Faro: Panoramas de Maio na Música e Cultura Ibero-americana

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Nove países unidos pelo ideal de compartilhar cultura e, com ela, ideias, sonhos, desejos, revoluções.

ARGENTINA
por Juampa Barbero / do site Indie Hoy

Apesar do agravamento sanitário que, mais uma vez, provocou a suspensão dos espetáculos, extinguindo quase completamente a chama que nos animava há pouco, a música interveio no contexto pouco favorável confirmando o seu ímpeto inflamável. Felizmente, este mês recebemos novas canções que servem de exemplo para pensarmos na dualidade conceitual da analogia entre arte e combustível. Por um lado, a funcionalidade de liberar a energia necessária quando tudo fica paralisado. E de outro, a virtude poética de revigorar o ardor escasso, espalhando um fogo auxiliar que neutraliza a escuridão emocional que governa grande parte da sociedade.

MAIO BASSO – “LA PREGUNTA ÚLTIMA”: Depois de nos cativar com uma série de singles e sua peculiar homenagem a María Elena Walsh, Maia Basso lançou seu primeiro álbum solo. “La Pregunta Última”, produzida quase inteiramente por ela e publicada pelo selo Polvo Bureau, de Rosario, expressa a faceta mais sombria e introspectiva da integrante do Aguaviva com atmosferas envolventes e letras melancólicas. Ouça aqui.

FRANSIA – “MUNDO VIRTUAL”: Três anos após sua estreia homônima, Fransia apresentou seu segundo álbum, “Mundo Virtual”, editado por Queruza e produzido em parceria com Agustín Della Croce. A dupla pop formada por Francisca Moreno Quintana e Ignacio Albini compilou os singles lançados em 2020 com outras quatro canções inéditas que nos fazer mergulhar em uma odisséia calorosa e reconfortante.

RIEL – “BLANCO Y NEGRO: Em comemoração a seus dez anos de carreira, Riel compartilhou a segunda prévia do que será o tão esperado sucessor de seu álbum “Espacio Interior” através dos selos Casa del Puente e Buen Día Records. “Blanco y Negro” funde o noise rock característico da banda com toques suaves de dream pop para abordar a dualidade ideológica na realidade polarizada em que a sociedade vive

MARIA EZQUIAGA – “ALGO SALIÓ BIEN”: María Ezquiaga lançou o primeiro single de “Interacción”, seu iminente álbum solo de estreia com lançamento previsto para este mês. “Algo Salió Bien” é uma canção que une duas guitarras elétricas com a poesia rítmica escrita em colaboração com Guadalupe Gaona, fotógrafa e poeta, para evocar a nostalgia do fim de uma etapa e a celebração do início de algo novo.

BRUNO ALBANO – “AMORESTREAM”: Bruno Albano, cantor da Banda de Turistas, fechou o fatídico 2020 com a estreia do single “Amorestream”, uma faixa romântica ancorada num ambiente estranho. Chegou a hora de adicionar imagens ao lançamento. O vídeo, dirigido por Milton Kremer e estrelado por Chloé Bello, mostra toda a sensualidade da música a partir de uma coreografia singular e matizes noir.

DEFENSA – “OJALÁ”: Depois de “Calor”, o Defensa lançou um single emocionante e sensível em tom hiper-pop, produzido por Evar e Chlo. A nova música da dupla enfatiza as contingências da paixão, elevando o coração partido como uma bandeira estimulante. O vídeo de “Ojalá” foi dirigido por Paz Elduayen e mostra seus integrantes deitados em campo aberto, imaginando o que poderiam ter feito de diferente.

DUKI – “DESDE EL FIN DEL MUNDO”: Duki fechou com chave de ouro o lançamento de seu novo álbum com uma apresentação explosiva em El Calafate para homenagear o título de seu terceiro disco. Com o Glaciar Perito Moreno ao fundo, o artista referência do trap argentino teve o luxo de incrementar o repertório de “Desde El Fin del Mundo” com uma banda por trás, convidados e mais de duzentos mil fãs acompanhando simultaneamente.

LUCAS MARTÍ – “BASTA DE BERLÍN”: Outro que em vez de pisar no freio, pisou no acelerador foi Lucas Martí, ecoando a versatilidade de sua engenhosidade artística. Poucos meses depois de ter publicado o álbum “La Ausencia”, apresenta um lançamento audiovisual desconcertante: “Basta de Berlín”. O clipe com conotações surreais foi gravado e dirigido por ele mesmo sob o pseudônimo de Masufrita Art.

FONSO Y ANDRY BETT – “TICKETS”: Fonso e Andry Bett juntaram forças em um EP sólido e extravagante. “Tickets” oscila entre vários sons: indie rock, folk, eletrônico e até dance alternativo para se desdobrar em “12 minutos cheios de dinamismo, energia e ironia”, como descreve a dupla. O set foi produzido pelo autor de “Wedding”, enquanto que a Bett foi encomendado a parte gráfica, incluindo a animação de “Slogans“.

ZOE GOTUSSO – “MI PRIMER DÍA TRISTE”: Zoe Gotusso lançou uma série de vídeos para colorir o universo de seu primeiro álbum solo, “Mi Primer Día Triste”. A artista cordobesa surpreendeu seus ouvintes com uma proposta cinematográfica dirigida por sua fiel colaboradora Sépia, que coloca em pauta audiovisual diversos momentos do repertório cativante: “María”, “El Cuerpo”, “Mi Primer Día Triste” e “Desnuda ”.

O que vem:
Em junho aguardamos o júbilo da cinefilia local. Não só foi aberta a convocatória para a 36ª edição do Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, mas também foi anunciada a chegada do Festival de Cinema Russo. Durante três semanas, oito filmes relevantes do cinema russo estarão disponíveis gratuitamente na plataforma digital Qubit. Uma oportunidade ideal para mergulhar na cultura audiovisual ofuscada pelos tanques de Hollywood e aproveitar a conveniência de assisti-los de casa.

De 6 a 13 de junho, a Edição Mística de Vinilonga também será desenvolvida gratuitamente e online. Em sua terceira edição, o festival contém em sua programação 17 curtas que abordam o mesmo tema narrativo sob diferentes perspectivas: “A exploração dos domínios esotéricos do poder e do possível”



BRASIL
por Marcelo Costa / do site Scream & Yell

Caros amigos, é estranho e assustador dizer isso, mas o Brasil absorveu a pandemia. A rotina do país, para grande parte da população, segue normal, como se a morte de 2 mil pessoas diariamente por complicações ligadas a Covid-19 fosse algo natural. O presidente Jair Bolsonaro e seu séquito genocida especializado em fake news conseguiu colocar a nação em um transe macabro, e a obstinação do presidente em trazer a Copa América para cá demonstra que a vida dos cidadãos pouco importa. É um dos momentos mais obscuros de nossa história. E a terceira onda está chegando…

Na área cultural, felizmente, a produção segue em alta. Shows apenas clandestinos, já que apenas 10% da população foi vacinada, mas os discos, singles e clipes continuam nos acalentando neste momento assustador. Vamos aos destaques:

ZÉLIA DUNCAN – “PELESPÍRITO”: Para festejar 40 anos de carreira, a cantautora Zélia Duncan se uniu ao compositor Juliano Holanda e lançou um belo disco de inéditas, “Pelespírito”, com muitas canções falando sobre o momento atual do Brasil. No Scream & Yell ela comentou todas as canções do disco.

