Ao vivo: Ana Frango Elétrico se despede de “Little Electric Chicken Heart” com bailão retropicalista de marchinhas punks em SP

Em duas noites absolutamente lotadas e celebradas, Ana Frango Elétrico e Don L apresentaram seus discos candidatos a clássicos da nova música brasileira praticamente na integra na Casa Natura Musical, em São Paulo, para públicos que sabiam todas as canções de cor, e fizeram questão de deixar isso bem claro, cantando do começo ao fim as músicas de, respectivamente, “Little Electric Chicken Heart” (em seu show de despedida do disco) e “Roteiro Pra Aïnouz, Vol. 2” – dois discos premiados pela APCA (em 2019 e 2021). Abaixo, saiba as impressões do show de Ana Frango Elétrico e aqui as do show de Don L no dia seguinte.

Ana Frango Elétrico na Casa Natura Musical, 05 de maio
texto por Marcelo Costa
fotos por Fernando Yokota

Em uma quinta-feira, fria, mas nem tanto, a fluminense Ana Frango Elétrico subiu ao palco da Casa Natura de moletom, capuz, guitarra e uma bandaça (Pablo Carvalho e Rodrigo Maré nas percussões, Marcelo Callado na bateria, Ed Santanna e Marlon Sette nos metais, Guilherme Lírio na guitarra, Vovô Bebê no baixo e Dora Morelenbaum nos backings) para celebrar o maravilhoso “Little Electric Chicken Heart” (2019), no show de despedida do disco – um dos melhores da safra recente na música brasileira – na capital paulista.

Em 2019, ao falar de um show de Ana Frango Elétrico no Rio de Janeiro aqui no Scream & Yell, o jornalista Gustavo Almeida já havia percebido sensações que puderam ser replicada nesta apresentação paulistana, desde o clima de ensaio que norteia a apresentação (muito pela postura solta da artista no palco) como “uma maior consciência de seu papel como vocalista”, o que chama a atenção, já que em vários momentos do show a voz de Ana, mais baixa, ficou em segundo plano encoberta tanto pelo som da banda no palco quanto pelo público.

O clima da noite, no entanto, era de bailão retropicalista com samba, bossa e marchinhas punks colocando um sorriso no rosto dos presentes desde o primeiro momento, com “Saudade”. As cinco primeiras canções da noite enfileiraram o lado A do vinil celebrado mais a primeira do lado B (“Promessas e Previsões”, “Se no Cinema”, “Tem Certeza” e “Chocolate”), deixando claro como seria o restante da noite (que ainda teria “Devia Ter Ficado Menos” e “Torturadores”): metaleira dando o tom, banda coesa e o público muitas vezes encobrindo o vocal delicado de Ana, que incentivava o coro (que deve ter deixado muita gente rouca).

“No Bico do Mamilo”, do álbum de estreia de Ana, “Mormaço Queima” (2018), cresceu ao vivo, assim como “Trago”, que surgiu acompanhada de uma coda punk emendada a “Roxo” e a um improviso noise meio sem sentido que deixou o público perdido, com a líder deixando o palco e retornando cerca de 4 minutos depois para, diante do momento mais frio da apresentação, pegar o público pelas mãos e conduzi-lo de novo ao reino da alegria com o single “Mama Planta Baby” e “Caspa”, que encerra “Little Electric Chicken Heart”.

A banda nem chegou a deixar o palco para o bis, e Ana emendou “Debaixo do Pano”, versão sua para a original de Sophia Chablau e Uma Enorme Perda De Tempo (o disco deles foi produzido por ela) e “Picles”, finalizada com o público pedindo a saída do atual presidente inominável, e Ana preferindo “Falem Lula”, no que foi atendida prontamente. Fechando a noite, a sensacional parceria ritaleeana (aliás, houve muitos ecos de Rita Lee na noite) com Ava Rocha, “Mulher Homem Bicho”, fechando uma noite adorável, ainda que com singelos momentos de desapego musical.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.
– Fernando Yokota é fotógrafo de shows e de rua. Conheça seu trabalho: http://fernandoyokota.com.br/

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