Faixa a faixa: “Manuscrito Sobre Pedras”, de CH Malves

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por CH Malves

Carlos Henrique Malves, o CH Malves, é músico, produtor e baterista de Sergipe, com enorme experiência em diversas bandas do Nordeste brasileiro. Tocou na Orquestra Sinfônica de Sergipe, na banda instrumental psicodélica pernambucana Anjo Gabriel e na banda indie paraibana Glue Trip, entre outros. Aliás, foi na Paraíba onde desenvolveu ao máximo seu trabalho como músico, produtor e baterista, tendo fundado a banda instrumental Ubella Preta, tocado com a Jaguaribe Carne e feito parte do coletivo Artesanato Furioso e do Selo Fictício.

Atualmente, CH é professor no curso de arte e mídia em Campina Grande, e finalmente apresenta seu primeiro trabalho solo. “Manuscrito Sobre Pedras” remete ao desejo de talhar a pedra e encontrar ali suporte primordial para o desejo expressivo. O disco conta com quatro composições que progridem através de processos aditivos de camadas e sonoridades, contando uma história. “Fui juntando sons que tinha feito para uma performance ao vivo e processando. Sobrepus, acelerei, dilatei, distorci. Com essa estrutura fiz as quatro músicas que compõem o trabalho. O disco é curto, gosto da sensação de dilatar o tempo pela falta de pulso, o som acaba ficando maior”, explica CH.

Fruto de experiências com overdubs, técnica estendida, microfonação móvel e música eletroacústica, CH apresenta uma sonoridade que beira a saturação e esgarçamento a partir dos temas títulos de cada música. ““Manuscrito Sobre Pedras‘ nasceu do título”, explica o músico. “Pensei nele focando em performance e na etimologia da palavra interpretar, o final parece ‘petrar’ que lembra pedra, rochedo. Que caminha entre pedras. Essa ideia transmitia um certo sofrimento, dificuldade, superação, queria expurgar isso. Um manuscrito carrega também uma ideia artesanal que gosto bastante. O rastro disso me interessou”, comenta. Abaixo, ele fala mais sobre as quatro faixas do disco.

01) Selva – A ideia na faixa que abre o trabalho é evolutiva e percorre todo o disco. “Selva” é um solo guiado por texturas criadas com mics de contato e diversos tipos de baquetas num estilo livre. É o início rudimentar e puro do processo.


02) Planeta – Sinal de alerta, urgência. O drone de guitarra cedido por Hevislay Ferreira indica o processo, apresento samples distorcidos e a bateria com ideias eletroacústicas de alteração de tempo e sobreposições. A faixa segue uma dinâmica contínua e sirenes que não param.


03) Deep Space – Fuga, chegamos às esperas espaciais, novos instrumentos são apresentados, um minimalismo rebuscado e sujo se apresenta numa tentativa de desbravar e esgarçar os elementos já apresentados. O tempo não caminha e atordoa.


04) Post-Human – Mais uma vez o drone aparece como elemento externo, um encontro com o humano deixado para trás. O solo mais intenso e a dinâmica sinuosa agora destacam um processo híbrido, com fortes doses de efeitos e distorções. O tambor, percussão e sinos remetem a Selva, já estamos distante de onde partimos. O fim é uma somatória de acúmulos.


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