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	<title>SCREAM &#38; YELL 2.0</title>
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	<description>Junho de 2013 - Ano XIII - Jornalismo e Deixa Disso</description>
	<pubDate>Tue, 18 Jun 2013 22:19:29 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
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		<title>HQ de Dave West e Marleen Lowe</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/06/18/hq-de-dave-west-e-marleen-lowe/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2013 22:14:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Adriano Costa</b>
“O Que Aconteceu Ao Homem Mais Rápido do Mundo?” é daqueles livros que você lamenta ter conhecido tardiamente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18543" title="aconteceu" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/aconteceu.jpg" alt="" width="272" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://twitter.com/coisapop" target="_blank">Adriano Costa</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Herói é uma figura que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. Essa é uma das diversas definições que encontramos sobre a palavra “Herói” nos dicionários de plantão. Quando lemos a graphic novel “O Que Aconteceu Ao Homem Mais Rápido do Mundo?”, de Dave West e Marleen Lowe, somos apresentados a uma pessoa comum que pode ser enquadrada nesse significado, mesmo que sua maneira de resolver a questão não seja exatamente espetacular.</p>
<p style="text-align: justify;">O álbum foi lançado na Inglaterra pela Accent UK (empresa de que um dos autores é fundador) e ganhou publicação nacional pelas mãos da competente Gal Editora em 2010. Com 64 páginas e tradução conjunta de Eliane Galucci e Maurício Muniz, é daquelas histórias que você lamenta ter conhecido tardiamente. O roteiro de Dave West apresenta Bobby Doyle, um sujeito que está devidamente habituado a ser um cidadão médio, com desejos simples, como ter uma vida tranquila, casar com uma mulher bacana, ter dois filhos e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que Bobby Doyle não é um sujeito qualquer. O destino (ou seja lá o que for) lhe deu o poder de parar o tempo a sua volta. Ele na verdade nunca se interessou muito em saber o porquê disso e nem contou a ninguém sobre tal dom. Para ser bem honesto, usou isso pouquíssimas vezes, pois quando utiliza essa habilidade, também recebe a conta dos ônus pessoais. Assim, o roteiro de Dave West o coloca diante de uma situação em que fazer o que é certo supera todas as dificuldades e o vincula a um sacrifício extraordinário.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18544" title="aconteceu2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/aconteceu2.jpg" alt="" width="605" height="454" /></p>
<p style="text-align: justify;">A maneira com que esse ato de heroísmo é chamado a acontecer é uma bela homenagem aos quadrinhos. Um cientista insatisfeito coloca a cidade de Londres sob pressão quando coloca uma bomba que vitimará milhares, a não ser que o governo lhe pague uma determinada quantia. O que poderia ser um clichê de proporções jurássicas acaba se transformando em um gancho nostálgico. Os desenhos em preto e branco da artista Marleen Lowe contribuem para esse tom meio antigo, quando os quadrinhos apareceram como uma ponte para imaginação.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante do problema, Bobby Doyle não reluta, mas também não sugere uma solução fantástica. Identifica uma maneira de solucionar o problema – mesmo que essa solução não seja das mais brilhantes – e parte para resolvê-lo e salvar a vida das pessoas, que é a única coisa que importa. Em “O Que Aconteceu Ao Homem Mais Rápido do Mundo?” a relação entre poder e responsabilidade tão explorada em heróis como o Homem-Aranha ganha novos contornos através de Dave West e seu personagem tão comum que podia estar ao seu lado agora.</p>
<p style="text-align: justify;">P.S: A edição ainda apresenta alguns bônus, como uma história inédita de Bobby Doyle.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/GpjZ6hIkS1I" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/GpjZ6hIkS1I"></embed></object></p>
<p><span>- Adriano Mello Costa (siga </span><a href="http://twitter.com/coisapop" target="_blank">@coisapop</a><span> no Twitter) e assina o blog de cultura </span><a href="http://coisapop.blogspot.com/" target="_blank">Coisa Pop</a></p>
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		<title>CD: &#8230;Like Clockwork, QOTSA</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/06/16/cd-like-clockwork-qotsa/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Jun 2013 16:17:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Bruno Leonel</b>
Em seu novo disco, as rainhas deixaram de lado o stoner e a testosterona para abraçar referências mais femininas e plurais]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18536" title="qotsa1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/qotsa1.jpg" alt="" width="500" height="500" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://www.facebook.com/silva.leonel.900" target="_blank">Bruno Leonel</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O ano era 1997.  Um então nem tão conhecido músico ruivo que havia acabado de ficar sem banda (a recém-extinta Kyuss) decidiu começar um novo projeto. Com o dever de casa feio a base de guitarras pesadas e climas viajantes típicos de um estilo que veio a ser conhecido como Stoner rock, o músico pensava em uma nova sonoridade para seu futuro projeto. Era Josh Homme quem começava a rascunhar o que viria a ser o Queens of Stone Age. Vulgarmente o som inicial da banda passou a ser chamado de algo como “rock robô”, devido ao uso predominante de guitarras pesadas e melodias retas com riffs repetidos à exaustão.  De início, os “robôs” se mostraram bem aceitos pelo público, e o primeiro álbum do grupo foi uma prova disso. Lançado em 1998 o disco apresentou o som das rainhas ao mundo e começou a chamar atenção do público.</p>
<p style="text-align: justify;">De lá pra cá, houve mais quatro discos e uma evolução sonora impressionante que estabeleceu o QOTSA como uma das bandas mais aclamadas e elogiadas dessa primeira década dos anos 2000. Ao lado de experimentalismos e extravagâncias sonoras, a banda se estabeleceu como autêntico grupo de rock que, de certa maneira, ajuda a manter viva a tradição começada lá nos anos 70 com as bandas de garagem e certa roupagem de descompromisso na intenção de se fazer rock urgente e com uma carga de tensão e sensualidade. Após um período conturbado que incluiu hiato, turnê comemorativa onde a banda revisitou faixas do primeiro disco tocando em pequenos clubes e até um período de internação do vocalista (devido à complicações em uma cirurgia de rotina) eis que em 2011 a banda voltou ao estúdio com expectativas a mil. Moral lá em cima, fãs aguardando, devido reconhecimento do público&#8230; Qual seria o próximo passo? Para onde seguir quando já se parece ter atingido o máximo?</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/iFca32_7YUU" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/iFca32_7YUU"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Seis anos de silêncio criaram uma expectativa imensa sobre “..Like Clockwork”. Através de canais como a página da banda no Facebook, o QOTSA soltava detalhes da gravação e produção do disco, fato que só aumentava a expectativa dos fãs. A notícia de que nomes como Dave Grohl e Sir Elton John participariam do álbum gerou bastante repercussão. Durante a passagem da banda pelo Brasil, em maio, no Lollapalooza, a banda apresentou a inédita “My God Is The Sun” (assim como o novo baterista, Jon Theodore, ex The Mars Volta, que no álbum só segura as baquetas na faixa título) que já mostrava uma sonoridade diferente, mais orgânica e até suingada. Algo de novo estava por vir.</p>
<p style="text-align: justify;">E veio. “..Like Clockwork” apresenta uma banda soando entrosada e coletiva como nunca. Pela primeira vez na história do QOTSA houve colaboração do guitarrista e tecladista Dean Ferita e do baixista Michael Shumman durante os trabalhos de estúdio, o que conferiu ao disco uma unidade impressionante. O álbum traz canções obscuras e temáticas mais soturnas do que de costume (a ótima “Keep Your Eyes Peeled” e a melancólica “The Vampyre of Time and Money” são grandes exemplos) ao longo de suas 10 faixas e quase 46 minutos de duração mostrando uma verve sensual nada inocente da banda, com vocais e arranjos ora emulando um eu lírico sedutor, ora mostrando um lado mais cafajeste do vocalista Josh Homme, quase uma trilha sonora para noitadas de bebedeira na cidade ou em uma grande viagem, dirigindo a noite pelo meio do deserto.</p>
<p style="text-align: justify;">A coletividade do disco chega a ser extravagante. Não bastasse a banda já soar incendiária por si só, as rainhas nesse trabalho se muniram até os dentes de convidados especiais. A lista é extensa: Mark Lanegan canta em &#8220;If I Had a Tail&#8221; e divide a autoria de &#8220;Fairweather Friends&#8221;  com Homme. Alex “Arctic Monkeys” Turner (com quem Josh Homme vem trabalhando desde o álbum “Humbug”, de 2009) coloca seus vocais a serviço do QOTSA em &#8220;If I Had a Tail&#8221; além de assinar a letra de uma das melhores canções do disco, &#8220;Kalopsia&#8221; (que conta com vocais de Trent Reznor, que também faz backings em &#8220;Fairweather Friends&#8221;, que traz Elton John ao piano).  Dave Grohl toca bateria em cinco faixas do álbum (as quatro restantes ficaram a cargo de Joey Castillo, que deixou a banda no fim do ano passado). O menage musical não para. Brody Dale (esposa de Homme e conhecida por ter sido lider do Distillers, um sub-Hole com mais foco e menos sucesso) também marca presença ao lado de Jake Shears (Scissor Sisters) e do ex-integrante Nick Olivieri entre os créditos do álbum.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/RjYZToXuJaM" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/RjYZToXuJaM"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">São vários os destaques de “..Like Clockwork”. A canção “Smooth Sailing” tem clima meio western e uma levada semelhante à de “Make It Wit Chu”, do disco anterior, “Era Vulgaris” (2007).  “Fairweather Friends” tem clima envolvente com vários solos de guitarra e um refrão digno de clássico do rock, pra virar clássico mesmo (talvez no futuro seja lembrada como um). O riff de guitarra mastigado da viciante “I Sat By The Ocean” remete a “Coffee and TV”, do Blur, enquanto a faixa título é uma balada de início frágil, que se transforma num rockão de arena ali pelos dois minutos e traz o recado mais incisivo do disco: “Uma coisa está clara: é tudo ladeira abaixo daqui em diante”.</p>
<p style="text-align: justify;">O clima meio cabaré/ rock-retrô típico de sonoridades dos anos 60 permeia grande parte do disco e só aumenta o clima intimista das faixas – talvez resultado da turnê de 2011 feita em pequenos clubes – o que definitivamente dá uma carga mais humanizada ao trabalho. A expectativa valeu a pena e, ao que tudo indica, Josh Homme parece estar em uma das fases mais inspiradas de sua carreira. Em “..Like Clockwork”, as rainhas deixaram de lado o “stoner” e a testosterona para abraçar referências mais femininas e plurais, com menos peso e velocidade e mais profundidade do conjunto. Fizeram um disco não para os homens barbudos das primeiras fileiras dos shows, mas para a mulherada que invade o camarim a cada apresentação. O resultado é um dos trabalhos mais coesos e bem equilibrados da banda, e que encontrou resposta positiva e merecida nas paradas de sucesso: 1º no ranking da Billboard entre os mais vendidos nos EUA – primeiro disco do QOTSA a conseguir tal feito. Agora é esperar para ver como esse repertório funciona ao vivo. Será que eles demoram muito para voltar ao Brasil?</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NdiSbAaVICc" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/NdiSbAaVICc"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TKNKC9iqxpI" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/TKNKC9iqxpI"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/f49yRhJ0NjI" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/f49yRhJ0NjI"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;">- Bruno Leonel é colaborador da webradio <a href="http://www.almalondrina.com.br/" target="_blank">Alma Londrina</a>.</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- <span>Queens of The Stone Age faz show impecável no Lollapalooza Brasil</span>, por Mac (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/03/30/balanco-lollapalooza-brasil-2013/">aqui</a>)<br />
- O sensacional &#8220;Songs For The Deaf&#8221;, do QOTSA, por Marcelo Costa (<a href="http://www.screamyell.com.br/musicadois/qotsaresenha.htm">aqui</a>)</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Ouça a estreia do Vespas Mandarinas</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/06/14/a-estreia-do-vespas-mandarinas/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2013/06/14/a-estreia-do-vespas-mandarinas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2013 08:49:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<B>por Eduardo Martinez</b>
A banda paulistana vai além do simbolismo e traz um pouco do som e da temática oitentista em seu álbum de estreia...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-18513  aligncenter" title="animal" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/animal.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="http://twitter.com/eduardoapm" target="_blank">Eduardo Martinez</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se procurarmos uma referência geral do rock feito no Brasil, podemos puxar na memória e colocar Os Mutantes no topo da lista, ou mesmo destacar a inocência dos roqueiros da Jovem Guarda, mas a impressão que fica é que o termo “Rock Nacional” é inevitavelmente ligado às bandas dos anos 80: Titãs, Ira!, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii e tantas outras.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo três décadas depois, essa cena ainda é uma referência forte, menos musicalmente e mais como um símbolo. Ainda existe um carinho e uma consideração quando se fala desse período. O tempo passa e muitos elementos da cultura em geral vão se revelando estritamente frutos de um período específico, e com o “Rock 80 Brasil” não é diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode ser que ainda não tenha passado tempo suficiente e que daqui a 10 anos essa reverência seja direcionada a bandas da década seguinte, como Raimundos, Planet Hemp ou&#8230; Charlie Brown (!!). Não temos como saber, ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">Cortando para 2013, ou mesmo a partir de 2010, o rock brasileiro, ao menos pensando em mainstream, inexiste. E mesmo no underground, as bandas independentes legitimamente roqueiras não são muitas que conseguem se destacar – levando em conta que critérios para classificar uma banda como “rock” são cada vez mais variáveis e muitas vezes desnecessários.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Be8FMROXi2Y" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/Be8FMROXi2Y"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">A banda paulistana Vespas Mandarinas vai além do simbolismo e traz também um pouco do som e da temática oitentista em seu álbum de estreia, “Animal Nacional”. O grupo, formado por Chuck Hipolitho (Forgotten Boys), Thadeu Meneghini (Banzé), André Dea e Flávio Guarnieri (Sugar Kane), resgata em seu debute o imaginário de várias bandas do período.</p>
<p style="text-align: justify;">O disco começa bem com a urbana “Cobra de Vidro” e também “Não Sei O Que Fazer Comigo”, versão de “Ya No Sé Qué Hacer Conmigo”, da ótima banda Uruguaia El Cuarteto De Nos, com vários versos adaptados. Em seguida vem “Santa Sampa”, escrita em conjunto com Bernardo Vilhena. Como o título da música sugere, o tema é a vida em São Paulo. O disco, como um todo, tem várias referências a capital paulista.</p>
<p style="text-align: justify;">“Animal Nacional” tem uma ligação bastante íntima com o último trabalho do Banzé, o subestimado “Antes da Queda” (2008), onde aparecem originalmente as músicas “Cobra de Vidro” e “Um Homem Sem Qualidades”, as duas com versões ligeiramente melhores do que as que entraram no álbum do Vespas. Mas a semelhança dos dois discos vai além, a aspereza das guitarras e os temas urbanos das letras aproximam os dois trabalhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/kPdX2IOF5oE" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/kPdX2IOF5oE"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Os vocais das músicas são divididos entre Chuck e Thadeu (seis músicas para cada um). Em “O Amor E O Acaso”, o ex-Forgotten Boys canta uma letra de amor quase simplória: “Mas como é que ele vai te achar / Se você se esconde / Vai ver você já encontrou o amor / Só você não sabe”. Já em “O Vício E O Verso” (sim, os títulos das músicas tem um “quê” de Engenheiros do Hawaii) Thadeu canta em meio a guitarras cheias de efeitos que remetem, mais uma vez, aos anos 80. As frases prontas “O vício e o verso / Navegar é preciso /Meu rumo é o inverso / E viver é um preciso, meu amor” são facilmente relevadas pelo vigor da música, principalmente no refrão, onde o vocal intenso beira o desafinado.</p>
<p style="text-align: justify;">“A Prova”, parceria com Arnaldo Antunes, é leve e simpática – quando começa a soar muito repetitiva, felizmente termina. “Só Poesia” também se repete bastante, mas dessa vez com mais peso e uma sutil lembrança de Queens Of The Stone Age. Os versos quase lineares culminam em um bom refrão. “O Inimigo” é suja e fala de uma certa maldade decadente. “Rir No Final” mantém o peso, agora com uma letra rancorosa e ressentida.</p>
<p style="text-align: justify;">“Distraídos Venceremos” é quase uma balada com jeitão de hino nerd, mas não é. A canção derradeira é “O Herói Devolvido”, uma faixa desajeitada e divertida que traz, novamente, um amontoado de frases feitas: “Quanto mais eu rezo / Mais assombração me aparece / Na vida a gente não tem o que quer / A gente tem o que merece”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Animal Nacional” não sinaliza nenhuma “nova” tendência, e nem tem intenção de, mas faz um resgate interessante do rock brasileiro anos 80, felizmente não embriagado pelo saudosismo. É um disco com alguns bons momentos e outros nem tanto, e talvez o grande charme do álbum seja essa irregularidade, que pode ser associada à forma como ouvimos as bandas oitentistas hoje, ou como Chuck canta em “O Herói Devolvido”: “Tá todo mundo tão preocupado em ser perfeito / mas no final o que faz falta é o defeito”.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/w0k5kE5kabM" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/w0k5kE5kabM"></embed></object></p>
<p>******</p>
<p>- Eduardo Martinez (<a href="https://twitter.com/eduardoapm" target="_blank"><span>@</span>eduardoapm</a>) é jornalista e assina o blog <a href="http://ailhadosmendigos.blogspot.com/" target="_blank">A Ilha dos Mendigos</a></p>
<p><strong>Especial Rock Nacional 30 anos:</strong><br />
<span>- Clássicos: “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, do Ultraje a Rigor, por Marcelo Costa (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2011/09/25/2011/08/10/nos-vamos-invadir-sua-praia-ultraje-a-rigor/" target="_blank">aqui</a><span>)</span><br />
<span>- Clássicos: “Dois”, da Legião Urbana, por Tiago Agostini (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/2011/08/24/o-segundo-disco-da-legiao-urbana/">aqui</a><span>)</span><br />
- Clássicos: &#8220;Cabeça Dinossauro&#8221;, por Tiago Trigo (<a href="http://screamyell.com.br/site/2011/09/25/o-terceiro-disco-dos-titas/">aqui</a>)</p>
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		<item>
		<title>A nova cena portuguesa: Samuel Úria</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/06/11/a-nova-cena-portuguesa-samuel-uria/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Jun 2013 06:10:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<category><![CDATA[portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[
Entrevista por Pedro Salgado, de Lisboa
Fotos por Rita Carmo