SELO MAXILAR: Recém-recuperado de uma internação por Covid-19, Gabriel Thomaz mergulha no trabalho: ele criou o Selo Maxilar (que já conta com 13 singles lançados), segue ativo com seu programa de rádio (Magnéticos) e está preparando novidades dos Autoramas. Tudo isso está nessa entrevista imperdível. Um dos lançamentos do Maxilar foi o single e o clipe da banda Space Rave, que você assiste abaixo.

KILL MOVES – “COLORFUL NOISES”: A banda mineira Kill Moves apresentou seu terceiro EP, “Colorful Noises” (2021, Balaclava Records), que atualiza o som do grupo com olhos mirando Madchester, ou seja, muito indie pop dançante, conforme eles contam nessa entrevista.

WRY – “WEAPON IN MY HAND”: Só em maio, a Wry lançou um clipe inédito e um segundo EP, “Weapon in my Hand“, que, além da faixa título presente no álbum “Noites Infinitas” (2020), conta com mais quatro remixes. O clipe de “Man in The Mirror” você assiste abaixo. Aqui, o vocalista Mario comenta as inspirações dos remixes: “Björk anos 90 e drum’n’bass clássico”.

IRAKYTAN – “CAMINHAR”: De Maringá, no Sul do Brasil, com rosto pintado de branco e lábios e olhos maquiados de forma over, Irakytan é uma interessante mescla da música brasileira, LGBTQ+ e eletrônica. Ele falou de seu single de estreia no Scream & Yell.

LUPE DE LUPE – “LULA”: Uma das bandas mais importantes do cenário independente brasileiro na atualidade, a mineira Lupe de Lupe, lançou “Lula”, seu quinto álbum: “Todas as canções possuem nomes de cidades do país e passeiam por inúmeros ritmos nacionais, além de sabotarem alguns ritmos internacionais também”. Imperdível. Ouça aqui.

EDGAR: “ULTRALEVE”: O multiartista Edgar é um dos nomes brasileiros que você precisa prestar atenção. Após estrear em 2018 com o primoroso “Ultrassom”, ele retorna com seu segundo disco, “Ultraleve”, com nove faixas que provocam o ouvinte e pedem muita atenção. Para apresentar o disco ele lançou dois clipes, que você assiste acima e abaixo.

SETE DISCOS
O experimental Cadu Tenório apresenta “Signal Eustasy VI”; o Graveola apresenta “In Silence” – com referências que vão de Jorge Drexler a Vander Lee; o baiano Ronei Jorge incorporou camadas eletrônicas em seu segundo disco, “Irmã”; a festeira Eddie lança “Atiça”, disco guiado pelo frevo, punk rock, dance music e sons carnavalesco; escritor, agitador e músico, Leonardo Panço registra o metal punk em “youi”; O elogiado trio pop Tuyo retorna com “Chegamos Sozinhos em Casa Vol. 1”; e fechando a série de recomendações de discos, Negro Leo lançou um EP de canção torta, “Infelizmente”.

SETE SINGLES
O pianista Amaro Freitas liberou a faixa título de seu aguardado novo álbum, “Sankofa”; Dario Júlio e os Franciscanos lançaram o primeiro single de seu segundo disco, “É Preciso Ter Coragem” (com direito a um belo lado b, “Phillip Long Blues”); a instrumental Camarones Orquestra Guitarristica liberou “Pegada Colada”; o trio Sambas do Absurdo acenou com a intensa “Ladeira”; a cantora Bárbara Eugênia gravou “The Best” (sucesso na voz de Bonnie Tyler e Tina Turner); o baiano andre L.R. mendes lança “O Samba do Homem Comum”, para versar sobre a “Uberização” das relações de trabalho; e Teago Oliveira, vocalista do Maglore, lançou nova faixa solo, “Nada se Repete”.

SETE CLIPES
Rodrigo Amarante (Los Hermanos) prepara o território para seu novo disco solo com o single “Maré” (acima). Burning Rage une hardcore e futebol em “O Jogo Começou”; Lucas Vasconcellos reflete o processo criativo à distância em clipe com Uyara Torrente para a folk “Vamos Tacar Fogo nas Coisas”; Jup do Bairro divulga a discursiva “Sinfonia do Corpo”; Bonifrate reflete antigas questões filosóficas no single psicodélico “Rei Lagarto”; Laura Petit explicita o desejo feminino no single e clipe “Durex”; o rapper baiano Hiran lançou um incrível EP visual com feats de Margareth Menezes, Linn da Quebrada e Wendel. Assista abaixo:



CHILE
pela Equipe do site POTQ Magazine

Dizer que maio foi um mês agitado para o Chile não o torna nada especial, no contexto de uma crise global que se arrasta há mais de um ano. Mas não esqueçamos que antes da pandemia, nosso país passava por uma convulsão social. Este mês, elegemos cargos para os governos locais, e também aqueles que irão redigir a nova constituição. E muitos se surpreenderam: o povo chileno decidiu que deveriam ser, em sua maioria, pessoas de fora das elites. Quase como se quisessem que o futuro fosse escrito pelos vizinhos e vizinhas. Paralelamente, a música deu-nos grandes lançamentos, por isso estamos aqui, mesmo que custe, com a esperança intacta.

MÉCANICO – “MENTIRAS”: Depois de se tornar conhecido em 2013, Mécanico parecia ser uma banda do passado. Mas se pouco tempo atrás eles nos surpreenderam com seu single de retoZJrno, “Dos Para Las Tres”, agora eles vêm com uma nova música que continua a focar no rock psicológico: “Mentiras”. Novamente eles deixam clara a sua intenção de começar a cantar em espanhol, depois de seus primeiros shows terem sido em inglês, e deixam em aberto a opção de um possível álbum cantado 100% em nossa língua.

NIÑA TORMENTA – “VOY A HACER LAS COSAS LENTO”: E daí se demorarmos para fazer as coisas? O que há de errado em fazer as coisas devagar? A vida como a vivíamos até meses atrás não corre mais, também paramos de correr. Niña Tormenta está de volta com sua bela voz para nos acompanhar neste outono em uma canção que já havíamos ouvido, mas que cresce em sua versão de estúdio com uma exploração de camadas que conseguem nos transportar até um campo aberto, onde não existe o horário de pico do metrô: ouça “Voy a Hacer Las Cosas Lento“.

