Livro: “Captain Fantastic – A Espetacular Trajetória de Elton John nos Anos 70″

Texto por Adriano Mello Costa

“Your Song”, “Tiny Dancer”, “Rocket Man”, “Mona Lisas And Mad Hatters”, “Bennie And The Jets”, “Goodbye Yellow Brick Road”, Don’t Let The Sun Go Down On Me”, “Bitter Fingers”, “Someone Saved My Life Tonight”. Essas são só algumas das canções que Elton John compôs nos anos 70, sendo a maioria ao lado do parceiro Bernie Taupin. Sem dúvida, essa década foi o momento mais brilhante do artista que por meio de canções como essas gravou discos excepcionais.

A fase contida nesses anos virou livro e teve publicação nacional no ano passado em edição da editora Benvirá com 320 páginas e tradução de Irenêo Baptista Netto. “Captain Fantastic – A Espetacular Trajetória de Elton John nos Anos 70” (“Captain Fantastic – Elton John’s Stellar Trip Trough The ‘70s, no original”) é escrito por Tom Doyle (que já havia assinado um projeto parecido – e tão bom quanto – sobre Paul McCartney: “Man on The Run”) e foi desenvolvido e forjado inicialmente para uma série de entrevistas realizadas para uma matéria na revista Mojo sobre o referido período, que rendeu tanto que Doyle decidiu esticar para o livro.

Os anos 70 foram anos loucos e esplêndidos regados por inseguranças, afirmações, criatividade e excessos. A trama, porém, começa no final da década anterior: Reginald Dwight era um garoto prodígio tímido e gordinho, fascinado pelo rock de nomes como Jerry Lee Lewis e Little Richard, colecionador de discos e ouvinte voraz das coisas ao redor. Com início periclitante pensou em desistir de tudo, mas as coisas mudaram na excursão aos EUA em 1970. Então com 23 anos (re)nasceu para a vida artística em shows antológicos no palco do lendário Troubadour.

Até então, o músico administrava a constante briga da personalidade introvertida com aquela extremamente oposta que exibia nos palcos e que fazia com que a música parecesse suprimida, jogada para segundo plano em detrimento do espetáculo. Todo o caminho até virar um popstar é narrado por Tom Doyle de maneira calma, mas sem deixar de ser incisivo. Um retrato de um outro mundo onde um show importava, uma resenha positiva tinha peso e a rádio tinha as gravadoras atuando fortemente na divulgação.

De 1970 a 1976, Elton John colocou 7 discos consecutivos no topo das paradas americanas e 14 singles entre os 10 mais. Foi musicalmente influente no mesmo patamar de nomes como Led Zeppelin, Rolling Stones e David Bowie. Depois do álbum duplo “Captain Fantastic And The Dirty Brown”, de 1975, as coisas começaram a degringolar e do alto em que se encontrava a queda foi considerável. Devorado pela cocaína e pelo excesso de trabalho uma crise emocional se instaurou e até a parceria com Taupin teve ruptura. Discos bem mais fracos vieram (como “Victim Of Love”, de 1979).

A associação com Bernie Taupin é um dos vários pontos emblemáticos nessa história toda. A maneira como ele aparece na vida do músico é coisa do destino. Daquelas coisas maravilhosas do destino. Outro ponto fascinante são os encontros narrados com figuras como John Lennon, Neil Diamond, Leon Russell, Brian Wilson, Iggy Pop, Groucho Marx e Rod Stewart. O de Lennon, em 1974 antes de tocarem juntos no Madison Square Garden em Nova York, é um maravilhoso caso a parte.

No meio dos questionamentos constantes que martelavam sua mente, Elton John passou por um processo imenso de afirmação, não só da própria capacidade técnica em menor instância, mas principalmente da questão pessoal com a sexualidade vindo finalmente à tona em relacionamentos complexos e protetores. E durante esse percurso que resultou em conquistas gigantescas e fracassos retumbantes deixou músicas boas, músicas realmente muito, muito boas.

Tom Doyle cumpre com louvor o desafio de narrar os fatos da vida de Elton nos anos 70 em “Captain Fantastic – A Espetacular Trajetória de Elton John nos Anos 70”. No momento em que o artista é tema de uma cinebiografia prestes a estrear nos cinemas mundialmente no final de maio (e que muitos projetam um sucesso de bilheteria semelhante ao de “Bohemian Rhapsody”, que hoje é a 54º maior bilheteria de todos os tempos), este livro serve como uma interessante leitura de apoio e introdução a um dos grandes nomes da música pop em todos os tempos. Dúvida? Segue aqui uma playlist com 37 canções e quase três horas dessa frutífera década (aproveite e leia um trecho do livro). Ouro.

Nota: 8,5

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop ( http://coisapop.blogspot.com.br ) e colabora com o Scream & Yell desde 2009!

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