“Gosto sempre de remontar a um passado simples e descomprometido, da adolescência, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18495" title="samuel2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/samuel2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Entrevista por <strong><a href="http://twitter.com/woorman" target="_blank">Pedro Salgado</a></strong>, de Lisboa<br />
Fotos por Rita Carmo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“Gosto sempre de remontar a um passado simples e descomprometido, da adolescência, em que pegava numa guitarra e começava a escrever de uma forma natural”. A procura de um estado de inspiração assente numa grande disponibilidade emocional define o percurso de Samuel Úria. Ligado ao advento do selo FlorCaveira, em 1999, Úria editou o seu primeiro trabalho, “O Caminho Ferroviário Estreito” (um disco de recolhas musicais), quatro anos mais tarde. O CD homónimo de Samuel Úria &amp; As Velhas Glórias (2005), gravado com Tiago Cavaco, incorporou uma ideia de fúria punk e o regresso às suas origens mais roqueiras.</p>
<p style="text-align: justify;">O EP “Samuel Úria em Bruto” (2008), incluindo algumas faixas perdidas e gravações ao vivo, despertou a atenção da imprensa. Mas, o álbum pop “Nem Lhe Tocava”, de 2009, numa parceria da FlorCaveira com a gravadora Valentim de Carvalho, conferiu ao músico de Tondela (norte de Portugal) a profissionalização e a possibilidade de se apresentar em salas maiores e festivais. Temas como a biografia melómana de “Teimoso”, “Água De Colónia Da Babilónia” ou “O Diabo” viriam a tornar-se musts de seus shows e criaram no artista um sentido de responsabilidade para não defraudar totalmente as expetativas dos seus seguidores.</p>
<p style="text-align: justify;">A influência da música americana, patente na utilização do banjo ou da guitarra pedal-steel, domina o seu mais recente trabalho, “O Grande Medo Do Pequeno Mundo” (2013). Samuel justifica a opção pelo fato de crescer numa igreja baptista protestante: “A música com que lidamos desde pequenos é oriunda dos Estados Unidos da América, do século XIX, e deu origem a diversos estilos como os blues e o rock”, diz. O disco é caracterizado por um registo baladeiro e um forte sentido de comunidade. A envolvente “Eu Seguro” (em dueto com Márcia) e o épico “Lenço Enxuto” (com Manuel Cruz, do Diabo na Cruz) são faixas marcantes, mas a pop de “Forasteiro” sintetiza o humanismo do álbum.</p>
<p style="text-align: justify;">No show de apresentação de “O Grande Medo Do Pequeno Mundo”, na sala TMN ao Vivo, em Lisboa, a 24 Maio de 2013, o autor de “Barbarella e Barba Rala” encorporou vários personagens (trovador, contador de histórias e roqueiro). Mas, Samuel Úria desmistifica o acontecido: “Quando subo no palco não procuro encenar nada” e acrescenta que “na interpretação das canções procuro encarnar os melhores concertos que assisti e dou às pessoas algo que me agradou e marcou a minha vida”. Outra marca do cantor é a limitação de ensaios prévios com seus músicos, com o objetivo de criar surpresas nas atuações e a preocupação global de coesão nos espetáculos.</p>
<p style="text-align: justify;">Martin Scorcese disse certa vez que o artista é alguém que “chama a atenção do público para as suas obsessões”. No caso de Úria, as incursões seminais lo fi, a pegada punk inicial, as baladas e o pop mais recente inserem-se numa conjugação entre o gosto dos seus fãs e o descompromisso mental no processo de composição das músicas. A sua postura simples, a disponibilidade para abraçar vários projetos, tal como a capacidade própria de se recriar, fazem dele um dos nomes mais talentosos da nova geração musical portuguesa. De Lisboa para o Brasil, Samuel Úria conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TSXUR7iEYT0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/TSXUR7iEYT0"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No novo trabalho você procurou descolar da pop de “Nem Lhe Tocava”. O seu objetivo era não repetir a fórmula anterior?</strong><br />
Sim! Por vezes, gosto de não estar ligado a correntes, álbuns ou músicas, mesmo que sejam discos meus. Tenho sempre presente a ideia de que o próximo trabalho poderá ser igual ao anterior, se as pessoas estiverem esperando algo diferente, ou mais variado para o caso do público querer uma continuidade. No entanto, tudo isto se relaciona com estados de espírito. Muitas vezes, faço recair sobre mim uma intencionalidade que não existe quando componho os temas. Se calhar, o “Nem Lhe Tocava” funcionou mais como um disco de rebeldia, em face do meu passado imediato, do que propriamente o trabalho mais recente. O novo álbum tem mais baladas, não é tão patente esse lado pop e é difícil de promover, porque não tem compactos absolutos, mas é o disco que eu queria fazer agora. De fato, agrada-me ser rebelde com quem menos merecia a minha obstinação, ou seja, as pessoas atentas às minhas canções. Tenho também a ilusão de que essa atitude poderá fazer bem a quem me escuta. A minha disponibilidade para a música não deve estar ligada ao que escrevi, mas ao que ainda irei escrever.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A canção “Forasteiro”, pelo contrário, é mais imediata e apresenta um desafio. Podemos dizer que nela encontramos a mensagem central do disco?</strong><br />
Exatamente! É provavelmente a canção que tem a mensagem mais dura e quanto mais agreste é o recado mais tento açucarar o tema. É uma forma quase invariável na minha música. E “Forasteiro” passa por esse reconhecimento do mundo como um lugar que é por vezes tão mal, desagradando-me tanto, e a forma que encontro de pertencer a ele é não fazendo parte desse espaço. Acaba por ser um paradoxo onde se passam muitas coisas. Mas, por vezes, a forma de tentar fazer qualquer coisa pelo mundo é estender a mão do lado de fora e exteriorizarmos. O álbum fala um pouco de rasgar o meu passaporte não português, mas sim terrestre. E de achar que se a humanidade nos embaraça mais vale a pena dar um pontapé e começar de novo. No meu novo trabalho, falo também de procurar soluções exteriores à esfera das pessoas e ao medo que nos subjuga. A única solução é o pânico, para entendermos que o mundo não nos está a proteger e, pelo contrário, limita os indivíduos. Eu falo em esfera porque penso na figura paradigmática do humanismo: o homem de Vitrúvio, de Leonardo da Vinci (definindo o cânone das proporções). E às vezes a proporção humana é uma esfera que limita o homem à sua própria grandeza. O problema reside no fato da dimensão poder significar mesquinhez, pequenez e um conjunto de soluções, sem resolução, fora dessa classe. As alternativas aparecem em espaços no disco e não se trata de um álbum pessimista na medida em que faz homenagem a pessoas, e a atos dos indivíduos, quase acreditando que existem pessoas e sentimentos maiores do que a espécie humana no seu todo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como surgiu a colaboração com a Márcia em “Eu Seguro”?</strong><br />
Foi quase uma urgência. Conheço Márcia desde o final de 2008, quando ela começou a escrever canções. Ela assistiu a um show de lançamento do meu EP “Samuel Úria Em Bruto”, que promovi em conjunto com o B Fachada (na época ele tinha editado o álbum “Viola Braguesa”). E, como a Márcia queria dar os primeiros passos nas apresentações ao vivo, convidou-me para ser o “apoio” dela num concerto que deu depois no Cabaret Maxime, em Março de 2009. Houve uma grande sintonia quando nos conhecemos e em palco confirmou-se a ideia de afinidade (quando cantamos algumas canções juntos), ficamos muito amigos desde esse momento e fizemos várias colaborações depois do show. Por isso, era quase aviltante não existir nada registado em disco e quando escrevi as canções de “Grande Medo do Pequeno Mundo” compus um dueto e era óbvio que a Márcia tinha de interpretar a personagem feminina do tema. Embora não seja uma música que fosse suposto ela encarná-la, a doçura redentora da Márcia faz um contraponto com a minha figura mais agreste. Ainda bem que ela aceitou o convite e tem sido uma faixa bem recebida, com várias partilhas no Facebook e algum airplay radiofônico. Sendo uma balada, é também uma canção dura, de cinco minutos e meio, e as pessoas têm tido muita paciência para a escutar. Sinto-me feliz que a Márcia também tenha contribuído para isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/SrHm-4X99fI" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/SrHm-4X99fI"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As suas canções refletem um sentido de comunidade muito forte. Atribui esse fato à crise econômica em que vivemos em Portugal ou a uma característica do Samuel Úria?</strong><br />
Sinto que antes de ter a noção de crise eu já estava voltado para o coletivo. Adquiri esse sentido de comunidade quando eu próprio, como cidadão, fui chamado a participar em projetos de outras pessoas. Muitas vezes, em entrevistas na imprensa, rádio ou televisão perguntam-me quais são os artistas portugueses que eu considero mais relevantes. Sem qualquer espécie de falsidade, só me ocorrem pessoas que estão próximas, minhas amigas ou com quem já estabeleci encontros criativos. O sentido comunitário está muito enraizado na nova cena musical portuguesa, que surgiu na segunda metade dos anos 2000 com as net labels. Para além da qualidade da escrita de muita gente, a identidade desse segmento passa muito por querermos participar nos trabalhos ou shows dos outros colegas e vice-versa e de nos juntarmos depois dos espetáculos para confraternizarmos. Das velhas figuras (ligadas ao boom do rock português de 1980), apesar de muitos músicos se darem bem também existia o lado contrário. Nunca como agora se verificou um espírito de solidariedade que não se limita às pessoas congéneres com uma sonoridade semelhante a estabelecerem parcerias, mas também se dá o caso de artistas com públicos díspares colaborarem em discos de músicos diferenciados. Isso nunca aconteceu em Portugal e no Brasil é comum uma Daniela Mercury e a Maria Bethânia cantarem músicas de Chico César, por exemplo. Claro que temos um espectro mais limitado e não há tanta gente na música alternativa colaborando entre si, mas o que acontece agora seria impensável há 10 anos. O fato de alguns projetos, em Portugal, repescarem alguns ícones dos anos 80 representa um lado musical assumido nessas escolhas. Na realidade, não é só uma homenagem, mas também uma sensação de que poderá acontecer um enriquecimento no contato com essas gerações, aproximando-se de um período mais parecido com aquele que conhecemos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Encontra algumas referências na nova cena musical brasileira?</strong><br />
A nova cena brasileira é muito respeitosa com o que aconteceu anteriormente e os grandes nomes, de há 20 ou 30 anos atrás, continuam a fazer música tão atual, que é indesmentível e impensável dizer que ela não me influencia. Apesar de eu ser um consumidor de música brasileira, enquanto escritor de canções o que sempre me fascinou nela é a elasticidade da língua e o descompromisso com fórmulas. É incrível a maneira como o português do Brasil se reinventa. Às vezes isso acontece de uma forma muito primária que não me agrada, mas a ideia de mexer no português como se fosse plasticina sem o corromper é muito interessante. Eu gosto bastante de Marcelo Camelo e do Los Hermanos por serem artistas da minha geração. Sempre os escutei não como uma influência, mas como algo que está acontecendo ao mesmo tempo que eu faço algo diferente. Não os ouço tanto como Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Ben Jor, Tim Maia ou Raul Seixas. Se estes músicos tivessem aparecido agora, emprestar-lhes-ia os meus ouvidos, atenção, devoção e muito interesse musical. Mas, por estarem acontecendo no momento presente, nunca os iria identificar como referências.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para onde pretende levar a sua música no futuro?</strong><br />
O maior favor que eu faço à minha música é não premeditá-la demasiado com projetos. Mas, uma das coisas que gostava de fazer é regressar ao lo fi, até para alternar um disco de estúdio com outro caseiro. Tenho funcionado mais ou menos assim. Depois do “Grande Medo do Pequeno Mundo”, agradava-me fazer um disco que não só fosse caseiro na sua gravação e na sua sonoridade, mas também familiar na repercussão que possa ter. É possível que não seja descoberto na altura, mas futuramente as pessoas acharão graça e deixará de estar nas minhas mãos o impacto do álbum. Para além disso, brevemente, gostava de voltar ao rock n´roll, porque ele não foi abundante no atual trabalho. Quero voltar a uma sonoridade mais crua, com guitarras sujas e regressar aos primeiros shows, um pouco mais adolescentes. Mas, não será um disco solo, porque pretendo incluir mais músicos no disco. Apetece-me ficar fatigado em palco e sentir o peso da idade (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18494" title="samuel1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/samuel1.jpg" alt="" /></p>
<p>- Pedro Salgado (siga <a href="http://twitter.com/woorman" target="_blank">@woorman</a>) é jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da música de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado <a href="http://screamyell.com.br/site/tag/portugal/">aqui</a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Download: Projeto Visto -&gt; Reaproximando Brasil e Portugal com música (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/03/03/download-projeto-visto/">aqui</a>)<br />
- A nova cena portuguesa: Manuel Fúria (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/03/07/entrevista-manuel-furia/">aqui</a>), Salto (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/07/21/a-nova-cena-portuguesa-salto/">aqui</a>), Os Pontos Negros (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/06/19/entrevista-os-pontos-negros-2/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: Nei Lisboa</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jun 2013 05:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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por Marcelo Costa
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18473" title="nei1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/nei1.jpg" alt="" width="605" height="336" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por Marcelo Costa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com 30 anos de carreira, nove discos e dois livros, o cantor e compositor Nei Lisboa tem uma sólida história formada no Rio Grande do Sul, onde ingressos para seus shows são bastante disputados e discussões ferrenhas acerca do “ser ou não ser gaúcho” são travadas de forma séria. Fora do Estado, Nei é admirado, mas o reconhecimento não é proporcional ao seu enorme talento de compositor e de escritor de mão cheia, crítico e poético dependendo do momento (pessoal e do mundo).</p>
<p style="text-align: justify;">“A minha vocação musical sempre foi meio vagabunda”, explica Nei Lisboa em conversa por Skype com o Scream &amp; Yell. “Os anos 80 são discos mais conectados com o pop rock, mas se pegar o primeiro já tinha um frevo, um samba”, relembra, citando ainda o disco ao vivo “Amém”, de 1983 (“Um disco todo voltado para o candombe uruguaio”) e seu belo álbum de covers folk “Hi Fi”, de 1998, entre outros, que trazia versões bastante pessoais para canções de Elton John, Beatles, Stones e Paul Simon, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Com um projeto ambicioso de crowdfunding em andamento visando à produção e gravação de seu décimo disco de inéditas, “A Vida Inteira” (confira no <a href="http://catarse.me/pt/neilisboa" target="_blank">http://catarse.me/pt/neilisboa</a>), o primeiro disco em sete anos, Nei Lisboa volta a se posicionar como observador do mundo, algo que já havia ocorrido no álbum que o projetou nacionalmente, “Carecas da Jamaica” (1987), e em “Cena Beatnik” (2001), formando uma não planejada trilogia crítica repleta de significados.</p>
<p style="text-align: justify;">“Gostaria de não ser tão rançoso a essas modernidades”, diz Nei, mostrando-se cauteloso com a ideia de que a tecnologia irá salvar o mundo. “Gosto desses brinquedos, mas sou cuidadoso com o que eles podem representar”, pondera enquanto comenta canções novas (as três presentes nesta entrevista estarão no álbum) e relembra uma longa discussão com o Movimento Tradicionalista Gaúcho (que o acompanha desde que surgiu, em 1983, e ganhou novos contornos após <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2010/02/tradicionalistas-respondem-a-criticas-de-nei-lisboa-2811196.html" target="_blank">uma entrevista em 2010 ao Zero Hora</a>). Com você, Nei Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/bTZkRftbP8Q" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/bTZkRftbP8Q"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como surgiu a ideia do financiamento coletivo? Em 2010 você chegou a pensar em liberar as canções na internet&#8230;</strong><br />
As coisas não se excluem, na verdade. Durante esse projeto já estamos liberando algumas canções do repertório na internet e até em rádios, gravações demo, claro, já que o disco não começou a ser gravado. Estou adotando quase que uma política de obra aberta, construindo o trabalho com ele em visibilidade para todo mundo. O disco está sendo vendido, de certa forma, já que as pessoas estão ali, apoiando e tendo o retorno do disco físico, e também o acesso digital está precificado numa categoria que inclui alguns privilégios como receber as canções em primeira mão e terem acesso aos vídeos e tal. Mas assim que o lançamento acontecer, com certeza o disco estará disponibilizado. Já a noção da coisa (de financiamento coletivo) em si vem de primórdios da minha carreira. O meu primeiro disco foi feito em um modelo antecessor ao crowdfunding, e muita gente em Porto Alegre fez isso, de vender o disco antecipadamente com bônus que as pessoas compravam e depois trocavam pelo disco. De anos para cá, apareceu o crowdfunding com uma estrutura bem mais complexa e moderna, com fã e cidadão consumidor tendo amparo de uma plataforma com facilidades digitais de pagamento e a segurança de receber o dinheiro de volta caso o projeto não se concretize. Fui conhecendo isso aos poucos e, conforme foi aparecendo na mídia, achei interessante e que se encaixava com o meu trabalho. É uma coisa muito certeira para o momento de agora. Meu perfil de trabalho continua sendo o de gravar em um estúdio maior, com músicos profissionais pagos, com um produtor de certa experiência, e isso faz o disco sair muito mais caro do que o de uma banda que está começando possa fazer. Esse crowdfunding do “A Vida Inteira” vai até os primeiros dias de julho&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E na sequencia você já entra em estúdio?</strong><br />
Se tudo der certo (risos). Estamos na expectativa porque esse negócio de crowdfunding é uma emoção só. Estamos fazendo um projeto dos maiores e não é uma meta muito fácil, mas se justifica pelas inúmeras recompensas para o fã. Pensamos na ideia da pessoa sair satisfeita dali e sair bem recompensada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Entre o “Translucidação” (2006) e esse disco novo são 7 anos de intervalo, o maior sem material inédito da sua carreira. Foi um intervalo natural ou, se pudesse, você lançaria disco todos os anos?</strong><br />
Eu não lançaria (discos) todos os anos porque meu processo de composição é bem lento. Sou um cara que canta e grava suas próprias músicas. Não produzo aos borbotões e gosto de lapidar bastante na origem. É um trabalho artesanal. Fico remoendo as palavras, uma a uma, em cada coisa que faço, e isso toma muito tempo. Mas uma série de coisas propiciou esse intervalo maior. O “Translucidação” não foi um disco de muito sucesso comercial. Pra ser bem sincero, acho o repertório do disco perfeito, mas a construção do disco como um todo deixou a desejar. Após um trabalho como esse há sempre uma ressaca em que a gente fica se perguntando “de onde vem” e “pra onde vai”. Foi um período em que mudei de produtor, mudei de casa, estava com uma filha pequena&#8230; então aproveitei para fazer um balanço. Junto com isso veio outro balanço, que foi o dos 30 anos de carreira. Construímos essa celebração em torno de um show, em que a ideia inicial era um projeto de um DVD, mas buscamos financiamento e captação e o que apareceu foi um apoio da Petrobras para uma turnê nacional. Nos voltamos para isso e em 2010 fizemos um CD de apoio a essa turnê, chamado “Vapor da Estação”, a partir de um registro ao vivo em São Paulo, e rodamos com essa ideia de show de 30 anos de carreira. No meio do caminho ainda teve um livro também, uma reunião de crônicas publicadas em jornal, para que não ficasse enrolando peixe&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como se passaram estes 30 anos de carreira pra você? Foi rápido?</strong><br />
