Faro: Panoramas de SETEMBRO na Música e Cultura Ibero-americana

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Dez sites de nove países unidos pelo ideal de compartilhar cultura e, com ela, ideias, sonhos, desejos, revoluções. Ouça a nossa playlist de setembro no Spotify!

ARGENTINA
por Juampa Barbero / do site Indie Hoy

Setembro deixou em seu caminho vários lançamentos que recomendamos aqui. Com os shows já consolidados no novo normal, a música voltou a ocupar o espaço que havia desaparecido da agenda durante o período mais estrito da quarentena. Agora, as estreias recuperaram a aura iridescente que desperta em seus ouvintes a emoção de ouvi-los e depois se encarnar ao vivo, sob as luzes e entre as pessoas, como tanto desejamos que finalmente acontecesse.

LAS LIGAS MENORES – LIVE ON KEXP AT HOME: No âmbito do projeto Aquí y Agora, Las Ligas Menores gravaram uma sessão para o Live on KEXP at Home no Centro Cultural Kirchner de Buenos Aires. A enérgica apresentação incluiu canções recentes como “La Nieve” e clássicos como “A 1200 km”. A estação de rádio de Seattle, nos Estados Unidos, se uniu ao Ministério da Cultura da Argentina para esta sessão.

JUANA MOLINA – “SEGUNDO REMASTERED”: Em comemoração aos 21 anos de “Segundo”, Juana Molina apresentou uma reedição especial remasterizada das fitas originais e acompanhada por um livro revelador com material inédito, desde fotos e desenhos a entrevistas e anedotas contadas por Roque Di Pietro e pela própria artista. Nesta entrevista, a artista analisa seu icônico álbum de 2000, canção por canção.

LOS SIBERIANOS – “AÚLLAN LOS PERROS”: Los Siberianos lançaram “Aúllan los perros”, nova prévia de seu segundo álbum. Depois de nos cativar com uma série de singles pandêmicos – “Perdido Entre La Gente”, “La Mentira Trágica” e “Cuenta Conmigo” –, o grupo pampeano investiga suas raízes com uma marca de folk-rock e poéticas viscerais para aumentar as expectativas. o sucessor de “Algo Tuyo” (2018).

FLORENCIA RUIZ – “AULLIDO”: Florencia Ruiz lançou seu oitavo álbum solo, “Aullido”. Ao longo de 11 canções, a cantautora toma a experimentação como seu estandarte criativo e nos convida a mergulhar em um universo caloroso e reconfortante. As faixas convidam a levitar por diferentes sons que denotam um despertar poético, desde o início com “Alguien Que No” até ao fim com “Mi Amor”.

SANTIAGO MOTORIZADO FEAT. VICENTICO – “TONTO CORAZÓN”: Santiago Motorizado juntou forças com Vicentico em “Tonto Corazón”, uma cumbia que o vocalista do El Mató compôs para a reestreia da minissérie “Okupas”. Longe do barulho, o músico de La Plata mostra sua versatilidade mergulhando no gênero popular e teve o luxo de compartilhar versos com o líder dos Los Fabulosos Cadillacs para mimetizar com eloquência sua obra às necessidades do roteiro.

ISLA DE CARAS – “UMA CARICIA”: Isla de Caras sintetizou todo seu turbilhão pop psicodélico em seu novo álbum, “Una Caricia”. O sucessor de “Chango” (2018) é composto por 10 canções e é centrado no tema da separação embalada por um indie pop romântico. Foi editado pelo selo Costa Futuro e contou com as contribuições de Rosario Ortega, Vanessa Zamora, Clara Cava, Delfina Campos, Juana Rozas e Axel Fiks.

AXEL FIKS – “AMANTE MODERNO”: Axel Fiks lançou seu primeiro álbum, “Amante Moderno”. O cantor, compositor e produtor portenho de 23 anos retrata em suas nove canções uma ode ao amor em tempos centenários. O sucessor de “Idilio” (2018) aborda em seus temas poéticos a dualidade do amor, a toxicidade, a desconstrução e a solidão com uma impressão bilateral que irradia tanto luminescência quanto escuridão.

TAICHU – “FREE DOLLY” / “RACE”: Depois de “Tolkin Yit”, Taichu continuou sua sequência de faixas explosivas com um single duplo produzido por Molok0 e Luigi Navarro. Em “Free Dolly” e “Race”, a integrante do Rip Gang funde elementos de trap e hiper-pop para demonstrar mais uma vez sua atitude afiada e eloqüente que a diferencia. O lançamento foi acompanhado por um clipe dirigido por Juli Grass e Juanita.

EVE CALLETI – “OSADÍA”: Depois de adiantar “Pisteando”, a cantora e compositora mendocina Eve Calletti publicou seu primeiro álbum: “Osadía”. Este conjunto de nove faixas mostra sua maturidade artística e sua capacidade de fundir trap, R&B e música eletrônica. O disco foi produzido por Leandro Lacerna e conta com a participação de Mora Navarro, La Valenti, Clara Cava e Lima Beats.

HIPNÓTICA – “MIXTO”: A dupla cordovesa Hipnótica dividiu o repertório completo de seu novo álbum, redefinindo o conceito de mixtape à sua maneira. Composto por nove músicas, “Mixto” oscila entre diferentes sons que vão do pop e folclore ao hip hop e R&B. Ao longo de 32 minutos, encontramos hóspedes de luxo como Chiara Parravicini, Dinastía e Yeyo.



BRASIL
por Marcelo Costa / do site Scream & Yell

Após um 7 de setembro (data que se comemora o Dia da Independência do Brasil) turbulento com bolsonaristas desejando um golpe político e a cômica, se não fosse trágica, viagem da comitiva presidencial brasileira (liberada por um presidente negacionista que se nega a tomar a vacina contra a Covid) infectada pelo vírus, até que o mês passou sem tantos percalços, ainda que a inflação e o desemprego aumentem diariamente a níveis que não estávamos acostumados a muito tempo. A música e a cultura seguem cumprindo o seu papel de nos acalentar, principalmente em momentos difíceis (como esse). E não podemos reclamar: setembro foi um mês de lançamentos importantes! Conheça alguns destaques!

CHARME CHULO – “O NEGÓCIO É O SEGUINTE”: Da região Sul do Brasil, a adorada banda indie Charme Chulo retorna, após sete anos, com seu quarto disco de inéditas, “O Negócio é o Seguinte”, mantendo sua estética característica que une o rock inglês oitentista com expressões do sertanejo raiz brasileiro, através do uso caprichado da viola caipira. O single “Nem a Saudade” dá uma amostra do trabalho do quarteto num clipe dirigido pelo cineasta Raul Machado (diretor de peças audiovisuais de Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp e Sepultura, entre outros), em parceria com Arnaldo Belotto.

SENDEIROS – “SENDEIROS”: Sendeiros nasceu em 2007 como um projeto de Arthus Fochi e alguns amigos com o objetivo de criar uma espécie de laboratório musical de ritmos latino-americanos. O álbum homônimo começou a ser produzido e gravado em 2011, mas só no final de 2020 foi concluído, ganhando às plataformas de streaming em setembro, contando com a participação de grandes músicos da cena do Rio de Janeiro e, ainda, de Tita Parra, neta da icônica artista e compositora chilena Violeta Parra. No Scream & Yell, Arthus comentou o disco faixa a faixa!

