Mojo Book 015: “Pet Sounds”, The Beach Boys, por Helio Flanders

15 anos atrás, Danilo Corci e Ricardo Giassetti decidiram fazer uma pergunta: e se um disco virasse literatura? Nascia a Mojo Books, primeira editora 100% digital do Brasil, que de dezembro de 2006 até dezembro de 2012 explorou de maneira diversificada essa possibilidade, lançando mais de 130 volumes de livros inspirados em discos.

O Scream & Yell tem a honra de republicar os livros da Mojo em seu aniversário de 15 anos buscando manter o acervo da editora online (enquanto também estivermos online). Toda segunda, um livro da Mojo novo sobre um disco! O décimo-quinto volume da série (os anteriores estão aqui) tem como inspiração o clássico “Pet Sounds”, dos Beach Boys, recontado por Helio Flanders.

Lançado em maio de 1966 e comumentemente apresentado como “o melhor disco de todos os tempos” (por New Musical Express, The Times e a revista Mojo, e número 2 na lista da revista Rolling Stone), “Pet Sounds”, dos Beach Boys, foi o 11º disco de estúdio da banda e traz canções como “Wouldn’t It Be Nice”, “Caroline, No”, “Sloop John B” e “God Only Knows”. Baixe o PDF ou leia online!

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Acordei nu no meio de um mato denso e não soube responder o que havia usado nem o que eu fazia ali. Havia um chapéu desconhecido em meu peito e aquilo me preocupou. Lembrei-me, não sei como, de um encontro com meu avô. O velho transpirava seus últimos dias de romance, de alegria e de alcoolismo. Já muito abalado por um peiote que comi no café da manhã, encontrei-o e conversamos sobre sua morte. Os outros parentes odiavam fazê-lo, mas eu enquanto transtornado neto dava conselhos e ajudava a escolher as cores das flores. Vomitei uma vez na frente do velho, sem nenhum constrangimento. Ele me convidou para um passeio de Ferry Boat, irmos até o outro lado da ilha e voltar, simplesmente. No caminho de ida ele me falou de uns amigos que estavam indo para a Índia encontrar um guru e que eu devia fazer algo a respeito, pois eles voltariam com novidades suficientes para superar qualquer coisa que eu fizesse. Minha resposta foi a segunda maré de vômito da manhã. Meu coração havia de não necessitar a Índia. Em menos de 15 minutos, todas as pessoas no barco começaram a se incendiar e meu avô se envolveu numa briga com um bêbado que eu cismei parecer Paco, el andino. Paco era o rei da mescalina e dizia o efeito do cactus durar “toda la vida”. Eu sempre achei o mesmo. O capitão que cheirava a milho ou enxofre nos expulsou do Ferry Boat. No auge da lucidez de meu peiote eu perguntei: – Isso implica em pularmos no mar? – E ele respondeu afirmativamente. Nadei com meu avô por quase dez minutos antes de deitarmos nas areias redentoras da baixa Califórnia, no meio das milhões de gargalhadas derradeiras que tivemos e de minha terceira onda de vômito. O velho disse que queria ir para casa e sem dizer uma palavra lhe respondi que a nossa casa era aquela areia e velha-triste Califórnia.

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