Entrevista: Supercombo em momento de reconexão com seu público

entrevista por Homero Pivotto Jr.

A expressão combo designa uma combinação, um pacote de itens ou características que podem ser de variadas naturezas. Nas salas de exibições audiovisuais, por exemplo, há a junção do lanche e da bebida, supostamente, por um preço mais em conta. No universo dos games, a palavra pode definir um movimento ou golpe especial do personagem, geralmente desencadeado após uma sequência de comandos ou tarefas. E na música temos a Supercombo, banda de rock alternativo com nome inspirado nas situações apontadas anteriormente.

“O nome Supercombo é uma clara influência dos fliperamas antigos em que a gente jogava uns Street Fighters e também de promoções de lanches de cinema”, confirma Léo Ramos (voz e guitarra). Retomando a conexão direta com o público ao vivo após quase dois anos de inatividade, o agora quarteto apresenta-se em Porto Alegre, dia 7 de maio, sábado, às 20h30, no Opinião (Rua José do Patrocínio, 834). Ingressos sntecipados estão no quarto lote e podem ser adquiridos neste link. Além da capital gaúcha, a banda também toca em Curitiba (dia 6/5, no CWB Hall) e Florianópolis (em 8/5, no John Bull Pub).

“Ter ficado sem shows e sem conviver com os fãs nos deixou muito abalados. Voltar aos palcos é como ter a vida de volta. O público também parece que voltou com essa força e energia”, desabafa a baixista Carol Navarro. Devotos à cultura pop em suas diversas manifestações, a Supercombo lançou sua própria história em quadrinhos — mostrando que a ligação com a cultura nerd vai além das referências no nome e nas letras. O gibi acompanha o até então último álbum cheio da banda, “Adeus, Aurora” (2019), e narra as aventuras da protagonista — garota que descobre um terrível segredo sobre sua família e precisa correr contra o tempo.

Sonoramente, o conjunto funde vertentes modernas do rock (indie, pop e post hardcore entre eles) para criar composições que batem forte entre seus admiradores, criando uma conexão que tem desdobramentos virtuais e presenciais. Na web, esse laço entre fã e artista é comprovado por mais de um milhão de assinantes no canal da banda no Youtube e pelos cerca de 500 mil ouvintes mensais em plataformas digitais. Já no plano real, os shows lotados, com a galera cantando junto — como pode ser conferido in loco ou em vídeos ao vivo — atestam a relação de proximidade.

Por outro lado, a vida não é feita apenas de ligações, mas também de desligamentos. É o caso da recente saída do guitarrista Pedro “Toledo”. Ao menos por ora, a Supercombo segue como quarteto, que, além de Carol e Léo, tem Paulo Vaz (teclados e efeitos) e André Dea (bateria). Aproveitando a vinda da Supercombo para o Sul, fizemos uma entrevista exclusiva com a banda. No papo, Carol e Léo falam sobre a trajetória até aqui, a participação no programa “Superstar” (da rede Globo), inspirações, conexões e um possível lançamento para 2022.

Para abrir, uma questão que é cliché atualmente, mas inevitável: como tem sido a volta aos palcos depois de aproximadamente dois anos em que as restrições para conter o coronavírus estiveram vigentes? Vocês estão fazendo shows desde 2021, e agora essas apresentações começam a ficar mais frequentes. Como percebem o universo dos shows depois da pandemia?
Carol Navarro — Sinto que a gente voltou com mais força, com mais vontade de fazer o que amamos. Ter ficado sem shows e sem conviver com os fãs nos deixou muito abalados. Voltar aos palcos é como ter a vida de volta. O público também parece que voltou com essa força e energia. A troca está muito linda.

Léo Ramos — Acho que tanto nós quanto o público estávamos com muita saudade de uma barulheira presencial. Os shows estão sendo incríveis.

Inclusive, há uma série de vídeos no canal da banda apropriadamente chamada de “Reconexão”, que mostra bastidores de algumas apresentações após mais de 600 dias longe dessa correria que todo músico adora. Essa iniciativa (dos vídeos) é, tipo, um alerta meio “estamos de volta”? De onde veio a ideia de mostrar o trabalho fora do palco? E o nome, é para marcar o contato de volta com a plateia, online e presencial?
Léo — Exatamente! Tocar é a nossa essência e o nome “Reconexão” é pra justamente mostrar esse momento de retorno aos palcos.

Carol — Estávamos com saudades dos nossos vlogs, mas queríamos um formato novo e diferente, então chamamos nosso amigo Renato Peres pra filmar esse novo processo e experimentar novas ideias.

Como descreveria o pacote de elementos que formam a Supercombo? Não só musical, mas das subjetividades e das pessoas também?
Léo — Acho que somos um emaranhado de referências e vivências diferentes convergindo em um som que chega a ser difícil de rotular, às vezes.

Carol — Cada um tem sua peculiaridade e é isso que, somado, dá a liga.

A Supercombo é uma banda que já tem estrada, mas é moderna, no sentido de ter nascido neste século, de saber aproveitar as ferramentas atuais disponíveis para se relacionar com o público. Isso rolou natural ou é algo deliberado?
Léo — A gente evoluiu junto com a internet, com as redes sociais e com toda a cultura da produção de conteúdo. Com certeza foi algo que rolou naturalmente.

Carol — Todos nós gostamos dessas novas ferramentas de mídias sociais e também temos consciência de que elas são superimportantes para o nosso trabalho, porque viemos da escola do músico independente.