MARINA SENA – “DE PRIMEIRA”: Após se destacar nos ótimos grupos Rosa Neon e Outra Banda da Lua, a mineira Marina Sena lançou o álbum de estreia mais elogiado e badalado da música brasileira em 2021, “De Primeira”, que vem arrebatando elogios e fãs com sua mistura envolvente de samba, dancehall, reggae, axé music, brasilidade e muita sensualidade. O single clipe “Me Toca” já passou de 1 milhão de visualizações no Youtube, e os plays no Spotify estão se multiplicando, reconhecimento de uma artista pop pronta para o sucesso nacional.

BOREALIS – “REWIND”: O álbum de covers: clichê, homenagem sincera, falta de imaginação ou tudo isso junto? O Borealis, projeto de música eletrônica ruidosa baseado no Rio de Janeiro, desafia as definições simplistas com “REWIND”, seu quinto LP, e terceiro lançado pelo Selo Scream & Yell (que sempre disponibiliza o material para download gratuito). “REWIND” reúne versões de canções de Pink Floyd, Joy Division, Spacemen 3, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, The Bad Plus, Kraftwerk, Durutti Column e John Barry. Assista ao clipe de “Interstellar Overdrive”!

PAPISA + HAEMA – “FORTUNA”: Um convite do pesquisador musical português André Gomes de unir artistas do Brasil e de Portugal para compor juntos levou Papisa (BR) e a dupla HAEMA (PT) a unir forças. O resultado é a canção e clipe “Fortuna”, que ganhou premiére (com as artistas falando sobre o projeto) no Scream & Yell. “Falamos de mulheres e de música sobre processos, ciclos e travessias, como Jenny Hval e Fiona Apple, mas também de James Blake e boards of canada”, comentou HAEMA. Assista abaixo!

VANGUART – “INTERVENÇÃO LUNAR”: Entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021, a banda de folk rock Vanguart esteve em estúdio e gravou algumas canções inéditas. As novas composições serão lançadas em dois álbuns. O primeiro é “Intervenção Lunar”, com sete faixas que expressam intimidade e doçura. “O álbum aborda temas como desejo e a vontade de uma mudança profunda no mundo através do afeto”, observou o vocalista e violonista Helio Flanders. No Scream & Yell, o trio comentou faixa a faixa as canções do álbum.

ISABEL LENZA – “VÉSPERA”: Quatro anos após debutar com “Ouro”, Isabel Lenza apresenta seu segundo trabalho, “Véspera”, um disco que começou com um projeto de single da artista com o requisitado produtor mineiro Leonardo Marques (ex-Transmissor) e acabou se transformando em um álbum feito a quatro mãos. A sonoridade que brotou desse encontro é dançante, com fragmentos do rock anos 10, bastante puxado para o dream pop. Já a temática se revela sentimental. No Scream & Yell, Isabel Lenza fala mais sobre o disco.

VIVIAN BENFORD – “POMAR”: 37º lançamento do Selo Scream & Yell, “Pomar” é uma coletânea que reúne faixas inéditas e os primeiros trabalhos de Vivian Benford, artista admirável que está na ativa desde 1999 com uma grande produção de estúdio que, porém, se encontrava dispersa, presente apenas no YouTube ou no Soundcloud, ou mesmo inacessível ao público. O álbum faz um resgate desse material ao mesmo tempo em que compõe um painel da evolução da carreira da artista ao longo de suas nove faixas. Ouça e baixe gratuitamente no Scream & Yell. Assista ao clipe de “Seo Zé”.

JUÇARA MARÇAL – “DELTA ESTÁCIO BLUES”: Um dos fortes concorrentes a melhor disco brasileiro de 2021: “Delta Estácio Blues”, segundo disco solo de Juçara Marçal, com produção musical de Kiko Dinucci (os dois integram o grupo Metá Metá). Se em “Encarnado”, sua estreia solo, o clima era de tensão, aridez e luto, agora Juçara procura criar edificações a partir de lascas, destroços revelando posicionamentos da artista enquanto mulher negra no Brasil. Racismo, negritude, feminino, ancestralidade surgem em versos contundentes, sem nunca perderem de vista a poesia. Assista ao clipe de “Crash’.

CINEMA – “A ÚLTIMA FLORESTA”:A Última Floresta” (2021), filme de Luiz Bolognesi que estreou em setembro, traduz em imagens uma básica condição a se pleitear como ser humano: a condição da vida. O filme explica que “os Yanomamis vivem em um território no Norte do Brasil e Sul da Venezuela há mais de mil anos, e que 500 anos antes desses dois países existirem, eles já estavam lá”. Hoje, o povo indígena busca por fazer valer o direito de permanecer naquelas terras e a “A Última Floresta” é um filme denúncia que busca lançar luz sobre a importante luta desse povo. Essencial!



CHILE
por Alex Miranda, da POTQ Magazine

Setembro é o mês da festa nacional no Chile, mas também um mês que dói. O 11 de setembro de 1973 é uma data que continua viva, entre outros motivos, pela impunidade histórica dos crimes cometidos durante os anos da ditadura que, após uma revolta social, também assume outras cores e análises.

Setembro de 2021 também dói porque Patricio Manns, uma das figuras fundamentais da música popular chilena, nos deixou aos 84 anos. O músico, que também foi escritor, jornalista, mineiro em Lota, operário, fundador da Peña de los Parra e até mesmo roteirista (“La Cantata de Chile”, 1976), deixa um legado inestimável de música valente, bela e viva.

Deixamos aqui as novidades que nos fizeram sorrir neste mês difícil.

SOY IRRACIONAL – “ME COMO TUS HORAS”: Soy Irracional lançou seu primeiro e único álbum em 2017, mas continuou lançando singles todos os anos, e “Me Como Tus Horas” é o mais recente deles, ambém servindo como uma prévia para seu segundo vindouro álbum, “Modernica”. A música é uma abordagem tímida do indie-pop da banda, ao baixo preciso e à bateria seca do pós-punk que teve um renascimento, mas tudo com a voz distinta de Soy Irracional.

CANCAMUSA – “SIN MIEDO A LA PROFUNDIDAD”: O segundo álbum de Cancamusa será lançado em 2022, e “Sin Miedo a La Profundidad” é o primeiro single que, como o título sugere, explora relacionamentos amorosos apaixonados. Ao mesmo tempo, a letra muda de tempos verbais, percorrendo as diferentes etapas da paixão, algo que segundo a artista está ligado ao nosso jeito de ser latino: “Há uma transformação e uma mudança de cor. Uma das coisas que aprendi em algumas viagens pelo mundo é que na América Latina amamos com uma paixão indescritível, que a loucura corre nas nossas veias e que a visão do amor nos diferencia de outras culturas, isso chamou a minha atenção e será parte de algumas das minhas próximas canções”.

HORDATOJ – “NO RESISTAS”: Nove anos se passaram desde que Eduardo Herrera, mais conhecido como Hordatoj, lançou suas últimas músicas, mas agora ele está de volta com um álbum que será lançado em novembro e se chamará “Al Amanecer”, através do selo Potoco Discos. O primeiro single intitula-se “No Resistas” e mostra os sons R&B que já tínhamos conhecido na primeira fase do rapper, só que desta vez conta com a companhia da estadounidense Jimetta Rose nos backing vocals dando um frescor à canção. Ouça aqui.

