Faro: Panoramas de OUTUBRO 21 na Música e Cultura Ibero-americana

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Dez sites de nove países unidos pelo ideal de compartilhar cultura e, com ela, ideias, sonhos, desejos, revoluções. Ouça a nossa playlist de outubro no Spotify!

ARGENTINA
por Juampa Barbero / do site Indie Hoy

Outubro deixou em sua marcha uma variedade de estreias que mostram a diversidade artística da cena argentina. Depois de brilhar nas sombras, a música voltou a ocupar o lugar que havia perdido na agenda cultural do país: a volta dos shows ao vivo irrestritos veio ao lado de uma alta temporada habitual de estreias. Listamos os principais deles abaixo.

BANDALOS CHINOS – “MI FIESTA”: Bandalos Chinos apresentou “Mi Fiesta”, uma prévia do seu terceiro álbum. É uma faixa elegante com tons funk que aumentam as expectativas do tão esperado sucessor de “Paranoia Pop” (2020). Estrelado por Peter Lanzani – que vimos anteriormente no clipe de “Dije Tu Nombre” – o vídeo foi filmado no Museu Nacional de Belas Artes e dirigido por Tomas Terzano.

CA7RIEL: “CHANEL MACONHA”:Chanel Maconha” é a primeira prévia do primeiro álbum solo de Ca7riel com o título “El Disko”. Essa balada sensual que em tom R&B alude ao poliamor e à sexualidade livre foi produzida por Tomás Sainz e saiu junto com um videoclipe dirigido por Sepia O músico portenho não se deixa abater por nenhum gênero e demonstra sua versatilidade confiável a cada lançamento.

MALENA VILLA – “NI TAN BIEN”: Malena Villa reuniu Angela Torres, Axel Fiks, Lara91k e Santiago Motorizado em seu novo EP, “Ni Tan Bien”. Ao longo de cinco canções, a cantora e atriz cruza vários gêneros sem perder sua essência pop. O EP saiu acompanhado de um vídeo dirigido por Gabriel Bosisio que combina a elegância melódica de suas canções com a narrativa emocional de uma história cinematográfica.

TELESCOPIOS – “TODO DE LEJOS”: Telescopios estreou “Todo de Lejos”, o primeiro single da tríade de canções que a banda cordovesa vai publicar até ao final do ano. Em sua nova faixa, eles cantam sobre aceitar a distância como vital em um relacionamento romântico. O vídeo que acompanhou o lançamento foi dirigido por seu fiel colaborador Joaquín Ferrón e produzido por Mar Michelotti.

BABASÓNICOS – “LA IZQUIERDA DE LA NOCHE”: Babasónicos surpreendeu seus seguidores com um single para seu próximo álbum “La Izquierda de La Noche” é uma peça pop com conotações psicodélicas que irradiam o mistério e a sensualidade que caracterizam a sua proposta. O vídeo foi dirigido por Juan Cabral e estrelado por Adrián Dárgelos, que mais uma vez ecoa sua engenhosidade como ator em uma história de magoa noturna.

SANTIAGO MOTORIZADO – “CANCIONES SOBRE UNA CASA, CUATRO AMUGOS Y UM PERRO”: Santiago Motorizado publicou “Canciones sobre una casa, cuatro amigos y un perro”, com as faixas que compôs para a trilha sonora da reestreia da série “Okupas”. Ao longo de 19 músicas, o vocalista do El Mató experimenta folclore, cumbia, tango e rock, agregando participações de Vicentico, Sergio Rotman, Anabella Cartollano de Las Ligas Menores, entre outros.

NICKI NICOLE – “PARTE DE MI”: Depois de nos cativar, single após single, Nicki Nicole compartilhou seu tão esperado segundo álbum: “Parte de Mi”. Composto por 16 canções, o sucessor de “Recuerdos” (2019) traz colaborações fascinantes como Mon Laferte, Bizarrap, Trueno, Rauw Alejandro, entre outras. Antes do lançamento, a estrela de Rosário deu um concerto intimista para o emblemático Tiny Desk.

NORMA – “CRO9UIS”: Cinco anos depois de “Siguiente”, o grupo de La Plata normA publicou seu quinto álbum de estúdio composto por nove faixas poderosas que se misturam com a escuridão e distorção às adversidades dos últimos dois anos. Intitulado “Cro9uis”, o álbum conta com a participação especial de artistas consagrados no cenário nacional como Fito Páez e Sergio Rotman.

“EL PRÓFUGO”, NATALIA MENA:El Prófugo”, estrelado por Érica Rivas, chegou aos cinemas e cativou milhares de espectadores. O elenco se completa com figuras da estatura de Nahuel Pérez Biscayart, Daniel Hendler e Cecilia Roth. Depois de nos flagrar com “Muerte in Buenos Aires” (2014), a cineasta Natalia Meta representará o país no Oscar com a adaptação do romance “El Mal Menor”, de C.E. Sentindo.

CHARLY GARCIA – 70: Charly García completou 70 anos e, para homenageá-lo, diversos shows foram realizados em diversos pontos da cidade de Buenos Aires. Um dos momentos inesperados do dia foi a aparição do próprio músico no Centro Cultural Kirchner. Acompanhado por Fito Páez, Fernando Samalea, Hilda Lizarazu, Rosario Ortega, Zorrito Von Quintiero e outros, ele executou alguns de seus maiores sucessos.



BRASIL
por Marcelo Costa / do site Scream & Yell

A média semanal de mortes por Covid-19 no Brasil caiu para 300 óbitos na última semana de outubro, e aproximadamente 120 milhões de pessoas já estão totalmente imunizadas no país. Esses números permitiram que vários governos estaduais flexibilizassem as restrições (máscaras ainda são obrigatórias) e os shows começam a agitar o cotidiano do país. Mais: anúncios de festivais como Lollapalooza Brasil (line-up), Psica (line-up) e Queremos! (line-up) já nos fazem sonhar voltar a frequentar eventos desse porte. As coisas começam a melhorar!

Outubro também presenciou o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a atuação de diversos setores da sociedade no combate a pandemia, e foi atribuído ao presidente Jair Bolsonaro nove crimes, entre eles “prevaricação e crimes contra a humanidade”. Como sabemos, política é um jogo de conchavos, e a chance de o genocida pagar por seus atos é pequena, tanto que isolado durante o G20 na Itália, fez piada da corte de Haia para o diretor da OMS. Não nos resta muito além de ter fé na Justiça e no futuro.

O desgoverno pelo qual passa o país rendeu, ao menos, um clássico musical em outubro: com (belo) disco novo nos streamings, “Meu Coco”, Caetano Veloso canta (para Bolsonaro) em “Não Vou Deixar”, a faixa mais luminosa do álbum: “Não vou deixar você esculachar com a nossa história / É muito amor, é muita luta / É muito gozo, é muita dor / E muita glória / Não vou deixar que se desminta / A nossa gana, nossa fama de bacana / Nosso drama, nossa pinta”…

É isso: não vamos deixar. Abaixo, outros destaques ensolarados de outubro:

MARISA MONTE & JORGE DREXLER – “VENTO SARDO”: Marisa Monte, que lançou disco novo em junho, mostrou em outubro uma parceria inédita com Jorge Drexler, composta pelos dois quando estavam na Sardenha. “Compor com Marisa é assim: brincar, com os pratos ainda na mesa, crianças participando, do jeito mais descontraído, lúdico e cotidiano que se possa imaginar. Sempre quis escrever assim: como quem brinca, e Marisa foi minha professora nisso”, contou Drexler.