Não foi tão rápido assim não. É uma estrada, sabe. Muita água rolou na carreira e na vida. Não olho para essas coisas pensando “parece que foi ontem”, mas sim como uma longa estrada. E olho para frente como se estivesse dobrando o Cabo da Boa Esperança. Tem mais 50 ainda, mas tu começa a vislumbrar que a vida pode ter um final (risos). Começa a ter a noção de dizer “a vida inteira eu fiz isso daqui” de forma séria.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fiPoUlltm4A" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/fiPoUlltm4A"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“A Vida Inteira” é o nome do novo disco. Você já mostrou algumas demos e chegou a tocar ele inteiro no ano passado em Porto Alegre&#8230;</strong><br />
Toquei o que seria todo o repertório dele, mas já está aparecendo uma nova. O repertório está girando entre 13, 14 ou 15 músicas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu gostaria que você falasse um pouco sobre essas três músicas novas que você colocou no Youtube (e que estão aqui na entrevista): “A Vida Inteira”, “Dona do Seu Nariz” e “No Boleto ou No Cartão”.</strong><br />
Vou começar por “Dona do Seu Nariz”, que é uma música um pouco a parte do eixo do disco. Fiz para a minha filha de 10 anos, uma cançãozinha imaginando o que seria o futuro dela, com tantas coisas que ela quer ser e trabalhar e gosta de fazer. As outras duas – “A Vida Inteira” e “No Boleto ou No Cartão” – compõe junto com mais várias o eixo do disco, que é um olhar sócio crítico do momento atual, da nossa realidade de agora, dessas questões sobre relações virtuais, hipermodernidade e esse contraponto entre a virtualidade e a realidade crua das calçadas. Isso tudo na visão de um cara iletrado como eu. Gosto de me dedicar&#8230; de fazer um observatório crítico da realidade, mas é uma visão de um leigo, de um compositor popular.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Essa sua explicação me faz ter ideia de que “A Vida Inteira” pareça um pouco primo do “Carecas da Jamaica” (1987)&#8230;</strong><br />
Exatamente. Pontualmente fiz uns trabalhos assim: “Carecas da Jamaica”, o “Cena Beatnik” (2001), que também era um olhar sobre aquele momento de Fórum Social Mundial&#8230; era um disco conectado com o renascimento de um movimento de rua, de uma Esquerda, de um contraponto ao pensamento liberal dos anos 90. Depois veio “Relógios de Sol” (2003), que é um disco todo sobre mulheres, para mulheres, e agora de novo surge mais um movimento meu de olhar pra fora, olhar em volta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dentro desse olhar, o mundo moderno é mais ou menos isso: o que a gente quiser pode ter, no boleto ou no cartão?</strong><br />
É um sintoma forte da última década esse deslocamento das pessoas para um individualismo calcado em desejos por tecnologia, por ter coisas e se identificar com isso: “Eu sou o que eu tenho e responde rapidamente ao toque do meu dedo”. Então a relação entre as pessoas começa a ser mediada desta mesma forma&#8230; Eu gostaria de não ser tão rançoso a essas modernidades, já tenho cara de velho, e qualquer ideia velha que eu apresente acabe sendo redundante. Mas sou realmente um pouco reticente com essa ideia de que a tecnologia vai nos salvar. Sou cuidadoso com isso. Gosto desses brinquedos, gosto de lidar com eles, mas sou cuidadoso com o que eles podem representar.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/DnLkkAvVNto" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/DnLkkAvVNto"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gostaria de relembrar dois projetos de versões de canções suas: o “Baladas do Bom Fim” e o disco da Simone Capeto. Como você recebeu estes projetos?</strong><br />
Muito bem! Não sou nem um pouco ciumento com o fazem com o meu trabalho e o “Baladas do Bom Fim” é sensacional, um disco super bem produzido. São versões radicalmente diferentes das originais e adorei todas elas. Adorei ter me visto lido por uma garotada mais nova. Foi muito legal. Fiz show de lançamento com eles, curtimos um monte. Já o trabalho da Simone (Capeto) foi uma gentileza dela, que ao gravar o seu primeiro disco tenha feito ele inteiro com músicas minhas. Eu sugeri a ela que fizesse com músicas do Tom Jobim (risos), mas ela seguiu em frente e decidiu gravar canções do Nei Lisboa, praticamente um desconhecido no Rio de Janeiro na época em que ela estava lançando, e ficou lindaço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você também gosta de fazer versões. Deste “Toda Forma de Poder”, que apareceu no “Carecas da Jamaica” passando pelo álbum “Hi-Fi” (1998) até Caetano e Oasis no “Transfiguração”. Esse disco novo terá algum cover?</strong><br />
Até o momento é um disco inteiro de Nei. Todas as canções minhas, letra e música. Não está aparecendo nenhuma releitura. Eu estava sedento de tantos anos sem compor, e tenho ficado, e isso já faz um tempo, mais chato com relação a ter parceiros. No início de carreira eu tinha um grande parceiro, que era o Augusto Licks, que depois foi pros Engenheiros do Hawaii, e dai pra frente foram raras parcerias.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando sobre o debate que rolou <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2010/02/tradicionalistas-respondem-a-criticas-de-nei-lisboa-2811196.html" target="_blank">após a sua entrevista para o Zero Hora</a> em 2010, eu sei que é muito local quando você fala dos “patrões da cultura”, mas eu gostaria de saber se você consegue identificar patrões da cultura em São Paulo, no Rio&#8230;</strong><br />
Primeiro é importante dizer que esse título “Patrões da Cultura” foi um título dado pelo jornal. Escrevi aquele artigo e enviei sem título, mas nada contra, é um título que cabe ali. A questão que é mais peculiar aqui, não sei se é fácil de traduzir (pra quem é de fora do Rio Grande do Sul), é que ela não envolve apenas o Movimento Tradicionalista Gaúcho em si, que é uma coisa muito forte não só no interior do Estado, mas também nas grandes cidades, com os CTGs (Centros de Tradições Gaúchas), com incentivo do Estado e uma entrada no educandário. Daqui a pouco começa a surgir nos currículos escolares uma versão da história que é contada na forma que o MTG acha que aconteceu, mas (ainda assim) não se resume a isso, e sim há em todo imaginário do Rio Grande do Sul, com um fomento midiático em torno dessa ideia do Super Gaúcho, do Gaúcho Heroico, do Gaúcho Mítico. E isso cria, com muita facilidade, uma movimentação perigosa no coletivo de pessoas muito simples. Me arrepio quando vejo as pessoas cantando o Hino do Rio Grande do Sul em um estádio de futebol antes da partida. A ideia de que a geográfica fechada te diferencia dos outros seres humanos – pra melhor e pra pior – seria uma coisa fora do tempo em qualquer situação. É contra isso que brigo. Isso na música se reflete com muita intensidade porque ela é o veículo primeiro dessa ideologia gauchista. A cultura popular, mais espontânea, que tem a ver com a tradição do Teixerinha, por exemplo, isso tudo foi abduzido por um formalismo e um rigor que faz com que pessoas que queiram tocar no CTG não possam tocar de tênis ou as mulheres não poderem dançar mais coladinhas (risos). Coisas do arco da velha. Me bato com isso e não é de agora. Na época do lançamento do meu primeiro disco (“Pra viajar no Cosmos não precisa gasolina”, 1983) comprei um briga do mesmo tamanho, mas com mais ironia. Há coisas ali no primeiro disco que pegam no pé disso&#8230; como uma música que misturava chimarrão com maconha. Tem muita gente que sabe levar essa história toda com muito humor. Tem um site chamado O Bairrista que faz uma coisa muito interessante, muito legal, só que hoje não tenho mais paciência. São eles (do MTG) lá e eu aqui porque se é pra falar sobre esse assunto eu falo sério. E com muita pena de que as coisas sejam assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nessa mesma entrevista você diz que a música gaúcha não te representava. Que música te representa?</strong><br />
Não sei se a frase era exatamente essa (que você citou). Eu disse que a música gaúcha estava se tornando intragável, uma frase até um pouco mais forte, mas me referindo exatamente a essa música popular gauchesca e não o que ela é em sua origem, ao potencial que ela tem e aos músicos que as criam. É o que reveste a coisa toda. Sabe-se muito bem como as coisas se transformam dentro da mídia. Por exemplo, o sertanejo e o que ele se tornou hoje em dia. Aqui (no Sul) também temos essa coisa maciça e isso não me representa, claro. Sou gaúcho, vivo no Rio Grande do Sul, mas não faço disso uma profissão. Quero crer que faço da minha música uma coisa muito mais aberta a todas as influencias que vierem mundo afora. A minha vocação musical sempre foi meio vagabunda, basta dar uma piscadinha para o meu coração&#8230; Já fiz um pouco de tudo. Os anos 80 são discos mais conectados com o pop rock, mas se pegar o primeiro já tinha um frevo, um samba.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O álbum “Amém”(1993)  representa bem isso&#8230;</strong><br />
Isso. Um disco todo voltado para o candombe uruguaio. Em seguida fiz o “Hi-Fi”, que é um remember do folk dos anos 70. Depois vem umas coisas que são mais MPB&#8230; Enfim, (sou) um compositor sem estilo, eu diria (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pra fechar, eu estava procurando algumas coisas pra pauta dessa entrevista com você, e encontrei um texto de 1989 do jornal O Estado do Paraná, assinado por Aramis Millarch, cujo título é: “<a href=" http://www.millarch.org/artigo/nei-lisboa-o-marginal-assumido-do-som-gaucho" target="_blank">Nei Lisboa, o marginal assumido do som gaúcho</a>”.</strong><br />
Eu lembro disso&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você se considera, ainda hoje, um marginal, um maldito?</strong><br />
Não. Acho até que quem responde sim de imediato a isso está passando simplesmente a ser pretensioso. Não sei exatamente como o jornalista chegou nesse título, mas não é impossível que eu tenha colaborado. Esse período foi um momento muito ruim pra mim. 1989. Fazia um ano que eu tinha passado por um acidente de carro, em que minha namorada morreu&#8230; 1989 foi um ano de chutar muito o balde. Eu não estava muito conectado não e, provavelmente, eu estava me sentindo mesmo muito marginal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ainda hoje, relembrando a letra de “Hein?”: a vida é uma gangorra funcionando mal?</strong><br />
(risos) A vida é sempre um pouco de montanha russa, um sobe e desce, uma corrida, não tem muito descanso, trabalhando direto, ganhando meu pão, e tudo isso pra viver com um pequeno conforto. Não me faltam dentes (risos), mas é muito suado. Bom, peguei pelo lado a profissão, mas em todos esses sentidos a vida é (com voz de locutor) “uma caixinha de surpresas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/4qKw96MjVCM" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/4qKw96MjVCM"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rUitApv2aF4" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/rUitApv2aF4"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KZE74q4EDaM" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/KZE74q4EDaM"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><span>- Marcelo Costa (</span><a href="https://twitter.com/screamyell" target="_blank">@screamyell</a><span>) é editor do Scream &amp; Yell e assina a </span><a href="http://screamyell.com.br/blog/" target="_blank">Calmantes com Champagne</a></p>
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		<title>Promo: Tesouros dos Rolling Stones</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/06/05/promo-tesouros-dos-rolling-stones/</link>
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		<pubDate>Wed, 05 Jun 2013 14:58:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[O Scream &#038; Yell, em parceria com a editora Nova Fronteira, irá sortear dois exemplares do livro “The Rolling Stones – Tesouros da Banda”. Imperdível. Participe!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18464" title="stones1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/stones1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">“The Rolling Stones: Tesouros da Banda”, livro que a Nova Fronteira acaba de colocar nas livrarias brasileiras, apresenta em palavras, fotos e belos fac-símiles a história de um dos maiores fenômenos culturais de todos os tempos. A obra foi escrita e organizada por Glenn Crouch, especialista em música pop, já tendo atuado na gravadora BMG, na rede de lojas de discos HMV e na Virgin Records, onde trabalhou por mais de uma década com os Stones. Trata-se, nas palavras do autor, da “história concisa da maior banda de rock’n’roll do mundo, desde suas raízes na cena blues e R’n’B de Londres, atravessando a loucura e os escândalos dos anos 1960, a ampla celebridade dos anos 1970 e as megaturnês dos anos 1980 até os dias atuais”.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro é apresentado em um estojo luxuoso, incluindo 22 documentos para colecionadores – cópias de pôsteres, notas escritas à mão, ingressos e cartazes promocionais, entre outros, todos idênticos aos originais. “The Rolling Stones – Tesouros da Banda” é destinado a todos os admiradores da banda, sejam novatos ou venham acompanhando o grupo por 50 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Scream &amp; Yell, em parceria com a Editora Nova Fronteira, irá sortear dois exemplares de “The Rolling Stones – Tesouros da Banda”. <strong>Para participar da promoção basta tuitar ou postar no Facebook a frase chave e não esquecer de colocar o link do tuite ou do post no Facebook nos comentários abaixo</strong> (o número do comentário é seu número de sorte). Cada pessoa pode participar com um link de twitter e um link de Facebook (caso tenha dúvida, <a href="http://screamyell.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/09/linkabsolutos.jpg" target="_blank">veja aqui como pegar o link</a>) - apenas um link de cada! A frase:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<span style="color: #ff0000;"><strong>Eu quero o livro ‘The Rolling Stones: Tesouros da banda’ que o @screamyell e a @ednovafronteira estão sorteando -&gt; www.screamyell.com.br/site</strong></span>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois exemplares de “The Rolling Stones – Tesouros da Banda” serão sorteados via Random no dia 28 de junho. Boa sorte.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18465" title="stones2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/stones2.jpg" alt="" /></p>
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		<title>Entrevista: Camila Zamith, Sexy Fi</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Jun 2013 18:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
por Marcelo Costa
Durante os anos 00, o Nancy sempre soou como um segredo guardado a sete chaves no quarto ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18439" title="sexyfi1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/sexyfi1.jpg" alt="" width="605" height="907" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por Marcelo Costa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante os anos 00, o Nancy sempre soou como um segredo guardado a sete chaves no quarto de alguma superquadra candanga. O lançamento do álbum de estreia, “Chora Matisse”, em 2009, serviu para demonstrar que ali havia uma banda buscando intensamente fugir do óbvio. Na virada da década, com mudanças na formação e um desejo de seguir outros caminhos, o grupo foi rebatizado como Sexy Fi, gravou com John McEntire (Tortoise) e lançou “Nunca Te Vi de Boa” (2012), álbum que apareceu em diversas listas de melhores do ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Única moradora de São Paulo (JP Praxis, Diogo Saraiva, Ivan Bicudo, Márlon Tugdual e Fernando Lanches moram e ensaiam em Brasília), a vocalista Camila Zamith abriu um espaço na hora do almoço para conversar com o Scream &amp; Yell sobre Nancy, Sexy Fi, “Nunca Te Vi de Boa”, Brasília, a produção de John McEntire e o desejo de soar interessante: “Porque banda desinteressante é de morrer”, diz Camila, que quer continuar escrevendo e cantando no Sexy Fi. E viver disso. Com você, caro leitor, uma banda que se orgulha de ser de Brasília.</p>
<p><iframe width="100%" height="450" scrolling="no" frameborder="no" src="https://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F2606560"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como você conheceu a banda?</strong><br />
Na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Fui transferida para a UnB, Jornalismo, e lá conheci o (João Paulo) Praxis, e soube que ele tinha uma banda, que era a Nancy, na época uma banda instrumental. É aquela coisa: eu sempre soube que eu sabia cantar, que eu queria cantar, mas é o tipo de coisa que você nunca fala pra ninguém (risos). Guarda pra você porque vão achar que você é louca. E eu gostei do estilo do Praxis e, um dia, falei pra ele: ‘Eu canto’. E ele me chamou pra fazer um teste. Isso foi em 2002, e estamos tocando juntos desde então.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Essa sua entrada mudou alguma coisa musicalmente na banda?</strong><br />
Acho que ficou um pouquinho mais pop. Não que eu seja necessariamente pop, mas acredito que quando se adiciona um vocal (a uma banda que era instrumental), você precisa seguir alguns caminhos&#8230; Posso até estar falando besteira, mas acho que ficou um pouco mais pop. Eu e João Paulo escrevemos bem juntos, a banda participa das composições, mas o grosso do material, a estrutura, sou eu e João Paulo. E quando você precisa pensar em letra, querendo ou não, muda alguma coisa. Fica mais acessível.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que a mudança de nome: de Nancy para Sexy Fi?</strong><br />
Sinceramente&#8230; porque a gente não conseguia se achar no Google. É isso (risos). Há uma explicação mais interessante: a formação mudou, e passamos a querer seguir outros caminhos. Junto a isso, o fato de colocar ‘Nancy’ no Google e não sair nada nos fez mudar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Essas músicas do álbum “Nunca Te Vi de Boa” já estavam prontas na época do Nancy?</strong><br />
Sim. Novo mesmo apenas alguns vocais. É que eu gravo o vocal e os guardo porque, como moro em São Paulo e eles em Brasília, fazemos tudo do Sexy Fi por MP3. Boa parte dos vocais desse disco são com a formação Sexy Fi que existe hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você é meio cidadã do mundo, já se mudou e morou em várias cidades. Quanto tempo você ficou em Brasília?</strong><br />
Morei três vezes separadas lá. No total, oito anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E devem ter sido fases de formação porque Brasília exerce uma força imensa sobre a banda&#8230;</strong><br />
Exatamente. Somos uma banda de Brasília – mesmo com a minha família sendo do Rio. A única outra cidade que morei no Brasil além de Brasília é São Paulo. E Brasília é uma cidade&#8230; única. Existem muitas pessoas como eu em Brasília, que se mudam sempre e tem esse conceito de “third culture kids”, de serem pessoas de uma terceira cultura. Isso é muito forte lá. Já o Praxis, o Diogo (Saraiva) e o Ivan (Bicudo) são de uma geração nascida em Brasília. Então, a minha relação com a cidade, por ter ido pra lá devido à profissão dos meus pais, é um pouco diferente, um pouco de amor e ódio. Afinal, é uma cidade bem complicada&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Muito complicada. Ainda mais para um cara como eu que não é tão a favor de carros&#8230; não tem carta&#8230;</strong><br />
Você não vive em Brasília (sem carro). Para ir na padaria é uma aventura. Você consegue, óbvio, mas você usa o carro para tudo. Além disso, tem o fato do nosso governo ser lá. Quando o Rio era a capital federal, deveria ser diferente, mesmo sendo uma cidade muito mais urbana e diferente de Brasília, que foi criada para ser a sede do governo.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/QreZ6RZklA0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/QreZ6RZklA0"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sempre bato na tecla de que Brasília foi criada para tirar o governo de perto do povo&#8230; mas ainda assim, sendo o que é, um museu a céu aberto, a pessoa não consegue ficar alheia a ela.</strong><br />