NICOLE – “VALIENTES”: A nova música de Nicole, “Valientes”, mostra uma tentativa de renovação da cantora, utilizando mais samples e bases eletrônicas que se misturam com o pop consagrado da artista. A música, gravada remotamente, é uma prévia de “Claroscuro”, seu próximo álbum que será lançado no próximo ano. Nas palavras da rainha do pop chileno, “Valientes” fala das situações que nos tornam corajosos: “Há algo de intuitivo ligado à força interior que nos impulsiona a continuar. Não precisamos ser a caricatura da heroína ou do herói ou ser corajosos”. Há poucos dias, ela também lançou seu videoclipe, dirigido por Javiera Eyzaguirre.

DINDI JANE – “MILAGROS”: Após incursões no electropop e no trap, o projeto musical de Dindi Jane retorna com “Milagros”, uma música com o violão como personagem principal, algo que a própria artista define como “uma viagem de carro pelas nuvens”. Além disso, o vídeo é uma réplica tomada a tomada do icônico videoclipe da música “Ironic”, de Alanis Morisette. “O remake foi amplamente utilizado em filmes, mas não em videoclipes, então achamos que seria inovador seguir esse caminho. Além disso, combinou muito bem com a música, que é simples e nostálgica”, afirma. Nós amamos.

PABLO FELIÚ – “CORAZÓN ENVENENADO (SOULFIA REMIX): Esse remix nasceu de um stories do Instagram onde SOULFIA ouvia a música de Pablo Feliú, o que acabou levando os dois artistas a colaborarem nessa nova versão. Com a voz do cantor, “Corazón Envenenado” ganha uma nova vida, apesar de continuar a falar sobre relacionamentos tóxicos. Um dos melhores do mês, embora sejamos honestos com você, gostaríamos de ter ouvido mais versos inteiros cantados pela cantora. Ouça o remix.

PRINCESA ALBA – “BESITOS, CUIDATE”: Parece mentira que “besitos, cuidate” seja apenas o primeiro álbum de estúdio de Princesa Alba, pois nesses quatro anos de carreira a cantora já gravou muitos sucessos. Mas este álbum é outra coisa. Ao contrário de sua mixtape “Del Cielo”, este trabalho se move entre estilos diferentes sem nenhum problema: “O álbum reflete completamente quem eu sou, minha personalidade. Gosto de explorar cada estilo, porque nunca gostei de me classificar em apenas um”. Além disso, “besitos, cuidate” destaca-se por um número limitado de convidados, mas todos eles precisos: Duda Beat (‘narcisa’), dona Nina (‘nasty’) e Pimp Flaco (‘simplemente’, uma verdadeira surpresa). Um pedido: não deixe de ouvir de “pinky promise”.

MASQUEMUSICA Y DJ PÉREZ – “HECHO EN CASA”: Tanto Masquemusica quanto DJ Pérez são parte essencial do projeto Bronko Yotte há anos e agora ambos se encontram em três canções no EP “Hecho en Casa”, que também é acompanhado por um curta-metragem de 13 minutos dirigido por Cristóbal Cisternas e @cuadromagico. Nem as músicas nem o vídeo contém desperdícios, e mostram os lugares que a dupla pode chegar. Vê-se que é uma colaboração muito natural, quase que uma questão de tempo. Você pode dizer que eles se conhecem e têm poderes. O hip hop e o soul falam-nos nestas três canções inéditas, sobre o amor, o cuidado com os limites e se entregar à mudança. Não esqueçamos “Ciega”, um bolero trip hop que Masquemusica comenta: “Nasce 2020. Com o confinamento, todos vimos como as mulheres morriam por causa da violência doméstica. Que aconteça com uma é como se acontecesse com todas”. Recomendamos esta entrevista com a artista, uma das mais interessantes da cena atual chilena.

JUAN PABLO ABALO Y JUAN PABLO CACCIUTTOLO – “QUIETUD”: Quando se ouve “Quietud”, de Juan Pablo Abalo e Juan Pablo Cacciuttolo, a coincidência de nomes entre os dois artistas parece proposital, já que as canções deste álbum falam de uma conexão musical íntima e precisa, que toca ao piano e os sons do ambiente para alcançar paisagens sonoras (uma frase já desfeita e muitas vezes mal utilizada, mas que em alguns momentos se encaixa melhor aqui para descrever essas melodias). Segundo Juan Pablos, a fronteira entre sonho e realidade foi uma inspiração importante, buscando iniciar ideias sem finais definidos, para ajudar criativamente no processo. Ouça aqui.

ROSARIO ALFONSO – “CANCION PARA ACUNAR”: A existência da música de Rosario Alfonso é uma das coisas que agradecemos nesta pandemia, porque sua arte faz bem. O lançamento deste mês foi “Canción para Acunar”, que a artista define como “uma melodia que funciona como a clássica canção de ninar de que todos nos lembramos desde a nossa infância, cantada em sussurros para nos ajudar a dormir. Neste caso particular, fiz por mim mesma, como forma de contenção e carinho tão necessária nos dias de hoje. Adoraria ter o mesmo efeito protetor em jovens e idosos”. Um presente de setembro baseado no ukulele e no cuatro venezuelano e que fará parte de seu próximo álbum, do qual já conhecíamos de ‘Tranquila’ e ‘Negación’. Um presente para resistir ao final do ano. Ouça aqui.



COLÔMBIA
por Fabián Páez López do site Shock.co

Os mercados culturais estão sendo reativados e em setembro, entre outras coisas, começou a ser elaborada a agenda 2022, o que parece muito bom para a Colômbia. Lançamentos de músicas e estreias de filmes são cada vez mais carregados. De 15 a 18 de setembro, voltaram os showcases do mercado Circulart, de Medellín. Sem dúvida, o encontro entre os agentes do setor com a melhor curadoria do país. Também vimos o BOmm em Bogotá e novos mercados serão anunciados em breve para 2022.

Este mês nasceu um supergrupo de cantautoras, um alienígena nos visitou e lançamos o primeiro hit da obra de um colecionador: o álbum do show de Julio Victoria & La Nueva Filarmonía. Nos acompanhe!

JULIO VICTORIA & LA NUEVA FILARMONÍA – “SUR”: O primeiro recomendado dessa seleção é produto de um dos shows da série “Shock Presenta do Teatro Mayor de Bogotá”. Julio Victoria, produtor obsessivo e músico inquieto, somou quilos ao seu projeto ao vivo e formou um ensemble com a orquestra Nueva Filarmonía. O show foi uma peça de colecionador que gravamos e “Sur” é a primeira das sete músicas que poderemos ouvir no dia 22 de outubro. Trata-se de uma canção que voa alto junto com os arranjos de cordas do maestro Jaramillo, a harpa de Wilmer López, uma interpretação vibrante da Marimba de Larry Ararat e a força da batida que dá o ritmo e o tempo. Venha ouvir.

LAS MIJAS (BRIELA OJEDA Y LA MUCHACHA ISABEL) – “SE VA SE VA”: Duas das cantautoras com mais vigor e vísceras do país juntaram-se para fazer um álbum conjunto com o nome de Las Mijas. Briela Ojeda (da cidade de Pasto) e La Muchacha (de Manizales) são como um supergrupo de cantautoras. Este primeiro single do projeto é uma canção de saudade amorosa, para quem às vezes vai embora, para nunca mais voltar. Tem a suavidade da música camponesa andina e a dor da música de despedida.