BEMTI – “LOGO ALI”: Bemti apresentou seu segundo disco, “Logo Ali” um grande disco que prova sua complexidade criativa entre referências indies e uma viola caipira completamente brasileira e interiorana; onde os sopros convivem com os sintetizadores; onde camadas e camadas de som criam singeleza e delicadeza. Por isso mesmo é interessantíssimo mergulhar nesse universo a partir das perspectivas do próprio artista. Para isso ele escreveu um faixa a faixa que conta histórias, referências e intenções. Chega mais!

LUCAS GONÇALVES – “VERONA”: Também de Minas Gerias, como Bemti, o músico Lucas Gonçalves também trouxe ao mundo seu segundo álbum, “Verona”, um disco que assim como seu elogiado antecessor, “Se Chover”, se debruça sobre a nostalgia, com a diferença de apresentar uma estética mais roqueira. “’Verona’ é mais 77 pra 80. Enquanto ‘Se Chover’ tá mais pra 68 a 72”, contextualizou o artista em entrevista ao Scream & Yell.

BLUBELL – “MÚSICA SOLAR PARA TEMPOS SOMBRIOS”:Música Solar Para Tempos Sombrios” é mais um disco elegante de Blubell, que assina as nove faixas do álbum, uma delas em parceria com Zélia Duncan (“Um blues lascivo, clima de paquera nos anos 40”, avisa), e estende a experiência para um livro, com nove crônicas, cada uma inspirada em uma faixa do disco. Com letras deliciosamente inteligentes, transpirando sarcasmo lírico, Blubell irá conquistar você com sua ginga, seu carisma, sua doçura e seu suingue.

CRIS BRAUN – “QUASE ERÓTICA”: Cris Braun surgiu nos anos 90 transpirando glam rock na cult band Sex Beatles. Agora apresenta seu quarto disco solo, “Quase Erótica”, pescando canções de sua ex-banda, resgatando outras da gaveta e convidando todos nós a dançar, paquerar, ser livre, ser feliz, resistir. Pop rock de qualidade com letras incríveis. Ela conversou com o Scream & Yell!

JENNIFER SOUZA – “PACÍFICA PEDRA BRANCA”: Oito anos após seu elogiado disco de estreia, intervalo em que se dedicou às bandas Transmissor e Moons, a cantautora Jennifer Souza apresenta outra pérola de beleza, “Pacífica Pedra Branca”, mais um disco para se ouvir com muita atenção, permeado de silêncios e de uma musicalidade que combina jazz, indie, folk e canção brasileira. O disco sai na América Latina e Portugal pela Balaclava Records, pela Disk Union no Japão e, no restante da Europa, sai em 2022 pela 180g, selo que vai lançar o registro em vinil também.

MARIÁ PORTUGAL – “EROSÃO”: A baterista, cantora, produtora e compositora Mariá Portugal lançou “EROSÃO” em quatro formatos: digital, vinil, CD e fanzine, pelos selos RISCO (Brasil) e Fun in The Church (Alemanha). A sonoridade aqui surge do choque de três grandes paixões de Mariá: a música eletrônica, a improvisação livre e a canção popular brasileira, com destaque para a Vanguarda Paulista dos anos 80.

O LEOPARDO – “MUNDO SELVAGEM”: Fruto da efervescente e diversificada cena cultural de Minas Gerais (mais um!), o power trio O Leopardo é um dos bons exemplos do que de melhor acontece na cena underground local. Eles misturam punk, ska e reggae e estão lançando “Mundo Selvagem”, que, apesar de também ser apresentado como um EP, conta com 12 faixas (incluindo faixas bônus em espanhol e inglês). No Scream & Yell tem entrevista com eles!

PRAIA DOS ARTISTAS PRODUTORA: Guitarrista que acompanha a cantora Pitty em sua carreira solo e divide com ela os holofotes no projeto Agridoce, Martin Mendonça criou, ao lado da esposa produtora Juana Diniz, a Praia dos Artistas Produtora, selo que marca seu retorno à sua terra natal, Salvador, na Bahia, e que pretende apostar em novos artistas. O primeiro lançamento foi o álbum de estreia da banda Eugênio, “Dentro Da Caixa, Fora Do Mundo”, cujo som “vai de Radiohead a Novos Baianos sem perder a máxima de Tom Zé de ‘confundir para explicar’”. Bem legal!



CHILE
por Alex Miranda e Bárbara Carvacho, da POTQ Magazine

No Chile, vivemos a reabertura. Aos poucos a agenda de shows e eventos presenciais está crescendo e já começamos a olhar para o início do ano, procurando o melhor de 2021. Claro que, entretanto, deixamos vocês com o melhor de Outubro.

YORKA FEAT GEPE Y LIDO PIMIENTA – “VIENTO”: Em preparação para seu próximo show de boas-vindas ao Chile, Yorka apresentou ‘Viento’, uma colaboração com Gepe e a sempre genial Lido Pimienta, que funciona como uma prévia de seu próximo álbum. “É uma música triste e poderosa, então queríamos convidar mais pessoas para que o feitiço ganhasse mais força. Sempre pensamos no Gepe e foi lindo que ele aceitou. A Lido enviou-nos uma proposta artística daquelas que dão arrepios e que colocam todo o tempero que foi necessário”, disse Yorka. O vídeo é estrelado por Alfredo Castro, proeminente ator chileno, e busca relembrar a história do falecido pai das irmãs Pastenes, mostrando uma versão jovem e uma velha do mesmo personagem, dando um final alternativo para sua vida.

DOLORIO Y LOS TUNANTES – “BOSTEZO Y CONTAGIO”: “Vamos fazer uma banda para morrer. Uma orquestra para nunca mais voltar”. Essa é uma das frases de “Bostezo y Contagio’, uma canção repleta de momentos interessantes em sua letra (e outros nem tanto) e que, musicalmente, busca seguir o caminho de uma canção construída para seguir uma determinada narrativa, e a partir nisso gera um som melancólico e muito próprio. Como “Anticuerpo” e “Turismo”, seus dois singles anteriores, esta prévia de seu próximo álbum mostra-nos Dolorio y Los Tunantes muito mais calmos, mas também mais focados no que desejam alcançar.

MARTINA LLUVIAS – “RECOPILATORIO”: Desde 2014 que Martina Lluvias vem lançando música oficialmente, mas naquela época a artista estava agrupada dentro de um grupo de músicos muito mais próximos do folk e do indie mais acústico. Agora, em pleno lançamento de “Recopilatorio”, o seu primeiro disco, a cantora diz que está em outra fase, e estas sete canções demonstram isso com um som que, embora não perca a delicadeza das primeiras obras, abrange de uma forma muito mais direta o ruído e o formato de uma banda completa.