Exatamente. É uma coisa meio inacessível e você não pode ter uma existência independente da cidade. É uma cidade que vai te formar. E me formou, com certeza. Ela vai te impactar de alguma maneira. Ou vai te deixar uma pessoa mais isolada, porque os setores propiciam isso, ou uma pessoa super sociável que irá correr atrás das pessoas. Não é uma coisa como você estar na praia e encontrar alguém, ou caminhar na Rua Augusta&#8230; Em Brasília você tem que ir aos lugares para ter contato social. Tem que fazer um esforço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então o Sexy Fi não poderia ter nascido em outra capital? Tipo Salvador&#8230;</strong><br />
Acho que não. Ao menos do jeito que ele é. Porque é uma coisa de Brasília e não é só algo político, há uma vida própria ali, e é muito especifica. A gente queria retratar um pouco disso nas letras, apesar de ser meio inconsciente, mas quando percebemos que estava acontecendo, que estávamos indo por esse caminho, achamos que poderia ser legal. Porque sabemos falar disso em primeira pessoa, porque vivemos isso. Eu vivo isso mesmo morando em São Paulo. Minha banda é de lá e sempre estou em Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como funciona o Sexy Fi no dia-a-dia? Vocês trabalham online trocando ideias por e-mail e MP3, mas e ensaios, shows&#8230;</strong><br />
Sou a única que está fora de Brasília, mas eles sempre ensaiam, quase todo dia. Já para o disco fizemos o seguinte processo: eles me mandavam o que estavam fazendo e eu ou mandava o vocal por cima ou mandava o vocal puro, do início ao fim do jeito que ele é (“Keep Cooler” foi assim) e vamos discutindo os caminhos. O processo todo do disco foi feito na sala da casa do João Paulo. No momento que era pra fechar, eu fui pra Brasília, entramos em estúdio e gravamos tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É ai que entra o John McEntire&#8230; Você foi junto para Chicago?</strong><br />
Não. Fui a única que não conheci ele. O problema é que o meu vocal foi gravado separado porque as agendas não estavam batendo. Acabei gravando os vocais em Brasília. O que é uma pena&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É a experiência de estúdio, né. De estar ali com o cara e vê-lo trabalhando&#8230; O que o pessoal da banda te contou?</strong><br />
Que ele é muito quieto. Lembra Woody Allen, que é um diretor que fala muito pouco durante as gravações, e se ele não fala nada é porque está bom. Parece que esse é o estilo do John McEntire. Ele fica quieto, na dele, e deixa a coisa fluir. É um cara bastante tranquilo e solicito. Eles adoraram.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O disco repercutiu e está repercutindo bem tanto aqui no Brasil quanto lá fora&#8230;</strong><br />
A gente sempre se surpreende. Não é que não temos fé no que a gente faz, mas é que (o disco é) uma coisa tão pessoal que a gente não tem ideia do impacto que isso vai causar (em outra pessoa). Não pensamos nisso e não é falsa modéstia. Ainda assim, o fato do disco repercutir bem não muda muita coisa no nosso dia-a-dia (risos). É legal porque abre a porta para shows.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como está a agenda?</strong><br />
Tocamos no Rio, e estamos acertando algo para São Paulo. Estamos conversando com a gravadora em Londres para acertar algo por lá. Nos chamaram para o South By Southwest, mas acabamos não indo porque queríamos privilegiar a gravação do vídeo.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/i7Z-_M02ArY" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/i7Z-_M02ArY"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em &#8220;Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte&#8221; você canta que ninguém é normal sem medicação. Ninguém?</strong><br />
Ninguém. Eu acredito piamente nisso (risos). Já tive experiência de tomar medicação e isso (da letra) é uma coisa minha, autobiográfica até. Tenho um amigo que sempre me diz: “Existe uma pilulazinha que vai te ajudar? Toma”. É por ai&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você consegue ver bandas irmãs do Sexy Fi?</strong><br />
(um longo silêncio) Hummm, tem o Satanique Samba Trio, de Brasília. Talvez o Holger, não sei se porque eu os conheço, e mesmo o som sendo um pouco diferente, mas acho que tem a ver. A gente já tocou com eles nos Estados Unidos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando li algumas entrevistas de vocês, me surpreendi porque o Praxis é bastante brincalhão, sarcástico e irônico, mas isso tudo não aparece nas músicas&#8230;</strong><br />
Eles são mesmo! Chegam até a serem meio encrenqueiros (risos). Mas a gente faz o que gosta. Eu pelo menos tenho uma regra, que também diz muito sobre como o Praxis pensa: a gente tem que ser interessante. É uma obrigação. Porque banda desinteressante é de morrer. Tipo o Muse, o Keane&#8230; Não me dizem nada. É como abrir um iogurte (risos)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acho que abrir um iogurte é mais interessante que ouvir Muse&#8230; (risos)</strong><br />
(risos) Sim, me amarro nos desnatados (mais risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É um bom desejo querer soar interessante!</strong><br />
Eu acho! E não só como banda, mas como pessoa mesmo. Você não tem que querer ser bonitinho, você tem que ser interessante. E isso não tem relação com ser intelectual. Tem relação com não ser óbvio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vi uma definição sobre vocês que gostei bastante: “Por vezes, o som da Sexy Fi soa tímido como o primeiro dia de colégio duma criança, em outras, com a ferocidade dum animal.” O que você acha disso?</strong><br />
Eu acho que sou a parte tímida (risos). Sério. O Guardian (acho) falou algo parecido: que o som da gente espeta como grama; que a grama é uma coisa meio macia, mas que espeta. Tem meio a ver também. Esse espetar, para mim, tem relação com o ser interessante. Porque a gente quer assustar. O João Paulo falou isso pra mim no primeiro ensaio da banda. “Temos que assustar”. E para conseguir o efeito do susto é preciso criar momentos calmos. A gente sempre busca isso, não se acomodar e evitar repetir o que já fizemos. Gostamos, por exemplo de fazer alguns covers. Um que deu certo demais foi “Vumbora Amar”, do Carlinhos Brown, gravada pelo Chiclete com Banana, numa versão meio Nancy Sinatra. O pessoal se amarrou quando fizemos isso (ainda como Nancy). Fizemos “Criminal”, da Fiona Apple (foi a primeira coisa que fizemos juntos) e agora estamos pensando em fazer uma do Cidade Negra. Não adianta fazer um cover óbvio. E não é desejo de ser diferente, mas é porque o Praxis gosta mesmo dessas bandas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como você resume esses 10 anos de Nancy/Sexy Fi?</strong><br />
Pra mim, evolução e sorte. A gente nunca foi uma banda de tocar muito, mas conseguimos causar algum tipo de impacto com tudo que fizemos. Tudo que a gente escolheu fazer deu certo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E os próximos 10 anos? Tem disco novo nos planos&#8230;</strong><br />
Tem, mas, de verdade, quero conseguir viver de música. A gente pensa nisso. Tudo que fizemos nestes primeiros 10 anos foi aprender a ser uma banda. Não existiria Sexy Fi sem os 10 anos de Nancy. Quero cada vez mais escrever e cantar. E viver disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ni6wRnWhWjE" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/ni6wRnWhWjE"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><span>- Marcelo Costa (</span><a href="https://twitter.com/screamyell" target="_blank">@screamyell</a><span>) é editor do Scream &amp; Yell e assina a </span><a href="http://screamyell.com.br/blog/" target="_blank">Calmantes com Champagne</a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Nunca Te Vi de Boa&#8221;, do Sexy Fi, na lista dos 25 melhores álbuns nacionais de 2012 (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/01/22/os-50-discos-mais-votados-em-2012/">aqui</a>)<br />
- Entrevista: Holger -&gt; “A gente não se leva a sério”, mas “não somos uma piada” (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/04/17/entrevista-holger/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Filme: O Grande Gatsby, Baz Luhrmann</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/06/03/cinema-o-grande-gatsby-baz-luhrmann/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2013/06/03/cinema-o-grande-gatsby-baz-luhrmann/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2013 20:17:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Leonardo Vinhas</b>
Quinta adaptação do livro falha tanto em ser elegante como em cuidar bem de qualquer leitura mais profunda da obra]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18426" title="gatsby" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/gatsby.jpg" alt="" width="231" height="365" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><strong>por <a href="http://www.facebook.com/leovinhas" target="_blank">Leonardo Vinhas</a></strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">“O Grande Gatsby” é um dos maiores romances literários dos Estados Unidos. Tal título se deve não apenas à prosa elegante (alguns diriam esnobe) de F. Scott Fitzgerald, mas principalmente à metáfora de encanto e desilusão com o sonho americano que o livro proporciona. A quinta adaptação do livro para as telas, porém, falha tanto em ser elegante como em cuidar bem de qualquer leitura mais profunda.</p>
<p style="text-align: justify;">Elegância, aliás, nunca foi o forte do diretor Baz Luhrmann. O australiano, que ganhou fama com o frenético “Romeu + Julieta” (1996), sempre gostou de grandiloquência, e a usou com bons resultados na adaptação shakespeareana e em “Moulin Rouge” (2001). Porém, em “O Grande Gatsby” (2013), a fórmula – canções pop, traveling acelerado, tomadas aéreas, edição de vídeo clipe, cores berrantes – é tão deslocada da história, tão desprovida de razão de ser, que ela cansa antes que o filme complete seus primeiros vinte minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Luhrmann ama o exagero, mas aqui esse seu amor chegou a um ponto tão forte que ele parece ter esquecido que havia uma história a ser contada e, principalmente, atores a serem dirigidos. O elenco todo padece de falta de ritmo, e parece estar se esforçando não para atuar, mas para atender rigorosamente aos estereótipos imaginados pelo diretor. Mesmo atores que já demonstraram ter talento de sobra – como Tobey Maguire e Leonardo DiCaprio – não se encontram e dão a impressão de estarem perdidos em cena. O que dizer, então, de intérpretes menos dotados, como Carey Mulligan e Joel Edgerton? Mulligan, em particular, tem presença medíocre, e qualquer caracterização pertinente de sua personagem se deve mais à força do texto de Fitzgerald do que à sua capacidade de compor uma figura crível.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18427" title="gatsby2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/gatsby2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em texto, eis aí o segundo grande problema do filme: na concepção do diretor, a jornada de Nick Carraway (Maguire), um jovem seduzido pelos encantos mais promissores e atrativos do sonho americano que se vê, muito tardiamente, envolvido por decadência, dissolução moral e violência, depende demais da locução em off para ser contada. O recurso usado sem parcimônia cansa – chega um momento em que o espectador não aguenta mais ouvir a voz de Maguire – e subestima a inteligência do público, adicionando rubricas e observações que não constam no texto original, como que para assegurar que a &#8220;mensagem&#8221; tenha sido perfeitamente compreendida.</p>
<p style="text-align: justify;">O triste é que tudo o que o filme quer escancarar de maneira óbvia e repetitiva já estava bem inserido nas nuances da obra original. Mas na tela é difícil ver em Tom Buchanan (Joel Edgerton) o hipócrita cheio de si e auto iludido que Fitzgerald imaginou. Aqui ele é apenas &#8220;o vilão&#8221;, figura que simplesmente inexiste no mundo cinza retratado por Fitzgerald. Tampouco Gatsby (DiCaprio) é um herói, mas é isso que o filme faz dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Adaptações de criações literárias podem tomar liberdades, sem dúvida. Nem tudo o que funciona no papel dá certo na tela. Porém, tais liberdades só fazem sentido se usadas em prol de manter ou rediscutir a essência da obra original. “O Grande Gatsby” de Luhrmann é uma fábula moralista, que reduz uma trama complexa e passível de várias leituras a um romancezinho exagerado e maniqueísta, com Gatsby e Carraway deixando de ser dois seres complexos e contraditórios para serem apresentados como bons meninos, iludidos e arrastados pelo sonho americano, mas &#8220;puros&#8221; até o fim. Aliás, em meio a tantos pecados narrativos, nenhum é maior que o esquecimento de Luhrmann em trazer a lenta derrocada de Nick Carraway rumo à amoralidade e à decadência. Em meio à tanta obviedade, o personagem central passa a ser apenas um narrador bobo alegre.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando tudo termina, você fica com a sensação que foi gasto muito dinheiro (105 milhões de dólares, segundo informações oficiais) para fazer um grande exercício visual oco, cujo legado será, no máximo, inspirar festas de travestismo por um tempo. E olhe lá.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/9KQt2OMOty8" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/9KQt2OMOty8"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/L5S07-vHNOY" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/L5S07-vHNOY"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/4G0ksi_AT2Y" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/4G0ksi_AT2Y"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><span>- </span><span>Leonardo Vinhas (<a href="https://twitter.com/#%21/leovinhas" target="_blank">@leovinhas</a>) assina a seção Conexão Latina (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/tag/conexao_latina/">aqui</a><span>) no Scream &amp; Yell.</span></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- &#8220;Moulin Rouge&#8221;: o mundo pós-moderno de Baz Luhrmann, por Marcelo Costa (<a href="http://www.screamyell.com.br/cinema/rouge.html">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Festival Casarão 2013, Porto Velho</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/festival-casarao-2013-porto-velho/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/festival-casarao-2013-porto-velho/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 May 2013 22:51:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Marcelo Costa</b>
Em sua 14º edição, o Festival Casarão, em Porto Velho, reuniu 18 atrações divididas em três dias de shows...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18355" title="pv2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Texto e fotos por Marcelo Costa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em sua 14º edição, o Festival Casarão, em Porto Velho, reuniu 18 atrações divididas em três dias de shows: os dois primeiros em uma pequena casa noturna, o Pioneiros Pub (que numa edição anterior presenciou um show do Dead Fish que ficou marcado entre o público), e que em 2013 recebeu os dois principais headliners do evento: o grupo carioca Matanza (uma das atrações mais pedidas pelos porto-velhenses) e o cantor Nasi, ex-vocalista do Ira!, em carreira solo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18356" title="pv3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv3.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Com um line-up que talvez não chamasse muita atenção em capitais do Sudeste, o Festival Casarão comemorou três dias de casa cheia. A primeira noite, encabeçada pelo Matanza, esgotou os 600 ingressos (e teve gente ainda que ficou pra fora). A segunda, que trazia Nasi, não chegou a ficar sold out, mas cerca de 500 pessoas bateram ponto na casa de shows enquanto a noite de sábado, gratuita na Praça Mercado Cultural, arrastou uma bela multidão.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18357" title="pv4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv4.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ponto positivo: boa parte da escalação do festival é completamente desconhecida fora da Região Norte (alguns nomes nem na própria cidade), o que mostra a correção da ideia de line-up da produção do Casarão: levar uma atração que arraste um bom público apresentando-o assim a jovens artistas da nova geração da cidade, da região, ou mesmo de outros Estados. Perfeito. O Casarão acerta no ponto em que a maioria dos festivais brasileiros erra.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18358" title="pv5" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv5.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ponto negativo: das 18 atrações da edição 2013 do festival, 8 também se apresentaram na edição de 2012 – Sub Pop e Versalle pelo terceiro ano consecutivo. Há o desconto de que cinco destes oito nomes tocaram ao ar livre gratuitamente (embora três destes voltassem pelo segundo ano consecutivo ao palco da praça – Beradelia pelo terceiro), mas ainda assim é uma repetição exagerada de artistas de um ano para o outro.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18359" title="pv6" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv6.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A cobrança deve-se ao fato de que muitas dessas bandas têm potencial de sobra para impressionar o público de outras cidades e festivais, e parecem ficar presas ao que está na mão. Ok, não é fácil circular no Brasil, e não recomendo vender seus ideais para organizações que estão mais preocupadas com política do que com cultura, mas uma conversa mais próxima entre os integrantes da FBA (<a href="https://www.facebook.com/festivaisbrasileiros" target="_blank">Festivais Brasileiros Associados</a>) poderia render bons frutos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18360" title="pv7" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv7.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, é preciso festejar o Casarão (que em 2014 completará 15 anos) como um evento corajoso em uma cidade de difícil acesso e longe demais das capitais. O que se viu nos três dias de evento deste ano foi uma profusão de bons shows de artistas que estão longe de rádios, TVs e grandes jornais, mas tem a capacidade de conquistar a atenção do público com canções próprias. Não é pouco. Neste ponto, a produção do festival está de parabéns. Abaixo, dia a dia do Casarão 2013.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18361" title="pv8" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv8.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>23/05 – Quinta-Feira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Assim como no ano passado, o primeiro dia cheio do Casarão é um tributo ao rock and roll básico e sem firulas, algo que não tem muito a ver com o bom som indie do trio Os Últimos, da cidade de Ariquemes, uma das primeiras bandas a se apresentar nos dois anos. Novamente, Laura (bateria), Rogério (baixo) e Keverton (guitarra e voz) mostraram uma boa performance, que carece de contato com a plateia, mas convence. De Cuiabá, e já veterano de estrada, o trio Branco ou Tinto mandou bem ao avisar o pessoal do gargarejo (que pedia covers de bandas clássicas como Led e AC/DC) que “esses caras não querem saber de vocês. Nós queremos e vamos tocar o nosso som”. O som: rock and roll clássico bem tocado.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18362" title="pv9" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv9.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">De Uberlândia, o Leave Me Out mostrou sua pegada grunge destacando o bom vocal carregado de Bruno, e conquistou vários fãs de preto, mas o grande show da noite foi o retorno do Maria Melamanda, respeitada banda local que misturou canções novas e velhas levando o público ao delírio. O som e as letras pagam tributo ao rock nacional dos anos 80, e o grupo deixou o palco merecidamente ovacionado. Fechando a primeira noite, o Matanza honrou o pedido dos fãs que colocaram a banda como atração mais desejada do festival, e fez uma baita apresentação de countryhardcore. O vocalista Jimmy foi além e convocou todos os presentes a entrarem no “Clube dos Canalhas”, e o pogo rolou bonito na pista do pub.