Faixa a faixa: “Love Odyssey”, do FITA

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por André Luiz

FITA é um projeto inspirado na música eletrônica dos anos 80, mas vai muito além disso. “Trilhas sonoras de filmes como ‘Drive’ e ‘Blade Runner’ são grandes influências nas composições”, conta André Luiz, a mente responsável pelos sons do projeto. Sobre a sonoridade, ele complementa: “acho que as músicas vão desde o synthwave/pop ao som mais etéreo”.

Depois de dois EPS, lançados em 2017 e 2018, é chegada a hora do FITA apresentar “Love Odyssey” (2021), primeiro álbum cheio com 11 faixas, que incluem versões remixadas e remasterizadas de algumas músicas dos primeiros EPs, além de inéditas instrumentais. O álbum foi gravado e produzido ao longo de três anos, com produção intensificada dentro do período pandêmico. A mixagem e masterização ficaram por conta de Jan Pablo, da banda teresinense Guardia. “A master foi feita de forma híbrida utilizando uma gravador analógico para dar mais punch e a sonoridade retrô da fita cassete”, comenta Jan Pablo.

O novo trabalho reflete o período turbulento que vivemos e todos os problemas enfrentados durante sua criação. Depressão, separação, doença, desemprego, desilusões, finais, recomeços e todo o caos da pandemia que tomou conta do mundo e da vida das pessoas, ganham uma trilha sonora nostálgica e ao mesmo tempo futurista. “As novas músicas contam uma odisseia, a jornada através desses momentos conturbados. São mais frias e minimalistas, sem apelos pop e com um tom sério e apocalíptico, inspiradas nos estilos synthwave, vaporwave, IDM e bandas como Survive, Kraftwerk, New Order e Daft Punk”, explica André Luiz, que comenta o disco abaixo faixa a faixa:

01. Matiné – “Matiné” tem uma pegada mais lounge, com uma batida inspirada no house dos anos 90, pra dar um clima meio piscina, praia etc ao entardecer, tomando bons drinks. Dentro do conceito do disco, ela inicia a odisséia, a jornada, de um jeito bem tranquilo e pra cima.

02. Chorus – É uma remixagem. Foi lançada originalmente no EP “II” de 2018. Essa música tem um estilo bem etéreo e cinemático. Um pouco Vangelis. Um pouco Air.

03. Looking For You – Foi lançada originalmente no primeiro EP. Aparece aqui remixada e remasterizada. É uma das músicas “românticas” do álbum. A ideia dessa música veio quando eu estava assistindo “Drive”, filme com o Ryan Gosling. Adorei o filme e a trilha sonora.

04. Take Me For a Ride Tonight – Para o álbum, escolhi a versão instrumental dessa música que lancei inicialmente no primeiro EP de 2017. Mais uma música que nasceu por conta do filme “Drive”. Seria uma música perfeita para um passeio de carro com o crush ou qualquer outra cena romântica da sua vida, seja como o par romântico de “Drive” ou de “Antes do Amanhecer”.

05. Descontrole – Assim como tudo o que é bom e tranquilo acaba um dia e dá lugar à turbulências, o disco chega nessa parte mais quadrada e sombria. Como numa noite depois de muitas desilusões, bebidas, brigas e descontrole.

06. Theme for a Broken Heart – Essa música foi inspirada em Vangelis. Eu queria uma música épica, romântica e triste. Uma música para os corações partidos, literalmente.

07. Void – Na época em que eu compus essa música, tinha acabado de me separar. Estava desempregado. Tive que vender todos meus instrumentos, equipamentos, voltei pra casa dos meus pais, fiquei uns 5 meses de 2018 com uma insônia terrível. Sem dormir mesmo. Deitava meia noite e pregava os olhos às 6 da manhã. Tava numa depressão fodida. Tudo terrível. Então era tudo void mesmo. Vazio total. Eu estava ouvindo muito Survive. Era o que me ajudava a dar uma relaxada. Primeiro dia na casa dos meus pais, quando cheguei, dia 14 de agosto, foi o primeiro dia em 5 meses em que eu consegui dormir. Ouvindo Survive. O disco “RR7349”.

08. Nada Faz Sentido – Essa música tem uma pegada mais synth pop mas sem vocais. Tentei dar uma cara um pouco anos 80, meio Depeche Mode, Tubeway Army.

09. Início e Fim – Essa música foi a primeira que compus depois que a minha antiga banda acabou. Foi a minha introdução nesse lance de produzir música eletrônica. Coloquei uma batida eletrônica, um baixo bem sujo e um sintetizador. E é isso. Foi o início. E agora é o fim. Ou o começo do fim.

10. Le Matin – “Le Matin” é uma contribuição do Jan Pablo, da banda piauiense Guardia (ex-Guardia Nova), que mixou e masterizou o álbum. Eu entreguei pra ele as músicas com uma mix básica e pedi pra ele fazer umas mágicas. Todo o disco foi mixado digitalmente e masterizado em fita analógica. Essa música virou praticamente uma versão vaporwave de “Matiné” mas a batida ficou totalmente diferente. Virou realmente uma outra música e encerrou a odisséia. Aponta para o futuro e encerra um capítulo com várias recompensas e muita história.

11. Take Me For a Ride Tonight – Quando gravamos “Take Me” pela primeira vez, erramos a letra e eu sempre quis corrigir e relançar pq eu considero essa música a mais pop de todas as músicas do “Fita”. Fiz questão de que fosse a única com vocal. To trabalhando num lançamento em vídeo para ela, fazendo umas colagens que casem com a música. Pretendo lançar no fim do ano, um pouco depois do álbum.

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