Três perguntas: Murilo Sá e Amanda Longo apresentam o LOVNIS

por Marcelo Costa

Do capítulo “a pandemia fodeu com 2020, mas também trouxe coisas boas”, o LOVNIS é mais um destaque a ser acompanhado com bastante atenção. Projeto que une o batalhador rock and roll Murilo Sá (após três baitas discos solo: “Sentindo Centro!”, “Durango” e “Fossanova”) com a namorada Amanda Longo, que já fez barulho com sua guitarra no Las Courtney Lovers, o LOVNIS nasceu durante a (eterna) quarentena brasileira, e, após dois singles acompanhados de clipes, já tem um álbum cheio quase pronto.

“Nossos planos eram completamente outros (antes da quarentena)”, comenta Amanda. “O lance foi que no começo da pandemia aconteceu de a gente se trancar e escrever em torno de 10 canções”, conta Murilo. “Nosso maior interesse em comum sempre foi a música, então desde que nos conhecemos brincávamos de compor uma coisinha aqui e outra ali, descobrimos que funcionamos bem compondo juntos e por isso resolvemos criar os LOVNIS”, explica Amanda. “Tudo gravado em casa”, completa Murilo.

Até agora, o duo (que fixou residência em Berlim) liberou dois singles / clipes deliciosos: “2020” descreve a rotina cansativa e tediosa dos tempos de quarentena embalada por uma levada sixtie irresistível que choca o melhor de Júpiter Maçã com britpop apaixonado. Já “Filme de Terror” mantém as boas referências, mas surge envelopada num caprichado curta-metragem que faz referências aos filmes de horror do cinema mudo. Pelo visto / ouvido, vem mais coisa boa por ai. Abaixo, Amanda e Murilo contam um pouco mais sobre o LOVNIS.

No Scream & Yell, temos sempre aberto as entrevistas querendo saber como a pandemia mexeu com cada artista. E o LOVNIS é um resultado direto da pandemia, um projeto que não existiria dessa forma se não estivéssemos vivendo essa loucura toda. Dai eu queria saber como vocês estão se sentindo nesse 2020 que nunca imaginamos estar vivendo, como eram seus planos lá em janeiro e como vocês estão se virando para se adaptar e chegar até aqui.
Murilo: Eu acredito que nosso projeto LOVNIS demoraria mais tempo pra acontecer se não fosse a pandemia e o isolamento. Tem sido um ano surreal, eu nunca pensei que fosse ficar tanto tempo sem fazer shows! Nada disso estava planejado, então acho que apesar de toda a loucura a gente conseguiu extrair algo bom, já que temos um álbum quase pronto. Agora a gente se mudou para Berlim e vamos dar continuidade aos lançamentos por aqui.

Amanda: Nossos planos eram completamente outros. Eu estava morando em Berlim e Murilo estava vindo me ver e fazer uma turnê por aqui. Estava tudo certo, quando de repente fecharam as fronteiras, então eu decidi ir para o Brasil e ficamos em quarentena. Foi complicado, pois não tínhamos mais residência fixa a essa altura e tivemos que ficar migrando por moradias temporárias durante seis meses sem saber direito o que estava acontecendo. Mas estamos bem focados em nossa música e isso tem nos ajudado muito a lidar com as circunstâncias.

Qual o conceito por trás do LOVNIS? Como surgiu a ideia de fazer um projeto em duo e como vocês chegaram na sonoridade que trabalharam nos dois singles, gravados e produzidos em casa, certo?
Amanda: Não chegamos a armar um conceito, tudo aconteceu naturalmente. Nosso maior interesse em comum sempre foi a música, então desde que nos conhecemos brincávamos de compor uma coisinha aqui e outra ali, descobrimos que funcionamos bem compondo juntos e por isso resolvemos criar os LOVNIS. Nós carregamos nossos instrumentos e equipamentos de gravação para todo canto e nos últimos meses é basicamente o que temos feito: gravando e produzido em casa, bem a sós.

Murilo: O lance foi que no começo da pandemia aconteceu de a gente se trancar e escrever em torno de 10 canções, nesse esquema de sentar junto para compor, fazendo a música e ao mesmo tempo já produzindo e gravando. Batizamos o projeto e soltamos o single de estreia, “2020” em agosto, que é quase um diário dessa rotina de isolamento e criações. Tudo gravado em casa, com guitarra e baixo ligados em linha, um microfone e bateria de samples e alguns instrumentos virtuais.

O novo single, “Filme de Terror”, assim como “2020”, o primeiro, ganhou clipe. Gostaria que vocês falassem dessa ligação dos dois com as imagens, e como estão sendo desenvolvidas as ideias para os vídeos.
Murilo: Eu sempre gostei muito de fazer videoclipes, e já participei da criação de alguns com o meu trabalho solo. Com os LOVNIS, fazer clipe tem sido tão instigante quando fazer as músicas. Temos poucos recursos e a equipe é reduzida a nós dois fazendo tudo, então a gente fica exercitando a criatividade, faz roteiro, câmera, cenários, tudinho. Eu to feliz com o resultado dos dois clipes, especialmente desse que acompanha o novo single “Filme de Terror” pois chegamos numa linguagem mais próxima do cinema, com aquela cena inicial com trilha antes de começar a música, e as referências aos filmes de horror do cinema mudo.

Amanda: Já me aventurei antes em pequenas produções artísticas independentes para filmes e fotografia e além disso tenho meu trabalho paralelo com colagens e pinturas. Junto com o lançamento de cada música, nós automaticamente acabamos imaginando como poderia ser um clipe para acompanhar; começamos a esboçar um roteiro, a reparar nos possíveis cenários e assim por diante. É divertido descobrir novas linguagens e fazer tudo por conta. Acho que vamos continuar nesse caminho.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina o blog Calmantes com Champagne. A foto que abre o texto é de Cristopher Gegembauer / Divulgação.

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