UNA TIPICA FRANCISCA – “GATA BATA”: “Gata Bata” é um dissidente perreo que, em uma chave de trap / reggaeton, nos deixa um vídeo que mostra uma história de amor lésbica em espaços que há muito tempo estiveram abertos à comunidade LGBTIQ +, como futebol ou twerk. Mas não é tudo, já que a La Peluquería Records (que lançou essa música) também busca fazer nome e, ao mesmo tempo, ser um espaço de visibilidade dissidente. Nós queremos mais!

MARINEROS – “ROSAS”: É como se a dupla Marineros decidisse que, com o lançamento de “Rosas”, seu novo single, fariam uma música que estaria em oposição aos singles que os lançaram à fama. Assim, o electro-pop das primeiras canções contrasta com o intimismo e minimalismo da sua nova canção, onde segundo os cantores não mudaram a sua forma de fazer música, mas simplesmente mudaram a si próprios.

CUÁLES I QUIÉNES – “MAÑANA SIEMPRE ES TARDE!”: O novo álbum de Cuáles i Quiénes são, como era de se esperar, 13 músicas passando por estilos tão distintos quanto o folk latino-americano, o rock mais spinettino argentino e até progressivo. As letras falam da cidade, do pensamento, num daqueles discos para passear, pois assim como as ruas e calçadas, os sons vão mudando com o caminhar. Se você gosta de discos que exploram diferentes espaços sem casar com nenhum específico, ouça “Mañana Siempre es Tarde!”.

ENTRÓPICA – “SIGMA”: Um dos maiores pecados musicais do Chile hoje é não reconhecer ou dar a Entrópica o espaço que ela merece, especialmente depois deste álbum que facilmente se insinua entre os melhores do ano. Enquanto a cena eletropop chilena continua tentando superar Javiera Mena, “Sigma” está a anos-luz de distância, não só por sua abordagem ao gênero, mas também pelo uso de samples para contar suas histórias, como na faixa “Cecilia” que mostra uma das entrevistas com Cecilia Bolocco em seus dias de modelo; ou Mamo Contreras em “Monarca”. Como se não bastasse, também tem colaborações com Nati Chuleta, C-Funk, Franz Mesko, Sofía Oportot, Lainus, Diego Vieytes, Karloz e Rip Txny.

SALARES – “CON EL FRIO”: Com um som intimista ligado às últimas ondas de folk que o nosso país viveu, Salares lançou o seu primeiro disco no ano passado. Hoje é a vez de estrear o vídeo de uma das suas canções: “Con El Frio”, que conta com a colaboração da cantora Dulce y Agraz. Filmado em Pichilemu, o vídeo mostra como Javiera Alcafuz (nome verdadeiro de Salares) encara e abraça os seus medos, representados numa estranha criatura vermelha que vem do mar, e que acaba por configurar a ideia que a canção pretende transmitir sua melancolia.

MATORRAL – “SOBRE LA PROFUNDIDAD”: Matorral é uma das bandas que, esperamos, nos próximos anos seja ainda mais reconhecida do que agora. “Sobre la Profundidad” parece dar uma guinada que os afasta da sonoridade popular e os aproxima da experimentação rítmica que já exibiam em “Cada Cual”, o seu single anterior. A ideia da banda é lançar um novo álbum de estúdio até 2022, mas enquanto esperamos, você pode tentar dançar essa nova música.

CENTELLA FEAT HEARTGAZE – “MURALLAS”: A produção e colaboração do argentino Heartgaze pode ser vista em “Murallas”, a nova canção de Centella, em que ele mais uma vez mostra aquela veia mais R&B, combinando também o uso de teclados e autotune. Isso nos lembra de Homeshake, mas com um rap mais orgânico e conotações de trap. Sobre as letras, os músicos falam sobre deixar ir o que os impedem de seguir em frente e aprender com esse processo que muitas vezes é doloroso. Felizmente, ouvir essa música não causa dor.



COLÔMBIA
por Fabián Páez López do site Shock.co

Depois de tantos choques e instabilidades, outubro foi um mês de aglomerações na agenda cultural. Saímos para as ruas ao lado de muitos fantasiados no Halloween. A festa e os grandes festivais estão de volta, oficialmente. E o que vem aí: foram anunciados os line-ups do Festival Estéreo Picnic, Jamming 2022, Gorillaz e Festivais no Parque IDARTES 10 años. Na Shock lançamos o álbum do show ao vivo de Julio Victoria no Teatro Mayor.

Essa reativação agitada nos deu tempo, também, para falar sobre assistir 200 filmes de terror, do drama midiático do mês (a música “Perra”, de J Balvin e Tokischa. Leia aqui o artigo “Insensibilidade Racial: Por que o vídeo de ‘Perra’ desapareceu?“) E ir com o Alianza Faro ao mercado de música BIME Bilbao, que, aliás, anunciou a sua chegada a Bogotá em maio de 2022: aqui contamos os detalhes.

Os lançamentos nacionais estão crescendo quase tão alto quanto o bitcoin. Aqui estão nossos álbuns e músicas recomendados.

JULIO VICTORIA – “LO QUE (SE) FUE”: Julio Victoria, um dos nomes mais consagrados da música eletrônica colombiana, fez em agosto um show no especial Shock Presenta do Teatro Mayor, ao lado da orquestra La Nueva Filarmonía. Agora, depois de desembarcar da viagem, como fruto daquela encenação que festejava o retorno da música após o medo da pandemia, lança seu mais recente álbum, intitulado “Shock Presenta: Lo Que (Se) Fue”, um espetáculo teatral meticulosamente montado para provocar tensão, auto-absorção e adrenalina que agora podem ser ouvidos em todas as plataformas de streaming de áudio. Ouça e leia a resenha completa aqui.

TELEBIT – “CAÍDA LIBRE”: Daniel Acosta, Felipe Rondón e Nicolás Zaldua repensaram o conceito da banda bogotana Telebit. Eles queimaram muitos neurônios para encontrar o significado de continuar sendo uma banda e o álbum “Caída Libre” é a resposta a essa busca: um disco feito com a coragem, a alma e o coração. É o quarto álbum do grupo colombiano e um dos recomendados do ano. Saiba mais sobre o Telebit aqui.

DUPLAT – “PÁRPADOS CERRADOS”: Duplat, um músico, pianista e matemático bogotano, avisa que com este EP de sete faixas ele queria “dizer adeus à nostalgia excessiva e às reclamações e à música adolescente”. Bem, de fato, é assim que soam as canções de “Párpados Cerrados”, incluindo a introdução e o encerramento instrumental do piano: como um filme triste que termina com uma despedida, mas que dá vontade de se repetir indefinidamente. Música recomendada: “Sombras del ayer”.

LUCILLE DUPIN – “SIBILA”: Lucille Dupin, nascida em Bogotá, conta sua história em “SIBILA”. Ou pelo menos uma parte dela, aquela que passa por várias transições, nos convida a ser fortes, a sonhar, a crescer, a experimentar, mas acima de tudo a não ficar calados. “’SIBILA’ é um álbum que reúne letras que escrevi quando era criança, letras que chorei quando era mulher e letras que gritei quando sobrevivi”, diz Lucille. Eis um álbum de cantautora para curar e se reconstruir. Aqui a resenha completa.