DAWER X DAMPER – “ASUNTO SERIO / TATUA”: Da cidade de Cali, Dawer X Damper, vencedores da final nacional do Shock Fest 2019 e hoje figuras famosas do afrofuturismo local, lançou um single duplo. Eles começam com uma afrobeat de desgosto, sem muitos enfeites acima da batida (“Asunto Sério”) e então saltam para um trap hipereletrônica (“Tatua”). Esta dupla de irmãos é o melhor que já aconteceu com a música colombiana nos últimos anos.

AGUAS ARDIENTES – “GUAYABO”: A banda Aguas Ardientes, de Bogotá, tem um novo álbum em mãos e essa música promete risos e reflexões. É um tema que começa descrevendo a sensação universal e inevitável que começa com o Guayabo, a ressaca, o chuchaqui; então leva à depressão e solidão. E então levanta e reafirma. Vá com calma.

CYNTHIA MONTAÑO- ¿DÓNDE ESTARÁS LIBERTAD?: “Algumas portas podem fechar, mas outras reabrirão”. Essa é a frase que abre este lamento com um flow pacífico. O sequestro e o medo de perder a liberdade estão gravados na memória da Colômbia. Cynthia rapea ferozmente sobre como sempre se manter firme e segue questionando uma pergunta que dura eterna.

JOSSMAN – “ME LE PEGUÉ”: Jossman, de Cali, continua a dar asas ao seu projeto afrobeat. Após o lançamento de “Todita” e seu encontro com o falecido Junior Jein, ele viajou para a ilha de San Andrés e lançou uma bomba caribenha ultradançável. Se jogue.

EV – “OKAY!”: Este é o segundo EP de Evelyn Delgado, ou melhor, de EV, uma das promissoras jovens artistas indie de Medellín. Com seu estilo lo-fi de produção e sua voz que parece flutuar pelas canções, EV conseguiu musicalizar a forma como ela pensa, suas inseguranças e suas técnicas de autoconfiança. Quando você quiser se acalmar, ouça “Bien”.

ARMENIA – “GRITA II”: 2021 foi um ano gratificante para a banda Armênia, de Bogotá. No início do ano passaram pelo palco do Teatro Mayor na série Shock Presenta e agora lançam seu segundo álbum, “Grita – II”, um outlet reflexivo que transcende o indie rock e acrescenta toques de vallenato, clima dramático e letras fortes e dolorosas.

CINEMA – “EL OLIVO QUE SEREMOS”: O filme colombiano-espanhol “El Olivo Que Seremos” não só chegou à Netflix em setembro, mas também ganhou 5 prêmios na oitava edição do Prêmio Platino para o cinema e audiovisual ibero-americano. O filme conquistou o prêmio mais esperado da noite ao vencer na categoria Melhor Filme de Ficção Ibero-americana.

CINEMA – “MEMORIA”: Em setembro também foi lançado mais um filme gravado na Colômbia e premiado em Cannes. Se trata de “Memoria”, um verdadeiro trabalho visual e sonoro do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul e estrelado por Tilda Swinton. Aqui, a própria Tilda falou com Shock sobre por que a Colômbia foi tão importante para dar vida à “Memória”.



CUBA
pela Equipe do site Magazine AM:PM

Setembro merece respirar. A partida de El Caballero del Son, Adalberto Álvarez, e do ator Enrique Molina por causa da COVID-19, no início do mês, representou um duro golpe para a cultura peruana. Mas a vida continua, e enquanto nossos filhos são vacinados em todo o país, as autoridades de saúde relaxaram algumas medidas restritivas, o que tem sido como um reforço de energia. Este mês também conhecemos o anteprojeto do novo Código da Família, definitivamente mais moderno e inclusivo que o atual; e as indicações ao Grammy Latino 2021 de vários músicos cubanos que chegaram, como sempre, carregados de polêmica. Mas vamos fazer o nosso trabalho, as recomendações musicais.

EME ALFONSO – TINY DESK (HOME): Eme Alfonso foi selecionada pela National Public Radio (NPR), ao lado de importantes artistas da cena musical internacional como J Balvin, Silvana Estrada e Camila Cabello, para participar do Tiny Desk (Home) que celebra o Mês da Herança Hispânica. Com uma facilidade sempre convincente e através de um formato intimista – acompanhada por piano, baixo, bateria e os coros de seus pais Ele Valdés e Carlos Alfonso – a apresentação de “Ayabba”, “Libre” e “El Bote” soou tão cubana quanto exótica. Histórias feito música.

BUENA VISTA SOCIAL CLUB – “BUENA VISTA SOCIAL CLUB 25TH ANNIVERSARY’: A remasterização do álbum de estreia da lendária orquestra Buena Vista Social Club já está disponível. Por ocasião do 25º aniversário da sua apresentação ao mundo, a editora britânica World Circuit decidiu relançá-lo, como uma joia merecida que nunca deixa de brilhar. Este fonograma contém as canções originais do primeiro álbum, como “Chan Chan” e “El Cuarto de Tula”, e adiciona takes e peças alternativas que não foram incluídas na edição original. Uma tarde ouvindo este álbum o levará de volta aos anos de glória da música tradicional cubana.

BARBARO EL URBANO VARGAS FEAT DAYME AROCENA & IRYA – “AMARILLO”: “Amarillo” é o single mais recente de Bárbaro ‘El Urbano’ Vargas com Daymé Arocena e Irya. Entre passagens afro-cubanas e versos de rap, histórias do pátio são contadas a partir de visões realistas. Uma canção com forte carga de crítica social onde, num ambiente ritual, toques de batá, miscelânea e violinos se misturam às vozes destes três artistas para prestar também uma homenagem, entre orações e cumprimentos, à Virgen de la Caridad del Cobre em seu dia. Os campos de girassóis com seu amarelo pálido representam a deusa.

PUPY Y LOS QUE SON SON – “RE-PERCUSION”: Pupy y Los que Son Son estreou seu mais recente álbum, “Re-percusión” (Egrem, 2021). “Solos tú y yo” é o primeiro single e já chega com clipe. Com fartura de percussões cubanas – essenciais nos processos da música popular dançante cubana e às quais o nome do álbum homenageia –, os sons jovens e o sabor timbero na voz de Dayan Carrera, nos garante muita alegria.

LIANA MILANÉS – “LA GEMA”: Liana Milanés é uma jovem rapper que postou algumas músicas nos últimos meses. A ouvimos em “Miel” com Jota Barrioz há pouco tempo e agora ela nos traz – com um videoclipe dirigido pelo diretor Felo – seu single “La Gema”. A música contém mensagens eloqüentes, feministas e poderosas que se encontram em gêneros como trap e drill americano, ritmos atuais da música urbana que caracterizam a produção da artista.

CHARLY SIABA – “HOJAS MUERTAS”: Charly Siaba é um jovem cantor, compositor e musicista cubano que vive em Houston, Estados Unidos, há vários anos. Com uma carreira em ascensão, desta vez ele nos dá seu single “Hojas Muertas”. Um sentimento que nasce das memórias é vislumbrado através de piscadelas melódico-harmônicas na orquestração (de Charly e seu produtor e amigo Gelo Hau). Os violinos, inspirados por um som que lembra Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, e o solo vintage da trombeta de Diego Hernández, evocam universos cheios de nostalgia e amor. Escute aqui.