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18363" title="pv10" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv10.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>24/05 - Sexta-Feira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Duas bandas do Estado que fizeram bons shows em 2012 mostraram evolução no segundo dia do Casarão 2013. A Sub Pop, da cidade de Vilhena, que ao contrário do que o nome prenuncia, é fiel seguidora das barbas do Los Hermanos (e não do grunge de Seattle), voltou a repetir o bom show, e merece uma chance do lado de cá da linha do Equador (boa sacada encerrar o show com uma cover fiel de “O Tempo”, do Móveis). Os locais do Versalle, no entanto, parecem que progrediram muito mais neste meio tempo, e apesar do show curto, mostraram maturidade e confiança. Momento bizarro da noite: Dimazz Trio tocando uma versão de “Vem Quente Que Estou Fervendo” sobre a base de “Seven Nation Army”, do White Stripes.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18364" title="pv11" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv11.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Alguns degraus acima, o reformulado Mezatrio - banda de Manaus surgida em 2004, com disco lançado em 2007 e boa estrada em festivais e capitais - fez um dos grandes shows do festival. Com single novo na praça (<a href="http://screamyell.com.br/blog/2013/05/28/videos-the-john-candy-mezatrio-ruidomm/" target="_blank">assista ao clipe de “Qualquer Um”</a>) e álbum em pré-produção, os amazonenses, comandados pelo vocalista e guitarrista Paulo Lins, mostraram uma sonoridade forte calcada no rock alternativo dos anos 90 e prometem bastante com o disco novo. Fechando a noite, Nasi subiu ao palco valorizando sua porção interprete. De Raul (“Rockixe” e “As Minas do Rei Salomão”) e Garotas Suecas (“Tudo Bem”) a Willie Dixon (“Hoochie Coochie Man”) e Cazuza (“O Tempo Não Para”, com verso trocado: “Procurando uma agulha no palheiro” vertida para “Procurando uma puta num banheiro”) até, claro, Ira!, Nasi mostrou vigor e lucidez provando que o título de seu penúltimo álbum não era à toa: ele está muito vivo na cena.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18365" title="pv12" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv12.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>25/05 - Sábado</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O dia gratuito do Festival Casarão mostrou variedade para um excelente público que lotou a Praça Mercado Cultural. Entre os destaques, os veteraníssimos Os Coveiros fizeram uma trilha sonora perfeita para o pogo. Muito hardcore e trash metal antecipando o novo disco dos caras, que deve sair pra logo. De posse de uma pá, o carismático vocalista Giovanni Marini (professor, mestre e geógrafo, que dá aulas na Universidade Federal de Rondonia e é admirado pelos alunos) devia baixar com sua banda para o Sudeste para mostrar para um monte de bandinhas como fazer barulho no palco. Na sequencia, Beradalia. Reforço o que escrevi no ano passado: eis uma banda que é forte concorrente à produto de exportação de Porto Velho. Um pouco de regionalismo, rock and roll, poesia, uma coisa meio hippie, mas que funciona e, sim, tem muito mais a dizer ao cidadão porto-velhense do que ao carioca ou ao paulista, mas tem estofo para conquistar um bom público fora das divisas da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18366" title="pv13" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv13.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">De estreante na edição passada para um dos destaques da escalação de 2013, o grupo Kali e os Kalhordas sofreu com a equalização de som (fato que não aconteceu em nenhuma das outras apresentações), embolada e apitando, até o meio da apresentação, e gastou material próprio ao inserir duas covers no repertório: uma ótima releitura de “Esquadros”, de Adriano Calcanhoto, e uma versão confusa de “Eu Sou Neguinha”, de Caetano Veloso. Ainda assim, um bom show, que foi atropelado pela empolgação rock and roll dos brasilienses do Cassino Supernova. Responsáveis por uma das melhores apresentações do ano passado, mas desta vez tocando em praça pública, o quinteto mostrou pique de sobra para arrebatar uma plateia que, provavelmente, nunca tinha ouvido falar neles, e deve ter saído apaixonada pelo som forte e empolgante que saia das caixas de som. É apenas rock and roll, mas o público gosta, e esgotou todos os CDs que a banda levou para vender após o show. Merecido. Uma entrega absurda em uma apresentação contagiante. Bonito de ver e ouvir. Fim do Casarão 2013. Que venha o Casarão 2014. Baile de Debutante, hein.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Top 5 Festival Casarão 2013</strong><br />
01) Nasi<br />
02) Mezatrio<br />
03) Cassino Supernova<br />
04) Beradalia<br />
05) Os Coveiros</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18367" title="pv14" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/pv14.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span>- Marcelo Costa (</span><a href="https://twitter.com/screamyell" target="_blank">@screamyell</a><span>) é editor do Scream &amp; Yell e assina a </span><a href="http://screamyell.com.br/blog/" target="_blank">Calmantes com Champagne</a></p>
<p style="text-align: center;"><em>O Scream &amp; Yell viajou para Porto Velho a convite da produção do Festival Casarão.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia também:</strong><br />
- Balanço: os destaques do Festival Casarão 2012, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/tag/casarao2012">aqui</a>)<br />
- Balanço: os destaques do Festival Casarão 2010, por Tiago Agostini (<a href="http://screamyell.com.br/site/2010/06/28/festival-casarao-porto-velho/">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Optimus Primavera Sound 2013, Porto</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/optimus-primavera-sound-2013-porto/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/optimus-primavera-sound-2013-porto/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 May 2013 18:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=18333</guid>
		<description><![CDATA[<B>por Bruno Capelas</b>
Componente revivalista funciona de forma espetacular com grandes shows de Blur, Nick Cave, Breeders e My Bloody Valentine
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18408" title="porto11" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto11.jpg" alt="" width="600" height="800" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Fotos, vídeos e texto por <a href="https://twitter.com/noacapelas" target="_blank">Bruno Capelas</a></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><strong>DIA 01 - 30/05 - Quinta-Feira</strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira noite de sua segunda edição, o Primavera Sound do Porto ofereceu a seus espectadores uma boa amostra de sua proposta de ser um festival pequeno, mas com alto nível de apresentações. Só os dois palcos principais foram utilizados na noite dessa quinta-feira (30), com oito shows rolando a partir das 17 horas, mas não se pode dizer que não tenha sido um grande dia no Parque da Cidade, em Matosinhos – uma espécie de Santo André portuguesa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18336" title="porto31" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto31.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">As primeiras horas do Primavera Porto reservavam shows de Guadalupe Prata, Wild Nothing e Merchandise, mas o cansaço da viagem entre Lisboa e Porto (aproximadamente quatro horas de ônibus) fez com que a reportagem do Scream &amp; Yell chegasse ao local já perto do pôr do sol, na hora quase exata de ver as Breeders. Na dupla fila para a entrada (uma para trocar o bilhete pela pulseira, e outra para entrar no recinto), o que se ouvia era uma confusão de línguas. Com alta presença de estrangeiros, dá até para dizer que o inglês é a língua oficial do festival, sobrepujando o português. Enfim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18337" title="porto4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto4.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Comemorando 20 anos do lançamento de “Last Splash”, não se pode deixar de dizer que as Breeders tenham chegado ao Porto já com o jogo ganho. Afinal, não é todo dia que se vê um repertório com petardos como “Cannonball” e “Divine Hammer” sendo interpretados de maneira fiel. Mesmo com o cenário totalmente favorável, as irmãs Deal não se acomodaram no palco Optimus [marca de telefonia celular que patrocina o evento]. Muito à vontade, com incontáveis sorrisos durante a apresentação, Kelley e Kim mostraram a essência do rock “loud-quiet-loud” que deixou marcas profundas na música de hoje em dia.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18338" title="porto5" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto5.jpg" alt="" width="605" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em um show empolgado, que lutou contra o vento gélido e a noite que começava a cair, a banda esquentou corações em “Drivin’ on 9”, balada cheia de doçura e afeto country, graças especialmente ao violino de Carrie Bradley. Depois de “Last Splash” executado na íntegra, ainda sobrou tempo para outra facada no coração: “Don’t Call Home”. Se esse show passar na sua frente (as Breeders tem turnê marcada para o Brasil em julho), não hesite em ir, caro leitor. Diversão garantida.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18339" title="porto6" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto6.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A próxima atração da noite eram os Dead Can Dance, mas a fome batia fundo na barriga, de maneira que o show do grupo australiano foi trocado por uma boa ronda na praça de alimentação do festival. Um dos pontos altos do evento, o local até parecia pequeno para suportar o público esperado pela organização (entre 20 e 30 mil pessoas), mas funcionava bem, com filas rápidas e vastas opções. Quer exemplos? Comidas típicas do Porto como sanduíches de leitão, francesinhas (espécie de lanche com queijo, carne de porco e molho por fora) e tripa de porco, se misturavam a nachos, lanches de churrasco argentino, kebabs e barracas da Pizza Hut e da KFC. (Ainda bem que tem mais dois dias de festival para tentar experimentar um pouco de cada coisa, porque senão faltaria estômago para a brincadeira).</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18340" title="porto7" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto7.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A seguir, não sobrou pedra sobre pedra quando Nick Cave e os Bad Seeds subiram ao palco Optimus. Em um show cujo único pecado foi a curta duração (65 minutos, aproximadamente), o australiano estabeleceu desde o início um clima sombrio e explosivo, unindo o repertório de seu novo álbum, “Push the Sky Away”, a porradas como “Red Right Hand”, “From Her to Eternity” e “Tupelo”. Escudado pela banda capitaneada pelo barbudo Warren Ellis, Cave passou mais de metade do show agarrado à plateia, se exibindo e impondo fortes emoções ao público, entre o trágico, a raiva e uma forte tensão sexual, além, é claro, do gostinho de “quero mais” ao final da faixa-título de seu mais recente disco.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18341" title="porto8" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto8.jpg" alt="" width="605" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na sequência, Bradford Cox e seus companheiros de Deerhunter exibiram um universo particular e obsessivo no palco Super Bock. Donos de um pop esquisitão e guitarreiro, os americanos calcaram seu repertório no mais recente disco da banda, “Monomania”, lançado em maio último. Saudando o “Primavera Sound como o melhor festival do mundo”, a banda fez um show para ser curtido com calma, mais para ser escutado curtindo o clima do Parque da Cidade do que se esforçando na ponta dos pés para ver o que acontecia no palco.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18342" title="porto9" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/porto9.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os calcanhares já pediam arrego e as pernas tremiam de frio, mas a programação do Primavera Porto ainda reservava uma boa atração a seus frequentadores: James Blake. Badalado pelo lançamento de seu segundo álbum, “Overgrown”, Blake encerrou a noite em uma apresentação marcada pela transição. Se em seu primeiro álbum havia forte pesquisa sobre texturas e vocalizações, agora o inglês parece interessadíssimo em ritmos e batidas, na mistura do orgânico com o eletrônico.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18343" title="poro10" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/poro10.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em disco, a proposta parece limitada e não inovadora, mas ao vivo as canções do novo trabalho funcionaram bem, com destaque para a dobradinha emocional da faixa-título e de “Retrograde”, que encerrou a apresentação. Entretanto, as baladas contemporâneas e pungentes do primeiro álbum (como “Wilhelm Scream”, “Unluck” e a releitura de “Limit to Your Love”) parecem ter perdido força ao serem contaminadas pelas batidas, afastando-se do clima etéreo que fez a fama de Blake há dois anos. Pelo sim, pelo não, uma sensação é certa: os próximos caminhos que o inglês seguirá merecem muita atenção. A conferir.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/UjZKuyOttRk" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/UjZKuyOttRk"></embed></object></p>
<p>Na saída, a dispersão foi tranquila, apesar da grande quantidade de pessoas que ficaram no Parque da Cidade até o final da noite, lá pelas três da madrugada. Diversos ônibus destacados pelo festival faziam o percurso de Matosinhos até o centro do Porto, em pouco menos de meia hora. Se faltaram explicações no site e durante o evento, sobrou boa vontade, em uma fila que andava bem, mas ainda assim pedia de 15 a 20 minutos de espera. Fica a expectativa para ver como a coisa vai rolar nessa sexta-feira, que traz shows de Daniel Johnston, Swans, Grizzly Bear, a sensação Savages e o tão aguardado retorno dos ingleses do Blur. Simbora.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/f7mrvKhjr-Y" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/f7mrvKhjr-Y"></embed></object></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>DIA 02 - 31/05 - Sexta-Feira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O sol apareceu tímido no segundo dia de shows do Optimus Primavera Sound, mas isso não foi empecilho para que quase 30 mil pessoas apreciassem a beleza do Parque da Cidade. Chegando ao recinto mais cedo que no dia anterior, a reportagem do Scream &amp; Yell pode confirmar o entusiasmo de José Barreiro, diretor do evento, acerca do local – embora não tenha sido dessa vez que encontramos os patos e coelhos. Uma pena.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18390" title="porto4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto4.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Porém, ao começar seus shows apenas no final da tarde, e estendê-los até a madrugada, o Primavera Porto perde um bocado de seu charme por não explorar em máxima potência o lugar onde se estabeleceu, incluindo uma bacanuda vista para o mar e lugares incríveis para ver o pôr-do-sol. O clima que se via, pelo menos nas primeiras horas da sexta-feira, era o de um típico festival de verão, mas com coroas de flores substituindo tiaras piscantes e casacos no lugar dos biquínis, para tristeza (não só) dos muitos ingleses que saíram da terra da Rainha rumo a Portugal para ver o Blur. A viagem certamente deve ter valido a pena, mas vamos com calma.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18391" title="porto6" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto6.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">A primeira missão obrigatória do dia era Daniel Johnston, às 20h, no palco curado pela organização do festival All Tomorrow’s Parties, que por vezes sofria com a interferência do som do show dos Local Natives, acontecendo no mesmo horário no palco Optimus. Se a apresentação de Johnston era um risco – é raro o artista encontrar-se com grandes plateias, por culpa de seus problemas mentais –, o que se viu na hora foi um espetáculo da sobrevivência e da força da arte.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18385" title="porto2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto2.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhado por uma banda local (Johnston não tem grupo de apoio fixo, o que flexibiliza suas viagens) que deixou a desejar em alguns momentos, o norte-americano enterneceu as milhares de pessoas presentes com suas canções apaixonadas e inacreditáveis de tão simples, como “Speeding Motorcycle” e “Casper the Friendly Ghost”. No bis, com pedidos encarecidos do público, Johnston fez uma bela dobradinha com “Devil Town” e o hino “True Love Will Find You in The End”, um “desejo de Natal para vocês todos”, como disse o cantor debaixo dos últimos raios do sol.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Fdrufl42vAc" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/Fdrufl42vAc"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Inicialmente o plano da noite seguia com um show de Rodriguez, mas o herói de “Searching for Sugar Man” desmarcou sua apresentação por problemas de saúde, sendo substituído pelos portugueses do Mão Morta, rivalizando no horário com o Swans, que naquele momento incendiava o mundo em um dos palcos principais do dia. Reformada em 2010 após treze anos de silêncio, a banda nova-iorquina mostrou porque tem sido tão aclamada desde o lançamento de “The Seer”, um dos discos mais instigantes de 2012.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18387" title="porto5" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto5.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Com cerca de uma hora e meia de duração, a apresentação do Swans foi um verdadeiro teste de resistência física, valendo tanto para os músicos, exigidos demais pelo comando do sargento-vocalista Michael Gira, como para a plateia, que ficou com o ouvido zumbindo em ruído e êxtase. É de se admirar uma banda que imponha tanta tensão de uma vez só, impulsionada pelo trabalho do baterista Phil Puleo e do percussionista Thor Harris, ambos incansáveis. Ao final do show, uma pergunta insistia na cabeça: “onde é que foi parar a minha audição?”.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yCjdsGFCO3I" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/yCjdsGFCO3I"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente, ela não foi parar muito longe, presente o suficiente para assistir ao Grizzly Bear com toda a calma que o grupo do Brooklyn merece. Climático, o concerto da banda teve ampla base no repertório do álbum “Shields”, e contou com uma bela sintonia entre o vocalista Edward Droste, o guitarrista Daniel Rossen e o baixista Chris Taylor, especialmente no que diz respeito à divisão vocal das canções. Um show bem bonito, mas que perdeu algo de sua força por contar com uma plateia que curtiu o repertório, mas respondeu pouco aos incentivos de Droste, não encaixando a peça que faltava para que a apresentação se tornasse algo maior.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18388" title="porto3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto3.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A bem da verdade, é bom que se diga que, até ali, nenhum momento do festival trouxe aquela comunhão entre público e artistas, com milhares de pessoas cantando juntas, um ingrediente vital para que um espetáculo se torne inesquecível. Repare bem, caro leitor: até ali, porque o Blur logo trataria de transformar o Parque da Cidade em uma festa sem um momento de queda.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18393" title="porto7" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto7.