NIDIA GÓNGORA Y QUANTIC – “ALMAS CONECTADAS”: Anos atrás, o produtor britânico William Holland, mais conhecido como Quantic, envolveu-se com os muitos crossovers folclóricos da música latino-americana. Sua experiência mais recente foi concebida em seu estúdio no Brooklyn com a professora e cantora do Pacífico colombiano, Nidia Góngora (“Canalón de Timbiquí”, “La Pacificar Power’). Tem punch, tem suingue, tem violinos e sabor tranquilo. O título “Almas conectadas”, diz Nidia, se refere “à inter-relação das energias cósmicas, a aura e a forma como elas se manifestam a partir do abstrato; somos mais do que corpo e carne, e são inúmeros os elementos que nos conectam como seres que interagem no universo ”. Um disco para dançar e inflar o peito.

LEE EYE – “ME DUELE”: A bogotana Lee Eye, que fez uma turnê pela Espanha em outubro e passou pelo BIME Bilbao, está quase pronta para seu primeiro álbum, “Perreo Sad”. “Me Duele” é um de seus primeiros singles. Um afrobeat com R&B de respeito. O vídeo vem com uma cena pós-crédito (como os filmes da Marvel), com uma aparição e anúncio surpresa. Lembre-se de Lee Eye

ESTEBAN COPETE – “INVENCIBLE”: “Invincible” é a música que dá nome ao mais recente álbum da banda de Esteban Copete e seu Kinteto Pacífico: uma canção guiada pela marimba de chonta, motivacional e revitalizante. Esteban continua sendo um dos arquitetos da releitura do folclore do Pacífico colombiano e um dos mais criteriosos pesquisadores da tradição.

ANA SANZ – “VITAL”: É uma música que começa com uma linha de baixo gorda e funky e se transforma em um dreampop cativante e indescritível. A faixa foi produzida, mixada, masterizada e co-escrita por Giri Music. Ana Sanz, que estreou em 2012, tem um projeto nas mãos para ter no radar.

EL RAYE – “LAS NEAS”: Na cidade de Medellín, dizer “nea” pode ser tanto um bordão quanto a forma como alguém se refere ao amigo, ou melhor, o amigo que gosta de festa e de rua. Como disse Tego: “rua, mas elegante”. Bem, bem, esse jovem combo de perreo de Medellín (Maxi e Kaze 401) junto aos norte-americanos Latenightjiggy, membros do coletivo 574, fizeram um perreo lento para os neas. A música faz parte do primeiro álbum do 574, “El Raye”.



CUBA
pela Equipe do site Magazine AM:PM

O mês de outubro nos deixou com emoções confusas. Por um lado, a situação econômica em Cuba agravou-se às vésperas de um novembro que se prevê complexo devido à marcha convocada para o dia 15 e à recusa do governo em autorizá-la. Por outro lado, o país deu início ao afrouxamento das medidas sanitárias, tornando mais uma vez possível a vida noturna e a ocorrência de eventos culturais, exposições, shows e peças teatrais, embora longe dos níveis pré-pandêmicos. Esperamos que, desta vez, o retorno à normalidade seja definitivo.

Felizmente, sempre nos resta música, e este mês foi particularmente carregado de lançamentos de vários dos nomes mais relevantes da cena musical cubana. Aqui estão nossas recomendações:

CIMAFUNK – “EL ALIMENTO”: Cimafunk apresentou “El Alimento” (Produções de Terapia) ao mundo. Este álbum, produzido por Jack Splash, traz-nos uma mistura de sons afro-cubanos com ritmos como funk, hip hop e soul. Inclui colaborações com Chucho Valdés, George Clinton, CeeLo Green, Los Papines, Lupe Fiasco, El Micha, Stylo G, ChocQuibTown e Lester Snell. Para ler a resenha completa que publicamos na Revista AM: PM, basta clicar aqui.

CAMILA CABELLO NO TINY DESK CONCERT: Camila Cabello foi a artista escolhida para fazer a apresentação final do Mês da Herança Hispânica na NPR em um de seus Tiny Desk Concerts. A artista rodeou-se de músicos cubanos e mariachis mexicanos, personificando as identidades sonoras multinacionais e culturais que a estação norte-americana tem procurado captar ao longo da série. Para este miniconcerto, Cabello trouxe arranjos únicos de suas canções mais icônicas, como “Havana” e “Señorita”, e também aproveitou para apresentar uma nova canção, “La Buena Vida”, que fará parte de seu próximo álbum, “Familia”, que está previsto para sair antes do final do ano.

KELVIS OCHOA – “50 GRADOS”: O cantor e compositor cubano Kelvis Ochoa apresentou o álbum “50 Grados”, fonograma que também serve de trilha sonora para a série “Promesas”, atualmente transmitida pela televisão cubana. Kelvis possui uma longa carreira musical que se caracteriza por seu peculiar timbre de voz e sua facilidade em interpretar diversos ritmos sempre baseados na música cubana. Nesta produção colaborou com artistas como Pablo Milanés, Leoni Torres, El Chacal, Gema Corredera, entre outros.

LEONI TORRES Y JOTA BARRIOZ – “DAME DE ESO”: Leoni Torres continua sua seqüência de lançamentos e este mês nos deu duas músicas. Uma deles é uma versão acústica de “Si Tú No Estás”, pertencente ao seu mais recente álbum “Alma Cubana”. Esse arranjo para um formato pequeno (piano, bongo, saxofone) se encaixa perfeitamente na execução sempre expressiva de Leoni. O outro single foi uma colaboração com o emergente músico urbano Jota Barrioz, intitulado “Dame de Eso”, uma fusão de pop com música cubana, uma fórmula que Leoni aperfeiçoou ao longo dos anos.

EDDY K – “DALE V”: Um dos precursores do gênero urbano em Cuba, Eddy K, lançou seu álbum “Dale V”. Há vários meses mostrou o tracklist desta produção com 15 canções contando com convidados do calibre do Clan 537, Gente de Zona, El Chulo e El Uniko.

DALE PUTUTI – “EPICENTRO”: O produtor Dale Pututi reuniu grande parte do time dos sonhos do gênero urbano cubano em seu novo álbum, “Epicentro”. Este projeto, composto por 13 canções, nas quais surgem ritmos como dancehall, afrobeat, bachata e EDM, promete ser uma renovação da música urbana cubana e pretende levá-la a um nível mais internacional, para além do cubatón. Inclui nomes como Gente de Zona, Jacob Forever, El Micha, El Taiger, El Chacal, Los 4, Eddy K, Clan 537, El Chulo, Kendaya, Chris Tamayo, Beangel e Nesty, entre outros.

HAVANA D’PRIMEIRA FEAT. RUBÉN BULNES – “AZOWANO”: “Azowano” é uma colaboração entre Alexander Abreu e o músico Rubén Bulnes para a qual foi escolhido o dia 4 de outubro, Dia da Orula, como data de estreia. A obra é dedicada a Babalú Ayé, o “pai do mundo” dos iorubás. A música parte do yoruba patakí em que Orummila (Orula) castiga San Lázaro por não se afastar dos vícios. No tema musical os rituais tradicionais são narrados para venerar Babalú Ayé (identificado com São Lázaro da religião católica).