FESTIVAL ORLITURA HAVANA 2021 – “LA VIDA ES IMPROVISÁ”: “La vida es improvisá” é o belo tema de apresentação do Festival Oralitura Havana 2021. Nesta sua segunda edição, representantes de repentismo e do rap cubanos se reuniram para criar e gravar nos estúdios Abdala um hino que os identifica como movimentos em constante evolução. O escritor cubano e repentista Alexis Díaz Pimienta (diretor geral e anfitrião do evento) coloca as décimas de apresentação, que conta com Miguel Parapar na produção, Barbarito Torres no alaúde e o carismático Eduardo Llibre nas percussões. Nas vozes estão os rappers da Rapzodia (Leonard Akozta e Daniela Pérez) mais Jaque junto com os repentistas Alex Díaz e Mayra Cruz. Cada um no seu estilo, eles colocaram muito fluxo no tema, que tem um vídeo muito novo de Daniel Arévalo (La Tiza Fims).

MAYKEL BLANCO Y SU SALSA MAYOR feat EL KIMIKO & YORDY – “MUCHO MUCHO”: Para perrear ao som do reparto, agora que os bares abriram e tudo parece estar voltando a uma suposta “normalidade”, propomos o single “Mucho Mucho” de Kimiko & Yordi junto com Maykel Blanco e sua orquestra. Esta canção encontrou nas vozes dos cantores de Salsa Mayor uma união de sucesso, colocando de volta à mesa a versatilidade e os extensos recursos musicais do seu líder. É uma pena que o videoclipe seja mais um no estilo de homens cantando e dançando com roupas e mulheres exibindo passivamente seus corpos.

DAYRAMIR GONZALEZ FT. ALAIN PÉREZ – “MIS DUDAS”: “Mis Dudas” é um tema antológico do maestro Juan Formell que renasce hoje com uma nova sonoridade no CD-DVD “Dayramir González, Tributo a Juan Formell e Los Van Van” (Unicórnio, 2021). Lançado recentemente em plataformas digitais, pelas mãos do pianista Dayramir González, e na voz do seu convidado Alain Pérez, o single transita entre contos musicais ligados ao jazz, música clássica e sons tradicionais cubanos com um toque mais atual. Tudo isso sem perder a essência do songo e da música dançante popular cubana que caracterizam o estilo único de um dos ícones da música popular local. Escute aqui.

JOTABARRIOZ E DAVID BLANCO – “FANTASMA”: Jota Barrioz e David Blanco se reúnem para nos presentear “Fantasma”, música escrita pelo rapper – segundo seu relato – em uma de suas madrugadas. Com sons de pop lo-fi, reggaeton, motivos de baladas e toques de rock bem ligados à obra de Blanco, o tema atualiza nossas listas de músicas para os dias de hoje. O videoclipe, dirigido pelo Felo Diretor, vai perfeitamente ao encontro da estética que os dois artistas defendem. Amores perdidos voltam disfarçados de fantasmas. Você já experimentou essa sensação?

OUTUBRO. O QUE VEM:
As turnês dos nossos músicos por todo o mundo continuam: Cimafunk, Harold López-Nussa Trío e Yusa pelos Estados Unidos, The Committee for France e este mês La Dame Blanche junta-se a Espanha e França. Enquanto isso, esperamos ansiosamente pelo lançamento do novo álbum do Cimafunk, “El Alimento”, com estreia marcada para 8 de outubro.



ESPANHA
pela editoria dos sites Mundo Sonoro e Zona de Obras

Os tempos continuam mudando. A pandemia está gradualmente diminuindo conforme o vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, atraiu toda a atenção da mídia com sua erupção impressionante. Assim, geólogos e vulcanologistas substituíram virologistas e epidemiologistas nas reuniões sociais. Nesse contexto, estamos resgatando coisas em nossas vidas anteriores a março de 2020 e continuamos gostando de canções e arte, que continuam a nos encorajar nos dias de hoje.

ALIZZZ Y C. TANGANA – “YA NO VALES”: O produtor de Barcelona, Alizzz, há muito se tornou um dos principais nomes da cena urbana e pop espanhola. Mas agora ele também está deixando claro, passo a passo, que sua carreira solo também vai nos dar ótimos momentos. O mais recente deles é a sua nova colaboração com C. Tangana, “Ya no vales”. C. Tangana e Alizzz se tornaram quase inseparáveis nos últimos cinco anos, mas eles ainda não tinham coincidido em uma música do repertório solo de Alizzz. E esse momento chegou. Depois de “El Encuentro” com Amaia e com canções como “Salir”, “Todo me sabe a poco” ou “Não sinto mais nada”, o futuro de Alizzz parece seguir bem.

MARÍA JOSÉ LLERGO – “QUE TÚ ME QUEIRAS” / “TE ESPERA EL MAR”: María José Llergo continua a consolidar-se como uma das artistas essenciais deste flamenco que soube adaptar-se aos tempos atuais e entrelaçar-se com tantos outros gêneros. Pouco depois de passar por COLORS em Berlim e de reeditar seu álbum “Sanación”, a cordovesa apresenta duas canções francamente emocionantes. De um lado, a minimalista e mágica “Que Tú Me Quieras”, produzida por Lost Twin. De outro, a música “Te Espera El Mar”, que faz parte da trilha sonora do filme “Mediterráneo”. É uma canção na qual María narra o drama que vivem refugiados no Mar Mediterrâneo, que de Algeciras ao Oriente Médio se tornou uma das fontes de alerta humanitário nos últimos anos. Para que a música cresça ainda mais, os arranjos de cordas são de Paloma Peñarrubia.

DERBY MOTORETA’S BURRITO KACHIMBA – “LAS LEVES DE LA FRONTERA”: Pouco depois de publicar “Hilo Negro”, seu segundo álbum, os sevilhanos do Derby Motoreta’s Burrito Kachimba voltaram aos holofotes com a primeira música que eles assinam como trilha sonora. Trata-se de “Las Leyes de La Frontera”, tema central do filme homônimo de Daniel Monzón (“Celda 211”, “El Niño”), que é uma adaptação do romance de Javier Cercas publicado originalmente em 2012. Quanto ao filme, ele nos conta uma história que começa no verão de 1978 em Gerona, quando Ignacio Cañas, um introvertido e um tanto desajustado estudante de 17 anos, conhece Zarco e Tere, dois jovens criminosos de Chinatown. De sua amizade com eles, o protagonista irá mergulhar em uma carreira de furtos, roubos e assaltos. De sua parte, aDerby Motoreta’s Burrito Kachimba continua em turnê por toda a Espanha prometendo dizer adeus a 2021 em grande estilo. No sábado, 11 de dezembro, eles subirão ao palco do La Riviera, em Madrid.

COLECTIVO DA SILVA – “QUE DIOS BENDIGA EL REGUETÓN”: O grupo andaluz Colectivo Da Silva continua a lançar singles do que será o seu tão esperado segundo álbum, “Casa Vargas”, que sairá em 12 de novembro. Depois de ouvir “After” e “Nos Vemos Luego” – junto com dan –, agora eles voltam a contribuir com algo de seu humor particular com “Que Dios bendiga el reguetón”, uma canção totalmente de verão, prévia de uma obra em que eles irão mesclar novamente sons urbanos combinados com melodias pop, ares de bossanova, ritmos latinos, palmas de flamenco e música dançante.