FLOR DE RAP – “REAL LOVE”: Flor de Rap continua dando pistas sobre como será seu novo álbum, “Mariposa”, encarregado de suceder ao bom “Gold”, de 2020. Agora é a vez de “Real Love”, uma canção com sua filha Rossanita, que com 12 anos já exibe habilidades de rima. Este terceiro single foi lançado junto com um clipe dirigido por Guiller Ribbeck, no qual vemos os cantores passando momentos especiais no final de semana em que comemorávamos o dia das mães.

TIRO DE GRACIA – “SOLO”: Parece que Lenwa Dura e Zaturno viram El Agente Topo e foram tocadas de maneira sensível, pois a nova canção de Tiro de Gracia, como diz o título, fala da solidão a que está exposta a nossa terceira idade. “Solo” tem a voz de Ema Pinto que rouba o filme nos refrões, enquanto o vídeo usa” a animação para ilustrar de forma bastante explícita a situação de abandono em que muitos vivem. Como Saturno diz no final da música: “São realidades que nem todo mundo quer ver, e é por isso que vou mostra-la a você, repetidamente, como são” .

NICOLÂS ALVARADO – “PABELLÓN DE VIENTO”: Um disco que foi gravado durante a musicalização da obra “Pabellón de Viento”, de Domingo Arancibia. Se a comemoração dos 170 anos do ensino de arquitetura no Chile foi levantada como um espaço que não para de mudar, na forma de um manto que se recusa a abandonar a flutuação quando suspenso, Nicolás Alvarado conseguiu transformar a experiência visual em uma companhia sonora por meio de quatro passagens ideais para complementar o movimento deste manto principal, que através do vento vem questionar a rigidez das estruturas e formas. Pouco mais de meia hora para compreender a configuração dos esqueletos que habitamos, através da inevitável configuração das formas que nos rodeiam.

PRINCESA ALBA – “ACELERO”: Princesa Alba está cheia de novidades: acaba de assinar com o selo local Quemasucabeza e apresenta aquele que é o primeiro single de seu tão aguardado álbum de estreia. Perreo moderno por uma das vozes juvenis mais proeminentes da região, produzido por Nico Cotton em Buenos Aires; que vem com um clipe noturno cheio de pequenos passos para copiar. “Acelero” não só apresenta a nova era musical chilena, mas também contribui para a aposta audiovisual que tem acompanhado sua carreira. Uma estreia digna de sexta-feira.

TORTUGANÓNIMA – “EL HOMBRE PÂNICO”: Tortuganónima comemora os 20 anos de história da Austin TV e o faz com uma revisão de “El Hombre Pánico”, em que vemos o grupo num clímax. A energia da peça oficial se mistura com os pequenos detalhes de Tortuganónima para nos dar toda uma experiência de efeitos e linhas. Menos de dois minutos para entrar no home studio do grupo, que em 360º homenageia a banda mexicana de pós-rock.

CHARLIE GUNS – “SOLX”: Trip hop e juventude no álbum de estreia de Charlie Guns, banda de Antofagasta, no norte do Chile. O grupo já tem dois EPs e para este álbum junta nomes como Martina Lluvias, Kid Poison e Dj See All, para engrossar a sua entrega que flerta tanto com o trip hop como com o pop mais sintético. Ser jovens fora da capital que passam por desgraças, problemas no trabalho, ser viciados, sentir-se solitários; tudo isso em meio a uma pandemia global. Nove músicas para entrar na imaginação de Solx, da qual já conhecíamos o single “Good Boy”.

GIANLUCA – “HISTORIAS PASADAS”: Afro pintado para passar o frio. Gianluca vive um período de singles criativos, como já ouvimos em “Invierno” e “Triste y Vacía” junto a Harry Nach. Agora viajamos pelas memórias de um amor que se recusa a nos deixar: “Historias Pasadas” ousa essa textura que já havia explorado em sua reversão em espanhol de ‘Won’t Be Late’; uma história de química difícil de superar. A música produzida por Itchy e Buco traz um vídeo de Sebasvaski.

DIEGO LORENZINI – “EL DEMONIO DEL MEDIODIA”: Não é a primeira vez que Diego Lorenzini leva uma pancada sem aviso prévio. Não é a primeira vez que ele e Niña Tormenta (Tiare Galaz) unem forças (já os vimos juntos no excelente cover de Violeta Parra: “Miren Como Sonríen”). Mas “El Demonio del Mediodía”, as coisas acontecem ao contrário. Com letras que nos lembram como o sol se esconde cada vez mais cedo e reza por um “inverno laranja”, a música tem uma mistura de percussões com as clássicas cordas de Lorenzini e Galaz. Pontos extras por ocupar o rosto sinistro de Oso Willy do Mundo Mágico, parque de diversões e programa infantil de televisão, na capa. Obrigado pelos pesadelos.

DENISE ROSENTHAL – “TODAS SEREMOS REINAS”: “E a verdade é que não sei fazer rap, só queria ter mais tempo para conversar”, diz Denise Rosenthal ao final da seção de rap de “Tiene Sabor”, primeira música de “Todas Seremos Reinas”, após a introdução de mesmo nome que faz um notório paralelo entre a proposta de empoderamento que essas canções têm e o renomado poema de Gabriela Mistral “Todas Íbamos a ser Reinas”. O pop de Rosenthal está claramente mais apurado, mas o que mais se destaca aqui são suas letras que perderam o pudor de explicitar a mensagem que querem passar, e que no final é quem dá o tom a essas 15 canções. E ela surge acompanhada por Mala Rodríguez e Lola Indigo.

JAVIERA MENA – “I. ENTUSIASMO”: À primeira vista, um nome como “I. Entusiasmo” pode soar um pouco estranho, até um pouco óbvio. Mas depois de ouvir as cinco músicas que compõem seu EP é difícil não ficar animado. Segundo a própria Javiera Mena, o título surgiu do entusiasmo que a arte lhe deu no período de pandemia e confinamento, e consegue transmitir esse mesmo sentimento com canções de levada dançante. Porém nem tudo é dance, há também “Dos” e “Pasión AKA Ilusión”, duas baladas que remetem à mais clássica Javiera Mena e que acabam englobando “I. Entusiasmo”, um EP que poderia facilmente ser descrito como um pequeno push electropop necessário aos dias de hoje.



COLÔMBIA
por Fabián Páez López do site Shock.co

Em 28 de maio, na Colômbia, celebramos um mês prolongado de manifestações. E continuamos. Não há diálogo, não há ninguém para ouvir, não há saída visível. Ou, pelo menos, não parece perto. A ONG Temblores relatou, “entre 28 de abril e 31 de maio de 2021, pelo menos 3.789 casos de violência por parte das forças de segurança em todo o país, dos quais 45 correspondem a homicídios cometidos por membros da força pública contra a população”.