ORQUESTA AKOKÁN – “16 RAYOS”: Orquesta Akokán é um projeto composto por membros divididos geograficamente entre Cuba e Nova York. Este grupo revisita alguns movimentos e ritmos musicais da ilha para criar um álbum cheio de nostalgia e respeito pela tradição numa intenção expressa de reviver a música tradicional cubana. Este segundo álbum do grupo, intitulado “16 Rayos”, continua as intenções de seu álbum anterior, “Akokan”, que lhes rendeu uma indicação para Melhor Álbum Tropical Latino no Grammy Awards 2018.

EL MICHA – “EN LA CIMA”: 2021 foi um ano muito produtivo para El Micha e a estreia da canção “En La Cima” apenas o reafirma. Na sua nova direção sonora, mais perto o trap, El Micha continua a experimentar as suas propostas musicais sem perder a sua marca característica, guiada por um timbre de voz único e pela forma como executa a sua entrega.

YARIMA BLANCO – “PA MI TRES”:Pa Mi Tres” (Egrem / Soundwear Production), de Yarima Blanco, é uma viagem pela música cubana e um caminho que reafirma as capacidades desta instrumentista para se afirmar no contexto musical nacional. De 12 canções inéditas, de autoria de vários compositores (ela inclusa), com produção musical de Roniel Alfonso, participam do fonograma convidados como o maestro Pancho Amat, Alain Pérez, Kelvis Ochoa e Rolando Luna, entre outros músicos importantes. O álbum traz as notas recorde do indiscutível rei do instrumento no país: Pancho Amat. Yarima foi uma das apostas – juntamente com Eme Alfonso e Cimafunk – do Instituto Cubano de Música durante a sua visita à feira WOMEX no Porto.

O QUE VEM EM NOVEMBRO:
Para o próximo mês, estamos ansiosos pelo novo single de Haydee Milanés e Miriam Ramos, possivelmente um novo álbum de El Micha e um novo single de Ruido Blnco. Além disso, espaços de música ao vivo como Bertolt Brecht, El Sauce, a rede Casas de la Música, El Mejunje de Santa Clara e alguns bares abrem suas portas para receber shows ao vivo. Claro, em pequenos formatos e com 50% da capacidade.



ESPANHA
pela editoria dos sites Mundo Sonoro e Zona de Obras

Já em meados do outono, a atividade musical e cultural na Espanha está em ebulição. O fim da maioria das restrições significa que turnês e shows acontecem e que podemos nos reconectar com os hábitos que perdemos durante a pandemia. A isso se soma a enxurrada de novidades recordes típicas dessas datas. Além disso, festivais de cinema e literatura também são revividos. A cultura volta a pulsar e é motivo de comemoração.

MEDALLA – “ARISTA ROTA”: A banda barcelonesa Medalla dá um importante passo em criatividade com o seu terceiro LP, “Arista Rota” (Limbo Starr, 2021), sem dúvida o seu álbum mais variado e com possibilidade de explodir mais cedo ou mais tarde. Porque com canções como “Leviatán” ou “Velázquez” eles se posicionam como uma de nossas bandas favoritas do momento.

LORI MEYERS – “ESPACIOS INFINITOS”: Depois de antecipar sucessos como “Punk” e “Presente”, os andaluzes Lori Meyers chegam com o disco “Espacios Infinitos” (Universal, 21) em que não faltam refrões memoráveis e em que a essência da banda é mantida do início ao fim, combinando maturidade e espontaneidade, guitarras e teclados. Desde o início com “Hacerte Volar” até canções como a rítmica “El Último Baile”, Noni e seu povo voltaram para nos dar mais uma dose de sua fórmula.

IZAL – “HOGAR”: A banda de Mikel Izal tornou-se um dos maiores grupos da cena independente espanhola. Mas o que mais surpreende em “Hogar” (Hook, 21), seu novo LP, é que, ao invés de nos mostrar uma banda acomodada no sucesso, exibe as preocupações de um grupo que não quer se repetir e prefere mover-se para novos lugares sem complexos.

JIMENA AMARILLO – “CÓMO DECIRTE, MI AMOR”: De Valência, com uma mochila cheia de ideias. É assim que Jimena Amarillo, de 20 anos, uma alquimista do bedroom pop, se apresenta. Em “Cómo Decirte, Mi Amor”, seu álbum de estreia, ela destila uma dezena de misturas com efeito imediato e duradouro. Com autenticidade e frescor, Jimena magistraliza a atmosfera acústica com o delicado impulso da música urbana.

ROCIO SAIZ – “AMOR AMARGO”: A também atriz e apresentadora de televisão Rocío Saiz estreia com “Amor Amargo”, um buquê de emulsões pop eletrônicas, com uma aura dos anos 80, através do qual ela põe a ferida no grau de dor que surge de mal-entendidos / encontros pessoais. Sete canções que refletem o estado vital de uma pessoa nascida para questionar todos os idiomas das relações pessoais baseadas na verve ultra orgânica do synthpop.

SHARIF – “DE INMENSIDADES”: Sem ser notado, o rapper aragonês Sharif cresceu para ganhar um lugar de destaque na cena rap espanhola e em parte da América Latina. Agora publica “De Immensidades” (Guspira, 21), obra em que segue caminhos diferentes e para a qual tem uma longa lista de amigos convidados.

KARAVANA – “MUERTOS EN LA DISCO”: Eles nos avisaram com seus singles anteriores, então sabíamos sobre o que poderíamos encontrar no primeiro álbum completo da banda sevilhana Karavana. “Muertos En La Disco” (Vanana Records, 21) é um viciante tratado de guitarra pop rock cantado em espanhol, de olho nos sons mais frescos das últimas décadas, olhando para trás com uma visão de hoje.

TRÊS ESTREIAS NO CINEMA ESPANHOL: Três tão esperadas estreias chegaram aos cinemas espanhóis em outubro: “Madres Paralelas”, o filme mais político da carreira de Pedro Almodóvar, no qual o gênio de La Mancha explora a maternidade e a memória histórica com Penelope Cruz e Milena Smit como protagonistas; “El Buen Patron”, tragicomédia de Fernando León de Aranoa em que Javier Bardem interpreta um empresário perverso e paternalista; e “Quién o Impide”, de Jonás Trueba, que mais do que uma longa-metragem é uma experiência cinematográfica envolvente que olha para a vida de um grupo de adolescentes que acompanha e com quem recria várias situações da realidade que os rodeia.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE LITERATURA CAPÍTULO UNO: A primeira edição do Festival Internacional de Literatura Capítulo Uno foi realizada no Matadero Madrid, reunindo uma seleção da melhor literatura internacional contemporânea em suas múltiplas formas: oral e escrita; poesia, contação de histórias, ficção e não ficção, fabricações especulativas, práticas documentais e escrita crítica. Entre os inúmeros participantes houve uma importante presença ibero-americana com nomes como César Aira, Mariana Enríquez, Marta Sanz, Manuel Jabois, Cristina Morales e Javier Cercas, entre outros.

