Entrevista: Angélica Burns fala de “Reborn”, pedrada do Hatefulmurder

entrevista por Guilherme Lage

O metal brasileiro tem, entre suas peculiaridades, uma conduta destemida quando o assunto é meter a mão no som, experimentar! O Hatefulmurder é uma das bandas que assinam essa coluna. Com 12 anos de caminhada, os cariocas têm deixado a cidade do Cristo Redentor em chamas com uma música que traz porções bem divididas de thrash, death e metalcore.

Com três discos lançados, em 2017, a banda surfou boas marés de críticas resultantes de seus olhos vermelhos de raiva com o lançamento do disco “Red Eyes”. A expectativa para um sucessor aguçou ainda mais a veia experimental do grupo, culminando no elogiado ressurgimento em “Reborn” (2019), um disco cantado em inglês e português, que traz heavy metal furioso, consciente e uma celebração aos mosh pits!

Em entrevista, a vocalista Angélica Burns falou de tudo um pouco! A composição do disco, material gráfico, influências para cantar, pandemia e o que reserva o futuro do Hatefulmurder!

Pra começar, não tem como fugir do clichê “Reborn”, por que o disco leva esse nome? Representa algum tipo de renascimento da banda após o “Red Eyes”? Algum tipo de renovação?
Sim, com certeza. Acho que toda vez que uma banda entra em processo de composição é sempre um recomeço, porque você basicamente pode se tornar o que você quiser com um novo disco. Se você pudesse nascer de novo, o que você faria? Faria tudo igual ou diferente? Esses são alguns dos questionamentos da música “Reborn” e a gente achou que tinha tudo a ver com esse nosso momento. Aí decidimos dar o nome do álbum com o título dessa música!

Como foi a recepção do “Reborn” por aqui e na gringa também?
Tem sido bastante gratificante receber o feedback do público. Acho que a galera curtiu muito!

Como a pandemia afetou os planos da banda pra 2020? Em questão de divulgação e tour?
Completamente… lançamos o “Reborn” no fim de 2019 e 2020 era o ano que íamos pra estrada pra divulgar. Vários shows foram adiados. Inclusive uma turnê no Nordeste e uma das datas era no Festival Abril Pro Rock. No segundo semestre pretendíamos fazer uma tour na Europa também.

A produção do álbum é impecável! Apesar do underground ter as limitações que conhecemos, os trabalhos de vocês contam com essa produção muito profissional! Pode falar um pouquinho sobre esse processo?
A gente sempre preza muito pela qualidade de tudo que fazemos e por isso sempre falo que uma das coisas mais importantes pra gravar um disco é a pré-produção. Fazendo esse trabalho de casa da pré, depois a gravação fica muito mais fácil. Sempre fazemos também uma escolha minuciosa para as gravações. Gravamos a batera com o pessoal do Family Mob em São Paulo e gravamos as cordas e voz com o Celo (Kolera Estúdio) aqui no Rio. Ele foi o responsável também pela mixagem e masterização e a gente confia muito no trabalho dele. E essa super parceria refletiu no resultado do “Reborn”.

Na capa, nota-se uma atenção bem grande à parte gráfica, é um trampo muito bom! O que a capa significa? Foram vocês mesmos que surgiram com as ideias?
Toda concepção visual do álbum ficou nas mãos do artista Vitor Arante, também nosso querido amigo. A gente explicou um pouco do conceito do álbum e das letras pra ele e ele foi criando da cabeça dele. Ele fez um artwork pra cada música. Ficou um trabalho extremamente excepcional. Sou suspeita pra falar, curto muito as artes dele.

A mescla de letras em inglês e português são muito bem utilizadas no disco, esse diferencial de cantar em dois idiomas, acha que torna a banda mais interessante para um público mais diverso?
Com certeza. A gente lançou um single em português antes do “Reborn” e a gente viu que nosso público gostou pra caramba e pediu mais. Então a gente pensou: por que não? Não tem porque a gente se limitar numa língua só! E rolou! A galera gostou bastante.

Ainda sobre a questão idiomática, pra mim, “Santificado Seja Meu Ódio” é o ponto alto do disco! Compor em português é algo natural pra você ou um pouco mais desafiador? É uma língua que pode ser um pouco espinhosa quando o assunto é metal, né?
Muito espinhosa!!! Na verdade quem escreveu as letras em português foram o Renan e o Thomas. Realmente pra mim é muito mais fácil escrever em inglês. Essa é crédito deles, mas essa música é umas preferidas pra mim do disco tbm!

O “Reborn” já é o segundo disco com a sua participação, como você avalia a mudança na sonoridade da banda desde a sua entrada?
Olha, acho que desde que entrei não acho que mudou muito. Acho que a maior mudança foi exatamente na minha entrada, na passagem do “No Peace” pro “Red Eyes”. Acho que o “Red Eyes revelou” a nossa sonoridade e o “Reborn” veio na mesma pegada.

O Hatefulmurder é uma banda meio difícil de se classificar, né? Tem Thrash, tem Death, tem Metalcore! Essa diversidade sonora é algo que vocês procuram? Gostam de ser uma banda não rotulável?
Com certeza. Isso nos dá mais liberdade de criar e isso reflete muito também o que a gente é. Cada um na banda escuta uma coisa, então a gente é uma mistura de tudo o que cada um escuta. E particularmente gosto dessa mistura.

Como vocalista, quais outros vocais te inspiram? Alguma inspiração de fora do metal?
Minhas duas maiores inspirações são a Angela Gossow e o Corey Taylor. Confesso que não escuto muita coisa fora do Metal e Rock. Mas se for pra escolher alguém completamente de fora desse ambiente escolheria a Beyonce. Admiro demais ela como cantora e acho ela uma artista completa.

Por fim, estão aproveitando esse tempo off do palco pra escrever? Já tem material novo na gaveta pra um próximo álbum?
Sim!! Estamos aproveitando pra compor e vamos guardar esse material pro momento certo, afinal acabamos de lançar o “Reborn”. Então quanto tudo isso acabar, vamos voltar com tudo pros palcos pra divulgar o “Reborn”. Nos aguardem!

– Guilherme Lage (www.facebook.com/breadandkat) é jornalista e mora em Vila Velha, ES.

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