Os músicos locais, em sua maioria, juntaram-se ao protesto.

Para explicar-lhes o contexto: as recentes manifestações na Colômbia têm características semelhantes ao que aconteceu depois do 15M na Espanha em 2011 ou do surto social no Chile em 2019. Pelo menos em termos de seus gatilhos.

Numa economia de escassez (aliada à crise provocada pela pandemia) com tendência ao aumento da desigualdade, grupos de jovens com poucas esperanças de futuro, quase que espontaneamente, organizam-se e agem no espaço público. Eles são reprimidos violentamente e aqueles que têm empatia com suas reivindicações juntam-se à manifestação, aumentando a espiral de raiva e descontentamento.

Não há bandeiras dos antigos partidos políticos e nem representantes bem definidos. Danças, panelaços, concertos, raves, encontros comunitários são organizados. A rua começa a se tornar um espaço de socialização política; Bem, embora todos saibam como se sentem (como cidadãos de segunda classe, marginalizados do acesso ao bem-estar), ou que o sistema está errado, mas não há um caminho claro para sair do buraco.

Assim registramos algumas das ações musicais de Bogotá durante o primeiro mês da greve:

A peculiaridade, além de não ter havido sequer um significante que agrupe tantas demandas, é que a violência na Colômbia sempre vem com a sombra de um conflito armado que não para.

Um exemplo: vídeos gravados na cidade de Cali circulam nas redes sociais que mostram como, sob o nariz da Polícia, civis armados atiram em manifestantes.

A crise é dupla, pois quem exige ajuda do Estado esbarra não só com quem exerce (que se supõe) o uso legítimo da força, a Polícia, mas também com o que acontece há anos nas cidades e que se revela no campo: violência paraestatal.

Dito tudo isso, e dada esta situação não panorâmica do último mês na Colômbia, recomendamos aqui algumas das canções que foram gravadas em maio como reação à violência. Questões contingentes, que nasceram da urgência.

EDSON VELANDIA Y ADRIANA LIZCANO – “EL INFILTRAO”: Edson Velandia, o ninja de Piedecuesta, em Santander, é um dos compositores mais ácidos e sábios dessas terras. “El Infiltrao”, nascido no início do mês, após os primeiros dias dos protestos, é um hino que agora soa na rua e que descreve um personagem clássico nas manifestações: quem atira a primeira pedra, quem se beneficia do caos, o infiltrado.

ALCOLIRYKOZ FEAT JUNIOR ZAMORA – “LA CAZA DE NARIÑO”: Alcolirykoz, de Medellín, e Junior Zamora, de Cali, reuniram dois estilos tão refinados como o pão com manteiga. O primeiro, rapper de voz dura, e o segundo, uma nova voz prolífica de R&B. “La Caza de Nariño” brinca com o nome do palácio presidencial colombiano, Casa de Nariño, para sinalizar corrupção e abandono.

LA MUCHACHA ISABEL – “NO AZARA”: Tudo o que La Muchacha Isabel toca é emocional, cru e visceral. Sua voz inquieta foi capaz de narrar a violência do país com fervor carnal. “No Azara” é uma homenagem à Comunidade de Paz de San José de Apartadó e à resistência dos povos de paz em todo o país e no mundo. Abaixo a versão ao vivo. Aqui a versão de estúdio.

TRES CORONAS – “RESISTENCIA”: Rocca e PNO, lendas do rap latino com o Tres Coronas, reportam na primeira fila, com as palavras certas, registrando o que acontece na rua, as marchas, a “Resistência”. Um tema que inclui literalmente o som da rua durante a manifestação.

Mais
Embora a produção tenha desacelerado as músicas e álbuns que foram lançados, é claro, houve muitos mais. Aqui recomendamos uma lista extra de canções nascidas durante este último mês: 13 canções urgentes dedicadas à greve nacional de 2021. Você também pode conferir aqui as novidades dos álbuns colombianos e aqui as novas canções.



CUBA
pela Equipe do site Magazine AM:PM

Com maio veio a estação das chuvas em Cuba, mas também novas discussões na esfera pública sobre a atualização de um Código da Família mais inclusivo que proteja todas as formas de amor. Em meio a um cenário complexo, onde se debatem direitos que nem deveriam ser questionados, ativistas, membros da comunidade LGBTQ + e aliados cis-hetero da ilha criaram a campanha Agora Sim (Ahora Sí), ponto de encontro para todas as iniciativas que buscam tornar visíveis as lutas de uma sociedade plural e diversa.

Sob esse arco-íris, o país iniciou a intervenção massiva com nossas vacinas candidatas contra COVID-19 e as luzes no fim do túnel parecem começar a brilhar. Enquanto isso, a música continuou a ser um refúgio para a alma. Estas são nossas recomendações.

TELMARY – “MARADENTRO”: Telmary chegou em 2021 “distribuindo beleza”. Três anos após a bomba que foi seu álbum “Fuerza Arará” (Colibrí, 2018) – que lhe rendeu uma indicação à 19ª edição do Grammy Latino –, a rapper publica um novo fonograma que a conecta com suas divindades e que nos permite sentir os aromas que vêm do mar. Como as ondas que batem nas pedras, soam os tambores que acompanham a MC nesta viagem “Maradentro”, onde ela também é acompanhada por Alexander Abreu, Osain del Monte, Kumar Sublevao-Beat, Pedrito Martínez, HabanaSana e o brasileiro Munir Hossn, entre outros convidados.

FLORDELOTO – “LOVE AGAIN”: “Uma canção holística de amor e vida” é como FlorDeLoto define o seu primeiro álbum, “Love Again”, um disco totalmente artesanal, escrito em inglês, fruto destes tempos de pandemia e um exercício de criação persistente e lenta. Essa produção – que conta com referências estrangeiras como Jaden Smith, Moses Sumney, James Blake, Kendrick Lamar, além de algumas nacionais, como X Alfonso e Real Project – preserva a espiritualidade do soul, sem perder o som da música caribenha. Sem dúvida, uma lufada de ar fresco para o ecossistema musical da Ilha.

Depois de quase sete anos sem publicar músicas novas, a cantora Laritza Bacallao estreou seu segundo álbum conectando-se com a melhor tradição de salsa da ilha. “Que Hablen” (Puntilla Music, 2021) reúne 12 músicas que a artista defende sem a necessidade de convidados e onde aparecem, em todos os momentos, certos acenos ao urbano – ou o que nos últimos tempos temos conhecido como timbatón.

Já faz algum tempo que Carlos Alfonso – diretor, cantor e baixista da Síntesis – tinha um canto afro-cubana na cabeça. Uma canção de cura dedicada a São Lázaro, padroeiro dos enfermos. Ele não hesitou em colocar melodia e gravar “Siré Siré” com a mítica banda que este ano celebra os seus 45 anos. O single, lançado recentemente em plataformas digitais, com poderosos riffs de guitarra e toques de batá, é também um pedido milagroso para afastar a doença da terra, numa época que parece não ter cura. Ouça aqui.

