Três perguntas: o paraense Reiner fala sobre “Saudade”

entrevista por Renan Guerra

Reiner está sempre em movimento, em busca de novos cenários e novas possibilidades. Com 24 anos, ele já traz em sua bagagem um disco chamado “In The Sun” (2018), um EP e diferentes singles, inclusive ao lado de nomes como Sammliz e Arthur Nogueira – dois artistas fundamentais da cena contemporânea paraense. Passeando entre o pop, o rap e a música eletrônica, Reiner lançou recentemente “Saudade”, ao lado do rapper Daniel ADR e da cantora Emischramm.

Desta vez, ele se aventurou na produção do single, que busca beber no universo de rappers gringos, porém a canção se fortalece no encontro dos três artistas: Daniel ADR tem 21 anos e nasceu na periferia de Belém, tendo participado de diferentes grupos de rap, mesmo em sua curta carreira; já Emischramm é uma cearense de 24 anos, que possui um EP lançado em 2014 e várias parcerias com compositores como Arquelano e Pratagy. Os três nomes encontram em “Saudade” uma espécie de conexão entre essa juventude do Norte e Nordeste, buscando outras potências.

A faixa ganhou um clipe especial, assinado por Denys Cachalote e Emischramm, com roteiro de Daniel ADR, que conta com imagens de carnaval, conforme eles afirmam, “trazendo a melancolia de quando se podia trafegar nas ruas da cidade sem nos preocupar com a saúde”. Reiner é nome a se atentar lá pelas bandas do Pará e por isso mesmo vale a audição atenta. Para ir mais além, o jovem músico respondeu às três perguntas do Scream & Yell e você confere o papo abaixo:

Apesar de você assinar seu trabalho de forma solo, a construção coletiva é muito importante para a sua criação. Desde o ano passado, foram diferentes colaborações. Como essa troca funciona para você?
Acho que o meu processo é muito solitário e não reclamo, foi o que quis pro meu trabalho, mas eu tenho escolhido pessoas que admiro pra trabalhar comigo, acho isso muito importante. Tenho me desafiado a trazer essas pessoas e fazer um trabalho que sempre tente unir os mundos das colaborações ao meu. A troca entre os meus parceiros sempre é baseado nas minhas limitações, acho que um bom compositor é a pessoa que sabe muito bem das suas limitações e não tenta inventar nada novo. Se quer algo novo, é com base em muito estudo e trocas com outros compositores. Então acho que sempre tenho um pouco dos dois, estudo muito e realizo parcerias, é uma forma de estender os meus limites de artista/compositor. Tudo é aprendizado né?

Você e o Danie ADR são do Pará, já a Emischramm é do Ceará. Como se deu esse encontro e como foi a produção desse single (que aliás é uma produção sua)?
A Emischramm veio tocar no (festival) Se Rasgum junto com a banda do Pratagy, nos conhecemos e acabei revelando pra ela que tava gravando uma música, mas não sabia muito bem o que ela ia ser, mostrei a música e 5 minutos depois ela mandou a parte dela com letra e tudo. Depois fomos conversando virtualmente – já que ela teve que voltar pra Fortaleza – e consegui deixar a música até melhor do que imaginava, a potência vocal da Emi é incrível. O Daniel é um rapper aqui de Belém que admiro bastante, acho a lírica dele muito sensível e já queria trabalhar com ele há algum tempo, então resolvi chamá-lo pra gravar. A produção foi bem tranquila, foi a primeira que dirigi MESMO. Meu grande desafio foi fazer a música soar da forma que queria. Me baseei muito em Tyler, the Creator e Baco Exu do Blues pra conseguir chegar na sonoridade que imaginava. O rap sempre moldou meu trabalho e essa foi uma oportunidade de mostrar isso de forma mais incisiva.

Enquanto artista independente, como tem sido esse momento de quarentena? Como você percebe possibilidades e consequências desse momento que vivemos em nosso futuro?
Eu vejo que a quarentena veio num momento crucial pra mim, me prejudicando de uma forma assustadora. Os shows de lançamento das coisas que tenho pra lançar, todos foram cancelados. É assustador já que dependemos da música ao vivo pra fazer nosso som chegar em mais lugares e conseguir algum trocado pra fazer coisas legais. Apesar disso, vejo que existe um mundo gigante de performances remotas dentro das lives disponíveis nas redes sociais, acho que é um momento pra trabalharmos com o que temos e explorar ao máximo essas ferramentas pra que ainda sim consigamos fazer com que nosso som chegue em mais lugares.

– Renan Guerra é jornalista e escreve para o Scream & Yell desde 2014. Também colabora com o Monkeybuzz.

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