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">A bordo de um caminhão de hits, os ingleses abriram caminho com “Girls &amp; Boys”, seguindo com “Popscene” e “Beetlebum”, com direito a um Damon Albarn endiabrado provocando a plateia com água e megafones. Graham Coxon, por sua vez, extraía maravilhas de sua Telecaster, brilhando em “Coffee &amp; TV” e no incrível solo de “This is a Low” – esta última, dedicada ao povo português, “que mora perto do mar”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18394" title="porto8" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto8.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Para além da quantidade de sucessos que o Blur tem nas mangas, é impressionante a capacidade da banda de enfileirá-los de maneira magistral, alternando petardos dançantes com baladas acachapantes. A sequência com “Tender” (de fazer chorar, só isso), “Country House”, “Parklife” e “End of the Century” é prova clara disso.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18396" title="porto10" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto10.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">No bis, Albarn fez questão de valer o verso “here’s your lucky day”, brindando o público com interpretações apaixonadas de “Under the Westway” (single lançado em 2012 pela banda junto à especial caixa “21”), “For Tomorrow” e “The Universal”. A brincadeira podia parar por aí, mas ainda havia espaço para um bate cabeça desenfreado a gastar toda a energia restante, em&#8230; sim, você adivinhou, “Song 2”. Yoo-hoo!</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18395" title="porto9" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto9.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-18383" title="porto1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>DIA 03 - 01/06 - Sexta-Feira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois da arrasadora invasão inglesa do Blur no segundo dia do Optimus Primavera Sound, o sábado de encerramento do festival prometia muito ruído e guitarras no talo, com um cartaz que incluía Dinosaur Jr, Explosions in the Sky e o esperadíssimo show do My Bloody Valentine.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18409" title="porto21" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto21.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, o dia começou de maneira mais leve, com uma passada na praia de Matosinhos (com algumas garotas fazendo topless e muitas, mas muitas gaivotas) e o show ensolarado do grupo catalão Manel, aplaudido pelos muitos espanhóis presentes e com boa veia pop, como demonstra a divertida “Teresa Rampell”, que encerrou a passagem da banda no palco Optimus. Uma das boas surpresas a serem pesquisadas com calma após o festival, diga-se de passagem.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18410" title="porto31" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto31.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na sequência, J Mascis, Lou Barlow e  Kyle Spence fizeram uma apresentação para nenhum fã de guitarras distorcidas botar defeito. Com apenas uma hora de duração, o tempo passou rápido durante o show do grupo norte-americano, que trouxe ao Porto um caminhão de hits indies, como “Sludgefeast”, “Feel the Pain” e “Watch the Corners”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18411" title="porto41" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto41.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Como de praxe, escudado por uma parede de amplificadores Marshall, J Mascis deliciava os presentes com grandes riffs e solos, enquanto Lou Barlow cuidava do peso e dos momentos mais dinâmicos da apresentação, que teve um bate cabeça old school (daqueles de pedir desculpa depois de uma cotovelada sem querer) e a participação especial de Pink Eyes, vocalista do Fucked Up. Isso para não falar nas lágrimas, velhas companheiras, a cair quando o Dinosaur Jr mostrou em palco uma das maiores releituras da história do rock: “Just Like Heaven”. Amor define, só amor.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NWss9F2UWRc" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/NWss9F2UWRc"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Mal deu tempo de processar o show do Dinosaur Jr, porque logo depois, às 21h30, o The Sea And Cake se apresentava no palco ATP. Entre o pop, o rock, uma ou outra sofisticação que remete ao jazz e uma boa pitada de soul de branco, o grupo de Chicago fez um bonito trabalho na cidade portuguesa, com destaque para o vocalista/guitarrista Sam Prekop. Belo jeito de encerrar a parte diurna do Optimus Primavera Sound, com um céu em belo dégradé, que casava com as canções aconchegantes da banda.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18412" title="porto51" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto51.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/explosions-in-the-sky-em-sp-e-no-rio/" target="_blank">Recém-chegados do Rio de Janeiro</a>, o Explosions in the Sky foi amostra viva de que as guitarras estão longe de morrer na música de hoje. É de se admirar boquiaberto a interação entre Munaf Rayani, Michael James e Mark Smith, três empolgadíssimos guitarristas que sabem o que estão fazendo no palco e, desde o início, convidam a plateia para sonhar junto consigo (literalmente, com sotaquinho e tudo, da mesma maneira que os shows recentes no Brasil). Não é uma tarefa difícil: foi só fechar os olhos e se deixar levar pela beleza de músicas como “Your Hand In Mine” e “The Only Moment We Were Alone”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18414" title="porto61" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto61.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">A ideia inicial a seguir era conferir se <a href="http://screamyell.com.br/site/2013/05/16/o-hype-e-a-estreia-do-savages/" target="_blank">o hype das Savages</a> era tudo isso mesmo, mas antes foi necessária uma pequena pausa para o descanso das pernas e o reabastecimento do estômago. Superlotando a tenda da Pitchfork, palco mais isolado dos quatro deste Optimus Primavera Sound, o grupo londrino empolgava os presentes, em um show cheio de energia, temperado pela força da baterista Fay Milton e pelo esperto jogo de luzes em p&amp;b. Em disco, as canções de “Silence Yourself” pouco agradaram este escritor, mas, apesar de uma meia dúzia de clichês (Siouxsie Sioux mandou um beijo), ao vivo a banda funciona bem demais, gerando a dúvida se não merecia estar trocando de lugar com o Liars, que simultaneamente se apresentava no palco Super Bock. Seja como for, as Savages merecem o selo “se passar na sua frente, vá ver”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18415" title="porto71" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto71.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de gravar um disco após ficar 22 anos longe dos estúdios, e pelo menos há uma década e meia sem encarar uma grande turnê, o My Bloody Valentine chegou ao Porto debaixo de fortes expectativas dos presentes. Kevin Shields e seus companheiros, porém, não são bobos para se deixar engolir por uma coisa boba como a expectativa, e resolveram afundá-la num mar de guitarras noisy, teclados e muito, mas muito ruído.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18416" title="porto81" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto81.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">É bom que fique claro que o ruído do MBV não é qualquer ruído. Em uma determinada passagem do show, Kevin Shields percebe um problema em um pedal, e demora alguns minutos na busca da correção. Na espera, alguém na plateia grita: “Use another fuzz, man!”. Shields ignora, e após encontrar o timbre correto, diz sutilmente “Technical issues”, para risos dos presentes, que se deliciaram com um repertório calcado no clássico “Loveless”, enquanto o recente “m b v” foi lembrado apenas de passagem (“New You”).</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/brjPiZvHygs" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/brjPiZvHygs"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Se Kevin Shields brilha com os pedais, Bilinda Butcher é só finesse durante o show inteiro – ainda que parte de sua graça se perca, propositadamente, com os vocais enterrados na equalização. A bem da verdade, no Porto, o My Bloody Valentine mostrou que, assim como a zoeira, também não tem limites. Duvida? O que você diria se uma banda te desafiasse com oito minutos de puro barulho (no melhor sentido do termo), executado em um volume ensurdecedor? Pois é.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18419" title="porto101" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto101.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Foi com os ouvidos zumbindo que o Scream &amp; Yell se despediu do Optimus Primavera Sound, um festival falado em português, mas sem grandes filas ou preços abusivos (o passe geral para os três dias de evento custava entre 100 e 125 euros; o bilhete diário, 55 euros) e com um cuidado especial com o espectador.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18458" title="primavera" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/primavera.jpg" alt="" width="605" height="400" /></p>
<p style="text-align: justify;">Se a intenção de mostrar novos nomes apareceu menos do que o esperado, a componente revivalista do evento funcionou de maneira espetacular, com grandes shows de Blur, Nick Cave, Breeders e My Bloody Valentine. E ano que vem tem mais: para 2014, vale a pena ir juntando as moedinhas, porque o Primavera Porto (assim como seu irmão mais velho, de Barcelona), já anunciou o Neutral Milk Hotel como headliner. Promessa de fortes emoções.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18420" title="porto111" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/06/porto111.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p><span style="text-align: justify;">- Bruno Capelas (</span><a style="text-align: justify;" href="https://twitter.com/#%21/noacapelas" target="_blank">@noacapelas</a><span style="text-align: justify;">) é jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog </span><a style="text-align: justify;" href="http://pergunteaopop.blogspot.com.br/" target="_blank">Pergunte ao Pop</a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- &#8220;Queremos ser um bom festival médio&#8221;, diz diretor do Optimus Primavera Sound Porto (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/05/17/entrevista-jose-barreiro-do-primavera-porto/">aqui</a>)<br />
- Diretor do Primavera Sound Barcelona, Alberto Guijarro conversa com o Scream &amp; Yell (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/29/entrevista-alberto-guijarro-primavera-sound/">aqui</a>)<br />
- Diretor do Primavera Sound Barcelona, Alberto Guijarro conversa com o Scream &amp; Yell (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/02/29/entrevista-alberto-guijarro-primavera-sound/">aqui</a>)<br />
- Primavera Sound 2010: o que de melhor aconteceu no festival, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/tag/primavera2010" target="_blank">aqui</a>)<br />
- Primavera Sound 2011: o que de melhor aconteceu no festival, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/tag/primavera2011" target="_blank">aqui</a>)<br />
- Primavera Sound 2012: o que de melhor aconteceu no festival, por Marcelo Costa (<a href="http://screamyell.com.br/blog/tag/primavera2012" target="_blank">aqui</a>)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/optimus-primavera-sound-2013-porto/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Biquini Cavadão</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/entrevista-biquini-cavadao-2/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/entrevista-biquini-cavadao-2/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 May 2013 13:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://screamyell.com.br/site/?p=18323</guid>
		<description><![CDATA[<b>por Rodrigo Guidi</b>
Bruno Gouveia: "A gente se orgulha muito de conseguir, mais do que se prender a um estilo, se prender a uma assinatura"]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18324" title="biquini" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/biquini.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://twitter.com/rodrigoguidi" target="_blank">Rodrigo Guidi</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeira banda brasileira a ter um endereço de email, em 1995, o Biquini Cavadão apresenta seu novo trabalho e com ele outra inovação. Além do CD, os fãs dos cariocas podem ouvir as 12 faixas de “Roda Gigante” no iTunes ou em um pendrive, que irá possibilitar o cadastro no site oficial para receber atualizações, novas versões e videoclipes do disco.</p>
<p style="text-align: justify;">O novo trabalho teve origem depois que o grupo, em 2009, decidiu lançar músicas pela internet, uma por ano, em vez de discos. Da parceria com Lucas Silveira, da Fresno, surgiu “Acordar pra Sempre com Você”. Outras duas faixas chegaram na sequência. Clássico de Rita Lee, “Agora é Moda” foi regravada em 2010 com a participação de Rogério Flausino, do Jota Quest, e fez parte da novela “TiTiTi”. Em 2011, foi a vez de “É Dia de Comemorar”, tema do programa “Expresso do Esporte”, do canal SporTV.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a ideia de transformar essas músicas em um novo disco, o Biquini entrou no estúdio em junho do ano passado. “Roda Gigante” chega ao mercado depois que o grupo assinou com a Warner, prometendo uma forma revolucionária de se ouvir música. O guitarrista Carlos Coelho e o vocalista e líder da banda Bruno Gouveia falaram ao PLUG, parceiro do Scream &amp; Yell, sobre o novo trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/QerIrQkEM1E" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/QerIrQkEM1E"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês têm uma marca de pioneirismo com relação à internet, tecnologia. Isso começou em 1995. Essa opção pelo formato de pendrive no “Roda Gigante” foi algo natural?</strong><br />
Carlos Coelho – Essa questão do pioneirismo é uma marca nossa mesmo. Fomos a primeira banda a ter e-mail, site. A primeira a gravar imagens de um show. O Bruno cuida diretamente disso e gosta muito de tecnologia. Foi algo natural. A gente gosta de botar a mão em tudo o que é feito. Esse pendrive é algo muito legal, porque, além de conter muito mais informações do que um CD, colocamos todo o conteúdo do “Roda Gigante”, uma coletânea de 14 sucessos da banda e mais três videoclipes. A pessoa pode ouvir no rádio do carro, na TV ou no computador. E no computador pode se cadastrar e passa a receber gratuitamente atualizações em relação ao disco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esse apego à tecnologia, essa forma nova de divulgar o trabalho de vocês tem fidelizado um público novo. Você acredita que isso possibilita uma renovação de fãs do Biquini?</strong><br />
Carlos Coelho – Com certeza ajuda muito, porque essa garotada está muito ligada à internet, tecnologia. Mas isso tudo foi algo muito natural, porque somos muito ligados nessa coisa de tecnologia. Procuramos sempre inovar, trazer informações novas para nossas músicas e maneiras de se comunicar com todo mundo. É muito importante uma banda de 30 anos renovar o público.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a escolha do repertório do “Roda Gigante”? Porque a gente percebe o DNA do Biquini em cada faixa do disco.</strong><br />
Carlos Coelho – É natural que nossa impressão digital esteja ali. São músicas que viemos lançando desde 2009, quando apresentamos “Acordar pra Sempre com Você”, em parceria com o Lucas Silveira, da Fresno. Em 2010, participamos da novela “TiTiTi” da Globo, com a música “Agora é Moda”, na qual tivemos a participação do Rogério Flausino. Em 2011, lançamos “É Dia de Comemorar”, tema do programa “Expresso do Esporte”, do SporTV. Antes dele existir como “Roda Gigante”, a gente já veio lançando as músicas, até que concluímos o disco todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Bruno Gouveia – A gente se orgulha muito de conseguir, mais do que se prender a um estilo, se prender a uma assinatura. E a banda tem uma assinatura. Todas as músicas do novo disco têm essa impressão digital, e a gente espera que não seja uma impressão com cheiro de naftalina (risos). A gente consegue fazer um bom equilíbrio disso. Já ouvi elogios de fãs dizendo que o Biquini consegue um elo entre gerações, sem soar algo do passado ou radicalmente moderno, e isso junta pais e filhos para ouvir nossa música. Isso é legal porque não fazemos propositalmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como está a divulgação do novo álbum?</strong><br />
Bruno Gouveia – A gente está lançando o disco pela Warner, mas hoje em dia os artistas têm que cuidar pessoalmente de como serão trabalhados seus lançamentos. O disco já está no iTunes e terá uma versão gigante, que vai se chamar “Roda Gigante De Luxe”, que terá, além das 12 faixas do CD, mais quatro versões acústicas, 12 demos, com arranjos e formatos diferentes, coisas que fizemos um ano antes da gravação. A gente está bastante envolvido na divulgação e toma conta de todos os detalhes, pois gostamos bastante disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a escolha de “Entre Beijos e Mais Beijos” para o videoclipe?</strong><br />
Bruno Gouveia – Essa música sempre se destacou, desde que começamos a fazer as primeiras músicas. Para quem eu sempre mostrei, as pessoas curtiram. Por isso optamos por ela. Aí fizemos uma segunda versão com beijos enviados por fãs de todo o Brasil, e beijos de tudo quanto é tipo, desde o beijo em uma barriga de uma mulher grávida até uma lambida de cachorro, e ficou muito tocante, muito bonito. Ficou algo muito viral. Nos shows, a gente percebe o envolvimento das pessoas, teve um resultado muito positivo. O disco está sendo muito bem recebido pelo público.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ESh2yZ06VBo" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/ESh2yZ06VBo"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">******<br />
Rodrigo Guidi (<a href="https://twitter.com/rodrigoguidi" target="_blank">@rodrigoguidi</a>) é jornalista do caderno Plug, do jornal <a href="http://www.gazetadelimeira.com.br/" target="_blank">Gazeta de Limeira</a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Marcos Paulino entrevista o Biquini Cavadão em 2009. Leia <a href="http://screamyell.com.br/site/2009/04/19/entrevista-biquini-cavadao/">aqui</a><br />
- Marcelo Costa entrevista Bruno Gouveia, do Biquini Cavadão, em 2001. Leia <a href="http://www.screamyell.com.br/musica/biquinicavadao.html">aqui</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Random Access Memories, Daft Punk</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/random-acess-memories-daft-pun/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 May 2013 13:01:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Márcio Padrão</b>
Novo álbum marca uma guinada no estilo da dupla de robôs que tentou chegar ao “Thriller” do início deste milênio. Conseguiu? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18319" title="random1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/random1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por <a href="https://twitter.com/mpadrao" target="_blank">Márcio Padrão</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Goste ou não do Daft Punk, o fato é que a dupla francesa é um dos raros exemplos atuais de artistas que se equilibram com habilidade entre a independência criativa do cenário indie e a vontade do mainstream de criar um discurso universal, sem se afundar nos vícios desses dois ambientes. Ao revigorar a música eletrônica e levá-la para fora dos nichos novamente, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo construíram uma sólida base de fãs desde o primeiro disco, “Homework” (1997) e angariaram muitos outros pelo caminho. Graças a eles, nem os oito anos entre “Human After All” (2005) e “Random Access Memories” (2013) foram capazes de deixar o grupo no ostracismo.</p>
<p style="text-align: justify;">É bem verdade que nestes mesmos oito anos eles nunca saíram totalmente do radar, pois afiaram dois de seus maiores talentos extramusicais: a onipresença e a autopromoção. Aqui e ali apareceram em comercial de TV, game, trilha sonora + filme “Tron: o Legado” e por aí foi, preparando na surdina o seu quarto e mais ambicioso álbum. A poderosa e eficiente campanha publicitária – que se confiava na força do single “Get Lucky” e da reputação dos colaboradores da faixa, Pharrell Williams e Nile Rodgers – já esboçava isso, mas na primeira audição o plano fica evidente: o Daft Punk tentou aqui chegar ao “Thriller” do início deste milênio.</p>
