Zona para Respiradores: Songs are like tattoos

Zona para Respiradores #11, por L. Lyra
Songs are like tattoos
(uma playlist inspirada na coluna / leia as colunas anteriores)

Certas canções têm poder pra grudar na memória igual o verso da Joni Mitchell: “songs are like tattoos”. Lloyd Cole adicionou uma deliciosa camada de humor na história desta tatuagem (nas versões ao vivo, o coro da plateia no fim conferiu uma melancolia ausente da versão original com os Commotions):

Passei alguns dias da semana tentando lembrar em qual canção a Carole King dizia no refrão “im tumbling down, tumbling down, tumbling down”. Perguntar ao Google seria uma trapaça. Então numa noite de insônia finalmente recordei, era no fim de “I feel the earth move”:

Tudo isto porque passeando pela discografia da Natalie Mering, também conhecida sob a alcunha de Weyes Blood, esbarrei nesta carole-kingueana “The End of Comedy”:

É do Weyes Blood uma das melhores canções dos últimos tempos: “Andromeda”, com o seu refrão sinuoso e uma sonhadora slide guitar. Aproveite pra curtir o resto do set:

Tá bem, nada disso é muito novo, apenas um pretexto pra apresentar a australiana Esther Edquist, mais conhecida como Sweet Whirl:

Há um “problema” no sucesso das compositoras indies, quando conseguem furar a bolha do circuito alternativo e alcançam um público maior. É uma certa perda do que as tornava únicas: os arranjos intimistas, as letras estranhas e imperfeitas – tudo isto cede espaço pra arranjos grandiloquentes, como os de Angel Olsen em seu “All Mirrors”, ou pra uma atualização cheia de sintetizadores, como o caso da Sharon Van Etten em “Remind Me Tomorrow”. Vai entender a Angel Olsen, que podia fazer dueto com o Rolando Boldrin, mas prefere se associar com o John Congleton…

Ok, brincadeiras à parte, direto de Bristol, uma das mecas do indie, vem Fenne Lilly. Esta canção é daquelas pequenas joias, a observação impiedosa de um padrão comum a vários relacionamentos:

Fenne Lilly também se inspirou em outra das grandes musas, Patti Smith, em sua nova canção, “Berlin”:

Ali pertinho, de Londres, temos Arlo Parks, que está começando a ser incensada nos indies. Mas ela merece um público maior, como demonstra em “Black Dog”, cujos dois primeiros versos já dão a medida do seu talento verbal (esperemos que não tenha o mesmo destino das grandes baladas depressivas que depois se tornam trilha pra anúncio de organizações de saúde, médicos sem fronteira etc):

Agora, se tivesse de votar em alguém pra ser a próxima Força da Natureza (atualmente na Inglaterra o posto é ocupado pela PJ Harvey, como sabe qualquer um que teve a bênção de ir a um show desta mulher, escolheria Nilüfer Yanya. Esta apresentação no Jools Holland tem tudo o que você precisa saber sobre ela:

Esta semana também saiu o mini-home-show dela no Tiny Desk, altamente recomendável:

Ainda no continente europeu, voamos pra Lisboa, pra ouvir Maria Reis. Do álbum “Chove na Sala, Água nos Olhos”, ficamos com a mais inovadora, tanto na letra quanto no som, eis “Lars Von Trier”:

Passando a régua, saudamos o centenário de Amália com esta composição bem-humorada de Carlos Paião:

(uma playlist inspirada na coluna / leia as colunas anteriores)

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