Existe vida inteligente na seção infantil da Netflix

por Karina Lacerda

Ter filhos muda um monte de coisa na vida dos pais. Muda a rotina, as prioridades e o que a gente consome: não só comida, mas também diversão e arte. Se você tem filhos pequenos sabe que o controle da TV pode ser mais disputado que o trono de ferro de Westeros e que nem sempre a briga é justa. A ideia aqui não é incentivar ninguém a largar o filho na frente da tela da TV por horas, mas trazer algumas alternativas a famigerada Galinha Pintadinha e ao moço bigodudo do Mundo Bita:

01) Para crianças muito pequenas, o colorido o e a música chamam mais a atenção do que a história em si. A animação brasileira “MÔNICA TOY” é divertida e curta. O estúdio Maurício de Souza preparou a série já pensando em conquistar o público gringo: sem diálogos e com situações que se resolvem só com onomatopeias e com muitas referências pop, como nos quadrinhos. Na Netflix só está disponível uma temporada do “Mônica Toy” com seis compilados de episódios de 10 minutos cada, tempo perfeito para não deixar nenhuma criança feito um zumbi na frente da telinha. E os episódios foram pensados como “entretenimento que agradasse diretamente jovens e adolescentes”, contou Bruno Honda no Scream & Yell uns anos atrás. (Dica amiga: no Youtube da Turma da Mônica você encontra muito mais episódios disponibilizados pelo próprio estúdio).

02) “BEAT BUGS” é uma animação fofinha com insetos cantores. As histórias são bonitinhas, em torno de 25 minutos, com boas intenções e personagens engraçadinhos. Mas o grande pulo do gato aqui é a trilha sonora: todas as canções são todas versões de músicas dos 4 cabeludos de Liverpool, feitas por um time de músicos reunidos pelo criador da série – o australiano Josh Wakely. A trilha faz a alegria de qualquer marmanjo: tem participações desde o também australiano Daniel Johns (Silverchair), das cantoras Sia e Pink e das vozes emblemáticas do grunge: Eddie Vedder e Chris Cornell. Corre. A Netflix disponibiliza três temporadas.

03) Já se encheu da Peppa Pig? Os britânicos Neville Astley e Mark Baker, criadores da porca malcriada, tem outro desenho voltado para crianças chamado “O PEQUENO REINO DE BEN & HOLLY”, onde uma princesa fada e seu melhor amigo duende vivem situações típicas do cotidiano das crianças – como resolver disputas por brinquedos, contar a verdade sobre uma travessura para os pais e lidar com a falta de bom senso dos adultos… Os desenhos são curtinhos, coloridos, e cheios de diálogos nonsenses que divertem crianças de 3 a 5 anos de idade e pais de diversas idades. Os compilados de episódios tem 21 minutos e a Netflix tem uma temporada no catálogo.

04) “Porque o céu é azul?” “Escovar o dente pra quê?” “Qual a origem da batata frita?” Se você não sabe responder essas questões, não se aflija: os “STORYBOATS” sabem. Essa série americana traz cinco criaturas coloridas que explicam essas e outras dúvidas em uma mistura de animação com personagens reais em participações especiais. Mas especiais mesmo, como o apresentador Jay Leno, o cineasta Kevin Smith e o ator Edward Norton. E não subestime os roteiristas: não é todo dia que você vê o Snoop Dogg explicando o que é um código binário na TV. Cabe uma única reclamação: Só tem uma temporada na Netflix e isso é um absurdo!

05) Ainda na pegada “me explica direito isso aí”, a Netflix tem uma série muito bem pensada que traz conceitos de ciências para crianças maiores (e, quem queremos enganar? Para os adultos também!): “EU E O UNIVERSO”, apresentada pela atriz americana de ascendência indiana Sahana Srinivasan. A comparação com “O Mundo de Beakman” é inevitável – a série, apresentada por Paul Zaloom foi exibida pela Tv Cultura no fim dos anos 90 e fez toda uma geração se interessar pelos mistérios da natureza. Aqui, a série de 13 episódios foi produzida pelo cantor Pharrell Williams e traz soluções muito divertidas e simples para explicar desde os prós e contras dos germes até conceitos mais abstratos para crianças: como funcionam as emoções humanas, os pensamentos e a criatividade. As referências pop, o ritmo da edição e as sacadas do roteiro deixam o programa divertido – e informativo – para a família toda. Digno de maratonar e reprisar.

– Karina Lacerda (@naoeakazinha) é jornalista, trabalha na TV Cultura.

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