“Bolero a la vida” é o título do segundo single que antecipa o novo álbum da grande Omara Portuondo. É também uma canção criada pela guatemalteca Gaby Moreno em colaboração à distância com o compositor Santiago Larramendi. O vídeo desta música, do diretor cubano Joseph Ros, parte de um de seus versos para recriar um material audiovisual repleto de belas imagens subaquáticas tomadas em uma piscina.

Yomil & El Dany seguem estreando canções de seu próximo disco, “Perreo 2030”. Em maio a novidade foi o videoclipe do single “USA”, dirigido pelo cineasta cubano Yimit Ramírez, que brinca o tempo todo com o famoso formato de histórias do Instagram para contar a trama que a música nos entrega.

Fechamos estas recomendações com o que é, até agora, a grande novidade da música cubana em 2021. E é que finalmente a extensa obra do renomado cantor e compositor Pablo Milanés estará disponível, pela primeira vez, em plataformas musicais. Ou seja, mais de cinquenta álbuns e mais de 400 músicas à nossa disposição. Em outras palavras: uma festa.

O que vem
Há vários dias Cimafunk, Leoni Torres e Brenda Navarrete vêm esquentando as redes sociais com o que será sua próxima colaboração musical: um vídeo do single “Aunque Sea Un Ratico”, sobre o qual pouco se sabe, mas que parece ter todos os fãs dos três artistas esperando.

No próximo dia 22 de junho acontecerá a apresentação virtual da nova Enciclopédia Discográfica EUA-Cuba: Intercambios Musicales, do extraordinário pesquisador, amante da música e colecionador cubano Cristóbal Díaz Ayala. O evento, além de ser significativo para a memória fonográfica entre os dois países, será uma homenagem ao renomado musicógrafo.



ESPANHA
por Rubén Scaramuzzino do site Zona de Obras

Os principais festivais de música espanhóis já anunciaram sua celebração para 2022 e os demais apresentarão suas edições neste verão com os protocolos de segurança em vigor. Aos poucos, a pandemia parece diminuir e a situação caminha para uma melhora. Enquanto isso, muitas pessoas com sua forma de agir não colaboram para que não haja complicações extras… Muito individualismo e pouca empatia social. Parece ser o sinal dos tempos. Alguns chamam de “liberdade”… Ainda bem que a música e a cultura continuam a nos alimentar e a tornar o nosso dia a dia mais suportável.

LORI MEYERS – “PRESENTE”: No mês passado, Lori Meyers surpreendeu ao publicar “Punk”, sua primeira música inédita em quatro anos. Agora, a banda de Granada confirma que está tramando algo mais ambicioso: com a estreia de “Presente”, sabemos que há um novo álbum em andamento. Em seu novo single – acompanhada por um videoclipe dirigido por Jaime Llamas – Lori Meyers se distancia um pouco do disco anterior e se permite dialogar com andamentos mais reflexivos, com certos ares de funk e acenos ao pop dos anos 80.

TRONCO – “NAINONAI”: Conxita Herrero não é apenas uma das autoras mais interessantes do mundo dos quadrinhos hoje, mas também uma das duas metades que compõem Tronco, junto com Fermí, com quem assina “Nainonai”, um terceiro LP simplesmente charmoso. Com a influência inconfundível de Double Vainica, o novo álbum é um modelo de cenas folclóricas exuberantes e implacáveis hinos pós-Covid.

BAIUCA – “EMBRUXO”: Havia muita expectativa para a chegada do novo disco do Baiuca. O seu impacto nos últimos dois anos foi tal que se tornou o porta-estandarte de uma nova dinastia de músicos galegos. Em “Embruxo”, as meigas lendas do imaginário galego constituem o seu coração lírico, enquanto Baiuca se dedica a mutar ritmos da dança contemporânea em atmosferas nebulosas, encantadas com puro mistério.

REBE – “SOLO PASIONES…”: Com seu trabalho anterior em 2019, Rebe já havia se posado como a rainha do pop kitsch espanhol. No entanto, sua entrada no selo Elefant Records a impulsionou para uma nova dimensão, de impacto até então desconhecido. Em “Solo Pasiones…”, as ambições de Rebe continuam a projetar um universo de poderoso magnetismo hipnagógico, com fortes paralelos sonoros de abstração. Sem dúvida, um dos marcos do ano, que fortalece Rebe como uma das artistas mais bizarras e esperançosas da atual cena pop espanhola.

MARIAGREP: “SI UN DÍA”: Mariagrep é destaca com “Si Un Día”, uma das amostras de pop minimalista mais promissoras até agora neste ano. A compostelana radicada em Madrid propôs a preparação instrumental de uma obra cheia de arestas e nuances, que vão desde a neo-soul de veludo ao trap cósmico. Em apenas 14 minutos. O álbum é uma carta de apresentação louvável e um saudável desperdício de ideias.

KOKOSHCA – “KOKOSHCA”: Três anos depois de ter publicado “El mal”, a banda Kokoshca retorna com seu sexto álbum, e seu trabalho mais ambicioso até hoje. Não é por acaso que o disco leva o nome do grupo como título: trata-se de um trabalho mais pessoal e, por extensão, mais relacionado às suas próprias necessidades expressivas. Não há vaus nesta excursão pop vibrante pelos confins temporais de diferentes épocas do gênero, não apenas nacional, mas também internacional.

TULSA – “ESE ÉXTASIS”: As restrições mais duras da pandemia foram relaxadas em julho de 2020 e Miren Iza, junto com músicos e amigos, alugou uma casa com piscina. Todos eles tinham a euforia de quem inocentemente acredita que algo horrível está acabando Com esse espírito de euforia transcendental e com a mística de Santa Teresa rondando a casa, Tulsa gravou seu êxtase particular acompanhada por músicos regulares. Não é um álbum coerente, nem finge, quase evita a coerência, avança cegamente por impulso e emoção. É uma canção pop de autor, com músicas melódicas e baladas outsiders coexistindo no álbum. A voz narrativa é a de alguém que busca desesperadamente alguma coisa, que fica de fora, observando a vida do outro lado do vidro, o êxtase à distância.

TRIÁNGULO DE AMOR BIZARRO – “DETRÁS DEL ESPEJO: VARIACIONES Y ECOS”: Foi recuperado um dos álbuns chave do ano passado, o homónimo – e laureado – do Triángulo de Amor Bizarro. Agora o álbum volta à vida reinventado por grupos e artistas de diferentes estilos e origens que colaboram, reinterpretam e / ou remixam suas músicas. Biznaga surge fazendo a versão mais punk da música mais punk, Jota Planetas cantando um dueto com Isa, Ir Chinarro faz um remix, Esplendor Geométrico transforma uma das canções em uma peça industrial irreconhecível, Boyanka Kostova torna sua canção mais dub no arranjo mais trap que você já viu em um álbum do Triángulo, Carolina Durante se apropria de um dos canais de Vigilantes del Espejo para regravar sua parte e Soleá Morente deixa tudo bonito.