ROCIO SAIZ – “SI MAÑANA ME MUERO, TE HABRÉ DICHO QUE TE QUIERO”: Depois de liderar Las Chillers e fazer parte de Monterrosa, a madrilena Rocío Saiz apresenta “Si mañana me muero, te habré dicho que te quiero”, segunda prévia de seu álbum de estreia solo a ser lançado no dia 15 de outubro. Nas palavras de Rocío: “Esta canção fala de ausência. Passamos nossas vidas marcadas por uma ausência disfarçada de rotina. Os laços emocionais estão ficando mais fracos e menos comuns. Muitas vezes temos medo de nos unir por medo de que nos abandonem e percam a pouca, falsa e zero estabilidade poética que gera o capitalismo do século XXI. Jogar estimula o dia mesmo dos mais abatidos”.

CALIFATO ¾ – “PASCUAL MÁRQUEZ 33”: Uma maravilha audiovisual de uma banda maravilhosa. No vídeo da sevilhana “Pascual Márquez 33”, Califato ¾ cobre a história de Sevilha, de Giraldillo à Expo ’92, passando por La Duquesa de Alba. Como se estivesse entrando em uma máquina do tempo na peça audiovisual, o grupo encontra os momentos, personagens e personalidades mais representativas da história da capital andaluza. Desta forma, mais do que um clipe, “Pascual Márquez 33” é praticamente um filme que tira sangue do imaginário histórico, cultural e social de Sevilha.

FETÉN FETÉN – “CANTABLES II”: Em 2016 Diego Galaz e Jorge Arribas, as duas metades do Fetén Fetén, lançaram um projeto denominado “Cantables” junto com o prestigioso músico argentino Sebastián Schon. Tratava-se de virar seu repertório instrumental de cabeça para baixo e começar a trabalhar com vozes convidadas. Assim, o primeiro volume contou com colaborações de artistas da estatura de Natalia Lafourcade, Jorge Drexler, Julieta Venegas e Pedro Guerra, entre outros. O que ninguém poderia imaginar é que “Cantables II” iria ainda mais longe, conseguindo uma lista muito longa de nomes de prestígio. Entre os convidados para acompanhá-los no álbum estão Enrique Bunbury, Fito & Fitipaldis, Coque Malla, Rozalén, Guitarricadelafuente, Depedro, El Kanka, Kevin Johansen, Isaac & Nora e Daniel, Me Estás Matando. Ouça aqui.

PREMIADOS DO FESTIVAL DE SAN SEBASTIAN: Entre os dias 17 e 25 de setembro foi realizada a 69ª edição do Festival de San Sebastián, a competição cinematográfica mais importante da Espanha. Sua Seção Oficial, composta por 20 filmes, teve uma farta presença ibero-americana, o que mostra o bom momento da sétima arte na região. O romeno “Blue Moon”, de Alina Grigore, ganhou a Concha de Oro; enquanto “As In Heaven”, da dinamarquesa Tea Lindeburg, ganhou os prêmios de Melhor Direção e Melhor Atriz (Flora Ofelia Hofman), que compartilhou o reconhecimento de Jessica Chastain por sua atuação em “Los ojos de Tammy Faye”. Já “Quién lo impide”, de Jonás Trueba, conquistou o prêmio de Melhor Espetáculo Coadjuvante que foi para todo o elenco do filme e o Prêmio Feroz Zinemaldia. Na seção Horizontes Latinos, triunfou “Noche de fuego”, da salvadorenha Tatiana Huezo.

8ª EDIÇÃO DA CARBALLO INTERPLAY: Em Carballo, pequena localidade do noroeste da Galicia situada na Costa da Morte (que recebeu esse nome porque houve muitos naufrágios ao longo de sua costa rochosa traiçoeira), realizou-se a oitava edição do principal festival de conteúdos digitais de Espanha, o Carballo Interplay. Focando nessa outra Internet que também existe, cheia de humor inteligente, ativismo, criatividade e vontade de mudar o mundo, o concurso ofereceu, como de costume, um programa lúcido e interessante em que não faltou o concurso de séries. Assim, com o humor e a mudança social como bandeira, a Seção Oficial da Carballo Interplay mostrou um panorama completo do que está acontecendo no mundo das séries a nível global premiando “La reina del pueblo”, de Raul Navarro; “Mortal Glitch”, primeira série do canal equatoriano Encone.tv; e ” Psicóticas Inseguras “, de Javiera Pinto e Pamela Barvo.

MANUEL VILAS – “LOS BESOS”: Depois de publicar os indispensáveis “Ordesa” e “Alegría” (finalista do Prémio Planeta 2019), o escritor aragonês Manuel Vilas regressa às livrarias com “Los Besos”, um romance inédito sobre um professor que deixa Madrid por prescrição médica para se mudar para uma cabana nas montanhas. Lá ele conhece uma mulher apaixonada 15 anos mais jovem e entre os dois cresce uma confiança plena e inesperada, cheia de revelações. Um romance de amor romântico e idealizado, mas também de pele e amor carnal. Leia um trecho aqui.

O QUE VEM EM OUTUBRO
De 27 a 29 ocorre a 9ª edição do BIME Pro, um encontro internacional de profissionais da música que contará com a participação da Faro. Ao longo do mês serão lançados os esperados álbuns dos Apartamentos Acapulco, Medalla, Corizonas, Rocío Saiz e Cápsula. No campo cinematográfico, destaca-se a estreia de “Madres Paralelas”, novo filme de Pedro Almodóvar. É também época de festivais; Assim, durante o mês de outubro chegarão o Festival de Sitges, Márgenes (especializado em cinema espanhol e latino-americano mais independente), o Valladolid Seminci, Cine por Mujeres e In-Edit, dedicado ao documentário musical. Por último, destaque a primeira edição do Festival Internacional de Literatura Capítulo Um que terá lugar no Matadero Madrid de 15 a 17, e a nova edição do Getafe Negro de 25 a 31.



MÉXICO
por Cynthia Flores do site Indie Rocks!

Amigos da Faro, neste mês de setembro o “concerto” continuou no México. Os espaços culturais e musicais aumentaram sua capacidade. As galerias foram reabertas, os festivais voltaram com anúncios importantes. Os dois maiores da Cidade do México apresentaram seus pôsteres: Corona Capital e Vive Latino. Setembro foi o mês nacional, porém, com tantos conflitos sócio-políticos, a euforia de comemorar a liberdade neste país é cada vez menos celebrada. Mesmo assim, o talento nacional continua a trabalhar, produzir, criar e aqui estão as nossas recomendações para amplificar este mês:

ENJAMBRE – “CRASH”: Enjambre está de volta com um single poderoso e brilhante, “Crash”, com um pouco de atenuações psicodélicas que pintam a cena agitada de uma noite de formatura vintage que se reflete no vídeo criado sob a produção da produtora Tumbacasa. Este é o segundo single que antecede o próximo lançamento de um EP composto inteiramente em inglês.

SILVANA ESTRADA – “TRISTEZA”: A voz particular de Silvana Estrada cativou-nos há vários anos. “Tristeza” é apresentada como uma prévia de seu próximo disco, que se chamará “Marchita”. Com uma produção de percussão e violão bem minimalista, ela nos conta sobre toda essa tristeza que às vezes nos inunda e como queremos nos curar. Confira o incrível vídeo em preto e branco filmado em Valle Nuevo, na República Dominicana, dirigido por Karla Read e Edwin Erazo.