<p style="text-align: justify;">O estranhamento inicial pode ter resultado em desapontamento para muita gente porque “Random Access Memories” marca uma guinada no estilo da dupla, que começou revitalizando o house em “Homework”, chegou ao neo-disco em “Discovery” e dividiu a crítica e os fãs com o mal-compreendido “Human After All”, que trouxe o peso do rock e o groove do funk para um arriscado revival do techno. Em “Random Access Mem” a dupla parece ter encontrado a “batida perfeita” que tanto procurava, dando a entender que os robôs concluíram sua crise existencial. Tal batida não parecia estar nos sintetizadores que lhe trouxeram fama, mas sim no ser humano, essa raça que teoricamente está cada vez mais ultrapassada.</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Random Access Memories” o Daft Punk soa humano como nunca soou antes, com sonoridade “de banda”, orgânica, em uma caprichadíssima combinação de produção, arranjos e reunião de talentos individuais poucas vezes vistas desde o clássico marco de Michael Jackson. Porém, muita gente esperava encontrar mais “Get Luckys” no disco, isto é, mais hits instantâneos para a pista de dança, e nisso o novo disco da dupla sai perdendo em comparação com o “Thriller”. Mas não é o caso de desistir do álbum, pois aqui há uma combinação de estilos e referências – pop oitentista, indie rock, soft rock, synthpop, rock progressivo, R&amp;B e o house de sempre – que geram uma infinidade de climas e texturas que se revelam mais atraentes a cada nova ouvida. Esqueça o hype e foque-se na música; você perceberá que estamos diante de uma obra que se não vai suplantar “Thriller” (alguém irá um dia?), mantém-se firme no páreo de melhores discos de 2013.</p>
<p style="text-align: justify;">“Give Life Back to Music”, a primeira faixa, tem uma levada suave e chique que mesmo com a sonoridade de banda, deixa claro que é um disco do Daft Punk pelo uso do vocoder, uma das marcas registradas deles desde sempre. O vocoder continua em “The Game of Love”, que parece ter saído de um disco de Sade, com uma pegada Antena 1 no talo, servindo como ponte para uma das melhores faixas, “Giorgio by Moroder”, com Giorgio Moroder em pessoa falando na introdução em como surgiu seu interesse por música, para depois entrar o kraftwerkiano-moroderiano riff principal, que vai evoluindo bonito ao longo de seus nove minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">“Within” é outra peça melódica oitentista cool com a participação do pianista Chilly Gonzales, que baixa a bola para depois “Instant Crush” subi-la novamente, com Julian Casablancas à frente do vocal, em uma música que caminha bem no limite entre o som dos Strokes e os sintetizadores. “Lose Yourself to Dance” é uma irmã mais nova de “Get Lucky”, com os mesmos Pharrell e Nile Rodgers conduzindo a canção com o refrão-título ganchudo e palminhas boas pra momentos ao vivo. Paul Williams é o colaborador da vez em “Touch”, com intro prog que depois traz Williams cantando empostadamente em um arranjo disco que depois desliza devagarinho de novo pro progressivo.</p>
<p style="text-align: justify;">“Get Lucky” chega em uma versão mais longa que seu single para as rádios; a qualidade da música é inegável, mas sua versão para álbum perde um pouco em cadência, como um filme que poderia ter acabado na penúltima ou antepenúltima cena. Paul Williams volta em “Beyond”, uma das faixas menos interessantes de “RAM”, com ideias já bem executadas nas músicas anteriores. A instrumental “Motherboard” é uma das que lembra de leve o Daft Punk da “velha guarda”, norteada por uma sequência melódica no sintetizador que vai puxando outras camadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua reta final, o disco ainda traz as participações de Todd Edwards em “Fragments of Time”, que lembra um pouco Phoenix; e de Panda Bear, que em “Doin’ it Right” volta com o vocoder da dupla à frente, mas ladeado pelo vocal do integrante do Animal Collective. A grande surpresa vem na última canção: “Contact” meio que nega o conceito do disco, deixando as participações e os arranjos humanos de lado e trazendo o Daft Punk desta vez em um pequeno revival de si próprio, com um refrão melódico constante, “videogamístico”, que sugere que as novidades de “Random Access Memories” talvez não sejam definitivas no estilo de Bangalter e Homem-Christo. Os robôs ali se despedem com um “we’ll be back” e mostram que a jornada deles pela história do pop está longe de acabar.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18320" title="random2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/random2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">- <span>Márcio Padrão (siga </span><a href="http://twitter.com/mpadrao" target="_blank">@mpadrao</a><span>) é jornalista e assina o blog </span><a href="http://quadrisonico.wordpress.com/" target="_blank">Quadrisônico</a></p>
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		<title>Explosions In The Sky em SP e no Rio</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/31/explosions-in-the-sky-em-sp-e-no-rio/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 May 2013 12:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Leo Vinhas e Jorge Wagner</b>
O que perdura não são “refrões” emocionais e saraivadas guitarreiras, mas sim apreciar uma música de rara beleza]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18309" title="eis1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/eis1.jpg" alt="" width="605" height="404" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Explosions In The Sky - Comedoria do SESC Belenzinho – 22/05/2013<br />
Por <a href="https://twitter.com/leovinhas" target="_blank">Leonardo Vinhas</a></strong><br />
<strong>Fotos <a href="http://ihateflash.net/" target="_blank">I Hate Flash</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu era professor (vai tempo aí), assisti a uma aula especial do filósofo Mario Sergio Cortella na PUC. Era 2003, e ele já falava do senso de inadequação que temos com o ritmo das mudanças no mundo atual. &#8220;Ora&#8221;, ele dizia, &#8220;as pessoas ficam falando que o mundo está mudando. Mas ele sempre mudou! O que é diferente hoje é a velocidade desta mudança&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa lembrança me veio à cabeça quando o trem da Linha 3 – Vermelha do Metrô cortava velozmente as vias feias daquele confuso entroncamento da Zona Leste paulistana, logo após presenciar o Explosions In The Sky tocar no SESC Belenzinho. Especificamente porque, num primeiro momento, a fórmula da banda de explorar silêncios e longas pausas melódicas (ou melodias pontuadas por acordes esparsos) para depois explodir em catarse instrumental me parecera não funcionar tão bem ao vivo – como se os silêncios não fossem cômodos, como se fosse difícil manter a concentração naqueles momentos em que nada se faz escutar, mas algo se diz.</p>
<p style="text-align: justify;">Havia sido um dia intenso: comunicar uma notícia dolorosa a pessoas queridas, ler inadvertidamente o trecho mais violento do “Desonra” (J. M. Coetzee), redigir cartas que deveriam anunciar o fim de um ciclo de uma vida – e receber o carinho das pessoas que foram destinatárias de tal notícia. Muitos estímulos, e poderiam ter passado batido, conformando um dia como todos os outros, não fosse o Explosions In The Sky lembrar aos 600 presentes que lotaram a Comedoria do SESC Belenzinho que precisamos de tempo. Tempo para ouvir, para ver, e, sobretudo, para sentir.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o guitarrista Munaf Ravani começou o show, anunciou, em bom português, que era um sonho estar tocando no Brasil, e nos convidou a fechar os olhos e sonhar junto com a banda. Seguiu-se “The Only Moment We Were Alone” e o transe poderia ser fácil – salvo raras exceções, o público estava muito mais respeitoso do que aquilo que estamos tristemente acostumados a ver. O som vai se desenrolando, praticamente sem intervalo entre uma faixa e outra, e observa-se muito nitidamente a influência do Mogwai na banda. E observa-se, principalmente, o incômodo do silêncio. Como parece ser difícil, em meio a tanto para-e-explode, manter a concentração nos momentos tranquilos. É como se a catarse nos acostumasse mal, e nem bem uma termina, já queremos a próxima.</p>
<p style="text-align: justify;">Será esse nosso problema? Somos vorazes em nossa velocidade, queremos prazer imediato e nem saber o que foi tal prazer. Poste-se no Facebook, conte-se numa situação onde se possa fazer inveja, e siga para o próximo &#8220;momento marcante&#8221;. E não tenha intervalos, o silêncio é igual à morte. Assim o mundo parece ter ficado.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Postcard from 1952&#8243;, do disco mais recente, “Take Care, Take Care,Take Care”, vem para matar qualquer possibilidade de reflexão com sua capacidade de arrebatamento. A entrega é difícil, mas a música é forte, e a banda, esta sim, se abandona, dá tudo de si, física e emocionalmente no palco. O baterista Chris Hrasky perde umas batidas apenas nesse momento, mas tem menos a ver com desatenção do que com empolgação.</p>
<p style="text-align: justify;">Intenso, sim. E voltam os silêncios. Você sai para uma cerveja, observa a nuca de uma garota bonita, lembra de relance de uma das muitas pauladas acusadas no dia. À espera de uma nova explosão, começa a achar o show meio lento demais e não se dá conta de que é preciso parar.</p>
<p style="text-align: justify;">O medo de perder o show de Brendan Benson no Cine Jóia força minha saída prematura. Tendo começado com meia hora de atraso, imagino que perco, portanto, a meia hora final do show do EITS – na verdade, descobriria depois que perdi uma única música, “The Moon Is Over”. Penso que já ouvi todos os golpeios pesados de distorção, todos os timbres delicados, que já vi Munaf e Mark Smith ajoelhados, mexendo freneticamente nas pedaleiras ou mesmo desempenhando golpes em seus instrumentos, que já vi o headbanging do baixista Carlos Torres. Penso que já vi e ouvi o que tinha que ver e ouvir, e sigo para a próxima coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;no caminho para o Cine Joia, o que perdura não são os &#8220;refrões&#8221; emocionais, não são as saraivadas guitarreiras, não é a postura de palco vigorosa da banda. Tudo isso foi belo e marcante, mas perdura, de fato, a vontade de se deter um pouco, sentir esse privilégio que foi dado, que é apreciar essa música de rara beleza. Perdura a certeza de que os últimos dias foram intensos demais, e não faria mal ouvir o silêncio para que lições sejam aprendidas e sentimentos sejam liberados. Perdura, por fim, a sensação de que parar é preciso, e que ficar quieto é essencial para que haja música.</p>
<p style="text-align: justify;">O Explosions In The Sky transformou essa necessidade por silêncio em arte. E ao vivo, a experiência é quase espiritual.  O mundo está rápido. Mas o céu explode devagar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18310" title="eis2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/eis2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Explosions In The Sky – Circo Voador – 26/05/2013<br />
Por <a href="https://twitter.com/jotadablio" target="_blank">Jorge Wagner</a></strong><br />
<strong>Fotos <a href="http://ihateflash.net/" target="_blank">I Hate Flash</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em outubro do ano passado, a banda fluminense Amplexos lançou o disco &#8220;A Música da Alma&#8221;. Sob forte influência do contato com o guitarrista Oghene Kologbo, a premissa do álbum era, como o próprio nome indicava, explorar a espiritualidade através do som, sem que houvesse, contudo, a necessidade de letras diretamente associadas ao âmbito religioso – embora sempre amarradas a algum viés filosófico. Apesar de tratar-se de bandas sonoramente tão díspares, foi essa expressão, &#8220;A Música da Alma&#8221;, a que mais me voltava à memória durante a apresentação do Explosions in the Sky no Circo Voador no último domingo de maio.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrada do grupo texano no palco com apenas 15 minutos de atraso surpreendeu o público que, acostumado com a pouca pontualidade da casa de show carioca, chegava ainda timidamente, saudado por um Munaf Ravani de voz baixa e português ensaiado: “Feche os olhos e vamos sonhar juntos. (&#8230;) Nós somos Explosões no Céu.”</p>
<p style="text-align: justify;">Usados por fãs no dia a dia como trilha sonora para atividades rotineiras (que vão de lavar a louça e aparar a grama até fazer amor, como contou o grupo em uma recente entrevista à Rolling Stone Brasil), os números instrumentais da banda – que se distingue de Mogwai, Sigur Rós e outros nomes do post-rock justamente pela ausência absoluta de passagens vocais – ganham outra dimensão no palco, exigindo dos presentes que mergulhem na ideia de uma música feita para a imaginação. Não importa o quão sóbrio você esteja: é preciso viajar. Semelhante a qualquer experiência que flerte com espiritual – seja acompanhar uma missa em latim, vibrar com tambores africanos ou compartilhar um chá – é preciso desprender as amarras da racionalidade e se permitir ao mergulho em si e ao transe coletivo. E é isso o que se vê ao longo da apresentação, muito mais próxima de um culto do que de um show em si.</p>
<p style="text-align: justify;">A sincronia de movimento de cabeças e corpos que seguiam, como que regidos por um maestro invisível, as belas melodias de guitarras sobrepostas pelas explosões sonoras da fórmula – sempre muito identificável, muito previsível e, ainda assim, bem sucedida – de músicas como “The Only Moment We Were Alone”, “Postcard From 1952”, “The Birth and Death of the Day” e “Your Hand In Mine” desenhava o caráter catártico da apresentação. E se certas cerimônias só fazem sentido para aqueles que comungam da mesma fé, as expressões faciais recorrentes, os olhares quase que hipnotizados e o silêncio respeitoso e incomum que imperava – interrompido, poucas vezes, por palmas e aplausos ocasionais – não deixavam dúvidas sobre o quanto o Circo Voador, durante quase uma hora e meia, esteve parecido com um templo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há alguns meses, na abertura de um trabalho acadêmico, citei uma frase de Adélia Prado sobre todo artista ser, querendo ou não, religioso em sua obra, “porque a obra que ele faz remete ao Absoluto, a algo maior”. Apesar de usada para embasar outro contexto (que levava em conta uma série de fatores), essa, tanto quanto “A Música da Alma”, foi outra ideia que me voltou à pauta. Afinal, se as religiões prezam pela elevação do espírito, Explosions in the Sky é religiosa até onde uma banda puramente instrumental consegue ser.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18311" title="eis5" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/eis5.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18312" title="eis4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/eis4.jpg" alt="" width="605" height="404" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18313" title="eis3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/eis3.jpg" alt="" width="605" height="404" /></p>
<p><span>- </span><span>Leonardo Vinhas (<a href="https://twitter.com/#%21/leovinhas" target="_blank">@leovinhas</a>) assina a seção Conexão Latina (</span><a href="http://screamyell.com.br/site/tag/conexao_latina/">aqui</a><span>) no Scream &amp; Yell.<br />
- Jorge Wagner (siga </span><a href="http://twitter.com/jotadablio" target="_blank">@jotablio</a><span>) é jornalista e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2006</span></p>
<p><strong>Leia também:</strong> Três perguntas para o Explosions In The Sky, por Leonardo Vinhas (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/05/03/tres-perguntas-explosions-in-the-sky/">aqui</a>)</p>
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		<item>
		<title>Un Saludo para El Comandante</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/27/un-saludo-para-el-comandante/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 May 2013 21:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>Viagens do Vlad #2</b>
Valparaíso. Meia-noite. Cortando a cidade de cima abaixo, a Calle Cummings é uma espécie de centro boêmio do lugar. É nela...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-19426" title="salduo" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/salduo.jpg" alt="" width="605" height="454" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Viagens do Vlad #2<br />
Un Saludo para El Comandante<br />
Texto e fotos por Vladimir Cunha</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Valparaíso. Meia-noite. Cortando a cidade de cima abaixo, a Calle Cummings é uma espécie de centro nervoso e boêmio do lugar. É nela que estão concentrados os melhores bares de Valpo, como é chamada pela rapaziada local. De todos eles, o mais interessante é El Gato En La Ventana. Mistura de boteco com casa de shows, ele abre a noite toda. A qualquer hora que você aparecer por lá, vai ter sempre cerveja gelada, vinho bom e música de qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O bar é despojado. Cadeiras de plástico, bandeirinhas do Chile enfileiradas de uma parede a outra, uma pintura do Condorito (uma espécie de Zé Carioca latino-americano) no fundo do palco, balcão de madeira rústica e uma freqüência diversificada.</p>
<p style="text-align: justify;">Como em quase todos os bares do Chile, aqui é permitido fumar. Acendo um cigarro, peço uma cerveja e espero a banda da casa começar o show. Os músicos sobem ao palco e mandam uma seqüência de rumba, salsa, cumbia e merengue. Uma atrás do outra, sem anúncio, sem falação. Aos poucos, os casais vão se formando. E a coisa vai esquentando enquanto eles passam de um ritmo a outro, com batidas e linhas de baixo cada vez mais quentes. A banda mantém o pulso e costura todas as conexões possíveis entre o Pacífico Sul e o Caribe. Do Chile à Colômbia, passando pela Martinica, Guianas, Dominicana e Cuba.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tZ78ctFeFHQ" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/tZ78ctFeFHQ"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Cuba. O último porto, a última parada. E onde o grupo de quatro músicos supera minhas expectativas e deixa de fazer música para fazer um pouco de mágica.</p>
<p style="text-align: justify;">“Hasta Siempre Comandante Che Guevara”, do cubano Carlos Puebla, pega a todos de surpresa. Um bolero lento. Um canto exaltado, composto no auge da Guerra Fria e no calor da Revolução Cubana. A tradução musical e poética da célebre foto de Alberto Korda. Um daqueles casos nos quais o mito se tornou maior que os fatos e a História. E, por isso mesmo, impermeável a qualquer confronto ideológico ou dialético.</p>
<p style="text-align: justify;">A música belisca a todos no nervo certo. Difícil não se emocionar ou sentir uma alegria inesperada com o clima de festa e celebração. De repente todos no bar começam a cantar, animados com a repentina homenagem ao Comandante. Por todo El Gato, as pessoas se cumprimentam, se abraçam e brindam.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos amigos, à vida e a uma Revolução que ninguém sabe se um dia virá.</p>
<p style="text-align: justify;">O show prossegue por mais uma hora e meia com mais rumba, salsa, cumbia e merengue. Bem de acordo com o clima portuário e decadente de Valparaíso. Enquanto desço a Calle Cummings, fumando o último cigarro, açoitado pelo vento gelado do Pacífico, não consigo tirar da cabeça o momento em que Comandante Che Guevara fez com que as pessoas do bar entrassem em um espírito de comunhão difícil de ver por aí</p>
<p style="text-align: justify;">O momento em que, por alguns minutos, ela foi a canção mais importante do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/po09lcDxXIA" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/po09lcDxXIA"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">- Vladimir Cunha é jornalista e assina o blog <a href="http://tudojoia.blog.com/">Tudo Jóia</a>,  um compêndio de cultura pop, gastronomia e vagabundagem disfarçada de  cool hunting. Vlad também é um dos diretores do documentário <a href="http://www.greenvision.com.br/2009/brega-sa/" target="_blank">“Brega S/A”</a> e escreverá sobre viagens e comida no Scream &amp; Yell.</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- Viagens do Vlad #1: O Sabor do Peixe, em Tânger, Marrocos (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/05/09/no-prato-do-vlad-o-sabor-do-peixe/">aqui</a>)</p>
