Faixa a faixa: “Do Começo ao Fim?”, Moara

texto de introdução por Marcelo Costa
Faixa a faixa por Moara

Em 2018, aos 24 anos, a cantora e compositora brasiliense Moara debutou com o EP “Peito Aberto”, um disco de cinco faixas que buscava por auto-aceitação. Com apenas disco, Moara tocou na Noite Buca Brasilia dentro da SIM São Paulo 2018, e ainda passou pela Caixa Cultural São Paulo, Sonora Soma, Casa Vulva, RedBull Station, Festival CoMA, CCBB Rio de Janeiro, Móveis Convida e Festival PicNik. Agora ela mergulha em “Do Começo ao Fim?”, seu segundo EP, cujo ponto de partida foi muito choro, “num processo intenso, denso”.

Completamente gravado no quarto de Moara (“Gravar no meu quarto foi uma escolha, toda minha criação começa ali, onde eu durmo, acordo, escrevo, choro… antes de qualquer lugar, esse é o meu lugar”, ela conta), o EP “Do Começo ao Fim?” conta com seis composições escritas em períodos e cidades diferentes. “Com o mesmo cuidado que busquei o som, encontrei quem o construiria comigo”, ela explica. Dai que a produção, arranjos, mixagem e masterização é assinada por Vitor Ribeiro, irmão da artista, e o amigo Léo Ribeiro também assina as produções e arranjos.

Para Moara, “Peito Aberto”, o primeiro EP, significava “o encontro com a parte de mim que neguei durante anos, é o grito que eu calei”. Era um EP forte, corajoso. Já “Do Começo ao Fim?” nasceu de um momento de fragilidade: “Eu revisitei cada etapa de uma história, me percebi nela e, sem medo, falei sobre. ‘Do Começo ao Fim?’ pode ser ouvido de trás pra frente, do meio em diante, em qualquer ordem e, independente disso, a identificação é possível”, acredita Moara. Abaixo você ouve o disco (que também está disponível nos principais portais de streaming do país) e confere o faixa a faixa escrito por Moara. 

Faixa a faixa, por Moara

“Um Meio”: Essa faixa é uma provocação. Nos remete a ambiguidade de quem busca um meio para falar (e fala) e ao desespero de quem não recebe meio minuto para se expressar (e não se contém).

“A Dos Meus Olhos”: Foi a primeira música que escrevi na vida, aos 17 anos. Tanto tempo depois, é bonito olhar pra trás e revisitar essa Moara, adolescente, apaixonada. Para o EP essa música virou uma parceria com o Léo, pois refizemos juntos o arranjo inteiro e era exatamente o que eu queria.

“Cê Sabe”: Nesse disco eu não me prendo a rótulos sonoros e mantenho o foco na história em si, cada momento tem um sentimento, uma levada, assim como na vida real. Lembro da felicidade absoluta no momento em que escrevi essa música e esse ar de diversão, deboche e medo de perder tudo que é bom, tá bem ali, é só ouvir.

“Silêncio”: Em algum momento o assunto acaba, os olhos se distanciam, os esforços são reduzidos a quase zero. Em algum momento a distância aumenta e essa solidão a dois sufoca, desespera. Essa faixa surge quando um dos lados desiste e o contexto sufoca. Ela é um grito embaixo d’água, onde ninguém pode ouvir, “machuca que passa”.

“O Melhor”: Essa faixa deixa explícita uma relação que terminou envolta em desrespeito. Expõe a sensação de impotência de quem dá tudo o que tem e ainda assim se vê sendo desconhecida por quem amou. Ela aflora a dor da decepção, do desapontamento. Uma expectativa que se quebra e a realidade que se mostra.

“Houve”: Essa música foi composta num quarto de hotel em Porto Alegre e veio de uma vez só no meio de muito choro, num processo intenso, denso. Era choro de alívio, a paz de quem percebe que é hora de seguir e se dá conta que, sem perceber, já começou a seguir. Ela deu origem ao álbum, foi nesse momento em que tudo começou a nascer.

 

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