Boteco: Cinco Witbiers nacionais

por Marcelo Costa

Abrindo uma série especial de estilos com cinco Witbiers, receita originalmente belga que mistura cevada e trigo e traz, tradicionalmente como condimentos, adição de sementes de coentro e casca de laranja. O benchmarking do estilo é a Hoegaarden. Nesta sequencia, começamos a Zev, cervejaria de Suzano, no interior de São Paulo, que reformulou sua receita, juntando semente de coentro, casca de laranja, suco de laranja e limão siciliano aos itens adicionados na receita original da casa, casca de limão siciliano e gengibre. De coloração dourada turva (mais para Blue Moon do que para Hoegaarden) com creme branco de média formação e retenção, a Zev Witbier apresenta um aroma que valoriza as notas cítricas trazidas, principalmente, pelo limão siciliano, que domina a paleta aromática, que ainda traz gengibre sutil. Na boca, uma pancada de limão siciliano no primeiro que permanece na sequencia, trazendo consigo laranja, refrescancia e gengibre bem sutil no final do gole. Não há amargor (10 IBUs) e a textura é leve. Dai pra frente, uma Witbier com presença marcante de frutas, até de forma exagerada, prum estilo tão delicado. No final, gengibre e limão siciliano. No retrogosto, limão siciliano e refrescancia.

Mantendo-se ainda no interior de São Paulo atrás da segunda Witbier, mas deslocando-se para Ribeirão Preto com mais uma cerveja da Colorado a bater ponto aqui, desta vez a Amazônica, uma cerveja cujo valor varia de acordo com os índices semanais de desmatamento da Amazônia. E se a Zev dá uma incrementada que altera levemente o perfil de sua Witbier, o que dizer da Colorado Amazônica que recebe adição de babaçu, pacová e casca de limão? Assim como a Zev, a Colorado Amazônica exibe coloração dourada levemente translucida (mais para Blue Moon do que para Hoegaarden) com creme branco de média formação e retenção. No aroma, leve sugestão de melão, bacuri e um cítrico que remete a limão bem distante. Na boca, bacuri no primeiro toque seguido de doçura caramelada e melão. O amargor quase não aparece (9 IBUs) e a textura é leve. Dai pra frente, uma Witbier Amazônica interessante, que deve ter o preço remarcado semanalmente por um bom tempo. No final, doçura e bacuri. No retrogosto, refrescancia e meladinho.

A terceira Witbier da série vem de Porto Alegre, da Chosen Beer, e junta capim limão e semente de coentro com o lúpulo Cascade, incluindo dry-hopping. De coloração dourada levemente translucida (mais para Blue Moon do que para Hoegaarden) com creme branco de média formação e retenção, a Chosen Wit Lemongrass apresenta um aroma que combina, deliciosamente, capim limão e coentro, na sugestão deliciosa de um chazinho delicioso de erva-cidreira. Na boca, um replay do que o aroma adianta, com erva cidreira deliciosa no primeiro toque abrindo para um conjunto que ainda valoriza, e bem, a semente de coentro e traz acentuação herbal, devido ao Cascade, com doçura bastante sutil de trigo frente ao amargor refrescante, leve. A textura é leve e delicadamente condimentada. Dai pra frente, uma Witbier que consegue se sair muito bem da sombra do brilho dos ícones do estilo, brilhando também. No final, capim limão e leve hortelã. No retrogosto, mais capim limão e refrescancia.

De Porto Alegre para o bairro do Limão, em São Paulo, casa da Cervejaria Tarantino, que não arrisca tampouco inventa moda em sua Witbier, que recebe adição de semente de coentro e de casca de limão siciliano. De coloração amarela turva, um raro exemplar mais puxado para Hoegaarden do que para Blue Moon, e creme branco de boa formação e retenção, a Tarantino Witbier apresenta um aroma delicioso que combina as notas clássicas do estilo, semente de coentro e casca de limão, com doçura de trigo sutil na base. Na boca, limão delicioso e refrescante já no primeiro toque seguido de doçura de trigo, semente de coentro e um amargor baixinho, suave e equilibrado (15 IBUs). A textura é leve e, dai pra frente, temos uma Witbier que segue a escola belga direitinho, e acerta. No final, casca de limão e semente de coentro. No retrogosto, refrescancia.

De São Paulo para Niterói, no Rio de Janeiro, com a Noi Sicilia, que segue a linha Tarantino de segurança apostando nas adições tradicionais de semente de coentro e raspas de casca de limão siciliano. De coloração amarelo clara puxado levemente para o palha com creme branco de ótima formação e retenção, a Noi Sicilia apresenta um aroma delicioso que combina as notas clássicas do estilo, com semente de coentro e casca de limão mais doçura de trigo sutil na base e até sugestão leve de casca de laranja. Na boca, replay perfeito do aroma com limão leve no primeiro toque, semente de coentro e laranja na sequencia e amargor leve (14 IBUs). A textura é leve e, dai pra frente, temos outra Witbier que segue a escola belga direitinho, e acerta. No final, casca de limão, laranja e semente de coentro. No retrogosto, refrescancia.

Zev Witbier
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Suzano, SP
– Graduação alcoólica: 4.8%
– Nota: 3.14 /5

Colorado Amazônica
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Ribeirão Preto, SP
– Graduação alcoólica: 4.5%
– Nota: 3.10 /5

Chosen Wut Lemongrass
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Porto Alegre, RS
– Graduação alcoólica: 4.7%
– Nota: 3.50 /5

Tarantino Witbier
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: São Paulo, SP
– Graduação alcoólica: 4.8%
– Nota: 3.41/5

Noi Sicília
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Niterói, RJ
– Graduação alcoólica: 4.5%
– Nota: 3.41/5

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