BIME PRO 2021: Com sucesso – com a presença de mais de três mil profissionais – e com ampla representação latino-americana, foi realizada em Bilbao a nona edição da BIME Pro, uma das principais feiras da indústria musical na Espanha. Entre os dias 27 e 29, foram realizadas inúmeras palestras e encontros sobre diversos temas de interesse do setor. A Faro marcou presença no evento com a apresentação do projeto de aliança de meios e com uma mesa sobre inovação no jornalismo musical. O BIME Pro ainda teve mais de 40 showcases no âmbito do ciclo BIME City e duas noites de shows no BIME Live com a atuação de Bad Gyal, Trueno, Maikel Delacalle, Frente Cumbiero, Natos y Waor, Chill Mafia, Ana Tijoux e Laura Sam e Juan Notário. A próxima parada será em Bogotá, entre os dias 4 e 7 de maio de 2022, quando o BIME Pro fará sua primeira edição na capital colombiana.

O QUE VEM EM NOVEMBRO
Entre os dias 17 e 20 terá lugar em Sevilha a décima terceira edição da Monkey Week, uma grande festa da música emergente com mais de 60 shows e showcases. De 12 a 19, o lendário Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva chegará com a premissa usual: mostrar parte do melhor cinema atual produzido na região. O Festival Eñe irá oferecer, entre os dias 11 e 21, em Madrid e Málaga, conversas, encontros e recitais protagonizados por algumas das principais figuras da literatura e da cultura espanholas.



MÉXICO
por Luis Omar González do site Indie Rocks!

Outubro foi o mês que marcou (esperamos) o fim das restrições causadas pela pandemia e que deixou muitos setores de trabalho na incerteza devido aos danos econômicos que a parada forçada representou. Agora estamos mais próximos de avançar com a vacinação da população, e embora não seja uma generalidade, as principais cidades do país voltaram à luz verde, o que nos permite ter um farol de esperança para reativar a indústria da música.

Muitos eventos já foram anunciados, outros remarcados e outros estão em plena reconstrução, mas podemos dizer com muito orgulho que estamos entre os primeiros a voltar em grande escala. O Festival Hypnosis 2021, além de ser o evento que nos representa como meio de comunicação, é agora também uma oportunidade de reunir públicos ávidos por música ao vivo e esperamos que com todos os cuidados e orientações necessárias, tenhamos um festival de qualidade como nas edições anteriores, esse novo começo se dá graças ao apoio do público. Abaixo, nossos destaques de outubro.

SILVANA ESTRADA – “TE GUARDO”: A mexicana Silvana Estrada continua a liberar previas de seu disco de estreia após estrelar o Tiny Desk (Home) Concert, da NPR Music. “Te Guardo” é a terceiro single do vindouro “Marchita”, que ela lançará em 21 de janeiro de 2022 via Glassnote Records. Essa faixa é cheia de emoções, fala sobre aquela fé e esperança que temos por um ente querido, na esperança de que um dia ele volte mas que, caso contrário, essas memórias estarão para sempre guardadas.

CLUBZ – “METEORO”: Clubz, de Monterrey, está de volta com “Meteoro”, a segunda prévia de seu próximo disco, um compendio retro cheio de vibrações funky dos anos 60-70, para desfrutar à vontade. A música conta com a colaboração de Wet Baes além da co-produção de Kiddzie e Israel Zacarías. Segundo afirmam, o projeto reconecta e materializa “aquela viagem ao passado movida pela saudade que tanto buscavam”. Confira a faixa com o vídeo feito pelo coletivo audiovisual Fuerzas Básicas.

THE FROYS – “E1 PORTAL”: Aproveitando o recente lançamento de nossa página irmã Hypnosis apresentamos o vídeo mais recente de The Froys, uma banda da Cidade do México que, com uma atitude aparentemente despreocupada, fala sobre um tema com o qual todos podemos nos identificar: o esgotamento do isolamento. Este é acompanhado por “El Portal” com um vídeo animado, cheio de psicodelia para acompanhar a energia deste trio 100% chilango.

PETITE AMIE – “SUBMERGETE (LIVE SXSW)”: Às vezes, não é preciso mais do que uma boa gravação ao vivo para capturar a essência de uma banda, como é o caso deste combo baseado na Cidade do México, Petite Amie, que aproveitou sua recente passagem pelo SXSW para gravar uma versão ao vivo de “Submergete“. Ao longo de quatro minutos, a banda explora um mar de som e energia acompanhados por sintetizadores, bateria eletrônica e uma voz que nunca perde a sensação que a versão de estúdio por si só oferece.

MENGERS – “I/O”: No início do mês tivemos a oportunidade de ouvir as novidades dos Mengers, uma banda que nunca deixa de nos surpreender com a sua combinação de guitarras, estridência e muita atitude, sem contar a produção de Hugo Quezada sob o abrigo do estúdio Progreso Nacional. “I/O“, single que fará parte do terceiro álbum da banda da Cidade do México, destaca um vídeo que combina a força da banda ao vivo e a estética fria e deprimente de uma fábrica, fazendo com que quem o assista tenha vontade de fazer o mesmo.

METH MATH – “MURO DE LOS LAMENTOS”: No pólo oposto encontramos Meth Math, um coletivo que inicialmente combinava eletrônica com cumbia e sons diretos para bailes, mas agora também se apresentam como potenciais precursores do HyperPop. Sua música “Muro De Los Lamentos” é mais uma aventura sonora de Ángel Ballesteros, error.error e Bonsai Babies, que cativa com seu vídeo arrepiante; Dirigido por Moni Belle Hayworth, o clipe retrata a história de uma garota chamada “La Toxica” em uma homenagem aos filmes B dos anos 80.

RPLK – “NO SOY DE AQUÍ”: Diretamente de Guadalajara vem outra música do RPLK, projeto de Verónica González que em dezembro lançará seu EP de estreia, “Epocas Perdidas”, que mescla o melhor do retro e da atualidade com uma voz etérea que promete cativar. Seu primeiro single chama-se “No Soy De Aquí“, uma balada que mistura o melhor do R&B contemporâneo com aquele toque clássico hipnotizante.

CONCEPCIÓN HUERTA FEAT MABE FRATTI – “ESTÁTICA”: A produtora mexicana Concepción Huerta deixou-nos com a promessa de uma futura colaboração com a violoncelista guatemalteca Mabe Fratti. Enfim chegou a hora de saber o resultado dessa união de talentos com o single “Estática”. Lançado via Sare Recordings, é uma tela de sons e vozes distorcidas criando passagens desoladas. Faz parte de um EP com o mesmo nome.

ASAPH SÁNCHEZ – “RENAISSANCE”: Asaph Sánchez está no cenário musical há alguns anos, contribuindo com seu sax em produções de artistas como MexFutura e La Banda Bastön; mas é em sua estreia, “Renaissance”, onde explora os sons da eletrônica, gerando texturas em cada faixa que buscam criar emoções no ouvinte.

