Entrevista: MC Marechal

entrevista por Homero Pivotto Jr.

MC Marechal é vanguarda do rap nacional na atualidade. Na batalha desde o fim dos anos 1990, já esteve nas trincheiras de nomes relevantes para o estilo, como o grupo Quinto Andar. Também serviu de colaborador esporádico ao lado de figuras imponentes, tal qual Marcelo D2 e Fernandinho Beatbox. Mas seu exército, quando não de um homem só, costuma ter no máximo mais um fiel escudeiro operando as batidas sonoras que servem de base para letras instigantes.

Condecorado pelo público e por colegas do alto escalão, o rapper garante que vive de música, e não de disco. Tanto que até o momento nunca lançou nenhum álbum oficial para não fomentar a guerra comercial do show business. Mas avisa: “Vou lançar meus trabalhos no formato gravado também”. Eloquente e verborrágico na lírica, Marechal poupou munição ao responder esta entrevista. O artista deu suas impressões sobre a importância da leitura, comentou algumas composições próprias e revelou um pouco sobre seu código de conduta.

MC Marechal irá mostrar em Porto Alegre que é artilharia pesada dentro da música brasileira. Ele dispara suas rimas certeiras como atração cultural do Inked Art Tattoo Fest, em 12 de abril, sexta-feira, às 20h30min, no Centro de Eventos da FIERGS (Av. Assis Brasil, 8787). Mais informações neste link. O Inked Art Tattoo Fest ainda irá receber os finlandeses da Amorphis e a grande Ultramen, iniciando a turnê do álbum “Tente Enxergar”. Confira o papo com MC Marechal.

Seu rap é fortemente engajado. Por isso a pergunta: acha possível fazer som sem ativismo? Ou mesmo ativismo sem envolvimento com música?
Acho tudo possível.

Outro lance bacana na sua trajetória — e que tem a ver com a questão do engajamento — é a intenção de exaltar a arte. No seu caso, a música. Mas são colocações que serviriam para outras manifestações artísticas. Qual a importância da arte, em sua opinião? Como acredita que ela pode ajudar as pessoas?
Acredito que o ser que sabe se ajudar é um artista.

Tem ainda a leitura, que ganha destaque no seu trabalho com o Projeto Livrar — distribuição de livros em shows. O quão influente foi a literatura para você? E como diria que o ato de ler pode ser libertador para quem o pratica?
Leio diariamente… Ler provoca.

E o projeto Livrar, como surgiu e como funciona exatamente?
Surgiu de forma orgânica. Fui convidado para participar de um sarau em uma escola de SP pelo amigo Rodrigo Ciríaco (professor e escritor) e, com a ajuda de custo oferecida, comprei diversos livros de todos os participantes do sarau e distribuí em um show comercial que fiz de madrugada, no mesmo dia, no Inferno Club (SP). Do ato livros+levar, no dia seguinte, veio o nome Livrar. Achei interessante e resolvi continuar.

Em “Espírito Independente”, um som bem conhecido seu, há uma crítica forte à música feita apenas pra ganhar dinheiro. Versos como “Mais que música, é uma missão / Não rendo pra gravadora. / Quer me por sobre pressão / Não sei fazer o som do momento / Eu faço do momento um som” deixam isso claro. Como você definiria música de verdade? E como identificar esse tipo de som?
No verso específico falo mais sobre a “velocidade” e o “hype” do mercado, que muitas vezes acabam afetando a criatividade dos artistas comprometidos a essa agenda. Música de verdade é a que tem verdade. Você identifica quando também tem. É tipo amor.

Nessa mesma composição tem outro verso que chama a atenção “Meu disco? Nunca vai sair, vagabundo”. E, de fato, ainda não saiu. Por que isso? E como avalia que seu trabalho repercutiu tanto, mesmo sem um álbum oficial gravado?
Eu vivo de música, não de disco. Mas vou lançar meus trabalhos no formato gravado também.

Como você lida com o tempo — ou melhor: a passagem dele? Essa também é uma temática que aparece com certa frequência em suas letras, mesmo que não explicitamente.
O tempo é a vida. Se eu estiver sem tempo, estou sem vida. Procuro viver fazendo tempo.

Qual sua percepção sobre o rap nacional na atualidade?
Na busca.

O selo #VVAR segue ativo? Algo engatilhado para breve?
Sim. Trabalho com alguns artistas ainda em desenvolvimento. O mais breve, provavelmente, é o meu trabalho.

E a filosofia “Um Só Caminho: do que se trata, exatamente”?
É um código interno.

Considerando que tatuagem é arte, e isso tem tudo a ver com seu trabalho e com o Inked Art Tattoo Fest, poderia fazer uma rima sobre o tema, por favor?
Vou fazer no palco. 🙂

– Homero Pivotto Jr. é jornalista e responsável pelo videocast O Ben Para Todo Mal. Entrevista cedida pela Abstratti Produtora.

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