Boteco: Sete estados, sete cervejas

por Marcelo Costa

Abrindo mais uma sequencia de nacionais com a cigana paranaense Lobos, de Pinhais, na região metropolitana da capital Curitiba, que produziram essa Guaya Bomb, uma Berliner, na fábrica da Way Beer com adição de hibisco e goiaba e acidificação com lactobacillus. De coloração avermelhada esbranquiçada rosada com creme branco de média formação e rápida dispersão, a Lobos Guaya Bomb apresenta um aroma com muita goiaba verde em destaque e leve percepção de doçura. Na boca, porém, a acidez bate ponto desde o primeiro toque abrindo espaço para a goiaba na sequencia seguida de um delicioso azedinho, que não chega a soar arisco, mas surpreende de maneira positiva. A textura sobre a língua é delicadamente efervescente tornando-se cremosa e picante na sequencia. Dai pra frente, uma Berliner levezinha, refrescante e bastante saborosa, com a goiaba verde sempre em destaque. No final, goiaba e acidez leve. No retrogosto, adstringência suave, refrescancia e goiaba.

De Pinhais para o Largo da Batata, em São Paulo, com um growler da Goose Island São Paulo, o Town Hall Ale, uma American Pale Ale produzida com o lúpulo neozelandês Motueka. De coloração dourada com creme branco de boa formação e retenção, a Goose Island São Paulo Town Hall Ale apresenta um aroma levemente tropical, com sugestão frutada de laranja lima e presente sutil de notas herbais remetendo a chá. Na boca, o herbal se sobressai delicadamente ao frutado desde o primeiro toque, e ascende um pouco na sequencia. O amargor é baixíssimo, quiça praticamente inexistente (25 IBUs que parecem 5) – o que não atrapalha o trajeto, apenas valoriza o tom de chá da cerveja, que segue com textura leve. Dai pra frente, uma APA bastante refrescante, com pegada herbal suplantando o cítrico, e muita leveza. No final, herbal. No retrogosto, um pouco de doçura e sugestão de chá. Simples e eficiente.

De São Paulo para Lauro Muller, em Santa Catarina, cidade que abriga a Lohn Bier, que retorna ao site com mais uma variável de suas ótimas Catharina Sour, desta vez numa receita que recebe adição de café e de framboesa. De coloração avermelhada com creme branco de boa formação e baixa retenção, a Lohn Catharina Sour Café & Framboesa apresenta um aroma que sugere uma combinação de café com frutas vermelhas – 50/50 – numa paleta aromática agradabilíssima. Há ainda leve percepção sour. Na boca, doçura de frutas vermelhas no primeiro toque seguida de uma leve pancada de acidez e, depois, mais frutas vermelhas combinadas suavemente com café. A acidez subsequente é de baixa pra média, e deliciosa. A textura é levemente frisante e, dai pra frente, surge uma das Catharinas mais saborosas da linha da Lohn Bier, uma combinação perfeitamente executada entre café e framboesa que rende uma cerveja deliciosa e refrescante. No final, acidez leve e frutas vermelhas. No retrogosto, refrescancia e frutas vermelhas com café discreto. Delicia!

De Santa Catarina para Minas Gerais com mais uma representante da cervejaria Zalaz, da Fazenda Santa Terezinha, em Paraisópolis. Desta vez é a Spontaneus número 2, Funky, que já havia passado por aqui em sua primeira versão, e ainda segue a receita de uma cerveja com 100% da sua fermentação primária feita em barricas de madeira e com a microflora local da Serra da Mantiqueira onde a cervejaria está instalada, sendo que a diferença desta 2 para a 1 foi um maior tempo de fermentação e maturação além de dry-hopping de lúpulo alemão. O resultado é uma cerveja de coloração amarelo mais para palha com creme branco de boa formação e rápida dispersão. No nariz, uma combinação deliciosa de frutado cítrico (mousse de maracujá envolvente) e de funky com um leve chulezinho de fazenda. Na boca, a sensação é de que tudo que o aroma adianta aparece mais potente, seja a sugestão de maracujá que chega antes no primeiro toque, seja o funky que se sobrepõe na sequencia, seja a pegada Sour e azedinha que surpreende de maneira deliciosa logo depois. Não há amargor, o lance aqui é acidez e azedume, incríveis. A textura é frisante, picante, adstringente. Dai pra frente, uma Saison Barrel Aged absolutamente incrível, saborosa, arisca, frutada e caprichada. No final, maracujá e funky. No retrogosto, adstringência discreta, mais maracujá, mais sour, mais refrescancia. Que incrível.