ERICH – “ELLA”: Com dois EPs e um álbum “Canciones I”, lançado este ano, o cantor de Aguascalientes, Erich alcançou reconhecimento em pouco tempo dentro da cena independente mexicana. Esta exposição levou-o a ser convidado para o Vive Latino 2022, que será o primeiro grande festival da sua curta carreira. No mês passado ele lançou “Ella”, uma música que fala da perfeição de uma garota que faz o tempo parar para que você pense nela.

SGT. PAPERS – “SGTP”: De Hermosillo, Sonora, chega uma novo lançamento de Sgt. Papers que apresenta seu terceiro trabalho chamado “SGTP” que continua o caminho de experimentação, energia e muita atitude de uma banda que busca seu lugar no cancioneiro de rock mexicano.

DILES QUE NO ME MATEN – “LA VIDA DE ALGUIEN MÁS”: Diles Que No Me Maten estreia novo álbum via selo Discos Hipnosis. Em “La Vida De Alguien Más”, a banda se delicia em experimentos sonoros onde a guitarra continua como a anfitriã da festa, em um trabalho que soa mais maduro sem parecer banal.

O QUE VEM POR AI
Já mencionamos no início, mas não podemos parar de falar sobre a quarta edição do Festival Hypnosis, que desta vez retorna à Cidade do México em um novo formato entre o Foro Indie Rocks! e o Quarry Studios, nos dias 4,5, 6 e 7 de novembro. Com uma escalação muito diversa: desde a já consagrada La Femme e TR / ST, passando por um set muito especial do 50º aniversário de Avándaro a cargo de Los Dug Dug e talentos nacionais destacados como Lorelle Meets the Obsolete, ACTY, Mengers e mais

De 27 de novembro a 5 de dezembro deste ano será realizada a 35ª edição da Feria Internacional del Libro de Guadalajara, tendo o Peru como convidado de honra. O maior encontro do mundo editorial em espanhol, como comentam em seu site, será imperdível. Verifique todos os detalhes do seu programa: https://www.fil.com.mx/



PERU
pela equipe do site Rock Achorao

No Peru, o mês de outubro era o mês roxo, para a festa religiosa do Senhor dos Milagres. Quatro semanas de penitência pela alta do dólar e pela crise política. Apesar disso, um grupo de talentosos artistas deixou mais de um encantado. Canções sagradas que surgiram entre os ritmos mais engraçados ligados ao indie e lo fi, a estridência das guitarras com canções calmas e a experimentação com vibrações eletrônicas inseridas no pop. Peças que demonstram um objetivo claro para eles: Reinvenção.

Aqui está uma amostra sólida de lançamentos que vale a pena adicionar à sua lista de reprodução pessoal.

ADEMILXHORA X SEBASTIÁN GEREDA – “BORIN”: A talentosa dupla indie pop peruana exibe com “Borin” uma proposta nada enfadonha, recarregada com o melhor de Sebastián Gereda e Ademilxhora, mostrando uma química interessante que vai além da canção. Como evidência está todo o material visual promocional do single. Um canto que gruda em seu rosto em que “o tédio é o estresse do século 21”. Maravilhoso.

LAIKAMORÍ – “AMOK / HYPNO”: Laikamorí é talvez a dupla mais misteriosa e enigmática do indie peruano. “Amok” e “Hypno” são um single duplo que antecipa o novo som de seu próximo álbum. Ambas as canções mantêm a essência dark do projeto, reunindo a perfeição elementos de dreampop, space rock, eletrônica e krautrock com os quais recriam – em momentos – sentimentos tão diversos como inquietação e calma, ou esperança e caos. Uma verdadeira viagem espacial sem sair de casa.

ANALU – “QUIEN QUIERO SER”: A artista folk indie adolescente AnaLu apresenta seu segundo single, “Quién Quiero Ser”. É uma música que explora a alma e a mente, purificando os sentimentos e a inveja do mundo virtual em que vivemos. AnaLu, encontra nas redes sociais um espelho de quantos de nós nos deixamos influenciar por supostos casos de “sucesso”, sentindo-nos vulneráveis ao nosso futuro.

LA FICCIÓN – “CAER”: “Indie folk praiero”. É assim que La Ficción se apresenta com o seu novo single. Depois de passar alguns meses trabalhando em “Solar”, seu novo EP, apresentam “Caer”, uma música que, sob os conceitos astrológicos, nos convida a entender que todas as quedas e tropeços fazem parte do aprendizado da vida. E eles têm razão.

LOS NIÑOS VUDÚ – “3 AM”: De Pueblo Libre, conhecido bairro da capital peruana, chega Los Niños Vudú. Embora a pandemia tenha atingido milhares de artistas em termos de ensaios, LeVudús aproveitou para produzir esta divertida canção, quebrando o estilo característico de obras anteriores, como o seu álbum “Ultravioleta”. “3AM” é novo, desafiador e vale a pena compartilhar.

A.CHAL – “ZORRO”: A.CHAL, o mais importante expoente do trap latino e do R&B a nível global, volta à baila com seu novo single, “Zorro”, uma faixa introspectiva com uma carga bastante emocional na qual faz uma catarse e nos diz que atua e se move como uma raposa astuta. E, como sempre, a produção musical é de primeira qualidade. Experimente o Spotify com temas que vão te impressionar.

LOS LAGARTOS – “AMORCITO”: A banda de Lima mantém-se fiel ao seu estilo inspirado no pop rock dos anos 80 com “Amorcito”. Sendo uma de suas músicas mais longas, temos uma história muito diferente do normal. Com rimas bem elaboradas e sonoridade aprimorada, Los Lagartos está atrás de mais. Teremos que esperar seu próximo álbum e ouvir a agradável surpresa que eles geram.

NI VOZ NI VOTO – “VII”: Ni Voz Ni Voto é uma banda veterana que admiramos. Eles se formaram e cresceram no meio de um circuito underground com muitas complicações, mas graças à sua proposta e boa atuação conquistaram o coração de várias gerações de fãs. Agora, quase 30 anos depois, apresentam seu sétimo álbum de estúdio. “VII”, o mais arriscado de sua carreira, que mantém sua atitude visceral, mas incorpora gêneros variados como rap, trap e eletrônica. Eles permanecem jovens mesmo com o passar dos anos.

VUDUFA – “AFROAMBIENCE”: “AfroAmbience” é uma virada de 180° bem-sucedida que nos permite reinventar o som da proposta eletrônica Vudufa. Um EP bicolor que reúne elementos da música afro-peruana e que procura criar de paisagens sonoras apelativas a emoções extremas, que estão perfeitamente plantadas nas seis obras que integram a produção. Recomendado para quem deseja viajar além da percussão cajon peruana e dos sintetizadores etéreos.

O QUE VEM EM NOVEMBRO
Está a chegar a primeira edição do “VMF PRO”, uma nova plataforma de “networking” que promove a música independente, local e internacional da empresa Veltrac Music. Por fim, será divulgado o line-up da esperada primeira edição Festival Peru Central, que acontecerá na cidade de Huancayo, em julho de 2022.