Entre os dias 26 e 30 de maio rolou a Semana de Arte em Madrid. Para a ocasião, coincidiram quatro feiras de referência que foram realizadas considerando todas as medidas de segurança: Drawing Room (26 a 30) Art Madrid (26 a 30), Urvanity (27 a 30) e Hybrid Art (28 a 30). Mais de 100 galerias, nacionais e internacionais, apresentaram as obras de mais de 300 artistas e fizeram as delícias dos amantes da arte.

De 26 de maio a 6 de junho acontece na Cineteca Madrid, Filmoteca Español, Museu Reina Sofia e no Círculo de Bellas Artes (e online de 31 de maio a 6 de junho na Filmin) a 18ª edição do Documenta Madrid, festival internacional de cine documental. Apostando no cinema aberto, gratuito e brilhante, o concurso oferece um total de 110 filmes de 24 países, que incluem 8 estreias mundiais e 29 estreias na Espanha.



MÉXICO
por Cynthia Flores do site Indie Rocks!

Maio foi um mês de grande tensão popular no México devido às eleições que aconteceram em 6 de junho no país. Andrés Manuel López Obrador nos divide, esse é o sentimento e a realidade de todos. As eleições foram realizadas e o partido da presidência conquistou a maioria dos votos na Câmara dos Deputados, portanto as decisões legislativas estarão inclinadas e ameaçadas pelos terríveis movimentos que o presidente fez até agora durante seu mandato.

E essas não foram as únicas más notícias: no início de maio na Cidade do México tivemos 25 mortos e 79 feridos após o desabamento da viga de uma ponte do metrô da cidade. Este evento é a maior tragédia que já aconteceu desde o terremoto de 2017. Más decisões, mau uso de recursos para acompanhamento de manutenção ou, ainda pior, para a construção de um meio de transporte tão utilizado nesta grande cidade. Enfim, este é o nosso México onde a boa notícia é que já temos mais shows confirmados com 50% da capacidade permitida nas casas de show. Aos poucos os shows e apresentações vão sendo reativados nas diferentes praças do país, e a agenda cultural está crescendo.

Lançamentos
PORTER – “SONÁMBULO”: Uma balada pop eletrônica ardente é o que o grupo de Guadalajara, Porter, nos mostra com o single “Sonámbulo”. O clipe sucede o álbum “Las Batallas”, de 2019, e começa a revelar novas músicas para seu próximo álbum e seu próximo show ao vivo em junho.

THE GUADALOOPS FEAT ROMMEL DURÁN – “ESTE MUNDO”: Integrando a voz de Rommel Durán, vocalista do grupo Entre Desierto, de Tijuana, o quinteto mexicano de neo soul, future bass, hip hop e rap The Guadaloops, cria seu álbum “SEIS (IIIIII)”, um disco colaborativo do qual saiu o último single “ESTE MUNDO“.

VALSIAN – “PARA TI MUJER”: Com versos como “Quero ter-te ao meu lado há muitos anos / Mulher tu és música que não foi criada”, Valsian, dupla original de Cuernavaca, juntou-se às comemorações do 10 de Maio (Dia das Mães) com sua nova música “Para Ti Mujer“, que tem uma essência bem mexicana com uma produção dream pop e um clima retro que destaca a bela voz de sua vocalista Eunice.

SHIRO SCHWARZ – “FLY (KEEPIN ‘IT SMOOTH)”: Com a estética de vídeos antigos e experiências surreais chega o clipe de “Fly (Keepin ‘It Smooth)”, single que resgata os ritmos funky do dueto formado por Pammela Rojas e Rafael Marfil, Shiro Schwarz. Esta é a primeira amostra de seu próximo EP intitulado “Undefined” – mais detalhes sobre qual será lançado aqui.

ANAN – “A SONG FOR CHANGES”: O projeto de Natalia Gómez, ANAN, apresenta “A Song For Changes”. Com esta canção, a artista de Aguascalientes segue a linha sonora da experimentação da pop art, envolvendo ambientes e loops hipnóticos que têm atormentado sua marcante produção. Este single é o quinto avanço em direção ao seu primeiro longa “Cosas Inútiles”.

DECO PILOT – “INVISIBLE”: O dueto de synth pop liderado pelos irmãos mexicanos José e Juan López Portillo, Deco Pilot, estreou “Invisible”, uma música cativante com sintetizadores e baterias eletrônicas que explodem com uma vibe nu-disco reconhecível. A letra oscila entre uma história de amor desesperada e uma expressão de angústia de quarentena: “Eu sei que a distância dessas quatro paredes é o que nos causa dor. Sentimo-nos presos, não temos cabeça; procuramos aquele pôr-do-sol”.

PALMERA BEACH – “HISTORIAS”: No âmbito da produção de Pipe Ceballos (Silver Rose, León Larregui, Salvador y el Unicornio e mais) surge “Historias“, de Palmera Beach, através do selo Discos Panoram e com um vídeo feito pela produtora Frilans, no qual observamos a banda acompanhada por um grupo de dançarinos. Palmera Beach é a dupla dos irmãos Christhian e Yorchi Córdoba da Cidade do México oferecendo dream pop, o soft rock e um pouco de surf.

POLICÍAS Y LADRONES – “DOMINAS”: Este jovem grupo de Tijuana nos leva ao céu com a sua nova canção, “Dominas”. Esta é a quarta prévia de “Nubes”, seu próximo álbum de estúdio apresentado pela A&C México. Este single sonhador e doce é acompanhado por um vídeo surreal dirigido pelo tatuador @pufy1213, que nos leva a um mundo digital muito raro inspirado em videogames de skate.

Discos
DANIEL QUIEN – “AROMA A NOSTALGIA”:Aroma a Nostalgia” é o novo material de Daniel Quien, publicado via Universal Music México sob a co-produção de Daniel e Miguel Bayón nos estúdios Onda Sonora, junto com queridos colegas e amigos. Com 9 faixas, o material deste jovem sinaloano mistura dream pop, psicodelia, folk e art rock que em pouco tempo conquistou um grande número de seguidores no México.

SALVADOR E EL UNICORNIO – “LA FAMA”: Melodias hipnóticas e melancólicas dedicadas ao próprio amor o que ouvimos no novo LP de Salvador e El Unicornio. Seu segundo álbum de estúdio intitulado “La Fama” chegou sob a produção de Felipe Ceballos com um estilo pop bem retrô, bossa nova, psicodelia e folk. Além disso, entre os músicos que acompanharam Salvador nesta produção de 11 faixas estão: Johann Daccarett, Andrea Franz, Maurizio Terracina e Israel González.

