Ao Vivo: Fernanda Abreu em São Paulo com seu “Amor Geral” e muitos hits

 por Renan Guerra

Em 2016, depois de 12 anos de hiato, Fernanda Abreu lançou o ótimo “Amor Geral”, que gerou a turnê de mesmo nome, que segue na estrada até agora, dois anos depois. A “garota carioca suinge sangue bom” mostrou seu show em três sessões com ingressos esgotados no aconchegante e pequeno teatro do Sesc 24 de Maio, no centro de São Paulo. O Scream & Yell assistiu o último horário na quinta-feira, 29 de agosto – a cantora já havia apresentado o mesmo show às 18 horas.

Prestes a completar 58 anos no dia 8 de setembro, Fernanda esbanja energia em um show pop, que consegue casar muito bem as canções de “Amor Geral” com seus hits de outrora. Acompanhada de uma banda com formato clássico – bateria, guitarra, baixo e teclados –, Fernanda expande seu universo eletrônico e funk, trazendo força e suinge para as canções, que crescem ainda mais no ao vivo. Ela entra no palco com a faixa-título “Amor Geral”, uma espécie de intro spoken word, onde dança ao lado de sua backing vocal e sua dançarina, numa perfomance que mescla dança contemporânea, vogue e outros ritmos de street dance.

De shortinho de couro e botas overknee, ela solta hit atrás de hit, em um show enérgico, no qual ela dança, pula, rodopia e faz coisas que não param de surpreender até o fim. Do disco “Amor Geral” aparecem faixas como “Outro Sim”, “Deliciosamente”, “Saber Chegar”, “Tambor” e “Double Love”; as baladas mais tranquilas são deixadas de lado, mesmo sendo esse um show de teatro.

Dos hits antigos, Abreu faz um medley divertidíssimo que resgata diversas faixas do seminal “Sla Radical Dance Disco Club” (1990); de “SLA 2 Be Sample” (1992) aparece “Rio 40 Graus” e “Jorge da Capadócia”; de “Da Lata” (1995) aparece “Veneno da Lata” e “Garota Sangue Bom”; de “Raio X” (1997) vem “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá” e “Jack Soul Brasileiro”, cantada em homenagem a Jackson do Pandeiro. Ainda aparecem “Eu Vou Torcer”, cover de Jorge Ben presente em “Na Paz” (2004), e “Baile da Pesada”, do “Entidade Urbana” (2000).

Com uma quantidade de hits que nem cabem nos dedos da mão, era fácil Fernanda fazer um show com cara de greatest hits e com cheiro de coisa antiga, porém não é o que vemos no palco: a cantora e sua banda conseguem dar unidade para o show e deixar todas as canções com uma sintonia que casa com o universo de “Amor Geral”. Depois de dois anos na estrada, é interessante perceber que o show está bem amarrado, coeso, o que é apenas ressaltado pelas qualidades técnicas do teatro do Sesc 24 de Maio, com sua acústica invejável e sua beleza estética.

Com um público animado, que cantava em uníssono todas as canções, no final das contas, o que é bonito de se ver é a alegria de Fernanda no palco; mesmo sendo o segundo show da noite, ela não poupou energia e parecia genuinamente feliz ao lado de seus companheiros de banda, trocando olhares cúmplices, risadas e carinhos. “Amor Geral” é um grande show de uma artista que consegue dominar a complexidade da canção pop e, por isso mesmo, nos faz sair do teatro com um sorriso no rosto, daqueles que só a boa música pode causar.

Depois da turnê de “Amor Geral”, a promessa de Fernanda Abreu para 2020 é um projeto especial para celebrar os seus 30 anos de carreira solo, marcado com o lançamento de “Sla Radical Dance Disco Club”, em 1992 – não seria nada mal se ela fizesse uma turnê especial tocando esse disco na íntegra. Vamos aguardar!

– Renan Guerra é jornalista e escreve para o Scream & Yell desde 2014. Também colabora com o Monkeybuzz. As duas fotos são de Alexandre Calladinni

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