URUGUAI
por Kristel Latecki do site PiiiLA

Apesar de continuar com capacidade limitada e protocolos rígidos de apresentações públicas no Uruguai, em outubro deste ano um festival realizado em Punta del Este não cumpriu as recomendações do Ministério da Saúde Pública e revelou diferenças e injustiças no tratamento da cultura uruguaia. O America Rockstars foi realizado no âmbito do evento America Business Forum e contou com shows ao ar livre de María Becerra, Mau e Ricky, Pekeño 77 e mais. Com público vacinado, mas sem distância social ou máscaras. A repercussão não tardou a chegar. O coletivo Uruguay es Música fez fortes reivindicações aos ministérios e à Presidência pedindo a abertura para todos e a eliminação de limites de lotação. No entanto, os protocolos ainda não foram flexibilizados e não foi anunciado que haverá multas para a produção do festival.

Enquanto isso, a agenda continua lotada e os shows continuam a ser realizados com as limitações atuais. E em termos de lançamentos, alguns dos destaques do mês foram os seguintes.

JORGE DREXLER Y C. TANGANA – “TOCARTE”: Jorge Drexler e C. Tangana já tinham nos oferecido uma grande colaboração para o álbum “El Madrileño”, e agora estão levantando a aposta novamente com outra excelente faixa. “Tocarte” na verdade precede “Nominao” e, segundo um comunicado, foi criada em conjunto com Víctor Martínez e Pablo Drexler em meio à pandemia, “numa época em que interações habituais, como abraços ou beijos, de repente se tornam ações de risco”, diz Tangana. “Pucho e eu escrevemos a letra pela metade, mas o leme musical daquele navio de quatro foi conduzido por ele com aquele brilho desavergonhado, aquele frenesi e aquela generosidade que ele tem quando trabalha”, acrescenta Drexler. A pulsação acústica e percussiva de “Tocarte” lembra as criações de “Salvavidas de Hielo’ (2017), porém, é aqui levada mais para o mundo da música urbana e dos sons recarregados pela eletricidade do contato.

NIÑA LOBO – “DENTRO”: Agora você já pode confiar cegamente em Niña Lobo para entregar vídeos divertidos e espirituosos. Mesmo assim, com “Dentro” – a primeira prévia do próximo álbum –, elas conseguiram surpreender. Invocando o “espírito do Twitter” com um tabuleiro Ouija com resultados fatais, o quinteto acompanha uma música que mostra seu perfil mais pós-punk e garage, onde se destacam a guitarra de Cami Bustillo e a bateria impecável de Juli Guerriero.

LOS BITCHOS – “LAS PANTERAS”: A banda anglo-uruguaia Los Bitchos, que tem se deliciado com sua cumbia instrumental psicodélica, acaba de apresentar o single inaugural daquele que será seu primeiro álbum, “Let The Festivities Begin!”, produzido por Alex Kapranos. Como já haviam adiantado no “CADENCIA, o podcast PiiiLA”, o quarteto se inspirou na música turca e em “Las Panteras” você pode vislumbrar parte de tudo o que está por vir. Seu vídeo engraçado estrela a gangue no modo de espionagem dos anos 60, em busca da Pantera titular.

CAMILA SAPIN E ALFONSINA – “UNA CONTIGO”: Duas vozes admiráveis se juntaram para criar uma música groovy e charmosa. Camila Sapin e Alfonsina trouxeram sua amizade para a música e com “Una Contigo” se cercam de uma estética R&B tendo o baixo como guia e um refrão que deixa o ouvinte aguardando cada verso. Acompanhe um lindo vídeo dirigido por Federico Molinari e inspirado no filme “Persona”, de Ingmar Bergman.

MOCCHI – “URANO”: Ao ritmo de um bolero cadenciado e quase cumbiero, Mocchi oferece uma nova canção com o músico e produtor Tato Cabrera. Em “Urano” ele cria versos que ressoam especialmente nestes momentos, pois se transformam em mão estendida para romper com a distância. “Eu te dou essa música para que você sinta que estou perto / eu teria preferido nunca mais sair”, ele canta como se encerrasse um abraço.

INCLUSO SI ES UN SUSURRO SOVIÉTICO – “INDIE IS MURDER”: Do interior de Tacuarembó, Federico Cáceres vem produzindo música com o nome Incluso Si Es Un Susurro Soviético, numa mistura de pós-punk, surf triste e sensibilidade centenária que o coloca em um lugar estranho, atemporal e contemporâneo. Depois de um ótimo segundo LP, ele voltará no ano que vem com um novo álbum e seu primeiro single é “Indie is Murder”, um hino deprimente e impossível de separar da realidade pandêmica: “Fomos separados de nós mesmos / Dançar não soa mais bem”, ele canta.

PAR FEAT CAMILA RODRIGUEZ – “YA”: Em 2018, o músico e produtor Par editou “Hiper”, um trabalho em que combinou sua estética futurista e climas eletrônicos sombrios com várias vozes e composições de artistas femininas. Era uma distopia na estrada de Montevidéu. Agora, ele retorna com “Ya”, outra música que segue no caminho das colaborações. O single, que fará parte de “Ciclos”, seu próximo álbum a ser lançado em dezembro, traz a voz e a letra de Camila Rodríguez (Niña Lobo), adicionando sutileza e atmosfera etérea da faixa.

GUITARBABY – “B.O.A.T.”: Experimentando dentro e fora dos confins do hip hop e R&B, guitarbaby lançou um novo EP, “B.O.A.T.”. Ao contrário da estreia introspectiva “Internet Drama” (2019), neste trabalho ela se fortalece e está em primeiro plano, se exibindo por trás dos controles e até deixando outras vozes ganharem maior destaque. Alfonsina, Nomusa, Berna, OLHOSDAGUA e NÜRY aparecem aqui, contribuindo com seus versos e até faixas: o EP é encerrado com uma nova versão de “Expect Luv” criada originalmente para o álbum de Nomusa, “F.A.T.U.M.” (2020).

EL COLOR AUSENTE – “EL COLOR AUSENTE”: Após vários singles que marcaram um caminho sonoro de introspecção e luminosidade sombria, El Color Ausente finalmente lançou seu álbum de estreia autointitulado. Com a produção artística de Santiago Marrero, o quinteto comandado pela voz de Liz Bohlmann constrói ambientes sugestivos e viagens etéreas. Entre canções pós-punk que convidam a uma dança suave, eles também oferecem um pequeno hino acústico para os introvertidos.

MINIMA – “EMPERATRIZ”: Depois de lançar um EP junto a Pau no ano passado, a cantora e compositora Minima retorna com um segundo LP que reúne muitas das músicas que mais impressionaram e encantaram no ano passado, acompanhada de sua nova banda. “Emperatriz” é um álbum necessário de rock afiado, carregado de simbolismo (como a canção que dá nome a esta obra, e que narra uma leitura de tarô), romances modernos, momentos punk e até cumbieros.

LEIA OS PANORAMAS ANTERIORES DA FARO

One thought on “Faro: Panoramas de OUTUBRO 21 na Música e Cultura Ibero-americana

  1. Maravilha!
    Aproveitando, deem uma conferida no album de Paulo Araujo: O Traficante das canções; a faixa título foi premiada no VIII PREMIO DE CRIACAO DE CANÇÕES 2021 – IBERMÚSICAS.

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