MARRÓN – “IN”: Eis o novo material de Marrón apresentado através da National Records. Uma bela produção de synthwave, bastante sólida que é uma referência ao processo de criação do álbum, que foi gravado em seu estúdio caseiro no Brooklyn. Uma metáfora para a situação em que todos nós olhamos para dentro em busca de respostas, enquanto abandonamos nosso estilo de vida pré-pandêmico.

LAS GARDENIAS – “GARDENIA I”: A experimentação sonora caracterizada por Las Gardenias se solidifica na edição de “Gardenia I”, um álbum de estreia que nos lembra um pouco os sons eletrônicos emocionais de 2000 (Lemon Jelly, The Books, Broadcast, Cornelius). O projeto formado por Sebastián Antón Ojeda (Entre) e Andrés Lupone Ojeda (Diles Que No Me Maten, Sei Still) compartilha a tarefa de alcançar um equilíbrio entre a experimentação sonora e a sensibilidade pop, utilizando a mídia como técnicas composicionais minimalistas.

MANITAS NERVIOSAS – “A LOVE SUPERMEME”: Valis Ortiz, mais conhecido como Manitas Nerviosas, apresenta “A Love Supermeme”, um LP que tem influências que exploram a música de Miles Davis, Brian Willson, Joe Meek, que fluem nas superfícies caóticas e ondulantes de todo o álbum. É realmente uma mistura entre rock e eletrônica de muitas variantes e cores que o levam por diferentes paisagens que nas palavras de Valis, criam uma narrativa muito pessoal, quase mística: “um amálgama de delírios bíblicos e apócrifos de uma mente constantemente deteriorando. De se tornar um transexual no julgamento final…”.

Livro
Um dos locais mais proeminentes na comunidade musical underground da Cidade do México, El Alicia apresenta “Um livro nascido em Alicia: o rock também se escreve”, que compila a seleção histórica que a região de Benito Juárez conseguiu reunir ao longo dos anos.

O que vem
Mais shows e mais shows continuam a ser anunciados, mais e mais espaços culturais têm oportunidades de abrir as portas em toda a República Mexicana. Confira a agenda com mais detalhes aqui.



PERU
pela equipe do site Rock Achorao

Que mês de maio! No Peru, continuamos lutando contra o vírus e suas variantes e, ainda, com um panorama político incerto que se logo deverá se definir ante as pressões políticas, dando-nos uma escolha entre duas opções extremas e diferentes, que darão o que falar no início do ano do bicentenário. Para variar, o preço de alguns alimentos aumentou, as restrições, o desempenho agridoce da seleção peruana de futebol e mais adversidades que vamos superando passo a passo.

Porém, o que nos permite escapar dessa situação quase triste e incerta? Bem, a música. Uma fuga de som majestosa, garantindo o gozo de tantas emoções que percorrem os nossos ouvidos e cativando a muitos, como aconteceu com estes lançamentos que vale a pena partilhar. Entre propostas experimentais e sons quase convencionais, reunimos várias estreias bicolores que esperamos que gostem, como uma suculenta salchipapa de bairro, com direito a todos os molhos.

NOVOS SINGLES
AUTOBUS – “NOS VAMOS A FUNDIR”: Divertido, enérgico e um pouco estranho. O “Autobus del Rock”, como outrora o vocalista da banda, Luis Piccini, brincou em entrevista anos atrás, colocou a primeira marcha com “Nos vamos a fundir”, e correu tão bem que parece que vai chegar mais do que aqueles 4 minutos de duração da canção. O estilo da música, a letra e a história bem colocadas no clipe, mostram que há combustível infinito para seguir em frente, nesta divertida viagem coletiva de quase 20 anos. Excelente música.

ATTAWALPA – “YELLOW FINGERS”: Attawalpa é uma daquelas propostas agradáveis que você não se cansaria de ouvir e descobrir. O versátil e talentoso músico peruano britânico nos surpreendeu com seus imponentes “Yellow Fingers”, uma canção que enfatiza a meticulosidade de sua produção notável, que combina melodias e vozes tão penetrantes e indissolúveis. Reveja seu material anterior. Qualidade pura. Recomendado.

NINA BOA – “ALL IN”: Uma voz solene e tranquila que surge para todos. Bosa deixa um pouco de lado suas raízes musicais ligadas ao reggae, e assume o reinado de uma música ousada e calorosa, demonstrando sua evolução. “All in” é a confirmação de uma mudança quase absoluta, que prevê para Nina um trecho musical seguro de busca constante. O passo dado está correto.

KINDER – “NO HÁ PASADO MUCHO TIEMPO”: Um single fenomenal. A banda já nos habituou ao seu som distinto, cheio de experiência com a sua exploração incessante na música por caminhos pouco convencionais, como vimos neste recente single, cheio de emoções e nostalgia num ponto de partida, visto que acabaram de passar para a hierarquia do selo chileno LeRockPsicophonique. Do coração, sucessos para a banda em sua nova etapa.

REIIINA – “VOLVER A VOLAR”: O retorno de Reiiina foi para nos inspirar a criar um mundo melhor. “Volver a Volar” mantém a essência etérea dos sonhos pop de seu primeiro EP, com uma mensagem que busca evocar sentimentos de esperança, união e liberdade. É claramente um convite para voar, para encontrar e desfrutar da beleza da vida. Uma música necessária em tempos tão incertos e sombrios como aqueles em que vivemos.

MI PUGA MI PISHGO x DJ FRECH x VILCHEZ HUAMÁN – “VOLCÁN XXX”: Dj Frech e Vilchez Huamán foram os responsáveis pela repotenciação de “Volcán”, canção incluída no EP de estreia dos místicos Mi Puga Mi Pishgo. É um exercício de sensualidade e irreverência em que se derramam notas de rap, dance, funk e rock criando uma bebida energética e afrodisíaca que você não consegue parar de experimentar.

GALIANO x NICO SABA – “POLVO INCANDESCENTE”: O renomado ator peruano Carlos Galiano faz uma estreia interessante na música acompanhado pela reconhecível voz de Nico Saba (Kanaku Y El Tigre, Los Conchas Negras) neste primeiro single que aborda temas como perda, morte real e simbólica, e também a possibilidade de transcendê-lo integrando-nos em algo maior.

NOVOS ÁLBUNS
CAMILE JACKSON – “LA TRAMPA”: Se você está procurando um álbum com atmosferas sonoras diferenciadas e uma excelente produção, “La Trampa”, de Camile Jackson é a escolha certa. Ainda que a artista tenha utilizado suas próprias experiências e de outras mulheres com diferentes papéis, sua essência artística está intacta. Trata-se de um EP de seis canções intensas com muito folk experimental durante a pandemia, mostrando que não há limites na hora de produzir algo tão precioso quanto este álbum. Fino.