De Minas Gerais para o Rio de Janeiro com mais um exemplar da série Sour da Three Monkeys: depois da I’m Sour (com pitaya e goiaba) e da I’m Fucking Sour (pitaya, framboesa e limão) agora é a vez da I’m So Sour, que recebe adição de pitaya e morango. De belíssima coloração avermelhada (tal qual as irmãs) com creme branco avermelhado de média formação e rápida dispersão (típica do estilo), a Three Monkeys I’m So Sour apresenta uma aroma delicioso puxando para o morango e a pitaya, que são os grandes destaques na paleta aromática, transbordando frescor. Na boca, doçura frutada rápida no primeiro toque atropelada sem dó por uma pancada de acidez derivada notadamente da fruta, mas de forma deliciosa. Assim como nas demais da série, a acidez é baixa, parecendo um suquinho delicioso de 6.3% de álcool. Já a textura é leve com frisância moderada. Dai pra frente, uma Kettle Sour deliciosa, leve e para se beber com muito cuidado, afinal são 6.3% de álcool. No final, morango e adstringência. No retrogosto, morango, pitaya e refrescancia.

Do Rio de Janeiro para Fortaleza, Ceará, casa da cervejaria 5 Elementos, que produziu essa receita em colaboração com a carioca Octopus. Trata-se de uma (Imperial) Gose que recebe adição de manga, coco queimado e sal do Himalaia. O resultado é uma cerveja de coloração amarelo alaranjada bastante turva, tal qual um suco, e creme branco que se forma rapidamente e desaparece tão rapidamente quanto, algo normal no estilo. No aroma, muita, mas muita manga mesmo, numa paleta deliciosa que ainda traz coco queimado e leve doçura cítrica sem trazer notas que adiantem acidez e salinidade. Na boca, porém, a doçura cítrica chega antes no primeiro toque e traz consigo, ao cabo, manga. Ainda é possível perceber um pouco de coco queimado antes da acidez tomar conta do conjunto, como deveria ser. Ela é bem leve, mas funciona que é uma beleza. A textura, por sua vez, é suave, picante e levemente adstringente. Dai pra frente, um suquinho de manga com pitadas de coco queimado, sal e acidez média. Deliciosa. No final, coco queimado e salgadinho. No retrogosto, manga e nada dos 7% de álcool. Que lindeza!

Do Ceará para Maceió, Alagoas, casa da DasLagoas Brewpub, que produziu essa Very Good, uma Hop Lager, em Olimpia, no interior de São Paulo, visando homenagear os 25 anos do primeiro show do Mamonas Assassinas, divertido grupo pop de sucesso meteórico que teve um fim trágico em um acidente aéreo nos anos 90. De coloração dourada, cristalina, com creme branco de boa formação e retenção, a Mamonas Assassinas Hop Lager apresenta um aroma que combina suas notas cítricas com doçura maltada discreta e cereais. Na boca, doçurinha leve no primeiro toque seguida de cítrico acima da média, delicioso, acompanhado de refrescancia. O amargor é baixinho (26 IBUs), mas eficiente, e a textura é levíssima. Dai pra frente, uma Hop Lager bastante saborosa para se beber de caminhão pipa no verão, uma boa surpresa. No final, cítrico e sutil herbal. No retrogosto, mais herbal e refrescancia. Curti.

Lobos Guaya Bomb
– Produto: Berliner Weisse
– Nacionalidade: Pinhais, PR
– Graduação alcoólica: 3.8%
– Nota: 3.36/5

Goose Island São Paulo Town Hall Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: São Paulo, SP
– Graduação alcoólica: 4.7%
– Nota: 3.01/5

Lohn Bier Catharina Sour Café e Framboesa
– Produto: Catharina Sour
– Nacionalidade: Lauro Muller, SC
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 3.59/5

Zalaz Funky Spontaneus nº 2
– Produto: Farmhouse Ale
– Nacionalidade: Paraisópolis, MG
– Graduação alcoólica: 6.5%
– Nota: 4.16/5

Three Monkeys I’m So Sour
– Produto: Sour
– Nacionalidade: Rio de Janeiro, RJ
– Graduação alcoólica: 6.3%
– Nota: 3.53/5

5 Elementos & Octopus Mother Gose
– Produto: Gose
– Nacionalidade: Salvador, CE
– Graduação alcoólica: 7%
– Nota: 3.76/5

Mamonas Assassinas Very Good
– Produto: Hop Lager
– Nacionalidade: Maceió, AL
– Graduação alcoólica: 4.5%
– Nota: 3.36/5

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