Faixa a faixa: “Querelas de Brasília”, Tiago Sá

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por Tiago Sá

Tiago Sá é músico, produtor, cantor e compositor com influências que vão do rock ao reggae, passando pela música brasileira até a eletrônica. Ele começou sua carreira ainda na década de 1990, tocando em bandas de reggae e na banda do músico Renato Matos, com quem lançou um álbum ao vivo em 2004. Ele tem dois álbuns autorais lançados: “Reação da Alquimia” (2012), com produção de Lucas Santtana, e “Música Pra Te Aguçar” (2019) – ambos lançados de maneira física e fora dos serviços de streaming atuais.

Agora, Tiago Sá lança digitalmente o EP “Querelas de Brasília”, que tem esse nome em referência a Aldir Blanc e ao complicado momento político do nosso país com o protesto dando o tom das letras: “Viver no Brasil tem sido um pesadelo necropolítico e a resistência é nos mantermos vivos junto com os nossos sonhos. Esse EP é em memória de Aldir Blanc e das vítimas do desgoverno Bolsonaro, é minha afirmação de oposição e ao mesmo tempo uma espécie de terapia. Apesar do horror não deixo de contemplar a beleza que resiste junto com a esperança”, comenta Tiago.

Produzido pelo próprio artista e lançado pelo selo Hominis Canidae REC, o EP conta com as participações do rapper Japão Viela 17 em “Quase Tudo Bem”, do guitarrista Marcelo Barbosa (Angra) fazendo o solo da faixa “Querelas de Brasília” e da cantora Andressa Munizo, da banda Binarious, na canção “Anticorpos Antifascistas”. As três faixas ganharam lyrics videos com estética punk (dois deles já lançados oficialmente), cada um com uma cor predominante – como na trilogia de Kieslowski, inspirada nas cores da bandeira da França e no lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.

Abaixo, Tiago Sá comenta as três faixas de “Querelas de Brasília“:

01) “Quase Tudo Bem”: É uma mistura de rock, dub, rap, música brasileira e eletrônica. A música tem baixo de reggae, guitarras de rock, batidas eletrônicas e a voz com um suingue brasileiro. O rapper Japão Viela 17 participa como intérprete convidado. A letra fala sobre o Brasil, faz um recorte crítico que também exalta as coisas boas e tenta ter esperança, por isso o nome “Quase Tudo Bem” que também remete a uma ironia. Lembra que somos um povo de paz, mas também um povo de luta (BJJ – Brazilian Jiu Jitsu) e sem luta não há mudança.

02) “Querelas de Brasília”: Acho que essa letra dialoga com a fase cabeça dinossauro dos Titãs. Traz um protesto humano universal, mas também com um viés político que é destacado no título escolhido em homenagem a Aldir Blanc e em referência ao atual momento político brasileiro. A crítica é ponto comum à canção de Aldir Blanc, mas a música tem inclinações para o rock, reafirmando a identidade do gênero com a rebeldia e a revolução. Além do rock e da música eletrônica, a faixa também tem influência de música brasileira e dialoga com o rap especialmente na melodia e no suingue da voz. Como participação especial a faixa conta com Marcelo Barbosa (Angra) na guitarra solo.

03) “Anticorpos Antifascistas”: Essa faixa manifesta o mix de sentimentos que surgem em relação à tragédia política e sanitária que o Brasil atravessa. A música é um rock eletrônico com guitarras em camadas e partes de rap em espanhol. A cantora Andressa Munizo, da banda Binarious, participa cantando a parte melódica. Na letra antifascista indico que não só no Brasil assistimos incitações e atos antidemocráticos. Por isso a referência a Eduardo Galeano, escritor uruguaio que evidencia a correlação desses fatos com nosso passado no livro “As Veias Abertas da América Latina” (1979).

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