EL ALGUACIL – “HISTORIAS SÚPER POP”: A essência da amizade fez nascer um álbum. “Historias Super Pop” são 10 faixas que retratam os bons tempos vividos pelos integrantes do El Alguacil, uma banda jovem de Lima marcada pela sonoridade de guitarra indie rock que tocou muito no começo dos anos 2000. Eles próprios a definem como “a trilha sonora de suas vidas”. Dê play! Existem vários hits.

LA LÁ – “MITO”: Finalmente, o terceiro álbum da talentosa cantautora peruana La Lá saiu para nos surpreender novamente. Um álbum que reúne sons múltiplos e distantes aliados a incríveis colaborações nacionais e internacionais que o tornam seu álbum mais importante. O “Mito” surge em resposta à esmagadora realidade mundial, às mudanças climáticas e à política atual que nos condiciona a ter uma resposta que nunca funciona a nosso favor. Com este álbum, La Lá foi indicada ao Grammy Latino. Vamos com tudo!

O QUE VEM:
– Está em preparação a terceira edição do Encontro Corriente para músicos e profissionais ibero-americanos do setor.
– O primeiro encontro profissional internacional realizado pela produtora Veltrac Music: VMF PRO.

A primeira feira presencial de gravadoras e gravadoras independentes, 26 de junho, no coração de Barranco: 20 gravadoras de todo o Peru, palestras e exibições ao vivo, graças à Sonidos Latentes.



URUGUAI
por Kristel Latecki do site PiiiLA

Bem, que tal o Uruguai por mais um mês nesta pandemia sem fim? Somos o terceiro país com o maior número de casos de Covid-19 por 100.000 habitantes. Também somos os primeiros em mortes por milhão de habitantes. Não é suficiente que a vacinação esteja em ritmo acelerado. É a falta de restrições à mobilidade – a educação e as atividades de cultura foram suspensas em maio – que é a principal causa do grande número de infecções. Os números se sucedem dia a dia, a ponto de “normalizar” e entorpecer a situação em que de certa forma vivemos. No entanto, as críticas e apelos à volta às aulas e à reabertura da cultura estão a aumentar e a ser cada vez mais difíceis de ignorar.

De novo, o que nos resta agora é cuidar de nós mesmos, cuidar do resto e apoiar os artistas à distância, ouvindo-os.

LANÇAMENTOS
DANI UMPI Y COGHLAN – “Europa”: Em uma pulsação minimalista que imediatamente coloca o ouvinte em modo de dança, Dani Umpi e o músico argentino Coghlan apresentam “Europa”, uma nova colaboração que revela parte do que será o próximo álbum da dupla. Sedutor e cativante, ele nos deixa pedindo para repetir. Ou melhor, o dobro. Ouça aqui.

A NAVARRO – “BRAVA”: A artista interdisciplinar A Navarro agora adiciona “cantora” à sua gama artística. Editado pelo coletivo Hiedrah Club de Baile e produzido por Eros White, “Brava” é uma excelente estreia – divertida e fresca –, combinando o impulso do reggaetón com um ponto de vista estético e artpop. Ouça aqui.

SOFIA Y SUS PARACAÍDAS – “ASFIXIA”: Entre o pós-punk dos anos 80 e o rock dos anos 2000 está Sofía y sus Paracaidas, quarteto que lançou um EP de estreia no ano passado e agora chegam com um novo single. “Asfixia” é a segunda música em espanhol que apresentam em seu repertório e confirma que eles devem seguir os passos desse caminho. Ouça aqui.

MÍNIMA – “ESCOMBRO”: Por sua parte, Mínima traz “Escombro”, uma nova faixa onde enfrenta a idade adulta e questiona o que aprendeu, e o faz sobre outro rock contagiante e denso criado com a sua mais recente banda. Escuta!

BRUNO CAMMÁ Y GABINO SUANES – “LA VIDA ENTERA”: Os dois integrantes do Dostrescinco continuam revelando faixas do próximo álbum da dupla. “La Vida Entera” incorpora as colaborações do guitarrista Guzmán Mendaro e da cantora mexicana Melissa Romero. O mais pop e cantável desses primeiros singles (incluindo até refrão!) traz os MCs refletindo sobre a vida no meio de uma pandemia.

NO TE VA GUSTAR – “LUZ”: Entre os álbuns de destaque está a décima obra do No Te Va Gustar. “Luz” é um novo conjunto de músicas da banda com sua marca registrada, um disco bem guitarreiro e com novas colaborações com Nicki Nicole e Ricardo Mollo.

LÚCIA SEVERINO – “UNA”: Lucía Severino lançou a segunda parte de seu projeto “Una”, uma obra de 12 faixas que será lançada em capítulos de três canções unidas por afinidade musical, mas que respondem a experimentos de diferentes formatos. Aqui os momentos acústicos e sutis são interrompidos por mais rock e impulsos eletrônicos.

VIDEOS

ZALO SOLO – “POR VOS” Y “INTENSA”: Preparando-se para o lançamento de “Buena Suerte”, seu terceiro álbum, Zalo Solo estreou o segundo e o terceiro episódios desta série. “Por Vos” é uma faixa impulsionada pela salsa e combinada com a voz da cantora argentina Delfina Dib, residente na Colômbia. Já “Intensa”, com as guitarras do líder do La Triplo Nelson Christian Cary, nos leva com um swing caloroso para mais perto do R&B.

FRANUX BB – “CONECTANDO”: Franux BB é um dos novos personagens do trap uruguaio (em um ano de sua carreira já conta com milhões de ouvintes e colaborações com Duki, Pekeño 77, CRO e mais), e em “Conectando”, uma de suas canções lançada em maio e produzida por Pobvio, ele se coloca sonora e liricamente muito confortavelmente entre seus colegas.

LOS BUENOS MODALES: “VICE CITY”: Se for uma questão de derrubar cerveja, Los Buenos Modales estão a postos. Com a nova versão do álbum “Vice City”, o grupo escolheu “Otra Liga”, uma das canções em que mostra seu lado mais romântico. Uma dedicatória de devoção, lealdade e carinho com bons pilchas.

Outros destaques são a estreia de Rudy Sobré com “Todo Va” e indie pop atmosférico; “Camaiti”, o EP do multi-instrumentista, produtor e compositor Felipe Fuentes; “Casi Cerca”, visual de Pepe Delay que viaja por belos lugares do nosso país e estreia uma nova música, “Escamas”, ao lado de uma versão acústica de “Azul”, single de seu álbum de estreia; Salandrú com seu segundo álbum “Antes De”; O novo álbum de estúdio do Croupier Funk, “Funkaleidoscopodelic’; Gluttony fechando o visual de seu EP “1994” com o vídeo de “Zorzal Criollo“, e NME para a música “Los 2 en el 4to”.

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