FRYTURAMA – “PROYECCIÓN PERPETUA”: Fryturama, a dupla formada por Arturo Tranquilino (Yokozuna) e Fryda Magaña apresenta o single “Proyección Perpetua” dando um toque muito especial ao seu percurso sonoro, integrando ruído e grunge. Sendo esta faixa uma fonte de energia e liberação para Magaña em seu processo criativo e vocal que leva ao próximo lançamento de um EP de produção própria. Ouça aqui.

ITZEL NOYZ – “PIELES”: Com uma base neo soul e R&B, Itzel Noyz revela “Pieles”, descrito pelo compositor como “um manifesto do desejo” e criado durante o verão de 2020, mas concluído poucos meses atrás com a adição do baixo de Fer Casgro. Com muito brilho podemos assistir ao vídeo sob a direção de Raúl Merino.

ARIK LAU – “LA VISTA SE VA”: Proposta lo-fi psicodélica de Veracruz, Arik Lau chega com “La Vista Se Va“, faixa produzida pelo jovem e talentoso Sebastian Neyra (Mint Field) e lançada pelo selo Amigos Records. Esta faixa suave e profunda gera uma bela estimulação sensorial em conjunto com seu vídeo gravado em meio à natureza.

PELÍCULAS GENIALES Y LUCÍA TACCHETTI – “DEMASIADO TARDE”: E neste mesmo canal lo-fi e dream pop temos a estreia de Películas Geniales, uma banda da Cidade do México liderada por Rufis, um cara muito particular. Com “Demasiado Tarde”, ele apresenta uma canção na companhia de Lucía Tacchetti que conta uma história de amor juvenil que desenterra um desfecho fatídico.

LUZ Y FUERZA DEL CENTRO – “SIGUE AL HUMO”:Sigue al Humo” é o novo single de Luz y Fuerza del Centro, uma power duo da Cidade do México, com muita energia, som estridente e riffs poderosos que são complementados por esta letra caótica e reflexiva que se concentra no questionamento daquela fumaça que vive em nossa cabeça.

FER ALTUZAR – “BRILLO EM SOLEDAD”: A fusão do R&B com o funk não poderia faltar nesta edição. “Brillo en Soledad” é o single apresentado por Fer Altuzar, uma jovem inquieta da Cidade do México que é modelo, influenciadora, atriz e cantora. Essa faixa mais pop com um groove peculiar, apresenta uma letra para deixar para trás, curar e seguir em frente.

LA BUENA BANDA ISABEL – “IF I COULD SHRINK THE TIME WE STRETCHED”: La Buena Banda Isabel, da Cidade do México, apresenta um EP intitulado “If I Could Shrink the Time We Stretched” com um bom power pop trazendo ares de indie rock que nos remete aos anos 90 e que pela sua simplicidade e produção mais “crua” agrada muito. Este foi gravado e mixado por Mauricio Avendaño (Loiis), seguindo a trilha desta banda 100% independente. Ouça o EP.

BLOODY BENDERS – “LUX IN TENEBRIS”: O quarteto feminino Bloody Benders está de volta com seu terceiro álbum de horror punk “Lux in Tenebris”. Elas são da Cidade do México e trabalham há mais de 10 anos para construir um caminho sólido no punk mexicano. Leia mais sobre ele em nossa análise aqui. Ouça o disco!

O QUE VEM EM OUTUBRO
A sétima edição do FIMPRO 2021 será apresentada em um formato híbrido no qual os profissionais da música se apresentarão física e virtualmente para compartilhar, discutir e descobrir as transformações que a indústria está passando. Um espaço que vai de 13 a 15 de outubro e que contará com palestras, workshops, encontros e vitrines. Na ocasião, três nações marcarão presença como delegações focais: Argentina, por meio do Instituto Nacional de Música (INAMU); Chile, com a presença da Chilemúsica, e Espanha, nação que será representada pela Sounds From Spain.



PERU
pela equipe do site Rock Achorao

Setembro foi um mês de muita música e uma grande exibição de eventos presenciais a nível nacional que nos devolveram esperança e bom humor. Sem dúvida, a primavera chegou para acompanhar este importante momento que tanto esperamos. Por enquanto, é hora de continuarmos cuidando de nós mesmos e não baixar a guarda para que nada possa tirar nossa alegria. Aqui está nossa seleção de lançamentos recomendados.

ANDREA MENDOZA – “KEEP DANCING”: A cantora e compositora peruana radicada nos Estados Unidos nos mostra seu lado mais amável e lúdico em “Keep Dancing”, single carregado de esperança e boas vibrações que nos convida a dançar e deixar para trás o que há de ruim. Ah, já se passou muito tempo desde que assumimos que a dança é a melhor terapia para acabar com o estresse.

TIPA TIPO – “SÁBANAS”: Você achava que Alejandro e Maria Laura eram o único casal brilhante do indie peruano? Bem, você está errado. Apresentamos a vocês Tipo Tipa, um ótimo projeto formado pelos cônjuges Adele Fournet e Felipe Wurst, que de Nova York e Lima conseguiram criar peças maravilhosas de um ‘retro-pop’ com aquele espírito cativante do soft rock dos anos setenta. Seu novo single, “Sábanas”, nos leva pela nostalgia e nos deixa pensativos sem descuidar daquele groove natural que os caracteriza. Dê play!

BANANA CHILD – “LOS MOMENTOS”: Fizeram com que esperássemos três anos pelo retorno. A banda de surf rock canta os momentos de um caso de amor em seu recente single, lançado em setembro. “Los Momentos” é uma demonstração clara de quanto Banana Child amadureceu em seu som clássico e letras um pouco mais profundas.

RESPLANDOR – “BLUE”: Resplandor é um dos principais projetos do dream pop e shoegaze peruano. Neste novo single – de seu vindouro quarto álbum – eles desdobram um monte de camadas de sons etéreos que nos envolvem e nos transportam para paisagens um tanto oníricas e sombrias onde uma mensagem de desespero e confusão predomina. Uma trilha ideal para dias nublados. Ouça.

DIANA FLORES – “HIGH”: Depois de “desaparecer” e ser notada como solista no cenário nacional, Diana Flores (Kusama e Baby Steps), ousa com “High”, um novo rumo repleto de dance e nostalgia pelo som pop de synth que vem desenvolvendo com bom ritmo, nos convidando a desconectar dos problemas do mundo de hoje e fazer o que mais gostamos. Felicidade ao máximo.

ONEBRILLA – “MÍRAME A MÍ”: Outra voz talentosa a serviço do R&B e do flow que avisa a todos para que a assistam se tornar e fazer o impossível. “Mírame a mi” é carregada de neo-soul e hip hop que faz Onebrilla se destacar por sua voz e rimas peculiares. Recomendado.

MOLDES – “INTRAFICIE”: Anunciada várias semanas antes de ir buscar as malas e viajar aos Estados Unidos, a banda peruana Moldes publicou na reta final de setembro sua nova produção, “Infraficie”. O álbum conta com oito músicas, entre elas “Los Olivos” e “Dante”, produções renovadas do quarteto de noise pop. Uma forma inesquecível de comemorar e se reconectar com seu público após dois anos em shows com público em Idaho, graças ao Treefort Music Festival. Venha ouvir o disco.

