Entrevista – Time Bomb Girls: “É pólvora pura!”

por Marilia Gouveia

No cenário do rock desde 2019, o power trio feminino Time Bomb Girls, formado por Camila Lacerda (bateria e voz), Déia Marinho (baixo e voz) e Sayuri Yamamoto (guitarra, gaita e voz), lança seu primeiro álbum, “Las Tres Destemidas” (2020), com a chancela da Monstro Discos e de festivais independentes respeitados como o Goiânia Noise e o Psycho Carnival (em Curitiba).

“Las Tres Destemidas” foi gravado no estúdio Porto Produções Musicais por Raul Zanardo e produzido por Matheus Krempel e Alexandre Saldanha. Quanto a capa e o design do CD, ficaram por conta do ilustrador Henrique San. Composto por 13 faixas, o álbum ainda acompanha o último single lançado pela banda, “Quando eu Crescer”, e também novas versões de “Not a Sad Song” e “Confere com a Muda”, que foram remixadas pelo produtor musical Manoel Cruz.

Em razão da pandemia e das incertezas no meio musical para a volta aos palcos, o trio optou por lançar “Las Tres Destemidas” em todas as plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Music, Youtube Music, TIDAL, Napster) e também no meio físico, disponível no site da Monstro Discos e via direct com a banda no Instagram.

Na entrevista abaixo, as meninas da Time Bomb Girls falam sobre a jornada da banda desde o início, o processo de criação, os desafios enfrentados (dentro e fora das gravações), as mudanças de planos com a chegada da quarentena, a visão sobre o cenário do rock atualmente e suas expectativas de como ele deve ser mudado, e muito mais.

Os primeiros singles da banda, “Not a Sad Song” e “Confere com a Muda”, foram lançados no início de 2019, mas quando tudo começou? Qual a história do power trio?
Camila – Formar uma banda só de meninas sempre foi o sonho das três, muito antes de nos conhecermos. Eu e a Deia já nos encontrávamos em vários roles durante anos, mas nossa relação nunca foi de amizade, apesar de sempre nos tratarmos muito bem. Então um dia eu vi uma foto da Deia tocando baixo e mandei uma mensagem pra ela sobre meu sonho de montar uma banda de meninas e se ela toparia. Ela topou na hora e então conversamos com algumas pessoas pra poder formar a banda. Houve algumas interessadas, porém ninguém que tivesse a mente aberta pra fazer um som único igual a gente queria, e nem com a visão de não ter um líder da banda, de que todas tivessem sua igual importância, então ficamos meio desmotivadas e se passou mais alguns anos. No final de 2017 estávamos nós três em uma Pool Party em que a Say tocou com o Los Clandestinos (banda com o Vinci, que também é meu parceiro na Voodoo Brothers) e assim que ela terminou já falamos sobre montar a banda. Nós três nos empolgamos na hora e daí em diante foi tudo muito rápido. Montei um grupo com as meninas no WhatsApp, já trocamos ideias de músicas e influências. Já no começo de 2018 fizemos nosso primeiro ensaio na casa da Say, onde confesso que achamos que a banda não ia longe, mas a interação e energia foi incrível. Logo depois já veio o primeiro convite pra tocar e nem tínhamos nome pra banda ainda, então daí em diante fomos aprimorando a parte musical, e nos amando cada vez mais, tudo foi acontecendo realmente rápido, uma verdadeira explosão.

As influências do rock de garagem e punk rock são as que mais chamam a atenção no álbum, em especial nas faixas “Quando Eu Crescer”, “Waste of Time” e “Not a Sad Song”. Além de Bikini Kill, que é mencionado indiretamente em “Quando Eu Crescer” (se meus ouvidos não estiveram enganados), quais outros grupos e cantores deste gênero serviram de influência para vocês? Já curtiam o gênero ou descobriram o gosto depois a formação do trio?
Sayuri – Sempre curtimos essa linha do rock, evidente a influência punk e garagem, mas misturamos mais estilos que cada uma traz na bagagem, como surf music, country, blues, psychobilly e rockabilly. As bandas que mais influenciaram nosso estilo variam por integrante. A Camila veio do psychobilly e rockabilly, a Déia conheci no surf music. Eu tenho gosto peculiar para bandas diferentes. Vai aí algumas das nossas bandas que influenciaram as TBG: Hinds, Bikini Kill, Ramones, Guanabatz, Penetration, Vice Squad, X Ray Spex, Breeders, Sonic Youth, The Cramps, Pixies, The Slits, Raincoats, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Sister Rosetta, 5678, e poderíamos perder o dia assim… (risos). E com toda essa bagagem não nos ficamos em um gênero, e sim em somar uma com a outra, fazendo assim, algo novo com ar familiar.

E falando em gêneros musicais, quais vocês acreditam terem sido os mais desafiadores no momento de colocar a mão na massa? Teve alguma faixa em especial com elementos que ainda não estavam familiarizadas e se surpreenderam com o resultado?
Deia – Em gênero musical, acredito que tivemos desafios na “Tell Me”, uma pegada mais psychobilly, e com a “Nanana Surf”, indo para o lado da surf music. Não por não estarmos familiarizadas aos estilos, amamos muitos os dois tipos de som, mas acredito que na hora de executar o que estávamos vislumbrando, foram músicas que tomaram mais do nosso tempo para finalizar do jeitinho que queríamos. Sem falar que a mão chega a queimar para mim e para a Sayuri em “Nanana Surf”, e para a Camila em “Tell Me” que ela “senta” mais a mão também.

Em meio às incertezas da pandemia, acredito que a ideia inicial seria realizar o lançamento do álbum em um show com direito a tão aguardada aglomeração. Em algum momento, no meio do caminho, vocês pensaram em atrasar o lançamento e esperar a flexibilização da quarentena?
Camila – Na verdade era pro nosso CD ser lançado ano passado, mas lógico que sempre demora mais tempo do que o imaginado, então resolvemos adiar pra esse ano e quando já estava tudo pronto veio a pandemia. No começo nós estávamos certas de que lançaríamos quando tudo voltasse, mas o tempo foi passando e a gente foi vendo que era possível lançar agora e que a galera merecia esse trampo nosso feito com tanto carinho em um momento tão difícil quanto esse. Então conversamos bastante entre nós e com os meninos da Monstro Discos, e chegamos a conclusão de lançar agora.

Não é nenhum segredo que o espaço do rock é dominado por homens, dentro e fora dos palcos. Pensando nisso, como o trio Time Bomb Girls se enxerga em um cenário que, até então, é predominante masculino?
Deia – Em um cenário predominantemente masculino, nos enxergamos como front women que querem despertar outras mulheres a seguirem o caminho da música, da produção, o que for! Sabemos que estamos começando a fazer barulho e precisando provar que somos tão boas quanto uma banda de meninos e que não estamos no palco apenas para “pagar de bonitinhas”. O nome da banda vem disso também: somos garotas bomba relógio prestes a explodir e acabar com essa cena machista que acha que menina não sabe tocar e nem fazer um som foda.

E para fechar, vocês estão com alguma live de lançamento marcada ou algum convite de divulgação especial para os fãs e leitores do Scream & Yell?
Camila – Divulgação estamos fazendo várias nas redes sociais, grupos de whatsapp, já temos muitas resenhas feitas por uma galera fantástica. Sobre a live, queremos muito fazer, só não marcamos ainda por questões da pandemia, mas aguardem que em agosto já temos planos em fazer esse tão sonhado lançamento que será pólvora pura!!!

– Marilia Gouveia (Linkedin) estuda jornalismo na FAPCOM. 

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