Vocês se envolvem com o gerenciamento das redes sociais da banda?
Carol — Completamente. Somos autoprodutores.

Essa conectividade com a galera, essa aproximação online — que se converte também fora do ambiente virtual — tem alguma influência no trabalho criativo da banda? No sentido de se fazer algo pensando em trabalhar isso na web?
Carol — Acredito que não. A gente se alimenta de música, filmes, séries, vivências… E aí, quando vamos produzir, tentamos juntar todas essas referências da forma mais original possível, do nosso jeito.

A banda tem 15 anos de estrada e 12 registros, entre álbuns completos e EPs, certo? É uma produção prolífica. Há essa preocupação de estar sempre disponibilizando algo novo, alimentando os fãs com novidade?
Léo — Com certeza! Compor é algo que faz parte da gente, então haverá muitos lançamentos ainda por vir, inclusive este ano.

Carol — Pensamos sempre em estar ativos e organizando o próximo trabalho, respeitando o tempo do nosso próprio processo.

Vocês são de Vitória, no Espírito Santo. Terra do Dead Fish, entre outros nomes. Claro, que todo lugar desse mundão tem banda, gente querendo fazer som. Mas nos anos 1990, no fim dessa década, rolou uma descentralização mais forte da música, saindo um pouco do eixo RJ-SP. E a cena capixaba foi uma das que se destacou. Acompanharam isso? Por que acham que o ES ganhou destaque? E isso influenciou vocês de alguma maneira a quererem ter banda?
Léo — Do ponto de vista de quem viveu boa parte da vida em Vitória, sempre achei a galera de lá muito talentosa. Sempre existiram bandas incríveis no estado e com certeza essa aura de criatividade impulsionou o nascimento da Supercombo. O ES é um lugar incrível, inspirador e por muitos anos a cena musical interna foi muito forte. Talvez tenha sido por isso que saíram tantos sons fodas de lá.

Por falar em cenas… e tentando fazer um link: em 2021 a Supercombo lançou um EP autointitulado. A faixa “Cebolas” tem a participação do Lucas Silveira, da Fresno, que despontou aqui do Rio Grande do Sul em um momento produtivo da música no Estado. Como rolou essa parceria?
Léo — Lucas é um querido faz muito tempo, já participou de outros dois projetos nossos também (uma música do disco “Rogério” e da “Session da Tarde”). Fazia tempo que a gente não fazia algo junto, então rolou o convite.

E o lance de lançar uma HQ com o mesmo nome do álbum completo mais recente, “Adeus Aurora”? São trabalhos complementares, certo?
Carol — São. A ideia foi lançar um disco sendo a trilha sonora de uma história em quadrinhos. Desenvolvemos o roteiro junto com nosso amigo desenhista Jean Dias, que já foi guitarrista da Supercombo, e saiu essa junção de quadrinho + música.

Aliás, vocês curtem cultura nerd, né? Porque além da HQ, que é um produto bem consumido por esse público, o próprio nome da banda tem ligação com games, que é outro tema ligado a esse nicho. Aproveito para pedir que falem sobre o nome Supercombo e essa ligação com universo nerd, por favor.
Léo — Eu sempre consumi games, animes, HQs e tudo que eu poderia ter acesso dentro desse universo. O nome Supercombo é uma clara influência dos fliperamas antigos em que a gente jogava uns Street Fighters e também de promoções de lanches de cinema. Além disso, várias letras têm referências de cenas de animes e filmes.

Trocando de saco pra mala: o quanto a participação no Superstar da Globo repercutiu na carreira de vocês? As mudanças que vieram depois disso atingiram a expectativa?
Léo — A Globo é uma tremenda vitrine e catapultou o nome da banda pra todo território nacional. Isso ajudou muito a gente a conseguir tocar em estados que nunca tínhamos ido.

Carol — Além de ter sido uma experiência muito massa e gratificante, aproveitamos nosso momento de explosão pra planejar os próximos passos e seguir fazendo trabalhos pra que as pessoas novas que chegassem pudessem acompanhar.

Além da TV, recentemente, a Supercombo também passou pelos cinemas com a exibição do show “Ao Vivo Quando A Terra Era Redonda”, gravado em 2019. Como foi essa experiência, tanto a de registrar o evento quanto a de disponibilizar o material em salas de exibição pelo país?
Léo — Foi um marco na nossa carreira, nunca achamos que isso seria possível, e foi muito massa ver as pessoas fazendo stories de dentro dos cinemas curtindo o show pelo Brasil inteiro ao mesmo tempo.

Carol — Gravamos esse registro ao vivo antes do mundo ser tomado pela pandemia, e foi muito louco estreá-lo no cinema quando as coisas já estavam um pouco melhores. Foi um trabalho muito intenso, de muito aprendizado, e ter a chance de assistir a isso tudo ali na telona, comendo pipoca, foi bom demais!

Pra fechar, quais suas lembranças das três cidades do sul por onde a Supercombo passa em maio: Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba?
Carol — É sempre uma delícia descer o país pra fazer shows no Sul. Como não conseguimos ir sempre, a saudade é tão nossa quanto do público e os shows sempre são inesquecíveis! Não vemos a hora!

– Homero Pivotto Jr. é jornalista, vocalista da Diokane e responsável pelo videocast O Ben Para Todo Mal. A foto que abre o texto é de Yvã-Santos / Divulgação

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