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		<title>A nova cena portuguesa: O Martim</title>
		<link>http://screamyell.com.br/site/2013/05/27/a-nova-cena-portuguesa-o-martim/</link>
		<comments>http://screamyell.com.br/site/2013/05/27/a-nova-cena-portuguesa-o-martim/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 May 2013 08:40:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mac</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>

		<category><![CDATA[portugal]]></category>

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		<description><![CDATA[<b>por Bruno Capelas</b>
“Pop de rua, com um cheiro a roque e vodka de limão”. Conheça o trabalho deste músico lisboeta que sonha em gravar no Brasil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-19410" title="martim1" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/martim1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>por </strong><strong><strong><a href="https://twitter.com/noacapelas" target="_blank">Bruno Capelas</a></strong>, de Portugal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“Pop de rua, com um cheiro a roque e vodka de limão”. Parece uma mistura convidativa, não? Pois essa é a receita que a banda portuguesa O Martim fornece para os curiosos e intrigados com suas canções em seu site.</p>
<p style="text-align: justify;">Criação do músico Martim Torres, um baixista que tocou jazz na adolescência, acompanhou B. Fachada em alguns de seus discos e resolveu agora ocupar um lugar à frente do palco, o projeto chegou ao formato álbum no começo de 2013 com “Em Banho Maria”, um retrato da vida jovem lisboeta. Estão lá, de modo bastante descontraído, as noites de bebedeira (“Cais do Sodré”) e os dias de ressaca (“Domingo de Manhã”), sempre narradas por personagens boêmios, apaixonados e um tanto quanto azarados.</p>
<p style="text-align: justify;">“É um disco que tem como temática principal a derrota, e também o querer fazer as pazes com ela, quase como gozar da frustração”, disserta Martim em um papo animado com o Scream &amp; Yell. Editado de maneira independente pela gravadora portuguesa Azáfama, “Em Banho Maria” foi gravado quase todo pelo músico, à exceção das baterias, e já estava pronto em meados de 2012, mas demorou a ver a luz do dia. O cantor explica: “Durante algum tempo estive em conversas com uma major, mas eles queriam limpar o meu som. Não aceitei, porque ele é assim meio sujinho, de rua mesmo (risos)”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o artista, “a música portuguesa vive uma onda boa, e tive sorte de apanhá-la em seu apogeu e levar um grande empurrão com isso. Temos boas editoras, e o povo está atento ao que estamos fazendo”. Portanto, nada de folga. Para os próximos meses, Martim revela que irá lançar um EP de verão, com quatro ou cinco músicas. “A temática já é um bocado menos derrotista, e agora terei uma banda e sopros a me acompanhar”, diz ele, que já pensa também no sucessor de “Em Banho Maria”, planejado para ser gravado do outro lado do Atlântico.</p>
<p style="text-align: justify;">“Seria um sonho gravar no Brasil”, comenta Torres, que afirma ter Caetano Veloso e Chico Buarque como fontes de inspiração, além de ter como banda favorita os Los Hermanos. “Em todos os meus shows grandes faço uma versão de uma música do Camelo ou do Amarante, e toda a discografia deles tem um significado importantíssimo na minha vida”, comenta o artista, recém-tornado fã de Cícero e Wado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na conversa a seguir, o lisboeta fala mais sobre a paixão pelo Brasil, a internet, a intransponibilidade da música portuguesa para a antiga colônia e conta mais histórias de Lisboa. Com a palavra, O Martim.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/jMl3wDWIaFU" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/jMl3wDWIaFU"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antes de tudo, vamos lá: quem é Martim Torres e como ele se transformou em O Martim?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Martim Torres é um rapaz lisboeta que estuda música já há alguns anos, e que sempre quis fazer música em seu próprio nome, mas não sabia bem como. Estudei jazz durante muitos anos, então achei que ia fazer algo instrumental nessa área, mas recentemente descobri o mundo das canções. Através de nomes como o B Fachada e Tiago Guillul, fiquei maravilhado com o cancioneiro português, o cancioneiro rock, e percebi que o meu caminho era esse. Para o projeto não ter o meu nome todo, escolhi ficar só com o primeiro, e para ninguém se enganar, escolhi ser O Martim, um rapaz que lançou já um EP e agora tem o “Em Banho Maria”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No teu primeiro EP, as canções eram recheadas de arranjos eletrônicos, mas essa opção parece ter sido abandonada no teu álbum, em prol de uma sonoridade mais orgânica. Foi proposital essa escolha?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi algo que foi acontecendo naturalmente. Quando comecei a fazer música, eu era muito fechado em casa, e por ser um fã das caixas de efeitos, acabei por gostar muito de produzir a minha música. À exceção das baterias, que captei nas salas de ensaios, todo o disco foi gravado lá em casa, comigo tocando todos os instrumentos. A minha ideia no início era fazer uma coisa mais sozinho, mas depois fui percebendo que queria uma sonoridade mais orgânica, como tu disseste bem, e então escolhi convidar alguns amigos para me acompanhar, e esta se tornou a nossa banda, algo que começou a se desenvolver por si só.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que há de diferente em trabalhar nas canções sozinho em um quarto ou acompanhado de uma banda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei… estamos agora a falar do “Em Banho Maria”, mas este é um disco que para mim já aconteceu há muito tempo. Quando comecei a trabalhar com a banda, achei que queria que O Martim fosse não só um projeto meu, e as composições seguissem esse rumo, mas percebi ao longo desses meses que isso não é fácil. Os músicos com quem trabalho têm muitos projetos, e eles não podem se dar ao luxo de se dedicar tanto à minha música como eu, não é mesmo? Sendo assim, acabo eu mesmo trabalhando sozinho nas músicas, de maneira que há muito de mim nelas. Precisei passar pela banda para voltar às origens e perceber que só eu vou me meter nisso, mesmo que goste muito de tocar com a banda. Estamos preparando um disco agora para o verão, um EP com cinco faixas, e ele será com a banda, mas no próximo disco já estou a pensar outra vez em ir de volta às caixas de efeito e às mesas de sintetizadores.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-19412" title="martim2" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/martim2.jpg" alt="" width="605" height="403" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O teu disco está cheio de citações e referências, e eu gostaria que você falasse sobre algumas delas. A primeira é o Cais do Sodré, lugar de Lisboa que era a antiga zona portuária e hoje abriga bares, boates e também algumas “garotas bonitas” e dá nome a uma das tuas músicas…</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Cais do Sodré é um lugar importantíssimo para esse disco. Quando comecei a escrever essas canções, estava em uma fase meio esquisita na minha vida. Sou de Lisboa, mas vivia no Porto, onde fui estudar três anos, e lá eu estava numa relação, que depois se tornou uma relação à longa distância. Voltamos para cá, e eu vinha muito iludido, porque eu queria viver com esta pessoa e levar uma vida a dois e ela não queria, então se quebrou o meu coração, foi um choque muito grande (risos). Resultou que eu ia afogar as minhas mágoas regularmente no Cais do Sodré, e acabou por ser uma espécie de segunda casa para mim, e naturalmente, uma fonte de inspiração. Em uma das canções eu digo que “o Cais do Sodré é aonde o homem vai perder a fé”, porque quando vais para lá, ainda vais à procura de algo, ainda há uma esperança, mas depois perdes mesmo a fé. Afinal, estás no Cais do Sodré, que é uma coisa meio degradante, e percebes que não há saída nenhuma. Mas acabou por se tornar algo interessante na temática do disco, porque, apesar de degradante, é um ambiente sempre engraçado, e que rende sempre boas histórias. Hoje em dia tenho saído menos à noite, estou mais calmo, já fiz as pazes com estar sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A segunda é o “Honda Blues”, que fala sobre a paixão por um carro – outro símbolo jovem bastante comum na música pop. Que carro é esse?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Honda foi o meu primeiro carro, é o carro que ainda tenho hoje, e, coitado dele, porque já sofreu muito na minha mão. Não é que eu seja mau motorista, mas, não sei por que, nos acidentes que acontecem comigo, sempre sou eu o culpado. Com não sou propriamente rico e não consigo pagar bons consertos ao carro, tenho sempre uns consertos mais ou menos, que acabam por torná-lo uma coisa cheia de caráter (risos). Não creio que ele seja bonito, mas é um carro com muita personalidade. Gosto de acreditar que ele é como eu, tem lá algumas marcas e é vivido, e claro que tinha que ter uma canção tributo no meu disco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A segunda coisa sobre essa música é uma referência à canção “Zé”, do B Fachada, um dos músicos mais importantes da nova geração portuguesa. Qual a razão dessa citação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há vários motivos. O Fachada tem um papel fundamental em tudo isto [a música que faz O Martim] e continuará a ter. É um grande amigo e é uma referência como compositor e como músico. Pra já, foi o Fachada que deu o título a esta canção. Eu ia chamá-la “O Meu Honda”, mas ele é que disse: “Não, não, isso é um blues, pois deve ser o ‘Honda Blues’”. E quando pensei numa música sobre um carro, lembrei-me logo do Cadillac do Fachada, uma das primeiras obras dele, e achei uma referência engraçada, pois “nem o Cadillac do Fachada tem tanto estilo como o meu carro”.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2lXA7BzBkEA" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/2lXA7BzBkEA"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas como outra canção sua diz, “tu não és o B Fachada!”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Exatamente! Por sinal, a história dessa música [“Tu Não És o B Fachada”] foi precisamente passada no Cais do Sodré. É claro que ela é um tributo ao Bernardo, mas também tem uma história por trás dela. Não posso entrar em muitos pormenores, mas pois… Eu estava no Jamaica [uma discoteca de Lisboa] e engracei-me com uma miúda, e começamos a falar, e tal. No fim da noite, a coisa estava quase acontecendo, mas ela, às tantas, me diz “epa! Não, não pode ser, não pode ser”, e eu tentava entender o que é que se passava. Depois de muito custo ela me explica: “Pá, não sei, Martim, é que tu não és o B Fachada!”. Então eu fiquei sem perceber se a miúda achou que eu era a coisa mais próxima do B Fachada que ela conseguiria ter, ‘tás a ver?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aproveitando a deixa de mais uma música tua: se você não é um poeta, o que você é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei bem o que é que eu sou. Gosto de fazer essas canções e gosto de música, mas não posso pretender ser um poeta só porque agora escrevo música e letras que rimam, não é? Quando comecei a escrever, achava as coisas que eu fazia horríveis, pensava comigo: “não sei escrever, isso não é bonito”. Tentava escrever como os outros. Em uma conversa, o B Fachada me disse que eu tinha que escrever como eu mesmo: era preciso encontrar a minha linguagem, o meu dialeto, a minha maneira de falar. Só quando eu fizesse as pazes com isso eu faria música minha, entende? Acho que “Eu Também Não Sou Poeta” é uma maneira de eu sempre lembrar disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No show de lançamento do seu disco, em fevereiro, no Ritz Clube, você tocou “Lágrimas Sofridas”, dos Los Hermanos. A partir disso, quero saber como é que a música brasileira te influencia, se é que isso acontece?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ela me influencia demais! Los Hermanos é a minha banda preferida. Adoro o Rodrigo Amarante e o Marcelo Camelo, aliás, estive com o Camelo há alguns dias, porque ele está gravando em Lisboa o disco novo do Wado, que conheci há pouco tempo e é brutal! Toda a discografia dos Los Hermanos tem um significado importantíssimo em minha vida, sobretudo o primeiro disco deles. Quando saiu por aqui, eu estava em um relacionamento, e parecia que todas as músicas tinham sido escritas para mim, aquela sensação que a gente tem sempre, não é? Sempre que faço um concerto grande, com a banda, toco uma ou duas músicas dos Los Hermanos, e tenho a intenção de, num futuro próximo, fazer um show-tributo a eles aqui em Lisboa. Mas há mais: Chico Buarque, Caetano Veloso, não passo uma semana sem ouvir um disco deles. É essencial, diria que vou beber muito nessa fonte, porque é brutal. Vou te confessar que tenho planos de, em janeiro (de 2014), ir ao Brasil gravar o meu disco novo. Ainda é uma ideia embrionária, não tenho contatos lá, mas muitos amigos meus moram no Brasil, e sei que as coisas se arrumam. Por enquanto estou preocupado em estar fisicamente lá, porque depois tudo dará certo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-19416" title="martim3" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/martim3.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como a música brasileira chega em você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia com a Internet é muito fácil ter acesso à música que tu procuras. Descobri recentemente uma coisa incrível que é o Spotify, e através dele descubro coisas bem interessantes. Outro dia digitei “Marcelo Camelo” no programa, e através disso ele busca artistas parecidos, gente com quem eu me identifico muito agora, coisas do Brasil que eu não fazia ideia que estavam surgindo recentemente. Um do qual eu gostei muito é o Cícero. Li recentemente uma entrevista com ele na qual ele dizia que tem muita sorte de viver nesta época, porque é fácil fazer a música chegar a todo lado, e concordo com ele.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Isso é verdade, mas desde que cheguei a Lisboa, percebo que os portugueses ouvem muito mais música brasileira do que o contrário. Quando eu mando alguma coisa para meus amigos no Brasil, muitos deles estranham o sotaque português. Você tem alguma explicação pra isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei, acho que é porque é uma coisa que não acontece muito. Para nós, é mais natural, porque há gerações e gerações nós vemos as telenovelas brasileiras e crescemos ouvindo a língua brasileira, mas acho muito natural, sinto que faz parte. Não consigo explicar, se calhar é porque o Brasil é maior e tem maior quantidade de coisas a chegar aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acha que as tuas canções podem atingir o público brasileiro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei se podem, mas adoraria se pudessem! Um dos meus sonhos era ir tocar ao Brasil, fazer alguns shows por lá. Seria ótimo se as pessoas se identificassem com a minha música, óbvio!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma vez, o Caetano Veloso, quando perguntado sobre porque as bandas portuguesas não faziam sucesso no Brasil, sugeriu que era preciso que elas usassem um sotaque “no meio do Atlântico”. O que você acha disso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É interessante, mas há aqui uma perda de identidade: elas deixariam de ser as bandas portuguesas para passarem a ser as Bandas do Atlântico. Mas olha só: está aí um nome giro para uma banda. (risos). Banda do Atlântico! Há de ser um projeto paralelo que vou fazer agora (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/6WsnxC5eRSw" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="340" src="http://www.youtube.com/v/6WsnxC5eRSw"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A verdade é que a gente conhece muito pouco de vocês. Quando se fala em música portuguesa no Brasil, a maior parte das pessoas conhece apenas de nome a Amália Rodrigues, o Roberto Leal, o Madredeus, um pouco menos, e, quando se fala de rock, os Xutos e Pontapés.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há tanto mais, não é? Pois, o Roberto Leal (risos). É um bocado frustrante, é uma pena, mas estou confiante que isso deve mudar em breve. Acho que devia haver algum evento qualquer que nos levasse lá, para apresentar um pouco essa nova geração que está surgindo aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há como você sugerir dois ou três bons nomes portugueses de sempre, para os nossos leitores brasileiros, então?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Hmmm… Vou começar com os Ornatos Violeta, que estão tocando agora aqui de fundo [no bar aonde acontecia a entrevista tocava “Punk Moda Funk”, faixa de abertura do primeiro disco da banda], que são essenciais! Eles fizeram uma fusão boa de rock com canções, um bocado de funk e umas cenas experimentais. Não havia muito disso por aqui quando eles apareceram. Há bandas antigas muito boas, outro dia me lembrei dos Jafumega, que nem sabia que ainda existia e é uma banda muito fixe (bacana). Há coisas antigas como os Heróis do Mar, ou o Rui Veloso, um clássico, mais puxado para o blues, e tens o Sérgio Godinho, essa malta toda muito boa. São bons nomes!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vamos nós para uma pergunta hipotética, então: se você fosse gravar um cover no teu próximo disco, qual seria esse cover?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A escolha evidente seria o Los Hermanos, mas por que não uma canção de Chico Buarque. Ouvi agora há poucos dias uma coisa que me deixou com muitas ideias e me fez descobrir várias bandas brasileiras que foi o “Tributo a Los Hermanos”, da Musicoteca. Gosto muito de “Paquetá”, é uma que a gente toca muito. Sobre pressão, essa seria uma boa escolha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E quem você gostaria de ver fazendo uma versão sua, e de qual música?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ah, essa aí é mais difícil! (pensa muito). Essa é uma pergunta tramada, ê pá! Olha, gostava de ver algum artista brasileiro, não sei… seria um agrado enorme se o Cícero fizesse uma versão minha, qualquer uma, talvez do “Domingo de Manhã”. (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Última pergunta: qual é a pergunta que eu não te fiz e você gostaria que eu tivesse feito?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(Pensa um pouco). Não me perguntaste se eu precisava de dinheiro! (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-19418" title="martim4" src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2013/05/martim4.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span>- Bruno Capelas (</span><a href="https://twitter.com/#%21/noacapelas" target="_blank">@noacapelas</a><span>) é jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog </span><a href="http://pergunteaopop.blogspot.com.br/" target="_blank">Pergunte ao Pop</a>. Leia mais sobre bandas portuguesas no Scream &amp; Yell <a href="http://screamyell.com.br/site/tag/portugal">aqui</a>. As fotos que ilustram o texto são de Luís Macedo. <a href="http://pergunteaopop.blogspot.com.br/" target="_blank"></a></p>
<p><a href="http://pergunteaopop.blogspot.com.br/" target="_blank"> </a></p>
<p><a href="http://pergunteaopop.blogspot.com.br/" target="_blank"></a></p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
- B Fachada: “A música no Brasil está num estado muito diferente da portuguesa” (<a href="http://screamyell.com.br/site/2012/09/16/b-fachada-o-novo-disco-e-o-brasil/">aqui</a>)<br />
- Miguel Fúria: “Ambiciono crescer, tornar-me maior, ser conhecido por muitas pessoas” (<a href="http://screamyell.com.br/site/2013/03/07/entrevista-manuel-furia/">aqui</a>)</p>
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