêncio a música em homenagem ao Pinheirinho.  “Vamos chorar pelos que ficam”, ele diz. Ninguém da Praça queria ir embora. A noite foi toda do Criolo.</p>
<p style="text-align: justify;">Três noites de bons shows deixam nítida a certeza de que o Festival da Juventude teve tudo a ver com Vitória da Conquista. Um olhar atento no público, backstage, organização e cobertura, verifica que as pessoas são jovens, em idade ou personalidade, engajados e comprometidos com sua cidade. A vontade de fazer algo dar certo é perceptível da parte de todos. E tudo deu certo. Com um line-up impecável e um público dos mais animados, Vitória da Conquista mostra que a fórmula pode funcionar em outras cidades, com destaque para o lance de “Fulando convida”, sempre uma ótima ideia pra juntar artistas e ver novos experimentos musicais. Agora é esperar que o festival mantenha a bela curadoria em 2013. Bons artistas não faltam. Publico também não.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14248" title="criolo" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/criolo.jpg" alt="" width="605" height="399" /></p>
<p style="text-align: justify;">- Andrea Fabiana (siga <a href="http://twitter.com/#!/deafabiana" target="_blank">@deafabiana</a>) é jornalista e integra o Núcleo de Inteligência Musical do <a href="http://sonora.terra.com.br/" target="_blank">Sonora</a>. O Scream &amp; Yell viajou para Vitória da Conquista a convite do Festival da Juventude<a href="http://sonora.terra.com.br/" target="_blank"></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Entrevista: Fred 04 fala de indústria, indies, artista-pedreiro, internet e mais (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/01/08/entrevista-fred-04-mundo-livre-sa/">aqui</a>)<br />
- Se Rasgum 2011: saiba como foram os shows de Leoni, Bide ou Balde e mais (<a href="http://screamyell.com.br/blog/tag/serasgum">aqui</a>)<br />
- Show: Emicida e Criolo juntos e ao vivo na Argentina (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/28/show-emicida-e-criolo-na-argentina/">aqui</a>)<br />
- Criolo no Rio: abraçado por Caetano, homenageado por Chico, por Jorge Wagner (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/06/criolo-ao-vivo-no-rio-de-janeiro/">aqui</a>)<br />
- Criolo na Na linha de frente da quebra de preconceitos, por Bruno Capelas (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/06/15/cd-no-na-orelha-criolo/">aqui</a>)<br />
- Três vídeos: Criolo ao vivo em São Paulo (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2011/06/12/tres-videos-criolo-ao-vivo-em-sao-paulo/">aqui</a>); Nina Becker ao vivo em Sâo Paulo (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2011/09/08/tres-videos-nina-becker-ao-vivo-em-sp/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Noel Gallagher ao vivo em São Paulo</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2012/05/03/noel-gallagher-ao-vivo-em-sao-paulo/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 11:40:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Leonardo Vinhas</b>
Postas de lado as diferenças musicais, o que distingue esse show de Jorge &#038; Mateus ou de qualquer sertanejo universitário?
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14154" title="noel" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/noel.jpg" alt="" width="605" height="411" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por Leonardo Vinhas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Noel Gallagher solo no Brasil. Quem foi assisti-lo conseguiu exatamente o que esperava, que era exatamente aquilo que ele estava disposto a dar. Ou seja, satisfação garantida para todo mundo, e a certeza de um bom show, certo? Ahn&#8230; não exatamente. Gente satisfeita não faltou nesta noite de quarta-feira paulistana, e um show ruim não aconteceu ali no Espaço das Américas. Mas o Gallagher mais velho ficou devendo.</p>
<p style="text-align: justify;">O débito de Noel não está em seu repertório, uma dose justa entre as composições de seu bom disco solo e um equilíbrio entre hits óbvios e outros nem tanto de sua antiga banda (você sabe qual é). Nem está em sua postura supostamente arrogante, uma mise-en-scéne que não esconde seu absoluto profissionalismo quase pragmático, que garante um show sem imprevistos.</p>
<p style="text-align: justify;">O débito está justamente nessa assepsia, nessa zona de conforto musical que o mais velho dos Gallagher se meteu, e que fica muito evidente no show. Bumbão de bateria à frente, power chords a rodo, climas grandiloquentes mesmo quando a melancolia se avizinha&#8230; Em menos de meia hora, essa estrutura já tinha se repetido tantas vezes que era impossível não identifica-la.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro, tem horas em que ela funciona às mil maravilhas, como em “Dream On” (a terceira canção do show, recebida com status de semi-hit), mas em outras&#8230; não é que não funcione, mas fica aquela sensação de que sair pra buscar uma cerveja pode não resultar em muito prejuízo.</p>
<p style="text-align: justify;">Se em sua estreia solo fonográfica ele ainda tenta disfarçar essa mesmice com uns metais aqui e ali, no palco sua banda não colabora em nada: a formação inglesa padrão, com um ogro gordinho e barbudo na bateria, um tecladista semi-nerd que tenta empregar um mínimo de personalidade, e baixista e guitarrista genéricos, novos e bonitinhos a ponto de ficarem bem ao lado do frontman, mas nem tão belos ou tão bons músicos a ponto de serem notados. Enfim, o equivalente musical à comida da rede Giraffa’s: mata a fome, mas não dá para ter certeza de que se comeu bem.</p>