GARZOMORPHOSIS – “MEGA OMEGA”: O músico peruano parece não se cansar de criar música, como vemos em seu álbum “Mega Omega”, uma obra repleta de ritmos cumbieros, punk e pós-hardcore; entre o instrumental e o lírico. A produção de Garzo conta com 9 músicas repletas de pura energia Garziana em sua totalidade. Todas as canções foram compostas, executadas e gravadas por ele mesmo, mixadas e masterizadas pelo já consagrado Alessandro Coluccelli e distribuídas pela Antirudo Récords.

DANI ZILBERT – “ROLLY”: Que pena que Dani Zilbert não toca nas rádios FM! Depois de nos apresentar um punhado de singles desde o início de 2020, a talentosa cantora e compositora finalmente lança seu primeiro álbum orientado por um pop camaleão que varia em auras e mensagens, indo do jovial e doce ao melancólico e sombrio. Uma promessa pop que devemos seguir o rastro em 2022.

O QUE VEM EM OUTUBRO:
Uma nova edição da “¡Es Pop, Mamá!”, a melhor festa pop da capital peruana, que reunirá artistas como Autobus, Cementerio Inocentes, Moldes, Plastical People, Suit Palmera e muito mais.



URUGUAI
por Kristel Latecki do site PiiiLA

Embora a situação pandêmica no Uruguai pareça estar melhorando, ainda não podemos dizer que está voltando ao normal. No final do mês, o Ministério da Saúde Pública aumentou a capacidade para festas permitindo 75% no caso de audiências totalmente vacinadas e imunizadas, ou 55% sem vacinação ou vacinação incompleta. Em clubes você já pode dançar (com alguns cuidados), mas em salas de concerto as mesas ainda são obrigatórias. Sim, é estranho.

Em todo caso, a programação de shows está a toda, com uma abundância de propostas imperdíveis. E, claro, os lançamentos também chegam aos montes.

RODRA – “AL HUMO”: Não há palavra melhor para definir a música de Rodra do que “visceral”. Cada verso que canta, cada imagem elegida, cada vez que sua voz se rompe parece que foi arrancada do fundo do seu ser, para mostrar seu resultado triunfante. Nesse sentido, como compositora, ela não foge dos cantos obscuros do ser, nem esconde as feridas. Tudo é percorrido pelas canções. “Al Humo” é o seu primeiro álbum, mas foi precedido por dois EPs que cravaram a sua marca a partir da poesia numa fusão de gêneros que vão tanto jazz e blues, como ao pop e ao rock.

MUÑE CACH – “BARAJA”: O pop uruguaio vive um excelente momento graças a propostas interessantes e cativantes que surgem todos os meses. E dessa vez foi a vez de Muñe Cach. Depois de lançar vários álbuns com a assinatura de Damián Cacciali, o músico consagra sua nova trajetória pop com “Baraja”, álbum que reúne vários dos singles que lançou no ano passado, que combinam crítica e humor, imagens peculiares e refrões tortos. Conta com a produção de Luis Angelero e as vozes convidadas de Dani Umpi, Pau e Victoria Brión.

FRANNY GLASS – “LA TEORÍA DE LOS VIDROS ROTOS”: Embora não seja explícito ou esteja em primeiro plano, o senso de humor é algo que caracteriza a obra de Franny Glass. No entanto, em seu trabalho mais recente para a trilha sonora do filme “La Teoría de Los Vidrios Rotos”, ele ocupa o centro do palco. Aqui o cantor e compositor criou a música incidental e o repertório musical do personagem Silvestre de la Sierra, o crooner interpretado pelo ator e apresentador de televisão Humberto de Vargas. Entre excelentes recriações de músicas de outrora, ele criou pequenas pérolas de humor que até se sustentam sem o filme.

PIPPO SPERA – “DESPERTAR”: Nos anos 90, o músico ítalo-uruguaio Pippo Spera deu início ao que seria uma longa odisseia de reviver uma canção do icônico Eduardo Mateo, que foi criada nos anos 70 e nunca havia sido gravada. No entanto, ainda estava guardada na memória de amigos. O tempo foi passando até chegar ao presente, quando conheceu Martín Ibarra da Nair Mirabrat, e finalmente terminou de dar forma a esta gravação com a presença de Martín Buscaglia e Sara Sabbah. “Despertar” é a canção, originalmente criada após os exercícios de meditação, agora é outra bela contribuição do músico desapegado do além. Ouça aqui.

PAPINA DE PALMA – “LA MANADA”: A cantora e compositora Papina de Palma fez parte do Coralinas, um grupo coral que é uma verdadeira fonte de talentos vocais e que tem deixado uma marca indelével na música de cada um dos seus “licenciados”. Isso é visível em “La Manada”, o novo single de seu próximo álbum. Baseado quase que exclusivamente em um arranjo coral da também Coralina Camila Ferrari, somasse um contrabaixo e uma caixa para completar esta bela ode à comunhão e ao feminismo. Escute.

IVÁN Y LOS TERRIBLES – “EL OJO DE HORUS”: Iván y Los Terribles já é um nome suficientemente evocativo, no entanto, este quinteto levou sua personalidade sonora mais longe ao basear-se na potência de dois baixos. E como uma prévia de seu terceiro álbum, eles apresentaram uma música que reforça essa ideia. “El Ojo de Horus” é robusto e groovy, com letra sinistra (“A arte que praticamos / aquela que você gosta de apreciar / foi forjada há milhares de anos / em um mundo que não existe mais”), mas melodicamente elevada com a intervenção de teclados. Ouça aqui.

CHARLIE – “CRÁNEO”: Adiantando-se a temporada assustadora, Charlie estreia com seu primeiro EP, “Cráneo”. Com uma boa dose de camp e piscadelas burtonianas, o cantor e compositor de 18 anos apresenta canções que contam histórias lúgubres com humor e ingenuidade. Como uma cena de “A Família Addams” ou uma versão assustadora de Viuda e Hijas De Roque Enroll. Foi produzido por Paul Higgs e é o primeiro lançamento de seu selo Púrpura.

PAULA GO – “VOLVÉS VOS”: No mês passado, a cantora e compositora Paula Go estreou o primeiro de uma série de singles que pertencerão a um EP produzido por Luis Angelero e que será lançado ainda este ano. Se aquele primeiro avanço já marcava um novo caminho mais próximo de um pop eletrônico mais minimalista, agora com “Volvés Vos” isso se confirma. Com o coração pesado sobre uma batida delicada, ela canta sobre uma separação que tenta deixar para trás. Seu vídeo acompanha a confusão e o abatimento.

LATEJAPRIDE – “COMO QUIERO ESTAR”: Atravessado pelo afastamento da pandemia, Latejapride criou “Como Quiero Estar”, uma nova música groovada e descontraída que carrega o calor de um sol de outono, a esperança de um abraço e a necessidade de se encontrar. O principal grupo de hip hop deixou a cidade e se refugiou em uma floresta para moldar, compor e gravar seu próximo trabalho ao vivo. Esse ambiente também serve de inspiração e local para seu vídeo.

PEPE DELAY – “GIGANTES”: Fechando este mês, Pepe Delay nos oferece um lindo clipe em preto e branco para acompanhar a música “Gigantes”, o primeiro single de “Fuego Lunar” e seguidor de seu debute, “Todos Los Lugares Quedan Lejos”. Esta balada acústica envolve como as ondas que aparecem no vídeo e chega ao seu intervalo – na sua catarse –, quase no fim.

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