Três livros: “Fogo & Sangue – Vol 1”, “Hibisco Roxo” e “Economia Donut”

Resenhas por Adriano Mello Costa

“Fogo & Sangue – Volume 1”, de George R. R. Martin (Editora Suma)
Quando Aegon, o Conquistador, chegou em Westeros com seus dragões a tiracolo, toda a história do(s) reino(s) mudou drasticamente. Em “Fogo & Sangue – Volume 1” (Fire And Blood), George R. R. Martin conta um pouco mais sobre os 300 anos de reinado dos Targaryen até que a rebelião comandada por Robert Baratheon matasse Aerys II, o Rei Louco, e desse início a saga que fez estrondoso sucesso tanto nos livros quanto na televisão. Lançado pela editora Suma no final do ano passado com 598 páginas e tradução de Regiane Winarski e Leonardo Alves, o livro – que apresenta partes anteriormente publicadas em 2013, 2014 e 2017 em outras obras – é narrado bem depois que os fatos aconteceram e são baseados em relatos de um septão, um meistre e um bobo da corte (que rende as melhores passagens). “Fogo & Sangue” apresenta em farta quantia de coisas que o autor explorou de forma competente em “Game Of Thrones”, tais como mentiras, traições, intrigas, guerras, religião e sexo, mas aqui com um pouco de humor. O livro amarra algumas coisas, explica outras e até levanta alguns novos questionamentos, no entanto não ultrapassa aquilo que realmente é: um subproduto voltado para fãs e devotos da história “original” que serve para suprir a ausência do próximo livro que não chega nunca. Em determinadas pedaços a leitura fica tão arrastada e desenxabida que é difícil seguir adiante. O ponto alto acaba sendo as ilustrações de Doug Wheatley (Superman, Hulk, Conan), que acrescentam bastante ao texto.

Nota: 4 (leia um trecho)

“Hibisco Roxo”, de Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras)
“Hibisco Roxo”, de 2003, é o primeiro livro da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie que depois se tornaria uma das relevantes autoras da atualidade com livros como “Americanah” e famosas palestras. “Hibisco Roxo” (Purple Hibiscus) ganhou edição nacional em 2011 pela Companhia das Letras que constantemente faz reimpressões, como agora em 2019 com tradução de Julia Romeu e 328 páginas. Nele somos apresentados a jovem Kambili e a um país que está permanentemente na corda bamba, na luta entre manter tradições e crenças e/ou se adequar as mudanças trazidas pela colonização branca, enquanto os processos políticos e sociais são instáveis e geram corrosivos efeitos. O pai de Kambili é um empresário de sucesso que ao mesmo tempo em que ajuda bastante a comunidade e pessoas estranhas gere com mão de ferro a família, formada além dela pela mãe e por um irmão. O pai que assumiu a religiosidade dos colonizadores despreza os deuses antigos e guia os passos dos seus quase como um diretor de presídio. Sufocada e sem conhecer outra realidade, as coisas mudam para a jovem quando vai passar um tempo com a tia, professora de universidade e residente em outra cidade. E aí ela começa a perceber que o mundo não era o que pensava. Com a realidade nigeriana de pano de fundo (que em alguns aspectos não difere muito da nossa), a autora mistura autobiografia e ficção em um relato que por mais simples e sensível que possa parecer de início, carrega uma força arrebatadora junto consigo.

Nota: 8 (leia um trecho)

“Economia Donut”, de Kate Raworth (Editora Zahar)
Uma outra economia é possível? Uma que consiga aliar o crescimento econômico com questões ambientais, sociais, comportamentais e igualitárias, sem esgotar os recursos do planeta e diminuindo as desigualdades de toda e qualquer estirpe? Para a britânica Kate Raworth a resposta é sim, mesmo que seja um processo bem complicado. Além de economista, a autora é professora e pesquisadora da universidade de Oxford com grande experiência em outras instituições. Em “Economia Donut” (Doughnut Economics), que a editora Zahar publicou no país em 2019 com 368 páginas e tradução de George Schlesinger, ela propõe um modelo econômico diferente que venha a substituir o que guia a humanidade nos últimos séculos e se tornou, além de obsoleto, bem prejudicial. Para que esse modelo tivesse como ser visualizado ela criou um gráfico que parece com a famosa rosquinha e daí vem o nome. O livro propõe ideias e discussões que buscam quebrar essas teorias há muito estabelecidas para gerar um pensamento econômico que seja repassado desde já para a nova geração a fim de que seja possível definir metas de longo prazo para a humanidade como um todo, humanidade que hoje está na casa dos 7 bilhões de habitantes e tende a bater 10 bilhões em 2050. Desaprender o que sabemos e reaprender novamente por outro viés é necessário na visão da autora. O resultado é um trabalho expressivo que carrega a virtude de poder ser entendido mesmo por quem não tem muita sapiência na área. Um dos livros do ano, sem dúvida.

Nota: 9 (leia um trecho)

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop ( http://coisapop.blogspot.com.br ) e colabora com o Scream & Yell desde 2009!

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