<p style="text-align: justify;">(Agora, convenhamos: essa banda é tão diferente assim do Oasis? Você sentia a colaboração do Guigsy para a banda? Notou diferença quando entrou o Andy Bell? Fora o histrionismo, o Liam tinha algo a ser notado? Se você ouviu o Oasis mais de uma vez, ou o Beady Eye apenas meia, sabe que não. Então&#8230;)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14156" title="noel2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/noel2.jpg" alt="" width="605" height="411" /></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso só não desanda porque, por trás de tudo isso, está justamente Noel Gallagher, um grande compositor, um hábil ladrão de melodias, um esteta da simplicidade. Três acordes – muitas vezes os mesmos três – e ele põe você cantando sem que você precise se esforçar para isso. E é quando ele manda “Whatever” no bis, ou “Talk Tonite” durante o show, que você se lembra porque está na platéia: porque esse cara ajudou a definir as bases não só do britpop, mas também de boa parte da música pop dos anos 1990 – ou seja, ele é responsável por muito do que você ouviu e ouve.</p>
<p style="text-align: justify;">Não importa (e não importa mesmo) que ele explore suas fontes criativas no limite da apropriação indébita, não importa que ele se repita: um tiquinho de variação, e ele faz uma grande canção. Ou mesmo a receita de sempre, bem cozinhada, e você tem um hit – estava lá o público todo cantando “If I Had a Gun&#8230;” para não nos deixar mentir.</p>
<p style="text-align: justify;">É esse poder de acessar o DNA power pop de suas composições básicas que encanta. E é ok admitir que o público estava lá para ser encantado. Nesse aspecto, funcionou – com direito à apoteose de “Don’t Look Back in Anger”, que pôs todas as gargantas e pulmões ali para funcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas várias ponderações teimam em cobrar resposta depois do show. Como por exemplo: postas de lado as evidentes diferenças musicais, o que distingue esse show de um do Jorge &amp; Mateus ou do show de qualquer outro sertanejo universitário? Por que o público roqueiro adora alardear sua suposta superioridade em relação aos fãs de outros estilos, mas se diverte a valer com quem recorre aos recursos de arena? Por que esse público prefere a mesmice à mudança?</p>
<p style="text-align: justify;">As respostas não vêm, e tampouco Noel quer dá-las. Mas ele nos dá “AKA&#8230; What a Life”, uma prova de que ele pode ser versátil e continuar grande – é quase uma canção disco, e ainda é uma grande canção. Ele também nos entrega nosso quinhão de arena: “Little by Little” é a canção que Gene Simmons e Paul Stanley escreveriam, se fizessem britpop.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, a única resposta que ameaça se consolidar é essa: Noel se tornou para o pop inglês o que Slash se tornou para o hard rock: um grande músico e excelente compositor que se contenta em dar ao público exatamente o que ele quer, mesmo que isso já tenha sido dado muitas e muitas vezes, e por ele mesmo. Funciona? Pra caralho. Mas se a vida fosse só funcionar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/zfVNmZP5X20" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/zfVNmZP5X20"></embed></object></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-14158" title="noel3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/05/noel3.jpg" alt="" width="605" height="805" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Leonardo Vinhas</strong><span> assina a seção Conexão Latina (</span><a href="../tag/conexao_latina/">aqui</a><span>) no Scream &amp; Yell e já escreveu sobre O Rock Argentino Depois De Cromañon (<a href="http://www.screamyell.com.br/musicadois/republicacromagnon.htm">aqui</a>) e entrevistou Pedro Luis (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/28/entrevista-pedro-luis/">aqui</a>)</span></p>
<p><strong>Leia também: </strong><br />
- Oasis ao vivo em São Paulo e Curitiba, por Marcelo Costa e Murilo Basso (<a href="../2009/05/11/oasis-em-sao-paulo-e-curitiba/">aqui</a>)<br />
- “Definitely Maybe”, do Oasis, Faixa a Faixa por Ricardo Moscarelli (<a href="http://www.screamyell.com.br/secoes/faixaoasis.html" target="_blank">aqui</a>)<br />
- “Dig Out Your Soul”, o 7º álbum de estúdio dos Gallagher faz bonito, por Mac (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2008/09/30/500-toques-the-verve-damon-albarn-e-oasis/">aqui</a>)<br />
- Oasis ao vivo no Rock In Rio III, por Marcelo Costa (<a href="http://www.screamyell.com.br/musica/oasis_rir.html">aqui</a>)<br />
- &#8220;Don’t Believe The Truth&#8221;: Nenhuma banda envelheceu tanto quanto o Oasis (<a href="http://screamyell.com.br/musicadois/oasisbelievetruth.htm">aqui</a>)<br />
- &#8220;Heathen Chemistry&#8221;: o bom e velho Oasis, para o bem e para o mal (<a href="http://screamyell.com.br/musicadois/oasisnovo.htm">aqui</a>)<br />
- &#8220;Familiar To Millions&#8221;: &#8220;Não tem nenhum Simple Minds aqui em cima não&#8221; (<a href="http://www.screamyell.com.br/musica/blurbestresenha.html">aqui</a>)<br />
- Livro: &#8220;Ascensão e Queda do Britpop&#8221;, de John Harris, por Mateus Ribeirete (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/03/19/livros-a-ascencao-e-a-queda-do-britpop/">aqui</a>)</p>
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