Quadrinhos: “Corenstein – Volume Dois”, “Cannabis”, “Entre Cegos e Invisíveis” e “Homem-Aranha: Azul”

Resenhas por Adriano Mello Costa

“Corenstein – Volume Dois”, de Cora Ottoni (Independente)
A quadrinista e ilustradora carioca Cora Ottoni passou a contar as vergonhas que passava em tirinhas autobiográficas na internet, o que culminou com a publicação independente de uma coletânea em formato físico durante o ano de 2017. Em 2019 – novamente de maneira independente –, Cora lançou “Corenstein – Volume Dois”, volume que reúne tirinhas feitas durante esse intervalo. O teor desse segundo volume é diferente do anterior, pois mostra a artista entrando de vez na vida adulta e tendo que lidar com as responsabilidades que são inerentes a esse processo. Responsabilidades que de maneira extremamente divertida ela conta como faz para lidar (ou absolutamente não lidar). No entanto, as relações pessoais ainda se fazem presentes e retratam constrangimentos no trabalho, no namoro, na família ou onde quer que seja. Tudo servido ao leitor de bandeja para extrair alguns sorrisos e aliviar aquele dia ruim nem que seja por um tempo.

Nota: 7
Instagram da autora: https://www.instagram.com/corottoni

“Cannabis – A Ilegalização da Maconha nos Estados Unidos”, de Box Brown (Editora Mino)
Box Brown é quadrinista e ilustrador residente na Filadélfia nos EUA, onde tem editora própria, a Retrofit Comics. Sem ser publicado ainda no Brasil, Brown estreou pela editora Mino em 2019 com “Cannabis – A Ilegalização da Maconha nos Estados Unidos”, com 256 páginas em preto e branco e tradução de Diego Gerlach. Como o nome já leva a induzir, o autor faz uma peregrinação sobre a entrada da maconha nos EUA, até voltando para outras épocas para contextualizar os pontos de vista. No seu entendimento, todo o movimento a que se refere ao uso da maconha no país foi permeado por inverdades sempre ancoradas em interesses próprios, preconceitos e como ferramenta de controle de poder. Da campanha falsa que gerou a famigerada e improdutiva “guerra às drogas” americana e passando por comentários irônicos e sagazes, temos uma visão bem interessante sobre um tema para lá de polêmico e repleto de desinformação.

Nota: 7,5
Site do autor: https://www.boxbrown.com

“Entre Cegos e Invisíveis”, de André Diniz (Café Espacial)
Brasil, início dos anos 70. A ditadura vem a alguns anos corroendo sonhos e direitos de uma nação que ousara sonhar com mais. Os irmãos Jonas e Leona saem de carro do enterro do pai, um coronel turrão que nunca os reconheceu como filhos. Junto estão a esposa de Jonas e um misterioso passageiro. Enquanto estão na estrada, pequenos acontecimentos estimulam fatos maiores que chegam em uma enxurrada de dor e rancor. Em “Entre Cegos e Invisíveis”, o quadrinista André Diniz constrói um drama sobre família, preconceito, aparências e natureza pessoal utilizando o fenômeno da super-Lua e o cenário político e social do país como importantes coadjuvantes. Publicado primeiramente em Portugal – onde esse carioca reside –, “Entre Cegos e Invisíveis” teve edição nacional agora no final de 2019 pelo selo Café Espacial com 128 páginas e é mais um trabalho de alto nível de um autor que não cansa de forjar ótimas obras.

Nota: 8
Instagram do autor: https://www.instagram.com/andredinizhq

“Homem-Aranha: Azul”, de Jeph Loeb e Tim Sale (Panini Comics)
Uma história sobre se apaixonar, sobre perder e sobre seguir em frente. Simples e singela no seu cerne como tantas outras histórias, “Homem-Aranha: Azul” se tornou um pequeno clássico do aracnídeo por conta da delicadeza, condução e arte. A Panini Comics publicou a obra da primeira metade dos anos 2000 por aqui em vários formatos, porém lançou em 2019 uma nova (e bonita) edição de 168 páginas e capa dura com textos e esboços. Jeph Loeb e Tim Sale, responsáveis por obras com tônicas parecidas (“Demolidor: Amarelo”, “Hulk: Cinza” e “Capitão América: Branco”) contaram com as cores de Steve Buccelatto para mostrar um Peter Parker que de acostumado a ser invisível passa a se destacar mais e acaba se apaixonando por Gwen Stacy. Entre brigas com vilões, diminutas lições de vida e sonhos feitos e desfeitos, “Homem Aranha: Azul” ainda é um trabalho que carrega um sólido charme.

Nota: 8,5

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop ( http://coisapop.blogspot.com.br ) e colabora com o Scream & Yell desde 2009!

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